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Jean Mello

Jornalista, especialista em Planejamento de Mídias Digitais (FGV) e Web Analytics (Google Academy).

Artigo

Andando contra o tempo, esperando encontrar o caminho, para entrar em contato com outras pessoas que falam da realidade de um modo diferente daquele que é dito nas grandes corporações e que é reforçado pela mídia tradicional enfiada até o pescoço em compromissos com os donos do dinheiro.

Quero que esteja comigo nessa vivência pautada em experiências sólidas – percebi que diversos amigos não têm coragem de falar o que pensam por não saberem que outras pessoas pensam de modo parecido. Quem é que anda em direção ao nada? Sempre existe um objetivo qualquer para que em algum lugar dos pensamentos implícitos, de um modo real ou irreal, em qualquer sujeito demasiadamente humano, tenha espaço para ações que podem mudar algum pedaço do mundo.

Faz um tempo que não vejo algum articulador social respeitado dar asas às suas utopias. Em um texto que escrevi para o site Baoobaa, em que publico crônicas quinzenais, falei como enxergo a palavra chamada utopia. De qualquer modo, não sou ingênuo para acreditar que essas pessoas que se preocupam realmente com as outras pessoas, que há muito tempo sofrem dentro de um sistema que ofusca qualquer tentativa de revoluções ideológicas e práticas – não precisa se esforçar muito para ver os exemplos – não estão fazendo nada ou não estão sonhando com revoluções que podem acontecer no Brasil e no mundo.

Nova história começa para não ter nenhuma chance de esquecer que o ruim é não ter nada pra contar.  Sobra-me a eterna busca para encontrar as palavras certas para descrever os sentimentos que passam por mim. Acho que não os percebo por completo. Talvez seja impossível descrevê-los com exatidão. São incompreensíveis, e ao mesmo tempo o que dá pra compreender não pode ser compartilhado com qualquer pessoa. São únicos para ficarem guardados como raridades. Aparecem e somem como as lágrimas que despontam em meus olhos nos dias de aflição. Baseia-se em verdades que criei com base em minhas transposições pautadas na desordem.

O pior foi que não fiquei longe de mim mesmo para não saber resumir o que se passa em minha incompletude. Nem pude guardar o tempo que queria ficar parado para dar margem para minhas ilusões que se tornariam realidade se eu fosse mais corajoso em tentar ganhar o mundo de um jeito só meu. Olha que as lágrimas nem se foram para ao menos ter um tempo para respirar e pensar no futuro que me espera. Fica na garganta a vontade de gritar uma palavra só até o fim dos meus dias. Falta ousadia para colocar em prática as coisas que já são parte de meu corpo, alma e espírito. Quem sabe poderia ter a chance de te olhar com ternura e te dar um beijo, com sinceridade e com um pedido de perdão. Meus olhos não ficariam mais molhados de dor. Minhas pernas caminhariam em direção a um caminho que apenas eu conheço. Minha vida passaria a existir um pouco além de meus sonhos. Abraçaria a pessoa que mais amo e falaria para ela, em palavras resumidas, o valor de sua existência. Seria mais simples se Deus me desse outra chance de mostrar que agora posso fazer tudo diferente. Poderia até olhar para o céu com os braços abertos e enxergar o que nunca pude ver. Acho que isso fica apenas comigo e com mais ninguém. Parece-me que sonho com coisas impossíveis de se viver num mundo como esse. Será mesmo que dá tempo de restaurar o que foi perdido?

Por Germano Gonçalves (O Urbanista Concreto)

Quando o meu time vai jogar eu fico paralisado com todas as atenções para o meu time do coração, assim que posso vou ver o meu time jogar, grito, pulo e vibro torcendo pela vitória, não vejo nada na minha frente, tudo que quero é amar o meu time de futebol.

Hoje fui ver o meu time jogar!

Não era um jogo de final de campeonato nem ao menos um jogo de pontos, mas sim um amistoso mesmo assim meu time empatou e não agüentei quando um colega meu veio me zombar porque meu time jogou mal aí eu discuti com ele, falei de coisas cruéis e paramos de nos falar, mas sei que voltaremos a conversar, pois ele sabe que não as disse a sério. Mesmo porque futebol, política e religião não se discute.

Ontem o meu time jogou mais uma partida pela rodada do campeonato nacional e não foi lá tão bem, acabou perdendo eu fiquei triste e aborrecido e na escola um colega meu veio menosprezar-me pela derrota do meu time, aí eu entrei em atrito com ele e nós trocamos alguns empurrões.

 

Desigualdades sociais recorrentes, enquanto sem esforço nenhum podemos ver na cidade de São Paulo tristes e grandes mansões, cercadas e guardando tesouros que se fossem  distribuídos com justiça anularia parte dessa realidade retratada acima, em muitas zonas periféricas. Quando vamos acordar em ver que em nosso tempo a sociedade grita por socorro? 

Para viver é preciso ter coragem, ainda mais em um sistema como esse que foi instaurado nesse mundo. Quem pode negar isso?

Enquanto busco alguma inspiração para escrever essas breves palavras, alguma coisa com relação às escolas me vem à mente. Não apenas a escola institucional… Outras realidades podem ser levadas em conta.

Ao visitar escolas em alguns lugares da Grande São Paulo, e até mesmo do interior, ouvi coisas assombrosas de professores, diretores e alunos. Será que apenas eles sabem dessa verdade? Às vezes acho que outros sabem e se calam. Qual é a relação que as escolas têm com a comunidade no entorno? Ainda acredito na educação que olha o outro como legítimo outro, se ela for colocada em prática.

Quem não viu nada nesse país chamado Brasil nada pode dizer. São casas de madeira, poucas com sustentações de vigas, enquanto outras custam milhões de dólares.

Um livro que não sai da minha mente é Capão Pecado. Acho que a leitura dele fez com que algumas peças de um quebra-cabeça se juntassem, principalmente quando penso nas diversas favelas que pisei. Os motivos foram diversos… Um deles a educação em sinergia com as articulações sociais. Quem poderia imaginar? Agora, quanto à leitura do livro, recomendo. Além da leitura é importante você ir a algum lugar ver o trabalho de quem faz coisas inimagináveis, pelo sonho de acreditar que a revolução que acontece na periferia influencia não apenas por lá, mas, também, nos grandes centros. Essa revolução cultural, como sempre acontece sem a velha mídia pautar, a não ser quando o assunto decorrente são as tragédias, é inevitável.

Penso nessa questão da própria visibilidade. Em alguns momentos pessoas são visíveis pelos erros que cometem, mas nunca pelos acertos. Isso não dá audiência. Nenhum patrocinador quer dar cobertura ao sucesso de quem nada tem de material. Aí fica por isso mesmo, pessoas pobres ficam mais pobres ainda quando uma mãe  tem que dar um depoimento na televisão dizendo que deu tudo ao seu filho e mesmo assim ele escolheu a vida do crime. Ela deu tudo… Agora, e o governo? E as empresas racistas? Será que os que mais vão para esse caminho encontram escolas dignas em seus bairros? Quero refletir com cuidado, com certa criticidade, sabendo que muitos nem terminam o ensino fundamental e já vão para o mercado de trabalho para garantir o sustento de um lar que muitas vezes os filhos nem sequer conhecem o pai, que abandonou ou foi assassinado em algum lugar. Que tipo de futuro em um país extremamente segregacionista esses meninos e meninas têm? Sim, eles são capazes de conquistar coisas e de ter um futuro brilhante. Agora, quem resiste a todas as barreiras impostas pelo capitalismo? Pare, pense e veja como é viver em um mundo como o nosso…

Acabaram-se os raios do sol daquele dia – eles devem ter se escondido em algum lugar que eu não podia ver.

Diante dos meus olhos nasce o começo da noite, com ela uma chuva inspiradora. As frases utópicas que aqui você lê começaram ser desenhadas em um dia como esse. O engraçado é que junto com elas as promessas do passado se tornam concretas, nem consigo acreditar. Vai dando saudades da felicidade infantil. Não que a vida adulta não seja boa – ela apenas perde para completude da criança.

Prometi que não reclamaria, não deu.

Sento para tomar um café e conversar com alguém que me faz bem. Logicamente não estou em casa, exploro a beleza das ruas. Mas, sinto-me à vontade por estar com alguém que gosto de estar, trocar ideias, até um novo amanhecer.

Acusam-me de ser romântico. Quem dera se todos recebessem este tipo de acusação…

Não queria que existissem salas de aula. Elas não são nada românticas. Já estou cheio de ver pessoas engaioladas em seus pensamentos, servindo a modelos educacionais que idolatram o rigor de ficar sentado e prestar atenção naquilo que é dito ou não dito. A testificação nasce em dias de prova, assim dá para ver, sem sombra de dúvidas, se você está apto ou não para durante toda sua vida a ser um serviçal dessa prisão.