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Jean Mello

Jornalista, especialista em Planejamento de Mídias Digitais (FGV) e Web Analytics (Google Academy).

Feliz dia das mães

 

 

Alguns filhos são abandonados pelos pais simplesmente porque os pais acham que não poderão dar uma boa formação, a famosa da insegurança, ou mesmo por questões financeiras. Não dá para negar que em algumas situações o egoísmo impera.

O abandono não é um problema novo. No Brasil no século XVIII e XIX o abandono de recém-nascidos já era presente em diversos lugares.

Filhos ficam chateados com seus pais por não entenderem que os pais querem apenas o bem. Uma vez Renato Russo disse que os pais são tão crianças quanto os filhos. Será?

Vidas despedaçadas de famílias que não se resolvem e que os integrantes apenas se culpam – gente que nem se fala ou que se prejudica, tudo em detrimento da falta de perdão.

Abrigos lotados e crianças que crescem sem esperança, tendo como referência alguns educadores. Agora, quando as referências são outras pessoas na rua, quase sempre também com o histórico de abandono, entregues ao mundo da venda de drogas ou à criminalidade, a preocupação é ainda maior. De fato, qualquer tipo de abandono gera consequências. Posso culpar indivíduos que querem a todo tempo dizer e ninguém os ouve? Já vi diversos jovens que sabem tocar algum instrumento musical, interpretam peças de teatro, escrevem e outras habilidades e que não estão procurando alguém para dar voz a eles. Não querem medidas exploratórias disfarçadas de educativas. Eles querem dizer com as palavras deles.

Por outro lado, tem algumas medidas desnecessárias que algumas empresas tomam – jovens não precisam mudar o cabelo ou o jeito que são para demonstrar a essência. Quando algo é completamente padronizado sobram apenas discursos prontos ou mesmo uma interpretação do real, jovens que imitam padrões dentro de um ambiente de trabalho, apenas para tentar garantir o emprego.  No final sobra a insatisfação de estar em um lugar que não aceita as pessoas como elas são. Competência não está no uso ou na falta de um brinco, tampouco no cabelo grande ou pequeno, às vezes nem em técnicas pré-estabelecidas. Quem sou eu para dizer? Não deixa de ser apenas uma sugestão para lidar com a diversidade de pensamentos, estilos e outras formas de se posicionar perante o mundo. Quem pode dizer o que um jovem pode ou não dizer ou fazer?

Quantas famílias ainda estão procurando o caminho ensinado nas novelas? Família perfeita não existe, o que existe é gente que almeja demonstrar uma família perfeita.

Agora, muitos nem podem dizer feliz dia das mães… Outros sonham em ter uma mãe, quem dirá um pai por perto. Não sei por qual motivo estou de um lado e não do outro. O que almejo dizer aqui é que sou feliz por poder olhar para minha mãe, que muito contribuiu e até hoje me ajuda a realizar sonhos, e poder dizer feliz dia das mães. Seria eu um completo egoísta se me esquecesse em dizer que outros não podem fazer a mesma coisa.

Como educador já vi muitos casos em que no dia das mães muitas crianças e adolescentes choravam ao invés de sorrir – alguém precisa ver isso e mostrar que algumas pessoas não podem dar presentes, elas não conhecem seus pais.  Quem é que pode ouvir?

Sim, fico feliz em poder dizer à minha mãe feliz dia das mães. Vou além, acho que todos que têm essa oportunidade, nesse tempo presente, deveria não se contentar apenas em alegrar alguém que está ao seu lado. Uma visita a um abrigo, para ver e conversar com crianças e adolescentes que não podem fazer o mesmo, seria viável.  Ou mesmo procurar em alguma esquina encontrar alguém que não pode dizer feliz dia das mães, até mesmo para dar algum respaldo. Tem voz que vem do coração e que não dá para apagar da memória – não sou ingênuo em dizer que os problemas sociais seriam resolvidos apenas dessa forma. Agora, não dá pra negar que uma mobilização pessoal, que desdobraria em algo maior, poderia ajudar. Você faria algo?

***

Esse é um escrito para as mulheres que assumiram a missão materna.

Esse é um documento para àquelas que não tiveram respaldo para cuidar de seus filhos, abandonadas por homens que não quiseram assumir sua responsabilidade, mas mesmo assim não abandonaram o barco e quiseram ser mães, enfrentando o mundo inteiro para dar boa educação para as crianças.

Escrevi até mesmo para mães que deixaram de lado seus filhos, por acreditarem que eles poderiam ser mais amparados em instituições especializadas, em alguns casos não deixa de ser uma prova de amor. Quem pode julgar?

São palavras de minha mente, sem citações de outros autores, que muito respeito, que podem até ter me inspirado para tentar dizer algo nesse dia tão singelo.

Dedico essas palavras às mães, mulheres, que mesmo com todos os preconceitos da sociedade não desistiram diante das adversidades.

Feliz dia das mães, para minha própria mãe e para todas, independente da situação familiar que se encontram.

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