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Jean Mello

Jornalista, especialista em Planejamento de Mídias Digitais (FGV) e Web Analytics (Google Academy).

Deus Tag

Nem dá pra saber o que escrever e o que dizer… Uma coisa que já me vem à mente é que temos uma história muito inconstante e repleta de coisas boas e ruins. Agora, qual é a família que não tem? Como nos ensinou nosso grande amigo e redentor, Jesus Cristo, quem nunca errou que atire a primeira pedra. Aliás, se não fosse o evangelho, puro e simples, o que seria de qualquer um de nós? Pena que são inúmeras as coisas que ofuscam nossa visão acerca da verdade, simplesmente porque quase nada nesse mundo pode se colocar diante Dele; quase todos os olhares são interesseiros; vivemos em um mundo em que a pureza está apenas nas crianças. Mas, mesmo assim, quando elas [as crianças], passam a conviver com os adultos, a única coisa que elas aprendem é como ser impuras. Sim, elas ficam soberbas, amarguradas, manipuladoras, mentirosas, etc., tudo pelo fato de sermos inspiradores de tudo que consiste no não perdão e na falta de amor sem razão. Não sabemos amar! Deve ser por esse motivo que Jesus disse para sermos como as crianças, delas é o Reino dos Céus. Já pensou se fossemos assim? Não conseguimos: política, trabalho, cartão de crédito, interesses, racismo, preconceito, sentimentalismos manipuladores, inconstância atrás de inconstância, verdades absolutas, caindo de engano em engano. Além de tudo isso, ainda, para a tristeza de todos, vemos, enquanto humanos, diversas formas de tirar proveito das situações.

Na falta de caminhada e até mesmo na incompreensão é que muitos estão situados, em não entender o mundo em sua plenitude. Qual é a voz que precisa ser ouvida para que possamos entender a tal da realidade? E como é que dá para “classificar”...

Uma noite espetacular, diferente de outra qualquer, única, fazendo parte de uma história sem precedentes. Homens e mulheres caminhando pelo luar na cidade grande e em um mundo completamente hostil e cruel.

Havia todos os tipos de pensamentos e atitudes no coração de cada pessoa que caminhava pela Avenida Paulista. Uns queriam ir ao cinema ver filmes alternativos, outros apenas tomar um café. A grande maioria das pessoas apenas caminhava e contemplava  a beleza daquela noite tão importante.

O maravilhoso era ver os artistas compartilhando suas obras ao ar livre. Os olhos mais atentos queriam ver a beleza de tudo que estava disponível naquele lugar. Riqueza entregue gratuitamente, ou melhor, pelo preço que todos podiam ou queriam pagar. Cada um produz seu próprio preço para visualizar coisas que é fruto de muito esforço. Quem foi que disse que arte é sinônimo de relaxo? Ao contrário, o artista muito busca para encontrar sentido em sua própria arte, muitas pessoas é que não dão valor.

Estarei de cabelos grisalhos, num dia distante, e não vou parar de discursar a favor da liberdade. Ainda que muitos achem que falo apenas tendo como base o radicalismo, não penso em mudar minhas práticas, apenas no que diz respeito ao amadurecimento que o tempo vai trazer. Como negar o que vejo de modo tão evidente?

O essencial é sempre estar com a consciência tranquila e saber que trabalhar para o fim da discriminação racial é atuar em prol de um país que não sufoque a riqueza da diversidade.

Utopia? Prefiro acreditar em uma das afirmações do escritor José Saramago: utopia é apenas o amanhã. Para ele esta palavra não sinaliza algo que nunca vai existir. Ela é apenas o discurso do não existente hoje. Ao passar dos dias algo de agradável pode acontecer. Isso tudo pude ver no Fórum Social Mundial de 2005, em Porto alegre.

Neste ano de 2010 os olhos de muitas pessoas no mundo inteiro estavam voltados para a Copa do Mundo da África do Sul. Apesar da breve campanha da seleção brasileira, de certa forma, fiquei feliz com alguns acontecimentos. Adorei ter visto Nelson Mandela. Com seus noventa anos, sem dúvida nenhuma, ele á uma das figuras mais representativas na luta contra o racismo.

Vinte e sete anos de prisão do corpo, mas não da alma. Não tenho a ilusão de que acabou. Porém, não dá para desconsiderar tudo que o mundo pode ver através do trabalho realizado contra o regime apartheid. Daqui pude sentir, mesmo tendo vivido em outra época e muito longe, geograficamente, da África. Isso não faz diferença… Meus antepassados viveram lá e de alguma forma pude ver o que se configurou no continente que foi roubado, depois da colonização.

Que tempo injusto para Nelson Mandela. O melhor foi saber que a semente plantada por ele foi linda. Vivo em uma geração que pode colher coisas importantes, de uma árvore plantada junto aos ribeiros de águas, na luta contra a discriminação racial travada na África do Sul. A coragem que moveu o coração de grandes articuladores, liderados por Nelson Mandela, num país tomado por leis e práticas contra a população negra, é de arrepiar.