Como Dizer Aos Pais Que Sou Lesbica?

Como Dizer Aos Pais Que Sou Lesbica? Thinkstock

  • Descobrir e aceitar a própria orientação sexual é, em alguns casos, é um processo que requer autoconhecimento, sinceridade e coragem.
  • Leia tambémHábitos que estão acabando com a saúde da sua vaginaComo sair da zona de conforto: 5 dicas para perder o medo de mudanças5 ótimos motivos para começar a escrever um diário hoje mesmo
  • Por mais que o assunto seja amplamente discutido atualmente, o preconceito contra homossexuais é uma realidade e, por isso, assumir a sexualidade para si e para os amigos e familiares não é uma tarefa fácil.
  • “O primeiro passo para a autoaceitação é entender que a sexualidade é uma escolha individual e que ser lésbica é perfeitamente normal”, afirma Alexandre Bez, psicólogo e especialista em relacionamentos.
  • Veja na galeria de fotos as dicas do especialista para sair do armário sem traumas e contar aos pais, familiares e amigos com tranquilidade:

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Você em primeiro lugarO especialista explica que, antes de tomar a decisão de compartilhar sua orientação sexual com as outras pessoas, é preciso estar bem consigo mesma. Em muitos casos, é essencial que a pessoa deixe os seus próprios preconceitos de lado, antes de enfrentar o dos outros.

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Não aceitação dos outrosOutra dica importante do psicólogo é estar preparada para a não aceitação de algumas pessoas. “É importante evitar entrar em discussões sobre o assunto, especialmente com pessoas religiosas e conservadoras. Nessa fase, é preciso não se deixar influenciar e abater pelas opiniões negativas”, completa.

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Mais próximosOutra dica é identificar quais os familiares e amigos mais próximos e conversar com eles primeiro, principalmente para sentir o apoio deles. Além disso, é importante que os pais não saibam por terceiras pessoas e sejam um dos primeiros a saber.

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Como conversarSegundo Bez, a na hora de contar, independente da dinâmica psicológica da família, é preciso tratar do assunto com respeito. “O segredo é mostrar que essa opção sexual vai te fazer feliz e que não tem nada errado em assumir isso”, diz.

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NaturalidadeAinda de acordo com o psicólogo, agir com naturalidade diante das pessoas também é essencial. “Se as pessoas próximas perceberem que você está feliz, aos poucos, aceitarão que ter uma sexualidade diferente não é nada de outro mundo”, afirma.

Medo de família e governo ainda deixa lésbicas invisíveis

A empresária Patrícia, 56, acha que, ao sair do armário, vai perder seus clientes. A musicista Débora, 56, teme ser acusada de assédio sexual. Já a advogada Andreia, 40, vê a mãe depressiva. E o medo da educadora física Juliana, 32, é ser uma decepção para os pais dela.

Essas quatro mulheres lésbicas, cujos nomes foram trocados para preservar suas identidades, dizem que não podem expressar o que são porque perceberam um clima mais hostil contra suas existências.

É contra essa hostilidade que, neste sábado (29), é comemorado o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica. A data foi criada em 1996 durante o primeiro Seminário Nacional de Lésbicas (Senale), no Rio.

Dia Nacional da Visibilidade Lésbica Como Dizer Aos Pais Que Sou Lesbica?

De lá para cá, ficou decidido que o dia seria usado para denunciar, além da invisibilização, todas as formas de violência sofridas pelas lésbicas.

A advogada Ananda Puchta, presidente da Comissão de Diversidade Sexual e Gênero da OAB do Paraná, afirma que a pauta lésbica sempre ficou em segundo plano no Brasil porque “tudo o que a mulher fala precisa ser respaldado por um homem”.

Nos anos 1980, Patrícia teve a coragem de enfrentar o pai quando percebeu que amava mulheres. Passou por sessões de “cura gay”, teve o telefone de casa grampeado e foi forçada a sair do país para virar mulher heterossexual.

A guerra familiar só terminou quando os pais dela morreram. Dona de um pet shop há 25 anos na capital paulista, a empresária notou que desde a ascensão do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) deixou de ser ela mesma.

“Eu percebi que as pessoas começaram a expor livremente seus preconceitos”, afirma ela. “A sensação é muito ruim porque é como se eu tivesse que me esconder.”

A empresária não fala abertamente que é lésbica desde que viu a postagem de uma cliente dela nas redes sociais contrária à adoção de crianças por casais LGBTs.

A mesma sensação tem a musicista Débora. Ela não enfrentou preconceitos em casa por causa de sua orientação sexual. Chegou a se casar com um homem, mas viu que tinha mais atração por mulheres.

É na escola pública de artes, em São Paulo, onde leciona música para crianças de 7 a 12 anos, que a professora precisa entrar no armário. “E não é por causa dos meus colegas, mas pelos pais dos meus alunos”, conta.

Débora diz que mantém uma relação de muita proximidade com as crianças que, durante as aulas, trocam abraços, beijos e sentam no colo dela. “Eu senti que, se eu falasse que sou lésbica, teria a minha afetividade questionada. É muito louco, mas penso que posso até ser acusada de assédio sexual”, afirma.

Para Suane Soares, pesquisadora de questões lésbicas da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), o medo da professora paulista faz sentido. “Ser tachada de predadora sexual de crianças é mais um estereótipo associado à imagem das lésbicas”, diz.

Soares explica que a sociedade, sendo machista e patriarcal, molda os indivíduos para que eles cumpram determinados papéis na manutenção desse sistema.

E qual é o papel da mulher?, questiona a pesquisadora. “É o de subserviência, preservação da família e da linhagem masculina”, diz. “Mas as lésbicas são um erro do patriarcado porque não reproduzem esse modelo.”

A educadora física Juliana lembra que lésbicas como ela são aceitas quando têm seus corpos fetichizados. “Também já ouvi que uma mulher ama outra porque tem carência e fraquezas”, afirma.

E é por meio da violência que o sistema atua para corrigir a disfunção lésbica, explica Soares. As táticas mais usadas são o estupro corretivo, o apagamento ideológico e a exclusão delas no mundo do trabalho e da família.

De acordo com o Dossiê Lesbocídio no Brasil, que mapeia mortes violentas de mulheres lésbicas, 126 casos foram identificados de 2014 a 2017 —a maioria deles (82) ocorreu no interior do país.

Eide Paiva, pesquisadora do campo da lesbianidade na Uneb (Universidade do Estado da Bahia), quase entrou nas estatísticas de violência só por ser lésbica.

Em 2006, ela recebeu uma carta anônima que dizia o seguinte: “você vai ser currada, esquartejada e jogada no mato”. Naquela ocasião, a pesquisadora estava à frente de grupos feministas que discutiam a violência contra as mulheres em Conceição do Coité (a 218 km de Salvador).

Paiva expôs a ameaça, ganhou aliados, fez mestrado sobre o tema e, hoje, forma professores em questões de diversidade.

Para Soares, da UFRJ, não basta apenas colocar a letra L à frente da sigla LGBT, uma conquista que completou 12 anos. “É preciso garantir políticas públicas para as lésbicas. O emprego, por exemplo.”

Juliana, 32, educadora física Minha família é muito conservadora. Descobri que gostava de mulher aos 16, quando fui “cantada” por uma. Depois disso, engatei um namoro com uma amiga que durou 13 anos. Nesse período todo, inventei muitas histórias para mantê-la perto de mim.

Eu cheguei a convencer um casal de amigos gays a fingir ser namorado meu e dela –os pais da minha ex também têm preconceitos. Eu trabalho em academias e já presenciei alunos não querendo fazer aulas com professoras lésbicas. Isso me dói porque a vontade é dizer que eu também sou uma delas. Enquanto eu morar com os meus pais, terei de ficar no armário.

Como Dizer Aos Pais Que Sou Lesbica? Juliana, 32, educadora física – Karime Xavier/Folhapress

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Débora, 56, musicista A música me deu liberdade para ser quem eu quisesse. Segui o script: me casei com um homem, mas descobri que gostava mesmo era de mulher. Não sofri preconceitos em casa por ser lésbica. Minha família sempre tratou muito bem a mim e a minha atual esposa.

O problema é o meu trabalho. Ensino música para crianças de 7 a 12 anos. Trocamos muito carinho durante as aulas. Recebo abraços, beijos e muitos dos meus alunos sentam no meu colo.

O meu medo é sofrer algum tipo de retaliação ao dizer aos pais dessas crianças que sou lésbica. Venho assistindo a onda conservadora que toma o Brasil.

É louco o que eu vou dizer, mas o meu pânico é ser acusada de assédio sexual só por eu ser lésbica. Não suportaria.

Como Dizer Aos Pais Que Sou Lesbica? Débora, 56, musicista – Karime Xavier/Folhapress

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Patrícia, 56, empresária de Pet shop Eu fui muito inocente quando contei ao meu pai que gostava de mulher. Era adolescente e, a partir dali, a minha vida virou um inferno. Ele passou a me perseguir, grampeou o telefone de casa, me forçou a passar por sessões de terapia para eu virar heterossexual e, por fim, me mandou para fora do país.

Quando eu retornei ao Brasil, fui encontrar a minha namorada e o que aconteceu? Meu pai me seguiu, entrou no apartamento dela e a ameaçou. Ele disse a ela: você sabe que muitas pessoas morrem atropeladas e ninguém sabe quem foi. Ela desapareceu da minha vida, claro. Anos depois, meus pais morreram e eu fiquei mais sozinha. Nunca falei que sou lésbica para o meu irmão.

Como Dizer Aos Pais Que Sou Lesbica? Patrícia, 56, empresária – Karime Xavier/Folhapress

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Andreia, 40, advogada Meu pai é pecuarista e muito envolvido com política. Eu nunca contei oficialmente à minha família que sou lésbica. Quando saí de casa para estudar, em Ribeirão Preto (SP), comecei a namorar mulheres. Meu pai se mudou para a minha casa de propósito e dificultou muito a minha vida durante seis meses.

Ele imprimiu uma foto minha e mostrava aos donos dos bares próximos de casa para saber se eu beijava mulheres ali. A minha libertação veio quando me tornei advogada e independente financeiramente dele. Criei uma start-up que vale R$ 15 milhões, tenho um sítio no interior de Minas Gerais e sou casada com uma mineira.

Quando meus pais me visitam, a minha esposa precisa sair do nosso quarto. Eu sei que essa situação toda é muito difícil para ela. Eu não sei até onde isso vai. Não sei se a a minha mãe suportaria saber sobre mim. Eu já a vi em crises profundas de depressão.

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A única pessoa da minha família que sabe sobre a minha orientação sexual é a minha irmã. Eu queria que toda a minha família conhecesse o outro lado da minha, que já divido com meus amigos há anos.

Mas não sei quando isso vai acontecer, sinceramente.

Como Dizer Aos Pais Que Sou Lesbica? Andréia, 40, advogada – Karime Xavier/Folhapress

*nomes são fictícios para preservar a identidade das entrevistadas

Não existe a hora certa de acabar com a farsa e assumir para os pais: Eu sou gay

Por Thailla Torres | 23/05/2016 06:10

Como Dizer Aos Pais Que Sou Lesbica?Eu, uma repórter lésbica e minha supermãe. (Foto: Alcides Neto)

O pior momento da homossexualidade é encontrar a hora de certa de falar para a família: “Eu sou gay”. Revelar a essência para quem mais se ama vai muito além de ser verdadeiro, é conquistar uma liberdade emocional. Mesmo assim, coragem é algo difícil nessa hora e, inevitavelmente, a resposta vai surpreender, para o bem ou para o mal.

William e Diego passaram pelo momento que consideram mais difícil na vida. Eu também. E como jornalista, ao lado deles resolvi entrar na jogada e revelar como foi a minha hora, o dia em que assumi ser lésbica para minha mãe.

William Castelar Morales, tem 22 anos, e a revelação sobre a sexualidade veio aos 18, quando ele e a mãe Elizeth passavam as férias em São Paulo. William é do tipo que adora maquiagem e a mãe percebeu que o feminino aparecia com força nas atitudes do rapaz.

Um dia, a verdade surgiu em um lugar inesperado. Na estação de metrô, a conversa veio à tona. Longe de julgamentos ou dúvidas, a reação da mãe foi surpreendente e lotada de amor. 

 “Ela me perguntou porque eu não havia contado antes. Mas eu disse que até então não me sentia preparado e expliquei que eu sabia desde os meus 14 anos e que já havia tido a experiência”, revela.

Como Dizer Aos Pais Que Sou Lesbica?William e Elizeth, são a prova de que no amor não há preconceitos. (Foto: Arquivo Pessoal)

A reação dela acalmou o coração do filho. “Você é muito importante pra mim e isso não fez diferença, ela disse”, lembra Willian. Como toda mãe protetora, a preocupação foi com o preconceito. “Ela até me ofereceu um psicólogo, mas eu aprendi a lidar com o preconceito há muito tempo”.

“O que mais me surpreendeu é que eu achava que ela ficaria chateada com a situação. Mas ela foi além, ela se preocupava com o meu estar.

Morando em São Paulo e vendo as notícias na televisão, ela tinha o cuidado de pagar taxi para eu não voltar sozinho para casa e orientava sobre o uso de camisinhas.

E foi primordial ter esse apoio total dela, porque não foi um apoio que procurei na rua, ele veio por consequência”, declara.

Elizeth Antunes Castelar, 53 anos, lembra que sempre viu os sinais de que o filho gostava de homens e preferiu não seguir no caminho que a maioria escolhe. No lugar de fingir que não percebia nada, colocou um fim na dúvida.

“Eu percebia pelo fato dele não falar de mulheres, não ter me apresentado uma namorada e eu sabia que ele tinha mudado. Eu nunca julguei o meu filho, eu julgo é o caráter. Quando me falou, minha preocupação foi com a maldade das pessoas, que, infelizmente, chega ao extremo. Eu orientei sobre a saúde, uso de camisinha, coisas que sempre foi a orientação com os outros filhos”, ensina.

A mãe que também sentiu na pele o preconceito, batalha pela felicidade do filho independente da orientação sexual. “Eu casei com um homem negro senti na pele a maldade e o preconceito, mas as pessoas vão te julgar por qualquer coisa, mas ninguém paga menos imposto por ser quem é. Por isso, luto pelo respeito a tudo e a qualquer pessoa”, esclarece.

Para a mãe, melhor é bater no peito e se assumir, do que ser outro e jamais encontrar a felicidade. “O amor está acima de qualquer coisa, o meu nunca vai mudar e o meu filho é uma pessoa correta e feliz. Sabe que é amado e por isso não me sinto uma mãe diferente. Na verdade isso nem existe. Só agradeço a Deus por ter me escolhido para ser a mãe dele”, se declara.

Como Dizer Aos Pais Que Sou Lesbica?Entre ser gay e lidar com a distância dos pais, surgiu um abismo na vida de Diego. (Foto: Arquivo Pessoal)

Para o assistente administrativo, Diego Gonçalves Rodrigues, de 29 anos, a revelação sobre a sexualidade trouxe a distância e a saudade dos pais. Ele não se arrepende de ter contado e hoje garante que é um homem feliz, mesmo longe da família. 

Diego tinha 21 anos quanto tudo aconteceu. Ele e os pais eram evangélicos e um dia a mãe encontrou revistas gays no quarto do filho. O pai fez o filho queimar tudo. A família acreditava até que a religião ia ajudar na  “cura” de Diego.

O episódio de revelação se repetiu um ano depois, quando o pai encontrou mensagens de um amigo no celular de Diego. “Meu pai foi me indagar e eu resolvi me abrir. E naquele momento perguntei se ele tinha certeza que queria saber”. E Diego revelou que era gay, de novo.

O ponto principal era se o filho já havia tido relação sexual com outro homem. Com a resposta positiva, os pais levaram a situação ao conhecimento da igreja. “Mas eu revelei que era assim e não iria mudar, eu passei a minha adolescência tentando me entender e eu não quero passar a vida inteira lutando contra algo que eu sou”, comenta. 

os pais pediram para que ele saísse de casa. Com uma mochila nas costas, era a hora de uma nova vida. “A relação com eles foi completamente cortada. O máximo que a gente tem são encontros em situações esporádicas de família, como falecimento de um parente, mas pouco conversam comigo e mal me cumprimentam”. 

Após sair de casa, Diego teve depressão, passou por crises, sem nenhum apoio. “Eu tinha consciência antes de falar pra eles, que a partir do momento que eu me assumisse eu não teria mais eles perto de mim. A partir do momento que eu sai de casa, a vida como meus pais parou ali e comecei uma vida nova”.

Mas entre ser gay e saber lidar com a vida longe dos pais, no caminho surgiu um abismo. Ele saiu da igreja, se afastou dos amigos e além dos pais, o irmão também não fala mais com ele.

Apesar da tristeza, da indiferença e da saudade, que já não há como medir, o sorriso continua forte, sem rancor da família. “O rancor prejudica quem tem e não quem é o alvo.

O que eu sinto é pena, porque eu sei que eles sofrem com a ausência e em respeito a eles, eu nunca mais tentei uma reaproximação. Não tenho ódio e nem rancor, mas sei que não tenho mais eles”, relata emocionado.

Diego é casado há 7 anos. No campo sentimental, a revelação trouxe junto a felicidade em conseguir assumir pela primeira vez um relacionamento e amar sem medo. Sobre ver os pais novamente, a possibilidade ele acredita que é pequena, mas confessa que nunca perdeu as esperanças.

Como Dizer Aos Pais Que Sou Lesbica?Mas nada tira o sorriso e a amor que mantém pelos pais.

Na busca de outras pessoas que aceitassem relatar esse momento com a família, percebi que, mesmo assumindo a sexualidade, a hipocrisia continua forte. Muitas vezes, a família sabe, mas aceita desde que ninguém mais fique sabendo.

Por isso ousei em fazer parte dessa história, contando um pouco da minha revelação. 

Sou Thailla Torres, jornalista de 23 anos. O processo com a minha mãe teve dois momentos.

Eu já sabia que gostava de mulheres desde a adolescência, mas ainda assim, não tinha segurança sobre o que eu realmente era.

Ela descobriu meu interesse pelas meninas quando leu meu diário, manteve em silêncio durante um tempo, e depois afirmou que me aceitaria e me respeitaria como eu era, durante uma conversa aparentemente calma. 

Mas como toda mãe, surgem as angústias, as inseguranças e os medos. Quando ela descobriu que eu namorava uma garota, foi como se houvesse uma nova revelação. Eu disse em alto e bom som que gostava de mulheres e aí surgiram as brigas, as palavras mal colocadas, o choro e um abraço de arrependimento. Até que veio o pedido de desculpas cheio de amor.

Foi um tempo até minha mãe compreender o que realmente eu era e ela descobrir que no fundo eu continuava sendo a mesma filha que ela sempre amou. 

Seu maior medo também é o preconceito, tema que hoje eu sei lidar muito bem. Já beijei, namorei e desfilei de mãos dadas com homem. Mas não pense que sou uma pessoa “mal resolvida”. Sou lésbica! Sempre fui e sei muito bem o que me faz feliz hoje. 

Aos 40 anos, Wilma Torres, minha mãe, não nega o medo que teve. Mas o amor é tanto que agora ela até gosta de usar a palavra “lésbica”. A supermãe cheia de humor faz questão de falar: minha filha é lésbica! “Bom…

O primeiro impacto foi susto e um choque. Tive muito medo, não da minha reação, mas da sociedade lá fora. Eu acreditava que mãe ensinava filho, mas foi com você que eu aprendi.

Amo minha filha e a sua escolha também será a minha”, diz.

Para minha mãe, a situação virou orgulho que ela deixa bem claro, não importa o lugar, no consultório médico, na festa de amigos… “Hoje digo que toda forma de amor é digna e sempre soube lidar com isso dentro de mim. O primeiro impacto assusta, mas o sorriso de felicidade de quem você ama é tão gratificante que o susto se torna um orgulho”, justifica Wilma.

É com esse orgulho que eu sigo meu caminho sem medo de sorrir, de viver e de ser quem eu realmente sou!

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"E daí se seu filho ou sua filha é gay? O amor não se sujeita a condições. A começar pelo amor dos pais pelos filhos"

Nunca me esqueço do dia em que, grávida de uns cinco meses e ainda gravando reportagens para a TV Record, escutei de uma entrevistada, que já era mãe: “Você está prestes a entrar no paraíso”.

Sério. Na hora não entendi ou entendi perfeitamente… Algo de extraordinariamente maravilhoso iria acontecer na minha vida e eu seria transformada em um ser superior em alguns meses.

Querem spoiler? Não, não é bem assim.

Veio a Lucília. Primeira filha desejada pra caramba, amada, em um casamento super legal. Mas quem disse que ser mãe é adentrar no universo da fofura?

Cara, maternidade é um rasgo na alma. Uma catarse. Uma reviravolta tsunâmica na consciência animal do nosso instinto selvagem

Por isso me irrita um pouco esse papo de que “não gosto de criança, por isso não quero ter filhos”.

Não. Criança é criança… Filho é outra coisa.

AS OUTRAS MÃES ME ODIAVAM, PORQUE EU ERA A MÃE DAQUELA MENINA “TERRÍVEL”

Mas este não será um texto sobre maternidade. Será um texto sobre como fazer planos para os filhos e imaginar um futuro ou uma personalidade simplesmente não funciona.

Filhos são independentes. Filhos crescem, aparecem e acabam te ensinando muito. E quando você menos espera, eles estão fazendo discursos existencialistas, brigando por suas convicções, discutindo preconceitos, militando por causas que…

SIM, formamos cérebros para o mundo. Filhos são assim.

Então vou pular direto para o Relaxa, mãe, um projeto que nasceu – vejam vocês – da minha não surpresa ao saber que minha filha era lésbica

Lucília sempre foi diferente. Dava um trabalho danado. Mal comportada na escola (apesar das notas altas). Eu sempre era chamada. As outras mães me odiavam, porque eu era a mãe daquela menina terrível.

Mas ela sempre me deu orgulho. Dona de uma inteligência, de uma esperteza, de uma sedução absurda para conseguir tudo o que queria. Musical, teatral, tangueira, fadista (dramática), mas, acima de tudo, cheia de vida. Brilhava por onde passava. Seduzia, mas também incomodava.

  • QUANDO MINHA FILHA DISSE QUE ERA LÉSBICA, BATEU UMA INSEGURANÇA: “E AGORA?”
  • Um dia, aos 15 anos mais ou menos, Lucília me chamou no quarto e me dirigiu a seguinte frase:
  • — Mãe, você sabe.

Eu soube. De fato, aquela baladeira que saía sempre, tinha um monte de amigos, nunca tinha namorado. Nunca tinha levado um só menino para casa, um ficante, que fosse. Ela era sapatão. E, a partir daquele momento, eu “sabia”

Não sei dizer direito o que passou pela minha cabeça imediatamente. Mas hoje, se fosse para apostar, eu diria que passou aquele filminho de aniversário de buffet, sabe?

Aquele que a gente faz colocando a foto da gravidez, do parto, dos vestidinhos lindos, foto na piscina com os primos, no colo dos avós. Tudo isso ao som de “sou eu assim sem vocêêê”. Tão bonitinha, tantos sentimentos, tão gracinha, tão terrívelzinha…

BUM! Ela tem “sexo”. E gosta de mulheres, não de homens. 

Por alguns momentos, tive uma espécie de medo, de pavor, de insegurança, de confusão mental sobre o que exatamente aquilo deveria significar. E como toda mãe, a primeira coisa que me veio à mente foi “ela vai sofrer”

Mas também veio aquele pensamento do tipo “por que tinha que ser a minha filha”? Por que ela não é “normal”!? Eu via nas redes sociais fotos de filhas de amigas minhas com os namorados e sempre ficava imaginando que comigo seria igual. E agora?

Hoje, já experiente e adulta madura, eu penso: cacete, o que é ser “normal”?

CONTEI AO MEU MARIDO… E A REAÇÃO DELE ME PEGOU COMPLETAMENTE DE SURPRESA

Esses pensamentos hoje me dão até vergonha. Passaram pela minha cabeça, mas foi tudo muito rápido. Na sequência, quando ela me perguntou se eu iria contar ao pai dela, respondi que claro que sim, pois não podia “arcar com isso sozinha”.

Como Dizer Aos Pais Que Sou Lesbica?

Lucília e Tatiana em dia de jogo do São Paulo.

Pensei que ao contar ao pai dela seria um choque. Sim, porque ele é de família muito tradicional, portuguesa, uma cultura cheia de pudores, regras tradicionais familiares.

E imaginando que ele iria ficar chocado,  fui preparada para isso.

Mas, para a minha surpresa, lembro até hoje de ele ter feito uma cara do tipo “Hã? E daí?”. Em seguida, a frase que veio como uma flecha de um cupido: “Eu quero é que ela seja feliz”.

Casamento de muito tempo é assim. A gente perde algumas coisas, mas ganha uma espécie de “super gêmeos – ativar!” quando o assunto diz respeito aos dois. Mais precisamente, aos filhos.

A gente se conhece há tanto tempo, já amou tanto esses filhos, que parece haver no outro uma espécie de “outro eu”. Uma outra opinião sobre assuntos relacionados às crias.

Essa cara e essa frase do meu marido, que vieram minutos após a revelação da Lucília, me deram uma paz absurda e uma vontade de sair por aí dizendo que minha filha é sapa e que eu estou “cagando” para isso

E foi assim mesmo.

COMECEI A ENXERGAR EM MIM UM POTENCIAL QUE NÃO CONHECIA: AJUDAR PESSOAS

Onde dou aulas — ambiente universitário e muito diversificado — eu fazia comentários sobre isso. Fazia graça. Me apresentava dizendo que tinha um casal de filhos e que os dois estavam solteiros. Mas só moças podiam se candidatar (meu outro filho é hétero).

E sempre que apareciam assuntos desse tipo eu lidava com bom humor, falava da minha filha com naturalidade, fazia piadinhas entre mãe e filha e compartilhava tudo isso nas conversas dos corredores da faculdade e nas redes sociais.

Foi aí que comecei a enxergar em mim um potencial que não conhecia: o de ajudar pessoas.

Não que eu seja uma pessoa rara ou especial. É que às vezes a gente tem vontade de fazer algo para ajudar alguém, não tem?

Aí ficava pensando… Sei lá, contadora de histórias? Trabalhar em hospital? Ser voluntária em alguma ONG? E ficava por isso mesmo. Mas comecei a perceber que talvez tivesse um dom de — através de textos — sensibilizar pessoas para que fossem mães ou pais como eu. Ou seja, “de boas” com a orientação sexual dos filhos.

Universa – “Como me assumir bissexual pra minha mãe, que acha que sou lésbica?"

O desenho da capa é uma homenagem da ilustradora e youtuber Samantha Reis ao namorado, Brunno (Imagem: Reprodução/Instagram)

Quem já saiu do armário uma vez sabe que esse é um dos momentos mais difíceis da vida de uma pessoa LGBTQIA+. De um lado, pesa o medo da rejeição. Do outro, pulsa a liberdade. Não há um manual de instruções que nos prepare, nem nenhuma previsibilidade sobre a reação da família. Tudo pode acontecer.

Aproveitando essa moda dos chás de revelação do sexo dos bebês, bem que podiam naturalizar os chás de revelação de sexualidade. Quando a gente se sentisse à vontade pra falar sobre o assunto, reunia todo mundo, estourava um balãozinho e… pow! Bem mais fácil.

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Enquanto a realidade não é tão lúdica, a gente faz o que dá. E isso significa se inspirar nas histórias de quem já se assumiu e, depois, iluminar os passos de quem deseja trilhar o mesmo caminho.

A primeira saída do armário a gente não esquece. E a segunda?

Se sair do armário uma vez demanda todo esse esforço e coragem, imagine sair duas. Sim, você não leu errado.

Nesta semana eu recebi um pedido de ajuda pelo Instagram: “Como me assumir bi pra minha mãe que acha que sou lésbica? Sempre me relacionei com mulheres. Anos atrás, quando contei pros meus pais, foi bastante turbulento.

Hoje, minha mãe aceita e meu pai respeita, por isso tenho medo de dizer que estou num relacionamento com um homem e que estou gostando dele.”.

Eu tenho grande amiga que já viveu essa experiência. Mais que uma relação de amizade, tenho pela Sassá uma imensa admiração.

Em 2010, a Sassá, que é a ilustradora Samantha Reis, e a jornalista Roberta Salles, a Rô, criaram o Dedilhadas, um canal no YouTube feito por lésbicas e para lésbicas que foi um tremendo sucesso – e um bálsamo para quem tinha pouco ou nenhum acesso a esse tipo de conteúdo.

“Minha sexualidade não seguia a heteronormatividade”

O que não dava pra imaginar anos atrás é que um dia a Sassá se apaixonaria por um homem, o Brunno. “Meus pais receberam com naturalidade. Meu irmão ficou surpreso, mandou um 'PERA, O QUÊ?'. Mas foi mais complicado pras pessoas que fazem parte da comunidade LGBTQIA+”, entrega.

Samantha e Brunno estão juntos há dois anos (Imagem: Reprodução/Instagram)

Sassá conta que desde criança se sentia diferente das outras meninas, e nunca seguiu padrões heteronormativos. “As minhas Barbies ficavam entre si. Eu não colocava o Ken pra casar com ninguém. Aqui em casa sempre foi tudo muito tranquilo.

Quando meu irmão começou a se interessar por coisas sexuais, minha mãe ia até a banca de jornal e comprava revista de mulher pelada pra ele. E aí eu roubava as revistas dele. Lembro até hoje de um dia que a gente tava brigando, meu irmão e eu, e a minha mãe apareceu.

Ele reclamou que eu roubava as revistas de mulher pelada dele, e a minha mãe: 'Meu Deus! Desculpa, Sa, eu nunca perguntei se você queria'”, diverte-se.

Depois de 100 vídeos no YouTube e um período sabático, o canal Dedilhadas voltou na semana passada com 27 mil inscritos e muitas histórias (como essa, da Samantha e do Brunno) pra contar (Imagem: Reprodução/Instagram)

Dica de ouro: sondagem

Pra Sassá, que saiu do armário duas vezes publicamente (primeiro se assumindo lésbica, depois bissexual), se abrir sobre o assunto pode sacudir alguns conceitos, mas vale a pena. A sugestão é ir devagar.

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“É possível que a mãe agora tenha uma expectativa muito pesada depois de passar por todo um processo interno para entender que a filha é sapatão. E, de repente, a menina nem é sapatão, é bi. Deve dar uma bagunçada na cabeça dela, acredito.

Talvez a mãe imagine que seja só safadeza, pode ter tudo isso no meio do caminho. Mas se eu achasse que meus pais não fossem aceitar, ou alguém da minha família, ia começar a jogar informações assim sobre os outros, pra ver como ia ser o rolê.

Começa a contar de algumas amigas que são bissexuais e vê o que a mãe acha”, aconselha.

Como lidar com os meus pais?

Se os teus pais souberam que és lésbica, gay, bissexual ou trans e não estão a reagir bem o que podes fazer?

Quando os pais não reagem bem

Muito/as jovens lésbicas, gays, bissexuais, trans ou intersexo optam por revelar a sua orientação sexual ou identidade ou expressão de género aos pais ou dão por si, involuntariamente, a certa altura numa situação em que os pais passam a conhecer esse dado, obtendo destes rejeição e violência. Esta violência faz-se sentir de diversas formas. Vejamos algumas delas, antes de perceber como lidar com cada uma.

Violência Psicológica
Está-se perante uma situação de violência psicológica quando os pais desconsideram ou desrespeitam a revelação do seu filho ou da sua filha, causando-lhe mal estar psicológico. Estas situações podem ocorrer de uma maneira explícita (como insultar, ridicularizar, culpabilizar) ou de maneira implícita (considerar que o seu filho ou a sua filha está a passar por uma fase, fingir que não sabe ou continuar a tratar o seu filho ou a sua filha como se não soubesse). Esta forma de violência mais subtil é comumente designada de microagressão e pode significar uma negação por parte dos pais e um silêncio doloroso e arrastado por parte dos filhos.
Violência Emocional
As situações de violência emocional não são muito diferentes da violência psicológica. Têm a particularidade de incutir no outro um nível de emocionalidade que satisfaça as necessidades de quem persuade. Por exemplo, acontece quando o/a jovem revela aos seus pais que é gay ou lésbica e, cada vez que tem marcado um encontro com o namorado ou a namorada, os pais mudam de humor ou de atitudes, tentando que o encontro do seu filho ou da sua filha não se realize.
Violência Física
Descreve todo o tipo de situação que recorre à agressividade física e que projeta no outro lesões concretas (bater, pontapear, atirar objetos, empurrar). São regra geral acompanhadas de violência psicológica e emocional.

Perante este possível cenário, muitos jovens são relutantes em revelar a sua orientação sexual ou identidade ou expressão de género, até que compreendam o terreno que pisam e antevejam as possíveis reações com que terão de lidar e como podem gerir as consequências delas.

De educando a educador

Se os teus pais souberem que és lésbica, gay, bissexual ou trans e não estiverem a reagir bem é importante que se proporcione um espaço de reflexão para que eles possam exprimir os seus sentimentos e, perante o teu papel “educativo”, fornecendo-lhes informação correta e rigorosa sobre o tema, evoluam assim para novos pontos de vista. Às vezes este processo é sensível e moroso, mas não percas a esperança pois se tiveres um papel ativo mas paciente no processo de mudança da forma como eles concetualizam a tua sexualidade, eles poderão vir a entender que tu permaneces quem és e que essa é apenas mais uma das características que te descrevem.

Ainda assim acontece haver pais que são psicologicamente resistentes à mudança e que podem até tornar-se demasiadamente agressivos. Ao ponto em que o diálogo já não é solução e torna-se preciso ir mais além. Isto acontece quando os índices de violência são grandes ou começam a surgir ameaças de expulsão de casa.

Cada pessoa tem uma individualidade que a torna única, cada família é uma família e cada caso é um caso. Lidar com estruturas familiares tem sempre um quê de intuitivo e um quê de técnica. No todo acaba por ser um processo bastante cirúrgico, pois é sensível operar-se num sistema familiar que assumiu como equilíbrio um conjunto de expectativas que entram em rutura.

No entanto, à semelhança de qualquer tipo de violência, nada legitima que te sujeites a agressões físicas ou psicológicas/emocionais e quando se chega a esse limite há ações que se podem tomar.

O que posso fazer caso os meus pais não me falem?

Caso os teus pais, ou figuras parentais, não te falem, é provável que eles estejam a passar por um período de perda, recusa ou culpabilidade.

Esse tempo, à semelhança de como deve ter sido quando assumiste para ti a tua orientação sexual ou identidade ou expressão de género, deve ser respeitado até que haja uma compreensão do problema e se mobilizem recursos no sentido do diálogo e tomada de posição.

Contudo, respeitar o silêncio não significa que não se comunique ou que essa comunicação seja destrutiva. É preciso que se tome consciência de que esse buraco na comunicação não deve cair no vazio, mas sim criar a ponte entre o choque da notícia e a compreensão da mesma.

O que posso fazer se os meus pais me tratarem com desdém?

Muito provavelmente o que leva os pais a tratarem com desdém um/a filho/a que é lésbica, gay, bissexual ou transgénero, após revelação da notícia, é a dificuldade continuada em aceitarem a mesma. Como foi referido no tópico anterior, é importante ires estando atento/a à forma como os teus pais lidam com a mesma e se sentes que o processo tem evoluído num sentido saudável e não destrutivo.

Como cada pessoa e família é diferente, não existe um padrão que defina o tempo normal para se aceitar uma notícia deste tipo, nem existem categorias que classifiquem taxativamente a forma como as pessoas devem reagir. Assim, tudo depende do sentido que toma a interiorização dessa informação – se tem como fim a tentativa de reestruturação familiar ou, ao invés, a tentativa de rutura afetiva.

O que posso fazer se for vítima de violência?

Se contares aos teus pais ou figuras parentais motivou um cenário de agressividade e violência, então é urgente que tomes medidas que salvaguardem a tua integridade física e psicológica. É importante procurar ajuda quando o ambiente familiar negativo se tornar insuportável para ti. Em situação de violência podes tomar as seguintes medidas:

Contactar entidades certificadas para o apoio específico a este tipo de questões, como a Casa Qui, nomeadamente o seu Gabinete de Apoio à Vítima para Juventude LGBTI;
Dirigires-te a uma unidade de apoio à saúde, sobretudo em situação de violência física, como um hospital ou o teu centro de saúde;
Denunciar o sucedido em qualquer esquadra da PSP ou posto de GNR, ou pedir auxílio a quem te possa acompanhar (amigos/familiares).

Em caso de expulsão de casa podes:

Procurar uma pessoa amiga ou familiar que possa acolher-te e ajudar-te a dar resposta à situação e às tuas necessidades;
Contactar a Linha de Emergência Social (144) ou qualquer posto da PSP ou GNR que te ajude no processo de encaminhamento para entidades de acolhimento temporário;
Solicitar ajuda à Comissão de Proteção de Crianças e Jovens;
Procurar ajuda e informação junto de entidades especializadas em situações relacionadas com questões da orientação sexual e identidade ou expressão de género, como a Casa Qui.

Em situações limites como a expulsão de casa, obteres apoio por parte de organizações que contam com equipas especializadas nestes assuntos ativa uma série de recursos que te poderão ajudar do ponto de vista psicológico e social.

Como contar pra minha mãe que sou lésbica? – Na minha família tenho primo

Feita por >Barbara Costa · 22 out 2017 Orientação sexual

Na minha família tenho primos que são gays e ela nunca falou nada, mas msm assim eu tenho medo de contar

A melhor resposta 24 OUT 2017 · Esta resposta foi útil a 91 pessoas

Olá Barbara, É importante pensar de onde vem seu medo. Um exercício que você pode fazer para verificar se está preparada para contar é imaginar o pior cenário possível.

Você conseguiria lidar com ele? Como você poderia reagir a ele? Se você consegue lidar com ele, consegue lidar com qualquer reação que sua mãe venha a ter, já que esse seria o pior cenário possível para você.

Desejo sorte e que seja o melhor cenário possível! Abraço,

Ana

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24 OUT 2017 · Esta resposta foi útil a 84 pessoas

Olá, boa noite!
De repente você poderia começar sondando com ela o que acha de pessoas homossexuais e sentir como ela encara essa situação. Quando sentir que está preparada para falar, chame-a em um lugar tranquilo, em um momento em que ela esteja bem, e conte.

A psicoterapia pode te ajudar a se preparar para esse momento e uma alternativa também é contar para ela no consultório com a sua psicóloga, ela pode ajudar a manejar a situação e te ajudar a contar, se você não estiver conseguindo sozinha.

Qualquer coisa, estou à disposição.

Boa sorte!

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22 OUT 2017 · Esta resposta foi útil a 65 pessoas

olá, Barbara.
Pelo seu relato, talvez você não esteja preparada ainda para contar para a sua mãe.
Embora contar para ela, vai te fazer muito bem, sugiro que aguarde mais um pouco, até se estruturar melhor emocionalmente.
Caso necessite procure por ajuda profissional, para te ajudar.

Qualquer duvida estou a disposição.

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