Blockchain O Que É E Como Funciona?

As manchetes dos noticiários de tecnologia envolvendo o blockchain são estrondosas. “É a maior revolução do século 21”; “Vai mudar o mundo”; “A maior coisa depois da Internet”. Muito desse conteúdo divulgado explora o potencial do blockchain, porém muito pouco se trata, efetivamente, de como funciona o blockchain. A não ser, é claro, em fóruns técnicos.

Antes de continuar o texto, se você está realmente interessado (a), aqui vão dois webinars sobre este assunto:

Webinar 1: Clique na imagem e tire suas dúvidas sobre como funciona o blockchain

Blockchain O Que É E Como Funciona?Blockchain na prática

Webinar 2: Como o Blockchain impacta o mundo de BPM e ECM? Assista clicando na imagem abaixo:

Blockchain O Que É E Como Funciona?Como blockchain impacta BPM e ECM

Existe uma literatura vasta de artigos publicados na Internet explicando o blockchain, sua importância para a economia mundial e potenciais casos de uso. Ainda assim, se você é curioso, e não é técnico, ficam as perguntas: por que ele é tão poderoso? Por que é tão seguro? Por que é tão complexo?

Neste artigo, tento explicar, de maneira resumida e muito simplificada, alguns dos principais conceitos e processos envolvidos no blockchain.

É importante que você saiba que não se trata de um detalhamento técnico rígido de seu funcionamento.

Além disso, em muitas situações, procurei simplificar, resumir ou até mesmo omitir conceitos (quando muito técnicos). Espero com isso poder desmistificar um pouco o assunto.

Vamos lá!

O que é Blockchain?

Blockchain não é um produto, um fornecedor ou uma implementação única. Blockchain é um conceito, uma arquitetura de banco de dados. Não existe um único blockchain, existem vários. O mais conhecido é o blockchain que suporta as transações do Bitcoin, a moeda virtual. Mas existem vários outros. Você pode criar um blockchain em casa, no seu computador, se quiser.

1º Passo: O registro de uma transação

Por ser como um banco de dados, imagine o blockchain, de modo muito simplificado, como uma planilha Excel. Essa planilha Excel tem algumas colunas.

Já que o blockchain do Bitcoin armazena transações financeiras, que colunas esse Excel deveria ter? Alguns comparam o blockchain com um livro-razão.

Para simplificar ainda mais, imagine uma planilha com, no mínimo, a origem, o destino e o valor da transação.

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Uma característica essencial do blockchain, entretanto, é que ele trabalha de maneira descentralizada e distribuída. Isso significa que qualquer pessoa poderia ter uma cópia da nossa planilha Excel em seu computador.

Algo parecido com o compartilhamento de arquivos via Torrent. De fato, tenho uma cópia do blockchain do Bitcoin em meu computador e ela ocupa 80 GB neste momento. Diariamente, eu recebo dados atualizados dessa planilha.

Sigilo e privacidade dos dados

Outra característica essencial do blockchain é o sigilo e privacidade dos dados. Isso significa que ninguém pode saber quem são as pessoas envolvidas na transação. Logo, nossa planilha precisa melhorar. Não posso expor os dados das pessoas envolvidas na transação!

Como esconder essa informação? Se você pensou em criptografia, pensou certo.

2º Passo: Tornar a transação anônima

Para isso, o blockchain trouxe a ideia de endereço (address). A partir de uma chave privada, de sua posse, aplicando operações criptográficas, você pode gerar diversos endereços diferentes, que são um conjunto longo de caracteres e números. Recomenda-se que, a cada nova transação que você realizar, utilize um endereço diferente.

Digamos que, no nosso exemplo, Marcos queira enviar dinheiro para Axl. Para fazer isso, Marcos precisa que Axl informe a ele um endereço.

Veja então como ficou nosso blockchain (por enquanto):

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A partir do endereço, ninguém tem como descobrir a identidade do Marcos e do Axl. Mas, com suas respectivas chaves privadas, eles podem assumir as propriedades desses endereços.

Tanto Marcos quanto Axl guardam suas chaves privadas em locais muito seguros (por exemplo, em um papel embaixo da cama, em um cofre ou em um programa do tipo “carteira” no computador ou smartphone).

3º Passo: Tornar a transação “oficial”

Quando Marcos faz uma transação e envia Bitcoins a Axl, entretanto, essa transação não é automaticamente incluída no blockchain. Ela precisa ser validada. Por isso, ela fica em uma espécie de área temporária, esperando ser incluída no blockchain, quando então é oficializada. Veja na imagem abaixo nosso status “Pendente”.

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Análise das transações

A cada 10 minutos, mais ou menos, todas as transações do mundo que estão na área temporária são analisadas por uma pessoa, chamada de miner.

Na verdade, é um computador ligado à rede do blockchain que, após ganhar uma competição matemática, ganha o direito de incluir as transações pendentes no blockchain.

 Para isso, ele ganha um prêmio, em Bitcoins. Essa competição ocorre novamente daqui a 10 minutos.

Entre outras coisas, o miner vai verificar a autenticidade de cada transação. Como saber se alguém simplesmente gerou um volume de endereços falsos e está simulando transações para sua própria conta, esperando que alguma exista? Para isso existe a assinatura digital.

Quando Marcos fez a transação para Axl, ele assinou digitalmente as informações dessa transação com sua chave privada. Esse processo de assinatura é como uma operação criptográfica em cima de todas as informações da transação e, igualmente, gera uma chave representada por um novo conjunto de caracteres e números (a assinatura).

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O miner vai confirmar que essa assinatura é válida, correspondente aos dados da transação, confirmando então a operação.

Nesse momento, também, é oficializada a data da transação, através de um carimbo oficial de tempo.

Por fim, o próprio miner assina a transação e gera novos procedimentos criptográficos, dando origem, para cada transação, ao “transaction id”, a chave que oficializa a transação.

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4º Passo: Tornar a transação imutável

Infelizmente, estamos ainda um pouco longes do fim. Temos um problema sério a resolver.

Se todo mundo tem uma cópia dessa “planilha”, o que impede de alguém apagar uma transação, atualizar os dados de uma transação ou mudar valores? A transação é assinada digitalmente, mas seria relativamente fácil mudar os dados da transação E da assinatura digital ao mesmo tempo.

Aqui começa o grande segredo do blockchain e o próprio motivo pelo qual ele é chamado assim (corrente de blocos). Para isso, é preciso entender o conceito de hash.

Hash

O hash é uma operação ou função matemática que pode ser realizada sobre qualquer conjunto de informações digitais. Existem dezenas de funções de hash diferentes.

Quando você seleciona um método de hash, sempre que aplicar sobre um determinado texto, ele irá gerar a mesma sequência simplificada de caracteres e números. Se você modificar qualquer coisa no texto, mesmo que uma vírgula, o hash irá mudar totalmente.

 Veja abaixo duas frases que passaram pela função de hash MD5, uma das mais simples:

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Você pode fazer alguns testes e brincadeiras em www.miraclesalad.com/webtools/md5.php.

Quando o miner realizou a validação de nossa transação, ele fez isso com todas as transações que estavam pendentes ao mesmo tempo. E, depois, gerou um hash calculado a partir de todas operações realizadas nesse bloco.

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Quando esse bloco é inserido, finalmente, no blockchain, mais uma operação ocorre. Olhando para o hash final do bloco anterior (no nosso caso, 53), é realizada nova operação, gerando um novo hash final para esse novo bloco, elaborado a partir do hash do bloco anterior e do hash gerado a partir das transações desse bloco.

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Observe que, uma vez que cada bloco adicionado no blockchain é armazenado e criptografado usando informações do bloco anterior, absolutamente todos os registros do nosso banco de dados estão entrelaçados. O bloco 54 depende do 53, que depende do 52. Essa lógica remete até o início do blockchain, que no caso do Bitcoin foi há 7 anos atrás.

Alteração de transação

Se eu quiser mudar os dados de uma transação qualquer, ou mesmo excluir uma transação do blockchain, mesmo que eu consiga fazer isso na cópia local que tenho em meu computador, jamais conseguiria oficializar isso frente as demais cópias do blockchain.

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Digamos que eu mude o valor de uma transação que foi realizada faz 3 anos. Ao mudar o valor da transação, o hash da transação é modificado. Com isso, o hash do bloco é modificado. Com isso, o hash do próximo bloco é modificado. E com isso, todos os demais blocos e transações ocorridas até o dia de hoje seriam modificados.

A operação não seria aceita e o volume de processamento computacional necessário para que eu conseguisse modificar isso e recalcular os hashs em todas as cópias existentes do blockchain seria impensável.

Transação segura

Você deve ter observado, entretanto, que quanto mais recente a transação, menor sua força e, teoricamente, mais fácil seria de adulterá-la. De fato, modificar os dados do último bloco, ocorrido 10 minutos atrás, seria teoricamente mais simples. É por isso que alguns indicam esperar alguns blocos a mais serem processados até considerar sua transação “segura”.

O que é blockchain? [indo além do bitcoin] | Negócios

Falamos muito sobre o blockchain e suas possibilidades aqui no Tecnoblog — mas do que isso se trata, exatamente? Talvez a primeira coisa que venha à sua mente seja o bitcoin, mas o blockchain vai muito além das criptomoedas. Entenda o que é blockchain, como funciona e quais são as suas aplicações.

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O que é blockchain e como surgiu?

Apesar de hoje a aplicação do blockchain estar se dissociando do bitcoin, essa tecnologia começou junto com a criptomoeda.

O conceito do primeiro blockchain público nasceu em 2008, no artigo acadêmico Bitcoin: um sistema financeiro eletrônico peer-to-peer, publicado por uma pessoa ou grupo sob o pseudônimo de Satoshi Nakamoto (suposto criador do bitcoin).

Criado em um cenário de crise econômica mundial e bolha imobiliária, o bitcoin nasceu para, entre outras coisas, prevenir o gasto duplo dos valores e aumentar a confiança das transações financeiras, levando-as para a internet.

No ambiente digital, os dados podem ser copiados, alterados e trocados. O blockchain foi a solução para eliminar as duas primeiras características: uma pessoa não pode gastar 1 BTC duas vezes ou dizer que te enviou 10 BTC mas transferir apenas 0,01 BTC, por exemplo.

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Em termos simples: como blockchain funciona?

Eu sei que os termos técnicos não são muito convidativos para o público amplo entender o que é blockchain; só o nome da tecnologia já causa estranhamento. Mas prometo que vou tentar explicar da forma mais simples possível, sem distorções. Vamos lá.

O blockchain é uma rede que funciona com blocos encadeados muito seguros que sempre carregam um conteúdo junto a uma impressão digital. No caso do bitcoin, esse conteúdo é uma transação financeira.

A sacada aqui é que o bloco posterior vai conter a impressão digital do anterior mais seu próprio conteúdo e, com essas duas informações, gerar sua própria impressão digital. E assim por diante.

Pronto. Isso é blockchain.

Para ilustrar, veja essa imagem usada por Ronan Damasco, diretor nacional de tecnologia da Microsoft, em sua palestra sobre blockchain na conferência Web.br 2017:

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“As grandes invenções às vezes foram muito simples, né?”, comentou Damasco.

Na imagem, já dá para ver alguns termos técnicos, como hash. Não dá para se aprofundar no blockchain sem cair em tecnicalidades, então vamos entender como que esse negócio funciona de verdade.

Aprofundando: qual é a do blockchain?

Antes de falar sobre a cadeia de blocos (blockchain, sacou?), temos que entender como funciona o hash. Agora que podemos encarar termos técnicos, posso dizer que o hash é uma função matemática que pega uma mensagem ou arquivo e gera um código com letras e números que representa os dados que você inseriu.

Essencialmente, o hash pega uma grande quantidade de dados e transforma em uma pequena quantidade de informações. É a “impressão digital” de algum arquivo, ou, no caso do blockchain, de um bloco. Nesse sistema de blocos encadeados, essa impressão digital é fundamental.

O hash vai assinar o conteúdo do bloco; caso qualquer informação seja alterada, o hash muda. Quando você gera um novo bloco que também contém o hash do anterior, cria uma espécie de selo: é possível verificar e sinalizar se algum bloco foi alterado, para então invalidá-lo.

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Essas informações de blocos são escritas no ledger, que pode ser traduzido para livro-razão; é onde todas as transações, no caso do bitcoin, ficam gravadas. Depois de escritas, elas não podem ser apagadas.

Cada rede de blockchain também tem “nós”, que agrupam participantes que têm o mesmo interesse; no bitcoin, é transferir dinheiro. Esses nós podem ser tanto transacionais, que escrevem ou geram blocos, quanto mineradores, que verificam se o bloco escrito é válido.

quem valida o bloco recebe uma recompensa

Como você deve ter imaginado, é daí que vem o termo minerar bitcoin.

Desde o começo, o blockchain é tão seguro por um mecanismo de consenso de prova de trabalho (PoW, na sigla em inglês), que usa poder de processamento para resolver cálculos matemáticos muito complicados para assegurar que o hash criptográfico do bloco é válido. Quando alguém resolve a operação e consegue validar o bloco, recebe uma recompensa – as outras pessoas da rede também conseguem confirmar que o resultado é correto.

Alex Braz, CTO da Star Labs, explicou na Web.br que esse mecanismo de consenso é comparável ao jogo de puzzle Sudoku: é difícil resolver o problema, mas é fácil verificar se ele está resolvido.

Agora que você já conhece os principais elementos do blockchain, posso dar a definição mais técnica que André Salem, pesquisador do IBM Blockchain, apresentou em sua palestra:

O blockchain é uma rede de negócios segura, na qual os participantes transferem itens de valor (ativos), por meio de um ledger (livro-razão) comum distribuído, do qual cada participante possui uma cópia, e cujo seu conteúdo está em constante sincronia com os outros.

As vantagens do blockchain

Legal, mas quais as vantagens do blockchain? Já é hora de fazer as instituições do país ruírem? Botar fogo na República? Não tão cedo.

o blockchain também é chamado de protocolo da confiança

Tanto o blockchain quanto o bitcoin eliminam intermediários, mas há algumas diferenças entre ambos. Na minha visão, o bitcoin ganhou um viés mais cyberpunk, de derrubar o sistema financeiro e as instituições através da criptografia. Enquanto isso, o papel do blockchain é mais prático: assegurar a confiança entre as empresas — não à toa é chamado também de “protocolo da confiança”.

Veja também: As vantagens do blockchain nos serviços bancário e de comércio exterior

Além de confiança, outras palavras que ouvi muito nas palestras sobre blockchain que eu frequentei foram responsabilidade, transparência e segurança. Principalmente por conta desses quatro conceitos principais de blockchain, apresentados por Salem:

  • Ledger distribuído: o livro-razão, sistema de registro das transações e blocos, é compartilhado por toda a rede e todos podem ver;
  • Privacidade: é possível garantir a visibilidade adequada para a rede, já que as transações conseguem ser verificáveis. O termo “adequado” é importante; no bitcoin, todas as informações da transação são públicas. No blockchain, partes sensíveis do ledger podem ser ocultadas (como o endereço de alguém), sem prejudicar a verificação do bloco;
  • Contrato inteligente: um documento que não pode ser alterado depois de escrito. É possível firmar contratos e autorizar (ou não) transações de acordo com os termos estabelecidos;
  • Consenso: as transações são verificadas pelos participantes da rede e não podem ser fraudadas;

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Graças a toda essa tecnologia, as vantagens e aplicações do blockchain são imensas. Por exemplo, já noticiamos um sistema que agiliza pagamentos internacionais.

Como o blockchain elimina intermediários, as transações acontecem em tempo real, com menos custos e sem perder em segurança, já que elas podem ser verificáveis e auditáveis.

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O risco de fraudes é reduzido por meio de contratos inteligentes.

Sem ir tão longe, o setor financeiro já se beneficia com a característica principal dos blocos que evita gastos duplos e fraudes na escrita; o dinheiro não pode ser copiado, diferentemente de um arquivo. Mas o blockchain tem aplicações além das finanças; veja toda a logística de uma venda funcionando:

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“A nova rede da IBM pode possibilitar que um agricultor na Samoa [país da Oceania] faça uma transação com um comprador na Indonésia.

O blockchain seria usado para registrar os termos do contrato, gerenciar a documentação do comércio, permitir que o agricultor forneça uma garantia, consiga letras de crédito e finalize a transação com pagamento imediato”, exemplificou a IBM quando apresentou o sistema de pagamentos internacionais.

Inclusive, o setor de logística foi o que teve os maiores exemplos na Web.br. André Salem, pesquisador da IBM, falou sobre a parceria da empresa com a operadora de logística Maersk. O transporte de mercadorias e contêineres ainda é catalogado no papel, o que atrasa diversas entregas e cria inconsistências no processo.

O caso de Salem pode ser visto no vídeo acima (em inglês). Com o blockchain, seria possível fazer essa operação de forma segura, integrada e descentralizada. As autoridades de exportação conversam digitalmente com os portos e a alfândega e seus termos e documentos são assegurados por contratos inteligentes

Seria possível, por exemplo, firmar um aluguel de imóvel integrando um contrato inteligente do blockchain a uma fechadura inteligente.

“No mundo de blockchain, o Airbnb nasceu morto, porque precisa de um intermediário”, disse Ronan Damasco, diretor nacional de tecnologia da Microsoft.

Basta a pessoa desbloquear a fechadura que parte do valor pode ser transferido para a conta do proprietário.

E aí?

Antes de ir à conferência Web.br, eu conhecia o blockchain mas não fazia ideia de que a tecnologia já havia sido aplicada em diversos testes. A Microsoft, IBM e outras grandes empresas de tecnologia têm suas próprias iniciativas e consórcios para financiar pesquisas e desenvolver soluções corporativas em blockchain.

Enquanto o bitcoin é criticado como uma bolha sem fundamentos sólidos, muito se fala em uma revolução blockchain. A tecnologia introduzida com a criptomoeda tem milhares de aplicações práticas em diversas indústrias. O blockchain provavelmente não vai tomar conta do mundo, mas uma coisa é certa: a tecnologia não parece ter prazo de validade, como o bitcoin.

*Jean Prado viajou a São Paulo a convite da Conferência Web.br 2017.

O que é BlockChain: entenda como funciona na prática!

BlockChain é como chamamos o local onde estão escritas todas as operações do Bitcoin e das criptomoedas em geral.

Cada criptomoeda possui o próprio BlockChain e, por isso, considero uma grande revolução tecnológica o surgimento do Bitcoin, que foi a primeira criptomoeda desenvolvida.

Para aprender sobre o funcionamento do BlockChain, eu me tornei delegado (ou minerador) de três moedas que são do tipo do dPOS (delegate Proof of Stake).

Blockchain e casamento, o que um tem a ver com o outro? 


Delegado ou Minerador?

Para que um BlockChain funcione corretamente, é necessário haver pessoas que irão realizar o processo de registro da operação no BlockChain.
Não existe um poder centralizador como um Banco, que é responsável pelas operações de moedas como Real ou Dólar.

O BlockChain é totalmente descentralizado e qualquer indivíduo pode contribuir para o seu funcionamento.
No caso de criptomoedas tradicionais como o Bitcoin, esses indivíduos são chamados de mineradores.

Eles fornecem energia elétrica para o BlockChain e, com isso, as operações podem ser realizadas.

Como a quantidade de energia para realizar essa operação no BlockChain do Bitcoin é muito alta, pesquisei outros tipos de BlockChain e encontrei o grupo dos delegates Proof of Stake (dPOS).

Neste grupo, que possui criptomoedas como a Lisk, Ark e Oxycoin, a necessidade de fornecer energia elétrica é muito menor que na mineração do Bitcoin, e o mais importante nesse sistema é ser votado para se tornar Delegado.
O Delegado é responsável pelo funcionamento do BlockChain.

A cada rodada, ele ajuda a registrar a operação em um bloco do BlockChain e com isso recebe uma recompensa.


Vamos a prática!

Entrei no mundo do BlockChain das dPOS com um pouco de sorte. Participei do ICO (Initial Coin Offering – quando você faz um suporte para novas criptomoedas antes do lançamento oficial) de uma moeda chamada Oxycoin.

No grupo de discussão dessa criptomoeda, aprendi sobre o Testnet da Oxycoin, que consiste em um BlockChain teste cuja finalidade é avaliar a tecnologia BlockChain da criptomoeda antes desta ser lançada oficialmente para compra e venda.

Por ter ajudado na Testnet, pude participar da equipe de delegados do BlockChain da Oxycoin e assim aprender sobre o funcionamento do BlockChain na prática.
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Todos os delegados possuem um nome de registro. Eu escolhi dredson1983 (na verdade, misturei dr de Doutor, meu nome Edson e o ano de meu nascimento).
Veja na foto acima: meu ranking é a posição 43. No caso de um BlockChain dPOS, somente os que possuem as maiores votações (e ocupam as primeiras posições) podem minerar.

Como o peso das votações é proporcional ao número de criptomoedas que cada indivíduo votante possui, para conseguir votos eu acabei me tornando um fundo (em inglês, pool) da Oxycoin: por ficar entre os 201 mais votados, eu tenho direito a minerar e ganhar 5 Oxycoin por cada mineração (no caso, chamado de Stake ou Forg).

Por ser um fundo (pool), eu distribuo, entre os meus votantes, 90% do ganho obtido.

Todas as operações são públicas e chamamos essa página aberta de Explorer. No caso da Oxycoin, você consegue acessar neste link. Esta transparência no registro das operações somente é possibilitada via BlockChain.

A cada 15 segundos, no BlockChain da Oxycoin, um bloco é produzido e nele são registradas as operações deste intervalo de tempo. Um delegado é responsável por este procedimento – registrar as operações no bloco recém criado.

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Acima está um exemplo de como é descrito cada bloco do BlockChain.

Veja que está escrito sobre o número de operações (Transactions), as confirmações do Bloco (Confirmations), o número do Bloco (Height), ganho da recompensa por bloco (Reward), o total da taxa das operações (Total Fee), total ganho pela mineração do bloco (Total Forged) e o responsável pela mineração (Generated by).  

No caso, não houve nenhuma operação no momento, e por isso a taxa Fee (taxa cobrada sobre cada transação) está zerada.
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Já neste bloco, houve 6 operações no intervalo do bloco. Como cada operação possui uma taxa de 0,1 Oxycoin, a delegada, no caso a duttzy_23, ganhou 0,6 Oxycoin a mais.

Por que o BlockChain é tão importante?

Agora você deve estar se perguntando qual é a real importância desse registro nos blocos.
Para isso, vou te explicar o que aconteceria se não houvesse o BlockChain.
Qualquer pessoa poderia dizer que possui 100 Oxycoin, por exemplo, e vender para uma pessoa inocente. E sem nenhum registro público, a pessoa inocente não teria como desvendar o autor da fraude.

Quantas notícias sobre golpe você já leu? 
Agora quando se tem o BlockChain, você consegue verificar o saldo da carteira e até a origem do recurso presente nela.

E quanto mais antiga a operação, mais difícil é a falsificação da criptomoeda, pois a veracidade da mesma já foi verificada inúmeras vezes.

A cada novo bloco formado, os blocos antigos ganham novas confirmações das operações e o BlockChain vai se tornando mais sólido.


Conclusão

O artigo foi escrito para te ensinar o conceito prático do BlockChain. Não entrei em detalhes sobre programação para facilitar a explicação. Porém, os pontos fundamentais para compreensão do funcionamento e importância do BlockChain foram aqui explicados.

Considero esta tecnologia uma importante inovação para enfrentar golpes, fraudes e a crise econômica e, por isso, tenho o propósito de ensinar sobre BlockChain para o maior número de pessoas.
Todas as criptomoedas possuem o seu próprio BlockChain.

Não devemos considerá-las somente um tipo de moeda para troca por produtos e serviços, e sim empresas de tecnologia BlockChain que estão revolucionando a forma como entendemos o uso do dinheiro no mundo atual.

Se tiver alguma dúvida, deixe nos comentários!

Edson Ichihara
Blockchain O Que É E Como Funciona? Médico Oftalmologista, Analista de Valores credenciado pela Apimec com Certificação  CNPI, Conselheiro Fiscal na Unimed Americana, SBO e Nova Odessa. Escreve todos os meses sobre Bitcoins e Criptomoedas.

Este texto é de responsabilidade do autor do artigo e não reflete necessariamente a opinião do Me Poupe!

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¿Qué es el blockchain y cómo funciona?

Seguramente, ha oído este término en alguna parte y no le ha dado mucha importancia, por el hecho que desconoce su significado. De hecho, el blockchain se ha puesto de moda hace algún tiempo, por pocos conocer a ciencia cierta su funcionamiento. A continuación, despejaremos algunas dudas al respecto.

El blockchain o cadena de bloques es un concepto que plantea una revolución en nuestra economía y, además, en todo tipo de ámbitos que tenemos día a día. Entender cómo funciona no es tan difícil y dado que es un término que se está utilizando mucho más a nivel mundial, es necesario saber de qué se trata.

El concepto y la tecnología de cadena de bloques fueron creados en 2009 con la aparición del Bitcoin; es decir, el blockchain es la tecnología que está detrás del esta moneda virtual, pero se puede separar de él para hacer otras cosas con ella.

Por ejemplo, crear otras criptomonedas (monedas virtuales que pueden ser intercambiadas y operadas como cualquier otra divisa tradicional) que se basen en los mismos principios, pero que tengan otras propiedades al haber sido cambiados el algoritmo o la política monetaria.

El blockchain también se puede utilizar para crear otros tipos de representación de valor. Es lo que se conocen como Tokens, que son básicamente los que puede usar dentro de un ecosistema para participar en un servicio o utilidad. Un ejemplo son los casinos, donde compras sus propios tokens (fichas) que luego puedes utilizar en sus máquinas y restaurantes.

El blockchain es una tecnología que permite la transferencia de datos de una manera completamente segura gracias a una codificación muy sofisticada. Se suele comparar con un libro de contabilidad de una empresa donde están registradas todas las entradas y salidas de dinero. Pero, en este caso, es un libro de acontecimientos digitales.

Esta transferencia no necesita de un intermediario que compruebe y apruebe la información, sino que está distribuida en diversos nodos independientes (usuarios) entre sí que la registran y validan.

Así, una vez que la información es introducida no podrá ser borrada, solo se podrán añadir nuevos registros. Además, no será legitimada a menos que la mayoría de ellos se pongan de acuerdo para hacerlo.

Básicamente, el blockchain, elimina a los intermediarios, descentralizando toda la gestión. El control del proceso es de los usuarios y son ellos los que se convierten parte de un enorme banco con miles, millones de nodos, cada uno de los cuales se convierte en partícipe y gestor de los libros de cuenta del banco.

  • ¿Cómo funciona el blockchain?

Hasta hace algún tiempo era necesario un tercero en el que las dos partes confiaran para garantizar la autenticidad de las transacciones (banco, auditor, notario o Paypal) y que tuviese un registro o sello de veracidad. Ahora, con el blockchain, este problema y doble gasto desaparece al combinar la tecnología P2P de intercambio entre pares con la moneda virtual y así crear una nueva forma de comunicación digital.

Asimismo, las transacciones incluidas en los bloques son creadas por los integrantes del sistema. Estas son registradas y transmitidas a todos los nodos de la red. Así, todos los integrantes tienen la información de las transacciones actualizadas en tiempo real.

Blockchain O Que É E Como Funciona?El concepto y la tecnología de cadena de bloques fueron creados en 2009 con la aparición del Bitcoin. (Foto: MorgueFile)

Las transacciones se realizan desde los llamados “wallets” o monederos electrónicos. Los wallets son archivos encriptados que funcionan de forma similar a una cuenta bancaria, estos poseen dos claves: pública y privada.

La clave pública es una cadena alfanumérica entre 26 y 35 caracteres, es la dirección de Bitcoin y hace las veces de número de cuenta. De esta manera, para que alguien le envíe bitcoins, previamente debe darle la clave pública para luego recibir las monedas virtuales.

En tanto, la clave privada sirve para autorizar operaciones desde su wallet. Este proceso es el que se conoce como criptografía asimétrica.

Como de manera constante están fluyendo nuevas transacciones por la red, estas serán añadidas a un pool” (similar a una cooperativa) de transacciones sin verificar. Aquí es donde aparece la figura de los llamados “mineros”, que son los encargados de escoger las transacciones de estos pools para crear un nuevo bloque de transacciones confirmadas.

  • Los mineros se dedican a verificar las transacciones que están ocurriendo en estos momentos y cumplen dos importantes funciones: Crear nuevos bitcoins por cada bloque que se mina y asegurar que las transacciones son reales y legítimas.
  • Los grupos de minería son conjuntos de mineros que trabajan en conjunto para resolver un bloque y se dividen las recompensas otorgadas.
  • Gracias al uso del blockchain que se sincroniza entre los nodos se logra la irreversibilidad de las transacciones, lo que permite que nadie haga fraudes para beneficiarse, modificando el libro de cuentas para desviar los bitcoins de un lado a otro sin que otros se enteren.

Ese libro de cuentas es seguro pues los bloques enlazados cuentan con un puntero “hash” (codificado) que enlaza al bloque anterior; además, toda la información es pública. Lo que significa que aunque protege la privacidad de sus usuarios, sí permite controlar la trazabilidad de esas transacciones.

Cabe resaltar que cada bloque es una parte de la cadena con los siguientes elementos:

  1. Un código alfanumérico que enlaza con el bloque anterior.
  2. Un paquete de transacciones.
  3. Otro código alfanumérico que enlazará con el bloque posterior.
  • ¿Cuál es el futuro del blockchain?

Los expertos en el tema comparan al 'boom' del blockchain con hitos como el desarrollo de Internet o la integración de las computadoras en el uso doméstico. Es decir, señalan que es un sistema que cambiará la forma de entender el negocio y la sociedad.

Asimismo, revelan que uno de sus máximos potenciales serán los Smart Contact (contratos inteligentes). Es decir, con la tecnología del blockchain se podrán hacer acuerdos y transacciones de forma confiada sin revelar información confidencial entre las dos partes. Por ejemplo: venta de productos, alquiler de casa, autos, etc; todo de forma online.

De otro lado, blockchain será esencial para el Internet de las cosas. Nuestros aparatos electrónicos podrán comunicarse entre sí de forma segura y transparente, señalan los experto. Estos aparatos inteligentes, podrán comprar productos en Internet de manera automática.

Actualmente son muchos los proyectos en los que se está investigando para implementar el blockchain como estructura que los respalden. Por lo que será cuestión de años (o meses) que veamos si realmente se convertirá en la tecnología del futuro.

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