q

Jean Mello

Jornalista, especialista em Planejamento de Mídias Digitais (FGV) e Web Analytics (Google Academy).

São Paulo Tag

 

Desigualdades sociais recorrentes, enquanto sem esforço nenhum podemos ver na cidade de São Paulo tristes e grandes mansões, cercadas e guardando tesouros que se fossem  distribuídos com justiça anularia parte dessa realidade retratada acima, em muitas zonas periféricas. Quando vamos acordar em ver que em nosso tempo a sociedade grita por socorro? 

Para viver é preciso ter coragem, ainda mais em um sistema como esse que foi instaurado nesse mundo. Quem pode negar isso?

Enquanto busco alguma inspiração para escrever essas breves palavras, alguma coisa com relação às escolas me vem à mente. Não apenas a escola institucional… Outras realidades podem ser levadas em conta.

Ao visitar escolas em alguns lugares da Grande São Paulo, e até mesmo do interior, ouvi coisas assombrosas de professores, diretores e alunos. Será que apenas eles sabem dessa verdade? Às vezes acho que outros sabem e se calam. Qual é a relação que as escolas têm com a comunidade no entorno? Ainda acredito na educação que olha o outro como legítimo outro, se ela for colocada em prática.

 

 

Não é possível falar de Literatura Marginal sem mencionar Ferréz, sua obra que salta para novas mídias, seu compromisso duradouro com a periferia

@jeanmello12

“A conclusão que eu tive é que achei muito ridículo o discurso oficial [midiático e político] que defende que ‘podem voltar todos ao normal’. São Paulo está vivendo um novo período e ainda não descobriram. Muitas vezes me perguntam se caminhamos para uma guerra. Eu acho que isso já é uma guerra”. Neste trecho, de Ninguém é Inocente em São Paulo, Ferréz expõe sua visão sobre os conflitos que marcam a cidade — para usar a expressão de Mano Brown, outro desbravador das culturas periféricas – “a garoa rasga a carne”.

Não dá para pensar na ascensão da Literatura Marginal, e em sua visibilidade no cenário nacional e internacional, sem relação direta com os livros de Ferréz (no cartório, Reginaldo Ferreria da Silva). Ele estreou em 1997, com a Fortaleza da Ilusão, e permanece ativo e provocador desde entãoSerá mera coincidência ter surgido no mesmo ano do Sobrevivendo no Inferno, disco dos Racionais de mensagem contundente e um milhão e meio de cópias vendidas?

No livro Capão Pecado, seu primeiro romance (primeira edição, de 2000, esgotada em apenas dois meses), a relação entre o escritor e o rap fica ainda mais evidente. Poetas, cantores, escritores e articuladores do movimento hip-hop intercalam suas contribuições, registradas no livro, com a história, de tirar o fôlego e prender a atenção até o momento em que o enredo finalmente se resolve.

A Feira Preta, que nessa edição comemora dez anos de existência, proporciona amplo espaço para colocar a cultura afro-brasileira em destaque.  

Acontecerá, nos dias 17 e 18 de dezembro, a tão esperada Feira Preta, com uma série de apresentações e atividades de valorização da cultura afro-brasileira. No sábado começa às 13:00 horas e no domingo à partir das 12:00 horas.

Depois de dez anos de existência é hoje em dia a maior feira da cultura negra da América Latina. Desde sua primeira edição já recebeu mais de 90 mil pessoas. Ainda mais, na questão de programação, tendo muitas coisas para oferecer ao público que frequenta, já reuniu mais de 500 expositores e 400 artistas. Sendo assim, pra quem não conhece, digo que nesse ano é imperdível. Será no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo.

Esperada por centenas de pessoas que apreciam a cultura negra no Brasil e sabem que ela é importante para todos e não apenas para os negros, a feira reúne empresários, escritores, artistas, pessoas de diversos movimentos sociais, representantes de religiões de matriz africana, etc., todos em prol da valorização daquilo que existe de riqueza histórica. Primeiro criada para atender diversas demandas do seguimento, hoje rompendo barreiras que foram colocadas, uma à uma, após esses dez anos.

 

 

E quantos aos educadores… Sim, àqueles que ainda acreditam que algo pode mudar, até mesmo em suas práticas pessoais, colocando em xeque até mesmo o que se tem como absoluta. Para vocês também é que essa breve carta está sendo escrita. Apenas faço um alerta, antes de tudo, que não espere encontrar nenhuma resposta por aqui. Considero que apenas encontrará outros questionamentos, coisas que precisarão ser formuladas.

Posso até dizer, sem medo de me enxergarem como alguém desconexo da realidade… Tenho muito amor pelas coisas que todos educadores enfrentam em todo território brasileiro. Uma das realidades é que muitos professores são submetidos, todos os dias, a condições sub-humanas. A sala de aula é o palco da guerra, tanto para os educandos quanto para os educadores. Já cansei de ver angústias que poderiam ser evitadas. E quanto aos sacrifícios? Quantas coisas têm acontecido em escolas de todo país e quase ninguém tem se dado conta de que a luta é legítima.

Sem contar, com todas as letras, sem mais delongas, que pode acontecer mais casos de Realengo se alguma medida não for tomada.  Deixa eu me explicar, até mesmo para que meus textos não sejam destorcidos por ninguém: não torço para que ninguém morra nas mãos de ninguém. Sou a favor dos sonhos, tanto é que tenho dentro de mim todos os sonhos do mundo. Mas, sem esconder nada, estamos sabendo para onde ir? Estamos, em nossa sociedade, sabendo educar as crianças e os adolescentes? Quantos pais e filhos perdidos em seus próprios desígnios, não sabendo nada acerca da própria educação, sabendo dos níveis básicos, quase ninguém está dando conta.

 

 

Quanto mais a comunidade escolar se une em prol das necessidades da educação, mais existe desenvolvimento e encontra meios de superar as dificuldades que vão aparecendo pelo caminho – sempre dá pra arrumar desculpa para não enfrentar os problemas de frente e colocar a culpa em terceiros.


Aplaudo de pé diretores que encaram a função de representação da escola.

Choro de emoção ao ver que a maioria dos professores são verdadeiros heróis, até mesmo por diariamente viverem a realidade de ter três turnos de trabalho, muito mais de oito horas por dia, para poder garantir um salário que está muito longe de ser digno. Isso sem contar os períodos de correção de prova e outras atividades que os deixam longe de atividades pessoais e familiares. Ainda os chamam de preguiçosos, falando que nunca fazem nada. Queria ver qualquer pessoa que escreve nessas colunas, falando barbaridades, ficar ao menos um dia no lugar dos heróis da educação. Não seriam capazes, não conseguiriam suportar a responsabilidade, quando não exploração, de estar no ambiente escolar, muitas vezes hostil por conta da vulnerabilidade social. Quem é que pode opinar acerca de uma realidade que não vive? Acho que perdi essa parte da história que dá legitimidade para alguém que está sentado atrás de um computador dizer o que é ou não verdade.

Em 14 de setembro de 2011, como um dos participantes do ciclo de palestras sobre empregabilidade, contando com profissionais dos mais diversos, falei sobre minha atuação enquanto educador social, blogueiro e escritor para dois grupos de jovens de primeiro ano de ensino médio da Escola Estadual Hadla Feres.

Em Carapicuíba, que hoje em dia tem por volta de 400.000 habitantes, a escola fica a mais ou menos meia hora do centro da cidade em um bairro chamado Vila Dirce. Não dá para repetir o jargão que envolve questões estruturais ou problemas de vulnerabilidade social que atinge também esse bairro e por consequência a escola. Trocar aqui algumas informações tem que me fazer colocar em evidência o que a comunidade escolar feito resolver o que aparece pelo caminho. Pelo menos essa é a visão que tenho e que é respaldada por alguns educadores que admiro.

É bom ressaltar que essa foi uma iniciativa da própria escola e que pode se desdobrar em outras mobilizações. Uma das coisas que me chamou atenção foi o envolvimento de parte do corpo docente, representado pela professora e mediadora de conflitos, Raquel Bertolai e da direção, que promoveu toda articulação através do diretor e também escritor José João de Alencar – Psicanálise e Educação: A escuta e a fala na escola pública e o fortalecimento dos laços sociais, esse é o nome do livro que ele escreveu e que esses dias terminei de ler, recomendo para quem quer fazer algo para que o ambiente escolar seja mais humanizado e humanizante. Será que nas escolas, de um modo geral, as pessoas enxergam o outro como legítimo outro?