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Jean Mello

Jornalista, especialista em Planejamento de Mídias Digitais (FGV) e Web Analytics (Google Academy).

Anoitecer na periferia

Por Germano Gonçalves

É chegada a hora, a tarde vai-se embora.
E o anoitecer vem chegando às periferias.
A noite vem se apresentando e, com ela, os transeuntes.

Passando de um lado para o outro, uns vêm das fábricas.
Outros vão para as igrejas e muitos já estão ingerindo geladas.
Jovens para a escola, noites de sono na sala, matar aula.

Homens e mulheres em caminhos incertos, e bem ali perto
Andam pelas ruas, luzes nas avenidas insinuando aventuras.
No bar à procura do par para relaxar, músicas e músicos
Misturam-se entre os botecos, fazendo refrão para
Amenizar a solidão.
A mulher bate a porta toda torta
Cansada de o marido esperar, vai se deitar.

A noite é algo mágico, traz consigo vaidades e luxúrias.
Mendigos que pedem comida e moedas.
Meninos sem teto ficam nas calçadas, ao meio-fio
À espera do veículo a estacionar e uns trocados ganhar.

Na escuridão, na calada da noite, nem tudo é boemia.
No sereno tudo se transforma em utopia.
Sonhos de uma noite de magia.
Em cada esquina, um sonho de menina.

A lua esquecida, ninguém mais a chama de querida.
Sozinha no firmamento, sem nenhum contentamento.
Anoitecer na periferia, um aviso, um amigo.
Talvez um perigo, depois do copo com álcool, estopins,
Viram tragédias nas vielas.

O assalariado, já embriagado, no balcão ao lado.
Deixou todo o salário.
O filho faz aniversário.

Nos bares um celerado sem cuidado.
Seguranças sem preparo, vítimas que caem.
Palavras que ficam, choros e lágrimas da morte.
Cadê nossa sorte?

Arma de fogo, tudo de novo.
Era pra ser só mais uma noite.
Noite fria, noite triste, periferia fora do palco.
Fecham-se as portas de aço, tudo é escasso.

Cadê o violão, garrafas de vinho na mão?
Ah, como era boa em tempos de inocência.
Os homens tinham paciência.
Garotas e rapazes nos portões
Fazendo versos e cantando canções.
Agora, é a luta pela sobrevivência e a noite
Transforma-se em enorme degeneração.

E assim a periferia dorme.

Fonte: Jornalirismo

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