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Jean Mello

Jornalista, especialista em Planejamento de Mídias Digitais (FGV) e Web Analytics (Google Academy).

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De sistemas em sistemas… Amores, dissabores… Já pensou se o dissabor – essa eterna sensação de coisas inacabadas, cobrando sempre quanto aos defeitos das pessoas – vem da própria insatisfação, que nunca será satisfeita, apenas por esperar perfeição do seu semelhante? De entregas em entregas… Sempre...

 

Nos últimos anos pude participar e mediar algumas sessões de Terapia Comunitária em escolas, parques, organizações não governamentais e até mesmo em igrejas evangélicas.

É bom perceber que tem jovens que estão questionando certos padrões que já não mais funcionam. Não apenas no sentido religioso, mas nas questões tradicionais.

A tradição que não contribui para a formação de pensadores, e sim de reprodutores de “verdades” que ninguém sabe em que lugar surgiu.

Tradição que reprime professores que ao invés de levar aulas prontas, escolhem aprender e ensinar ao mesmo tempo. Lógico que para isso a preparação tem que ser mais que a daquele que apenas é um papagaio, quem também apenas reproduz.

A Educação não está restrita à escola. As pessoas se educam em comunhão, reconhecendo que um pode olhar ao outro. Encontrando a plenitude, posso olhar para meu próximo, sabendo que ele também pode ser meu educador.

Às vezes a pessoa que está ao meu lado pode contribuir para minha formação tanto quanto o professor contribui. Quem é que detém as técnicas? Elas estão restritas apenas às universidades? Considero a importância dos conhecimentos que são adquiridos ao longo de uma formação acadêmica, que jamais acaba. Uma trajetória de ganhos imensuráveis. Mas, não posso restringir a sabedoria a um padrão, por saber que alguns conhecimentos, populares, nenhum doutor possui.

A sabedoria popular é uma universidade livre, que não dá diplomas. O saber transcende um trabalho de conclusão de curso, ou uma banca de apresentação científica. Não tem como comparar o que aprendemos com o que a universidade formal chama de senso comum. É esse senso comum que guia a vida de muitas pessoas, que são felizes. Porém, foi a ciência que legitimou práticas discriminatórias, ou mesmo de inferiorização de determinadas culturas. O que é comunitário não pode ser classificado por nenhuma teoria científica. Dou valor à ciência, mas ela não é soberana. Agora, sou a favor do cientista estar presente em atividades escolares, comunitárias, desde que ele seja mais um participante, contribuindo com seu saber e respeitando os saberes dos outros.

 

 

E quantos aos educadores… Sim, àqueles que ainda acreditam que algo pode mudar, até mesmo em suas práticas pessoais, colocando em xeque até mesmo o que se tem como absoluta. Para vocês também é que essa breve carta está sendo escrita. Apenas faço um alerta, antes de tudo, que não espere encontrar nenhuma resposta por aqui. Considero que apenas encontrará outros questionamentos, coisas que precisarão ser formuladas.

Posso até dizer, sem medo de me enxergarem como alguém desconexo da realidade… Tenho muito amor pelas coisas que todos educadores enfrentam em todo território brasileiro. Uma das realidades é que muitos professores são submetidos, todos os dias, a condições sub-humanas. A sala de aula é o palco da guerra, tanto para os educandos quanto para os educadores. Já cansei de ver angústias que poderiam ser evitadas. E quanto aos sacrifícios? Quantas coisas têm acontecido em escolas de todo país e quase ninguém tem se dado conta de que a luta é legítima.

Sem contar, com todas as letras, sem mais delongas, que pode acontecer mais casos de Realengo se alguma medida não for tomada.  Deixa eu me explicar, até mesmo para que meus textos não sejam destorcidos por ninguém: não torço para que ninguém morra nas mãos de ninguém. Sou a favor dos sonhos, tanto é que tenho dentro de mim todos os sonhos do mundo. Mas, sem esconder nada, estamos sabendo para onde ir? Estamos, em nossa sociedade, sabendo educar as crianças e os adolescentes? Quantos pais e filhos perdidos em seus próprios desígnios, não sabendo nada acerca da própria educação, sabendo dos níveis básicos, quase ninguém está dando conta.

    Alguns filhos são abandonados pelos pais simplesmente porque os pais acham que não poderão dar uma boa formação, a famosa da insegurança, ou mesmo por questões financeiras. Não dá para negar que em algumas situações o egoísmo impera. O abandono não é um problema novo. No...

 

 

Quanto mais a comunidade escolar se une em prol das necessidades da educação, mais existe desenvolvimento e encontra meios de superar as dificuldades que vão aparecendo pelo caminho – sempre dá pra arrumar desculpa para não enfrentar os problemas de frente e colocar a culpa em terceiros.


Aplaudo de pé diretores que encaram a função de representação da escola.

Choro de emoção ao ver que a maioria dos professores são verdadeiros heróis, até mesmo por diariamente viverem a realidade de ter três turnos de trabalho, muito mais de oito horas por dia, para poder garantir um salário que está muito longe de ser digno. Isso sem contar os períodos de correção de prova e outras atividades que os deixam longe de atividades pessoais e familiares. Ainda os chamam de preguiçosos, falando que nunca fazem nada. Queria ver qualquer pessoa que escreve nessas colunas, falando barbaridades, ficar ao menos um dia no lugar dos heróis da educação. Não seriam capazes, não conseguiriam suportar a responsabilidade, quando não exploração, de estar no ambiente escolar, muitas vezes hostil por conta da vulnerabilidade social. Quem é que pode opinar acerca de uma realidade que não vive? Acho que perdi essa parte da história que dá legitimidade para alguém que está sentado atrás de um computador dizer o que é ou não verdade.