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Jean Mello

Jornalista, especialista em Planejamento de Mídias Digitais (FGV) e Web Analytics (Google Academy).

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Cercado de olhares furtivos que desejam ver meu fim…

A cada dia vou trilhando um caminho – que não criei – para tentar vencer as dificuldades da vida. Na verdade, ainda as coisas estão fazendo sentido para mim.

Sonho para se transformar em realidade, não pode ser apenas sonhado. É preciso garra e força além do comum, para realizar o que antes passou apenas pela imaginação. Isso não é nada fácil. Para algumas pessoas se torna impossível. A fé acaba sendo o termômetro das realizações humanas, em sintonia com a mão de Deus que nos alcança quando queremos, nos momentos em que buscamos.

Quero ter mais liberdade para caminhar. Que meus pensamentos me deixem bem longe da prisão, aquela que sempre quis tomar conta da minha alma.

Agora posso ser feliz sem me preocupar com o que antes queria dominar meu coração. Meus olhos enxergam outras coisas: o amadurecimento tem o poder de trazer isso, expandir a visão.

Sei que um pouco de felicidade está também nas conquistas alcançadas em meio às barreiras. O crescimento, natural e espiritual, se dá justamente quando conseguimos ver que o que nasce em meio aos choros pode gerar frutos para a vida eterna.

Mesmo assim, tem dias que dá vontade de largar tudo e buscar outro rumo. Isso não é erro, é simplesmente humano. Mas não é desculpa para jogar tudo para o alto. Aliás, ficar firme em um propósito, mesmo quando aparentemente está dando tudo errado, é o princípio genuíno de um ato repleto de amor supremo e indispensável fé. Largar algo tem justificativa apenas quando aquilo que se está buscando tem o poder de te afastar dos propósitos de Deus. Sempre existe um novo amanhã que pode nos dar novas oportunidades.

Quero ver a vida com a visão que Deus me deu. Se um dia tudo de errado voltar, não quero cometer os mesmos erros que antes cometi. Apenas um grito, quem sabe um andar mais que perfeito, muito distante da solidão.

A religião é a porta aberta pra dor…

Raiz de males perdidos,

Pensei até em estar ouvindo a voz perfeita

Quando percebi estava novamente no fundo do mar

Palavras doces, sorrisos belos,

Apenas fruto das mais astuta ilusão

Os homens apreciam leis imperfeitas

E tentam nos convencer de que é fruto do mais puro amor, da mais sublime perfeição

 

Quando isso vai acabar?

Não precisamos nos entregar para o fim…

 

Quantas palavras em vão

Tanto mal sem razão me espera encontrar

Muitas vidas sem direção hoje em dia posso enxergar…

Só me resta gritar por ajuda

E torcer pra chegar

 

Quando o trauma passou

Pude os olhos abrir

Quanta vida se foi?

 

Eu só quero viver em paz

Em um novo tempo, um outro lugar…

Só preciso viver em paz

Ver um mundo melhor…

Andando contra o tempo, esperando encontrar o caminho, para entrar em contato com outras pessoas que falam da realidade de um modo diferente daquele que é dito nas grandes corporações e que é reforçado pela mídia tradicional enfiada até o pescoço em compromissos com os donos do dinheiro.

Quero que esteja comigo nessa vivência pautada em experiências sólidas – percebi que diversos amigos não têm coragem de falar o que pensam por não saberem que outras pessoas pensam de modo parecido. Quem é que anda em direção ao nada? Sempre existe um objetivo qualquer para que em algum lugar dos pensamentos implícitos, de um modo real ou irreal, em qualquer sujeito demasiadamente humano, tenha espaço para ações que podem mudar algum pedaço do mundo.

Faz um tempo que não vejo algum articulador social respeitado dar asas às suas utopias. Em um texto que escrevi para o site Baoobaa, em que publico crônicas quinzenais, falei como enxergo a palavra chamada utopia. De qualquer modo, não sou ingênuo para acreditar que essas pessoas que se preocupam realmente com as outras pessoas, que há muito tempo sofrem dentro de um sistema que ofusca qualquer tentativa de revoluções ideológicas e práticas – não precisa se esforçar muito para ver os exemplos – não estão fazendo nada ou não estão sonhando com revoluções que podem acontecer no Brasil e no mundo.

Nova história começa para não ter nenhuma chance de esquecer que o ruim é não ter nada pra contar.  Sobra-me a eterna busca para encontrar as palavras certas para descrever os sentimentos que passam por mim. Acho que não os percebo por completo. Talvez seja impossível descrevê-los com exatidão. São incompreensíveis, e ao mesmo tempo o que dá pra compreender não pode ser compartilhado com qualquer pessoa. São únicos para ficarem guardados como raridades. Aparecem e somem como as lágrimas que despontam em meus olhos nos dias de aflição. Baseia-se em verdades que criei com base em minhas transposições pautadas na desordem.

O pior foi que não fiquei longe de mim mesmo para não saber resumir o que se passa em minha incompletude. Nem pude guardar o tempo que queria ficar parado para dar margem para minhas ilusões que se tornariam realidade se eu fosse mais corajoso em tentar ganhar o mundo de um jeito só meu. Olha que as lágrimas nem se foram para ao menos ter um tempo para respirar e pensar no futuro que me espera. Fica na garganta a vontade de gritar uma palavra só até o fim dos meus dias. Falta ousadia para colocar em prática as coisas que já são parte de meu corpo, alma e espírito. Quem sabe poderia ter a chance de te olhar com ternura e te dar um beijo, com sinceridade e com um pedido de perdão. Meus olhos não ficariam mais molhados de dor. Minhas pernas caminhariam em direção a um caminho que apenas eu conheço. Minha vida passaria a existir um pouco além de meus sonhos. Abraçaria a pessoa que mais amo e falaria para ela, em palavras resumidas, o valor de sua existência. Seria mais simples se Deus me desse outra chance de mostrar que agora posso fazer tudo diferente. Poderia até olhar para o céu com os braços abertos e enxergar o que nunca pude ver. Acho que isso fica apenas comigo e com mais ninguém. Parece-me que sonho com coisas impossíveis de se viver num mundo como esse. Será mesmo que dá tempo de restaurar o que foi perdido?