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Jean Mello

Jornalista, especialista em Planejamento de Mídias Digitais (FGV) e Web Analytics (Google Academy).

Blog

Cheiro de boa comida que vem da vizinhança, com requinte de amor pela família. Nem sei se quem está cozinhando é homem ou mulher, porque alguns poucos homens estão deixando de ser machistas e não mais pensam que quem tem de alimentá-los ou fazer qualquer outro serviço doméstico é a imagem que implantaram nele de mulher prendada e dedicada ao lar.

Infelizmente nem todos são assim. Gostam de pisar em quem disseram amar, juraram em algum lugar, mesmo que nos atos íntimos e nos recantos dos ouvidos.

Quem isso faz não sabe que comete um dos maiores males, compartilhar qualquer tipo de aspiração com a mulher que encontrou de maneira inusitada e, depois de um tempo do mágico encontro, jogou tudo por algum lugar. Jogou pela janela esperança!

O fundamentalismo cristão classifica como casamento apenas o que é realizado em seus altares. Não é diferente de outras legitimações de união que, na verdade, validam apenas o que está de acordo com suas padronizações. Não anulo a beleza de várias cerimônias religiosas na união de duas pessoas, porém, penso que os desígnios da real aliança ultrapassa um dia em que se foi anunciado ao público presente que duas pessoas vão morar juntas. E qualquer insinuação de que mesmo qualquer cerimônia em distintas religiões tem ligação sistemática – mesmo no ato premeditado da união de uma só carne – não pode soar como radicalismo.

 

Texto originalmente publicado em minha coluna de crônicas no Baoobaa

Depois de férias não avisadas – pelo menos das crônicas por aqui – volto mais viajante que nunca.

Nesse site me descobri cronista e por aí dizem que o bom filho a casa torna. Pode parecer um pouco de exagero usar uma expressão assim. Com essas poucas palavras no começo desse escrito posso dar a entender que estou evocando aquela famosa parábola do Filho Pródigo, que andou pelos caminhos do mundo e depois, ao voltar tem direito a uma festa e um anel de ouro no dedo.

Não, nada disso! Quem está fazendo festa por conseguir parar e escrever algo que vem do coração, ao site que aceitou publicar textos que para muitos soam até como produções carregadas prolixidade, sou eu mesmo.

Alegria por discorrer sobre discriminação racial na blogosfera e ter a honra de também percorrer rotas rebeldes como quem está à margem dos cânones editoriais vigentes e pautados pela mídia tradicional. As escritoras e escritores da literatura afro-brasileira que leio sempre, até hoje não estão nos holofotes midiáticos. Denunciar o racismo estrutural tem seu preço, quem entra nessa tem de estar disposto a ser colocado no lado B.

Ainda bem, porque em alguns casos, e a história não me deixa mentir, os revolucionários aos poucos são esquecidos pela multidão e lembrado por alguns poucos que dão continuidade às transformações.

Um bilhete e uma frase, mas, sobretudo seu e-mail [1], acusou-me de não responder as mensagens. Coisa de um amigo bobo, que vive imerso em utopias baratas relacionadas à educação e com um pouco de filosofia de esquina, que tem tomado conta da blogosfera. Risos. Nada, resolvi...

http://youtu.be/P5LRa8P6-Qk Gostei dessa ilustração sobre o cotidiano escolar. Ela conseguiu tratar algo sério com bastante humor, sem perder em nada a sensibilidade do que realmente ocorre nos lugares em que as cadeiras ainda são uma atrás da outra e as pessoas não se entendem, infelizmente. Não...

Relatos, leituras de alguns momentos de um processo pedagógico que não se restringiu às ações em sala de aula. São, na verdade, relatos de oficinas de diálogos – condição humana que a cada dia que passa perde espaço nos ambientes ditos educativos. Se elas deram conta disso não sei… Os jovens falaram com as palavras deles. Uns mais tímidos, outros (as) mais desinibidos (as). Relatos de momentos… Relatos…

Resolvi começar esse artigo com essas falas [trata-se de um projeto de comunicação que toquei no Centro Comunitário Castelinho nos três últimos meses de 2011] que andei divulgando pelas redes sociais por acreditar bastante na validade de um processo educativo que escuta o outro e sempre se interroga a partir do diálogo. Conversas não apenas do educador para o educando. Escuta não apenas de mão dupla – percebo que muitas produções que falam de tendências educacionais colocam a culpa ou no educador ou no educando, esquecendo-se de que a escola ou qualquer lugar que tente se prestar a educar tem de olhar para comunidade educativa e não para um ou dos atores que participam da complexidade desse processo. 

Canso de ver coordenadores que não falam direito com seus educadores. O que me causa repulsa é perceber que são centenas as pessoas que se prestam a realização de qualquer ação educativa, mas limitam-se apenas a colocar defeito nas tentativas insistentes de educadores e educandos, sem atentarem aos detalhes de cada relação que se estabelece.

Uma das coisas que atesta que algo é realmente educativo é o próprio diálogo entre todos que estão dentro do processo. Sem isso não existe nada que garanta a legitimidade de uma postura respeitosa perante a cada ser humano. A Pedagogia na prática precisa voltar às suas origens.

Origem que converse nas praças e mostre ao que supostamente aprende qual é a história de seu bairro.

Que líderes comunitários possam ter seu espaço garantido em cada escola ou organizações que realizam projetos sociais.