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Jean Mello

Jornalista, especialista em Planejamento de Mídias Digitais (FGV) e Web Analytics (Google Academy).

Ainda mantendo acesa a chama da esperança!

Em Decepcionado com Deus, um livro simplesmente memorável, Philip Yancey compartilha com os leitores acontecimentos em forma de depoimentos pessoais, que levaram as pessoas a se decepcionarem com suas comunidades não sadias, líderes religiosos, principalmente da ramificação evangélica, templos feitos por mãos humanas ou com o próprio Deus.

Além disso, como é próprio ao Philip Yancey, investiga a questão do sofrimento humano, à luz do livro de Jó, principalmente.

Promessas de curas miraculosas não acontecidas.

Garantia de riquezas instantâneas, prosperidade desenfreada, igrejas que prometem e não entregam. Neófitos!

Comunidades inteiras alvo de escândalos éticos vergonhosos, televisionados quase que em tempo real.

Vidas arrasadas, quase acabadas, por acreditarem em sonhos inacabados de um impossível amanhã, mas que pela ilusão e desconhecimento dos evangelhos, engolem sem nem mastigar, acreditam sem pensar.

Necessário o surgimento, na prática, mais pegada, unção não manipulada e nem manipulação de público, leveza.

Fundamentalismo que destrói gerações! Pode ajudar a muitos ou dar falsa sensação de ajuda. Mas em que lugar está aquele Deus que a ninguém excluía?

Essas pessoas que no livro Yancey entrevista estavam mais ou menos assim. Algumas esperançosas apesar do sofrimento. Outras, infelizmente, completamente cegas em detrimento do ódio desenfreado. Raízes de amargura.

Deixe-me explicar… Existem pessoas que depois de serem oprimidas propõem, para sociedade, coisas que vão à contramão, contra fluxo, da exploração. Já outras, não raro é, oprimem o dobro. Como mecanismo de defesa, talvez.

Dentro desse jogo fica quem procura ao menos um gole de vida. Mas não querem mais se envolver em nada, afinal de contas “gato escaldado tem medo de água fria.”

Isso é o que pega nos dias atuais. Muita gente foi de peito aberto. Não é à toa que o relato de Yancey faz sentido também para o Brasil.

O sistema religioso por natureza não é sadio. Religião alienante continua a ser a porta aberta para a dor. Espiritualidade viva, proposta de espiritualidade, é resgatar o que contido está nas poderosas palavras de Cristo Jesus até hoje não entendidas na plenitude ou ignoradas pela simplicidade da forma.

Amor, tão escasso em nossos dias, precisa renascer. Vida, sentimento ímpar, precisa brotar em nossas comunidades que se chamam cristãs. Claro que os erros ou opressão, ou mesmo a decepção, assunto inicial em questão, não se traduz em uma exclusividade da religião em si, mas de todo ser humano condenado ao erro. Porém, na atualidade, parece que deságua sobre essa geração tudo que se acumulou durante séculos.

E não adianta esconder debaixo do tapete. Todos estão vendo e sentindo. As pessoas não acreditam como antes e, mais ainda, perderam a fé em quem não tem ligação direta com a vaidade humana. Um reflexo disso são os comentários nas redes sociais ou as conversas que vemos nas ruas, no cotidiano.

Ainda vejo o mundo regredir entre a fé, ou a falta de fé, e o dinheiro!

Coerência nenhuma há em se decepcionar com Deus! Ainda existe alguma definição prática de fé que merece, ao menos, ser preservada nas profundezas da alma. Basta viver, ainda dá tempo de crer.

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