q

Jean Mello

Jornalista, especialista em Planejamento de Mídias Digitais (FGV) e Web Analytics (Google Academy).

Violência Tag

 

Conheço muitos jovens que gostam de caminhar de noite, encontrar nestas idas e vindas a liberdade. Mas não me contento com isso, pois a realidade não demonstra jovens tão livres assim.

No Grajaú, bairro chamado Cantinho do Céu, participei de um projeto social em que fui educador de alguns jovens, em oficinas de comunicação comunitária.  Essa foi uma iniciativa do Cenpec junto com a Cidade Escola Aprendiz, num programa chamado Jovens Urbanos, em parceria com banco Itaú – o projeto é muito maior, mas essa era a parte de minha responsabilidade.

Era apenas uma experimentação, com encontros pontuais em que tínhamos o objetivo de através da comunicação descobrir e divulgar o que os moradores daquele lugar consideram como cultura e quais eram os lugares, ou mesmo as práticas, quando não aspectos da própria história do bairro, que tinham relação direta com a cultura local. Para falar disso, a fim de que outras pessoas soubessem das coisas que lá fizemos, usamos algumas ferramentas de comunicação. Os depoimentos dos próprios moradores eram o nosso alicerce…

 

Por Marcos Siqueira

 

Na semana passada eu soube de mais um caso chocante: um menino de 10 anos atira em professora e se mata. Lendo a matéria em um portal deparei-me com a seguinte chamada:

 

 

Relembre alguns casos de 2011

22.set – Aluno atira em professora em São Caetano do Sul e se mata
20.set – Adolescente é esfaqueada dentro da escola em Belém
9.set – Aluno é flagrado com revólver dentro da sala de aula em João Pessoa
26.ago – Vídeo mostra aluno chutando diretora de escola em Minas
22.jun – Estudante é esfaqueado após briga em escola na Paraíba
7.abr – Homem invade escola, atira contra alunos e mata 11 crianças no Rio de Janeiro

 

 

Quanto mais a comunidade escolar se une em prol das necessidades da educação, mais existe desenvolvimento e encontra meios de superar as dificuldades que vão aparecendo pelo caminho – sempre dá pra arrumar desculpa para não enfrentar os problemas de frente e colocar a culpa em terceiros.


Aplaudo de pé diretores que encaram a função de representação da escola.

Choro de emoção ao ver que a maioria dos professores são verdadeiros heróis, até mesmo por diariamente viverem a realidade de ter três turnos de trabalho, muito mais de oito horas por dia, para poder garantir um salário que está muito longe de ser digno. Isso sem contar os períodos de correção de prova e outras atividades que os deixam longe de atividades pessoais e familiares. Ainda os chamam de preguiçosos, falando que nunca fazem nada. Queria ver qualquer pessoa que escreve nessas colunas, falando barbaridades, ficar ao menos um dia no lugar dos heróis da educação. Não seriam capazes, não conseguiriam suportar a responsabilidade, quando não exploração, de estar no ambiente escolar, muitas vezes hostil por conta da vulnerabilidade social. Quem é que pode opinar acerca de uma realidade que não vive? Acho que perdi essa parte da história que dá legitimidade para alguém que está sentado atrás de um computador dizer o que é ou não verdade.