q

Jean Mello

Jornalista, especialista em Planejamento de Mídias Digitais (FGV) e Web Analytics (Google Academy).

Brancos Tag

Nesse dia eu estava correndo no Parque Villa Lobos. Sei lá, deu vontade de ir lá e correr. Não moro perto, estava de passagem. Tinha trabalhado o dia inteiro.

Entrei, andei pelo parque. Vi pessoas brincando, namorando, sentadas, conversando, dando risada, lendo, cantando. Estava bem bonito o dia. Eu estava muito observador. Pensativo, mas observando tudo. Coisa de quem escreve. Não procuro algo que me inspire. Tudo me inspira. Muitas coisas são encantadoras. As pessoas são, as paisagens também, as músicas do cotidiano, a vida.

Com amor nas mãos e o sentimento de um sujeito inacabado nesse miserável coração. Em busca do inalcançável. Em sinergia com o medo atual que invade cada sentimento impuro. Multiplicando o que pode gerar vida. Com as mãos estendidas para dar vazão ao que brota em...

 

Em sua maioria, vítimas são migrantes, homens, que partiram do Nordeste. E, em 80% dos casos, negros ou mestiços.

@jeanmello12

Em 2004 o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) criou um mecanismo — nomeado Lista Suja – para registrar empresas flagradas na ilegalidade do trabalho infantil e trabalho escravo. Em 2011 o Brasil bateu o infeliz recorde de pessoas físicas ou jurídicas constantes da lista: houve 52 novos autuados, totalizando 294 empresas ou empregadores individuais envolvidos nesta prática criminosa.

Embora sem destaque na mídia, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) — lançou, em outubro de 2011 o perfil das pessoas que estão sob regime escravo. Constatou que mais de 50% do contingente é composto por homens com até 30 anos. Em sua maioria, são migrante do Nordeste. Dentre todos, 80% são negros ou pardos. Será a continuidade daquilo que o país viveu desde o período colonial?

Cento e vinte anos após a “Lei Áurea”, as manchas da segregação continuam presentes na sociedade brasileira. O fenômeno não é exclusivo dos grotões: repete-se mesmo nas grandes capitais, conforme anuncia Eloi Ferreira de Araujo, presidente da Fundação Cultural Palmares: “Esse sistema é um modelo abominável adotado por segmentos de latifundiários e capitalistas, para acumulação de riqueza em detrimento da qualidade de vida dos trabalhadores”.

 

Escola da Zona Norte de São Paulo é pichada com a frase “vamos cuidar do futuro das nossas crianças brancas”, acompanhada pela suástica. Por que isso ainda acontece?

No último dia 20 de outubro, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) lançou em São Paulo a campanha contra o racismo: “Por uma infância sem racismo”. A cerimônia aconteceu no CEU Jambeiro, em Guaianases, na Zona Leste da cidade. A iniciativa tem como objetivo fazer um alerta à sociedade sobre os impactos do racismo na infância e adolescência e sobre a necessidade de uma mobilização social que assegure o respeito e a igualdade étnico-racial desde a infância.

Muita gente tem falado do trampo do Emicida. Acompanho uma coisa ou outra que vem pipocando por aí. Ele está com certa visibilidade na mídia. Quando falo isso não estou tendo nenhuma conotação irônica. Isso muito me agrada [não apenas pelos posicionamentos de simplicidade que...

Nessa oportunidade entrevisto Jéssica Gonçalves, estudante de Comunicação e Multimeios na PUC de São Paulo, editora e uma das idealizadoras do Baoobaa, site que tem contribuído pra que muitas pessoas ampliem o olhar acerca da cultura afro-brasileira, que mesmo com todos os avanços, inclusive na própria legislação, ainda não é lembrada e valorizada no Brasil. Sim, deixo um pouco de lado a imparcialidade e coloco um pouco do meu olhar sobre a questão. Até porque faço parte desse projeto – como cronista do site – que e a Jéssica tem tocado, junto com Rodrigo Kenan. Mas, minha opinião toma apenas essa pequena parte do documento. Esse espaço, como àqueles que acompanham minhas postagens sabem, não é meu, mas do entrevistado. Nesse caso, trazendo a tona a valorização da questão de gênero, que em sua história cruza com as questões étnicas, digo que está aberto esse canal de comunicação para a minha entrevistada.

Jean Mello – Fale um pouco de sua trajetória pessoal… Incluindo sua própria caminhada, como é que nasce o Baoobaa? Ou seja, além de um acontecimento pontual, que possa ter desencadeado o nascimento do projeto, algo que realmente quero que você aborde aqui, têm outras questões que você também leva em conta?

Jéssica Gonçalves – A minha trajetória começou quando nasci, numa família negra de classe média da cidade de São Paulo. Porém, como tudo se transforma e ganha novos contornos, a minha família também se modificou. Nossa condição social decaiu e cresci, com uma ótima educação, mas me deparando com algumas dificuldades para alcançar o que eu almejava.

Mas como uma boa brasileira, aprendi a não desistir nunca dos meus objetivos. Foi assim que entrei, em 2010, na Universidade. A Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – uma das melhores universidades privadas do estado. Tenho orgulho de dizer isso e acentuar que eu venci uma etapa, mesmo sabendo das dificuldades que eu iria encontrar pela frente, como a alta mensalidade, por exemplo.

Dentro da sala de aula, um choque: eu sou a única negra da minha turma! Foi aí que comecei a pensar no negro dentro das universidades. Comecei a me questionar, de fato, sobre inclusão/exclusão, preconceitos, racismos… E a ideia surgiu: o Baoobaa.