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Jean Mello

Jornalista, especialista em Planejamento de Mídias Digitais (FGV) e Web Analytics (Google Academy).

Blog

É necessário tratar a discriminação perpetuada pela velha mídia. Muitas pessoas já estão questionando há algum tempo esse modelo de comunicação hegemônico

Entre os dias 29 de novembro e 1º de dezembro, foi realizada a oitava edição do seminário A Mulher e Mídia — Racismo e Sexismo na Mídia: uma questão ainda em pauta. Sua programação contou diversas discussões que ainda deixam as pessoas, de um modo geral, sem tantas possibilidades de intervenção, apesar de ser, sempre, com relação ao direito à comunicação e o racismo e sexismo, assuntos polêmicos.

Antes de falar de coisas mais formais, quais foram as instituições organizadoras, por exemplo, digo que apesar de trabalharem com algo diretamente ligado à comunicação, o seminário não contou com formas de divulgação em tempo real, como conexão à internet para os participantes, algo que seria fundamental para disseminar para mais pessoas o que estava sendo tratado. Se assim fosse, os conteúdos poderiam ser postados nas redes sociais com o link da transmissão ao vivo que estava sendo feita.

Realizado pelo Instituto Patrícia Galvão, Secretaria de Políticas para as Mulheres, Secretaria de Promoção de Políticas da Igualdade Racial, Fundação Ford e ONU Mulheres, com apoio do BNDS. Como um todo o processo contou com mais ou menos cento e quarenta participantes selecionadas (os) de 25 estados.

E é melhor você aprender a lidar com toda essa inveja, esse ódio. Botei a rua no pódio e não tá nos meus planos tirá-la de lá no próximo episódio.
Emicida

Eu descobri que azul é a cor da parede da casa de Deus.
Charlie Brown Júnior

No florear do dia surge um novo escrito, algo qualquer. Sem pretensão de ser detentor de nenhuma verdade.
Consumido pelo tempo, ao acordar de longo pesadelo, aqui estou para dizer algo que não seja comum. Com alguma indignação que move minhas ações em direção à correção injusta, pelo menos as que estão aqui perto de mim e que posso, de algum modo, intervir. Pode chegar comigo…

Impacto, transformação, romantismo, um pouco de desligamento da realidade palpável, sentimento de solidão e ao mesmo tempo de coletividade.

O que sobra ao escritor? Inspiração que não chega nos momentos que se precisa, escritos em documentos eternizados e que os próprios se arrependem de ter escrito. Pelo inacabamento, pela mudança constante de pensamento que cada ser humano encontra em diversos dias de tempestade da consciência ou pelo resplandecer do mais belo caminho.

Comentário do cineasta na Rádio CBN é mais uma expressão pública de discriminação contra os negros no Brasil

No dia 27 de outubro, o cineasta Arnaldo Jabor utilizou os microfones da Rádio CBN para emitir suas opiniões sobre a recente mudança de comando no Ministério dos Esportes. Seu comentário começou com a seguinte frase: “Amigos ouvintes, finalmente o Orlando Silva caiu do galho”, em referência à queda do ex-ministro após as denúncias de corrupção envolvendo seu mandato e seu partido, o PCdoB.

Uma frase assim precisa ser desmembrada para que as pessoas entendam seu nível de ofensa? Ainda teve gente que considerou um absurdo dizer que essa frase foi extremamente preconceituosa. Bem, todos temos o direito de manifestar nossas opiniões, mas nem todas podem ser classificadas como “liberdade de expressão” — porque nem sempre estão despidas de algum tipo de discriminação.

O que você aí que está lendo acha de um comentário como esse do Arnaldo Jabor? Não se trata de uma sutileza verbal nem de nada que esteja escondido nas entrelinhas. Foi dito e escrito com todas as letras — depois, a CBN mudou o título do comentário em seu site. Eu considero essa afirmação grave.

 

Escola da Zona Norte de São Paulo é pichada com a frase “vamos cuidar do futuro das nossas crianças brancas”, acompanhada pela suástica. Por que isso ainda acontece?

No último dia 20 de outubro, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) lançou em São Paulo a campanha contra o racismo: “Por uma infância sem racismo”. A cerimônia aconteceu no CEU Jambeiro, em Guaianases, na Zona Leste da cidade. A iniciativa tem como objetivo fazer um alerta à sociedade sobre os impactos do racismo na infância e adolescência e sobre a necessidade de uma mobilização social que assegure o respeito e a igualdade étnico-racial desde a infância.

Com o envolvimento de mais de 350 especialistas, e sob a direção de um Comitê Científico Internacional formado por 39 intelectuais, a Coleção Geral da História da África é a principal referência para quem deseja acessar uma versão não colonialista sobre o passado do segundo continente mais populoso da Terra

Declarado pela Assembleia Geral das Nações Unidas como Ano Internacional para os Povos Afrodescendentes, 2011 é um momento ímpar para impulsionar e visibilizar mobilizações que envolvem a população negra no mundo inteiro, com a incumbência de ter continuidade ao longo dos anos.

Uma das conquistas, não apenas para o Brasil, mas também para os países africanos de língua portuguesa (Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe), de bastante importância e relevância de resistência histórica, foi a tradução ao português da Coleção História Geral da África, em dezembro de 2010. A publicação vem ganhando força durante o ano, principalmente nos três primeiros meses, período em que alcançou mais de 80 mil downloads. As versões impressas encontram-se em todas as universidades e bibliotecas públicas do Brasil.

A tradução se deu por conta das parcerias entre a Organização para a Educação, a Ciência e a Cultura das Nações Unidas (Unesco), a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação (Secad/MEC), sabendo que também essa já era uma demanda solicitada por parte do Movimento Negro no Brasil e outros Movimentos de Libertação em países africanos. A edição em português veio quase trinta anos depois da publicação original. Editada pela UNESCO, entre as décadas de 80 e 90, os volumes foram sendo disponibilizados em diversos idiomas: inglês, francês, chinês e árabe.

De sistemas em sistemas… Amores, dissabores… Já pensou se o dissabor – essa eterna sensação de coisas inacabadas, cobrando sempre quanto aos defeitos das pessoas – vem da própria insatisfação, que nunca será satisfeita, apenas por esperar perfeição do seu semelhante? De entregas em entregas… Sempre...

 

Nos últimos anos pude participar e mediar algumas sessões de Terapia Comunitária em escolas, parques, organizações não governamentais e até mesmo em igrejas evangélicas.

É bom perceber que tem jovens que estão questionando certos padrões que já não mais funcionam. Não apenas no sentido religioso, mas nas questões tradicionais.

A tradição que não contribui para a formação de pensadores, e sim de reprodutores de “verdades” que ninguém sabe em que lugar surgiu.

Tradição que reprime professores que ao invés de levar aulas prontas, escolhem aprender e ensinar ao mesmo tempo. Lógico que para isso a preparação tem que ser mais que a daquele que apenas é um papagaio, quem também apenas reproduz.