Como É Que As Moscas Fazem Sexo?

Seres humanos podem ter gostos bem peculiares quando se trata de sexo. Mas muitas espécies de animais não ficam para trás. Aqui você verá que fêmeas de peixes não querem saber de machos que perdem brigas, aranhas também são conquistadas pelo estômago e golfinhos assediam até tartarugas e objetos inanimados. Veja oito animais que têm hábitos bizarros

1- Peixes com horror a machos perdedores

Pesquisadores da Universidade de Stanford descobriram que o “sentimento” das fêmeas de peixes ciclídeos africanos muda quando elas presenciam a derrota do pretendente em uma briga com outro macho. Áreas do seu cérebro associadas à ansiedade mostraram aumento da atividade depois de testemunhar a derrota, o que sugere que elas não se agradam nada disso.

Por outro lado, presenciar seu macho preferido derrubar o adversário resultou em maior atividade nas regiões cerebrais associadas à reprodução e ao prazer. Não se sabe se no fim as fêmeas deram um pé no traseiro dos perdedores ou não, já que elas tiveram de ser dissecadas antes que pudessem decidir isso.

Mas uma coisa é certa: elas realmente preferem um macho viril.

2- Moscas seduzidas por músicas de amor

Como É Que As Moscas Fazem Sexo?

Sabe aquelas moscas irritantes que adoram voar perto de frutas passadas ou podres?  Pesquisadores do Instituto de Patologia Molecular em Viena descobriram que alguns machos dessa espécie, a Drosophila melanogaster, são capazes de “cantar” músicas de amor que as fêmeas acham irresistíveis. Para o ouvido humano, soa como um mero zumbido. Mas, para as fêmeas da espécie, é algo lindo que leva à excitação e acasalamento. O som é produzido pelo movimento das asas, que se estendem e vibram. Quer ser seduzido por uma mosca? Dá para ouvir o som aqui.

3- A orgia das cobras enlouquecidas

Como É Que As Moscas Fazem Sexo?

Imagem: http://www.anapsid.org/garters2.html

A província de Manitoba, Canadá, possui uma atração turística bizarra durante a primavera. Dezenas de milhares de cobras Thamnophis de lateral vermelha saem de seus abrigos e começam uma enorme…orgia.

Cada vez que uma fêmea aparece, os machos vão para cima dela, formando um bolo que pode chegar a ter 100 cobras competindo.

As vezes, a fêmea acaba morrendo esmagada, mas os machos continuam tão excitados que continuam a copular – tornando-se as únicas cobras necrófilas.

4- Aranhas e a conquista pelo estômago

Os machos das aranhas lince têm uma tática elegante para conquistar as fêmeas. Eles capturam a desejada na sua teia e a envolvem em seda, que servem como uma refeição para ela. Distraída e feliz com o banquete, a aranha não só permite que o galanteador comece o acasalamento, como também o ignora solenemente e continua saboreando a refeição como se nada estivesse acontecendo.

5- O teste do xixi das girafas

Como É Que As Moscas Fazem Sexo?

Antes de começar a cortejar uma girafa fêmea, o macho realiza um teste especial para ver se ela está no cio: primeiro, cutuca o traseiro dela para fazer com que tenha vontade de urinar. Então, saboreia o líquido.

Se o gosto for bom (provavelmente o xixi de uma fêmea que está no cio tem outro sabor), ele começa a cortejá-la. Mas não pense que depois disso é só alegria. A fêmea ainda dá uma canseira no macho e o obriga a segui-la por um tempo até que resolva parar e permitir que a coisa aconteça.

E a cópula é tão rápida que os pesquisadores mal podem observá-la.

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6- O apetite insaciável dos golfinhos

Como É Que As Moscas Fazem Sexo?

Quem vê os golfinhos, tão bonitinhos e puros (?), nem imagina quão voraz é o apetite sexual deles. Além de os machos serem capazes de ter relações sexuais váaarias vezes em um só dia, eles assediam até objetos inanimados e outros animais, como tartarugas marinhas.

E acontece ainda de chegarem em bando em cima de uma fêmea e forçarem-na a acasalar. Mas tanta animação não dura muito: o tempo médio de uma relação sexual é de meros 12 segundos.

Outra curiosidade: o pênis do animal, além de retrátil, é capaz de agarrar coisas e pode ser usado para pegar objetos como se fosse uma mão.

7- O ataque de urina do porco-espinho

A vida sexual do porco-espinho não é fácil. Para começar, as fêmeas só estão interessadas em sexo durante cerca de 8 a 12 horas… em um ano! Quando encontra uma fêmea disposta ao acasalamento, o macho se levanta sobre as patas traseiras e lança um enorme jato de urina sobre ela, encharcando-a da cabeça aos pés. Esse jato pode alcançar dois metros de distância.

Se a fêmea ainda não estiver pronta, vai gritar, lançar golpes com as patas dianteiras como se estivessem lutando boxe, tentar morder o macho ou sacudir a urina do corpo. Se aceitar a oferta, os espinhos de ambos ficam relaxados e o acasalamento acontece. Mas a fêmea é insaciável: ela força o macho a acasalar várias vezes.

Se ele se cansar muito rápido, ela o troca sem dó por outro parceiro mais cheio de energia.

8- Peixe-sapo: o verdadeiro casal chiclete

O peixe-sapo macho é o que podemos chamar de companheiro grudento – literalmente. Ao encontrar uma fêmea (as fêmeas são bem maiores que os machos), ele se prende a ela e nunca mais se solta. Nunca mesmo.

Na verdade, seus sistemas vasculares se unem e o macho se torna totalmente dependente do sangue da parceira para sua nutrição. O que ele oferece em troca? Algo que só um macho poderia oferecer: esperma.

  • Para saber mais:
  • Como É Que As Moscas Fazem Sexo?
  • “8 exemplos de comportamento animal estranho” e “11 exemplos de hábitos incomuns de acasalamento entre animais”, em “O livro das Listas”, Editora Record.
  • 30 Strangest Animal Mating Habits.

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Moscas que acasalam menos morrem mais cedo, diz estudo – BBC News Brasil

  • Melissa Hogenboom
  • Repórter de Ciência, da BBC News

29 novembro 2013Atualizado 1 dezembro 2013Como É Que As Moscas Fazem Sexo?Legenda da foto,

Uma mosca da fruta macho foi geneticamente modificada para liberar feromônios femininos

Uma nova pesquisada conduzida por cientistas americanos descobriu que a falta de sexo prejudica a saúde e causa a morte prematura das moscas de fruta.

Os pesquisadores constataram que as moscas machos que eram estimuladas a copular, mas impedidas de fazê-lo, tinham sua expectativa de vida reduzida em 40%.

Por outro lado, aquelas liberadas para o acasalamento não só viveram mais como sofreram menos estresse.

A pesquisa foi publicada na revista científica Science.

No experimento, as moscas foram colocadas em proximidade com machos geneticamente modificados para liberar feromônios do sexo feminino.

Feromônios são hormônios usados por esses insetos para atrair um parceiro em potencial.

Porém, quando os machos secretavam essa substância, rapidamente atraíam outros machos, mas o sexo, por claros motivos biológicos, não ocorria.

Estimulados pelos hormônios mas impedidos de copularem, esses insetos mostraram níveis de estresse mais altos, uma redução em suas reservas de gordura e uma diminuição considerável de sua expectativa de vida.

“Nós observamos que essas moscas ficavam doentes em pouco tempo na presença desses machos 'afeminados'”, explicou à BBC Scott Pletcher, da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, co-autor da pesquisa.

Uma típica mosca da fruta vive aproximadamente 60 dias. Tal característica faz desses insetos um organismo ideal para estudar o processo de envelhecimento, uma vez que pesquisas já mostraram que os genes que regulam a esperança de vida de uma mosca guardam semelhanças com os dos seres humanos.

A equipe de Pletcher buscou investigar os neurônios envolvidos no envelhecimento. Uma substância química presente no cérebro, chamada neuropeptídeo F (NPF) – que previamente estava ligada à sensação de recompensa – foi considerado fundamental para o entendimento desse sistema.

Quando as moscas foram expostas em excesso aos feromônios femininos, mas não tinham oportunidade de acasalar, os seus níveis de NPF aumentaram.

O acasalamento manteria os níveis de neuropeptídeo F normais, mas quando eles se mantiveram altos, geraram consequências psicológicas danosas a esses animais.

O simples ato de reprodução normalmente reduz o tempo de vida de uma mosca entre 10% a 15%, mas a queda vertiginosa constatada por esse estudo surpreendeu os cientistas.

“Nesse contexto, o acasalamento pode ser muito benéfico, o que contraria as máximas até então existentes. Nossa pesquisa indica que o cérebro equilibra de alguma forma essa informação sobre o meio ambiente por meio de estímulos sensoriais”, disse Pletcher à BBC News.

“Evolutivamente, a nossa hipótese é de que os animais estão fazendo uma aposta para determinar que o acasalamento vai acontecer em breve”.

“Na prática, isso quer dizer que aqueles que preveem corretamente quando a cópula vai acontecer saem ganhando; produzindo mais esperma ou dedicando mais energia para a reprodução – e isso pode gerar consequências (se não acasalarem), acrescentou Pletcher.

Legenda da foto,

Moscas machos sem sexo tiveram tempo de vida reduzido

Timothy Weil, professor do departamento de zoologia da Universidade de Cambridge, que não esteve envolvido no estudo, afirmou que a pesquisa sugere que os machos menos bem sucedidos poderiam perder a corrida para transmitir seus genes.

“Sexo e comida são os dois fatores que mais influenciam o comportamento animal e a mosca fêmea parece ter o poder. Seria um caminho para as fêmeas selecionarem os melhores companheiros, uma vez que a saúde dos machos que não acasalam pode ser prejudicada”, disse ele.

“A pesquisa indica que administrar essas mudanças fisiológicas é importante para a saúde do animal”, acrescentou Weil.

Em um estudo à parte sobre lombrigas, também publicado na Science, a equipe descobriu que a presença de feromônios masculinos reduziu o tempo de vida das fêmeas.

Pletcher afirmou que essa descoberta foi encorajadora porque demonstrou que vermes e moscas têm “trajetórias semelhantes”, assim como camundongos e primatas, segundo os testes que vêm sendo realizados.

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Sexo, moscas e vídeo

Como É Que As Moscas Fazem Sexo?

IMAGE: Detailed behavioural analysis reveals how the progression from courtship to copulation happens in the fruit fly. view more 

Credit: Maria Luisa Vasconcelos and Cecilia Mezzera, Champalimaud Centre for the Unknown.

Num dia quente de verão, numa sala escura, uma câmara de vídeo filma um casal a praticar o mais velho jogo da natureza: o cortejamento.

O macho canta e persegue a fêmea, quando de repente surge da extremidade posterior desta um longo órgão tubular. A primeira reacção do macho é recuar, mas logo a seguir, volta para investigar.

Será este um sinal de que a fêmea está interessada em passar para a fase seguinte, ou deve ele tentar a sua sorte com outra fêmea?

Há muitos anos que os cientistas que estudam as moscas-da-fruta debatem acesamente a resposta a esta pergunta.

Diversos estudos sugeriam que a repentina aparição daquele órgão, chamado ovipositor, podia significar tanto a rejeição como a aceitação sexual.

Agora, uma equipa do Centro Champalimaud em Lisboa descobriu que o ovipositor desempenha um papel crucial na transição do cortejamento para o acasalamento. Os seus resultados foram publicados hoje (13/08) na revista científica Current Biology.

O segredo da sedução garantida (para as moscas-da-fruta)

O comportamento sexual das moscas-da-fruta evoca célebres filmes de ficção científica como Transformers. “Durante o cortejamento, a fêmea empurra as suas placas vaginais para trás.

Este movimento faz com que as placas se estendam e formem o ovipositor, uma estrutura tubular temporária saliente na ponta do seu abdómen.

O mesmo órgão também permite a deposição dos ovos pelas moscas-da-fruta e outros insectos”, explica Maria Luisa Vasconcelos, uma das autoras principais do novo estudo.

Qual é o papel do ovipositor no comportamento sexual? “Os resultados têm sido contraditórios”, diz Cecilia Mezzera, que co-liderou o estudo com Vasconcelos. “Há quem defenda que o ovipositor bloqueia e repele o macho, enquanto outros pensam que prenuncia a cópula.”

Para tentar esclarecer a questão, a equipa recorreu à “vídeo-vigilância” apertada do comportamento das moscas e a técnicas avançadas de genética.

“Identificámos assim um par de neurónios específicos no cérebro da mosca-da-fruta fêmea que controla a extrusão do ovipositor.

A seguir, activando e silenciando estes neurónios, estudámos o efeito desta manipulação (dita optogenética) sobre o comportamento das moscas”, explica Mezzera.

Com esta dupla abordagem, a equipa conseguiu responder à pergunta. “É sabido que o cortejamento começa quando o macho canta para a fêmea, enquanto faz vibrar as suas asas.

E nós observámos que a fêmea responde ao canto do macho formando o ovipositor”, relembra Vasconcelos. “Mas encontrámos agora a peça que faltava: durante esse tempo todo, o macho lambe os órgãos genitais da fêmea.

E nós descobrimos que é a conjunção da extrusão do ovipositor e desse comportamento do macho que o estimula a tentar copular.”

Para fora ou para dentro?

“Mas a tentativa de cópula não significa que o sucesso está assegurado”, acrescenta Mezzera. “A nossa monitorização pormenorizada do comportamento destes insetos revelou que o ovipositor não é um órgão binário, que só pode estar para fora ou para dentro. Na realidade, a extrusão pode ser parcial.”

A equipa observou que, de facto, a fêmea encoraja o macho a tentar copular mostrando-lhe a totalidade do ovipositor. Mas a seguir, ela pode deixar o ovipositor totalmente de fora ou passar para uma extrusão parcial – e este é, concluíram agora as cientistas, o fator decisivo.

“Aqui, o desfecho depende de a fêmea ter copulado recentemente, não estando portanto receptiva a uma nova interação sexual, ou de ser uma virgem receptiva.

Descobrimos que embora os dois tipos de fêmeas formem o ovipositor, apenas as virgens o retraem parcialmente para permitir o acasalamento.”

Mas por que razão é que uma fêmea não-receptiva adoptaria um comportamento – a extrusão do ovipositor – que encoraja o cortejamento? As autoras especulam que existem duas possibilidades. “A primeira é que o faz para tornar a copular.

Poucas horas depois de acasalar uma vez, no contexto certo, as fêmeas podem expulsar o esperma do anterior parceiro e tornar a copular, o que poderá ser uma forma de aumentar a prole e a sua diversidade genética.

A segunda explicação é talvez que o ovipositor transporte as feromonas da fêmea – e que estas moléculas odoríferas assinalem ao macho que a fêmea já copulou. Assim, em função da combinação e da intensidade destes sinais químicos, o macho poderá ou não dar início ao cortejo.”

No fundo, está tudo no cérebro

O conjunto destes resultados revela uma sequência de passos, na comunicação macho-fêmea, que resolve a contradição reportada em estudos clássicos com este modelo animal. “Os nossos resultados esclarecem a forma como se passa a transição do cortejamento para a cópula.

O que é fundamental para estudar como esta mudança radical de comportamento – da apetência para consumação sexual – é processada pelo cérebro.

Quanto melhor percebermos como isso funciona, mais perto estaremos de responder à pergunta que todos fazemos: como é que o cérebro produz comportamento?”, conclui Mezzera.

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Moscas curtem gozar e encher a cara

Vamos começar pelo começo, como diferenciamos uma mosca fêmea de uma mosca macho? A melhor forma é observar a cor e a forma de seu corpo. As moscas apresentam tonalidades marrons, algumas delas com anéis pretos cobrindo todo o corpo.

Essas faixas aparecem em ambos os gêneros, mas não ajuda muito a distinguí-los já que, no caso dos machos, os anéis vão escurecendo até a parte superior do abdome.

Outra maneira eficiente de diferenciá-las é através do comprimento do seu corpo, se a mosca é curta e de cauda redonda, então é macho.

Agora que já conseguimos distinguir as moscas macho, podemos falar sobre o estudo realizado por Shir Ser-Krispil e um grupo de cientistas da Universidade de Bar Ilan em Israel que constatou que as moscas de fruta, diferente de outras espécies, sentiam prazer quando ejaculavam. Em uma entrevista, o cientista responsável pelo estudo disse que essa pesquisa pode ajudar a entender melhor como funciona o cérebro e a biologia dos vícios.

As moscas macho procuram um par para acasalar através de melodias criadas pelas vibrações de suas asas para atrair fêmeas e então poderem ejacular.

No estudo realizado em Israel, os neurocientistas deveriam criar um método com o qual as moscas conseguissem atingir o clímax sem o ritual de acasalamento.

Para isso, doze moscas tiveram células cerebrais modificadas para que se ativassem com uma luz vermelha. Essas células produzem uma substância química chamada corazonina (CRZ), a mesma que causa a ejaculação.

A investigação continuou quando puseram as moscas modificadas em um quarto com iluminação vermelha, onde notaram que os insetos preferiam ficar debaixo da luz, já que ela causava uma ejaculação. Depois de serem treinadas com a luz, iniciou-se um exercício de associação no qual as moscas relacionavam um odor específico à iluminação vermelha.

O próximo passo do estudo foi observar como a ejaculação afetava os neurônios das moscas. Se os machos estavam sexualmente satisfeitos, seus níveis de neuropeptídeo F aumentavam. Esse neurotransmissor ajuda a regular o equilíbrio energético e diminuir o apetite. As moscas que haviam experimentado uma ejaculação constante não buscavam se satisfazer com álcool.

Para essa parte do estudo, apresentaram aos dois grupos de moscas – as que ejacularam sob a luz vermelha e as que não – frutas com etanol.

As moscas que não ejacularam durante o estudo se aproximaram desses alimentos, enquanto as que estavam sexualmente satisfeitas não foram atraídas pelo álcool. Essa descoberta também ajudou a entender os vícios nos humanos.

A ejaculação é uma recompensa para o organismo e se o corpo é privado dela, busca alternativas artificiais para sentir um tipo de satisfação similar. Talvez com esse estudo agora podemos compreender nosso alcoolismo.

Artigo originalmente publicado pela VICE México.

A Propensão da Mosca da Fruta para o Sexo Abre Nova Perspetiva Sobre a Dependência de Psicotrópicos | National Geographic

Não há dúvida de que os humanos gostam de sexo. Alguns estudos sobre roedores sugerem que o prazer sexual pode estender-se a outros mamíferos, mas e o resto do reino animal? Uma nova investigação revela que, para o macho da mosca da fruta, o processo de ejaculação pode ser um sinónimo de prazer.

  • O estudo implica que o prazer sexual pode ocorrer em “organismos simples e não apenas nos mamíferos, como se supunha”, afirma o coordenador do estudo Galit Shohat-Ophir, um neurocientista da Universidade de Bar-Ilan, em Israel.
  • A investigação anterior levada a cabo por Shohat-Ophir revelou que o macho da mosca da fruta parecia sentir satisfação no ato de acasalamento.
  • Mas não era claro que parte do processo despertava o entusiasmo do macho: o longo ritual de cortejo, as feromonas libertadas pela fêmea ou a cópula em si.

RED LIGHT DISTRICT

Para descobri-la, Shohat-Ophir e os colegas da universidade e do Campus de Investigação de Janelia, na Virgínia, manipularam, geneticamente, machos da mosca da fruta, para que um grupo distinto de células nervosas situadas nos respetivos abdómenes fossem ativadas por uma luz vermelha. Estes neurónios produzem uma proteína, denominada corazonina, que desencadeia o processo de ejaculação.

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A equipa colocou as moscas modificadas numa arena e acendeu a luz vermelha num dos extremos. A maioria das moscas dirigiram-se diretamente para a zona da luz vermelha, onde os seus neurónios abdominais foram ativados, levando-as a ejacular.   

“A preferência por aquela zona foi bastante imediata” diz Shohat-Ophir says. “Algumas moscas também se deixaram ficar por ali.”

Numa outra experiência, os investigadores analisaram os cérebros dos insetos modificados. Após alguns dias de estimulações sucessivas dos neurónios que libertam corazonina, as moscas evidenciavam elevados níveis de uma proteína denominada neuropéptido F, que aumenta subitamente em situações de gratificação, como a ingestão de açúcar.

Segundo a investigação anterior de Shohat-Ophir, outro indicador do prazer sexual da mosca da fruta é a sua reação ao álcool.

Os machos da mosca da fruta sem atividade sexual preferem uma bebida alcoólica em detrimento de uma sem teor alcoólico, aparentemente como uma recompensa alternativa.

Mas, se acasalarem ou se ocorrer a estimulação dos neurónios que libertam corazonina, eles esquivam-se ao álcool. (Ler “Os Animais Ficam Bêbados”)

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Os insetos sentem prazer durante o sexo?

Enquanto espécie, temos pouco em comum com as abelhas, as moscas e os besouros. Os insetos são tão estranhos para nós que é difícil saber exatamente como eles sentem e vivem o mundo. Eles sentem dor? Eles experimentam o prazer? Como é sexo para eles? Eles gostam de fazer sexo, de alguma maneira, fisicamente falando ou até mesmo de outra forma?

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Neste Giz Asks, pedimos para neurocientistas, biólogos e entomologistas nos ajudarem a entender o que é ser um inseto com tesão. Nós descobrimos que o mundo do sexo insectóide é misterioso, fascinante e por vezes extremamente perturbador.

David J. Anderson

Professor de Biologia, Diretor do Tianqiao e Chrissy Chen Institute for Neuroscience, Caltech

Não é possível saber se os insetos “sentem” dor, medo, etc. porque o sentimento requer experiência consciente e não sabemos se os insetos são conscientes.

Há algumas evidências de que o acasalamento pode servir de reforçador para as drosófilas. Verificou-se que as moscas do sexo masculino preferem um odor que sentem enquanto se acasalam com uma fêmea, em vez de um odor desconhecido.

Se isso realmente significa que moscas “gostam” do sexo (ou seja, que o sexo fornece uma recompensa hedônica), ou apenas que eles formaram uma associação aprendida de forma pavloviana entre o odor e os feromônios femininos, é algo que atualmente estamos tentando investigar.

Monica Dus

Professora assistente, Departamento de Biologia Molecular, Celular e Desenvolvimental, Universidade de Michigan.

É difícil de responder já que não falamos a língua das moscas, aranhas ou mesmo de ratos ou macacos. Nós não sabemos o que eles estão sentindo; podemos medir seu comportamento de maneira bastante objetiva e quantitativa, mas esse é o comportamento deles, e não os seus sentimentos.

Mesmo que se baseie em expressões faciais (difícil de fazer em insetos!), tudo o que podemos dizer é que em seres humanos essa expressão se correlaciona com um bom sentimento e que, se outro animal tiver o mesmo, é provável que eles também estejam gostando / amando / odiando / esteja indiferente, mas, mesmo com o animal que somos mais “ligados”, nossos cães (os meus se chamam Cupcake, Sprinkles e Brioche), muitas vezes adivinhamos seus sentimentos de forma errada, como os estudos de Alexandra Horowitz mostram.

O que posso dizer com certeza, é que as drosófilas, o inseto que nosso laboratório usa para entender a genética da obesidade, parecem amar o açúcar, especialmente os machos. Na maioria das vezes, quanto mais doce, melhor. E, embora esta seja também uma especulação selvagem, nossos experimentos nos fazem pensar que, se eles tivessem mãos e biscoitos, não conseguiriam parar de comer.

W. Daniel Tracey PhD

Linda and Jack Gill Chair, Departamento de Biologia, Universidade de Indiana

É seguro assumir que os insetos não têm sentimentos ou emoções da mesma forma que os seres humanos têm sentimentos. O cérebro dos insetos é muito mais simples do que um cérebro humano e a história evolutiva de insetos que vivem hoje é bastante distinta da dos humanos.

No entanto, o cérebro dos insetos opera com os mesmos princípios gerais que os nossos. Em um inseto, os neurônios do cérebro estão “conectados” para formar circuitos, como a placa-mãe de um computador.

Os insetos possuem quase todas as mesmas moléculas neurotransmissoras, como dopamina, serotonina, acetilcolina, glutamato e ácido gama-aminobutírico. Muitas das moléculas utilizadas pelos neurônios de insetos para controlar sua atividade são as mesmas que são usadas por nossos neurônios.

David Anderson da Caltech é um defensor do argumento de que os insetos têm emoções como estados ou o que ele chamou de “emoções primitivas”. Eu concordo com essa ideia.

Quando se trata de dor, os insetos têm neurônios sensoriais que detectam calor e estímulos mecânicos potencialmente prejudiciais. Esses neurônios são chamados de nociceptores. Esses neurônios sensíveis à dor provocam respostas comportamentais defensivas no inseto.

Um exemplo bem conhecido ocorre nas larvas de drosófila. A ativação desses neurônios produz uma resposta de escape. Esses sensores de dor protegem as larvas dos encontros com predadores, como vespas femininas que perfuram as larvas com um órgão afiado que planta óvos.

Se a vespa conseguir colocar o ovo dentro das larvas, a larva de vespa devorará a larva da mosca de dentro para fora e uma vespa será produzida em vez de uma mosca.

Assim, os neurônios sensíveis à dor das larvas de mosca podem ter evoluído para protegê-los contra os ataques dessas vespas específicas.

Os insetos têm habilidades bem conhecidas de formar memórias positivas. As abelhas que se alimentam de flores recebem uma experiência positiva e gratificante do sabor doce dos açúcares nas flores que visitam.

As abelhas podem aprender a associar o odor e a cor da flor com a recompensa do açúcar. Eles podem até se lembrar da hora do dia em que uma determinada flor produz seu néctar.

Elas também podem comunicar essas informações a outros membros da colméia.

A meu conhecimento, não se sabe se a experiência sexual é ou não gratificante para os insetos. Há certamente muitos exemplos dramáticos da importância do sexo para os insetos.

Os efemerópteros vivem a maior parte de sua vida em seu estágio larval em rios e córregos e quando emerge como uma mosca adulta, a mosca macho adulto vive por apenas alguns dias e nunca se alimenta.

Seu único propósito é encontrar uma fêmea para se acasalar antes de morrer.

Embora não conheçamos tanto sobre os prazeres do sexo nos insetos, sabemos algo sobre os aspectos negativos da rejeição. As drosófilas masculinas que são rejeitadas por potenciais companheiras parecem formar uma lembrança “negativa” dessa rejeição. Essas moscas realizam um complexo ritual de namoro para atrair parceiras femininas.

Os machos perseguem a fêmea, lambem os órgãos genitais da fêmea (provavelmente para se certificar de que ela é da espécie certa e para testar se ela é virgem), e eles tocam uma canção de namoro vibrando suas asas.

Se a fêmea não é receptiva aos avanços do macho, ele lembrará essa rejeição e ele ficará impedido de tentativas adicionais de namoro por várias horas. Esta é provavelmente uma estratégia evolutivamente vantajosa, pois impede o macho de desperdiçar seu tempo cortejando a mesma fêmea que não o aceita para começar a focar em encontrar outra.

Há mesmo um estudo que descobriu que as drosófilas masculinas tendem a beber mais álcool quando são repetidamente rejeitadas por fêmeas.

Derek A. Woller

Entomologista no Song Laboratory of Insect Systematics and Evolution na Texas A&M University

Resposta curta? Provavelmente não. Tudo depende de como você define a sensação de prazer e sua conexão com as emoções, que normalmente são relegadas aos vertebrados, particularmente nós, é claro.

Esta questão relaciona-se bem com uma questão mais comum de que os entomologistas são frequentemente questionados, sobre se os insetos sentem dor ou não. Estou do lado de “mais observações são necessárias” porque, simplesmente, os insetos são extraordinariamente estranhos em inúmeras maneiras em comparação com a experiência dos vertebrados.

Eu tive a oportunidade (o prazer é provavelmente uma palavra muito forte) de observar uma infinidade de interações sexuais de gafanhoto (também conhecidas como cópulas), e ainda não consegui observar reações de qualquer uma das partes envolvidas que eu definitivamente classificaria como “prazer”, ao menos na medida em que os humanos experimentam a maravilhosa cópula.

Para colocar de outra forma, é assim que eu observava as interações de macho-fêmea depois de ver muitas cópulas em muitas espécies que eu estudo que ficam no sudeste dos EUA: Macho: “Ah! Te encontrei! Agora eu vou montar você como um touro mecânico até você se acalmar e eu enfiar isso em você. Ei, não me chuta, não me chuta – você quer isso, eu te juro!” Fêmea: “Afe, da onde você veio?! Não era você que eu queria, a não ser que você consiga sobreviver a ISSO [começa a se debater, pulando pra todo lado, e chutando ferozmente seu atacante]! Ok, ok, vai logo. Eu tenho plantas para comer e outros caras pra conhecer”. Então, veja, a interação pode ser bem antagonística, que, obviamente, não quer dizer que não seja prazerosa, mas certamente não parece, novamente, da nossa perspectiva humana.

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Eu encontrei micro estruturas no aedeagus (termo extravagante para o complexo análogo de pênis) em algumas das espécies de gafanhoto que estudo. Uma hipótese é que elas são usadas para estimular uma fêmea a ser mais receptiva ao acasalamento completo, uma vez que o macho se insere vigorosamente na abertura vaginal.

Naturalmente, é necessário obter mais evidências para determinar a função real dessas estruturas, mas, se a sua função for estímulo vaginal, pode-se argumentar que a reação feminina a esse estímulo é semelhante ao nosso conceito de prazer, uma vez que ela decide permitir que um homem se atraque a ela. Após essa aceitação, ela geralmente se acalma consideravelmente, permitindo um processo bastante longo em que o macho transfere um longo pacote de esperma (espermatóforo) para a fêmea.

Resposta: um chato “talvez”, mas destaca a necessidade de estudos com mais nuance e criatividade para coletar mais evidências sobre como os insetos (e invertebrados, em geral) percebem o mundo.

Eles são definitivamente estranhos, o que os torna ainda mais fascinantes e divertidos para trabalhar, na minha opinião.

Seja um entomologista: veja o mundo e estude coisas loucas e bizarras! Temos espaço, inscreva-se hoje!

Edgar T. Walters, Ph.D

Professor de Biologia Integrativa e Farmacologia, McGovern Medical School na UTHealth

  • Insetos sentem? Algumas respostas rápidas:
  • 1) Talvez, mas filósofos argumentaram que as respostas conclusivas são impossíveis se alguém incluir a consciência na definição de “sentir”.
  • 2) Não como os humanos (seus cérebros e comportamentos não poderiam ser mais diferentes), apesar de certamente mostrarem alguns traços comportamentais que as pessoas associam a sinais de sentimentos (estímulo sexual – geralmente feromônios – ou um estímulo violento defensivo em alguns insetos depois de ferimentos).

3) Talvez não, porque fortes pressões de seleção para a evolução do sentimento consciente em insetos não são evidentes, pelo menos não para este cientista.

Os insetos que apresentavam mutações que promovessem o sentimento consciente provavelmente teriam mais sucesso reprodutivo do que outros insetos? Caso contrário, qualquer sensação consciente nos insetos de hoje seria um acidente biológico em vez de um produto da seleção natural. Eu duvido que isso tenha sido selecionado durante a evolução dos insetos.

Nathaniel J. Himmel

Pesquisador de graduação, Instituto de Neurociência, Universidade do Estado da Geórgia

No mínimo, podemos comparar o que os insetos fazem com o que os vertebrados, os mamíferos ou talvez os humanos fazem quando eles – ou nós – supostamente sofrem dor.

Insetos, na verdade a maioria, se não todos os animais, (e talvez outras formas de vida!) sentem e respondem a estímulos nocivos e potencialmente nocivos. Chamamos essa capacidade de nocicepção.

Por uma variedade de razões, a Drosophila melanogaster é talvez a espécie de inseto mais estudada. Sabemos que as larvas de mosca se contraem em resposta a um frio nocivo. Eles também rolam em resposta a altas temperaturas nocivas e estimulação mecânica nociva (quando cutucadas). Os adultos também fazem movimentos para evitar temperaturas nocivas.

Esses comportamentos quase certamente servem para um propósito, no caso de rolar, acreditamos que seja um comportamento que evoluiu como uma resposta protetora às vespas parasitóides.

Estas vespas colocam seus ovos em larvas de moscas; à medida que as larvas de vespa crescem, eles comem a mosca de dentro para fora.

Ao rolar em direção à fonte de um estímulo mecânico nocivo, as larvas de mosca têm a chance de se enroscar, ou talvez romper, o órgão afiado que as vespas usam para depositar os ovos, evitando assim serem comidas.

Esses tipos de respostas protetoras também não são apenas específicas para drosófilas.

Por exemplo, sabemos que choques elétricos, altas temperaturas nocivas e estímulos mecânicos nocivos provocam uma “resposta de extensão de picada” agressiva em abelhas e que estímulos mecânicos nocivos induzem uma espécie de reação de “armar e atacar” nas larvas de mariposa da espécie Manduca sexta.

O que eu acho mais interessante não são esses comportamentos, que podem ser únicos a espécies. Mas sim os circuitos neurais e os mecanismos moleculares subjacentes a esses sistemas nociceptivos, e sua semelhança com os nossos.

Os neurônios sensoriais que mediam a nocicepção de larvas de moscas têm alguma semelhança com os nossos (mais especificamente, os nociceptores de vertebrados de fibra-C), eles desempenham papéis sensoriais semelhantes, eles são parecidos (projeções dendríticas nuas para a epiderme) e não são mielinizados.

Mais interessante, algumas das máquinas moleculares no trabalho desses neurônios parecem ser conservadas evolutivamente entre as drosófilas e os vertebrados (incluindo os seres humanos).

Os canais iônicos receptores de potencial transitório (PRT) são fatores importantes na nocicepção de vertebrados, e sabemos de vários que são conservados e desempenham papéis semelhantes em moscas. Existe uma crescente evidência que torna isso também verdade para os canais familiares anoctamina.

Como antes, isso não parece estar totalmente restrito às drosófilas; pelo menos no caso das abelhas, sabemos que eles expressam um canal PRT específico para o pedido que foi implicado na nocicepção.

Isso não quer dizer que somos todos iguais, no entanto. À primeira vista, não parece que uma lesão faça com que muitos insetos parem de continuar se movendo, se alimentando ou se acasalando normalmente. Pelo menos, não tenho certeza de que haja muita prova disso.

Por exemplo, eu não acho que está claro se eles poderiam compensar uma perna ferida, a fim de aliviar qualquer tipo de dor que possa sentir (embora, se quisermos tornar a questão mais complicada, podemos considerar que alguns crustáceos, principalmente os camarões caridea, exibem aumento de sua própria limpeza após um ferimento).

Mas, considerando que o que dissemos acima é verdadeiro, vamos assumir que ferimentos, em insetos, não afetam ou causam o mesmo tipo de resposta cognitiva e comportamental que podemos observar nos humanos.

Isso pode ser algum tpo de prova que eles não sentem ou respondem à dor da mesma forma que nós.

Mas… E daí? Eu gosto do que Daniel Dennett tem a dizer sobre consciência animal: “Consciência não é um fenômeno branco ou preto, tudo ou nada, como geralmente assumimos”.

Imagem do topo: Jim Cooke/Gizmodo

Rejeitada, mosca compensa falta de sexo com álcool

Quando rejeitadas por suas fêmeas, moscas drosófilas (Drosophila melanogaster) do sexo masculino tentam compensar a falta de sexo com álcool. A conclusão é de um estudo da Universidade da Califórnia, em São Francisco, nos Estados Unidos, publicado na edição de 16 de março da revista Science.

  • CONHEÇA A PESQUISA
  • Título original: Sexual Deprivation Increases Ethanol Intake in Drosophila
  • Onde foi divulgada: revista Science

Quem fez: G. Shohat-Ophir, K. R. Kaun, R. Azanchi e U. Heberlein

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  1. Instituição: Universidade da Califórnia, em São Francisco, Estados Unidos
  2. Dados de amostragem: 24 moscas da espécie Drosophila melanogaster do sexo masculino
  3. Resultado: quando privadas de sexo, moscas tendem a ingerir quatro vezes mais álcool para recompor os níveis de uma substância chamada neuropeptídeo F, associada ao sistema de recompensa do cérebro.

Os cientistas já sabiam dos mecanismos de recompensa fisiológica disparados no cérebro tanto pelo álcool como por sexo.

Os pesquisadores liderados pela neurocientista Galit Shohat-Ophir resolveram então descobrir se os dois tipos de recompensas estavam ligados no cérebro.

“A princípio, este era apenas um experimento inusitado”, conta Galit. “Nós não esperávamos ver resultados tão dramáticos.”

No estudo, 24 moscas do sexo masculino foram separadas em dois grupos. Metade conviveu com fêmeas em fase de acasalamento, e a outra metade, com fêmeas não receptivas. Depois de quatro dias de teste, todas as 24 moscas macho foram transferidas para novos recipientes, contendo dois tipos de alimentos, com e sem álcool.

Os insetos tinham a liberdade de escolher qual alimento iriam consumir. Os pesquisadores esperavam que todas as moscas fossem preferir o álcool, mas não foi isso que encontraram. “Foi possível notar que os machos que acasalaram tinham aversão aos alimentos com álcool”, diz Galit.

“Já as moscas rejeitadas, que não cruzaram, tinham preferência por substâncias alcoólicas”.

Em média, os machos que não acasalaram consumiram quatro vezes mais álcool do que os que não foram rejeitados. Os pesquisadores descobriram, então, que uma substância chamada neuropeptídeo F (NPF), relacionada ao sistema de recompensa do cérebro, tinha um importante papel nessa ligação.

Ao medir o nível de NPF nos cérebros das moscas, os cientistas perceberam que os machos rejeitados tinham metade da quantidade considerada natural. E quanto menor esse nível, maior a chance de que a mosca recorresse ao álcool.

“Nossos resultados certamente não se traduzem diretamente das moscas para os humanos, mas criam questões e sugerem futuros estudos”, conclui a neurocientista Galit.

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