q

Jean Mello

Jornalista, especialista em Planejamento de Mídias Digitais (FGV) e Web Analytics (Google Academy).

Amor Tag

Um guitarrista virtuoso, não qualquer talento, encara a fatalidade, sentiu o cheiro desagradável da morte, em um grave acidente de carro. Felizmente escapa, mas contraiu ferimentos de gravidade imensurável. Um deles, fatal ao seu talento, pelo menos nas palavras dos médicos. Danos no sistema nervoso, afetando sua mão direita. Mas, pelo bem de sua arte, e seu próprio, não aceitou aquelas palavras que, por profissionalismo, os médicos deveriam dizer.

Poucas pessoas param para pensar e discursar acerca do impacto que as revoluções tecnológicas causa no cotidiano.

Enquanto fenômeno de caráter social – quando penso no número de informações que as pessoas acessam no cotidiano – os acessos à internet, de qualquer lugar, dinamiza e muito a visão que as pessoas passam a ter da realidade. São versões diversificadas de um mesmo acontecimento. Agora não apenas de algumas mídias oficiais, centradas apenas em compromissos com patrocinadores, chegam as notícias.

Diariamente busco com afinco as palavras mais próximas de resumir sentimentos, acontecimentos, realidades, fantasias, premissas observadas pela sensibilidade afiada que o ato de escrever e de ler o que está em cada esquina de minha existência só faz crescer, multiplicar em meu ser. Entre as inúmeras...

Publicado em Afrokut, em primeira mão!

Jean Mello

A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.

(Eduardo Galeano)

 

Em 2008 criei um singelo site (http://jeanmello.org/novo). Emergiu em mim um espírito militante, manifestação virtual daquilo que na realidade já sentia e participava há tempos. Influência de grandes mentores, gente que faz a diferença na história do Brasil. Lá cito os nomes deles e delas, principalmente os das mulheres negras.

***

Alerto que este não é um relato acadêmico, tampouco jornalístico. Trata-se de um texto livre, repleto de impressões e de coragem em compartilhar algo que conceituo como militância virtual, enquanto reflexo de mobilizações que acontecem na realidade. Apesar de aproveitar este espaço para falar um pouco de minha experiência com a questão, sei que não sou o único a embarcar nessa com intensidade.

Importante é o trabalho de quem insiste em remar contra maré, dizer o que não vemos nos canais televisivos de alienação.

Só não posso deixar de relatar, quem toca mídias alternativas, em sua grande maioria, são pessoas de classe média, quando não da alta. Mas eu disse em sua grande maioria, não significa que sejam todos. A juventude negra também está dando sua versão dos fatos. Isso não é de hoje, tornou-se apenas mais evidente.

Loucura, ousadia, tudo ao mesmo tempo… Eu também tenho alguns sonhos. Eles todos podem ser resumidos em uma só frase: igualdade de oportunidades para todos. Sim, jovens da periferia, sabendo que a grande maioria tem a cor de pele preta, tem de chegar de igual para igual, apropriando-se dos conhecimentos mais sofisticados. Isso inclui o uso da comunicação e das novas tecnologias. Podem ostentar, mas, em primeiro lugar, conhecimento.

Em um mundo repleto de complexidades, mais uma, em nosso tempo atual, trouxe para meu lado, sem pretensão de me colocar no lugar do saber, a descoberta do quanto a comunicação, que se pauta em dinâmicas sociais comunitárias, mexe com estruturas até então intocáveis na história.

Imagine colocar as mãos em um vespeiro? Tocar uma mídia alternativa no Brasil, que tenha consideráveis níveis de audiência, diária ou semanal, é mais ou menos isso.

O problema da ostentação é justamente a exaltação exagerada do consumo. Poder em que o que é caro pode calar vozes que antes tinham o que dizer. Irmãos e irmãs ajoelhados diante das ilusões enfiadas goela abaixo. Calma, deixe-me explicar meu singelo ponto de vista. Demorou...