Como Chama A Arvore Que Extrai A Cortiça?

Como Chama A Arvore Que Extrai A Cortiça?

A cortiça é a casca do sobreiro – árvore nacional de Portugal desde 2012. É uma casca grossa e esponjosa que pode começar a ser cuidadosamente retirada do sobreiro, após 25 anos deste ter nascido. A primeira cortiça a ser retirada chama-se “cortiça virgem” e este primeiro ato de descortiçamento tem o nome de “desboia”.

Passados 9 anos tira-se novamente a cortiça, a que se dá o nome de “secundeira”. Tanto a cortiça virgem como a secundeira têm uma estrutura demasiado irregular pelo que é necessário esperar mais 9 anos para se retirar a “amadia”, cortiça com qualidade suficiente para ser utilizada na produção de rolhas.

Nesta altura, o sobreiro já tem 43 anos e passaram 18 anos da primeira retirada de cortiça. A partir daqui, a cada 9 anos pode ser feito o descortiçamento da árvore e essa cortiça pode ser utilizada nas rolhas.

A cortiça virgem, a secundeira e toda a cortiça que sobra na produção das rolhas também tem utilização, não em rolhas mas noutros produtos que podem ser feitos com cortiça triturada.

É no fim da primavera e no início do verão que é mais fácil retirar a cortiça porque a casca está menos aderente ao tronco. Até este momento a cortiça está completamente agarrada ao tronco. É também com temperaturas de cerca de 40ºC e tempo seco que o sobreiro pode ficar exposto sem ser danificado.

Depois de descortiçado, o tronco do sobreiro apresenta uma cor avermelhada que depois se transforma em castanho escuro, à medida que as árvores vão regenerando a casca. Para saberem o ano em que tiraram a cortiça, os trabalhadores marcam na árvore a tinta branca o ano.

Como a cortiça cresce de dentro para fora a tinta consegue-se sempre ver e assim sabem quantos anos faltam para o próximo descortiçamento. Se a cortiça não for retirada, nova casca começa a crescer no sobreiro, acabando por ficar duas camadas de cortiça.

Cada sobreiro vive em média 150 a 200 anos, o que quer dizer que pode ser retirada cortiça cerca de 15 vezes.

O descortiçamento é uma prática artesanal e tradicional que se torna bastante árdua dadas as condições climatéricas, o terreno e as formigas. É uma arte especialista que requer muita perícia, uma certa dureza mas também delicadeza.

Os tiradores têm que ter a mão bem afinada para darem a machadada certa que corte a cortiça mas não a árvore. O machado é feito à medida para o descortiçamento, tem um cabo em madeira com uma cunha para levantar a cortiça sem nunca tocar no tronco.

Quanto maior for o tamanho da prancha de cortiça retirada maior será o seu valor comercial. Se aos homens fica encarregue o trabalho do machado, as mulheres trabalham em equipa no transporte da cortiça dos sobreiros até a um ponto onde o transporte chegue.

De cada sobreiro, são retirados em média 40 a 60 quilos de cortiça, medidos em arrobas. Todo este trabalho é muito bem compensado, pois a cortiça é um material muito útil.

Sobreiro – Wikipédia, a enciclopédia livre

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 Nota: Este artigo é sobre árvores pertencentes à espécie Quercus suber. Para outras árvores do mesmo género, veja Quercus. Para outros significados, veja Sobreiro (desambiguação).

Sobreiro
Estado de conservação
Classificação científica
Nome binomial
Quercus suber
seguro
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Clado: eudicotiledóneas
Clado: rosídeas
Ordem: Fagales
Família: Fagaceae
Género: Quercus
Espécie: Q. suber
Quercus suberL.

O Sobreiro, 1905, pintura de D. Carlos I.
Sobreiro / Portugal

O sobreiro, sobro, sobreira ou chaparro (Quercus suber) é uma árvore da família do carvalho, cultivada no Sul da Europa e a partir da qual se extrai a cortiça. O sobreiro é, juntamente com o Pinheiro-bravo, uma das espécies de árvores mais predominante em Portugal, sendo mais comum no Alentejo litoral e serras algarvias.

Graças à cortiça, o sobreiro tem sido cultivado desde tempos remotos. A extração da cortiça não é (em termos gerais) prejudicial à árvore, uma vez que esta volta a produzir nova camada de “casca” (súber) com idêntica espessura a cada 9 anos, período após o qual é submetida a novo descortiçamento.

Recentemente, têm-se desenvolvido processos mais mecanizados e seguros para se proceder a esta operação, como o caso da máquina que corta a cortiça, evitando lesões prejudiciais à vida do sobreiro e que facilita o trabalho dos tiradores, sem os substituir, aumentando assim a produtividade.

Pode ter até 20 m, mas normalmente terá 15 m.

O sobreiro também fazia parte da vegetação natural da Península Ibérica, sendo espontâneo em muitos locais de Portugal e Espanha, onde constituía, antes da acção do Homem, frondosas florestas em associação com outras espécies, nomeadamente do género Quercus.

A finalidade da cortiça é o fabrico de isolantes térmicos, tecido de cortiça (vestuário e acessórios, tais como malas, bolsas, carteiras e sapatos), materiais de isolamento sonoro de aplicação variada e ainda materiais da indústria aeronáutica, automobilística e até aeroespacial, mas sobretudo é utilizada na produção de rolhas para engarrafamento de vinhos e outros líquidos.

Portugal é o maior produtor mundial de cortiça, sendo a cortiça portuguesa responsável por 50% da produção mundial. O setor emprega diretamente 12 mil pessoas e contribui com 3% do PIB, cerca de 5,5 mil milhões de euros (7.6 Bilhões US$). Os montados são sistemas agro-silvo-pastoris e um dos exemplos de sistemas tradicionais sustentáveis de uso no solo da Europa.

Representam uma área de aproximadamente 1,2 Mha, a maior parte na região do Alentejo, no Sul de Portugal. O valor económico dos montados deve-se essencialmente à produção de cortiça, estando a sua importância cultural relacionada com o papel que têm na conservação da biodiversidade e valores históricos, como o registo de sistemas sociais e agrícolas tradicionais.

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No século XIV, Portugal já exportava cortiça para o Reino Unido e Flandres.

A gestão tradicional dos montados permite combinar dois objetivos importantes: a produção agropastoril e a conservação do ecossistema.

Além da cortiça, o sobreiro dá o fruto que é a bolota, também conhecida por lande ou ainda (mais correctamente) glande, que serve para alimentar as varas do porco preto alentejano, também conhecido por porco de montanheira, do qual se faz o além de enchidos o presunto ibérico ou presunto de pata negra.

Na localidade de Águas de Moura está o Sobreiro Monumental com 234 anos, 16 m de altura e com um tronco que são precisas pelo menos cinco pessoas para conseguir abraçá-lo. É considerado monumento nacional desde 1988 e o Livro de Recordes do Guinness diz que é o maior e mais velho do mundo.

Distribuição geográfica

Área de ocorrência do Sobreiro (Mediterrâneo ocidental).

Distribui-se essencialmente pela Península Ibérica e por alguns locais mais húmidos do norte de África. Em Portugal, ele predomina a Sul do rio Tejo, surgindo naturalmente associado: ao pinheiro-bravo, nos terrenos arenosos da Península de Setúbal, Vale do Sado e no barlavento algarvio; à azinheira (Quercus ilex), nalgumas regiões do interior alentejano, zona nascente da serra algarvia, Tejo Internacional e Douro Internacional; ao carvalho-cerquinho (Quercus faginea), na Estremadura, Alentejo Litoral e Monchique; ao carvalho-das-canárias (Quercus canariensis), na região de Odemira-Monchique; ao carvalho-negral (Quercus pyrenaica), em alguns pontos da Beira Interior e Alto Alentejo, como as Serras da Malcata, São Mamede e Ossa. Surge ainda em alguns pontos de clima atlântico com pluviosidades extremamente elevadas, como na Serra do Gerês, onde predomina nas encostas mais soalheiras.

A situação da área florestal é ocupada por sobreiros jovens/adultos e que 42,2% correspondia a sobreiros jovens, sendo a idade média dos sobreiros portugueses de 85 anos, para uma longevidade produtiva de 180/200 anos.

Várias espécies de árvores em Portugal. Legenda:   Quercus robur  Quercus pyrenaica  Quercus faginea  Quercus ilex  Quercus suber

O sobreiro é uma espécie que requer humidade e solos relativamente profundos e férteis, embora também tolere temperaturas altas e períodos secos de três a quatro meses, típicos do clima do Sul de Portugal.

A Sul do Tejo, o sobreiro comporta-se como uma espécie de folhagem persistente e possui folhas que medem 2,5 a 10 cm por 1,2 a 6,5 cm, e são de cor verde escura e sem pelos. Têm forma denticular, uma nervura principal algo sinuosa e 5 a 8 pares de nervuras secundárias.

Quando surge no Norte do país, onde é menos frequente, tem um comportamento ligeiramente marcescente, e folhas maiores, mais finas e claras.

De uma forma geral, em Portugal, o sobreiro predomina no Alentejo Litoral, na Península de Setúbal, na Baixa Estremadura, nas serras algarvias (com excepção das regiões próximas do Guadiana) e em parte do Ribatejo, tendo núcleos dispersos no resto do país.

Simbologia

Em 2007, foi cunhada uma moeda comemorativa da presidência portuguesa do conselho da União Europeia, cujo tema principal é um sobreiro.

[1] Em 21 de dezembro de 2011, a Assembleia da República aprovou um projeto de resolução que declarou o sobreiro como “árvore nacional”.

[2][3] O sobreiro ocupa uma área de cerca de 737 000 ha dos mais de 3,45 milhões ha de floresta em Portugal, segundo o último Inventário Florestal Nacional, de 2006.[3]

Sequenciação do genoma

Em 2013, foi lançado o projeto GenoSuber, uma investigação 100% portuguesa que vai dar informação completa do genoma do sobreiro. A árvore escolhida para a sequenciação do genoma desta espécie é de Montargil e tem entre 120 e 150 anos. Esta é a primeira vez que uma equipa totalmente portuguesa vai sequenciar um organismo superior.[4]

Ver também

  • Montado
  • Cortiça
  • Bolota

Referências

  1. ↑ 2 Euro Commemorative Design 2007 (em inglês)
  2. ↑ «Portugal declara o sobreiro 'Árvore Nacional'».

    Consultado em 22 de dezembro de 2011 

  3. a b publico.pt. «Sobreiro já é a Árvore Nacional».

    Consultado em 22 de dezembro de 2011 

  4. ↑ «Árvore escolhida para a sequenciação do genoma do sobreiro é de Montargil» 

Ligações externas

O Commons possui imagens e outros ficheiros sobre Sobreiro

  • Aronson J., Pereira J. S., Pausas J. G. (Eds). 2009. Cork Oak Woodlands on the Edge: conservation, adaptive management, and restoration. Island Press, Washington DC. 315 pp.Island Press[ligação inativa]
  • Quercus suber (Plants Database – U.S. Department of Agriculture (USDA))
  • Ficha Sobreiro
  • O Sobreiro é a Árvore Nacional de Portugal
  • Fundação João Lopes Fernandes

O Wikispecies tem informações sobre: Sobreiro

  • Portal da botânica

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Sobreiro

Sobreiro, a Árvore da Cortiça – Winepedia

Ao abrir uma garrafa de vinho, nem imaginamos o longo caminho percorrido pela rolha de cortiça, que vem da casca do Sobreiro, essa árvore linda da foto acima.

Desde que é plantada, o Sobreiro demora cerca de 25 anos para que sua casca atinja a espessura ideal para a produção das rolhas. Após a primeira extração de sua casca, a cortiça só atinge novamente a espessura propícia a cada 9 anos.

Mas o que é a cortiça, afinal? É a própria casca da árvore, formada por um tecido celular homogêneo, elástico, impermeável e isolante térmico. Para a fabricação da rolha, a cortiça passa por vários processos, cujo primeiro passo é a sua extração da árvore.

Extrair a casca do sobreiro é um trabalho manual, realizado com um machado, que precisa de muita perícia de quem o executa, pois um ferimento no tronco da árvore pode comprometer a nova casca que se formará após 9 anos ou até mesmo pôr em risco a saúde da árvore.

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Além de originar a cortiça, o Sobreiro tem muitos outros papéis. Ele é uma espécie de carvalho (Quercus suber L.), cuja origem remonta há alguns milhões de anos.

Hoje, está difundida pela região Mediterrânica Ocidental, principalmente, Portugal, Espanha, França, Itália, Marrocos, Argélia e Tunísia. Portugal tem a maior área plantada, 34% do total mundial, e é o maior produtor de cortiça (cerca de 100.000 ton/ano).

Por esses números, já é possível imaginar a grande importância econômica e social dessa árvore. Só em Portugal, em torno de 6.000 postos de trabalho na área de exploração florestal, além de muitos outros na indústria da cortiça e outros trabalhos indiretos são gerados.

A importância ecológica dessa árvore também é surpreendente. Ela fornece a cortiça, um produto renovável e com extração que não agride a natureza, proporciona também a regulação hidrológica, a proteção do solo, a conservação da biodiversidade das áreas onde é cultivada e retira o carbono da atmosfera (cerca de 14,7t de CO2 por ano).

Dica de leitura:  Vinho laranja e vinho azul

Ou seja: uma árvore perfeita para nós, amantes do vinho, brindarmos o Dia da Árvore. Vida longa aos sobreiros!

  • Aproveite para garantir os exemplares ideais para você celebrar a cortiça:
  • Vinho Viñedo de Los Vientos Eolo Gran Reserva 2011 – Um vinho de longo amadurecimento e caráter maduro, com notas de tosta, tabaco e alcaçuz.
  • Vinho Ropiteau Frères Meursault Blanc 2011 – De textura volumosa e intensa ao paladar, ele apresenta aromas de flores e frutas brancas com nota de tosta.
  • Vinhos Refosco La Roncaia DOC Colli Orientali 2011 – Produzido com a uva indígena típica da Itália, Refosco, esse tinto é aveludado, frutado e possui notas de especiarias.

Sobreiro

O sobreiro é a única espécie vegetal capaz de produzir cortiça de forma sustentável e com a máxima qualidade, que garante uma indústria única no mundo, e que é vital na manutenção do montado e na preservação da fauna e flora.

É uma árvore com casca volumosa de tecido suberoso (a cortiça), tem folhagem verde todo o ano e pode ter um porte natural de 10 a 15 metros de altura, no caso de um sobreiro adulto.

Tem uma grande longevidade e uma enorme capacidade de regeneração.

É uma espécie típica na região mediterrânica ocidental e pode viver, em média, 200 anos, apesar dos descortiçamentos que lhe fazem ao longo da sua existência: mais de 15 intercalados por períodos de nove anos.

É uma árvore que tem a folhagem verde durante todo o ano e realiza a fotossíntese durante mais tempo do que é possível às árvores caducifólias que perdem as folhas durante o inverno.

Os sobreiros têm folhas reativas à secura com poros que se fecham e reduzem as perdas de água por transpiração durante o tempo seco.

O sobreiro é uma espécie bem adaptada ao clima mediterrânico, caracterizado por períodos de seca estival e invernos amenos – com temperaturas entre os -5ºC e 40ºC -, com uma precipitação mínima anual de 400 mm e máxima de 1700 mm, e pode ter um solo com um pH entre 4,8 e 7,0.

O sobreiro é, também, conhecido como Quercus suber L. por pertencer à família dos carvalhos, integrando um subgrupo que engloba as espécies europeias e asiáticas – o grupo Cerris. Uma das particularidades mais interessantes do sobreiro é a produção de uma casca exterior homogénea, formada por um tecido elástico, impermeável e isolante térmico: a cortiça.

O processo de adição de anéis anuais de cortiça faz-se a partir da atividade de um conjunto de células mãe, o felogénio. A homogeneidade da cortiça resulta do felogénio do sobreiro se manter em atividade durante toda a vida da planta, em contraste com as outras árvores, onde o felogénio é descontínuo e tem uma duração anual.

A cortiça pode ser extraída, sem danificar a árvore, voltando a ser regenerada.

Nada se desperdiça no sobreiro. O seu fruto, a bolota, é utilizado para a propagação da própria árvore, como alimento de certos animais e no fabrico de óleos culinários.

As folhas são usadas como fertilizante natural e como forragem. Lenha e carvão vegetal são materiais que resultam da poda.

E os ácidos naturais encontrados na madeira do sobreiro fazem parte da composição de produtos de beleza e de produtos químicos.

O sobreiro é património nacional em Portugal. Está legalmente protegido desde a Idade Média e o seu abate é proibido. O sobreiro é Árvore Nacional de Portugal desde dezembro de 2011.

A decisão foi tomada por unanimidade na Assembleia da República depois da apresentação de um projeto de resolução, que teve o apoio de uma petição que recolheu mais de 2.000 assinaturas.

O relevante papel do sobreiro, árvore que muito dá e pouco pede, é assim reconhecido e valorizado pelo Parlamento português.

Para comemorar o primeiro aniversário da elevação do sobreiro a Árvore Nacional de Portugal foi plantado um exemplar da espécie nos jardins da Assembleia da República – apadrinhada pelo escritor português José Luís Peixoto. Para celebrar o terceiro aniversário foram plantados três sobreiros num jardim em Lourosa/Santa Maria de Lamas, desta vez apadrinhados pelo fotógrafo de moda Frederico Martins.

O sobreiro é considerado pela WWF como das espécies mais ameaçadas e emblemáticas de Portugal.

Em 2018, o sobreiro de Águas de Moura, Palmela, mais conhecido por “Whistler Tree” (O Assobiador), foi eleito a Árvore Europeia do Ano.

A legislação nacional e regional em Portugal protege os montados e proíbe o abate não autorizado de árvores. Os sobreiros só podem ser cortados se estiverem mortos ou doentes e, mesmo assim, só com autorização por escrito das autoridades.

A legislação aplica pesadas multas por danos ou gestão não adequada das árvores e estabelece regras rigorosas, regulamentando o descortiçamento e a manutenção das árvores.

Regras que estabelecem, por exemplo, que uma árvore jovem só pode ser descortiçada quando alcançar no mínimo 25 anos de idade e o seu perímetro tiver pelo menos 70 cm de diâmetro, a 130 cm de altura.

Outra regra é que a casca de cortiça não pode ser descortiçada acima de uma altura igual ao dobro do perímetro do tronco, no primeiro descortiçamento, ou ao triplo, no máximo, para uma árvore adulta em plena produção. Também não é permitido extrair cortiça dos ramos de árvores adultas, se esses tiverem um diâmetro inferior a 70 cm.

Em todos os casos, é absolutamente proibido colher a cortiça a uma frequência inferior a 9 anos (mesmo que uma árvore individual esteja pronta a ser descortiçada antes de terminar esse período). Há leis que regulamentam a lavoura do solo à volta das árvores, a poda correta, e multas por negligência e má gestão.

A cortiça é a casca do sobreiro. É um tecido vegetal que na botânica se chama de felema e que faz parte do sistema da periderme (pele) que reveste o caule/tronco da árvore. É um material 100 % natural, reciclável, reutilizável e renovável. Possui qualidades únicas, inigualáveis e que até hoje nenhum engenho humano conseguiu imitar ou ultrapassar.

O processo de adição de anéis anuais de cortiça faz-se a partir da atividade de um conjunto de células mãe – o felogénio.

A homogeneidade da cortiça resulta do felogénio do sobreiro se manter em atividade durante toda a vida da planta.

A particularidade da casca do sobreiro é ter a camada externa constituída por células suberizadas, formando um tecido homogéneo, elástico, impermeável e bom isolante térmico que é a cortiça.

Quando se extrai a cortiça, no final da primavera e no verão (ou seja meados de maio até meados de agosto), é fundamental que o felogénio esteja ativo e que se continue a dividir, o que depende da árvore se encontrar em bom estado hídrico e o clima permitir (se estiver vento ou chover, a cortiça não sai da árvore). É nessas condições que a cortiça pode ser tirada da árvore sem que esta seja danificada. Após a extração, o felogénico seca mas, por baixo, forma-se uma nova camada felogénica. Para se extrair a cortiça não é necessário cortar a árvore.

A produção mundial de cortiça ultrapassa as 200 mil toneladas por ano. Nesta área, Portugal e Espanha conseguem uma liderança mais destacada do que têm em termos de área florestal do sobreiro, representando, em conjunto, mais de três quartos da produção mundial. Portugal continua a liderar a produção mundial de cortiça com uma produção média anual de mais de 100 mil toneladas.

País Produção anual (toneladas)* Percentagem
Portugal 100.000 49,6
Espanha 61.504 30,5
Marrocos 11.686 5,8
Argélia 9.915 4,9
Tunísia 6.962 3,5
Itália 6.161 3,1
França 5.200 2,6
Total 201.428 100

A maior árvore de cortiça do mundo

O Sobreiro Assobiador eleito “Árvore Europeia do ano 2018”

O Sobreiro Assobiador, com 234 anos de idade, ganhou o primeiro lugar no concurso europeu da árvore do ano de 2018 e está classificado como “Árvore de Interesse Público” desde 1988.
O nome Assobiador vem do som originado pelas aves que pousam nos seus ramos.

Já foi descortiçado mais de vinte vezes e dá mais cortiça num ano que muitos outros sobreiros dão numa vida. Em 1991, o seu descortiçamento resultou em 1200 kg de cortiça, que deu origem a mais de cem mil rolhas.

A cortiça provém da casca do Sobreiro, que para além de ser 100% natural, é também biodegradável, renovável e reciclável.

A sua utilização é antiga e como prova existem vários vestígios dispersos por toda a Europa; desde os Romanos e Egípcios que usaram a cortiça na pesca, no calçado e nas ânforas onde transportavam líquidos, à época medieval, com os monges que a utilizavam para revestir as paredes das celas, para se protegerem do frio no inverno e do calor no verão.
Desde a Era dos descobrimentos, onde foi aplicada nas caravelas às grandes vinícolas que descobriram que o segredo para preservar os melhores vinhos estava numa simples rolha de cortiça.

Hoje, para além de ter várias utilidades, não só provou ser de grande importância na economia portuguesa como também na sua contribuição para a biodiversidade enquanto suporte para o habitat de espécies como o lince-ibérico ou a águia-real e na luta contra as alterações climáticas.

O mais impressionante de todo este processo é o facto do sobreiro ser a única árvore cuja casca se auto-regenera, ou seja, não precisa de ser cortada.

A extração da cortiça (casca) tem o nome de ‘descortiçamento’ e deve ser realizado por profissionais especializados. O descortiçamento é feito entre os meses de Maio e Agosto, no momento em que a árvore se encontra em crescimento, tornando assim mais fácil a sua remoção sem ferir o tronco.

Cada sobreiro leva 25 anos até poder ser descortiçado pela primeira vez, sendo que após a primeira extração o processo poderá ser repetido cerca de 17 vezes que se traduz numa média de 200 anos.

As duas primeiras extrações resultam nas chamadas cortiças ‘virgem’ e ‘secundeira’, cujas propriedades são as adequadas para o isolamento, pavimentos e produtos para áreas da construção, da moda, do design, da saúde, na produção de energia ou na indústria aeroespacial.

É só a partir do terceiro descortiçamento (aos 43 anos), chamada cortiça ‘amadia’, que se adquire uma cortiça de textura lisa, de melhor qualidade e com propriedades adequadas para a produção de rolhas.

A Portugal Premium tours tem dois tours onde poderá ver de perto este material tão especial como a cortiça. No tour As Maravilhas de Sintra, poderá visitar o ‘Convento dos Capuchos’, também conhecido como “Convento da Cortiça”, fundado em 1560 e onde a cortiça é utilizada na proteção e decoração dos seus pequenos espaços.

  • No tour Alentejo e suas maravilhas terá a oportunidade de parar para observar os Sobreiros no seu habitat e de visitar uma fábrica de cortiça onde poderá compreender melhor todo o seu processo de transformação em produtos finais, seguido de um passeio pela fábrica.
  • Atualmente, considerada a indústria mais importante do país, o sobreiro ocupa 23% da sua área florestal fazendo com que Portugal seja o maior produtor de cortiça e responsável por cerca de 50% da transformação mundial.
  • Parabéns Assobiador!

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