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Jean Mello

Jornalista, especialista em Planejamento de Mídias Digitais (FGV) e Web Analytics (Google Academy).

Blog

 

Texto originalmente publicado em minha coluna de crônicas no Baoobaa

Depois de férias não avisadas – pelo menos das crônicas por aqui – volto mais viajante que nunca.

Nesse site me descobri cronista e por aí dizem que o bom filho a casa torna. Pode parecer um pouco de exagero usar uma expressão assim. Com essas poucas palavras no começo desse escrito posso dar a entender que estou evocando aquela famosa parábola do Filho Pródigo, que andou pelos caminhos do mundo e depois, ao voltar tem direito a uma festa e um anel de ouro no dedo.

Não, nada disso! Quem está fazendo festa por conseguir parar e escrever algo que vem do coração, ao site que aceitou publicar textos que para muitos soam até como produções carregadas prolixidade, sou eu mesmo.

Alegria por discorrer sobre discriminação racial na blogosfera e ter a honra de também percorrer rotas rebeldes como quem está à margem dos cânones editoriais vigentes e pautados pela mídia tradicional. As escritoras e escritores da literatura afro-brasileira que leio sempre, até hoje não estão nos holofotes midiáticos. Denunciar o racismo estrutural tem seu preço, quem entra nessa tem de estar disposto a ser colocado no lado B.

Ainda bem, porque em alguns casos, e a história não me deixa mentir, os revolucionários aos poucos são esquecidos pela multidão e lembrado por alguns poucos que dão continuidade às transformações.

Um bilhete e uma frase, mas, sobretudo seu e-mail [1], acusou-me de não responder as mensagens. Coisa de um amigo bobo, que vive imerso em utopias baratas relacionadas à educação e com um pouco de filosofia de esquina, que tem tomado conta da blogosfera. Risos. Nada, resolvi...

http://youtu.be/P5LRa8P6-Qk Gostei dessa ilustração sobre o cotidiano escolar. Ela conseguiu tratar algo sério com bastante humor, sem perder em nada a sensibilidade do que realmente ocorre nos lugares em que as cadeiras ainda são uma atrás da outra e as pessoas não se entendem, infelizmente. Não...

Relatos, leituras de alguns momentos de um processo pedagógico que não se restringiu às ações em sala de aula. São, na verdade, relatos de oficinas de diálogos – condição humana que a cada dia que passa perde espaço nos ambientes ditos educativos. Se elas deram conta disso não sei… Os jovens falaram com as palavras deles. Uns mais tímidos, outros (as) mais desinibidos (as). Relatos de momentos… Relatos…

Resolvi começar esse artigo com essas falas [trata-se de um projeto de comunicação que toquei no Centro Comunitário Castelinho nos três últimos meses de 2011] que andei divulgando pelas redes sociais por acreditar bastante na validade de um processo educativo que escuta o outro e sempre se interroga a partir do diálogo. Conversas não apenas do educador para o educando. Escuta não apenas de mão dupla – percebo que muitas produções que falam de tendências educacionais colocam a culpa ou no educador ou no educando, esquecendo-se de que a escola ou qualquer lugar que tente se prestar a educar tem de olhar para comunidade educativa e não para um ou dos atores que participam da complexidade desse processo. 

Canso de ver coordenadores que não falam direito com seus educadores. O que me causa repulsa é perceber que são centenas as pessoas que se prestam a realização de qualquer ação educativa, mas limitam-se apenas a colocar defeito nas tentativas insistentes de educadores e educandos, sem atentarem aos detalhes de cada relação que se estabelece.

Uma das coisas que atesta que algo é realmente educativo é o próprio diálogo entre todos que estão dentro do processo. Sem isso não existe nada que garanta a legitimidade de uma postura respeitosa perante a cada ser humano. A Pedagogia na prática precisa voltar às suas origens.

Origem que converse nas praças e mostre ao que supostamente aprende qual é a história de seu bairro.

Que líderes comunitários possam ter seu espaço garantido em cada escola ou organizações que realizam projetos sociais.

Sustentada pela história que omite e ajuda a perpetuar práticas racistas, como se elas fossem para o bem do Brasil, um dos pedaços do militarismo, a Marinha, pressiona uma comunidade remanescente de quilombo a deixar o local que moram há mais de 200 anos. Enquanto um grito quer alcançar ressonância, outro, com a ligação entre as questões sociais, também quer falar o que acontece na cidade de São Paulo. A emergência do diálogo permanente entre os movimentos que estão reivindicando justiça está posto. Vamos escolher a guerra de egos ou o resgate daquilo que o Brasil mais possui de riqueza? 

O Quilombo Rio dos Macacos, encontra desde a década de setenta extremas dificuldades de sobrevivência por conta da truculência da Marinha na Baía de Aratu. Mas após outubro de 2010, perto da entrada do mês da Consciência Negra, a situação agravou-se.

A 10ª Vara Federal da Bahia determinou, por meio de liminar, a desocupação de 43 imóveis do quilombo. Mais ou menos um ano depois, porém, a área foi oficialmente declarada comunidade quilombola, com publicação no Diário Oficial da União em 4 de outubro, e a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), do governo federal, solicitou que a Procuradoria Geral da União (PGU) intervisse no caso. O caso mobilizou mídias alternativas e ativistas sociais de diversos países.

http://youtu.be/_aPYuKiKFMg Efeitos do racismo na infância. É impossível não perceber o quanto isso permeia nossa sociedade. Quem acessa sempre essa página sabe que trato em diversos textos essa questão. Porém, nunca é demais lembrar que, de fato, ainda falta muito para sermos realmente livres do racismo. Separo...