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Jean Mello

Jornalista, especialista em Planejamento de Mídias Digitais (FGV) e Web Analytics (Google Academy).

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http://vimeo.com/9313278 Pouco mais de quinze minutos de vídeo resgatando o que as quebradas de São Paulo falam há muito tempo, mesmo com inúmeras coisas tentando abafar seu lado mais contestador. Lógico que pode soar como um grito apaixonado: a favela pulsa! Dá a impressão de que...

Visões sobre artista que canta contra a acomodação e é capaz de participar de programas de grande audiência mantendo-se crítico, contundente e rebelde

Publicado em Outras Palavras

“Combatente não aceita. Comando de canalhas que a nós não respeita.
Excluído, iludido… Quem nasce na favela é visto como bandido! Rouba muito, magnata… Não vai para cadeia e usa terno e gravata. Causa e efeito… Só dever sem direito”. (MV Bill)

Raro nos dias atuais alguém conseguir desmistificar aspectos cruciais da situação que o Brasil vive, principalmente em pouco mais de cinco minutos. Nesse clipe lançado em abril de 2011, MV Bill incorporou questões extremamente relevantes para entendimento daquilo que realmente é o “País Tropical”.

Lógico que nada dá pra ver e dar um completo amém. Tampouco dizer que toda produção do cantor é tão madura quanto essa música.

Controvérsias à parte, conferir detalhes da obra que inspirou esse texto permite compreender melhor como se comporta um sistema cuja lógica inclui conservar as misérias e as desigualdades sociais. Também é um dos pedaços do quebra cabeça para montar o que muita gente espera que aconteça de vez por aqui: negros dizendo aquilo que apenas os negros viveram e ainda vivem.

Como diz o MV Bill, “a superação me emociona, mas a apatia dos irmãos me decepciona”. Para enfrentá-la, o artista volta a romper as fronteiras da pura crítica. Sua arte retoma e reinterpreta. 

Acontecimentos que já afligiram as periferias de todas as metrópoles brasileiras. Desde as investidas da polícia, como braço do poder para disseminar o medo, até a falta de oportunidade aos jovens, sobrando poucas alternativas para levar a vida à frente.

Com imagens que lembram um fanzine ou história em quadrinhos, o som vai ilustrando aquilo que vemos. Ou será que é a imagem que diz exatamente o que ouvimos?

Em alguns momentos, MV Bill foi acusado de sensacionalismo e apologia ao crime. Recentemente, negou as investidas de vários canais de comunicação, segundo os quais teria espancado a irmã pauladas. Disse em nota oficial que sua familiar sofre de problemas psicológicos e que jamais cometeria tal ato.

Bate de frente com o que diz combater. No programa do Faustão, vídeo que está quase batendo na casa de dois milhões de visualizações, canta com fervor as contradições da grande mídia. Em dado momento foi cortado ao vivo, mas já tinha dado vários minutos de recados contundentes.

Alguns se perguntam se um rapper deve aceitar esse tipo de convite. Ele e alguns outros optaram por ir e dizer o que pensam. Os mais tradicionais não querem nem chegar perto. Recentemente, Emicida concedeu uma entrevista ao SBT que teve boa repercussão — só que nem sempre é assim que funciona.

Por Germano Gonçalves

É chegada a hora, a tarde vai-se embora.
E o anoitecer vem chegando às periferias.
A noite vem se apresentando e, com ela, os transeuntes.

Passando de um lado para o outro, uns vêm das fábricas.
Outros vão para as igrejas e muitos já estão ingerindo geladas.
Jovens para a escola, noites de sono na sala, matar aula.

Homens e mulheres em caminhos incertos, e bem ali perto
Andam pelas ruas, luzes nas avenidas insinuando aventuras.
No bar à procura do par para relaxar, músicas e músicos
Misturam-se entre os botecos, fazendo refrão para
Amenizar a solidão.
A mulher bate a porta toda torta
Cansada de o marido esperar, vai se deitar.

A noite é algo mágico, traz consigo vaidades e luxúrias.
Mendigos que pedem comida e moedas.
Meninos sem teto ficam nas calçadas, ao meio-fio
À espera do veículo a estacionar e uns trocados ganhar.

Por Germano Gonçalves

O vento sopra na tarde de mais um dia.
No portão, deitar ao chão, nuvens no céu
Figuram-se nas mentes de quem for capaz.
A garota e o rapaz sentados na praça a olhar
a rua calma, as pessoas passam.

O vento sopra o tempo.
Tardes pra andar.
Tardes pra pensar.
Tardes pra descansar.
Todas as tardes do mundo nós ficamos
como gira-mundo.
Andando sem rumo.
Da casa pra rua, da rua pra praça.
Da praça pra casa.