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Jean Mello

Jornalista, especialista em Planejamento de Mídias Digitais (FGV) e Web Analytics (Google Academy).

Escolhi guardar meu coração, dele procede as fontes boas da vida…

A melhor de todas as coisas é guardar o coração para o novo que está para surgir. Simples não é, consiste em ouvir o que não se quer ouvir e falar o que nem sempre é agradável aos outros.

Procurar entender os diversos lados da mesma história antes de tomar qualquer atitude ou fazer algo que me condene como imaturo, enquanto alguém que no deserto apenas reclama ou apenas faz, sem pensar por quais motivos realiza, com os braços abertos ao nada, sem saber das reais motivações, mudando de atitudes e opiniões todos os dias e sendo levado por qualquer vento que leva a lugar nenhum.

Sabedoria que não pode faltar. Vida que precisa brotar – em cada consciência – para não apenas reproduzir o que dizem que é correto.

Escolhi não me alienar de nada e, ao mesmo tempo, não participar de tudo. Uma por não dar tempo de abraçar o mundo todo, é muita coisa. Outra, nem tudo satisfaz meus anseios. Egoísmo? Não, pelo menos naquilo que acredito, apenas discernimento em saber que são vários, mais que diversos, os processos de mobilizações sociais que estamos, enquanto sujeitos políticos, envolvidos. Agora, no que me envolvo, sem dúvida nenhuma, não tenho direito algum de obrigar que outros sujeitos se envolvam. Guardar o coração das falácias ao redor é ter – ao menos um pouco – gratidão.

Acredito que inúmeras são as formas de se fazer proselitismo, promover obrigatoriamente uma causa, forçar o outro a crer naquilo que creio. Movimentar pessoas colocando goela abaixo o que considero correto. Mobilização nunca pode ser um processo que envolve obrigatoriedade ou hostilidade – isso se chama fundamentalismo. Quando sou atacado pelo que penso, não é de bom tom responder com a mesma moeda. Alguns pularão da cadeira dizendo que recomendo dar a outra face.

Guardar o coração é não fazer aquilo que me faz perder a razão e alimentar o próprio campo que desejo transformar. Simples, como serei eu racista lutando contra o racismo? Será que me sentiria bem replicando o que existe aos montes nos espaços religiosos não saudáveis? Bem, como poderia eu colocar em minha prática educacional qualquer veia tradicionalista que vê o educando como mero depósito de conteúdos? Não caberia e, com toda razão, eu seria criticado com certa agudez pelos meus semelhantes ou por gente que conhece um pouco de minha caminhada.

Guardar o coração é preservar o que existe de mais precioso, a vida. É não se esconder ou escorregar nas armadilhas da covardia. Simplicidade e humildade em reconhecer que não sei de tudo e que as opiniões de quem me cerca podem manter vivas as minhas realidades utópicas para pensar e agir hoje, amanhã, sem a esperança alienada de mudar o ontem.

Imagem de destaque: dretchstorm.com

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