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Jean Mello

Jornalista, especialista em Planejamento de Mídias Digitais (FGV) e Web Analytics (Google Academy).

Crônicas Tag

“Exalando Esperança” é um dos livros de minha autoria. Em breve terá nova edição da publicação. Novo projeto gráfico e nova linha editorial.

Divulgo por aqui uma música, completamente instrumental, que compus enquanto estava escrevendo o livro. Junto com ela alguns passos que tenho dado nessa minha nova fase enquanto escritor.

Por Jean Mello

Não conheço profundamente a literatura africana e os aspectos históricos que comprovam o quanto essa cultura influenciou a nós brasileiros. Eu disse que não conheço os detalhes, mas tenho noção do impacto que tudo isso gerou em minha vida enquanto escritor.

Não me culpo por isso – digo a respeito de não saber quase que na totalidade – mesmo sendo um escritor, um jovem intelectual à beira dos 33 anos de idade.

Concorra ao meu livro mais recente, “Fim de Tarde”. Como autor, minha principal inspiração foi, dia após dia, ver o sol se esconder e, junto com isso, presenciar algum fenômeno tão belo quanto esse a minha volta: músicos de rua se apresentando na Avenida Paulista; uma mãe incentivando seu pequeno filho a ler; os professores que lutam para educar em escolas com estrutura precária e sem nenhum incentivo do poder público; as famílias periféricas remando contra maré.

Tudo isso me inspira.

por Jean Mello, texto escrito para o site Viva Favela

Nas casinhas ainda inacabadas, em intermináveis reformas, tocam os despertadores. Às 4h da manhã, na região periférica de São Paulo, pais e mães de família pulam da cama para garantir o sustento, o pão de cada dia.

galo que canta é a necessidade de sair, sempre correndo, indo contra o tempo, sem parar para ver o sol nascer. O café da manhã difere bastante daquele servido nos hotéis em que os turistas são recebidos em nosso país.

Em muitos pontos de ônibus, barracas montadas vendendo café com leite, coxinhas fresquinhas, salgados de modo geral, chocolate quente, bolo de muitos sabores etc. Este trabalho é resultado do suor de famílias que dão um duro danado para dar “sustento” aos que também cedo madrugam e não têm tempo para alimentar-se direito. Claro, não poderia deixar de lado, de modo algum, sempre esses espaços estão lotados, gente pagando pouco e comendo bem, tudo quentinho, feito com muito cuidado e carinho.

Em muitos lugares não falta o que colocar na mesa, mas, o tempo é inimigo. Não raro é engolir o que é preparado rapidamente – e não mastigar direito – antes de encarar o busão, ou simplesmente o trânsito, escutando um som num confortável carro popular. Já que o crédito para tirar um seminovo, ou um ainda recém-saído da fábrica, está facilitado, dá pra pagar em até cinco anos, com a possibilidade de refinanciar, caso se enforque no caminho.