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Jean Mello

Jornalista, especialista em Planejamento de Mídias Digitais (FGV) e Web Analytics (Google Academy).

Tardes Periféricas

Por Germano Gonçalves

O vento sopra na tarde de mais um dia.
No portão, deitar ao chão, nuvens no céu
Figuram-se nas mentes de quem for capaz.
A garota e o rapaz sentados na praça a olhar
a rua calma, as pessoas passam.

O vento sopra o tempo.
Tardes pra andar.
Tardes pra pensar.
Tardes pra descansar.
Todas as tardes do mundo nós ficamos
como gira-mundo.
Andando sem rumo.
Da casa pra rua, da rua pra praça.
Da praça pra casa.

Mulheres e crianças se misturam nas calçadas.
Brincadeiras e fofocas.
A tarde é sempre hora de pipocas.
Lá dentro de casa a dona arruma a sala.
Banheiro, cozinha, a pia, é dia de faxina.

A televisão ligada, crianças ao seu lado.
Desenhos e notícias na TV, enchentes, engavetamentos
Nas estradas todas as tardes.
Propagandas que muito a criançada enganam.

Lá fora o vento varre a velha rua.
E homens vendem panos de pratos, pamonhas e bambus pra varal.
Mulheres olham signos no jornal.
Parecia mais um dia de tardes vazias.

Lá na praça acontece um vesperal, mas nem tudo é legal.
O menino que na rua brinca, com bola, já voltou
da escola.
Rapazes desocupados preferem andar armados.
Confusão ali do lado, perto do espetáculo.
Que era pra ser uma maravilha.
O que acontece em uma tarde na periferia, bala perdida.
Periferia, sempre tragédias no ar.
Levaram toda a alegria de uma tarde cheia de magia.
E de uma vida que queria vencer na lida.
Tarde triste, tarde sem graça, tarde de desgraça.
Olhar pra trás pra reconhecer a paz.
A maldade e a inveja tomam conta das
Tardes periféricas.

Terceira parte da “Trilogia dos Dias na Periferia”.

Fonte: Jornalirismo 

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