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Jean Mello

Jornalista, especialista em Planejamento de Mídias Digitais (FGV) e Web Analytics (Google Academy).

Preconceito Tag

 

Empresas continuam com as mesmas práticas segregacionistas, herança do regime escravocrata. O que muitas delas não sabem é que o público mudou, a geração de hoje, ao contrário daquilo que é divulgado, não aceita qualquer coisa como verdade estabelecida. A prova disso é como injustiças estão sendo divulgadas em redes e mídias sociais. Se as empresas não valorizarem e acolherem a diversidade, ficarão para trás nessa lógica de mercado que elas tanto defendem

Questões formais são observadas nas escolas de educação básica e nos templos universitários. Elas têm sua importância e não nego. Digo ainda mais, são primordiais. Mas elas não devem, sobretudo, ultrapassar o bom senso de observar, com muito cuidado, que o ser humano é muito mais que as regras estabelecidas.

Notas de provas não definem quem o aluno é realmente. A não presença em alguns momentos deve-se, logicamente, provocar professores em tentar perceber quais são os motivos da falta de constância nas atividades. Seria apenas a definição simplista que acusa o outro de pura falta de interesse a solução? Ou dá pra ir mais a fundo?

Instituições maduras questionam-se sempre, regras são fundamentais para produção de ordem [1] e sentido das coisas. Só não podem, de modo algum, sobrepor o que pode nos instigar a ver o outro como legitimo outro, sabendo que esse outro pode estar vivendo uma fase única da vida e que essa fase pode ser interrompida, ou mesmo adiada, por uma leitura equivocada de alguém que representa uma espécie de autoridade [2]. Mais que regras, as pessoas precisam saber de princípios. Mais que imposições, na sociedade atual, também chamada de era da informação, é mais que necessário o entendimento de que o mundo está mudando e muito rápido e, com isso, a forma que as pessoas, sobretudo os jovens, decodificam as informações.

Não é raro, por exemplo, instituições, sem duvidar logicamente da seriedade delas, errar em suas metodologias, mesmo que sejam pensadas por profissionais muito competentes.

http://youtu.be/_aPYuKiKFMg Efeitos do racismo na infância. É impossível não perceber o quanto isso permeia nossa sociedade. Quem acessa sempre essa página sabe que trato em diversos textos essa questão. Porém, nunca é demais lembrar que, de fato, ainda falta muito para sermos realmente livres do racismo. Separo...

Quem não viu nada nesse país chamado Brasil nada pode dizer. São casas de madeira, poucas com sustentações de vigas, enquanto outras custam milhões de dólares.

Um livro que não sai da minha mente é Capão Pecado. Acho que a leitura dele fez com que algumas peças de um quebra-cabeça se juntassem, principalmente quando penso nas diversas favelas que pisei. Os motivos foram diversos… Um deles a educação em sinergia com as articulações sociais. Quem poderia imaginar? Agora, quanto à leitura do livro, recomendo. Além da leitura é importante você ir a algum lugar ver o trabalho de quem faz coisas inimagináveis, pelo sonho de acreditar que a revolução que acontece na periferia influencia não apenas por lá, mas, também, nos grandes centros. Essa revolução cultural, como sempre acontece sem a velha mídia pautar, a não ser quando o assunto decorrente são as tragédias, é inevitável.

Penso nessa questão da própria visibilidade. Em alguns momentos pessoas são visíveis pelos erros que cometem, mas nunca pelos acertos. Isso não dá audiência. Nenhum patrocinador quer dar cobertura ao sucesso de quem nada tem de material. Aí fica por isso mesmo, pessoas pobres ficam mais pobres ainda quando uma mãe  tem que dar um depoimento na televisão dizendo que deu tudo ao seu filho e mesmo assim ele escolheu a vida do crime. Ela deu tudo… Agora, e o governo? E as empresas racistas? Será que os que mais vão para esse caminho encontram escolas dignas em seus bairros? Quero refletir com cuidado, com certa criticidade, sabendo que muitos nem terminam o ensino fundamental e já vão para o mercado de trabalho para garantir o sustento de um lar que muitas vezes os filhos nem sequer conhecem o pai, que abandonou ou foi assassinado em algum lugar. Que tipo de futuro em um país extremamente segregacionista esses meninos e meninas têm? Sim, eles são capazes de conquistar coisas e de ter um futuro brilhante. Agora, quem resiste a todas as barreiras impostas pelo capitalismo? Pare, pense e veja como é viver em um mundo como o nosso…

 

Conheço muitos jovens que gostam de caminhar de noite, encontrar nestas idas e vindas a liberdade. Mas não me contento com isso, pois a realidade não demonstra jovens tão livres assim.

No Grajaú, bairro chamado Cantinho do Céu, participei de um projeto social em que fui educador de alguns jovens, em oficinas de comunicação comunitária.  Essa foi uma iniciativa do Cenpec junto com a Cidade Escola Aprendiz, num programa chamado Jovens Urbanos, em parceria com banco Itaú – o projeto é muito maior, mas essa era a parte de minha responsabilidade.

Era apenas uma experimentação, com encontros pontuais em que tínhamos o objetivo de através da comunicação descobrir e divulgar o que os moradores daquele lugar consideram como cultura e quais eram os lugares, ou mesmo as práticas, quando não aspectos da própria história do bairro, que tinham relação direta com a cultura local. Para falar disso, a fim de que outras pessoas soubessem das coisas que lá fizemos, usamos algumas ferramentas de comunicação. Os depoimentos dos próprios moradores eram o nosso alicerce…