Como É Conhecido O Piloto De Rally Que Tem O Nome Iniciado Em Carlos?

A sua carreira nos ralis terminou dois anos depois com a entrada em cena dos Grupo A, onde ainda guiou o Audi 200 Quattro sem grande sucesso, antes de emigrar para os EUA e experimentar a velocidade e, mais tarde, o DTM.

Mas mesmo com o “bichinho” da competição a acalmar o espírito, o da condução continua, ainda hoje, a não dar provas de querer abrandar ou não tivesse “Montemeister” (nome porque ainda hoje é conhecido) se dedicado de corpo e alma ao desenvolvimento dos modelos de produção corrente da Porsche e ter chegado a estabelecer alguns interessantes recordes com este carros na mítica pista de Nurburgring. Se homens há que nasceram para guiar, Walter Rohrl, o primeiro piloto a sagrar-se duas vezes Campeão do Mundo de Ralis, foi e ainda é um deles…

Como É Conhecido O Piloto De Rally Que Tem O Nome Iniciado Em Carlos?

Outros tempos

Do alto do seu mais de 1,90 cm de altura, o olhar de Walter Rohrl transporta serenidade. A mesma serenidade que apaziguou a fúria do Audi Sport Quattro que, na década de oitenta, guiou de forma exímia e que, ainda hoje, é visto como o mais potente carro de ralis do todos os tempos.

Passados mais de 30 anos, Rohrl ainda é piloto de ralis mais conhecido na Alemanha e entusiastas de todo o mundo reconhecem-lhe o devido mérito como se o tempo não tivesse por ele passado. Numa conversa aberta e franca, Rohrl começa por comparar a realidade do seu tempo com a da futura e promissora geração de pilotos.

Numa ótica global, o ex-piloto oficial da Lancia, Opel e Audi relembra que «tudo mudou. As características dos ralis alteraram-se e muitas das coisas que dantes podíamos fazer agora não podemos. As relações públicas são diferentes, tal como o próprio espírito dos ralis. Quando eu corria, os ralis eram um teste de fiabilidade e resistência a carros e pilotos.

Agora os ralis estão muito mais perto de uma prova de pista onde tudo se decide ao milímetro. Mas o mais impressionante é que, por exemplo, nas entrevistas que fiz há uns anos como júri da Pirelli Star Driver a jovens pilotos percebi claramente que cinco ou seis deles tinham uma mente já muito bem trabalhada que é o que hoje é necessário.

No meu tempo, se eu tivesse entrado num concurso como este para caçar um talento, com a idade destes miúdos, eu não estaria minimamente apto para triunfar e chegar onde cheguei.

Eu não falava inglês como eles quando comecei a fazer ralis e, no meu ponto de vista, eu estaria ansioso para saber qual de nós seria o melhor piloto e o mais rápido e não quem falava melhor inglês e era melhor relações públicas! No entanto, reconheço que hoje tudo isto faz parte do “jogo” porque tudo mudou e as necessidades dos ralis são, efetivamente, diferentes do que eram há três décadas».

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Falta barulho aos carros!

Mas se, de facto, os ralis receberam em pouco mais de 20 anos mutações de genética capazes de envergonhar um camaleão, os carros assumiram também uma parte importante no processo de transformação nas provas de estrada.

Para Rohrl, «os carros de hoje são realmente rápidos, mas menos espetaculares para os pilotos e espetadores. Quando vemos espetadores ao longo de uma especial percebe-se que falam da falta de barulho dos atuais WRC. O barulho faz falta.

Para além disso, os carros de hoje são altamente sofisticados e isso significa que têm demasiada eficiência na estrada, pouca espetacularidade e, por consequência, facilmente “castram” a diversão dos espetadores.

Não tenho dúvidas que com os actuais World Rally Car praticamente qualquer piloto pode ser rápido!” (NOTA: Esta conversa teve lugar ainda com a versão anterior dos WRC).

Mas para quem venceu 14 ralis, subiu ao pódio por 31 vezes (mais de 40 por cento dos ralis em que participou) e ganhou 423 especiais de classificação não há dúvida que o fator humano continua a ser uma parte importante (senão a mais importante) na equação da vitória.

Prova disso está na forma como o esguio alemão responde à pergunta: que qualidades deve, afinal, ter um bom piloto hoje em dia para se revelar? Rohrl considera que «um bom piloto nos ralis e atuais deve concentrar múltiplas características. Tem necessariamente que ser bom em todo o tipo de pisos ou em pisos tão diferentes como terra, neve ou asfalto.

Hoje é também preciso ser suficientemente esperto e astuto para saber se, sob determinadas condições, é preciso andar a fundo e se isso é o melhor a fazer. Hoje, ser campeão não depende de ganhar ou não todos os ralis do campeonato, mas antes de ser suficientemente seguro na condução. Para chegar ao topo é preciso combinar, na proporção certa, a velocidade pura e a confiança».

Ora e quando quem o diz é Walter Rohrl, uma das últimas verdadeiras lendas vivas, do Mundial de Ralis então acreditem porque é verdade…

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Embaixador da Porsche

Walter Rohrl é embaixador da Porsche há mais de uma década e continua a mostrar os seus, ainda muito bem apurados, dotes de pilotagem, e na sua última passagem por Portugal, andou no traçado do circuito do Estoril a fazer piões e o público luso não lhe regateou aplausos o que Walter Rohrl ‘devolveu’ em simpatia e disponibilidade para os adeptos: “São sempre muito simpáticos para mim em Portugal, aqui sinto sempre que sou bem vindo. Porquê? Não sei bem, talvez pelo que aconteceu em Arganil, que revisitei recentemente em filmagens”, disse Rohrl que recordou um novo detalhe da bem conhecida história quando deu 4m40s a Markku Alen: “Foi um dia incrível. Nos ralis, nos lugares da frente se um piloto em luta direta dava trinta segundos a outro, imaginem quase cinco minutos. O mais curioso é que na segunda passagem, quando já tinha uma grande vantagem na frente e estava a gerir a prova, o Markku apanhou-me passados 20 quilómetros, mas assim que apareceu a zona de nevoeiro, até ao fim, voltei a ganhar-lhe dois minutos. No fim veio-me dizer que que assim não podia ser, não era capaz de lutar comigo. Foram tempos inesquecíveis”, recordou. Esta conversa teve lugar com a Serra de Sintra como pano de fundo, um local onde tem grandes recordações: “Estive em Sintra em competição pela última vez em 1986, mas parece que foi ontem, já que guardo imensas memórias desses dias. Dos adeptos extremamente entusiásticos em Portugal, e das incrível combinação de troços. Eram especiais fantásticas, subidas, descidas, estreito, largo, rápido, lento, os troços de Sintra tinham tudo, são das melhores especiais que existem para fazer ralis.”, recordou com um brilho nos olhos. Hoje em dia, o seu trabalho de embaixador da Porsche é diferente, mas dá-lhe ainda muito gozo: “É muito diferente do que fazia no passado mas há uma coisa que é muito importante para mim. É que continuo a ter excelentes carros para guiar.”, refere Rohrl que dá o ‘tweaking’ final aos protótipos da Porsche, antes de passarem a produção, disse Walter Rohrl, que recordou também uma história antiga da sua passagem pela… Mercedes, marca com que assinou em 1981, antes do programa ter sido banido, deixando pelo caminho os responsáveis da Audi muito zangados: “Primeiro, na Audi ficaram fulos comigo, pois num dia estava a testar com eles o Audi Quattro e no dia seguinte assinei com a Mercedes. O contrato previa um programa de cinco anos, primeiro com o 500 SL, para depois desenvolver um carro de motor central para ’83. As primeiras dúvidas surgiram quando os responsáveis da Mercedes, logo depois de assinar, me perguntaram se havia o risco de não ganharmos o Monte Carlo. “Há, sim”, respondi. Depois, ainda em dezembro de ’80, estava a testar na neve num troço fechado. Houve um camião que foi deixado passar, pois ia fazer 30 metros e sair logo da estrada. Mas em vez disso, continuou… Apareceu-me à frente e bati-lhe de lado a cerca de 190 km/h! Magoei-me. Para a Mercedes, acabaram-se as dúvidas, pois logo nesse dia decidiu cancelar o programa, temendo a publicidade negativa.”

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A história do chimpanzé e de Michéle Mouton…

Para muitos o nome de Walter Rohrl fica também ligado a outro incontornável do Mundial de Ralis, o de Michele Mouton.

A rivalidade entre o alemão e a única mulher que até hoje venceu ralis do Campeonato do Mundo foi sempre indisfarçável tendo atingido o ponto alto em 1982, ano que Rohrl foi pela segunda vez Campeão do Mundo à custa do abandono da piloto da Audi no Rali Costa do Marfim.

Na altura, recorde-se que o alemão, desiludido com as potencialidades do Ascona 400 quando comparadas com as do Audi Quattro guiado por Mouton, deixou escapar que até um chimpanzé podia ser Campeão com um carro de quatro rodas motrizes! Evidentemente, o comentário fez a delícia dos jornalistas que rapidamente trataram de tirar as conclusões que mais lhes interessavam… Contudo, passados 35 anos, o piloto, desmistifica essa intempestuosa relação de rivalidade: «gostava de dizer, duma vez por todas, que não tenho qualquer problema com a Michele. Sempre fomos bons amigos. Trabalhei com ela na Fiat, ajudei a Michelle na Audi. E se a ideia que as pessoas têm é que não nos damos bem é porque houve, de facto, uma série de mal entendidos no Mundial de 1982. Mas, na verdade, até foi bastante agradável voltar a encontrá-la».

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  • Principais resultadosCampeão da Europa 1974 (Opel Ascona)Campeão do Mundo 1980 (Fiat 131 Abarth)Campeão do Mundo 1982 (Opel Ascona 400)Campeão de África 1982 (Opel Ascona 400)14 Vitórias (Mundial de Ralis)10 Segundos lugares (Mundial de Ralis)7 Terceiros lugares (Mundial de Ralis)75 Participações (Mundial de Ralis)423 Vitórias em classificativas (Mundial de Ralis)33 Desistências (Mundial de Ralis) (44 % dos ralis em participou)
  • 494 Pontos (Mundial de Ralis)
  • FOTOS: AUDI, PORSCHE E ARQUIVO AUTOSPORT

Categoria: Team Hyundai Portugal

  • Team Hyundai Portugal surpreende com o plano arrojado para a época 2020
  • Participação ambiciosa no ERC (European Rally Championship) e CPR
  • Hyundai Portugal aposta em apoiar o desporto automóvel português além-fronteiras
  • Bruno Magalhães e Carlos Magalhães com grande ambição nos dois campeonatos

Para o lançamento da época 2020, o Team Hyundai Portugal optou por um formato original e aberto à participação de todos, com a apresentação em Live Streaming nas suas Redes Sociais.

A expetativa para este momento era grande, como se percebeu pelas perguntas e comentários lançados nas Redes Sociais na antecipação desta apresentação. A Hyundai não desiludiu, apresentando um plano surpreendente e, mais uma vez, completamente inovador.

Em 2020, o Team Hyundai Portugal vai entrar com toda a força na disputa do título do Campeonato de Portugal de Ralis, e vai partir com a mesma vontade para o ERC (European Rally Championship), levando dois renovados Hyundai i20 R5 e o nome de Portugal ainda mais longe.

Para este projeto tão exigente, o Team Hyundai Portugal vai contar com toda a experiência e ambição da dupla Bruno Magalhães e Carlos Magalhães, que se vão apresentar ao mais alto nível nos dois campeonatos.

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Sérgio Ribeiro, CEO da Hyundai Portugal, começou por relembrar que “quando em 2018 entramos nesta aventura, entramos para vencer sob o mote “Ralis pelos Ralis”. Para além de trazermos uma nova energia para esta modalidade, conseguimos excelentes resultados desportivos: fomos campeões no primeiro ano e estivemos na disputa do título até à última etapa no ano passado.”

Mantendo o lema dos “Ralis pelos Ralis” e assumindo a responsabilidade de continuar a promover esta modalidade em Portugal e além-fronteiras, em 2020 o Team Hyundai Portugal surpreende e vai muito mais longe, como sublinhou Sérgio Ribeiro.

“Para além de entrarmos com toda a força na disputa do título do CPR 2020, o Team Hyundai Portugal vai com a mesma ambição participar no ERC.

Vamos levar para o Europeu os nossos valores e a nossa paixão pela modalidade e, tal como no CPR, entraremos sempre para vencer.”

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Um plano desta envergadura só foi possível “com o apoio de todos os sponsors e parceiros que se associaram a este projeto”.

Para defender as cores do Team Hyundai Portugal no nosso campeonato e na Europa, o renovado Hyundai i20 R5 terá aos seus comandos a dupla Bruno Magalhães e Carlos Magalhães, o reencontro de duas referências do desporto automóvel, ambos com um palmarés invejável.

“É com muito orgulho que abraço este novo desafio e agradeço à Hyundai Portugal esta oportunidade”, começou por dizer Bruno Magalhães.

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“Ser piloto do Team Hyundai Portugal é uma grande responsabilidade, mas com a Hyundai já estamos habituados a grandes desafios. Conheço bem os dois campeonatos e o nível de exigência é muito elevado em ambos.

Em Portugal temos um CPR muito competitivo, o que aliado à exigência do ERC e do cronograma intenso de participação nas duas provas, torna este projeto como o mais ambicioso da minha carreira”.

Nesta apresentação cheia de novidades, ficou demonstrada toda a ambição em marcar 2020, o ano em que o Team Hyundai Portugal vai ainda mais longe.

2020 começa agora. O Team Hyundai Portugal arranca a época no Rallye Serras de Fafe e Felgueiras, prova que vai contar com a participação dos WRC de Dani Sordo e Ott Tanak da Hyundai Motorsport e outras presenças especiais da Marca.

Team Hyundai Portugal 2020

Bruno Magalhães

História Desportiva

Aos 18 anos, quando corria o ano de 1999, Bruno Magalhães estreava-se ao volante de um carro de ralis no Rali Portas de Ródão, prova pontuável para o Campeonato Nacional de Ralis Promoção. No mesmo ano, e depois de algumas performances interessantes, salta para a categoria máxima dos ralis em Portugal, ao volante de uma viatura do agrupamento de Produção.

  • Piloto com histórico enquanto representante oficial de marcas, Bruno Magalhães consegue vencer o Troféu 206 no ano de 2002, alcançando mais tarde (2007, 2008 e 2009) os seus títulos de Campeão Nacional, em que teve como principal adversário José Pedro Fontes, com quem se voltará a defrontar em 2019.
  • Em 2010, Bruno Magalhães dá início à sua carreira Internacional, participando no FIA Intercontinental Rally Challenge, num programa de oito provas, vencendo inclusivamente o difícil Rali dos Açores.
  • Depois de dois anos a participar apenas em competições nacionais, o piloto de Oeiras regressou, em 2017, ao Europeu, desta feita ao FIA European Rally Championship onde se sagrou Vice-Campeão Nacional de Ralis, tendo por base a experiência adquirida ao longo dos 20 anos de carreira.

Títulos conquistados

  • 2006 Terceiro Classificado no Campeonato Nacional de Ralis
  • 2007 Campeão Nacional de Ralis
  • 2008 Campeão Nacional de Ralis
  • 2009 Campeão Nacional de Ralis
  • 2010 Quinto classificado no Intercontinental Rally Challenge
  • 2017 Vice-Campeão do FIA ERC – Campeonato da Europa de Ralis
  • 2018 Terceiro classificado no FIA ERC – Campeonato da Europa de Ralis
  • 2019 Vice-Campeão Nacional de Ralis

Carlos Magalhães

Títulos conquistados

  • 1992 Campeão Nacional de Ralis (com Joaquim Santos)
  • 2002 Campeão Nacional de Ralis (com Miguel Campos)
  • 2003 Vice-Campeão Europeu de Ralis (com Miguel Campos)
  • 2008 Campeão Nacional de Ralis (com Bruno Magalhães)
  • 2009 Campeão Nacional de Ralis (com Bruno Magalhães)

Calendário Provas CPR 2020

  1. 27 a 29 Fevereiro | Rali Serras de Fafe 27 a 29 Março | Rali dos Açores
  2. 17 a 19 Abril | Rali de Mortágua 20 a 24 Maio | Rali de Portugal
  3. 12 a 14 Junho | Rali Terras D´Aboboreira 3 a 5 Julho | Rali de Castelo Branco
  4. 30 Julho a 2 Agosto | Rali Vinho da Madeira 4 a 6 Setembro | Rali Alto Tâmega
  5. 2 a 4 Outubro | Rali Vidreiro
  6. 13 a 15 Novembro | Rali do Algarve

Calendário Provas ERC 2020

  • 26 a 28 Março | Azores Rallye
  • 7 a 9 Maio | Rally Islas Canarias 29 a 31 Maio | Rally Liepaja
  • 26 a 28 Junho | Rally Poland
  • 24 a 26 Julho | Rally Di Roma Capitale 28 a 30 Agosto | Barum Czech Rally Zlin 9 a 11 Outubro | Cyprus Rally
  • 6 a 8 Novembro | Rally Hungary

O tetracampeão nacional de ralis que nunca foi piloto profissional

© António Pedro Santos / Global Imagens

Num ano em que comemora 60 de vida e 30 da primeira vez que se sagrou campeão nacional de ralis, Carlos Bica há muito que deixou o automobilismo para trás das costas.

Natural da Catedral dos Ralis, Arganil, foi viver ainda muito jovem para Almada, esteve mais de duas décadas no Algarve e voltou há pouco tempo para a zona da Grande Lisboa, onde trabalha atualmente numa empresa na área de venda a retalho.

“O meu dia-a-dia é trabalhar das 08.00 às 20.00. É uma área que dá muito trabalho, porque tem de se andar sempre em cima de tudo, por causa dos preços. É stressante, mas é bom, porque me sinto útil aos 60 anos. Faz-me lembrar um pouco os tempos das competições: stress, mas calmo”, começou por contar o antigo piloto ao DN.

Apesar da comparação, o automobilista retirado em 1992 estabelece diferenças bem vincadas entre as duas atividades. “Correr era um sonho de criança.

Ia ver o Rali de Portugal em Arganil e disse que queria fazer uma corrida daquelas. Corri nove ou dez e tive 16 anos de carreira”, recordou o beirão, que antes de se estrear como piloto em 1980 foi navegador.

“Sempre disse que preferia ser um bom navegador a um mau piloto”, frisou.

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Mas Carlos Bica foi tudo menos um mau piloto. Foi o primeiro português a vencer quatro títulos nacionais consecutivos… e fê-lo ao mesmo tempo que trabalhava. “Na parte final da carreira, perdia quase 200 dias por ano a preparar tudo. Era quase semiprofissional, mas trabalhava numa empresa de construção civil da minha família”, vincou, sem saudades da competição automóvel.

“Sempre fui muito pragmático. Depois de me ter sagrado tetracampeão nacional disse que ou ia lá para fora ou deixava de correr. Como não arranjei budget, nunca mais fiz uma corrida oficial. Cada coisa tem o timing certo.

Fui viver para o Algarve durante 22 anos para fugir dos ambientes das corridas.

Um piloto do meu tempo, Joaquim Moutinho, disse-me para não comprar jornais, para não ter saudades”, afirmou Carlos Bica, que depois de ter deixado os volantes esteve ainda na primeira direção da Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting e foi diretor desportivo da Fiat.

“Sinto que deixei uma pegada”

Para Carlos Bica, “o maior prazer” que a carreira lhe deu “foi cumprir o sonho de ser piloto de ralis”. “Em 1990, fui piloto semioficial da equipa Lancia”, recordou.

Porém, as melhores recordações são “as vitórias e os campeonatos”, nomeadamente os quatro títulos nacionais consecutivos entre 1988 e 1991.

“Fui o primeiro português a consegui-lo, e isso marca a história das pessoas, como o Joaquim Agostinho no ciclismo. A minha marca é essa.

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Sinto que deixei uma pegada”, confessou o antigo piloto, entretanto igualado por Armindo Araújo (2003 a 2006). “Fiquei muito contente quando ele conseguiu igualar o meu recorde”, frisou, orgulhoso do sucessor.

Por outro lado, ainda que lhe custe admitir, existe a mágoa de não ter conseguido exercer a sua profissão a nível internacional. “Evidentemente que tive pena. Tive para ser piloto oficial ou semi-oficial da Lancia, mas a administração não queria um português e procurou franceses ou espanhóis com as mesmas potencialidades. Em Portugal valoriza-se pouco o que é nosso”, lamentou.

Exposição na Câmara de Arganil

Para surpresa do próprio, foi inaugurada no dia 10 uma exposição denominada Recordações dos Ralis do Carlos Bica, no átrio da Câmara Municipal de Arganil.

“É uma exposição temporária, que deverá estar nos Paços do Concelho até ao final do mês. Foi tudo programado entre o presidente da Câmara [Luís Paulo Costa] e a minha mulher. Completei 60 anos no dia 6 e os meus filhos quiseram que fôssemos todos passar o fim de semana a Arganil.

Quando lá cheguei, tive aquela surpresa, com 150 pessoas à minha espera e a exposição. Pensava que ia apenas passar o fim de semana com a família.

A minha mulher pensa que estas coisas devem ser com as pessoas vivas”, explicou o antigo piloto, que encontra “diferenças abismais” na modalidade entre os primórdios da sua carreira e a atualidade.

“No meu tempo, éramos todos amadores. Os carros que utilizávamos para treinar eram os do dia-a-dia e os mecânicos eram amigos nossos. Quando acabei é que começou o profissionalismo. Hoje, os pilotos só vivem dos ralis, enquanto nós tínhamos de trabalhar. E em relação aos carros também existe uma diferença abismal. Antes era tudo mecânico, hoje é quase tudo eletrónico”, constatou.

O que também mudou durante todos estes anos foi o Rali de Portugal, que já não passa em Arganil. “Custa-me, mas compreendo a organização da FIA, que considera que passar por Arganil fica fora de mão, pois as outras etapas são longe”, analisou, explicando porque a sua terra é apelidada de Catedral dos Ralis.

“O primeiro evento que me lembro e que marcou muito a zona de Arganil era uma etapa do Rali Londres-México. Quando os pilotos chegavam ao México diziam que a parte mais difícil tinha sido em Arganil. Havia uma mística diferente. Há muitas histórias que marcaram as pessoas. Quando eu ia ao estrangeiro e dizia que era de Arganil, outros pilotos diziam que eu era da Catedral.

Com 10 e 11 anos, eu já lá andava a fazer classificativas”, relembrou.

Carlos Bica é Embaixador de Arganil no Rally de Portugal

A Câmara Municipal de Arganil, no âmbito do regresso do Rally de Portugal à zona centro, após 18 anos de ausência, convidou Carlos Bica a ser o Embaixador de Arganil junto da comunidade local, visitantes, imprensa nacional e internacional, convidados, pilotos e equipas do ACP e da FIA que vão passar pela região.

“O Carlos é a personificação do que o rally representa em Arganil. As vidas e as histórias das pessoas fundem-se com a passagem do rally.

O troço está diferente, muita coisa mudou e por isso precisávamos de alguém a promover Arganil ao nosso lado que conheça a exigência técnica, os desafios e as vitórias que o nosso troço já presenciou”, explica Luis Paulo Costa, Presidente da Câmara de Arganil.

Carlos Bica foi o primeiro português a sagrar-se quatro vezes consecutivas campeão nacional e é natural de Arganil. Ganhou paixão pelo rally nos anos 60, quando ia conduzir sozinho no carro do pai para a Serra do Açor e sonhava participar na competição.

“Arganil é a primeira e grande capital dos ralis em Portugal.

Lembro-me de ler que os pilotos que participaram no grande rally maratona Londres-México de 1970, que uniu os continentes europeu e americano, e que passou por Arganil, quando chegaram à cidade do México, em pleno Mundial de futebol, mencionavam sempre a passagem por Arganil como a prova mais dura desses milhares de quilómetros”, conta Carlos Bica, ex-piloto de ralis e Embaixador de Arganil no Rally de Portugal. “Depois disso, muitos ralis nacionais e mundiais se ganharam e perderam no troco de Arganil que, na minha opinião, está para os ralis como a pista de Nurburgring – o circuito permanente mais longo do Mundo também conhecido como o “inferno verde” – está para os circuitos de velocidade”, acrescenta.

O troço de Arganil chegou a ter 60km, o que, durante anos, fez dele a classificativa mais extensa dos ralis mundiais. A dureza deste troço distingue-se pelos tipos de terreno, subidas, descidas, zonas rápidas, com uma intensidade permanente. Foi em 1981 que Carlos Bica correu pela primeira vez no troço de Arganil, no Ford Escort RS1800, no Rally Figueira da Foz.

“Os ralis mudaram muito, passaram a ser disputados de forma mais concentrada e com provas cronometradas mais curtas, mas com mais ou menos quilómetros Arganil será sempre Arganil! – o nome mais famoso e uma das especiais mais exigentes dos ralis portugueses. Em poucas palavras: um grande espetáculo, que volta a passar ao lado da casa de um grande número de entusiastas da região, que satisfará os mais nostálgicos e que certamente impressionará os seguidores mais jovens”, defende Carlos Bica.

O município de Arganil está empenhado em contagiar os seus habitantes e visitantes com o espírito que faz de Arganil a Capital do Rally.

Para além da zona técnica no Sub-Paço de Arganil, onde vai ser possível contactar mais de perto com os pilotos, o município promove também um espetáculo de vídeo mapping, histórico, imersivo e interativo, que fará uma viagem ao Rally de Portugal a partir de Arganil, a Capital do Rally.

  • O espetáculo com entrada livre tem lugar na fachada da Antiga Cerâmica Arganilense, no dia 30 de maio pelas 22h, com três sessões de cerca de 12 minutos, intervaladas com animação no Nicola Lounge.
  • O espetáculo tem como promotor o Município de Arganil, é organizado e produzido pela TAVOLANOSTRA Eventos Globais e patrocinado pela NICOLA Cafés.
  • Mais informações: Tudo o que precisa saber sobre o Rally em Arganil

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