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Jean Mello

Jornalista, especialista em Planejamento de Mídias Digitais (FGV) e Web Analytics (Google Academy).

Sorriso Tag

  Em um escrito qualquer de Rubem Alves, dentro do livro que carrega o título de Transparências da Eternidade, aparece a afirmação do quanto nas instituições religiosas - tanto evangélicas quanto católicas - os artistas deveriam ter mais voz. Voz essa que não se assemelha com os exageros do...

Um bilhete e uma frase, mas, sobretudo seu e-mail [1], acusou-me de não responder as mensagens. Coisa de um amigo bobo, que vive imerso em utopias baratas relacionadas à educação e com um pouco de filosofia de esquina, que tem tomado conta da blogosfera. Risos. Nada, resolvi...

 

 

Não é possível falar de Literatura Marginal sem mencionar Ferréz, sua obra que salta para novas mídias, seu compromisso duradouro com a periferia

@jeanmello12

“A conclusão que eu tive é que achei muito ridículo o discurso oficial [midiático e político] que defende que ‘podem voltar todos ao normal’. São Paulo está vivendo um novo período e ainda não descobriram. Muitas vezes me perguntam se caminhamos para uma guerra. Eu acho que isso já é uma guerra”. Neste trecho, de Ninguém é Inocente em São Paulo, Ferréz expõe sua visão sobre os conflitos que marcam a cidade — para usar a expressão de Mano Brown, outro desbravador das culturas periféricas – “a garoa rasga a carne”.

Não dá para pensar na ascensão da Literatura Marginal, e em sua visibilidade no cenário nacional e internacional, sem relação direta com os livros de Ferréz (no cartório, Reginaldo Ferreria da Silva). Ele estreou em 1997, com a Fortaleza da Ilusão, e permanece ativo e provocador desde entãoSerá mera coincidência ter surgido no mesmo ano do Sobrevivendo no Inferno, disco dos Racionais de mensagem contundente e um milhão e meio de cópias vendidas?

No livro Capão Pecado, seu primeiro romance (primeira edição, de 2000, esgotada em apenas dois meses), a relação entre o escritor e o rap fica ainda mais evidente. Poetas, cantores, escritores e articuladores do movimento hip-hop intercalam suas contribuições, registradas no livro, com a história, de tirar o fôlego e prender a atenção até o momento em que o enredo finalmente se resolve.

 

Ouvi a música que vinha de longe. Os acordes da guitarra eram bem definidos.

A banda estava bem sincronizada. Um som quase perfeito, apenas não era completamente, por conta da minha imperfeição. Não posso dizer que não chorei ao ouvir que o som se aproximava, mas logo após, num piscar de olhos, sorri. Confesso: o som tinha o poder de alterar minhas emoções, era inenarrável. Podia sentir que estava sendo levado para um lugar que nunca tinha ouvido falar. Ou melhor, até já tinha, só que não acreditava que existisse. Imaginei que viesse apenas de meus sonhos, de minhas visões, porém era realidade.

Nossas escolas deveriam ter o poder de mexer com o estado de espírito dos jovens. Poderia ser importante para levá-los a refletir a noite ou durante o dia.

Sou a favor de professores que olham para o passado, que amam os clássicos da filosofia. Se bem trabalhada, as indagações levantadas há séculos atrás, podem favorecer no nascimento de frutos reflexivos, jovens mais críticos dentro e fora do ambiente escolar. Em minha modesta opinião, isso faria os jovens caírem no choro ou na gargalhada, ficar com raiva ou alegres a ponto de contagiar outras pessoas até mesmo dentro de casa, encontrar a felicidade.


Tempestade de ideias sobre o que penso acerca de uma questão tão esquecida e ao mesmo tempo tão lembrada em nossa sociedade – o racismo. Qual é o papel de cada cidadão para combater esse atraso que é prejudicial à todos, não apenas aos negros? 


Um dia terei a oportunidade de ajudar a fazer com que muitos se orgulhem de ter descendentes africanos, talvez as escolas também possam fazer isso – teve que virar lei para que as pessoas, pelo menos grande parte delas dentro das escolas, começassem a se mobilizar. Mesmo assim, de certa forma, vejo que ainda tem muito trabalho a ser feito. Os livros de Maria Aparecida Bento cumprem este papel em minha vida, especialmente Cidadania em Preto e Branco. Todo mundo deveria ler este livro, sinto orgulho de saber de onde vim. 

A resolução adotada pelo Conselho Nacional de Educação em 22 de março de 2004, um ano depois de o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter promulgado a Lei 10.639, que torna obrigatório o ensino da História da África na Educação Básica, diz: O sucesso das políticas públicas do Estado brasileiro, institucionais e pedagógicas, visando reparações, reconhecimento e valorização da identidade, da cultura e da história dos negros brasileiros, depende necessariamente de condições (…) favoráveis para o ensino e para as aprendizagens; em outras palavras, todos os alunos negros e não negros, bem como os seus professores, precisam sentir-se valorizados e apoiados. Depende também, de maneira decisiva, da reeducação das relações entre negros e brancos, o que aqui estamos designando como relações étnico-raciais. Depende, ainda, de trabalho conjunto, (…) visto que as mudanças éticas, culturais, pedagógicas e políticas nessas relações não se limitam à escolaDiretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana.

 

Escola da Zona Norte de São Paulo é pichada com a frase “vamos cuidar do futuro das nossas crianças brancas”, acompanhada pela suástica. Por que isso ainda acontece?

No último dia 20 de outubro, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) lançou em São Paulo a campanha contra o racismo: “Por uma infância sem racismo”. A cerimônia aconteceu no CEU Jambeiro, em Guaianases, na Zona Leste da cidade. A iniciativa tem como objetivo fazer um alerta à sociedade sobre os impactos do racismo na infância e adolescência e sobre a necessidade de uma mobilização social que assegure o respeito e a igualdade étnico-racial desde a infância.

De sistemas em sistemas… Amores, dissabores… Já pensou se o dissabor – essa eterna sensação de coisas inacabadas, cobrando sempre quanto aos defeitos das pessoas – vem da própria insatisfação, que nunca será satisfeita, apenas por esperar perfeição do seu semelhante? De entregas em entregas… Sempre...