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Jean Mello

Jornalista, especialista em Planejamento de Mídias Digitais (FGV) e Web Analytics (Google Academy).

Artigo

Comentário do cineasta na Rádio CBN é mais uma expressão pública de discriminação contra os negros no Brasil

No dia 27 de outubro, o cineasta Arnaldo Jabor utilizou os microfones da Rádio CBN para emitir suas opiniões sobre a recente mudança de comando no Ministério dos Esportes. Seu comentário começou com a seguinte frase: “Amigos ouvintes, finalmente o Orlando Silva caiu do galho”, em referência à queda do ex-ministro após as denúncias de corrupção envolvendo seu mandato e seu partido, o PCdoB.

Uma frase assim precisa ser desmembrada para que as pessoas entendam seu nível de ofensa? Ainda teve gente que considerou um absurdo dizer que essa frase foi extremamente preconceituosa. Bem, todos temos o direito de manifestar nossas opiniões, mas nem todas podem ser classificadas como “liberdade de expressão” — porque nem sempre estão despidas de algum tipo de discriminação.

O que você aí que está lendo acha de um comentário como esse do Arnaldo Jabor? Não se trata de uma sutileza verbal nem de nada que esteja escondido nas entrelinhas. Foi dito e escrito com todas as letras — depois, a CBN mudou o título do comentário em seu site. Eu considero essa afirmação grave.

 

Escola da Zona Norte de São Paulo é pichada com a frase “vamos cuidar do futuro das nossas crianças brancas”, acompanhada pela suástica. Por que isso ainda acontece?

No último dia 20 de outubro, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) lançou em São Paulo a campanha contra o racismo: “Por uma infância sem racismo”. A cerimônia aconteceu no CEU Jambeiro, em Guaianases, na Zona Leste da cidade. A iniciativa tem como objetivo fazer um alerta à sociedade sobre os impactos do racismo na infância e adolescência e sobre a necessidade de uma mobilização social que assegure o respeito e a igualdade étnico-racial desde a infância.

Com o envolvimento de mais de 350 especialistas, e sob a direção de um Comitê Científico Internacional formado por 39 intelectuais, a Coleção Geral da História da África é a principal referência para quem deseja acessar uma versão não colonialista sobre o passado do segundo continente mais populoso da Terra

Declarado pela Assembleia Geral das Nações Unidas como Ano Internacional para os Povos Afrodescendentes, 2011 é um momento ímpar para impulsionar e visibilizar mobilizações que envolvem a população negra no mundo inteiro, com a incumbência de ter continuidade ao longo dos anos.

Uma das conquistas, não apenas para o Brasil, mas também para os países africanos de língua portuguesa (Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe), de bastante importância e relevância de resistência histórica, foi a tradução ao português da Coleção História Geral da África, em dezembro de 2010. A publicação vem ganhando força durante o ano, principalmente nos três primeiros meses, período em que alcançou mais de 80 mil downloads. As versões impressas encontram-se em todas as universidades e bibliotecas públicas do Brasil.

A tradução se deu por conta das parcerias entre a Organização para a Educação, a Ciência e a Cultura das Nações Unidas (Unesco), a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação (Secad/MEC), sabendo que também essa já era uma demanda solicitada por parte do Movimento Negro no Brasil e outros Movimentos de Libertação em países africanos. A edição em português veio quase trinta anos depois da publicação original. Editada pela UNESCO, entre as décadas de 80 e 90, os volumes foram sendo disponibilizados em diversos idiomas: inglês, francês, chinês e árabe.

De sistemas em sistemas… Amores, dissabores… Já pensou se o dissabor – essa eterna sensação de coisas inacabadas, cobrando sempre quanto aos defeitos das pessoas – vem da própria insatisfação, que nunca será satisfeita, apenas por esperar perfeição do seu semelhante? De entregas em entregas… Sempre...

 

Nos últimos anos pude participar e mediar algumas sessões de Terapia Comunitária em escolas, parques, organizações não governamentais e até mesmo em igrejas evangélicas.

É bom perceber que tem jovens que estão questionando certos padrões que já não mais funcionam. Não apenas no sentido religioso, mas nas questões tradicionais.

A tradição que não contribui para a formação de pensadores, e sim de reprodutores de “verdades” que ninguém sabe em que lugar surgiu.

Tradição que reprime professores que ao invés de levar aulas prontas, escolhem aprender e ensinar ao mesmo tempo. Lógico que para isso a preparação tem que ser mais que a daquele que apenas é um papagaio, quem também apenas reproduz.

 

Por Marcos Siqueira

 

Na semana passada eu soube de mais um caso chocante: um menino de 10 anos atira em professora e se mata. Lendo a matéria em um portal deparei-me com a seguinte chamada:

 

 

Relembre alguns casos de 2011

22.set – Aluno atira em professora em São Caetano do Sul e se mata
20.set – Adolescente é esfaqueada dentro da escola em Belém
9.set – Aluno é flagrado com revólver dentro da sala de aula em João Pessoa
26.ago – Vídeo mostra aluno chutando diretora de escola em Minas
22.jun – Estudante é esfaqueado após briga em escola na Paraíba
7.abr – Homem invade escola, atira contra alunos e mata 11 crianças no Rio de Janeiro

A Educação não está restrita à escola. As pessoas se educam em comunhão, reconhecendo que um pode olhar ao outro. Encontrando a plenitude, posso olhar para meu próximo, sabendo que ele também pode ser meu educador.

Às vezes a pessoa que está ao meu lado pode contribuir para minha formação tanto quanto o professor contribui. Quem é que detém as técnicas? Elas estão restritas apenas às universidades? Considero a importância dos conhecimentos que são adquiridos ao longo de uma formação acadêmica, que jamais acaba. Uma trajetória de ganhos imensuráveis. Mas, não posso restringir a sabedoria a um padrão, por saber que alguns conhecimentos, populares, nenhum doutor possui.

A sabedoria popular é uma universidade livre, que não dá diplomas. O saber transcende um trabalho de conclusão de curso, ou uma banca de apresentação científica. Não tem como comparar o que aprendemos com o que a universidade formal chama de senso comum. É esse senso comum que guia a vida de muitas pessoas, que são felizes. Porém, foi a ciência que legitimou práticas discriminatórias, ou mesmo de inferiorização de determinadas culturas. O que é comunitário não pode ser classificado por nenhuma teoria científica. Dou valor à ciência, mas ela não é soberana. Agora, sou a favor do cientista estar presente em atividades escolares, comunitárias, desde que ele seja mais um participante, contribuindo com seu saber e respeitando os saberes dos outros.