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Jean Mello

Jornalista, especialista em Planejamento de Mídias Digitais (FGV) e Web Analytics (Google Academy).

Rap Tag

Nova interpretação, instrumental tocante, poesias soltas no ar para combater qualquer mal que nos assola desde tempos não alcançados por qualquer memória histórica.

Dez anos depois do lançamento da versão original de Ainda há tempo, Criolo nos presenteia novamente. Música muito conhecida pelos fãs. Uma das mais famosas.

Amar é perigoso! Dizer que ama e tentar de todas as formas mostrar as bonitas facetas do amor pode te fazer viver um sofrimento absurdo. Na verdade, não raro é, infelizmente, seres humanos que brincam e zombam do seu ato de amar. Ou, ainda indo mais pra frente, quando você tenta se aproximar de um amor incondicional, algo que nossa natureza humana não alcança completamente, as consequências podem demonstrar a verdade de que “o amor de muitos frio está”. Isso já é presente ao seu lado. Já percebeu?

Visões sobre artista que canta contra a acomodação e é capaz de participar de programas de grande audiência mantendo-se crítico, contundente e rebelde

Publicado em Outras Palavras

“Combatente não aceita. Comando de canalhas que a nós não respeita.
Excluído, iludido… Quem nasce na favela é visto como bandido! Rouba muito, magnata… Não vai para cadeia e usa terno e gravata. Causa e efeito… Só dever sem direito”. (MV Bill)

Raro nos dias atuais alguém conseguir desmistificar aspectos cruciais da situação que o Brasil vive, principalmente em pouco mais de cinco minutos. Nesse clipe lançado em abril de 2011, MV Bill incorporou questões extremamente relevantes para entendimento daquilo que realmente é o “País Tropical”.

Lógico que nada dá pra ver e dar um completo amém. Tampouco dizer que toda produção do cantor é tão madura quanto essa música.

Controvérsias à parte, conferir detalhes da obra que inspirou esse texto permite compreender melhor como se comporta um sistema cuja lógica inclui conservar as misérias e as desigualdades sociais. Também é um dos pedaços do quebra cabeça para montar o que muita gente espera que aconteça de vez por aqui: negros dizendo aquilo que apenas os negros viveram e ainda vivem.

Como diz o MV Bill, “a superação me emociona, mas a apatia dos irmãos me decepciona”. Para enfrentá-la, o artista volta a romper as fronteiras da pura crítica. Sua arte retoma e reinterpreta. 

Acontecimentos que já afligiram as periferias de todas as metrópoles brasileiras. Desde as investidas da polícia, como braço do poder para disseminar o medo, até a falta de oportunidade aos jovens, sobrando poucas alternativas para levar a vida à frente.

Com imagens que lembram um fanzine ou história em quadrinhos, o som vai ilustrando aquilo que vemos. Ou será que é a imagem que diz exatamente o que ouvimos?

Em alguns momentos, MV Bill foi acusado de sensacionalismo e apologia ao crime. Recentemente, negou as investidas de vários canais de comunicação, segundo os quais teria espancado a irmã pauladas. Disse em nota oficial que sua familiar sofre de problemas psicológicos e que jamais cometeria tal ato.

Bate de frente com o que diz combater. No programa do Faustão, vídeo que está quase batendo na casa de dois milhões de visualizações, canta com fervor as contradições da grande mídia. Em dado momento foi cortado ao vivo, mas já tinha dado vários minutos de recados contundentes.

Alguns se perguntam se um rapper deve aceitar esse tipo de convite. Ele e alguns outros optaram por ir e dizer o que pensam. Os mais tradicionais não querem nem chegar perto. Recentemente, Emicida concedeu uma entrevista ao SBT que teve boa repercussão — só que nem sempre é assim que funciona.