Banda Portuguesa Que Se Vestem Como Bichos?

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Beijos na boca

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Um beijinho, mesmo de fugida, mesmo pequenino, se fosse na boca, era o suficiente para um namorado atrevido ser arrastado para a esquadra. Além de multado em pelo menos 57$00 (28 cêntimos), só saía em liberdade depois de o agente da polícia lhe rapar a cabeça. É isso que nos conta o jornalista e escritor António Costa Santos no seu livro Proibido! Beijos na rua ou no jardim eram considerados atos exibicionistas que afrontavam a moral e os «bons costumes» do Estado Novo.

Escolas mistas para rapazes e raparigas

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Rapazes e raparigas nunca se cruzavam na escola. Se elas iam para aulas de manhã, eles iam só da parte da tarde. No caso em que as escolas tinham mais do que uma sala, as turmas eram separadas por géneros e havia um pátio de recreio para rapazes e outro para raparigas.

Cantar o hino nacional era a primeira coisa que se fazia e todas as salas tinham afixados na parede uma fotografia de Salazar, outra do presidente da República e um crucifixo, além da palmatória na mesa do professor ou professora, que servia para castigar os malcomportados.

Outro castigo frequente era colocar a criança num canto da sala com orelhas de burro enfiadas na cabeça. Até à década de 50, a instrução básica obrigatória era de três anos para as raparigas e de quatro para os rapazes.

Biquinis e fatos de banho decotados

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Em 1940, Portugal começou a receber refugiados de toda a Europa. Fugiram da II Guerra Mundial e trouxeram novos hábitos que deixaram Salazar arrepiado. Sobretudo as mulheres que iam sozinhas aos cafés, fumavam como os homens e exibiam as suas minissaias nas esplanadas do Rossio, em Lisboa. Depressa surgiram tentativas para travar essas «modernices» que ameaçavam os costumes incentivados pelo Estado Novo.

Em maio de 1941, o ministro Mário Pais de Sousa decidiu tomar providências no sentido de salvaguardar o «mínimo de condições de decência» nas praias portuguesas. O que este palavreado da lei significa é que os banhistas só podiam usar fatos de banho com as medidas e os decotes previamente determinados pelo Ministério do Interior.

O traje tinha de cobrir o peito e as cavas deviam contornar as axilas. Os homens deveriam vestir um calção de corte inteiro, bem ajustado à perna e à cintura, com a parte da frente reforçada e cobrindo boa parte da barriga.

Quem não respeitasse as regras era detido e julgado no próprio dia, podendo ir para a prisão e arriscando-se ainda a uma multa máxima de 300$ (1,50€), aplicada pelo capitão do porto ou comandante da PSP.

A fiscalização ficava por conta dos cabos-do-mar que, a partir de meados da década de 1960, não tiveram outro remédio senão começar a fechar os olhos às centenas de turistas mais atrevidos que passaram a frequentar as praias do Estoril e do Algarve.

BD estrangeira

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A febre da BD chegou em força na década de 1950. Por toda a Europa e Estados Unidos, as crianças e os adolescentes viviam colados aos livros de banda desenhada. Mas, em Portugal, as histórias aos quadradinhos vindas do estrangeiro estavam proibidas. Nem as publicações americanas, inglesas ou francesas ou sequer as traduções brasileiras ou espanholas estavam autorizadas. Significava isto que as aventuras do Super-Homem, Batman, Capitão Marvel, Tarzan ou até as personagens da Walt Disney não tinham poder para entrar no país.

Os restantes heróis estrangeiros só podiam ser publicados na revista «Mundo de Aventuras» se cumprissem um certo de número de regras.

Desde logo, o nome tinha de ser aportuguesado e qualquer tentativa de sacar uma arma era prontamente eliminada, muitas vezes, decepando braços e mãos.

E foi assim que alguns dos heróis mais populares entre as crianças portuguesas passaram a ter uma nova identidade. Flash Gordon, era o Capitão Relâmpago, Big Ben Bolt era Luís Euripo, Cisco Kid usava o nome de Luís Ciclone e Rib Kirby era Ruben Quirino.

Isqueiros sem licença

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O fiscal dos fósforos ou agente da polícia que apanhasse alguém com um isqueiro sem a respetiva licença de porte deveria confiscá-lo e passar uma multa de 250$ (1,5€). O decreto-lei publicado em novembro de 1937 tinha como finalidade incentivar a indústria nacional fosforeira. A licença era individual, custava 60 escudos (30 cêntimos) e era passada por uma repartição de finanças. Quem denunciasse o infrator ficaria com 15% desse valor. A lei existiu até ao início da década de 1970.

Vender Coca-Cola

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Os donos da Coca-Cola fizeram várias tentativas para a bebida entrar em Portugal, mas Salazar nunca cedeu. A explicação oficial era que o seu elevado teor de cafeína podia criar habituação. Proteger os vinhos e os refrigerantes nacionais foi também uma outra justificação apresentada pelo regime. A verdadeira razão, porém, estaria no medo de que, com a entrada da marca americana no país, entrassem também ventos de modernidade que comprometessem os valores morais em que o Estado Novo acreditava.

Pelo menos, foi essa a explicação que Salazar escreveu numa carta endereçada a um representante da Coca-Cola e que está publicada na coletânea Cenas da Vida Portuguesa, de Maria Filomena Mónica (Quetzal):

A bebida entrou oficialmente no país no dia 4 de julho de 1977, curiosamente a data em que os Estados Unidos comemoram a independência.

Vadiagem e mendigos

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A proibição de mendigar nas ruas e noutros lugares públicos começa em 1931, tornando-se cada vez mais repressiva nos anos seguintes. O Código Penal dessa altura punia com prisão até seis meses quem fosse considerado vadio. Isto é, quem não tivesse casa, profissão nem meios de subsistência.

Os restantes eram capturados pela polícia, julgados como vadios e, por regra, acabavam por serem libertados ao fim de alguns dias. É apenas em 1976 que o Serviço de Repressão à Mendicidade é extinto, acabando-se também com as normas que mandam prender os mendigos.

Mulheres a viajar sem autorização dos maridos

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As mulheres não podiam viajar para fora do país a não ser que tivessem autorização dos maridos. A lei foi introduzida no Código do Processo Civil de 1939 e só acabaria três décadas mais tarde, já com Marcello Caetano no poder.  Até 1967, elas tinham também de pedir o consentimento dos maridos se quisessem exercer atividades ligadas ao comércio, assinar contratos ou tomar decisões sobre bens (casas ou propriedades) que lhes pertenciam. Estavam igualmente impedidas trabalhar na administração local, na carreira diplomática, na magistratura e no Ministério das Obras Públicas, interdição que só acabaria, segundo a historiadora Irene Flunser Pimentel, em 1962.

Enfermeiras, telefonistas e hospedeiras só solteiras

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Telefonistas da Anglo Portuguese Telephone, enfermeiras dos Hospitais Civis, funcionárias do Ministério dos Negócios Estrangeiros e hospedeiras de ar da TAP não podiam casar. A proibição para as telefonistas acabou em 1939, mas continuou mais umas décadas para as outras profissões.

No caso das professoras primárias, o casamento, a partir de 1936, era permitido quando obtivessem autorização do ministro da Educação Nacional e apenas nas situações em que o vencimento delas era igual ou inferior ao dos maridos.

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Os maridos podiam abrir a correspondência das mulheres

Antes do 25 de Abril, foram muitas as disigualdades entre homens e mulheres, com elas a serem empurradas para as tarefas domésticas, sem direito a votar ou a poderem decidir sobre a educação dos filhos. A discriminação chegou ao ponto de os maridos terem o direito de abrir a correspondência das mulheres.

É nesse ano, aliás, que a nova Constituição estabelece finalmente a igualdade entre homens e mulheres em todos os domínios.

Se queres saber mais sobre os costumes no início do século 20, lê também «A vida portuguesa ilustrada a preto e branco»

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Fontes consultadas: Salazar contra Superman | Público (Os malditos do Estado Novo) | Público (Políticas de repressão à mendicidade no Estado Novo) | Caminhos da Memória (1) | Caminhos da Memória (2) | Diário de Notícias | Antena Livre | Correio do Minho |

Visão | Bichos da noite (e do dia)

Carrinhas vão chegando, saem mais homens do que mulheres, mas elas também saem. Outros vêm a pé, na estrada, ou de bicicleta, parecem vir de longe protegendo-se do sol e do resto. Parecem ter vindo de muito longe, pela fala, devem ter atravessado continentes e vieram parar aqui.

Nunca esta terra, que viu tantos partir, terá pensado que um dia chegariam tantos vindos de tão longe, de terras que nem sabem dizer o nome.

Alguns têm lenços atados na cabeça, de maneira diferente da nossa, mas a necessidade faz o engenho e por esse mundo fora as pessoas arranjaram formas de se proteger do sol, e do frio.

Ao começo eram punhados de gente, aqui, ali, com o passar do tempo juntaram-se muitos. Ninguém sabe ao certo quantos são, já se ouviu dizer que só por estes lados serão bem mais de mil. Quem os traz parece que lhes faz um favor, quem os usa só os conhece para lhes dar ordens.

Montes abandonados servem de teto, atam-lhes um trapo à porta, atiram para lá meia dúzia de colchões e chegam a ser 20. Isso ou contentores, sem água, amontoados como gado. Atravessaram continentes, passando sabe-se lá pelo quê, para estarem para ali assim, atirados à sorte.

Aqui sempre estão melhores do que na terra deles, não há guerra nem fome, pois lá isso, esta sempre foi terra pacífica, e banquetes agora é o que mais apanham.

A seguir ao campo da bola, nos arames de uma cerca, roupas estão estendidas a secar ao vento, gastas do sol, do pó e dos químicos. É lavar, secar e vestir, é a que têm.

Fardas nem as imaginam, e não arranjavam uma farda para esta gente? A terra onde trabalham tem dono, normalmente diferente de quem os recruta, lhes retira os documentos e lhes cobra diária e dívida impagável em troca de um buraco.

Mas, no fim, obedecem a ordens dos dois, cumprem horários seis dias por semana, mas ninguém sabe quantos são nem como vivem. Ou preferem dizer que não sabem, as contas às mãos que têm a trabalhar são feitas diariamente.

Cuidados de saúde e exames médicos são coisas de que esta gente não precisa, na terra deles não tinham, só se sente falta do que se conhece. E instalações e balneários, também não vale a pena o investimento, luxos que depois vai-se a ver nem queriam usar.

E é gente que não levanta cabelo, estão ilegais, piam fininho, não têm autorização para cá estar, só para serem explorados, se forem apanhados, quem os usou paga multa para continuar a explorar outros, e eles têm 20 dias para voltar aos seus países, só não se sabe com que dinheiro e em que condições. Por estes dias de Covid-19, andam ao sabor das apanhas com a máscara na cara, não entram nas estatísticas oficiais e até de ir ao médico têm medo.

O monumento a Catarina está lá, no meio da vinha, a lembrar que naquele lugar assassinaram uma mulher que só queria paz e pão para matar a fome aos filhos.

Passados 66 anos, ali estão eles agora, levantados do chão, como escreveu Saramago. “Também do chão pode levantar-se um livro, como uma espiga de trigo ou uma flor brava. Ou uma ave. Ou uma bandeira.

Enfim, cá estou outra vez a sonhar. Como os homens a quem me dirijo.”

(Opinião publicada na VISÃO 1422 de 4 de junho)

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Inspirada na crise do país, banda portuguesa faz mix poético de fado com punk

Se houvesse uma trilha sonora para a crise vivida por Portugal nos últimos anos, ela seria escrita por um grupo lisboeta chamado A Naifa. A canção que parece ser a mais completa tradução do atual momento português se chama “Esta Depressão que me Anima”, um fado poderoso movido a baixo, guitarra, bateria e voz.

  • Diz o seguinte: “Vivo do que me dão/Nunca falto às aulas de esgrima/E todos os dias agradeço a Deus/Esta depressão que me anima”.
  • Poesia é uma especialidade da banda, que existe desde 2004 com um nome feminino que mistura a gíria das ruas de Lisboa com a sonoridade da palavra “knife”, faca em inglês.
  • A Naifa

A ideia é que o som e a poesia sejam afiados, cortantes, como uma navalha. A música do grupo une a melancolia do fado ao expressionismo do punk rock.

A Naifa já teve duas formações, que correspondem a duas épocas diferentes. De 2004 a 2009, o núcleo básico era formado por João Aguardela, Vasco Vaz, Luís Varatojo e Maria Mendes, a Mitó, na voz.

Gravaram três discos jun-tos. Em dois deles, as letras eram compostas por versos de nomes não muito populares da poesia portuguesa, como Adília Lopes, Eduardo Pitta e José Mário Silva, musicados pela banda.

No quesito palavras a Naifa sempre impressionou, mas a música impressiona em igual tamanho ­­-triste, irônica, econômica e contundente.

JOÃO, A FÃ E A AVÓ

Em 2009, A Naifa perdeu um de seus fundadores, o baixista João Aguardela, um ídolo do rock português, de passado punk e também pop. “Esta Depressão que me Anima” foi composta por ele.

“Estávamos a procurar letristas para o terceiro disco, quando o João chegou com um maço de poemas”, conta Mitó. “Disse que eram de uma fã que nos tinha visto uma vez, ao vivo, e que tinha mandado para tentar a sua sorte como letrista. Quando lemos os poemas ficamos assombrados: aquelas letras eram a própria Naifa! Eram todas geniais, tudo o que procurávamos”.

  1. A autora chamava-se Maria Rodrigues Teixeira, e só mantinha contato com Aguardela. Depois da morte do baixista, os membros do grupo descobriram espantados que
  2. Maria era a avó de João, e que ele mesmo havia escrito todos os poemas.
  3. Com a morte dele começou a segunda vida da Naifa. A namorada de João, Sandra
  4. Baptista, ocupou aos poucos o seu lugar no grupo, e um novo baterista, Samuel Palitos, também de linhagem punk, juntou-se ao grupo.

O novo disco chama-se “Não se Deitam Comigo Corações Obedientes”, e é todo baseado na poesia de mulheres. O grupo está em excursão divulgando o novo trabalho por toda a Europa e também em alguns países da África.

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A Naifa prova que é possível viver de boa música mesmo em um Portugal deprimido pela crise. “Somos marginais desde o início. Não passamos nas rádios, não aparecemos no panorama televisivo. Mas enchemos as salas de espetáculo.

As pessoas encontram o que querem ouvir”, diz Mitó, 35, uma voz tristonha e altiva, que abriga timbres especiais como os de Amália Rodrigues e Beth Gibbons, do Portishead. “A Naifa adoraria vir ao Brasil, mas o Brasil ainda não quis a Naifa”, diz ela.

Está mais do que na hora.

Governo ES – Folclore

O Atlas do Folclore Capixaba, que pode ser visualizado no endereço eletrônico http://folclorecapixaba.org.br/, foi elaborado a partir da iniciativa da Secretaria de Estado da Cultura (Secult) e Sebrae-ES. Tem por objetivo, com base em minuciosa coleta de dados, disponibilizar para o público em geral informações sobre as expressões folclóricas do Espírito Santo.

Foram mais de 300 entrevistas com mestres da cultura popular em 56 municípios. Estão aqui reunidas informações acerca de saberes, expressões, danças, folguedos, artesanatos, festas populares e tradicionais. A pesquisa registrou a ocorrência de, aproximadamente, 280 grupos folclóricos.

Como bem salientaram os autores, a diversidade das expressões culturais é maior que a diversidade das populações, tendo em vista a recriação e a mixagem de hábitos e costumes a partir dos contatos entre povos de origens distintas que ajudaram a colonizar as terras capixabas.

O Espírito Santo tem uma identidade cultural peculiar, caracterizada pela diversidade.

Sua gente é um encontro de índios, negros, portugueses e imigrantes italianos, alemães, pomeranos, austríacos, espanhóis, holandeses, suíços, poloneses, libaneses, entre outros.

Sua cultura popular é a soma do encontro das variadas expressões desses povos, adicionadas às manifestações surgidas ou reinventadas a partir das interfaces aqui estabelecidas.

Alardo

Com o nome de Bate-flechas ou dança das flechas, a expressão folclórica, de intenção religiosa, louva São Sebastião e São João Batista.

O grupo, formado por homens e mulheres, sem número determinado, se apresenta em terreiro, e pode ser integrado também pelos assistentes. Em geral, a roupa é a comum, mas há os que se vestem como índios, com saias de palmito, penachos coloridos, colares de contas, adornos de pena nos braços e tornozelos.

  • O instrumental se assemelha ao de uma pequena banda musical, mas alguns conjuntos adotam apenas os tambores.
  • Cada dançador porta duas flechas que servem para embelezar as evoluções e funcionam como marcadoras de ritmo, acompanhando as batidas de pés.
  • Boi Pintadinho

No Espírito Santo o grupo de boi pintadinho, bumba-meu-boi ou boi-janeiro é constituído preferencialmente por homens, registrando-se, em uns poucos municípios, a presença de mulheres e crianças. Nos conjuntos masculinos comparecem os travestis, comumente usando máscaras.

O número de participantes é variável, em média quinze a vinte, podendo alcançar quarenta ou mais figuras. Os personagens essenciais são o boi, a mulinha e o puxador de boi (vaqueiro ou toureiro).

O boi é construído pelos próprios integrantes, tem como cabeça uma caveira de boi ou sua reprodução em papelão e taquara, revestida com tecido e sempre enfeitada; o corpo, formado por armação de taquara, taquaraçu madeira, é vestido com chitão ou outra fazenda estampada.

Em seu interior aloja-se o homem que executa a dança, brinca com a assistência, corre e dá chifrada.

A mulinha tem cabeça de papelão e arcada de taquara recoberta de pano, com um oco destinado ao manipulador, visto apenas da cintura para cima; por vezes apresenta lateralmente duas pernas, fingindo as do cavaleiro montado. O puxador, geralmente com roupas de vaqueiro, puxa a corda que conduz o boi e orienta sua movimentação.

Capoeira

Capoeira, entre outros significados, é luta para os angolenses. Por muito tempo essa foi também, no Brasil, sua principal função, usada como defesa do escravo contra o branco que o perseguia.

Mais tarde passou a servir de divertimento (brinquedo) nas reuniões festivas.

Com o tempo, perdeu seu caráter de luta, adquirindo uma técnica sistematizada de jogo, chegando a ser motivo para a criação de academias de capoeira, sendo a primeira delas a do mestre Bimba, fundada em Salvador (BA), em 1932.

  1. O conjunto instrumental (berimbau, pandeiros, ganzás, agogôs, adufes, atabaques) acompanha o vocal, possuidor de um repertório de cantigas próprio e/ou emprestado de outras manifestações e conduz o ritmo, apoiando os golpes.
  2. Assim como a música, e ginga, os toques e golpes da capoeira são heranças que sobrevivem, acrescidas de inovações.
  3. Danças Folclóricas
  4. O Espírito Santo recebeu imigrantes de diversas partes da Europa, principalmente da Alemanha e da Itália que, junto com os portugueses, africanos e indígenas aqui residentes deram os traços principais da cultura capixaba.

Os costumes e tradições do povo europeu estão presentes nas montanhas do interior do Espírito Santo nas danças italianas, pomeranas, alemãs, holandesas e polonesas que resistem ao tempo, são transmitidas de geração em geração e renovam-se.

Elas foram incorporadas à cultura popular capixaba e suas apresentações são demonstrações de pura alegria. Muitas danças exigem pares, outras são executadas em roda, às vezes se colocam em fileiras.

Embora as danças folclóricas sejam preservadas pela repetição, vão mudando com o tempo, mas os passos básicos e a música são sempre semelhantes ao estilo original.

Folia de Reis

A Folia de Reis é um festejo de origem portuguesa ligado às comemorações do culto católico do Natal que, trazido para o Brasil, ganhou força no século 19, nas regiões onde a cafeicultura prosperou, sobretudo nas pequenas cidades de Estados como Minas Gerais, Bahia, Espírito Santo e Goiás.

A tradição da visitação das casas é feita por grupos organizados, muitos dos quais motivados por propósitos sociais e filantrópicos. Cada grupo é composto por músicos tocando instrumentos, em sua maioria de confecção caseira e artesanal, como tambores, reco-reco, flauta e rabeca (espécie de violino rústico), além da tradicional viola caipira e da sanfona.

As canções são sempre sobre temas religiosos, com exceção das tradicionais paradas para jantares, almoços ou repouso dos foliões, onde se realizam animadas festas com cantorias e danças típicas regionais, como catira, moda de viola e cateretê.

Jongo

O Jongo envolve canto, dança e percussão de tambores. De origem africana, chegou ao Brasil através dos negros escravos. Está presente tanto no norte do Espírito Santo, nos municípios de São Mateus e Conceição da Barra, como no Sul, em Cachoeiro de Itapemirim, Anchieta e Presidente Kennedy.

Considerado a raiz mais primitiva do samba, difundiu-se nas regiões cafeicultoras, fato que explica a sua existência quase que exclusiva no sudeste do país. Doze mulheres, vestindo blusa branca, saia e lenço azul na cabeça são componentes do Jongo. Fazem parte também três homens, que tocam tambores e um reco-reco.

Pastorinhas

Pastorinhas ou lapinhas são pastoris da noite de natal, figuras tradicionais em muitos lugares que ainda mantém nossas raízes culturais. Com seus arcos e cestinhas de flores bailam diante do presépio do Deus menino. De chapéus de palha enfeitado e vestidas com blusas brancas e saias xadrez ou todas de branco, elas cantam suas melodias alusivas ao evento.

Após a missa saem cantando suas marchas de rua acompanhadas do povo católico, fiéis às suas devoções na pureza de seus sentimentos.

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Nas casas onde há presépios, param e cantam anunciando o nascimento de Jesus – o Salvador do mundo. Licores e biscoitos são servidos pelos donos da casa.

Cantando seus agradecimentos se despedem prosseguindo na divina missão de espalhar a boa nova da chegada do esperado Messias.

Reis de Boi

O Reis de Boi é um auto em homenagem aos Santos Reis. É realizado no ciclo de Natal, prolongando-se até o dia de São Brás, comemorado no dia 03 de fevereiro. É dividido em duas partes: uma de louvação aos Santos Reis e outra de teatralização.

É a expressão folclórica mais popular da região Norte do Espírito Santo, sendo o “Boi” a principal atração.

O “vaqueiro” conduz “bichos” apavorantes – componentes do grupo que usam máscaras de lobos, fantasmas, lobisomens, cavalos-marinhos, e outras que fazem parte da memória coletiva.

Assim que a bicharada entra em cena, as crianças fogem assustadas e ao mesmo tempo fascinadas. Este misto de medo e fascínio que garante a popularidade da celebração.

Com um bastão é entoada a marcha que rege o sapateado do vaqueiro, que usa roupa velha com paletó pelo avesso, bolso de fora e máscara. Após a exibição, ele pára ofegante, e discursa – conta de onde vem e relata acontecimentos que todos sabem, de forma satírica. Canta-se, então a chamada do “Boi”, que entra em cena dançando, fazendo graça, dando voltas e chifradas.

Em alguns grupos, terminada a cantoria, ocorre a morte e ressurreição do Boi. Assim que estrela da festa cai no chão o sanfoneiro puxa a música para que seja feita a divisão do boi. Um coro canta um refrão a cada pedaço vendido. Cada grupo possui a sua própria cantoria. Os instrumentos utilizados são a sanfona e o pandeiro.

Ticumbi

O Ticumbi é um folguedo existente no Norte do Espírito Santo há mais de 200 anos. A cada ano os grupos elegem um tema, representado em seus cânticos, bailados e evoluções. Os passos da brincadeira são coreografados.

A dramatização do auto é simples: o “Reis de Congo” e o “Reis de Bamba”, duas majestades negras, querem fazer, separadamente, a festa de São Benedito. Há embaixadas de parte a parte, com desafios atrevidos declamados pelos “Secretários” que desempenham o papel de embaixadores.

Por não ser possível qualquer acordo ou conciliação, trava-se a guerra – agitada luta bailada entre os dois rivais. Como é tradição, o “Reis de Congo” consagra-se vencedor, submetendo o “Reis de Bamba” e seus vassalos ao batismo.

O auto termina com a festa em homenagem a São Benedito, quando então, os componentes cantam e dançam o Ticumbi.

Para apresentar o Ticumbi, o grupo se veste a caráter. Os integrantes usam longas batas brancas e rendadas, com traspasse de fitas coloridas e calças compridas brancas com friso lateral vermelho.

A cabeça é coberta por um lenço branco, um vistoso capacete enfeitado de flores de papel de seda e fitas longas de várias cores.

Os reis usam coroas de papelão, ricamente ornamentadas com papel dourado ou prateado, peitoral vistoso com espelhinhos e flores de papel brilhante, capa comprida, e, na mão ou na cinta, longa espada.

O ritmo das encenações é regido por pandeiros e chocalhos de lata, chamados de “ganzás” ou “canzás”. A viola dá o tom no momento que os guerreiros cantam.

Punk em Portugal: estudo mostra que o movimento evoluiu

O investigador britânico Andy Bennet afirma que o movimento Punk desenvolveu-se e que o estudo feito sobre o fenómeno em Portugal vem demonstrar o dinamismo de uma corrente de rebeldia política e irreverência cultural.

“Este projecto português é altamente original e é um dos melhores trabalhos sobre o Punk que alguma vez foi feito. Nos Estados Unidos e no Reino Unido há livros publicados, mas este tipo de investigação é diferente.

Tem uma análise muito profunda e mais crítica sobre o Punk”, disse à Lusa Andy Bennet, professor na Griffith University da Austrália e que participa esta quinta-feira no Porto no colóquio sobre o Punk em Portugal coordenado pela socióloga Paula Guerra, autora da investigação.

  • O termo Punk, que é usado por algumas “bandas de garagem” no início dos anos 1970, acaba por gerar um movimento de contra cultura e rebeldia nos Estados Unidos e no Reino Unido que ultrapassa a música (“Ramones”, “Sex Pistols” e “Clash”) tornando-se num dos fenómenos mais revolucionários da cultura ocidental das últimas décadas.
  • Mais de 600 bandas punk no país
  • A investigação sobre a realidade portuguesa que se prolongou durante um ano, estabelece o início do movimento em Portugal, em 1977, com o aparecimento da banda “Faíscas” que mais tarde dá origem aos “Corpo Diplomático” e aos “Heróis do Mar” mas estuda também trinta anos de um movimento rebelde com especificidades regionais, analisando o percurso dos intervenientes ao longo dos anos, detectando as origens sociais e atitudes políticas, culturais e artísticas.
  1. O estudo referencia em Portugal a existência de 600 bandas desde 1977 e 400 músicas que estão ainda a ser analisadas pelo sociólogo Augusto Santos Silva, da Universidade do Porto (ex-ministro da Defesa Nacional), para um trabalho que vai ser apresentado na Áustria, em Outubro.
  2. Além da análise das músicas e das bandas portuguesas, a investigação sociológica refere estar a tratar de um movimento constituído por 98% de indivíduos do sexo masculino e aborda também a questão do envelhecimento e a forma como os princípios e as referências do movimento face à sociedade são mantidos ao longo dos anos, apesar da idade e dos diferentes percursos de vida.
  3. O projecto com o título “Keep it Simple, Make it Fast” da investigadora da Universidade do Porto é acompanhado pelo antropólogo espanhol, Carles Feixa da Universidade de Lleida e por Andy Bennet que considera a investigação singular.

“É diferente porque faz uma avaliação do Punk em diferentes níveis: a dimensão política e ideológica (final dos anos 1970 e início dos anos 1980 em Portugal) e também a dimensão histórica a que não é alheia a situação económica do país.

A realidade portuguesa é completamente diferente da realidade do Reino Unido mas para o que interessa — e este trabalho não foi feito no Reino Unido — é que política e ideologicamente, o Punk é igual onde quer que se esteja, depois é influenciado pelo contexto local, mas o Punk é Punk”, sublinha.

“O Punk tem objectivos que dizem respeito à música e à política e, é por isso, que acho importante que este trabalho tenha sido feito aqui e nesta altura e, em muitos aspectos, é importante que tenha sido feito num país que não seja anglo-saxónico porque confere a importância global do Punk”, reforça o académico britânico acrescentando que o movimento nunca acabou e soube adaptar-se e evoluir ao longo das últimas décadas.

“Não penso em termos românticos sobre uma coisa que desapareceu e que é recordada porque o Punk seguiu em frente. O Punk transformou-se numa base, num ponto de partida para uma forma de expressão política que continua a influenciar os mais jovens que não aceitam, como no passado, uma sociedade normal”, refere Andy Bennet.

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