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Jean Mello

Jornalista, especialista em Planejamento de Mídias Digitais (FGV) e Web Analytics (Google Academy).

Compulsivo por livros

Ele pisou em um lugar que não havia sido reservado a ele. Permaneceu lendo seus vários livros, ao mesmo tempo. Alguns caros – economizando a grana de cada salário – e outros nas promoções de um real nos sebos de sampa.

Percorria bairros ricos e pobres em busca materiais que voltada lendo, compulsivamente, em um busão qualquer. Com dezenove anos já não sabia responder quantos livros lia por semana. Não por jactância, e sim por nem ligar para o número. Como controlar algo tão prazeroso?

Menino estranho, enquanto outros estavam no sol, com o som ligado e olhando cada bunda que passava, ele ficava em casa lado a lado com o mais novo clássico adquirido. Seu sonho era um só… Comprar vários livros para quando tivesse seus filhos deixasse esse legado para eles. Pais, mesmo na simplicidade, deixam ricas heranças.

Científicos, romances, poesias, crônicas etc., quando viu, mais de quinhentos livros em uma só casa. Lógico que isso aconteceu com o passar dos anos. Mesmo assim, quando qualquer pessoa chegava, que não fosse uma das mais próximas, soltava a pergunta: você já leu tudo isso? Quando a resposta era sim, quem perguntou duvidava. Por isso, optou por nada dizer. O tempo mostra quase tudo.

Junto com o compromisso de sangue com o ato de ler, nasceu, quase que na mesma sintonia, o de escrever. Irmão de tudo isso, andando abraçado, foi o nascimento de um educador.

Olhando com cautela, em dias inacabados, quem realmente ama o desafio da aliança com a educação genuína, encontra histórias repetidas. Como, por exemplo, a que foi registrada nesse curta.

Porém, com toda sinceridade, pode contemplar outro lado da mesma moeda. Gente esforçada, fazendo de tudo para que em seu circulo histórias não fossem refeitas. Mais ou menos como Sérgio Vaz registrou em seu livro Literatura, pão e poesia

A periferia nunca esteve tão violenta: pelas manhãs é comum ver, nos ônibus, homens segurando armas de até quatrocentas páginas. Jovens traficando contos, adultos, romances. Os mais desesperados, cheirando crônicas sem parar.

Não é delírio… Realidade que muito vejo nas quebradas, insisto em dizer. Lugares em que as pessoas ainda moram na beira dos córregos e as casas ainda são de pau. Muita gente está plantando coragem para as atitudes do amanhã.

Hoje, na vida do nosso personagem sem nome, o gosto pela leitura corporificou-se na prática que pode ser chamada de fome e sede de justiça.

A poesia toma sua forma para quem consegue acompanhar o que ela diz… Pena que nem todo mundo pode escutar o que ela não fala. Às vezes é tão sutil como a brisa que toca seu rosto. Ela está lá, mas nem sempre dão valor à ela.

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