Como carregar um kindle: 15 passos (com imagens)

O mercado brasileiro de livros eletrônicos ainda está engatinhando e em breve (torçamos) será expressivo a ponto de a compra de e-books se tornar financeiramente vantajosa para o consumidor. Mas a praticidade dos leitores digitais é um fato: você pode dispensá-la, mas negá-la é complicado.

A discussão sobre o futuro do livro físico e sua pretensa obliteração pelo formato digital já está desgastada, mas é bom não esquecer que boa parte dos leitores está (e permanecerá) em cima do muro: mesmo tendo adquirido leitores digitais, eles não deixaram de comprar livros físcos. De modo que o apocalipse do livro de papel pode ser adiado em alguns anos.

Se você não é o tipo de pessoa que vai perder essa mão na roda só pra levantar a bandeirinha do tradicionalismo sem limites, é possível que já tenha optado ou esteja pensando em optar por um Kindle.

Embora os dois modelos disponíveis hoje no Brasil sejam simples e não sigam a regra do device-que-faz-absolutamente-tudo-que-você-precisa-na-sua-vida, os leitores digitais da Amazon guardam alguns segredinhos nem tão secretos assim e descobri-los vai facilitar a sua vida. Ainda mais

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1. Hora de criar a sua biblioteca digital

A maioria das pessoas compra o leitor digital com um só objetivo: ler livros.

Se você (secretamente, claro), já parou para pensar no seu consumo de literatura como uma dependência grave e passível de tratamento, prepare-se para alcançar um pouquinho de redenção ao adquirir um Kindle: os livros digitais são um pouco mais baratos, você poderá ler no transporte público sem precisar fazer malabarismo para equilibrar um calhamaço numa mão só, vai carregar menos peso e se o livro acabar no meio do caminho, não tem problema: tem mais alguns bem ali. Embora a oferta brasileira de e-books ainda não seja uma maravilha e o preço das versões eletrônicas não apresente grandes vantagens sobre as edições físicas, o leitor digital ainda representa economia. Sabe aquele monte de arquivos de livros que você acumulou a vida inteira no seu HD, jurando que um dia iria ler mesmo com toda a canseira causada pela tela do computador? Então, amigo, chegou a hora de colocar toda essa biblioteca alternativa no Kindle. Se você é essa pessoa equilibrada que não passou anos acumulando arquivos, parabéns. E meus pêsames, porque isso vai mudar agora mesmo.

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O Calibre é a ferramenta mais utilizada para converter arquivos para .mobi, o formato nativo do Kindle. Basta fazer o download do programa e ta-dam, é possível converter todos aqueles livros não lidos ou mezzo lidos e passá-los para o seu leitor via USB.

Só que além de exigir que você faça as conversões e coloque os arquivos dentro do device no muque, o Calibre não é a ferramenta mais bonita e amigável que você verá na sua vida.

Pra ser bem realista, ele é o tipo de software que sua tia (sim, a que te envia aqueles PPTs com mensagens de amor e esperança ilustradas com fotos de gatinhos e desenhos de artistas especialmente inaptos) criaria se ela fosse desenvolvedora.

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Se você usa várias máquinas e não está na vibe de baixar um programa de conversão, nada tema: existem as opções que não precisam de instalação. O Cloud Convert e o Online Convert podem ser usados direto no site e transformam seus livros e documentos em arquivos .mobi, prontinhos para serem lidos no Kindle.

Mas tem um jeito ainda mais fácil: a própria Amazon oferece um software para desktop que envia seus arquivos para o Kindle e você pode baixar as versões para PC e Mac aqui. Depois de instalar, é só clicar com o botão direito do mouse sobre um arquivo e aparecerá a opção “Send to Kindle”. O programa faz a conversão do documento para .mobi, mas pode demorar para que ele chegue ao seu leitor.

2. Organize sua biblioteca digital como você quiser

Você pode organizar seus livros digitais de duas maneiras: deixando uma lista de livros na sua tela inicial (as opções de exibição são por mais recentes, por título ou por autor) ou criando coleções. Se você tem mais de 20 livros no seu Kindle, a melhor opção para fugir da insanidade organizacional são as coleções.

O mesmo livro pode estar dentro de diferentes coleções, de modo que se seu nível de TOC for alto, é possível criar múltiplos grupos com diferentes divisões: por autor, por gênero, por língua, por tema e o que mais der pra inventar.

Se optar pelas coleções, o Kindle sempre vai manter no alto da tela a última coleção na qual você entrou. Assim, uma ideia é criar três coleções funcionais: a de livros lidos, a de livros que você está lendo e a de livros a serem lidos, e manter as duas últimas no topo da lista.

Dois lembretes importantes: excluir as coleções não exclui os arquivos de livros ou documentos contidos nelas; se acontecer alguma coisa com seu Kindle e você tiver que adquirir outro, a conta da Amazon continuará sendo a mesma e seus livros estarão lá.

Mas as coleções vão sumir e (sim, é uma tristeza) será preciso organizar tudo de novo.

3. Envie textos do seu navegador direto para o Kindle

Você está aproveitando seus cinco minutos de internet e de repente encontra um artigo legal. Você poderia lê-lo, mas coisas incômodas como trabalho, obrigações ou responsabilidades são impedimentos.

Suas opções são deixar o link aberto no navegador (e depois fechar todas as abas sem querer), favoritá-lo (e esquecer pra sempre), mandar pra você mesmo por e-mail (e nunca ler) ou usar uma ferramenta de curadoria de links (e acumular mais artigos do que poderia ler numa vida inteira, mesmo se passasse 24 horas por dia fazendo isso).

É possível acreditar em pequenos milagres quando o staff das principais ferramentas de armazenamento de favoritos tem a epifania de se integrar com o Kindle.

O Instapaper, um dos mais conhecidos sites de favoritos, disponibiliza o envio dos textos salvos para o seu Kindle. Eles vêm num só arquivo e dá para escolher a periodicidade e quantidade de artigos enviados, mas não espere um grande primor da arte da diagramação. Ele também não permite a visualização de imagens e não dá pra adicionar o arquivo de artigos a uma das suas coleções.

O Readability é um complemento para navegador que também guarda seus links para leitura posterior. A opção de envio de artigos para o Kindle cria documentos minimalistas e oferece aquela que provavelmente é a melhor experiência de leitura de artigos no Kindle, embora o envio de imagens também seja um problema.

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A Amazon não perdeu tempo e criou seu próprio complemento para enviar artigos do browser, o Send to Kindle. Ele tem até um botão que você coloca no seu site ou blog para que os leitores possam enviar os artigos diretamente para seus dispositivos. Acontece que o Send to Kindle é temperamental, trava muito e às vezes simplesmente não simpatiza com um artigo e não o envia a não ser após várias tentativas.

Algumas aplicações para navegador foram criadas especialmente para o device, como o Push to Kindle, e reza a lenda que ele é o mais funcional de todos.

Lembre-se de que para utilizar esses complementos é necessário colocar os e-mails deles na lista autorizada a enviar material para o seu Kindle.

Para fazer isso, entre na sua conta da Amazon e acesse as “Configurações de Documentos Pessoais”.

4. Envie arquivos para o seu Kindle por e-mail

Você também pode enviar arquivos para o seu Kindle por e-mail. Para isso, entre na sua conta da Amazon e clique na opção “Gerencie seu Kindle”. Depois, à esquerda da tela, entre em “Configurações de Documentos Pessoais” e adicione os endereços de e-mail que poderão mandar conteúdo para o seu aparelho.

Os arquivos que forem enviados de outros e-mails serão descartados. Depois de fazer a configuração, é só anexar um arquivo (no formato .mobi) e mandar ver. Um truque: se o arquivo for um PDF, você pode enviá-lo no formato original, mas alguns PDFs ficam ilegíveis no Kindle.

Então coloque a palavra “convert” no título do e-mail e ele será convertido automaticamente. Só que pode demorar e nem sempre dá certo.

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5. Leia seus feeds favoritos no Kindle

Do vício em livros para o vício em blogs é um pulo. Dá para ler alguns dos seus feeds preferidos no leitor digital usando o Kindle4rss, que monta uma revistinha com o conteúdo que você acompanha.

Leia também:  Como calcular o volume de concreto: 14 passos

A versão gratuita permite a assinatura de até 12 feeds com 25 artigos por edição, mas é preciso que você coloque o conteúdo manualmente no seu Kindle.

A versão paga custa $1,90 por mês, oferece até 300 assinaturas com número ilimitado de artigos por edição e ainda envia os arquivos automaticamente para o aparelho.

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6. Acesse o conteúdo do seu Kindle em outros aparelhos

Aí a bateria do Kindle acabou numa situação em que não dá pra recarregar bem quando você pretendia continuar uma leitura. Não precisa chorar: é possível acessar o conteúdo do seu Kindle em outros devices através de aplicativos disponibilizados pela Amazon. Tem pra iPhone, iPod Touch, iPad, Android, tablet Android e tablet com Windows 8.

7. Seus arquivos e a nuvem da Amazon

Nem todos os arquivos que você coloca no Kindle ficam guardados nos servidores da Amazon.

Tudo aquilo que você compra ou envia para o Kindle via e-mail ou complementos de navegador fica armazenado tanto no aparelho como na nuvem da Amazon.

No entanto, os arquivos que são colocados no Kindle via cabo USB ficam somente no aparelho. Se acontecer alguma coisa com seu device, eles se perdem.

8. Use o Kindle para ler quadrinhos

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O Kindle e o Kindle Paperwhite não são os devices ideais para a leitura de quadrinhos, tanto pelo tamanho da tela como pela ausência de cores. Mas se a vontade for maior que o juízo, sempre há um jeitinho.

Pelo site da Amazon é possível baixar gratuitamente o Kindle Comic Creator, um software que permite que os quadrinistas criem HQs em .mobi para vendê-las no site. Você pode baixá-lo e converter as HQs que estão no seu computador, só que como o foco da ferramenta não está nos usuários, mas nos criadores, utilizá-la não é fácil nem rápido.

Já o Mangle foi criado com o objetivo de tornar a leitura de mangás possível no Kindle. Como os mangás costumam ter um formato menor que o dos comics americanos e geralmente são em preto e branco, a experiência não fica muito prejudicada.

9. Coloque uma senha no seu Kindle

Digamos que você seja Professor Doutor em Literatura Russa, resolva ler Crepúsculo (só para entender o fenômeno, lógico) e não queira que ninguém descubra para evitar situações academicamente embaraçosas. Simples: coloque uma senha no seu Kindle. Tanto o modelo simples quanto o Paperwhite oferecem em seus menus de configurações a opção de criar uma senha numérica para o dispositivo.

10. Quanto mais línguas, mais dicionários

Como Carregar um Kindle: 15 Passos (com Imagens)
(Via)

O Kindle já vem com dicionários, mas quem é poliglota ou está estudando outras línguas pode adicionar mais alguns. Aqui você encontra dicionários já no formato nativo do leitor da Amazon.

11. Faça backup do seu arquivo de anotações

O Kindle permite que você faça marcações e notas nos seus livros. Essas anotações ficam armazenadas num documento que seu Kindle chamará de “Meus Recortes”.

É sempre bom fazer o backup periódico desse arquivo, que fica na pasta raiz do aparelho, para que as suas informações estejam sempre atualizadas.

Outra dica é: você pode sincronizar os dados para que o documento esteja disponível em todos os devices nos quais você utiliza a plataforma Kindle. Para fazer isso, vá até as configurações e se certifique de a opção “Backup de anotações” está ligada.

Você também pode ver os trechos que as pessoas mais destacam nos livros e permitir que suas notas sejam vistas pelas pessoas que você segue na Amazon: basta entrar nas suas configurações e ligar as opções “Destaques Populares” e “Notas públicas”.

12. Use seu Kindle para revisar textos

Muita gente acha melhor imprimir documentos para revisá-los. Você pode repassar seus textos no Kindle, economizar papel e contribuir para a vida das arvorezinhas. Envie o documento a ser revisto para o seu Kindle e faça as correções usando as ferramentas de notas e marcações.

13. Um sistema operacional alternativo para o Kindle

(Via)

Uma pequena empresa chinesa decidiu que não tem medo do Jeff Bezos e desenvolveu o Duokan, nada menos que um sistema operacional alternativo para o Kindle. Ele permite que o Kindle leia ePub, o formato padrão de e-books, que é mais compacto que o .mobi.

O Duokan também conta com um auto-ajuste para arquivos PDF. Agora a dura verdade: a instalação do sistema é por sua conta e risco: se tudo der certo, seu Kindle fica tunado. Se der errado, ele vai virar um belíssimo peso de papéis.

Além disso, com a instalação do Duokan, o Kindle deixa de receber as atualizações de software da Amazon.

14. Screenshots no Kindle Paperwhite

(Via)

No Kindle Paperwhite é possível tirar screenshots tocando as extremidades opostas da tela, como mostra este vídeo. O arquivo vai para a pasta raiz do aparelho.

O Paperwhite também permite que você faça uma pesquisa na Wikipedia Inline a partir de uma palavra do texto. Quando a palavra for pesquisada, abaixo da definição vai aparecer um botão “Mais”: clicando nele, você será encaminhando para a definição do termo no site.

15. Pequenas funcionalidades, grande ajuda

O Kindle permite que você personalize algumas configurações do arquivo que você está lendo: é possível mudar o tamanho da fonte e o espaçamento entre as linhas, além de rotacionar a tela e, em alguns arquivos, usar o zoom.

Apesar de o Kindle manter os livros digitais na página em que você os deixou, se quiser ficar fuçando pra lá e pra cá no arquivo (o Kindle não tem numeração de página: ele usa um sistema de porcentagem de leitura), é possível criar um marcador. É só ativar o menu, clicar na opção “Marcador de Página” e vai aparecer uma dobrinha digital no canto da página em que você estiver.

10 passos para publicar seu livro digital de forma independente na Amazon

A Amazon tem vendido Kindles no Brasil há alguns anos, e muita gente já tem esses aparelhos em mãos e lê livros digitais. A empresa ainda oferece apps para ler conteúdo no PC, no tablet e no smartphone. Ou seja, existe um grande público esperando para consumir literatura de qualidade. Sendo assim, que tal você mesmo publicar alguma coisa na loja da Amazon?

Que tal você mesmo publicar alguma coisa na loja da Amazon?

Existe uma plataforma de autopublicação chamada “Kindle Direct Publishing” ou Amazon KDP, que permite aos próprios autores comercializarem seus livros para os donos de Kindle e outros aparelhos. Vale destacar que a empresa não cobra nada para manter seu livro no ar nem para anunciá-lo em categorias de “mais vendidos” ou “recomendados”.

Em suma, você não paga nada para ter seu livro comercializado na loja, diferente do que requerem algumas editoras menores. Outra vantagem é a comissão.

Se você prometer exclusividade para a Amazon no meio digital, é possível ficar com 70% do valor de cada cópia vendida.

Nesse modelo, você permanece dono dos direitos autorais, mas não pode publicar o ebook em outra plataforma. Se desejar comercializar o mesmo livro em papel, não há problemas.

Depois de publicado, a Amazon oferece suporte para gerenciar suas vendas e saber exatamente quanto está ganhando. É possível também definir preço em reais para o Brasil ou em qualquer outra moeda para outros países.

Seja um autor independente

O TecMundo esteve em um evento promovido pela Amazon e pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná em Curitiba e nós conversamos com a responsável pelo KDP no Brasil, Luciana Syuffi.

Ela esclareceu vários pontos e garantiu que, com empenho na divulgação do livro por parte do autor, é possível conseguir bons resultados.

“De cada 10 livros digitais vendidos na Amazon brasileira, três são de autores independentes”, disse Syuffi.

De cada 10 livros digitais vendidos na Amazon brasileira, três são de autores independentes

Nesse mesmo evento, alguns autores independentes de sucesso também estiveram presentes e nós conversamos com Paola Scott, criadora da série “Provocante”, publicada independentemente e com sucesso na loja online da Amazon.

“Se não existisse o KDP, é bem provável que eu não tivesse publicado meus livros. Isso porque a gente sabe das dificuldades do meio físico.

Eu entendo também as editoras, porque elas recebem manuscritos que nem água para serem analisados e isso se torna até inviável avaliarem tudo. É difícil para eles também acreditarem em um autor desconhecido.

Eu não era conhecida, não tinha nome nenhum, e, até uma editora chegar a ler meu primeiro manuscrito, teriam se passado anos”, disse Scott ao TecMundo.

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Se não existisse o KDP, é bem provável que eu não tivesse publicado meus livros

Diferente das editoras comuns, publicar no KDP é praticamente instantâneo.

A Amazon se compromete a colocar os livros no ar para compra em até 48 horas depois do envio, e toda a edição e revisão tem que ser feita pelo autor ou por pessoas contratadas à parte.

Além do sistema da Amazon, a livraria Saraiva também tem uma plataforma de autopublicação. Você pode conferir mais detalhes sobre ele aqui.

Paola Scott, autora da série “Provocante”

Uma editora procurou Paola para fazer a publicação em papel

Scott criou seu primeiro livro inicialmente para compartilhar apenas com seu grupo de leitura. As amigas gostaram bastante e a incentivaram a publicar no KDP. Depois que os primeiros dois volumes da série foram publicados na Amazon, uma editora procurou Paola para fazer a publicação em papel.

Ela aceitou o acordo e tirou o primeiro trabalho do KDP. Entretanto, ela pretende fazer a divulgação inicial das continuações em ebook e, só depois, em livro impresso. A série “Provocante” tem expectativa para cinco volumes, e Scott já trabalha no penúltimo.

Preciso fazer ISBN ou depósito na Biblioteca Nacional?

Não. Colocar o número do ISBN é opcional na autopublicação pelo Amazon KDP, e, caso você não queira, também não é preciso ter o registro na Biblioteca Nacional para se proteger contra plágio. Só o fato de seu livro já estar publicado no meio digital garante os seus direitos autorais, pois ele se torna um documento legalmente reconhecido, assim como emails e publicações na web.

Entretanto, é muito interessante você ter o depósito legal ou o ISBN de fato. Confira como fazer isso aqui e aqui.

Como publicar

Para começar a publicar no KDP, você primeiro precisa ter um login na plataforma. Contudo, se você já tem uma conta da Amazon, é possível utilizar o mesmo email e senha para entrar. Tendo ou não uma conta pronta, clique aqui para fazer login. É possível criar sua conta do zero ou entrar com sua Conta Amazon e completar seu cadastro com as informações necessárias.

Passo 1

Você terá que preencher todas as informações do formulário, incluindo conta bancária e endereço, bem como responder a um questionário sobre imposto de renda nos EUA. Isso é obrigatório, mas não deve render descontos, a menos que você venda cópias do seu livro na Amazon.com em vez da Amazon.com.br

Passo 2

Com todo o processo concluído, clique em “Salvar”, no fundo da tela. Para continuar, vá em “Biblioteca”, no topo da página.

Passo 3

Leia o “Checklist” de itens necessários para publicar um livro. Note que é possível usar o criador de capas da própria Amazon na sua publicação em vez de pagar um capista para fazer isso. Claro que as opções ficam limitadas no que tange ao design, mas, ainda assim, é mais econômico.

Passo 4

Se você já tem tudo o que o checklist sugere, clique em “Criar novo livro”. Se você já tiver começado a fazer uma publicação e a largou no meio caminho, haverá um rascunho que pode ser editado.

Passo 5

Assim que você abre a página de postagem do novo livro, a Amazon vai sugerir que você participe do KDP Select. É necessário participar desse programa opcional para receber os royalties de 70% sobre cada venda. Há uma série de outras vantagens interessantes, como inclusão do livro no Kindle Unlimited (pagamento por página lida para o autor) e a possibilidade de criar promoções.

Passo 6

Agora, você vai preencher as informações do seu livro, como título, subtítulo, número da edição e vários outros detalhes. É preciso fazer isso com muita atenção para não publicar seu material com algum tipo de erro.

Luciana Syuffi, gerente do KDP no Brasil, nos contou inclusive que é muito importante pensar em um subtítulo que possa descrever o que é realmente sua obra.

Isso é interessante quando o seu título real é mais subjetivo.

É necessário também se dedicar à descrição do livro, que é um campo obrigatório nessa fase da publicação. São 4 mil caracteres no máximo. Se a sua obra tiver uma introdução ou algo do tipo, é possível utilizar esse segmento.

Note que é preciso prestar muita atenção na forma como você categoriza sua produção. “Se você não colocar no pote certo, as pessoas vão encontrar feijão em vez de sorvete”.

Passo 7

Ainda no formulário de postagem, você chegará ao tópico 5: “Crie ou faça o upload da capa do seu livro”. É interessante destacar nesse momento que, caso você já tenha uma imagem para sua capa, é possível simplesmente clicar em “Procurar por imagem” e fazer o envio do arquivo pelo seu computador.

Caso contrário, clique em “Iniciar Criador de capas” para criar sua própria capa na ferramenta da Amazon. A tela inicial desse criador vai mostrar um pequeno tutorial de como proceder. Não é nada muito complicado, mas confira os passos básicos a seguir.

A primeira coisa a fazer é escolher uma imagem de fundo para sua capa. Se você tem uma foto que deseja utilizar, clique em “Do meu computador”. Caso não tenha, use a “Galeria de Imagens” da Amazon ou “Pule esta etapa”.

Em seguida, será necessário escolher um design. Feito isso, experimente todas as opções de esquemas de cor, de layout e de fonte. É possível pré-visualizar sua capa no tamanho real, no tamanho das listas da loja do Kindle e também em preto e branco. Quando você confirmar o envio da capa, será levado para a página da publicação novamente.

Passo 8

Agora, é a parte mais importante. Clique em “Procurar” para abrir o navegador de arquivos do seu computador. Escolha o arquivo mais recente e melhor formatado para enviar. Saiba mais sobre formatação para o Kindle aqui.

É possível enviar o documento em DOC, DOCX, PDF e outros formatos de texto mais comuns. Aconselhamos escolher a forma mais confortável para você, a que não precise passar por muitos processos de conversão previamente.

Quando o processo de envio for concluído, você poderá clicar em “Pré-visualizar livro” para ter uma ideia de como ficou a formatação final, aquela que as pessoas verão ao ler no Kindle ou em outros aparelhos.

 Se você encontrar incongruências na formatação, abra seu arquivo original, repare o que for necessário e encaminhe a nova versão mais uma vez.

Se tudo estiver ok, clique em “Voltar aos detalhes do livro”, bem no canto superior esquerdo da página.

Passo 9

Quando tiver salvo os detalhes da página anterior, você terá mais opções para especificar, incluindo regiões dos direitos autorais e outros. O mais importante, entretanto, é o preço.

Uma boa dica para escolher o valor é dar uma olhada nos concorrentes da mesma categoria e identificar um preço médio.

Claro que você pode ajustar seu livro acima ou abaixo do mercado, dependendo da sua intenção com essa publicação.

É obrigatório definir um preço em dólares para vender seu livro na Amazon.com, mas é muito importante definir um valor para a Amazon.com.br também, para evitar números quebrados devido às flutuações cambiais.

Passo 10

Depois disso, basta clicar em “Salvar e publicar” para mandar seu livro para a loja. A Amazon fará uma análise e, em até 48 horas, seu título estará disponível para compra. Enquanto isso, seu status ficará marcado como “Em revisão” na sua biblioteca. Durante essa espera, não é possível fazer modificações na obra.

Quando ela estiver publicada definitivamente, você terá um link para o produto.

É interessante que você faça uma boa campanha de marketing com seus amigos, colegas e pessoas que talvez estejam interessadas em ler seu texto.

Use e abuse das redes sociais na divulgação, uma vez que a Amazon não dá suporte nesse ponto. Tudo o que a loja faz é recomendar seu livro para pessoas que estão lendo coisas similares.

***

Todo este tutorial foi feito a partir da minha experiência ao publicar uma obra de minha autoria no KDP. Ele se chama Trajetória de Rua e está disponível neste link. Trata-se de um livro-reportagem que conta a história de três pessoas que conseguiram sair da condição de moradores de rua e passaram a ajudar outros companheiros de jornada.

Como ler arquivos PDF no Kindle

Um dos formatos mais populares de ebooks ainda é o formato PDF, que é usado há muitos anos, antes de ebooks entrarem em evidência. Por causa da sua popularidade, é comum que as pessoas tenham interesse em ler arquivos neste formato no Kindle, e é sobre isso que vou falar neste artigo.

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Para saber um pouco mais sobre formatos de ebooks e saber qual é o melhor para você usar no seu e-reader, leia o artigo Qual é o melhor formato de arquivo para ler no Kindle?, que trata deste assunto em maiores detalhes. Agora vamos falar sobre o PDF.

Como colocar seus arquivos PDF no Kindle

A primeira coisa que eu acredito que você queira saber é como você pode ler seus arquivos PDF no Kindle.

Note que aqui estou falando especificamente do e-reader Kindle, como o Kindle básico e o Kindle Paperwhite, vendidos aqui no Brasil.

O Kindle Fire é um tablet, que oferece apps específicas para leitura de arquivos PDF, e portanto não apresenta as mesmas características dos e-readers que estamos tratando neste artigo.

Mas não se assuste: na verdade é bastante fácil ler um arquivo PDF no Kindle. Você pode usar dois métodos, que vou descrever a seguir.

Copiando arquivos PDF manualmente para o Kindle

A primeira opção é simplesmente copiar o arquivo PDF para o Kindle. Como fazer isso? É simples. Ao conectar o Kindle ao seu computador, através do cabo USB, o Kindle será reconhecido como se fosse um pendrive.

Você só precisará então abrí-lo, abrir a pasta documents, e copiar seu arquivo PDF para lá. Não crie subpastas, copie o arquivo dentro da pasta documents mesmo. É só isso. Lembre-se de ejetá-lo propriamente, através do sistema operacional, antes de voltar ao modo de leitura no Kindle.

Se quiser mais informações sobre como copiar arquivos diretamente para o Kindle via cabo USB, leia o artigo Como colocar livros para ler no Kindle manualmente.

Enviando arquivos PDF para a sua biblioteca na Amazon por email

  • Outra forma de colocar arquivos PDF para ler no seu Kindle é enviá-los por email para a sua biblioteca na Amazon, e baixá-los via wi-fi, como se fosse um ebook comprado na Amazon.
  • Este método é útil para você copiar arquivos sem precisar de cabos, e também para manter uma cópia do arquivo na sua biblioteca da Amazon (mesmo se você o remover do Kindle).
  • A desvantagem é que o tamanho máximo do arquivo que você pode enviar é de 50 MB, e o espaço que você tem na sua biblioteca na Amazon é 5GB.

Além da vantagem de você poder enviar o arquivo sem cabos, o serviço de envio por email também oferece uma funcionalidade interessante: ele permite que você converta o arquivo PDF para o formato padrão do Kindle, se você utilizar a palavra-chave “convert” no assunto do seu email. Mas eu recomendo não converter o formato PDF, pois esse processo é muito problemático. Dê preferência a lê-lo no formato original, em PDF mesmo.

Para obter mais detalhes, leia o artigo Como transferir arquivos para o Kindle por email, que contém o passo a passo para você configurar e usar este serviço gratuito da Amazon.

Dificuldades com o formato PDF

Como eu já expliquei em artigos anteriores, o formato PDF é ótimo para humanos, pois o que você lê é muito próximo de uma página de um livro. Cabeçalho, rodapé, número da página, títulos, parágrafos, tudo isso fica visualmente muito bonito (desde que o autor tenha feito um bom trabalho, é claro), e você vê exatamente o que veria se esse material estivesse impresso em papel.

No entanto, o formato PDF trata cada página como se fosse um elemento independente, e tudo o que você vê nela não tem nenhuma separação interna. Ou seja, cabeçalho, rodapé, número da página, títulos, parágrafos, tudo é uma coisa só, com formatação, posicionamento e tamanhos fixos.

Isso quer dizer que se você colocar um arquivo PDF para ler no seu e-reader, você conseguirá usar o recurso de zoom, mas não conseguirá usar as funções de customização de fontes, espaçamento entre linhas e tamanho das margens, que ajuda bastante a deixar a leitura mais agradável.

Se você quiser usar estes recursos de formatação do texto, terá então que converter do formato PDF para outro formato (no caso do Kindle, o ideal é o formato MOBI). Mas aí você provavelmente terá problemas pois os conversores tem dificuldade de distinguir os componentes de cada página, para separar o que é cabeçalho, rodapé, etc, e o que é corpo do texto.

Portanto, se possível, procure ler o arquivo PDF original, sem conversão. Se você tiver dificuldades, tente convertê-lo. Você pode converter o arquivo usando o serviço da Amazon que eu mencionei no tópico anterior, ou você pode usar o Calibre. Mas lembre-se que o resultado pode não ser satisfatório, dependendo da complexidade e conteúdo do arquivo.

Exemplos práticos

Para você ter uma ideia de como é ler arquivos PDF no Kindle, eu fiz alguns testes práticos e fotografei a tela do Kindle para você ver como cada arquivo ficou nele. Lembre-se que a tela da grande maioria dos e-readers é em tons de cinza, portanto se seu PDF tiver muitas imagens coloridas, ele pode não ficar tão bom na tela do Kindle.

Nos exemplos abaixo, eu mostro à esquerda uma página de um arquivo PDF num visualizador no meu notebook, onde você verá a imagem original, colorida. Do lado direito, você verá a mesma página no Kindle. Você pode clicar nas imagens para abrí-las em tamanho maior.

Note que o modelo do meu Kindle me permite tirar printscreen da tela, mas eu preferi tirar fotos para que as imagens sejam mais fiéis à realidade, embora a qualidade das fotos não tenha ficado tão boa. Ainda assim, você pode ter uma boa ideia de como os arquivos PDF ficam na tela do Kindle, mas devo ressaltar que pessoalmente a imagem é bem mais nítida e mais clara.

Em cada exemplo a seguir, você encontrará o link da fonte onde eu obtive os arquivos PDF que eu utilizei nestes testes, caso você tenha interesse em baixá-los. Todos são distribuídos gratuitamente (e legalmente).

Exemplo 1: WebSphere Application Server V6 Scalability and Performance Handbook (este é um dos redbooks que eu escrevi quando eu trabalhava na IBM). A ideia de usar este ebook foi para dar um exemplo de um material técnico que combina gráficos com texto.

Exemplo 2: A Turma da Mônica em O Estatuto da Criança e do Adolescente. A ideia de usar este gibi foi para mostrar a visualização de um arquivo PDF predominantemente gráfico.

Exemplo 3: Senhora, de José de Alencar. A ideia com este ebook foi mostrar um exemplo com apenas texto, mas com fontes pequenas, para que vocês possam perceber a dificuldade em ler arquivos PDF assim, mesmo na tela do computador.

Conclusão

Minha intenção com este “experimento” foi dar uma ideia a você de como é a leitura de arquivos PDF no Kindle. Como você pode ver, em geral a leitura á bastante satisfatória, se o fato de a imagem ficar em tons de cinza não desagradá-lo.

Como você deve ter percebido, ao abrir um arquivo PDF, o Kindle ajusta a página para caber no espaço da tela. Na maioria dos casos, isso lhe dará uma boa visualização, como no caso dos dois primeiros exemplos que eu mostrei.

Como o terceiro exemplo mostra, quando o arquivo PDF tem fontes muito pequenas, você pode precisar ajustar a página para melhorar a visualização. Uma forma de fazer isso é rotacionar a tela e ler o PDF com o Kindle na posição horizontal, de forma a ter uma maior largura na tela, como mostra a terceira imagem do exemplo 3.

Mas se a fonte usada no arquivo PDF for muito pequena, pode ser que a leitura ainda assim não seja agradável. Neste caso, a única opção é usar o zoom, que requer mais navegação para ler as páginas, movimentando-as para a direita e esquerda, além de para cima e para baixo. Num caso destes, eu recomendaria tentar converter o arquivo.

Note que a grande maioria dos arquivos PDF não apresenta tantas dificuldades assim. Mas é bom você ter em mente que embora o Kindle leia arquivos PDF, esse não é o “forte” dele. Mas isso não quer dizer que você não possa aproveitar seu e-reader para ler este tipo de arquivo também.

Experimente e tire suas próprias conclusões, e compartilhe-as aqui conosco.

Se você não conseguir obter resultados satisfatórios lendo o arquivo PDF original, você poderá convertê-lo para um formato mais adequado. Para isso, veja esta série de artigos que tratam especificamente da conversão de arquivos em formato PDF para lê-los no Kindle e Kobo.

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