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Jean Mello

Jornalista, especialista em Planejamento de Mídias Digitais (FGV) e Web Analytics (Google Academy).

Incentivo à Leitura Tag

Release de Fim de tarde

“Retratos de acontecimentos inesquecíveis… Sonhos comuns e incomuns de um personagem qualquer que vê a realidade de modo único. Pelo significado, subjetivo, que pode se dar às questões – atuais e antigas – que permeiam o pensamento e fazem com que tudo seja repleto de senso crítico, sem perder a veia poética e, muitas vezes, até o romantismo, que nem sempre é carregado de ingenuidade.” (Fragmento de Fim de Tarde coletânea de crônicas de Jean Mello)

Texto meu publicado na revista eletrônica número 14 do site Viva Favela.

Não caçamos os pretos, no meio da rua, a pauladas, como nos Estados Unidos. Mas fazemos o que talvez seja pior. A vida do preto brasileiro é toda tecida de humilhações. Nós tratamos com uma cordialidade que é o disfarce pusilâmine de um desprezo que fermenta em nós, dia e noite.

Nelson Rodrigues

Somos o segundo país do mundo em número de negros, ficando apenas atrás da Nigéria, demonstra o Portal Raízes. Isso não quer dizer que temos políticas eficazes direcionadas para um povo que tão mal tratado foi durante a história e, ao mesmo tempo, tão representativo é em nossa cultura.

Segundo o Portal Brasil, os afrodescendentes constituem 51,1% da população brasileira; em 2009, 6,9% das pessoas informaram ser pretas e 44,2% de autodeclararam pardas, o que representa 51,1% dos brasileiros. Números significativos ao levarmos em conta o fato de que as pessoas estão se declarando negras ou pardas, mesmo com uma imagem tão estereotipada do negro nos livros didáticos, na mídia tradicional ou nas redes sociais. Ou seja, inúmeros são os motivos para as pessoas não desejarem serem vistas como negras, descendentes de africanos.

Um salto para um dos acontecimentos em que o racismo mais se evidenciou na história: os tráficos negreiros.

Corro o risco de ouvir argumentos de que a “escravatura foi uma prática de todas as sociedades humanas num ou outro momento da história”, como nos informa a escritora e historiadora Elikia M´Bokolo, em seu livro África Negra: Histórias e Civilizações. Certamente, sabemos que sim. Mas, ao mesmo tempo, a escritora complementa dizendo que “nenhum continente conheceu, durante um período tão longo (séculos VII – XIX), uma sangria tão contínua e tão sistemática como o continente africano”.

Sempre depois de alguma afirmação que acentua a crueldade a que negros e negras do continente africano foram submetidos, vem a clássica pergunta: os próprios negros entraram em acordo comercial com os europeus, a culpa não é dos próprios africanos? Responda você mesmo… Será que cairemos mais uma vez na armadilha de culpar os oprimidos?

Referências para remontarmos os fatores históricos não falta. Mais interessante é olhar para materiais que façam a relação do passado com o presente que hoje vivemos. Um deles, que não me canso de ver é Quanto Vale ou é por Quilo? Trata-se de uma analogia entre o antigo comércio de escravos e a atual exploração da miséria pelo marketing social, que forma uma solidariedade de fachada. Sabemos, vemos e nada falamos.

 

Relacionei no post Caminhos Cruzados… O que 2011 foi pra mim? alguns dos meus artigos que foram publicados na blogosfera. Algumas pessoas que entraram em contato com o conteúdo pediram pra que eu relacionasse outros textos do meu próprio blog, separando-os por temáticas. Como aprecio a ideia de comunicação compartilhada, mesmo em seu modo mais simples, acato a sugestão e farei o máximo para nortear àqueles que desejam ler alguns dos textos. Boa leitura!


Tempestade de ideias sobre o que penso acerca de uma questão tão esquecida e ao mesmo tempo tão lembrada em nossa sociedade – o racismo. Qual é o papel de cada cidadão para combater esse atraso que é prejudicial à todos, não apenas aos negros? 


Um dia terei a oportunidade de ajudar a fazer com que muitos se orgulhem de ter descendentes africanos, talvez as escolas também possam fazer isso – teve que virar lei para que as pessoas, pelo menos grande parte delas dentro das escolas, começassem a se mobilizar. Mesmo assim, de certa forma, vejo que ainda tem muito trabalho a ser feito. Os livros de Maria Aparecida Bento cumprem este papel em minha vida, especialmente Cidadania em Preto e Branco. Todo mundo deveria ler este livro, sinto orgulho de saber de onde vim. 

A resolução adotada pelo Conselho Nacional de Educação em 22 de março de 2004, um ano depois de o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter promulgado a Lei 10.639, que torna obrigatório o ensino da História da África na Educação Básica, diz: O sucesso das políticas públicas do Estado brasileiro, institucionais e pedagógicas, visando reparações, reconhecimento e valorização da identidade, da cultura e da história dos negros brasileiros, depende necessariamente de condições (…) favoráveis para o ensino e para as aprendizagens; em outras palavras, todos os alunos negros e não negros, bem como os seus professores, precisam sentir-se valorizados e apoiados. Depende também, de maneira decisiva, da reeducação das relações entre negros e brancos, o que aqui estamos designando como relações étnico-raciais. Depende, ainda, de trabalho conjunto, (…) visto que as mudanças éticas, culturais, pedagógicas e políticas nessas relações não se limitam à escolaDiretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana.

 

Por Germano Gonçalves (O Urbanista Concreto)

 

Quem não quer sonhar num país que diz ser: divertido, descontraído e democrático.

Meninos e meninas, jovens e adolescentes, sonhando em serem: jogadores, músicos, escritores, artistas e modelos ou simplesmente bandoleiros de um sistema que não podemos mudar que temos que seguir custe o que nos custar, mas são livres para pensar, agir e ao menos tentar vamos nos atrever para termos a visão prática das coisas, alguém tem tudo para ser, mas não tem nada para fazer impedido por um conjunto de princípios.  

A ganância é a que nos corrompe é a que nos compra e se não vendemos sofremos, mas não vamos nos alugar vamos lutar. E nós somos assim, fazemos o nosso melhor sonhamos e tentamos não paramos, param conosco, ainda assim Deus está comigo, contigo com nós até o pescoço e realmente é para ser assim fosse o contrario um homem não teria tentado a engolir um caroço, deixando para nós os destroços de um destino à escondida que ninguém sabe o segredo, é preciso fazer uma opção de vida, mostrar o nosso caráter mesmo que os reis, os patrões, a elite nos achem esfarrapados, miseráveis e condenados aos seus poderes de que as forças mentais têm que seguir.