Como castigar seus filhos por fumar: 11 passos

Como Castigar Seus Filhos por Fumar: 11 Passos

O Poder dos Pais      Jacqueline Vilela • 18 Dezembro 2016

Um dos maiores livros sobre educação na adolescência que li na vida foi Quem Ama Educa! Adolescentes, escrito por Içami Tiba.

É uma obra que eu não me canso de recomendar para os pais de adolescentes. Mais do que isso, estou sempre consultando de tempos em tempos para a educação da minha própria filha porque é uma leitura leve e fácil, mas ao mesmo tempo direta e franca. Você já leu?

O livro é dividido por 4 Partes principais, cada uma com capítulos detalhando o tema, e promove reflexões e ensinamentos sobre a adolescência, estudos, sexualidade, drogas, família e gerações.

Hoje eu quero compartilhar com você algumas das minhas frases favoritas de Içami Tiba, psiquiatra, psicodramatista e escritor que tanto ajudou as famílias ao longo da sua vida. Recomendo fortemente que você leia as dicas, reflita sobre elas e, principalmente, leia o livro.

São conselhos preciosos para você não apenas educar filhos adolescentes, mas para ser uma pessoa melhor.

Então vamos lá para as dicas de Içami Tiba:

É na adolescência que o filho se lança ao mundo, e aos pais cabe torcer por ele e socorrê-lo quando preciso. Também é responsabilidade educativa dos pais interferir quando algo não vai bem, mas agora adotando um novo posicionamento educativo.

Por mais que queiram e possam, os pais de adolescentes precisam evitar de tomar decisões pelos filhos porque é preciso prepará-los internamente para que eles possam se proteger sozinhos e enfrentar as consequências nas escolhas.

Do ponto de vista biológico, a adolescência está começando cada vez mais cedo, talvez um a dois anos antes do que a geração dos pais, mas essa atitude não deve ser incentivada pelos próprios pais.

A criança se sente no direito de fazer o que os mais velhos fazem, exigem celular sem nenhuma finalidade, querem definir a escola que vão estudar, o momento que vão fazer as coisas, dão presentinhos para “namoradinhas” aos 3 anos de idade… Dê poder a uma criança ingênua e ela mostrará incompetência no poder.

Essas decisões não deveriam ser tomadas por eles. Como um garotinho de 11 anos vai conseguir arcar com as consequências dos seus atos se é apenas uma criança?

Crianças precisam de supervisão e controle. Pais que são firmes, em vez de rígidos, conseguem melhores resultados com os filhos.

A interferência é necessária nos quartos bagunçados. Limpar o quarto pode até ser uma função de empregadas ou arrumadeiras, mas, se o território é do adolescente, é ele quem tem que cuidar do que lhe pertence.

Quem usa mal o seu território não está pronto para tê-lo, portanto, tem que devolvê-lo aos pais. Estes poderiam lhe restituir esse território aos poucos, conforme o aprendizado e as conquistas do jovem.

 Como Castigar Seus Filhos por Fumar: 11 Passos

É preciso deixar claro todos os pontos de vista sobre um filho(a) que traz sua(seu) namorada(o) para dormir em casa. Os pais devem manter a sua posição clara e firme sem temer que isso possa prejudicar os filhos.

O que realmente prejudica é o fato dos filhos terem a sensação de que podem fazer tudo o que quiserem sem levar em consideração o que os pais pensam e sentem.

Para preparar o filho para que não use drogas, o que vale é a combinação dos comportamentos do pai e da mãe, formando atitudes baseadas no princípio educativo da coerência, constância e consequência.

Os pais, de hoje, tem feito apologia do prazer. Não importa quanto eles se sacrifiquem, querem que o filho tenham prazer. A parte do sacrifício fica apenas para os pais. Isso, a rigor, é educar para que os filhos usem drogas.

Muitos jovens atribuem à maconha poderes que ela não tem, num preconceito positivo, enquanto muitos pais consideram o filho um viciado se ele tiver fumando maconha, num preconceito negativo. Assim, num campo já minado, os preconceitos bilaterais explodem o relacionamento entre pais e filhos.

A família sempre foi, é e continuará sendo o principal núcleo afetivo de qualquer ser humano. Na família nasce o SER. Na adolescência, ele busca sua identidade social. 

Com autonomia comportamental e independência financeira, o adulto jovem busca alguém para ter sua parceria.

Seu maior sonho é realizar a felicidade. Pelos filhos, a felicidade se perpetua. Ser eterno é o seu segundo maior sonho. A civilização se alimenta da educação e história dos filhos.

Histórias que escrevem páginas no livro da humanidade.

… E os filhos trazem na sua própria existência a felicidade e a eternidade dos seus pais.

Como Castigar Seus Filhos por Fumar: 11 Passos

Há mães que não admitem interferências no seu relacionamento com o filho. São mães onipotentes que acreditam que, se foram capazes de gestar, parir e criar um filho, saberiam também educá-lo. A realidade atual tem comprovado que se enganam.

Os pais retrógrados são os “donos da verdade” e acham que sabem o melhor caminho para os filhos, ou os carregam para que não se cansem. É aquele que acha que já sabe de tudo e que não precisa aprender mais nada.

Uma vez, vi um pai se abaixar para amarrar o cadarço do tênis de um garoto de 11 anos. É uma tarefa que o filho poderia muito bem executar.  Se o filho sabe amarrar os sapatos e não o faz, é um folgado que sufoca os pais. Se não sabe, é um ignorante que só postergou o aprendizado.

O que fará na escola esse garoto, onde os seus pais não estão e as pessoas presentes não tem tempo para ficar amarrando o cadarço de ninguém?

O mundo está em plena mudança. O passado já aconteceu e temos história para nos lembrarmos, o presente está mudando numa velocidade cada vez maior e caminhamos para um futuro inimaginável.

As estruturas físicas precisam ser adaptadas aos avanços tecnológicos.

Mais do que nunca a família ganha importância, principalmente se ela for atualizada com os novos conceitos educacionais. Alguns pais insistem em repedir modelos ultrapassados, ancorados e uma espécie de lamento saudosista: “No tempo do meu pai era bom. Bastava ele me olhar, que eu obedecia”.

Mas, se realmente tivesse sido tão bom, teríamos repetido o que eles fizeram e não teríamos participado dessa revolução evolutiva.

Não basta oferecer ao filho uma boa escola, modernos cursos extracurriculares, alimentação de qualidade e os melhores cuidados médicos, porque educação é um projeto que requer foco e estratégias de ação, para atingir o objetivo pretendido.

Em uma família de alta performance, as rotinas seriam os deveres de cada um, para que ninguém fique perdendo tempo tocando a rotina dos outros. Arrumar o próprio quarto é um exemplo. Cada um que arrume o seu, pois ninguém deve sobrecarregar o outro. Máquinas precisam de comandos, e filhos de líderes.

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Os pais líderes educadores não carregam sozinhos os seus filhos, mas estimulam-nos a ser comprometidos com o sucesso da família. 

Todas as grandes alterações comportamentais começam pequenininhas até ficarem evidentes e prejudiciais. Corrigir o que já se modificou é muito mais difícil do que mudar o rumo do que está se alterando.

Os pais não deveriam aceitar a tirania juvenil, pois ninguém pode ser tirano na sociedade. Isso é um princípio educativo.

Os pais sentem-se mais fracos do que o filho, que se sente forte justamente pela impotência deles. Eles não se abrem com ninguém, com receio de expor o próprio filho, e de vergonha da situação. O filho está acima de tudo e de todos.

Há pais com tempo ocioso, mas “sem tempo para os filhos”, e pais “sem tempo para nada” conseguem tempo para o amor. Cada um faz o seu tempo.

Pais e filhos adolescentes precisam encontrar meios de comunicação mais eficientes, atuais e prazerosos.

Como os adolescentes se comunicam entre si quando não se encontram pessoalmente? Sim, pelas tecnologias! Se a presença física está difícil, além dos bilhetes e telefonemas, é bom aproveitar a tecnologia dominada pelos jovens para mandar torpedos, usar e-mails, Whatsapp, etc. 

Estudo não se negocia, ele é importante não só para a capacitação e formação pessoal, mas também para o benefício e qualidade de vida da família e da sociedade.

Mais importante do que tirar notas altas é aprender. E mais importante do que ter informações dentro de si é aprender a encontrá-las. É preciso ter consciência da necessidade de aprender. O aprendizado não faz mal a ninguém e filhos levam para a escola o que aprenderam em casa.

O adolescente precisa ter um cobrador externo para que construa um cobrador interno. Os pais precisam fazer esse papel, cobrando. Já que a escola não está conseguindo melhores resultados com esse sistema de educação, que cada família descubra quais métodos podem ser usados para forjar a personalidade do filho, a fim de transformá-lo num cidadão competente.

Estar pobre ou rico não cabe somente à sorte. Em geral pobre é a pessoa que não conseguiu ganhar dinheiro ou administrar bem o que recebeu. Muitos profissionais ganharam bem, mas não se tornaram ricos por falhas na administração financeira.

Antes de gastar qualquer quantia, vale a pena fazer 3 perguntas:  Eu preciso realmente disso? Para que? Preciso comprar agora?

Para educação financeira, toda compra que não se usa, não se curte nem sequer se negocia é um desperdício. O desperdício é sempre muito caro, pois é dinheiro jogado fora.

O filho está aprendendo o jogo da vida por meio do trabalho. Todo jogo tem suas regras, e ele tem que aprender as regras de sobrevivência. A primeira delas é a relação custo benefício.

O comprometimento com a família pode ser construído no dia a dia, à medida que a família exige que o adolescente cumpra suas obrigações, até atingir o amadurecimento. Entre os funcionários igualmente capacitados, vence o que estiver realmente comprometido com o projeto, por isso a importância do adolescente aprender em casa.

Mau trabalhador é a pessoa que trabalha o suficiente para não ser despedida e reclama que ganha pouco. Muitos filhos, trabalhando como maus empregados, estudam apenas o suficiente para passar de ano, fazendo o mínimo em casa e recebendo tudo de “mão beijada”. Acabam sendo mal preparados para o trabalho, cujas exigências andam a passos gigantes.

Se o trabalho for progressivo e em nada prejudicar os estudos, pode até ajudar o estudante a se organizar melhor. O trabalho em si não prejudica o homem em nada.

A adolescência é a etapa humana que corresponde à das flores antes de se transformarem frutos. Os adolescentes existem, atraentes, exuberantes, perfumados, coloridos, agitados, exibidos, gregários, querendo ver e ser vistos.

Das flores é que se formam os frutos e os adultos, que já foram adolescentes, querem que esses adolescentes funcionem como se fossem frutos. E os adolescentes querem que os adultos tenham os mesmos pontos de vista deles.

Conflitos entre adultos e adolescentes são naturais e acontecem. O que deve ser evitado é que os conflitos evoluam para confrontos.

  • Os adultos precisam funcionar como raízes que alimentam os alados, e não como âncora que os prende num local.
  • O adolescente é pequeno demais para grandes coisas, grande demais para pequenas coisas.
  • O que eu ensino nesse ebook é o pontapé inicial para a transformação da sua relação com o seu filho adolescente.

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Escreva abaixo qual dica foi para você a mais importante.

Como Castigar Seus Filhos por Fumar: 11 Passos

Câmara aprova proibição de castigos físicos em crianças

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou nesta última quarta-feira (21/5) a redação final da proposta que estabelece o direito de crianças e adolescentes serem educados sem o uso de castigos físicos (PL 7672/10). A proposta, que vinha sendo chamada de Lei da Palmada desde que iniciou a sua tramitação, vai se chamar agora Lei Menino Bernardo.

O novo nome foi escolhido em homenagem ao garoto gaúcho Bernardo Boldrini, de 11 anos, que foi encontrado morto no mês passado, na cidade de Três Passos (RS). O pai e a madrasta são suspeitos de terem matado o garoto.

O projeto, que inclui dispositivos no Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/90), será analisado agora no Senado.

Segundo a proposta, os pais ou responsáveis que usarem castigo físico ou tratamento cruel e degradante contra criança ou adolescente ficam sujeitos a advertência, encaminhamento para tratamento psicológico e cursos de orientação, independentemente de outra sanções. As medidas serão aplicadas pelo conselho tutelar da região onde reside a criança.

Além disso, o profissional de saúde, de educação ou assistência social que não notificar o conselho sobre casos suspeitos ou confirmados de castigos físicos poderá pagar multa de 3 a 20 salários mínimos, valor que é dobrado na reincidência.

Debate

A tentativa de votar a proposta começou na manhã desta quarta. A primeira sessão realizada na Comissão de Constituição e Justiça durou três horas e foi suspensa por falta de um acordo entre os parlamentares. O debate foi acompanhado pela ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Ideli Salvatti, e pela apresentadora de TV Xuxa Meneghel, que defende a medida.

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À tarde, após uma reunião na Presidência da Câmara, os parlamentares chegaram a um acordo e alteraram o texto para deixar claro o que seria considerado castigo físico.

O texto em discussão definia castigo físico como ação de natureza disciplinar ou punitiva com o uso da força física que resulte em sofrimento ou lesão à criança ou adolescente.

O relator da proposta, deputado Alessandro Molon (PT-RJ), apresentou uma emenda acrescentando a expressão sofrimento físico.

Assim, a definição para castigo é a seguinte: ação de natureza disciplinar ou punitiva com o uso da força física que resulte em sofrimento físico ou lesão à criança ou ao adolescente.

Negociação

O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, participou da reunião da CCJ. Ele destacou o empenho de todos na aprovação da proposta. “Rendo homenagem a todos que colaboraram para esse entendimento. Os que eram contrários, os de oposição, os outros, a bancada evangélica que foi sensível às alterações feitas. Todos colaboraram para que haja esse clima de consenso, disse.

O deputado Alessandro Molon afirmou que as alterações no texto foram aprovadas por todos os partidos presentes na reunião com o presidente Henrique Alves.”Havia uma impressão de que apenas a palavra sofrimento não traduzia aquilo que tinha sido debatido, aquilo que tinha sido decidido, acordado na comissão especial, explicou.

O coordenador da bancada evangélica que era contra a proposta , deputado João Campos (PSDB-GO), explicou que os deputados obstruíram a votação da matéria para que partes do texto que não estavam claras pudessem ser corrigidas, evitando assim insegurança jurídica em relação ao projeto.

“Achamos que a definição de castigo e de tratamento cruel era imprecisa. Quando se define que o castigo físico está associado à crueldade ou comportamento degradante, o projeto precisa ser mais explícito. E aqui não tinha espaço, não tinha ambiente para a gente tentar contribuir para melhorar esse texto, disse Campos.

Histórico

O projeto foi aprovado em 2011 por uma comissão especial da Câmara, que tinha como relatora a ex-deputada Teresa Surita (RR). O texto tramitava em caráter conclusivo e poderia ser remetido diretamente para o Senado, mas diversos deputados contrários à proposta tentaram levar o debate para o Plenário da Câmara.

Os parlamentares argumentavam que o texto interferia em direitos individuais dos pais e, por isso, deveria ser analisado também pelo Plenário. Foram apresentados vários recursos na Casa e até um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF), pelo deputado Marcos Rogério (PDT-RO), contra a Mesa Diretora da Câmara, que confirmou a tramitação conclusiva da matéria.

  • Nas últimas semanas, o projeto vinha sendo alvo de polêmicas em diversas reuniões da CCJ, impedindo a votação de outras propostas na comissão.
  • O projeto foi objeto de enquete, que contabilizou mais de 40 mil votos, e de um videochat promovido pela Coordenação de Participação Popular da Câmara dos Deputados.
  • FONTE: Agência Câmara

7 passos para ensinar o seu filho a dizer a verdade

Já se deve ter perguntado, muitas vezes, porque é que a determinada altura, os seus filhos, ainda pequenos, começam a contar mentiras. A idade do Pinóquio chega a todos, uns mais cedo que outros é verdade, mas é possível contornar a situação.

O Observador falou com uma coach parental, com formação académica em Psicologia, Sociologia e Gestão. Cristina Nogueira da Fonseca, mentora do projeto Famílias Felizes, percorre o país com vários workshops e sessões de coaching para os pais (e filhos). Com ela vamos perceber o porquê das crianças mentirem, sugerindo alguns passos para incentivá-las a dizer a verdade.

As crianças, tal como em tudo o resto, aprendem a mentir. Porquê? A coach parental Cristina Fonseca responde.

Segundo a maior parte dos estudos, as crianças começam a dizer as suas primeiras mentiras por volta dos 3 anos, altura em que “começam a perceber que os adultos não são leitores da mente, nem têm bolas de cristal.

Por isso podem começar a dar falsas verdades para se retirarem de situações que sentem poder trazer-lhes consequências negativas ou experiências desagradáveis”.

As crianças começam a mentir, portanto, à medida que vão desenvolvendo as suas capacidades cognitivas e amadurecem as suas competências sociais. Não se preocupe porque todas mentem e o melhor mesmo é ensinar-lhes o caminho da honestidade.

Cristina Fonseca realça que o mais importante é tentar perceber porque é que os filhos sentem necessidade de mentir, não esquecendo nunca que as crianças apreendem o código moral que é desenvolvido com e pela família e que mentem exatamente pelos mesmos motivos que os adultos.

Mas quais são os principais motivos das mentiras entre os mais pequenos? A coach parental revela que, a maioria das vezes, as crianças mentem por impulso e dá um exemplo claro de uma situação em que isso pode acontecer.

“Quando alguém lhes pergunta com um tom abrasivo “fizeste isso?”, nesse momento as crianças têm tendência a dar a resposta que sabem que mais facilmente as retirará daquela situação, mentem por medo, medo dos gritos e das consequências, algumas físicas até, das pimentas na língua às palmadas, mentem para evitar fazerem coisas que não querem.”

As crianças aprendem também pela imitação e pela observação constante daquilo que os pais fazem e dizem. Contudo, existem alguns truques importantes que o podem ajudar a gerir as mentiras dos seus filhos e, sobretudo, ensiná-los a dizer a verdade.

Evite os rótulos

“Mentiroso”, “aldrabão” ou “troca-tintas”.

Alguma vez se sentiu tentado a chamar ao seu filho algum destes rótulos? Se sim, Cristina Fonseca aconselha a não voltar a fazer isso e explica que as crianças vivem muito segundo os rótulos que lhes são atribuídos.

Rotular o seu filho de mentiroso irá colocar sobre ele uma pressão negativa, podendo inibi-lo de tentar fazer diferente. As consequências podem mesmo ser negativas.

“Rotular uma criança é limitar-lhe todo o seu potencial de capacidades, se lhe dissermos que é má, não há lugar para ser boa, se lhe dissermos que é mentirosa, não há lugar para ser honesta. Os rótulos dizem às crianças o que pensamos que elas são e poderá ser terrível se elas começarem a acreditar em nós, sobretudo se não conseguirmos ver para além do que nos dá chatice.”

Por isso já sabe, seja cauteloso na escolha das palavras e lembre-se que nas idades mais tenras tudo se trata de um processo de aprendizagem.

Mantenha a calma

Gritar é a sua primeira reação? Não vale a pena. Claro que ficará irritado, mas não pense que manter a calma significará que a sua preocupação é menor. Cristina Fonseca explica que manter a calma o ajuda a gerir os seus filhos aos invés de ser gerido por eles e acrescenta:

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“Pense que o seu filho ainda está a aprender, se quando uma criança mente, partirmos logo para os gritos e para o castigo, estamos a perder uma excelente oportunidade para nos conectarmos e para fazermos daquele “erro” um momento de aprendizagem.”

Os castigos, embora façam sentido em determinadas ocasiões, também podem provocar o medo e inibir o seu filho de dizer a verdade. “Os castigos vão manter e provavelmente aumentar as mentiras.

As crianças vão fazer tudo o que conseguirem para fugirem das situações de desconforto e vão usar cada vez mais mentiras táticas, ou seja, se mentir, não vão retirar-me coisas, não vão gritar comigo, não vão enviar-me para o castigo”, afirma Cristina Fonseca.

Nada de ratoeiras

Sabe que foi o seu filho a atirar o vaso ao chão e ainda assim pergunta-lhe “Foste tu que fizeste isso?”. Pois saiba que essa é uma das piores técnicas. A coach parental explica que fazer este tipo de perguntas (para as quais já tem uma resposta) é estar a criar rasteiras, dando-lhes nova oportunidade para mentir.

Cristina Fonseca aconselha: “Diga claramente ao seu filho o que o viu a fazer, ao invés de lhe perguntar “fizeste isto ou aquilo” ou “o que é que tu fizeste?

“Se eu tenho um vaso partido, se eu tenho a certeza absoluta que foi partido pelo meu filho, eu não lhe vou perguntar num tom irritado “Tu partiste o vaso?”.

As crianças vão dizer tudo o que puderem para se voltarem a sentir seguras, para que aquele tom de voz desapareça.

Evitar ratoeiras é precisamente isso, encarar o facto e comunicá-lo não dando espaço para que a criança sinta necessidade ou tenha espaço para mentir”, acrescenta.

Utilizar ratoeiras é estar a enganar o seu filho e dar espaço para que minta novamente.

Construa oportunidades

Crie espaço e momentos para que ela possa dizer a verdade, mas nada de pressões, aconselha Cristina Fonseca, que explica ainda que é importante que as crianças aprendam que é possível cometer erros mas também corrigi-los.

Os pais tendem na maioria das vezes a optar por atitudes mais punitivas e a coach parental também consegue explicar o porquê de isso acontecer.

“Os pais acabam na maioria das vezes a gerir as suas próprias emoções, mais do que a resolver o motivo da mentira, preocupam-se no imediato em gerir a mágoa, o desconforto e a irritação que sentem quando as crianças mentem. Infelizmente, há uma tendência para gerirmos a nossa dor fazendo questão de demonstrar ao outro o quanto nos magoou.”

É importante que saiba agradecer ao seu filho, diga a verdade. Ele compreenderá assim que aquela é a atitude certa a tomar.

Cultive a confiança

Os filhos mentem, os pais mentem, no final todos mentimos, por isso é bom que seja o primeiro a dar o exemplo.

Cristina Fonseca alerta para o facto de as crianças ouvirem tudo e serem muito boas a encontrar as nossas incoerências pelo que ” dizer ao seu filho que mentir é feio é muito mais coerente e tem muito mais impacto se efetivamente o seu filho puder confiar em todas as suas palavras”.

A coach parental dá exemplos claros de situações em que pode estar a mentir ao seu filho.

“Se dizemos ao nosso filho que “logo brincamos” ou “no próximo fim de semana fazemos isso” quando na realidade não temos intenção, não significa que estamos a mentir também? As crianças aprendem a confiar, sentindo que os outros à sua volta são de confiança.”

Atenção às incongruências

É importante ensinar os seus filhos a dizer a verdade, mas preste bem atenção àquilo que lhes transmite.

Cristina Fonseca aconselha-o a pensar neste exemplo: “Se a senhora te perguntar, dizes que ainda tens 8 anos para continuarmos a pagar o bilhete infantil”. Parece-lhe familiar? Certamente que sim e isto remete-nos para as tais incongruências.

A coach parental relembra que ao dizermos esse tipo de coisas “perdemos alguma legitimidade em fazer passar a premissa familiar da “honestidade acima de tudo”, e passamos a mensagem que mentir até é aceitável, desde que para nosso proveito”.

Contudo há outro tipo de situações, mais complexas, que também são importantes. Imagine esta situação: uma mãe diz ao filho que deve sempre aceitar e agradecer um presente. A tia oferece-lhe um presente que é feio, mas a criança faz o que a mãe lhe ensinou e diz que é bonito e que gostou muito (mas está a mentir).

Este exemplo levanta outras questões: como explicar à criança esta situação? Que há tipos de mentiras aceitáveis? A coach parental dá uma ajuda.

“Há efetivamente vários tipos de mentiras, mas as que mais utilizamos são as que servem para evitar danos nos outros, que até catalogamos como mentiras inofensivas e, depois, as que servem para evitar os nossos próprios danos. Talvez uma seja mais legítima ou aceite que a outra, mas na realidade continuam ambas a ser mentira. Creio que cada família tem a sua tabela de moralidade e decidirá o que será mais correto para o bem-estar da família”

Cultive a responsabilidade

É necessário que explique ao seu filho a importância das palavras e dos argumentos, bem como o seu efeito nas outras pessoas. Explicar-lhe que será responsável pelas consequências da mentira, que isso pode também afetar as suas relações e que não estará sempre lá para lhe ensinar que a verdade é o caminho que ele deve escolher.

Segundo Cristina Nogueira da Fonseca, deve evitar pensar que deve controlar o seu filho apenas para que ele não faça asneiras.

É importante que confie e lhe dê espaço, também, para cometer o erro.

É essencial alertá-lo para o facto de mentir ser feio, mas mais ainda para os benefícios de dizer a verdade e ser honesto e dar-lhe alguma responsabilidade para que ele possa geri-la.

A idade do Pinóquio não é realmente fácil, até porque as crianças começam nessa altura a saber separar os contos de fadas da realidade, contudo, vale a pena tentar colocar algumas destas dicas em prática.

Ah! E não se esqueça, não diga ao seu filho que se ele mentir o nariz dele vai crescer. Não caia, mais uma vez, nas ratoeiras da mentira.

editado por Filomena Martins

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