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Jean Mello

Jornalista, especialista em Planejamento de Mídias Digitais (FGV) e Web Analytics (Google Academy).

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Na boca de gente que despreza ou não entende a luta dos movimentos negros no Brasil, racismo virou complexo de inferioridade. Não é raro ouvir acusações dizendo que os negros se colocam sempre em um lugar de inferioridade, ou que quando reivindicam algo cometem o famoso racismo às avessas:

Compreendo amigo que o Brasil é um país racista, mas vocês estão sendo mais racistas ainda quando falam da discriminação. Parem de ser racistas ao contrário, ouvi um dia em uma conversa de dois jovens num ônibus.

Em outro momento, nem faz tanto tempo assim, concentrado em minhas leituras no Centro Cultural São Paulo, ouço o diálogo:

Nossa, você viu aquela menina da nossa sala? Só foi o professor falar de cotas na universidade, mesmo todos se mostrando contra, ela se levantou e falou que era a favor e que essa é uma importante medida não apenas para sanar a dívida que o Brasil tem com os negros, mas, também, para dar condições de igualdade de oportunidades. Como ser igual tratando os outros com diferença? Ai amiga, faz tempo que venho observando ela e tenho nojo desse racismo que está sendo promovido por quem diz participar desse tal Movimento Negro.

– Concordo, acho que ela nem está preparada para entender o que é universidade. Com essa mentalidade nem compreendo como ela chegou até o ensino superior. 

– Cotas né amiga! Ela com certeza tirou a vaga de alguém mais capaz.

 – Verdade, o mais sensato a fazer é ignorar. Quanto mais você fala pior fica, ela tem argumento pra tudo.


Liberdade através da arte ajuda a aumentar o interesse dos educandos pelo ambiente escolar

 

O que envolve a educação em nosso país, em quase todos os contextos, deixa a desejar. O público da educação básica é tratado como se todos estivessem no mesmo pacote. Isso me leva a crer que a educação em grande instância é pensada a nível político e empresarial para que o Brasil esteja dentro dos padrões estabelecidos a nível internacional.

Para buscar respaldo de especialistas, como leitores muito gostam, digo que, na verdade, o que se deve mesmo acontecer é um esforço, quase que coletivo, para conversar olho no olho com educadores e educadoras, militantes dos mais diversos, ativistas e líderes comunitários que pensam e realizam na prática aquilo que conseguem ver na prática enquanto a mais pura realização do viés comunitário de solidarização cultural e educacional que o sistema educacional brasileiro tanto necessita.

O que está no padrão nem sempre pode ser classificado como boas práticas pedagógicas – é um dos cenários que envolvem estudantes, professores e outros entes da comunidade escolar, que muitas vezes não sabem ao certo quais são as decisões de mesas de bancada que influi no cotidiano escolar e da sociedade como um todo. Sentimento esse preservado por diversos especialistas que não ocupam os espaços ditados pela hegemonia que pensa e dita as regras da educação escolar no Brasil.

http://vimeo.com/14293540 Alguns textos que escrevi relacionados à esse assunto: O Urbanista Concreto Cronista de um tempo tormentoso Um dos caminhos para mobilização: Coleção História Geral da África Literatura marginal, rotas rebeldes  ...

Cheiro de boa comida que vem da vizinhança, com requinte de amor pela família. Nem sei se quem está cozinhando é homem ou mulher, porque alguns poucos homens estão deixando de ser machistas e não mais pensam que quem tem de alimentá-los ou fazer qualquer outro serviço doméstico é a imagem que implantaram nele de mulher prendada e dedicada ao lar.

Infelizmente nem todos são assim. Gostam de pisar em quem disseram amar, juraram em algum lugar, mesmo que nos atos íntimos e nos recantos dos ouvidos.

Quem isso faz não sabe que comete um dos maiores males, compartilhar qualquer tipo de aspiração com a mulher que encontrou de maneira inusitada e, depois de um tempo do mágico encontro, jogou tudo por algum lugar. Jogou pela janela esperança!

O fundamentalismo cristão classifica como casamento apenas o que é realizado em seus altares. Não é diferente de outras legitimações de união que, na verdade, validam apenas o que está de acordo com suas padronizações. Não anulo a beleza de várias cerimônias religiosas na união de duas pessoas, porém, penso que os desígnios da real aliança ultrapassa um dia em que se foi anunciado ao público presente que duas pessoas vão morar juntas. E qualquer insinuação de que mesmo qualquer cerimônia em distintas religiões tem ligação sistemática – mesmo no ato premeditado da união de uma só carne – não pode soar como radicalismo.