Como E Que E Um Aviao Por Dentro?

Em meio à pandemia de Covid-19, fabricantes de aeronaves, companhias aéreas, cientistas, autoridades e passageiros voltaram sua atenção para a segurança sanitária das aeronaves. Especialmente para a capacidade dos filtros de ar dos aviões efetivamente eliminarem o coronavírus.

Mas como o ar é filtrado dentro dos aviões? Essa tecnologia é mesmo capaz de evitar contágios durante as viagens de avião? Quais são os riscos de se contaminar no meio de um voo? Quais aeronaves possuem esses filtros de ar especiais? É seguro voar antes que uma vacina seja criada? Confira o que empresas, cientistas e especialistas afirmam sobre o tema até agora!

Como o ar é filtrado dentro dos aviões?

Os aviões modernos são equipados com filtros de ar particulado de alta eficiência, idênticos aos que os hospitais utilizam em ambientes monitorados, como centros cirúrgicos e unidades de terapia intensiva.

O ar no avião é coletado fora da aeronave e constantemente renovado. Uma parte (de 30% a 50%) dele é reciclada para manter a temperatura e a umidade nos níveis corretos.

E todo esse ar passa pelos filtros HEPA antes de ser liberado na cabine.

Como E Que E Um Aviao Por Dentro?

A tecnologia HEPA (High Efficiency Particulate Air filter) foi criada em 1940. Utiliza fibras muito unidas que retêm as impurezas do ar, removendo-as de circulação. Entre elas, micropartículas que poderiam transportar o coronavírus. O Covid-19 varia de 0,08 a 0,16 micrômetro, sendo de 8 a 16 vezes maior do que a faixa de partícula que os filtros HEPA capturam, de 0,01 micrômetro para cima.

Esses filtros são eficientes não apenas contra diferentes tipos de vírus. Eliminam também poeira, bactérias, fungos, ácaros, umidade e qualquer outro tipo de contaminação que possa potencialmente prejudicar passageiros e tripulantes.

E com uma eficiência impressionante, de 99,99%. Mesmo as partículas mais difíceis, na faixa de 0,1 a 0,3 micrômetro, são filtradas dentro desse nível de eficiência.

Isso porque utilizam o HEPA utiliza três diferentes processos de filtragem, de impacto, de difusão e de interceptação.

Ar renovado a cada dois minutos

O engenheiro chefe da Airbus, Jean-Brice Dumont, argumenta que as aeronaves foram projetadas para ter um ar extremamente limpo. “A cada dois ou três minutos todo o ar é renovado.

São 20 a 30 vezes por hora”, destacou.

O que oferece uma atmosfera muito mais segura e limpa do que a de qualquer escritório, banco, supermercado ou shopping center, por exemplo, ou mesmo do que outros meios de transporte, como ônibus, trem ou metrô.

O fluxo de ar das aeronaves também foi projetado para minimizar os riscos de infecção, explica Dumont: “O ar flui verticalmente. É soprado por cima da cabeça dos passageiros e expelido por baixo dos pés. Isso torna o nível de propagação de qualquer coisa no ar bastante limitado.”, enfatiza.

Segundo estudos dos fabricantes, esse movimento vertical do ar forma uma barreira protetora entre as fileiras, tornando altamente improvável que o vírus possa passar entre passageiros sentados na frente ou atrás um do outro.

Combinado com o uso de máscaras pelos passageiros, proporcionaria um nível de segurança bastante elevado.

Na imagem abaixo, apesar do conteúdo em inglês, é possível ver o esquema de ventilação dentro do avião, com a direção do ar:

Como E Que E Um Aviao Por Dentro?

Uma vez capturados por esses modernos filtros de ar, bactérias e vírus enfrentam uma umidade relativa do ar muito baixa, próxima de 10%, o que impede a sua sobrevivência. Além disso, os filtros HEPA são trocados periodicamente, conforme a orientação dos fabricantes.

Portanto, é um mito que os aviões são espaços confinados com alto risco de propagação de doenças infecciosas. O que talvez cause essa impressão é que o avião acaba sendo um ambiente muito seco.

Na altitude em que a maioria das aeronaves voa o nível de umidade é extremamente baixo. E essa secura na boca e no nariz pode causar uma irritação nas pessoas mais sensíveis, que podem tossir ou espirrar depois de um voo.

Aí ficam pensando que isso aconteceu por causa de algum vírus ou bactéria que adquiriram dentro do avião.

Mas será que os filtros HEPA são suficientes?

Foram realizados alguns estudos sobre o potencial de contaminação durante um voo.

Infectologistas descobriram que a barreira de fluxo regular de ar dos aviões (que joga o ar de cima para baixo) pode ser interrompida por passageiros ou tripulantes de cabine que deixam seus assentos e andam pelos corredores.

Essa ação poderia alterar a direção das partículas transportadas pelo ar, com um risco (ainda que baixo) de levar o vírus de um passageiro para o outro antes que ele passasse pela filtragem.

Como E Que E Um Aviao Por Dentro?

Manutenção de um filtro HEPA numa aeronave da Emirates

Mas os estudiosos são quase unânimes ao afirmar que o maior risco de transmissão de Covid-19 dentro de um avião estaria na interação de curta distância com uma pessoa infectada, como uma conversa frente a frente.

Estando mais distante, o risco é menor, mas não completamente eliminado. Isso porque, com alguém caminhando nos corredores, algumas gotículas poderiam ficar suspensas e viajar até 16 metros antes de serem filtradas.

Sem casos de transmissão em voos

Já a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) argumenta que precauções simples, como o uso de máscaras por passageiros e tripulantes, junto com a orientação de conter tosses ou espirros com os cotovelos, minimizam esses riscos quase por completo.

A IATA se baseia inclusive em estudos de rastreamento de contato realizados durante a pandemia, que não revelaram transmissão a bordo. Uma análise detalhada de 1.

100 passageiros que tiveram Covid-19 confirmada após viagens aéreas não revelou transmissão secundária entre os mais de 100 mil passageiros nos mesmos voos. Apenas dois possíveis casos foram encontrados entre os membros da tripulação, mas sem evidências que tenha sido dentro do avião.

Além disso, a comunicação com as companhias aéreas sobre casos similares indicaria os mesmos resultados, de acordo com a Associação.

Outro ponto a ser considerado são as superfícies do avião, como compartimentos de bagagem, mesas de refeição, apoio para os braços, monitores de entretenimento, revista de bordo, entre outros. Nesse caso, o risco é um passageiro contaminado deixar o vírus nesses locais, que precisariam ser desinfectados ou não tocados pelo próximo passageiro.

Para se contaminar o viajante teria que encostar nessa superfície contaminada e depois levar as mãos a boca, a parte interna do nariz, ou aos olhos antes de lavar ou desinfectar com álcool. Nesse sentido, as principais companhias aéreas do mundo têm redefinido procedimentos de limpeza para garantir uma aeronave limpa a cada etapa.

Mas isso não exime o passageiro de se precaver, tomando ele mesmo as precauções necessárias.

Como E Que E Um Aviao Por Dentro? Como E Que E Um Aviao Por Dentro?

O polêmico bloqueio do assento do meio

A maior polêmica entre o setor aéreo e os cientistas se dá em relação ao distanciamento social dentro dos aviões, com o bloqueio dos assentos do meio.

Os fabricantes de aeronaves e algumas companhias aéreas e infectologistas entendem que essa medida elevaria o preço das passagens em até 54%, sem oferecer como contrapartida um nível de segurança significativamente maior para o passageiro.

O entendimento é que o próprio assento do avião serve como uma barreira física de proteção.

E isso junto com o uso da máscara e os protocolos de limpeza e desinfeção postos em prática pelas empresas formariam barreiras suficientes para garantir um ambiente muito mais seguro do que qualquer outro. Por outro lado, alguns virologistas argumentam que qualquer medida que contribua mesmo que de forma limitada para minimizar o risco de contágio deveria ser tomada nesse momento.

No meio dessa discussão, outro risco acaba não recebendo a devida atenção por parte dos passageiros. É o de contaminação nas demais etapas de uma viagem, como no aeroporto, por exemplo.

Ao fazer o check-in, despachar a bagagem, comer numa lanchonete ou mesmo no momento do embarque, o passageiro está lidando com um ambiente sem esse tipo de filtragem de ar, como qualquer outro. Por isso, os cuidados devem ser redobrados, sendo o uso da máscara muito importante para diminuir o risco de contaminação.

Isso também se aplica quando estiver no carro ou no transporte público indo ou voltando do aeroporto, num restaurante ou numa atração turística. Afinal, não dá pra sair dando bobeira por aí e depois querer colocar a culpa no avião!

Por fim, os cientistas destacam que ainda se sabe relativamente pouco sobre o coronavírus. As orientações atuais foram feitas com base nos estudos e no conhecimento disponível.

Dessa forma, não é possível assegurar com 100% de certeza que não existe risco de contaminação dentro de uma aeronave.

Leia também:  Como E Quando Se Devem Enxertar As Oliveiras?

Apenas que é menos provável que você se contamine dentro de um avião, do que em outro local que você visite com frequência.

Todas as aeronaves são equipadas com filtros HEPA?

Segundo a IATA, todas as aeronaves dos principais fabricantes, como Airbus, Boeing, Embraer e ATR possuem filtros HEPA. Isso inclui, felizmente, todos os modelos usados na aviação comercial no Brasil.

No entanto, alguns aviões pequenos com cabine não pressurizada e modelos muito antigos não são equipados com essa tecnologia. Por exemplo, num antigo MD-80, a eficiência da filtragem de ar é de apenas 40%. Esse modelo ainda opera nos Estados Unidos, na frota da Delta Airlines, bem como no Irã, Venezuela, México e no Caribe.

Como E Que E Um Aviao Por Dentro?

Turboélices de pequeno porte utilizados na aviação executiva também não possuem essa tecnologia de filtragem.

Informações das companhias aéreas ao passageiro sobre a filtragem do ar nos aviões

A KLM divulgou um vídeo bem didático que explica todo o processo de filtragem de ar dentro de um avião.



A GOL explica em detalhes nesse vídeo como funcionam os filtros e os protocolos de limpeza em suas aeronaves:



Já a Latam preparou um material com mitos e verdades sobre a filtragem de ar nas aeronaves:

Como E Que E Um Aviao Por Dentro?

Por fim, a Boeing lançou um site dedicado ao tema viagem segura.

Ufa! Espero ter ajudado a trazer mais informação sobre a tecnologia de filtragem do ar dos aviões e os riscos de contaminação a bordo. Vale destacar que nosso objetivo aqui não é estimular ou desestimular viagens após a quarentena. Mas sim informar para que cada um possa decidir isso conforme sua necessidade, e ciente das condições e dos riscos.

E você, conhecia toda essa tecnologia por trás do ar do avião? O que achou?

Veja também:

Visão | A probabilidade de ser contaminado dentro de um avião é menor do que se pensa, concluem os investigadores

Viajar de avião ainda pode ser um momento crítico para muitos, mas assim como noutras atividades do quotidiano, a forma como se anda de avião também mudou, adaptando medidas para que nos sintamos mais seguros e protegidos. O principal receio? Sair do avião contaminado. Mas os especialistas defendem que a probabilidade de ser contaminado durante uma viagem é bastante reduzida.

Um exemplo disso foi um voo dos Estados Unidos para Taiwan, que dos 328 passageiros que transportava, 12 estavam infetados mas assintomáticos. Depois de se descobrir os casos contaminados, foram testados todos os passageiros que estavam no avião, incluindo a tripulação, e nenhum destes deu positivo para a Covid-19.

No mesmo sentido, um grupo de investigadores do Instituto de Virologia Médica do Hospital Universitário de Frankfurt, na Alemanha, analisou o caso de um voo de quatro horas de Telavive a Frankfurt, no dia 9 de março deste ano.

O estudo publicado na JAMA Network conclui que apenas dois passageiros foram contaminados depois de voarem com um grupo de sete turistas que estiveram em contato com um gerente de hotel infetado e que também ficaram contaminados.

Uma das explicações para o nível de risco ser aparentemente baixo é a circulação de ar fresco, a cada dois ou três minutos, com os aviões são equipados com filtros de ar preparados para reter a maioria das partículas.

As máscaras utilizadas pelos passageiros e tripulantes, que são obrigatórias na maioria das companhias aéreas, a medição da temperatura, bem como a limpeza intensiva das cabines e limitação de movimentos dentro do avião, durante o voo, também contribuem para esta baixa taxa de contaminação.

O banco do meio dos aviões deve estar vazio?

Arnold Barnett, professor de estatística da Sloan School of Management do Massachusetts Institute of Technology, realizou um estudo onde quantificava a probabilidade de infeção a bordo de um avião, durante um voo curto, onde o banco do meio estaria vazio.

“A maioria das coisas são mais perigosas agora do que antes da Covid, e a área da aviação não é exceção”, disse o investigador à CNN . “Mas existem três coisas que precisam de estar erradas para se ficar infetado durante um voo.

Tem que haver um paciente contaminado com Covid-19 a bordo e tem de ser contagioso”, diz. “Se houver tal pessoa no voo, presumindo que esta esteja a usar uma máscara, a máscara tem de ‘falhar’ para impedir a transmissão”, explica.

“As pessoas também precisam estar próximas o suficiente para que haja o perigo de haver uma transmissão”.

O estudo teve como base voos de curta duração, de duas horas, nos Estados Unidos, com aviões com três bancos de cada lado do corredor. As conclusões da análise, sempre supondo que os passageiros estão a utilizar máscaras, referem que o risco de contágio dentro de um avião é de 1 em 4300, mas esta probabilidade diminui quando o banco do meio está vazio, para 1 em 7700.

Como esta conclusão diz respeito aos EUA e a voos de curta duração, o autor do estudo alerta que as probabilidades serão menores para voos feitos noutras partes do mundo onde existem poucos casos de Covid-19, e maiores para voos de longa duração.

O investigador defende que não existe muita diferença entre um passageiro que está sentado ao lado da janela ou junto ao corredor. “Estatisticamente, o banco da janela é um pouco mais seguro do que o banco do meio ou o banco do corredor num avião cheio. Mas não é uma grande diferença.”

Esta medida, de deixar o banco do meio vazio, foi adotada por várias companhias, como a Delta Air Lines, a Southwest Airlines e a JetBlue Airways. No entanto, Alexandre de Juniac, diretor geral e CEO da International Air Transport Association (IATA) referiu, o mês passado em comunicado, que esta medida é “economicamente inviável ” para as companhias aéreas.

Em julho, a Qatar Airways tornou-se a primeira companhia aérea a tornar obrigatório, para os passageiros, o uso de viseiras, além das máscaras.

As viseiras, fornecidos pela companhia, são obrigatórias para os passageiros da classe económica, menos quando estão a comer ou a beber.

Os passageiros que viajam na classe executiva podem usá-las “a seu critério, pois têm mais espaço e privacidade”. No entanto, todos os passageiros devem usá-los durante o embarque e desembarque.

AviãocoronavírusCovid-19Viajar Como E Que E Um Aviao Por Dentro?

Coronavírus: como evitar o contágio em voos

Veja algumas medidas que foram postas em prática e o que cada passageiro pode fazer para não transmitir o vírus e nem ser contaminado.

Distanciamento social

Quem precisar viajar deverá manter um distanciamento de outras pessoas, fala-se de pelo menos 2 metros. Essa medida deverá ser estimulada nos momentos de check-in, raio-x e embarque.

Utilização da máscara

No começo da pandemia, o uso contínuo de máscaras não era incentivado, mas as recomendações mudaram completamente com o espalhamento da doença. Agora, as três principais aéreas brasileiras obrigam que o passageiro embarque com a sua própria máscara. Lembrando: pessoas assintomáticas podem transmitir o vírus e a barreira de pano também protege contra a contaminação.

A Lufthansa anunciou a obrigatoriedade das máscaras desde o dia 1 de maio em todos os voos. Com a medida, a empresa deixou de manter o assento do meio livre, pois considera que o artefato sobre o rosto oferece a proteção adequada.

A American Airlines anunciou que irá fornecer máscara e álcool em gel para todos os passageiros. A Air France-KLM tornou obrigatória a utilização de máscaras desde o dia 11 de maio.

A regra será válida dentro da aeronave e durante o período do embarque, em qualquer voo operado pelas companhias.

Reserve um assento próximo à janela

Um estudo de 2018 da Universidade de Emory, nos Estados Unidos, concluiu que uma das maneiras de evitar doenças contagiosas – não só o coronavírus – durante um voo, é buscar um assento na janela.

Longe do corredor, o passageiro tem cinco vezes menos encontros com outras pessoas, o que diminui as chances de entrar em contato com alguém infectado. Em suma: uma vez sentado na janela, melhor nem levantar.

Caso o passageiro queira ou precise ocupar um assento no corredor, é recomendável que seja longe do banheiro, que é o lugar onde as pessoas mais se aglomeram.

Como E Que E Um Aviao Por Dentro? Passageiros que sentam na janela correm menos risco de contágio em comparação aos que sentam no corredor. Esse daí esqueceu da máscara

Passageiros que sentam na janela correm menos risco de contágio em comparação aos que sentam no corredor. Esse daí esqueceu da máscara (Reprodução/Getty Images)

Não encostar no rosto

Assim como a cada voo o chefe de cabine anuncia que é preciso prestar atenção aos procedimentos de segurança, mesmo para quem é passageiro frequente, da mesma forma continuarão a ser martelados os cuidados para evitar a contaminação: não colocar a mão na boca, nariz e olhos, mesmo se estiver usando máscara e, principalmente, em ambientes com aglomerações, como é o caso dos aeroportos. 

Leia também:  Como E Que As Mulheres Se Masturbam?

Ao tossir ou espirrar, é importante não cobrir o rosto com as mãos, e sim com algum lenço de papel que possa ser descartado em seguida. Levar a dobra interna do cotovelo até a boca na hora de tossir ou espirrar pode ser uma boa maneira de evitar que o vírus espalhe.

Lavar as mãos 

A higienização das mãos segue sendo um dos principais modos de combater o coronavírus, como indica o Center for Disease Control and Prevention (CDC), centro de referência em saúde nos Estados Unidos.

Mas o método só é eficaz se feito de forma adequada, realizando uma lavagem por cerca de 20 segundos e abrangendo todas as partes da mão e o pulso. Até música e dancinha foram inventados para incentivar.

Caso não consiga lavar com água e sabão, o álcool em gel é uma eficaz alternativa. Gol, Azul e Latam anunciaram que fornecem o produto dentro de suas aeronaves.

Faxine o seu próprio assento

E uma última atitude que pode ser tomada pelo passageiro é a limpeza do próprio assento. Sim, ser TOC está permitido.

Munido de lenços de papel desinfetantes, as pessoas podem higienizar a mesinha, a fivela do cinto, os braços da poltrona e, se houver, a TV e o controle remoto. No caso do assento, vai depender do material. Se for de couro ou de algum material similar, vá em frente.

Se for de tecido, melhor evitar, já que a umidade pode ajudar na proliferação do vírus. Evite usar lenços de bebê, que não possuem a quantidade de álcool adequada.

Saiba como é a limpeza das aeronaves

Viajar de avião na pandemia: que cuidados devo tomar?

Como E Que E Um Aviao Por Dentro?

Como se preparar para viajar de avião na pandemia

Nesses tempos A.V. (Antes da Vacina), mesmo os viajantes mais experimentados voltaram a ter medo de avião.

  • O motivo é claro: os meios de transporte são os únicos ambientes onde não vigoram os protocolos de distanciamento social.
  • Os aviões, pelo menos, levam uma vantagem com relação ao transporte urbano: os poderosos filtros HEPA e o sistema de refrigeração forçada são capazes de inativar o vírus da Covid.
  • Mas isso não evita que os passageiros estejam demasiadamente próximos uns dos outros — de uma maneira que não seria permitida num restaurante ou salão de beleza.

Se você vai embarcar num avião, esteja preparado para o que vai encarar. É melhor não ter falsas ilusões.

  • As cias. aéreas estão vendendo o assento do meio, sim

Um voo com os assentos do meio vagos não tem como ser rentável. Voos com poucos passageiros têm sido cancelados e os passageiros realocados em outros horários. É raro um avião não decolar lotado.

  • Dentro do avião, o distanciamento social não é factível

O embarque e o desembarque podem ser ordeiros, mas o distanciamento de 1 metro e meio para quem está à sua frente na fila é uma impossibilidade. Mesmo se fosse possível, ao avançar pelo avião você passa rente aos colegas que já estão sentados no assento do corredor.

Como se preparar para voar

De todo modo, é possível, sim, diminuir o nível de paranoia. Se você precisa viajar de avião, siga estas recomendações:

As máscaras modelo N95 (usadas por profissionais de saúde e marceneiros) têm filtragem de padrão hospitalar, oferecem excelente vedação e podem ser usadas por várias horas seguidas. Além disso, podem ser reutilizadas no vôo da volta, depois de 'descansar' em ambiente ventilado. Prefira marcas boas como 3m ou Camper.

  • Acrescente um óculos de ampla visão ou um face shield

Esta sobreproteção reforça o escudo contra os aerossóis emitidos pelos passageiros a seu lado. (Depois de passar seu óculos ou face shield no raio x, não se esqueça de higienizar a peça com álcool-gel.)

  • Ative a ventoinha acima do seu assento
  • Passe álcool gel com frequência nas mãos

Quando chegarmos ao mundo D.V. (Depois da Vacina), os perengues antigos de voar de avião vão ser fichinha, concorda?

Leia mais:

Coronavírus e avião: risco só é alto para quem está próximo de infectado

O transporte aéreo de passageiros foi uma das atividades mais afetadas pela pandemia da covid-19.

A demanda por voos domésticos no Brasil retraiu em 93% e os voos internacionais praticamente foram paralisados em abril e maio, segundo dados da Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas).

Apesar de uma ligeira retomada nas decolagens a partir de junho, a volta ao patamar anterior ainda não figura no horizonte das companhias.

O necessário distanciamento social explica a mudança de comportamento dos passageiros. Viagens de turismo e de negócios foram canceladas ou adiadas.

Reuniões, congressos e eventos passaram a ser realizados por videoconferência. Por ora, viaja quem precisa. E viaja preocupado.

Aeronaves oferecem transporte em um ambiente fechado onde o convívio com desconhecidos, que podem ou não estar contaminados, é inevitável.

Apesar de os riscos de transmissão de infecções em aeronaves não serem totalmente conhecidos, um estudo realizado em 2018 nos Estados Unidos, antes da deflagração da pandemia do novo coronavírus, ajuda a dimensionar as situações durante o voo que geram as maiores probabilidades de contaminação por doenças respiratórias transmitidas por gotículas de saliva, como é o caso da covid-19.

Uma equipe de pesquisadores liderados pela bioestatística Vicki Stover Hertzberg, da Universidade Emory, em Atlanta, e pelo matemático Howard Weiss, do Instituto de Tecnologia da Georgia, acompanhou 1.

540 passageiros da classe econômica e 41 comissários de bordo em 10 voos nos Estados Unidos.

As viagens, com duração média entre 3 e 5 horas, foram feitas em aeronaves padrão para voos domésticos, com um único corredor separando duas fileiras de três assentos.

A conclusão da pesquisa é que o risco de transmissão de doença respiratória é alto para os passageiros sentados a até 1 metro de um infectado, e é improvável para quem está mais distante. Assim, o risco maior é para quem está à frente, atrás ou ao lado de um passageiro doente.

Mas os movimentos de passageiros e tripulantes podem aumentar o risco. Um indivíduo em movimento na aeronave pode se aproximar de um eventual contaminado. Um passageiro sentado na poltrona do corredor tem mais contato com indivíduos em movimento.

Aglomerações de pessoas nos corredores da aeronave esperando a porta se abrir para o desembarque também são um problema, assim como filas desorganizadas de embarque.

O virologista Fernando Spilki, presidente da Sociedade Brasileira de Virologia e pesquisador do Laboratório de Microbiologia Molecular da Universidade Feevale, em Nova Hamburgo (RS), diz que, no caso de detecção de um passageiro contaminado pelo novo coronavírus, a zona de risco a ser investigada, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), compreende duas poltronas laterais e duas fileiras para trás ou para a frente. Ele afirma, ainda, que já foi reportada mais de uma vez a transmissão de doenças respiratórias e entéricas – que afetam estômago e intestino – em viagens de avião, e não só nos assentos próximos de passageiros infectados.

“O avião é um ambiente de risco, e o uso de máscara é imprescindível diante da pandemia de Covid-19, assim como todas as precauções de distanciamento social”, pondera Spilki.

Outro problema, alerta o virologista, é a possibilidade de as gotículas impregnarem objetos como cintos de segurança, braços de poltronas e maçanetas de portas de banheiro.

“Ainda que essa talvez seja uma forma mais improvável de contágio, ninguém sabe ainda quanto tempo o Sars-CoV-2 continua ativo nesses objetos”, ressalta.

“Riscos sempre existem. Nosso desafio é mitigá-los a um nível aceitável para quem precisa voar”, opina Ruy Amparo, diretor de Segurança e Operações de voo da Abear.

Ele relata que as companhias aéreas estabeleceram em conjunto com a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) uma série de procedimentos para pautar suas ações em tempos de pandemia.

Entre elas, a desinfecção das aeronaves em cada pouso, mesmo em escalas de voos.

Outra norma é a obrigatoriedade do uso de máscaras para tripulantes e passageiros. Antes dos voos, os passageiros passam por uma verificação de sinais de febre.

Já os tripulantes foram treinados para identificar e isolar passageiros que apresentem sintomas da doença durante o trajeto. Os comandantes têm o poder de interromper o voo, caso necessário.

Leia também:  Como Reconquistar O Namorado Que Pediu Um Tempo?

Circulação do arHá uma preocupação especial com o ar que circula nos aviões. Recentemente, a OMS reconheceu que existem evidências de que o novo coronavírus pode ser transmitido por meio de aerossóis – gotículas que ficam em suspensão no ar produzidas por espirro, tosse ou fala de pessoa infectada.

Amparo explica que ar que se respira nas aeronaves comerciais é renovado a cada três minutos. Funciona assim: um sistema do avião capta o ar rarefeito do ambiente externo, onde a temperatura gira em torno de 50 oC negativos.

Ele então passa pelo compressor do motor, onde esquenta e depois é resfriado no sistema de refrigeração e misturado em uma proporção de 50% com o ar da cabine. Depois o ar flui verticalmente.

É distribuído a partir do lado de cima da aeronave e sugado por baixo, reduzindo a possibilidade de circulação horizontalmente entre as fileiras de assentos. O ar captado no assoalho é filtrado por um sistema denominado high efficiency particulate air, conhecido pela sigla Hepa.

“É um sistema modernizado constantemente. O que equipa as aeronaves atuais é capaz de filtrar acima de 99,7% das partículas transportadas pelo ar”, diz Amparo.

O professor de engenharia e ciências mecânicas Jurandir Itizo Yanagihara, responsável pelo Centro de Engenharia de Conforto da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), atesta o desempenho dos filtros Hepa, que também são utilizados nos principais centros cirúrgicos e unidades de terapia intensiva hospitalares.

“O Hepa é capaz de capturar partículas com 0,01 mícron de diâmetro. O coronavírus é maior, tem entre 0,06 e 0,14 mícrons, e as gotículas que podem carregá-lo são ainda maiores”, compara.

O sistema de ar também dificulta que as partículas do vírus viajem pelo avião, mas não impede uma contaminação direta.

“Um infectado ao falar, tossir ou espirrar emite gotículas que podem atingir um indivíduo próximo antes que as partículas passem pelo filtro de ar”, exemplifica.

Embarque e desembarqueUma das principais preocupações das companhias aéreas é evitar a aproximação das pessoas no embarque e desembarque das aeronaves. Para isso, as companhias estão estimulando o check-in e o despacho de bagagens on-line e realizando a conferência de documentos por aplicativos ou a distância, sem contato físico.

Na Europa, companhias ligadas à aliança Star Aliance, que reúne 26 companhias aéreas de diversos países, já testam a biometria facial para garantir mais segurança ao processo, recurso também em avaliação pela brasileira Gol.

Outra iniciativa é o ordenamento do embarque e desembarque por fileira de assentos, evitando aglomerações. A Azul adotou um sistema controlado por inteligência artificial, o Wavemaker, desenvolvido pela empresa paranaense Pacer, residente no Hipe Innovation Center, em Curitiba.

O sistema analisa as reservas confirmadas para o voo para organizar o embarque. Na sala de espera, projeta um tapete virtual no chão que orienta o passageiro para o momento exato de se dirigir ao embarque de acordo com o assento que irá ocupar e o ritmo de acomodação dos passageiros que já embarcaram.

Também indica a distância que deve manter dos demais passageiros na fila e o ritmo que deve avançar ou aguardar.

“O objetivo inicial era oferecer um sistema para organizar as filas e reduzir o tempo de embarque, que comprovamos ser possível diminuir pela metade.

O coronavírus demonstrou que a organização da fila também é uma questão de saúde pública”, diz André Pocai, sócio-diretor da Pacer.

A Azul já adota o sistema em seis aeroportos e outras companhias aéreas demonstraram interesse em contratar o Wavemaker.

A infectologista Tânia Chaves, membro da Sociedade Brasileira de Infectologia e professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Pará (UFPA), avalia que as medidas adotadas pelas companhias aéreas são acertadas, mas não suficientes. “Seria necessário garantir o distanciamento social também durante os voos, mesmo que isso encareça a passagem”, afirma.

Ela defende que uma mudança no layout das aeronaves para adotar poltronas individualizadas ou simplesmente eliminar o uso das poltronas do meio nas fileiras de assentos garantiria um maior distanciamento.

Outras medidas a serem adotadas, segundo a especialista, são a suspensão da alimentação durante voos domésticos e de curta duração e uma rigorosa limpeza das aeronaves a cada escala.

“A aviação é um meio de transporte coletivo seguro em tempos de pandemia, mas os protocolos de segurança com a saúde devem ser intensificados”, avalia.

Artigo científicoHERTZBERG, V. S. et al. Behaviors, movements, and transmission of droplet-mediated respiratory diseases during transcontinental airline flights. PNAS. v. 115, n. 14, p. 3623-37. 3 abr. 2018.

Republicar

  • Coronavírus
  • Sars-CoV-2
  • COVID-19

Este texto foi originalmente publicado por Pesquisa FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.

Todos a Bordo – Como funcionam os filtros dos aviões que renovam o ar a cada 3 minutos?

Em meio à pandemia do novo coronavírus, companhias aéreas de todo o mundo afirmam que o ambiente a bordo dos aviões é seguro, pois o ar interno nas aeronaves é renovado a cada três minutos e há filtros que bloqueiam 99,9% dos vírus e bactéricas, incluindo o novo coronavírus.

“A qualidade do ar sempre foi um requisito importante. Não é uma coisa que surgiu agora. Há muito tempo a indústria aeronáutica já se preocupa com isso e todos os projetos de sistemas de ar-condicionado e pressurização necessitam atender a esses padrões rigorosos de qualidade do ar dentro do ambiente da aeronave”, afirmou Alexandre Peronti, diretor de manutenção da Latam.

Circulação do ar

O ar dentro dos aviões está em circulação constante. Mais da metade do ar que entra na cabine pelo sistema de ar-condicionado é fresco, recém-captado do ambiente externo pelos motores.

O ar é direcionado pela tubulação até os filtros de ar do tipo hepa (usados em hospitais).

Depois da filtragem, o ar é direcionado para a saída do ar-condicionado, próxima aos bagageiros internos no teto do avião.

Esquema mostra como funciona a circulação de ar dentro do avião

Imagem: Reprodução

Depois de entrar na cabine, o ar frio desce em direção ao chão, onde ficam as válvulas de exaustão do ar. Uma parte volta ao sistema de tubulação e é levada novamente aos filtros hepa. A outra parte é expelida para o ambiente externo pelas válvulas do avião. A proporção de ar que passou pelos filtros e que se mistura com o ar fresco pode variar de 37% a 51%.

Esse processo faz com que o ar interno do avião seja renovado a cada três minutos, em média. Todos os aviões utilizados pelas companhias aéreas brasileiras (Latam, Gol e Azul) contam com esse sistema.

Filtros hepa

Mais do que a circulação e renovação do ar, o grande enfoque das companhias aéreas está no filtro hepa. A sigla significa High Efficiency Particulate Air (Ar Particulado de Alta Eficiência, em tradução livre).

Trata-se de um filtro de ar industrial utilizado em hospitais e na indústria aeronáutica. Ele utiliza três processos de filtragem (impacto, difusão e interceptação) para aumentar a eficiência. “Não é apenas uma barreira física”, afirmou o diretor de manutenção da Latam.

O filtro hepa é capaz de reter mais de 99,9% dos vírus e bactérias presentes no ar, e isso inclui até mesmo o novo coronavírus, diz a empresa. O filtro hepa capta vírus e bactérias de até 0,01 micrômetro, equivalente a um milionésimo de metro ou um milésimo de milímetro. O coronavírus é de oito a 16 vezes maior, medindo de 0,08 a 0,16 micrômetro.

Depois de ficar preso no filtro hepa, os vírus e bactérias não duram muito mais tempo. No local onde são instalados, a umidade relativa do ar varia entre 10% e 15%, o que impediria a sobrevivência desses microorganismos.

Outros sistemas de proteção

Apesar da eficiência no tratamento da qualidade de ar, ainda assim são necessárias outras medidas para evitar o risco de contaminação a bordo dos aviões. As companhias aéreas têm adotado regras mais rígidas de limpeza, distribuído álcool em gel e exigido o uso de máscaras por tripulantes e passageiros.

“O filtro é uma das barreiras, mas não é a única. A eficiência do combate é uma composição de tudo isso”, afirmou o diretor da Latam.

Isso em tese, mas a colunista da Folha Mariliz Pereira Jorge descreveu uma viagem recente na ponte aérea Rio-São Paulo com muitas infrações de segurança: “Desde que coloquei os pés no Santos Dumont, nenhuma das recomendações de segurança foram seguidas pela maioria dos passageiros e pelos funcionários da companhia pela qual viajei. As marcações no chão para a fila de embarque foram ignoradas, todos amontoados, muitos com máscaras que só serviam de enfeite.”

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*