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Jean Mello

Jornalista, especialista em Planejamento de Mídias Digitais (FGV) e Web Analytics (Google Academy).

Valorização da cultura na escola, apenas utopia?


Liberdade através da arte ajuda a aumentar o interesse dos educandos pelo ambiente escolar

 

O que envolve a educação em nosso país, em quase todos os contextos, deixa a desejar. O público da educação básica é tratado como se todos estivessem no mesmo pacote. Isso me leva a crer que a educação em grande instância é pensada a nível político e empresarial para que o Brasil esteja dentro dos padrões estabelecidos a nível internacional.

Para buscar respaldo de especialistas, como leitores muito gostam, digo que, na verdade, o que se deve mesmo acontecer é um esforço, quase que coletivo, para conversar olho no olho com educadores e educadoras, militantes dos mais diversos, ativistas e líderes comunitários que pensam e realizam na prática aquilo que conseguem ver na prática enquanto a mais pura realização do viés comunitário de solidarização cultural e educacional que o sistema educacional brasileiro tanto necessita.

O que está no padrão nem sempre pode ser classificado como boas práticas pedagógicas – é um dos cenários que envolvem estudantes, professores e outros entes da comunidade escolar, que muitas vezes não sabem ao certo quais são as decisões de mesas de bancada que influi no cotidiano escolar e da sociedade como um todo. Sentimento esse preservado por diversos especialistas que não ocupam os espaços ditados pela hegemonia que pensa e dita as regras da educação escolar no Brasil.

Emergente é uma (re) leitura do cenário atual da nação para poder pensar detalhes da realidade educacional que está inserida a escola e outros lugares em que é intenso o processo educativo, e o quanto isso desmorona conceitos familiares que há muito tempo são válidos para educar crianças e jovens, mas são desmoralizados por políticas que não levam em conta uma vírgula daquilo que passa cada pai e mãe de família que encara a realidade de um modo diferente aos que abandonam seus filhos ao relento da insegurança. Assunto complexo, repleto de percalços, mas que precisa ser feito de modo que, sem pestanejar, encaminhamentos sejam encontrados. Não se trata de fácil missão, o caminho é árduo. 

Os movimentos sociais têm reivindicações sólidas e que devemos dar ressonância. Também não nego a extrema importância das pesquisas apoiadas por algumas instituições sérias – e outras não tão sérias assim – para apontar demandas e necessidades para fomentar a ascensão da qualidade da educação no Brasil.

Porém, a experiência que tenho, misturada à leitura de mundo (sabendo que uma realidade está posta) e olhando para as perspectivas teóricas, basear-se em qualquer parâmetro internacional para pautar um país ímpar invadido por Cabral e os milhares de projetos que estavam por trás dele, é grande erro, simplesmente pela singularidade do povo que um projeto europeu – e agora norte-americano – tentou camuflar para o mundo ao mostrar uma suposta democracia racial.  Ninguém tem de engolir uma educação segregacionista que parte da realidade de apenas uma parte do mundo.

Emergente é uma (re) leitura do cenário atual da nação para poder pensar detalhes da realidade educacional que está inserida a escola e outros lugares em que é intenso o processo educativo, e o quanto isso desmorona conceitos familiares que há muito tempo são válidos para educar crianças e jovens, mas são desmoralizados por políticas que não levam em conta uma vírgula daquilo que passa cada pai e mãe de família que encara a realidade de um modo diferente aos que abandonam seus filhos ao relento da insegurança. Assunto complexo, repleto de percalços, mas que precisa ser feito de modo que, sem pestanejar, encaminhamentos sejam encontrados. Não se trata de fácil missão, o caminho é árduo.

Controversos são os parâmetros para promover as avaliações dos ensinos das instituições de educação formal do sistema brasileiro. Uma só avaliação que tem seus ganhos quando consideramos que através do Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM, o acesso à universidade tem se diversificado, tanto ao ensino público quanto ao privado. Mas nessas padronizações não se avalia as regionalidades, as diferenças culturais que também diversificam as visões de mundo de cada ser humano.

Algo que também não acontece nos vestibulares – método de avaliação já bastante ultrapassado e segregacionista. Quando pensamos no cenário das universidades públicas paulistas e de vários cantos do Brasil o que dá para ver sem nenhuma dificuldade é que estudantes que trilharam a vida em determinadas instituições particulares já saem na frente nessa corrida pelo ensino público universitário e de qualidade. Aliás, o que é ou não qualidade é bastante questionável.

Sabemos que nessa época existe abundante desemprego, quanto mais os jovens de classes populares alcançam novos graus na formação escolar, mais fica evidente o quanto o diploma ainda é um motivo, ainda que frágil, para os alunos continuarem estudando. Embora o conhecimento também seja reconhecido pelos jovens como elemento de diferenciação, estudantes de escola pública costumam considerar insuficiente o ensino que recebem.

 Segregação Enrustida

Predomina a visão, mesmo na prática e ideologia de muitos docentes, o parâmetro da escola privada, ou melhor, os parâmetros dos estudantes da escola privada, para avaliar o desempenho da instituição e de seu alunado, o que não deixa também de ser o acreditar em um mito de que no ensino privado as coisas são tocadas com perfeição.

Educação escolar segue uma tendência social, em que as escolas estão submetidas, não apenas as do ensino público. De qualquer maneira, a assombração do desemprego obriga-os a continuar estudando ou a buscar outras estratégias para a obtenção da titulação. Ao mesmo tempo, a possibilidade de estudar na universidade, ainda que remota, aparece como uma possibilidade interessante para o futuro, pois permite retardar o problema do desemprego.

Não digo que existem estudantes que têm mais ou menos capacidade. Afirmo sim que, quem já está familiarizado com determinados conteúdos insistentemente empurrados nas caríssimas escolas, a fim de que a maioria dos estudantes entrem em renomados templos acadêmicos, possui mais chances de se dar bem em uma prova que foi preparada especialmente para quem trilhou os caminhos do ensino que prepara para as provas dos vestibulares.

Ao invés de valorizar segrega. Em detrimento de uma cultura em que o mérito é mais importante, pessoas ficam para trás nesse jogo de hierarquias estabelecidas em grande escala no sistema educacional brasileiro. A desigualdade de oportunidades começa a ser estabelecida nas diferentes salas de aula.

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