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Jean Mello

Jornalista, especialista em Planejamento de Mídias Digitais (FGV) e Web Analytics (Google Academy).

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Sempre quem está de fora de uma situação qualquer tem as impressões mais diversas. Porém, quem vive é que sabe, de verdade, o que lhe toca. E assim caminha quem tem coragem de dizer o que enxerga.

Quem vai entender? Apenas alguns poucos, que sabem que, na verdade, lutar em prol das culturas que mais foram marginalizadas durante a história, é ser compreendido de uma infinidade de formas.

Faculdade Zumbi dos Palmares tem 50% de cota para afrodescendentes.
Ministro Ayres Britto, presidente do STF, será o patrono dos formandos.

Marilene de Mello faz parte da primeira turma de direito da Unipalmares (Foto: Arquivo pessoal)

 

A estudante Marilene de Mello foi escolhida para fazer o juramento dos alunos na formatura da primeira turma de direito a se formar na Faculdade Zumbi dos Palmares (Unipalmares), de São Paulo. A instituição de ensino superior tem quase 90% de seus alunos afrodescendentes autodeclarados, e vai promover nesta sexta-feira (14), no Memorial da América Latina, a colação de grau de 70 bacharéis em direito.

Para Marilene, de 47 anos, o curso de direito foi uma oportunidade de ganhar uma nova formação acadêmica e ainda promover, com outros estudantes de sua etnia, novas possibilidades da luta pelo negro e o direito à educação no Brasil.

Direito das minorias e teoria da justiça social são algumas das disciplinas que ela aprendeu no curso. “O direito no Brasil é usado como instrumento de dominação”, avalia Marilene, que é formada em ciências contábeis pela PUC-SP. “Este curso mostrou que podemos usar a Justiça não como dominação, mas como um direito à liberdade.”

Foram cinco anos de curso até a formatura desta primeira turma de direito da Unipalmares. A universidade reserva 50% de suas vagas a estudantes autodeclarados negros, e é aberta também tem alunos de outras etnias. O curso de direito da Unipalmares foi lançado em 2007, ano em que a universidade formou sua primeira turma, do curso de administração. A mensalidade de R$ 315 permitiu aos estudantes de baixa renda cursar a graduação em direito.