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Jean Mello

Jornalista, especialista em Planejamento de Mídias Digitais (FGV) e Web Analytics (Google Academy).

Blog

Publicado em Afrokut, em primeira mão!

Jean Mello

A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.

(Eduardo Galeano)

 

Em 2008 criei um singelo site (http://jeanmello.org/novo). Emergiu em mim um espírito militante, manifestação virtual daquilo que na realidade já sentia e participava há tempos. Influência de grandes mentores, gente que faz a diferença na história do Brasil. Lá cito os nomes deles e delas, principalmente os das mulheres negras.

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Alerto que este não é um relato acadêmico, tampouco jornalístico. Trata-se de um texto livre, repleto de impressões e de coragem em compartilhar algo que conceituo como militância virtual, enquanto reflexo de mobilizações que acontecem na realidade. Apesar de aproveitar este espaço para falar um pouco de minha experiência com a questão, sei que não sou o único a embarcar nessa com intensidade.

Importante é o trabalho de quem insiste em remar contra maré, dizer o que não vemos nos canais televisivos de alienação.

Só não posso deixar de relatar, quem toca mídias alternativas, em sua grande maioria, são pessoas de classe média, quando não da alta. Mas eu disse em sua grande maioria, não significa que sejam todos. A juventude negra também está dando sua versão dos fatos. Isso não é de hoje, tornou-se apenas mais evidente.

Loucura, ousadia, tudo ao mesmo tempo… Eu também tenho alguns sonhos. Eles todos podem ser resumidos em uma só frase: igualdade de oportunidades para todos. Sim, jovens da periferia, sabendo que a grande maioria tem a cor de pele preta, tem de chegar de igual para igual, apropriando-se dos conhecimentos mais sofisticados. Isso inclui o uso da comunicação e das novas tecnologias. Podem ostentar, mas, em primeiro lugar, conhecimento.

Em um mundo repleto de complexidades, mais uma, em nosso tempo atual, trouxe para meu lado, sem pretensão de me colocar no lugar do saber, a descoberta do quanto a comunicação, que se pauta em dinâmicas sociais comunitárias, mexe com estruturas até então intocáveis na história.

Imagine colocar as mãos em um vespeiro? Tocar uma mídia alternativa no Brasil, que tenha consideráveis níveis de audiência, diária ou semanal, é mais ou menos isso.

Esperança e mais esperança! Plenitude do passado que se fez presente. A história se repete, agora com outra roupagem. Somos livres? O diálogo precisa emergir, diferente daquele dissipado nas ruas. Ainda vivo e, ao mesmo tempo, abafado pelas nuances da solidão insistente. São muitos na contramão sem...

Ainda exalando certeza de que um mundo melhor é tremendamente possível. Um mundo que pode existir na plenitude de seu coração, pode refletir no meu, bater na alma do próximo, de alguém que te odeia ou ama. Ainda tem dúvida? Olhe para sua própria vida...

Em um beco, travessa da Yervant Kissajikian, zona sul de Sampa, Cidade Ademar. De dentro do busão, contemplei algumas crianças jogando bola. Foi pouco tempo, mas parece que durou a eternidade que o momento me permitiu. Tempo duradouro, livre. A bola parecia velha e, mesmo assim,...