Como Dizer A Uma Criança Que Alguem Morreu?

Como Dizer A Uma Criança Que Alguem Morreu?

O assunto não é fácil, mas inevitável. Seja a morte de uma pessoa ou de um animal de estimação, os pequenos acabam passando por esse momento e junto com isso vêm as perguntas e questionamentos. Mas, afinal, como falar sobre morte com as crianças?

Antes de mais nada é importante falar que não existe uma idade certa para se tratar o assunto. Embora seja possível que o pequeno acabe passando por uma perda muito cedo e, naturalmente, fale sobre o assunto. À medida que vai crescendo, ele vai compreendendo melhor o significado da morte.

Como Dizer A Uma Criança Que Alguem Morreu?

Até lá, você pode falar sobre o assunto de diversas formas. Até os 7 anos a criança cria fantasias e isso ajuda a elaborar seu mundo interno.

Por isso, para falar sobre a morte os pais podem contar histórias, por exemplo, ou usar metáforas, como dizer para uma criança pequena que a pessoa virou uma estrela no céu.

Segundo Mônica Pessanha, psicopedagoga e psicanalista de crianças e adolescentes, isso pode aliviar a saudade, já que ao olhar para o céu estrelado ela imagina que uma daquelas estrelas é seu ente querido.

O que não dá é para velar o assunto dentro de casa, pois em algum momento elas vão querer saber, explica a psicanalista. “A vida também é feita de despedidas e a criança é capaz de entender isso. Quanto mais informações ela receber menos doloroso será o luto”, completa.

Mas o que é o luto?

O luto é um processo sentimental que acontece em decorrência de uma angústia de perda. Esse processo acontece por meio de fases explicadas pela psicanalista da seguinte forma:

Negação

A criança pode não acreditar que a pessoa faleceu, isso gera um desconforto enorme em relação à percepção da realidade.

Raiva

O pequeno pode apresentar um comportamento agressivo na escola, ou com amigos e família.

Negociação

Nessa fase a criança tende a fazer promessas para rever o parente. Isso ajuda a acalmar o sentimento de perda, mas, ao mesmo tempo, leva à próxima fase que é…

Tristeza

Quando perde alguém a criança sente uma tristeza enorme. Nesse caso é algo mais profundo, nessa etapa a perda e o fim são encarados.

Aceitação

Apesar de ser extremamente dolorido vermos nossos pequenos tristes, é essa tristeza natural do luto que o ajudará a passar pela fase da aceitação da perda e aprende a lidar com aquele sentimento.

É comum, especialmente entre as crianças, que o primeiro ano do luto venha carregado de dificuldades em transformar o sentimento em palavras, por isso, às vezes, isso pode vir junto com um comportamento agressivo. Pais e cuidadores precisam estar atentos aos sinais de tristeza. Porque quanto mais cedo a criança receber apoio e suporte, mais forte ela ficará.

Dica Leiturinha

A literatura infantil também pode ser uma grande aliada nos momentos difíceis. Para auxiliar os pequenos e a família a lidar com assuntos complexos como a morte, a Equipe de Curadoria da Leiturinha preparou uma dica de leitura. Confira:

Falar sobre morte com crianças pode ser um desafio. Muitos pais têm dificuldade de abordar este tema com seus filhos, porém é possível abordá-lo de forma leve através de metáforas ou recursos lúdicos, com a literatura infantil, por exemplo. Com livros infantis sobre morte, essa coleção de livros infantis pode ajudar pais e educadores nessa missão!

Para conhecer esta Coleção, acesse as Loja Leiturinha.

Dica PlayKids

  • Além de usar a literatura como aliada na hora de falar sobre morte com as crianças, você também pode apresentar uma música sobre o tema, veja a seguir um episódio da série Eu Amo Aprender que aborda o sentimento da saudade causado pela perda:
  • https://youtu.be/t_2B3cwLltM
  • Leia mais: 

Como Dizer A Uma Criança Que Alguem Morreu?

Jornalista e entusiasta do desenvolvimento infantil, acredita que brincar é sinônimo de aprendizado e felicidade para as crianças.

Como Dizer A Uma Criança Que Alguem Morreu?

Como falar sobre a morte com crianças e adolescentes? – Emais – Estadão

Como Dizer A Uma Criança Que Alguem Morreu?

Como falar sobre a morte com crianças e adolescentes? Foto: Pixabay

A morte ainda é encarada como um tabu na sociedade, apesar de o ser humano ser extremamente ‘ritualizado’. Quando nascemos, fazemos um ritual para comemorar a chegada da criança, através de festas ou batizados. Quando casamos, celebramos na igreja e fora dela. E quando morremos, preparamos o funeral, o velório, o túmulo, enterramos ou cremamos nossos mortos.

Apesar de lidar com essa situação, trata-se de um comportamento quase mecânico e, de certa forma, saudável para a nossa psiquê. Poder ritualizar a morte, mesmo que com toda a carga emocional de tristeza e dor, faz parte da elaboração do luto. 

Para os adultos, a perda pode ser extremamente difícil. E para as crianças? “A criança vai encarar a morte com o mesmo olhar e potencial lúdico que ela tem para encarar a vida. Para a criança, a morte ainda não tem a quantidade de símbolos, nomes e significados que nós adultos damos”, na avaliação de Juliana Guimarães, psicóloga especialista em luto.

Na opinião do psicanalista e hipnoterapeuta Alexandre Pedro, os pais precisam falar sobre a morte com a criança desde cedo. “Plante uma semente e vá mostrando como ela nasce, cresce e morre.

Lembra daquele feijãozinho plantado no algodão que todos nós fizemos na escola? Pode ser um ótimo aliado neste momento.

O mais importante desta experiência é mostrar que esse processo é natural e que independe de ele ter cuidado direitinho da planta”. 

O sofrimento emocional de quem perde alguém

Lidar com a morte de um familiar ou amigo não é fácil. Por vezes, diante do luto infantil, é muito comum existir uma tendência a querer proteger a criança da dor, como se ela não precisasse viver isso. 

“Quando impedimos esse sofrimento, perdermos a grande oportunidade de ensinar as nossas crianças o que é o sofrimento, que essa emoção faz parte da vida, que tudo bem ficar triste e, principalmente, que podemos desenvolver recursos para lidar com tristeza e momentos difíceis. Nós não precisamos esconder das crianças o quanto aquela perda também nos abala e nos faz sentir coisas difíceis”, avalia a psicóloga Juliana Guimarães.

O exemplo de sofrimento dos adultos pode tornar a vivência com as crianças mais concreta. 

Como Dizer A Uma Criança Que Alguem Morreu?

Demonstrar sofrimento para a criança pode ser uma boa oportunidade para falar sobre sentimentos com ela. Foto: Pixabay

Como falar sobre morte com crianças

As fantasias, por vezes, fazem parte do universo infantil. Não é raro ouvir frases do tipo “o tio virou estrelinha” ou “a vovó está dormindo no céu”. A criança desenvolve, através do lúdico, seu entendimento sobre o mundo. Ela precisará de tempo para compreender conceitos mais complexos que envolvem a morte, como a irreversibilidade por exemplo. 

“Mas, mesmo com as crianças mais novas, é muito importante falar a palavra morte e explicar seu conceito, sem tornar esse tema um grande tabu”, considera Juliana Guimarães.

Para o psicanalista Alexandre Pedro há três itens em relação à morte que a criança precisa entender: “Tudo que é vivo vai morrer um dia. Quando a pessoa morre, não volta mais. Depois que morre, a pessoa não sente dor, não corre, não sente medo, não dorme, não pensa, não age mais”, ressalta. 

Respeitando as características de cada fase da criança, elaboramos uma lista, com ajuda de Juliana Guimarães e Alexandre Pedro, sobre o que é esperado para algumas idades:

* De zero a dois anos: A criança ainda não tem aquisição de linguagem e por isso o conceito de morte não existe.

Nessa fase a criança sentirá muitas coisas, mas não conseguirá nomear e compreender do que se trata. E o lúdico será uma grande ferramenta nesse processo.

Crianças até 3 anos não conseguem perceber claramente isso, mas entendem que não brincarão mais com a tia ou que o avô não a buscará mais na escola. 

* De três a cinco anos: A criança tem uma compressão linguística de modo muito concreto e literal. Também não conhecem o conceito de irreversibilidade. É muito comum que a criança pareça compreender que não verá mais aquele ente querido e, em seguida, acredite na sua capacidade de retornar a vida. 

* De seis a nove anos: A criança conseguirá relacionar a morte com algo que ela perdeu, como um brinquedo, por exemplo. Ela já compreende a morte como algo definitivo, permanente e inevitável. Já consegue compreender e nomear melhor suas emoções.

* A partir dos 10 anos: A morte já ganha complexidade e abstrações em seu entendimento. As mais velhas percebem que a morte é algo natural, mas precisarão de explicações concretas para entendê-la. Só a partir de 12 anos é que a criança consegue entender completamente todo o processo.

* Na adolescência: O adolescente já possui um nível de maturidade cognitiva que lhe dá capacidade de compreender os fatos de outra forma. Como a criança, o adolescente sempre vai usar seu mundo interno para interpretar e sentir a morte e a vida. O luto pode vir acompanhado de revolta e agressividade, desenvolvendo quadros depressivos. 

O que não fazer durante o luto infantil

Evitar o diálogo não é um caminho saudável. “Não falar sobre a morte com a criança  pode provocar uma quebra de confiança na relação da criança com o adulto e com isso uma sensação de desesperança e solidão por não ter quem a ajude”, enfatiza Juliana Guimarães.

Alexandre Pedro também recomenda que os adultos nunca associem morte com o sono, por exemplo: “Para contar à criança que alguém morreu, o melhor é não mentir e nem contar historinhas do tipo: “ele dormiu para sempre”, “descansou”, ou “fez uma longa viagem”.

As crianças entendem as frases exatamente como são ditas e isso pode causar confusão na cabecinha delas.

Podem achar que a vovó que morreu está apenas dormindo e vai acordar a qualquer momento e chegar em casa, ou que todo mundo que viaja nunca mais volta, ou quando o papai chegar e disser que está cansado, ela vai achar que ele vai dormir e morrer”. 

A mentira pode provocar uma série de problemas para a criança, inclusive fobias. Ela pode começar a ter medo de dormir e não acordar mais. Associar mentira e fantasia como “fulano virou uma estrelinha” pode fazer com que a criança, ao olhar para o céu, acredite que todas as estrelas são pessoas mortas.

A relação dos adultos com o morrer

Os adultos precisam ser referência para as crianças: acolher, ofertar espaço de escuta e diálogo, mas isso não precisa ser blindado do sofrimento.

No entanto, a psicóloga Juliana Guimarães aconselha: “Mas se em algum momento um adulto se sentir muito indisponível emocionalmente para estar com essa criança é importante pedir ajuda.

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Eleger outros adultos de confiança da criança que possam dar o suporte naquele momento ou até auxílio profissional caso necessário”. 

A perda é sempre traumática para ambos os lados, porém, o diálogo e a superação dessa fase é de fundamental importância para a saúde mental. “Essa é uma fase que precisa ser vivida.

A tentativa de ocultar essas emoções ou negar esse fato pode ser ainda mais prejudicial.

Insisto que é fundamental o acompanhamento de um profissional que ajudará a “cicatrizar” essas feridas”, conclui o psicanalista Alexandre Pedro.

Como contar para uma criança que alguém morreu

Embora seja um momento de tristeza, não se deve esconder a morte da criança para poupá-la da dor. É importante dizer a verdade e dar o apoio necessário para que ela processe a informação

A morte sempre é um fato inesperado, que nos faz lembrar da nossa impotência. Ela acaba despertando grandes dificuldades. Quando alguém morre, é um momento de sofrimento para familiares e amigos, e sempre costuma aparecer aquela mesma dúvida: como comunicar a morte para uma criança?

O primeiro impulso é tratar de ocultar a realidade. A intenção pode até ser boa, buscando amparar e poupar a criança, ao minimizar o contato da mesma com esse universo de tristeza.

Mas afinal, segundo a psicologia, há pontos importantes que devem ser considerados quando o luto ocorre na infância.

Veja a seguir algumas reflexões da psicóloga Maitê Hammoud para ajudar a criança a lidar com o luto.

1) Não prive a criança de ser consciente

A maioria dos adultos tende a acreditar que pelo fato de as crianças serem novas, e terem uma longa vida pela frente, se esquecerão desse tipo de lembrança ou deixarão de sentir a ausência da pessoa com facilidade. Isso não é verdade.

Mesmo que com um repertório de memórias inferior à de um adulto, a criança compartilha do luto assim como os adultos, sentindo tristeza, angústia e saudade.

O que a diferencia dos adultos é o fato de ela não possuir tantos recursos e habilidades emocionais para nomear novas emoções, como aquelas que são mobilizadas pela perda de alguém, principalmente ao se tratar de sua primeira experiência.

2) Recorra a material lúdico

Materiais lúdicos são de grande ajuda para aprendizagem das crianças sobre diversos assuntos, e quando se torna necessário abordar a morte ou o luto, não poderia ser diferente. Livros educativos e filmes com essa temática são verdadeiros aliados para que a criança insira o significado da questão dentro de seu repertório de compreensão.

3) Tenha paciência com as perguntas

Faz parte do desenvolvimento infantil a repetição de perguntas e, em casos assim, paciência é fundamental. O fato de repetir a pergunta não tem relação com a criança não ter entendido a resposta, mas sim com o fato de revisitar e reinterpretar memórias a partir de novos pontos de vistas, conforme seu amadurecimento.

Esta é a forma que a criança encontra para aprofundar o conhecimento sobre o mundo e sobre si mesma, tornando dúvidas não apenas frequentes, como recorrentes.

Quando questões sobre a morte de alguém ressurgirem, é importante que, antes de responder, você se questione sobre o que a levou a realizar tal pergunta.

É desta forma que você poderá responder partindo do ponto em que o pensamento da criança se encontra.

4) Previna fantasias

De todas as possíveis mentiras que você pode contar a uma criança, escolher a verdade é consenso para os profissionais da área. As crianças possuem um grande potencial criativo, estando propensas a cultivar fantasias que, em casos como o de luto, acabam mobilizando o sentimento de culpa.

Por exemplo, ao sentir ciúmes da possibilidade de ganhar um irmão e o bebê não retornar da maternidade por ter falecido, a criança pode fantasiar que a morte do irmão foi efeito de seu ciúmes. Ou então, ao dizer para uma criança que um familiar foi viajar e esse nunca retornar, pode contribuir para fantasias de abandono.

Outra questão que vale enfatizar sobre mentiras é que, uma vez descoberta, fere o vínculo de confiança naquele adulto, privando-a de uma rede de apoio para dividir dúvidas e angústias.

5) É importante educar

De maneira geral, independente de crenças ou religiões, a morte faz parte do ciclo da vida e, por questões culturais, não é um tema abordado com frequência entre crianças. Falar sobre isso em casa e, até mesmo nas escolas, é saudável, já que ajuda a preparar a criança emocionalmente para lidar com momentos tão difíceis.

Além do material lúdico, o convívio com animais de estimação ou cultivo de plantas insere, de maneira sutil, a temática da morte dentro da realidade da criança, mostrando-a como uma etapa do ciclo da vida de qualquer ser vivo.

Como Dizer A Uma Criança Que Alguem Morreu?

6) Cuidar das emoções

Se torna mais fácil para a criança nomear suas emoções se você compartilha esses sentimentos. Ao sentir-se enlutada e receber dos adultos próximos a manifestação de emoções contrárias ao que está sentindo, ela termina por imaginar que não está conseguindo lidar com o fato da maneira correta.

É importante lembrar que o luto diante da perda de alguém é compartilhado por todos os envolvidos e, falar das emoções que ele desperta, favorece a compreensão por parte das crianças, além de fortalecer o vínculo familiar no momento de perda.

7) Respeite o seu tempo

Dentro dos recursos que a criança possui na etapa de desenvolvimento em que vive, é importante ressaltar que ela não verá mais aquela pessoa, para que comece a adquirir noção de tempo. Além disso, é crucial evitar metáforas, por serem de difícil compreensão.

Por exemplo, ao dizer que reencontrará um familiar apenas quando ela morrer, o desejo de sua morte pode ser despertado em um momento intenso de saudades.

Se for o caso, revelar que esperamos que apenas pessoas bem velhinhas morram, mas que isso pode acontecer com pessoas mais jovens, e até mesmo crianças, em casos de doenças incuráveis.

É importante reforçar que se restringem a casos de doenças muito graves, para que não suponha que qualquer doença poderá leva-la à morte.

8) Facilite o acesso a velórios

É possível crianças irem a velórios. O velório é uma cerimônia que possibilita a despedida e homenagem, e se despedir ou homenagear pode ser um desejo da criança.

O indicado é não determinar sua presença ou ausência, mas possibilitar que ela mesma escolha a partir de sua orientação sobre como será a cerimônia, que tipo de comportamento ela deverá ter, quanto tempo costuma durar, se ela poderá receber atenção no local ou não, etc.

No caso dela optar por ir, todas essas informações e orientações prévias vão ajudá-la a lidar com essa nova experiência.

As informações publicadas por MundoPsicologos.com não substituem em nenhum caso a relação entre o paciente e seu psicólogo. MundoPsicologos.com não faz apologia a nenhum tratamento específico, produto comercial ou serviço.

Como falar de morte com as crianças

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Falar de morte com crianças não é mesmo nada fácil. Como a gente pode tentar explicar uma coisa que não entende e que é tão dolorida? Dá uma tentação louca de que nossos filhos não precisem passar por isso, muito menos quando tão novos. Sim, isso já passou pela cabeça de qualquer um que tenha filhos, mas o melhor mesmo é que seja só um desejo utópico. Uma das coisas que todos os especialistas são unânimes é que, independentemente da idade e da situação – se morreu um bicho de estimação, um parente próximo ou um conhecido distante –, não se deve mentir ou esconder o fato das crianças. “As crianças são só crianças, não bobas”, afirma Maria Helena Franco, psicóloga e coordenadora do Laboratório de Estudos sobre o Luto da PUC-SP.É difícil dizer o que seu filho entende em cada idade. Mas é certo que, mesmo tão cedo quanto aos dois anos, as crianças são capazes de perceber mudanças no clima e nas emoções da casa. “Se os pais escondem da criança que um cachorro ou peixe do aquário morreu, dizendo que ele fugiu ou sumiu, e depois ela vê o bicho morto, ou mesmo ouve uma conversa sem querer, ocorre a quebra da confiança que ela tem em seus próprios pais”, explica Rita Calegari, psicóloga do hospital São Camilo (SP).A gente também se engana quando acha que nossos filhos nunca ouviram falar em morte. Ela está nos livros infantis, nos filmes – os pais de Simba morrem em O Rei Leão, os vilões são mortos pelos mocinhos no final –, nas notícias da TV, nas conversas das pessoas na rua. Também está naquele pernilongo que ela vê morto, nas flores que murcham no vaso.A diferença é que, até por volta dos 6 anos, a criança não entende que a morte é irreversível. “Nessa fase ela não difere fantasia da realidade, acredita que, assim como nos desenhos animados, dá para se levantar depois que cai uma bigorna na sua cabeça”, ensina Julio Peres, psicólogo e autor do livro Trauma e Separação (Ed. Roca). Ele explica que é preciso deixar a criança “brincar de morto”, sem repreender. Isso, somado às pequenas mortes do dia a dia, dos insetos, plantas e pequenos animais, são um bom treino para entender a sequência da vida e facilita na hora de lidar com uma morte de alguém próximo.

Claro que o curso do mundo nem sempre permite essa sequência ideal e que, mesmo com esse “contato prévio”, a hora que a situação vira real, muda tudo.

E receita pronta para fazer tudo certo não existe. Depende de quem morreu, de como foi a morte, da proximidade da família e da criança, das crenças de cada um, da personalidade do seu filho.

Mas alguns pontos são importantes para se levar em conta:

Se for alguém próximo e você estiver sofrendo muito, procure se acalmar primeiro. Use uma linguagem simples que seu filho entenda. Rita aconselha usar o verbo morrer mesmo. Se a pessoa estava muito doente ou tinha muita idade, isso vai responder à famosa pergunta “por quê?”.

Já as metáforas que os adultos usam para falar de morte podem não funcionar tão bem, principalmente para as crianças menores de 6 anos. Dizer que o vovô foi viajar, que a tia foi morar com o papai do céu, ou que o primo vai dormir para sempre são conceitos difíceis para os mais novos.

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Eles ficam imaginando por que o papai do céu não deixa vir visitar, podem ficar com medo de dormir e não acordar mais, ou do pai ir viajar e nunca voltar. Seja simples e espere pelas dúvidas de seu filho.

“Temos o hábito de antecipar a angústia da criança pela nossa própria e por vezes damos informações além das que ela precisa e pediu. Dê tempo para ela compreender tudo”, comenta Julio.

A participação infantil nos rituais de velório, enterro, cremação e até mesmo a visita a um parente doente é uma questão muito particular.

Há quem pense que nenhuma dessas situações é adequada para crianças, que é melhor guardar apenas memórias dos entes queridos saudáveis e vivos, e há quem acredite que elas podem e devem estar junto, uma maneira de demonstrar que a família se reúne nos momentos felizes e tristes. A decisão vai variar de acordo com os valores de cada família.

De novo, o que é importante é avaliar e respeitar os limites e capacidades de seu filho. Se o ambiente estiver carregado de muita emoção, pessoas chorando e demonstrando desespero, como ocorre no caso de mortes violentas ou inesperadas, evite envolver mesmo os mais velhos, até 12 anos. Outro ponto é analisar os seus próprios sentimentos.

Você está sob controle? Tem como dar suporte ao seu filho ou algum parente próximo que possa cuidar dele também? Caso a sua decisão for levar as crianças, explique como vai ser antes. Que vai haver uma caixa, a pessoa vai estar deitada lá dentro, mas que não pode ouvir, falar ou se mexer, diga que as pessoas vão estar tristes, chorando, que é um momento de dizer adeus àquela pessoa.

Conte até mesmo se terá flores, incensos, música ou velas. Se possível, depois de explicar, deixe a criança decidir se quer ir ou não. Se ela for, esteja pronto para trazê-la de volta para casa se ela não quiser ficar, não espere que ela consiga acompanhar quieta ou séria o tempo todo e entenda se ela falar algo que, no mundo dos adultos, não seria apropriado.

“O que a criança quer saber é para onde foi a pessoa”, aponta Ceres de Araújo, psicóloga especializada no atendimento infantil (SP). E isso muitas vezes não será resolvido com uma única resposta.

Seu filho possivelmente vai perguntar outras vezes sobre onde está a vovó, se ela pode vê-lo, se ela come e toma banho onde está. Para responder, você vai usar as crenças da sua família. Quando não souber o que dizer, seja sincero: diga que não tem a resposta, mas que vai pensar.

Se ele perguntar algo diferente do que você acredita, dizendo que viu na TV ou ouviu um amigo falar, diga que o que ocorre depois da morte é mesmo uma coisa misteriosa, que ninguém sabe direito, mas que você acredita desse jeito e outras pessoas, de outro.

É uma ótima maneira de exercitar a boa convivência com a diversidade. Nas primeiras semanas, a criança também viverá o luto.

Ela pode ficar um pouco mais agressiva, dispersa, com dificuldades para dormir e, no caso dos mais novos, regredir em algo que já havia aprendido, como voltar a fazer xixi na cama. É tudo normal. Não dê bronca nem se preocupe. Em geral, passa logo e você só deve agir se o comportamento ficar muito intenso ou não passar em mais de dois meses.

A morte de uma pessoa querida é difícil sempre e quem tem filhos se pega no dilema de como viver a sua própria perda, a sua dor sem que isso seja ruim para as crianças. Não esconda o que está sentindo.

Se precisar chorar na frente de seu filho, chore. Isso mostra a ele que não tem problema ele se sentir triste também. E que tudo bem mostrar as emoções. Pois é exatamente isso que prova que estamos vivos.

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Virou estrelinha? Saiba como falar de morte com criança

Publicado há 5 meses atrás

A morte é sempre um momento difícil, nossas emoções ficam à flor da pele e não sabemos muito bem como lidar com elas, como lidar com nós mesmos e como lidar com os outros. Se é tão difícil para um adulto, como falar sobre a morte com as crianças? Apesar de comum, a metáfora “virou uma estrelinha” não é a melhor forma de contar a uma criança que alguém que ela gostava morreu.

A principal dica para comunicar às crianças sobre a morte de alguém é ser sincero e literal. Os adultos tendem a usar figuras de linguagem para amenizar o sofrimento da criança, mas isso só a deixa confusa. Dizer que a pessoa foi viajar, está dormindo ou foi morar no céu não explica o que aconteceu e abre a porta para diversas dúvidas.

Lidar com o luto é um momento difícil para a maioria dos adultos, então, como lidar com o luto das crianças? No texto de hoje, vamos falar sobre isso. Confira!

Clique direto no tópico:

Ensine sobre a morte antes que ela aconteça
Como contar às crianças que alguém morreu
Crianças devem participar do velório?
Como responder aos porquês
E quando são os pais que morrem?
Não esqueça que você também está de luto

Ensine sobre a morte antes que ela aconteça

Esperar alguém morrer para revelar para a criança que a morte existe é como esperar pelo incêndio para comprar o extintor.

Antes de mais nada, é importante saber que mesmo que os pais não falem sobre a morte, a criança já entrou em contato com ela indiretamente através das notícias nos jornais, de animações, filmes, livros infantis, e até vendo as flores murchas no vaso, ou sabendo da morte na família dos seus amigos. Então, falar sobre isso é apenas pôr em palavras que tudo na vida tem um fim, até a própria vida. E é importante falar sobre a morte mesmo que isso cause desconforto

Apesar de as crianças verem a morte no dia a dia, até os 6 anos, em média, elas ainda não entendem que a morte é irreversível. Nos conteúdos infantis que ela consome, os personagens podem se levantar mesmo depois de caírem de um penhasco.

É claro que quando se trata da morte de alguém próximo, o sofrimento é inevitável. E, nesse momento, não existe receita de bolo, depende de quem morreu, de como foi a morte, de quão próxima a criança era da pessoa, das crenças de cada um, da personalidade da criança. Mesmo assim existem atitudes que ajudam adultos e crianças a passarem por esse momento.

Como contar às crianças que alguém morreu

O primeiro passo serve para qualquer momento da vida: antes de lidar com o outro, lide consigo. Como você se sente? Se você estiver sofrendo muito, sentindo-se fora de controle, é melhor esperar se acalmar.

Então, na hora de dar a notícia, use palavras simples e seja direto. Fale que a pessoa morreu, use esse verbo ao invés de recorrer a um eufemismo que uma criança pode não entender.

Crianças menores de 6 anos não entendem metáforas, elas são literais.

Se você disser que a pessoa viajou, a criança vai se perguntar por que a pessoa não pode voltar e, então, qualquer viagem pode gerar medo na criança.

Se você disser que a pessoa está dormindo e não vai mais acordar, a criança pode ficar com medo de dormir e acontecer o mesmo com ela. Quanto mais simples, menos dúvidas a criança terá.

Dada a notícia, espere que a criança faça suas próprias perguntas. Não antecipe a suposta angústia dela baseada na sai própria, não dê informações que ela sequer pensou.

Então, dê o tempo que a criança precisar para compreender a situação.

Outra dica é que quando houver um familiar com doença terminal ou alguma doença que pode acabar em morte, é melhor preparar a criança desde esse momento. Os adultos chegam a essa conclusão sozinhos quando veem, as crianças, não.

Crianças devem participar do velório?

Essa é uma dúvida comum e a resposta é: depende. Depende de cada família, seus valores e o que elas querem expor a seus filhos.

Uma dica é conversar com a criança sobre como será o velório: que a pessoa estará deitada dentro de uma caixa, mas não poderá ouvir, falar nem se levantar mais.

Fale sobre a decoração, se haverá flores, música, e conte que as pessoas estarão tristes, chorando e quietas. Explique que é um momento apenas para se despedir, não tem mais nada para fazer durante o velório.

Você pode perguntar se a criança gostaria de participar, dependendo da idade dela.

Se decidir levar a criança ao velório, esteja preparado para levá-la de volta para casa quando ela pedir, não a force ficar lá.

Além disso, é melhor evitar que ela presencie os momentos mais críticos como o fechamento do caixão e o sepultamento.

Também, se as pessoas estiverem descontroladas por lá, é melhor não a expor a esse ambiente carregado para não a assustar. Isso vale até para os mais velhos, até 12 anos.

Como responder aos porquês

Normalmente, a criança quer saber para onde a pessoa foi e por que ela não pode voltar. Seja sincero, como sempre. Se você seguir alguma religião, explique com essa base, mas deixe claro que outras pessoas podem acreditar em coisas diferentes porque a morte é um mistério para todo mundo e não existe resposta certa.

Mesmo respondendo, é comum que a criança volte a perguntar da pessoa eventualmente, onde ela está, se pode vê-lo, o que a pessoa faz onde está, se come, toma banho. Seja consistente e paciente, responda como se fosse a primeira vez.

A criança também passará pelo luto durante as primeiras semanas e você pode notar mudanças no seu comportamento.

Pode ficar mais agressiva, avoada, com problemas para dormir e até voltar a fazer xixi na cama, no caso das crianças menores. Saiba que é normal. Não dê bronca e tenha paciência.

É comum que passe logo, só tome alguma atitude se o comportamento ficar intenso e/ou passar de dois meses.

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E quando são os pais que morrem?

No caso da morte do pai ou da mãe, até os bebês sentem e vivem o luto. O mais importante é que a criança saiba e sinta que outra pessoa vai assumir os cuidados que o ente exercia.

O cônjuge que perdeu o parceiro sempre terá dificuldade em dar apoio para criança, já que estará passando pelo próprio luto. É importante contar com outro membro da família, como os avós ou tios, quem for mais próximo poderá assumir esse papel.

Não esqueça que você também está de luto

A morte é sempre difícil para quem era próximo de quem se foi, quando há crianças sofrendo com essa perda, o trabalho aumenta. Afinal, como você pode passar pelo luto sem que isso seja ruim para a criança?

Você não deve esconder o que está sentindo. Se precisar, chore na frente do seu filho, conte que está triste e com saudade. Isso vai mostrar a ele que não tem problema se sentir triste também, e que tudo bem ter emoções e demonstrá-las.

É comum ouvirmos que devemos ser forte e associamos isso a não ter sentimentos, mas é justamente o contrário. Sentir, ter emoções, assumir vulnerabilidade é que são sinais de força.

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Como falar sobre morte com crianças

  • Por Pearson Clinical
  • Falar sobre a morte com as crianças parece ser tarefa difícil e gera sempre muitas dúvidas em relação a como fazer isso, ainda mais quando é preciso dar uma notícia da morte de alguém próximo e querido.
  • É compreensível que se queira poupar crianças de sentimento de tristeza e dor, mas de acordo com educadores e psicólogos, devemos abordar o tema da forma mais natural possível.
  • É certo que a finitude humana gera bastante angústia e medo, mas é fundamental ajudar a criança a olhar e vivenciar o momento da morte sob diferentes perspectivas.
  • A educação sobre a morte deve ser iniciada já na primeira infância, através do ambiente familiar e se estender na escola e comunidade.
  • Independente da cultura e religião o assunto deve ser sempre olhado e tratado com cuidado e delicadeza, pois traz à tona questões muito profundas sobre a nossa existência e finitude.
  • Um dos principais cuidados a serem tomados ao falar sobre a morte com as crianças é estar atento para usar a linguagem adequada, de acordo com a faixa etária, e transmitir as informações da maneira mais natural e tranquila possível.

Quando a criança perde alguém muito próximo. O que fazer?

Pensar em dar a notícia pode gerar muita preocupação, mas é essencial que ela seja dada por pessoas próximas, em quem a criança confia.

É consensual entre os especialistas no assunto que não se deve, em hipótese alguma, esconder da criança o acontecimento da morte, pois ela tem o direito e a necessidade de saber da verdade, isso para poder viver o processo de luto e de elaboração.

A verdade é sempre a base de relações de confiança e amor e, em momentos de tristeza profunda, é disso que a criança mais precisa. Sentir-se amada, amparada e respeitada a ajudará no momento de receber a notícia e na fase de luto onde precisará superar a perda.

Os adultos devem ser agentes de escuta e acolhimento e dar espaço para que a criança consiga lidar com a própria dor da forma como ela se sentir melhor.

Crianças até mais ou menos os 6 anos de idade, ainda não têm a noção completa de passado, presente e futuro e, portanto, não conseguem entender o real significado da morte.

O entendimento da morte nesse faixa etária se dará através de exemplos em experiências e coisas concretas.

Uma maneira de abordar o assunto pode ser através do olhar para a natureza dos animais, flores e plantas, temas que normalmente despertam interesse e curiosidade nelas.

Todos esses seres vivos tem um ciclo de vida com começo, meio e fim e pode ficar mais fácil para a criança compreender e relacionar o fenômeno com a vida das pessoas.

A percepção da passagem do tempo é ainda muito difícil para crianças pequenas entenderem, mas poderá ser explicado e ilustrado pelas estações do ano, por exemplo, como explica a psicóloga infantil, Daniela Freixo de Faria no vídeo do artigo.

Propor um diálogo de forma lúdica despertará a curiosidade e levará para caminhos de descoberta sobre a natureza e a vida.  A criança terá chance de se sentir mais à vontade para manifestar suas dúvidas, inquietações e expressar seus medos e inseguranças sobre a morte.

De qualquer forma é preciso estar atento aos sinais, falas e comportamentos da criança, para que que se ajudar de acordo com a demanda que ela apresenta no momento. Não há necessidade de dar à criança mais informação do que ela pede, ou seja, mais do que ela precisa.

É preciso tentar responder a todas as perguntas que forem possíveis, sem ter o receio de dizer que para algumas perguntas não temos as respostas, mas podemos juntos pensar a respeito.

Todas as pessoas que perdem alguém próximo e querido, inevitavelmente, passarão pelo período de luto e com as crianças não é diferente. É importante que elas possam vivenciar o luto para que consigam percorrer o caminho da elaboração e aceitação.

A despedida

Após receber a notícia sobre a morte de alguém querido, naturalmente começam a surgir questionamentos e a necessidade de tentar entender o acontecimento. E agora para onde ela vai? O que acontece depois da morte?

Essas são perguntas recorrentes que a criança faz e nem sempre as respostas são fáceis de dar, pois dependerá da cultura, religião e crenças de cada família. A resposta para essas perguntas poderá ser dada de diversas formas de acordo com a formação e fé de quem está responsável pela educação dessa criança.

Independente da crença e da fé, é fundamental sempre dizer a verdade e contar sobre a morte.  O acolhimento é peça chave para a superação da perda.

Precisamos dizer para a criança que perde uma mãe, um pai, avós ou pessoas queridas e amadas, que nunca ninguém irá ocupar o lugar dessa pessoa que se foi, mas que ainda assim ela pode contar com outras tantas que a cercam, que a amam e que poderão abraçá-la.

A criança deve participar de rituais de despedida, como velórios, enterros, cerimônia de cremação, para que possa concretizar o acontecimento, porém não se deve obrigar a criança a participar em todos os momentos e é preciso respeitar quando ela não quiser.  Participar desse momento lhe trará a concretude da despedida para que ela consiga viver o luto de forma integral e saudável.

  1. Caso a criança não queira, de forma alguma participar dos rituais tradicionais, deve-se respeitar a sua vontade, mas é importante criar junto com ela um ritual que a faça experienciar a despedida.
  2. Quando a criança perde um ente muito próximo e não tem a possibilidade de poder realizar o ritual de despedida, em sua fantasia pode achar que essa pessoa o abandonou ou desapareceu de repente.
  3. É muito importante que a gente não tente tirar a criança dessa experiência difícil, afim de poupá-la de sofrimento, pois essa privação pode acarretar em problemas emocionais presentes ou futuros.

Sempre importante também lembrar que as crianças naturalmente se espelham nos comportamentos dos pais e pessoas mais próximas e a maneira com que essas pessoas lidam e manifestam as sensações da perda, é muito importante para ajudar a criança se inspirar nesse momento. Compartilhar com a criança que também estamos tristes e enfrentando uma situação difícil, porém sem demonstrar desespero ou muita angústia, as ajuda a lidar de forma mais tranquila e serena.

Educação para a morte

É preciso falar sobre a morte com as crianças, independente delas terem ou não perdido alguém próximo.

Criar momentos para desmistificá-la através das falas e de histórias que despertem as nossas próprias memórias sobre pessoas que já se foram, como bisavós, avós, artistas, proporcionam a elas o início de um contato com o tema de forma natural e com maiores chances de elaboração das perdas no futuro

A educação sobre a morte em ambiente escolar é importante e os educadores devem pensar em criar aulas e programas para falar sobre o tema, desde a educação infantil. É muito positivo trabalhar temas como a morte, ausência, dor e memórias, como parte de nossa existência humana e parte da formação dos indivíduos, para que a gente consiga compreender e aceitar que fazemos parte de um ciclo.

  • VIDEO – Morte – Conversa com Criança – Daniella Freixo de Faria
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