Como calcular inflação: 11 passos (com imagens)

Tempo de leitura: 8 minutos

O que você aprenderá nesse artigo:

2) De que forma calcular seu valor no Excel (com vídeo e planilha)
3) Como corrigir taxas pela TR: financiamentos, poupança/FGTS
4) TR é a mesma coisa que correção monetária?

SURGIMENTO DA TR

Para compreendermos porque a TR (Taxa Referencial) foi criada e persiste até os dias de hoje, precisamos voltar algumas décadas no tempo. Era início dos anos 1990 e nosso presidente da república Fernando Collor.

Exatamente em 1990 a inflação havia ficado acima dos 1600% (fonte) – ou seja, se um produto começou o ano custando R$100,00, ao seu final estava acima de R$1.700,00. Uma loucura, se pensarmos que hoje estamos reclamando, e com razão, de uma inflação de 9% ao ano!

Com esse cenário caótico, no início de 1991 foi instituído o Plano Collor II, que dentre várias medidas, tentou desindexar a economia para combater a inflação. Tentando explicar de maneira bem simplificada essa tal desindexação, o que acontecia é que muitas variáveis econômicas eram corrigidas pela inflação. Isso causava um efeito cíclico perverso.

Por exemplo: os preços subiam, logo, os salários deveriam ser corrigidos na mesma proporção, aumentando o dinheiro em circulação na economia no próximo mês, o que causava novos aumentos de preços, exigindo novo aumento de salário.

Para combater esse ciclo, a tal desindexação significou tentar tirar a inflação da jogada e fazer com que variáveis como investimentos e financiamentos acompanhassem a TR, e não a frenética subida de preços. A intenção era tirar o vício de corrigir tudo pela inflação e combatê-la.

A TR, portanto, passou a ser a Taxa Referência dos juros na economia brasileira, sendo divulgada diariamente. Na verdade, a TR virou um índice de correção monetária, o que veremos ao final desse artigo, possui algumas falhas conceituais.

Após toda essa história, e mesmo com o fracasso do Plano Collor II, a TR perdura até hoje porque muitas variáveis importantes da economia como Caderneta de Poupança, saldo do FGTS e financiamentos imobiliários são corrigidas por ela.

Para calcular a TR diariamente, é preciso primeiramente conhecer o valor de um índice denominado TBF (Taxa Básica Financeira). Todos os dias o Banco Central faz uma pesquisa entre as 30 maiores instituições financeiras do país, pesquisando suas taxas de juros dos CDBs prefixados e chegando num valor médio ponderado.

A partir do valor de TBF divulgado, em base mensal (por exemplo: TBF = 1,0754% ao mês), é possível calcular o valor da TR mensal a ser utilizado para corrigir, por exemplo, o saldo das aplicações em Caderneta de Poupança que fazem aniversário naquele dia.

Para proceder com o cálculo primeiramente é preciso encontrar o valor de R, que é um redutor e depende de três parâmetros, conforme fórmula abaixo:

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Em que:
a: é um valor fixo igual a 1,005
b: é possível de ser encontrado conhecendo-se o valor da TBF
TBF: já explicada como sendo uma média ponderada de CDBs prefixados

* quando TBF abaixo de 11% o Banco Central tem a incumbência de divulgar novos valores de b (ver aqui)

Conhecendo o valor de R, basta substituir esse valor na seguinte fórmula para encontrar a TR:

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Cabe uma observação importante: a TR nunca terá valor negativo. Em casos em que a TBF for baixa (devido à uma queda na taxa de juros de mercado), a TR será igual a zero.

Para simplificar o entendimento desse cálculo, criei uma planilha em Excel em que você aprenderá a calcular a TR por conta própria. Confira o vídeo abaixo e depois faça o download da planilha.

Como Calcular Inflação: 11 Passos (com Imagens)

E para finalizar essa primeira parte d discussão, veja o gráfico a seguir, que demonstra uma correlação bastante forte entre Taxa Selic e TR (quando a SELIC sobe, a TR também, e vice-versa).

Como Calcular Inflação: 11 Passos (com Imagens)

Isso ocorre porque, ao verificar um aumento da Taxa Selic, os juros dos CDBs prefixados também tendem a aumentar, impactando positivamente na TBF e, consequentemente, na TR.

No site do Banco Central existe uma ferramenta que permite fazer as correções pela TR sem muitos problemas (CLIQUE AQUI para conferir). Mesmo assim, gostaria de tecer alguns comentários sobre como se faz esse cálculo.

Aqui nesse blog, também escrevi todo um artigo, mostrando como são corrigidas as parcelas de um financiamento imobiliário. Clique no link abaixo.

>> A (Triste) História de um Casal que Financiou seu Imóvel e Agora Sofre

Continuando…

Peguemos o exemplo da Caderneta de Poupança, em que a regra diz que sua rentabilidade deve ser: 0,5% ao mês + TR. Num primeiro momento, o leitor deve ser levado a pensar que se a TR em determinado mês for de 0,2%, a remuneração da Poupança será 0,5% + 0,2% = 0,7% ao mês. Mas não é bem assim.

Confira a tabela abaixo com a remuneração da Poupança.

Como Calcular Inflação: 11 Passos (com Imagens)

Na terceira coluna temos a Remuneração Básica, que nada mais é que a TR a ser utilizada naquele dia. Na quarta coluna temos o 0,5% ao mês. E na última coluna vemos que a remuneração final não significa a soma de 0,5% + TR. Para chegar ao resultado correto é preciso utilizar a seguinte fórmula.

Como Calcular Inflação: 11 Passos (com Imagens) Tcorr: é a taxa corrigida, significando no nosso exemplo, a rentabilidade de 0,5% corrigida pela TR.
Tconh: é a taxa conhecida, no caso da Poupança, os 0,5%
TR: é a taxa referencial do dia * todas as porcentagens a serem substituídas na fórmula devem estar na forma decimal, ou seja, a porcentagem dividida por 100.
Logo, utilizando os dados da tabela para a data 20/05/2015 e substituindo na fórmula, temos: Como Calcular Inflação: 11 Passos (com Imagens)

Multiplicando esse valor corrigido (Tcorr) por 100, temos exatamente a remuneração total da poupança, apresentada na tabela, de 0,6836% ao mês.

* para saber mais sobre investimentos financeiros, clique aqui.

Dessa forma, para calcular a rentabilidade do saldo do FGTS, ou do saldo devedor de financiamentos imobiliários que utilizam a TR, é importante levar em consideração que esses reajustes não devem ser somados, mas sim multiplicados conforme a fórmula apresentada. TR COMO CORREÇÃO MONETÁRIA

Existe uma discussão se a TR deveria ser utilizada para fins de correção de taxas de juros como as do FGTS, Poupança e Financiamento Imobiliário. De fato, a TR não é um instrumento de correção monetária, na verdadeira acepção da palavra.

Para “corrigir monetariamente” um valor, o certo seria utilizar um índice de inflação. Por exemplo: se meu salário o ano passado comprava X produtos, e depois de um ano os preços desses produtos subiram 10% (isso é inflação), para que meu poder de compra volte ao nível anterior, o salário deverá ser corrigido pela inflação, de 10%, e não pela TR.

Se pesquisar sobre esse assunto, verá que muitas ações judiciais contestam a utilização da TR ao invés da inflação, alegando perdas nesses planos econômicos da década de 90.

Pense no seu dinheiro, depositado na conta do FGTS e que rende 3% ao ano + TR. Certamente, o valor resultante dessa conta perde feio dos atuais níveis de inflação, que estão na casa dos 9% ao ano (essa é a estimativa para o final de 2015).

Logo, quanto mais tempo seu dinheiro permanece no FGTS sem ser sacado, mais poder de compra irá perder.

A mesma coisa se dá na Caderneta de Poupança. Quando a inflação se eleva, como estamos vendo nesse meados de 2015, a remuneração da Poupança tende a ficar abaixo da inflação, tendo ganhos reais negativos (saiba se proteger da inflação clicando aqui).

Isso ocorre porque aumentos da inflação não são acompanhados de uma elevação proporcional da TR. Só para se ter uma ideia, em 2014 o acumulado da TR ficou em 0,8592% (fonte) e da inflação em 6,4% (fonte). De janeiro a junho a TR acumulada foi de 0,8718% e a inflação já havia passado dos 6%.

Nessa linha de raciocínio, pensemos em financiamentos imobiliários (clique aqui e saiba mais sobre o assunto). Muitos imóveis na planta são corrigidos por um índice de inflação denominado INCC. Já imóveis prontos, por exemplo, geralmente possuem correções atreladas à TR. Veja a diferença desses dois tipos de correção: em 2014 o INCC teve alta de 6,74%, frente ao já citado acumulado da TR de 0,8592%. Uma tremenda disparidade.

  • Pudemos ver, no presente artigo, que a TR é um resquício da época de hiperinflação, e que persiste até hoje, remunerando a Poupança, FGTS e corrigindo financiamentos imobiliários.
  • Foram apresentadas suas fórmulas de cálculo, bem como uma planilha em Excel, disponível para download, para seu cálculo, além de vídeo explicando como utilizá-la.
  • Por fim, discutimos a inadequação da TR como índice de correção monetária, o que causa uma série de distorções na economia, seja no mercado de crédito, seja nos investimentos.
Leia também:  Como capturar a tela em um computador hp: 12 passos

É isso aí. Deixe seus comentários, compartilhe se gostou do texto e confira nossas vídeo-aulas GRATUITAS sobre Educação Financeira clicando aqui.

Boa sorte em suas finanças e vida pessoal. Clique aqui para leitura focada

  • Como Calcular Inflação: 11 Passos (com Imagens)
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Como calcular a inflação e como ela interfere no preço da sua mensalidade

Como Calcular Inflação: 11 Passos (com Imagens)

Calcular a inflação é fundamental para fazer ajustes de produtos e serviços para que eles sejam cobrados de forma atualizada. Na área da educação, isso não é diferente. Nesse cenário, avaliar o impacto da inflação na mensalidade escolar é essencial.

Neste post, você vai saber mais sobre a inflação e sua influência nos custos com a escola. Além disso, também vai conferir os principais indicadores utilizados, como eles devem ser analisados e como calcular a inflação. Então continue a leitura e esclareça suas dúvidas!

O impacto da inflação nos custos com a escola

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Muitas pessoas têm a ideia de que a inflação é o simples aumento de preços, mas essa é apenas uma consequência da inflação. Na verdade, ela é a expansão da oferta monetária por meio de crédito, que desvaloriza a moeda. Os preços tendem a aumentar com esse fenômeno e, por esse motivo, sofrem reajustes frequentes no mercado para cobrir os custos adicionais causados pela inflação.

Assim, os efeitos da lei de oferta e demanda na economia são alguns dos fatores que regem a inflação. Por isso, geralmente os preços tendem a aumentar quando os consumidores estão mais dispostos a comprar.

Dessa forma, uma das áreas que sofre reajuste anual é a mensalidade nas escolas. Ainda assim, esse aumento é regulado e não pode ser abusivo, ou seja, não pode ultrapassar os limites do reajuste da inflação. Caso isso ocorra, a instituição pode sofrer ações judiciais e ter sua imagem prejudicada.

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Os indicadores da inflação e como analisá-los

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Há dois principais órgãos para medir a inflação geral. O primeiro é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE). Esse índice é considerado o oficial de inflação do país. Portanto, ele analisa os preços dos produtos e serviços oferecidos nas maiores regiões metropolitanas do Brasil.

O segundo é o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Esse cálculo baseia-se na análise dos preços do atacado e varejo para o produtor, consumidor e construção civil.

Além desses dois principais, outro índice que merece destaque é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).  Por sua vez, ele é calculado pelo IBGE para avaliar o impacto da inflação nas camadas de baixa renda.

O cálculo para avaliar a inflação

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Para calcular a inflação, basta que você aplique o valor da inflação dos índices ao valor da mensalidade. Por exemplo, se a inflação acumulada estiver em 10% e a mensalidade da escola for R$ 500, o reajuste seguindo a inflação deve ser de 50 reais, o que dá um valor final de R$ 550.

Para fazer o cálculo usando o exemplo acima, basta aplicar a regra de 3. Então confira na imagem a seguir!

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Como você viu, calcular a inflação não é difícil. Basta pesquisar os valores oficiais dos índices do ano e, após isso, calcular a inflação na mensalidade escolar e verificar se o ajuste foi justo. Quando a atualização é feita corretamente, o orçamento pode ser realizado de forma mais justa e racional.

Agora que você já sabe como calcular a inflação e como ela interfere no custo da mensalidade escolar, assine a nossa newsletter e receba mais conteúdo diretamente na sua caixa de entrada!

Cálculo da inflação incluirá novos hábitos de consumo

Wôlmer Ezequiel

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As mudanças nos componentes da inflação atualizam os hábitos de consumo, despesas e renda das famílias

Dados divulgados pela Agência de Notícias do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) apontam que os produtos e serviços usados para medir a inflação oficial do país serão atualizados para acompanhar as mudanças nos hábitos de consumo da população. A partir de janeiro de 2020, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) vai pesquisar a variação nos preços de 56 novos elementos. Alguns saem da relação e outros serão incluídos, como gastos com barbeiro e transporte por aplicativo, serviço que tem sido muito utilizado pelos brasileiros.Itens como açúcar demerara, cartório, tratamento de animas (clínica), serviço de higiene para animais, serviços de streaming (tecnologia que envia informações multimídia, por meio da transferência de dados) e conserto de bicicleta entram na lista. Já o CD e DVD, ingresso para jogo, revelação e cópia, assinatura de jornal e artigos ortopédicos, por exemplo, deixam a relação. Para o economista e professor da Faculdade Única, Fábio Mussi, o ajuste reflete o que está se tornando o consumo brasileiro. “O índice em geral não vai ter tanta interferência na vida da população, porque a inflação já está aí. Muitas vezes a gente não consegue observá-la, porque esses elementos, principalmente como streaming e os aplicativos de transporte, que tem tomado espaço no mercado. Vamos ter um acréscimo em termos de valor, o índice pode sim variar para cima, mas acredito que a vida da população continua da mesma forma”, avalia.

Bruna Lage/Arquivo

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Para Fábio Mussi, o que irá ocorrer é um ajuste do índice para enquadrar dentro do real consumo da população

Fábio Mussi acrescenta que a economia tem girado de forma não tão favorável às pessoas de baixa renda. “Temos visto cada vez mais a concentração de renda no Brasil. A população tem que tomar cuidado em relação aos recursos que vão entrar no fim do ano, principalmente em relação ao saque do fundo de garantia (FGTS) e também ao 13º salário. É importante procurar quitar as dívidas que porventura tenha, ou se não tiver, guardar esse dinheiro para algum imprevisto que possa ocorrer no próximo ano. Sobre 2020, ainda temos várias dúvidas do que poderá ocorrer. Estamos muito inseguros em relação à parte política e econômica, e uma interfere diretamente na outra. Mas acredito que não vamos ter uma melhora tão grande do quadro atual. O índice de inflação projetado é bem próximo ao que temos hoje. A variação do dólar está grande e essa inconstância política acaba influenciando diretamente a economia do próximo ano”, vislumbra.

Atualização

O geógrafo e pesquisador William Passos salienta que as mudanças periódicas dos hábitos de consumo dos brasileiros fazem com que o IBGE atualize, constantemente, a cesta de serviços utilizada como base para o cálculo da inflação oficial. Isso como forma de aproximar essa cesta, que consiste numa média matemática de produtos e serviços consumidos pelas famílias, da realidade dos brasileiros. “Importante destacar, porém, que as inflações oficiais são calculadas com base num conjunto de produtos e serviços, estabelecidos por convenção estatística internacional e também utilizados por outros institutos de estatística no exterior. É o que permite a comparação da inflação entre diferentes países. A inflação é a subida generalizada dos preços de uma economia, por contágio, e não o reajuste individualizado de apenas alguns preços. A inflação oficial é sempre uma média estatística, não correspondendo exatamente aos dados individuais dos consumidores e das famílias”.

Mudanças

As modificações nos componentes da inflação têm como base os resultados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018, que atualizou os hábitos de consumo, despesas e renda das famílias. Com 377 produtos e serviços, a nova estrutura de ponderação do IPCA traz seis subitens a menos que no modelo atual, baseado na POF 2008-2009, e em vigor desde janeiro de 2012. O IPCA reflete a cesta de consumo das famílias com rendimento mensal de um a 40 salários mínimos e abrange dez regiões metropolitanas do país, além dos municípios de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís, Aracaju e Brasília. Uma alteração está no peso do grupo transportes do IPCA, que pela primeira vez será o principal componente da inflação, com 20,8% do indicador, apesar de reduzir sua representação, que era de 22%. O grupo superou alimentação e bebidas, que diminuiu a participação de 22% para cerca de 19%. Conforme divulgado pelo IBGE, houve redução no peso do transporte público, que passou de 4,50% para 3,16%. Adicionalmente, foram incorporados bilhetes de integração de transporte público (0,07%) e transporte por aplicativo (0,21%). Também nesse grupo, o peso de 11,66% do veículo próprio indica o comprometimento dos orçamentos das famílias com produtos e serviços como emplacamento, seguro e estacionamento.

Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que calcula a inflação das famílias com rendimento de um a cinco salários mínimos, seguiu com alimentação e bebida como o grupo de maior peso, porém reduzindo sua participação de 27,3% para cerca de 21,5%. Diferentemente do IPCA, transportes teve ganho de participação de cerca de 1,8 ponto percentual, chegando a 20%. (Repórter – Bruna Lage)

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Como Se Calcula A Inflação

Todos vivemos preocupados com o aumento dos preços, como isso afeta a economia e a maneira como investir dinheiro, porém muitas vezes nem sabemos ao certo como seu calcula a inflação.

Para resolver este problema, vou explicar de um modo fácil o que você deve saber pare entender como fazer o cálculo da inflação.

Por que medir a inflação?

Devido ao nosso passado, no Brasil todos seguimos atentamente a evolução dos mais variados níveis de preços.

Quando ocorre um aumento generalizado dos preços, é o evento chamado na ciência econômica de inflação. Uma queda geral do nível de preços é conhecida como deflação.

  • Nos anos da década de 1980, o Brasil e outros países da América Latina sofreram um processo chamado de superinflação, ou seja, o processo inflacionário gerava demasiados custos para a economia, com remarcações de preços diárias, desabastecimento e perda do poder de compra dos salários.
  • Apesar disso, o aumento geral do nível de preços é comum para o funcionamento da economia, pois facilita a operação do sistema financeiro, da forma que é organizado atualmente.
  • Caso contrário, isto é, se ocorre deflação, as pessoas tendem a não emprestar e a não consumir, retendo moeda e congelando a liquidez.

Os índices de inflação

No Brasil existem muitos índices que mensuram a inflação.

Eles estão expressos nas mais diversas siglas:

    • IPC-Fipe
    • IPCA
    • IPCA-15
    • IGP-DI
    • IGP-M
    • IGP-10
    • IPC-S
    • entre outros

Os mais importantes para o mercado são o IPCA, o IPCA-15 e os IGPs.

IPCA

O IPCA é o Índice de Preços ao Consumidor Amplo, ou seja, o nível de preços como um todo. É calculado pelo IBGE ponderando-se uma cesta de bens para famílias na faixa de renda entre 1 e 40 salários-mínimos.

Você pode acompanhar o desempenho do IPCA diretamente no site do IBGE.

A inflação medida por este índice é utilizada como meta pelo Comitê de Política Monetária (Copom), que por meio da taxa de juros controla a inflação. A meta atual perseguida é de 4,5% com tolerância de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo.

Além disso, o IPCA é importante por ser o indexador de um dos títulos públicos mais negociados, a NTN-B.

A diferença entre o IPCA e o IPCA-15 são apenas suas datas de coleta. Ou seja, toma-se por base uma média mensal do nível de preços do dia 1 a 30 do mês anterior e se compara uma média para o mesmo intervalo de dias do mês de referência no caso do IPCA.

  1. Exemplo:
  2. O IPCA de Julho é uma divisão da média da coleta de preços diária dos dias 1 a 30 do mês de Julho pela média da coleta de preços dos dias 1 a 30 de Junho.
  3. Enquanto que o IPCA-15 toma por base a média do intervalo dos dias 16 de dois meses anteriores até o dia 15 do mês anterior a data de referência e compara com a média do dia 16 do mês anterior a referência até o dia 15 do mês de referência.

IGP

IGP quer dizer Índice Geral de Preços. Este índice é composto grosso modo por 60% do IPA (Índice de Preços no Atacado), 30% do IPC (Índice de Preços ao Consumidor) e 10% do INCC (Índice Nacional da Construção Civil), todos calculados pela FGV.

  • Você pode acompanhar o desempenho do IGP diretamente no site do IBRE – FGV.
  • Devido ao grande peso dos preços no atacado, o IGP é mais volátil e capta rapidamente variações cambiais e outros choques de preços.
  • Era antigamente muito importante por ser indexador do título público NTN-C que era bastante negociada, mas que nos últimos anos foi sendo praticamente extinta do mercado pelo Tesouro.
  • A diferença entre os IGPs está relacionada à sua data base e referência.
  • Exemplo:
  • O IGP-10 é calculado pela divisão entre: a média dos dias 11 do mês anterior e 10 do mês de referência, pela média dos dias 11 de 2 meses anteriores à referência e 10 do mês anterior à referência.
  • O IGP-M é calculado pela divisão entre: a média dos dias 21 do mês anterior e 20 do mês de referência, pela média dos dias 21 de 2 meses anteriores à referência e 20 do mês anterior à referência.
  • O IGP-DI é calculado pela divisão entre: a média dos dias 1º do mês anterior e 30 do mês de referência, pela média dos dias 1º de 2 meses anteriores à referência e 30 do mês anterior à referência.

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Dica Genial: Como calcular a inflação acumulada

Se você quer saber de quanto foi a inflação acumulada em um determinado período, há uma ferramenta on-line para isso.

A Calculadora do Cidadão, do Banco Central, permite que você saiba a inflação acumulada no último mês ou em qualquer prazo escolhido, por diversos índices. Você também pode corrigir qualquer valor pelo índice selecionado.

Para isso, basta ir até a área Correção de Valores, escolher a aba Índices de Preços, escolher o índice de preços desejado e os meses inicial e final (ambos incluídos no cálculo). Em seguida, insira o valor que você quer corrigir e clique em “Corrigir valor”.

O resultado traz o índice de correção do período, o valor percentual correspondente e o valor corrigido na data final.

Por exemplo, se você quiser saber a inflação oficial para o mês de setembro, divulgada na última sexta-feira (7), e corrigir uma quantia de 100 reais, escolha o IPCA, preencha os meses inicial e final com “09/2016” e o valor a ser corrigido com “100,00”.

Após solicitar o cálculo, o índice de correção informado será 1,0008, o percentual será 0,08% e o valor corrigido, 100,08 reais. Ou seja, a inflação no mês foi de 0,08%.

Você pode fazer isso para períodos maiores. Por exemplo, para saber a inflação oficial nos últimos 12 meses, basta informar, no mês inicial, “10/2015”, e no mês final, “09/2016”.

  • A Calculadora do Cidadão também conta com uma versão para dispositivos móveis, disponível para iOS, Android e Windows Phone.
  • Alguns índices de inflação são mais sensíveis às variações de preços dos alimentos que outros
  • É preciso ficar atento aos períodos em que os dados são coletados para o cálculo de cada índice, bem como à data de divulgação dos indicadores.
  • Por exemplo, há índices de inflação que medem os preços do primeiro ao último dia do mês, enquanto outros fazem medições da metade de um mês à metade do mês seguinte.

Além disso, se o índice do mês que você deseja ainda não tiver sido divulgado, a calculadora não trará resultado. Por exemplo, se você quisesse o índice de setembro no dia 5 de outubro, não conseguiria resultados, pois ele ainda não estaria disponível.

Conheça cada índice de inflação disponível na Calculadora do Cidadão:

Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)

Índice de inflação oficial, medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dados disponíveis na Calculadora do Cidadão desde janeiro de 1980.

  1. Período de coleta: em geral, do dia 1 ao dia 30 do mês de referência.
  2. Abrangência: Nacional, para famílias com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos.
  3. Periodicidade de divulgação: mensal.

Índice de Preços ao Consumidor Amplo Especial (IPCA-E)

Segue a mesma metodologia do IPCA e também é calculado pelo IBGE, mudando apenas o período de coleta e a periodicidade de divulgação. Comumente usado para reajustar o IPTU. Dados disponíveis na Calculadora do Cidadão desde janeiro de 1992.

  • Período de coleta: do dia 16 do mês anterior ao dia 15 do mês de referência.
  • Abrangência: Nacional, para famílias com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos.
  • Periodicidade de divulgação: trimestral.

Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC)

Índice calculado pelo IBGE que costuma ser usado na negociação de reajustes salariais. É mais sensível à alteração dos preços dos serviços e produtos mais básicos, como os alimentos. Dados disponíveis na Calculadora do Cidadão desde abril de 1979.

  1. Período de coleta: em geral, do dia 1 ao dia 30 do mês de referência.
  2. Abrangência: Nacional, para famílias com renda mensal de 1 a 5 salários mínimos.
  3. Periodicidade de divulgação: mensal.

Índice de Preços ao Consumidor (IPC-Brasil ou IPC)

Índice calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) que mede a variação de preços de bens e serviços finais. Dados disponíveis na Calculadora do Cidadão desde janeiro de 1990.

  • Período de coleta: feita diariamente.
  • Abrangência: Nacional, para famílias com renda mensal de 1 a 33 salários mínimos.
  • Periodicidade de divulgação: mensal.
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Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M)

É uma das versões do Índice Geral de Preços (IGP), calculado pela FGV.

O IGP é a média ponderada de três índices de preços calculados pela FGV: o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que mede a variação de preços no atacado; o IPC; e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC).

O IGP-M é usado para a correção de valores contratuais, como os aluguéis imobiliários e as parcelas de certos financiamentos habitacionais. Dados disponíveis na Calculadora do Cidadão desde junho de 1989.

  1. Período de coleta: do dia 21 do mês anterior ao dia 20 do mês de referência.
  2. Abrangência: Nacional, para famílias com renda mensal de 1 a 33 salários mínimos, no caso do IPC.
  3. Periodicidade de divulgação: mensal.

Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI)

É uma das versões do Índice Geral de Preços (IGP), calculado pela FGV. Também é usado para a correção de valores contratuais, como a dívida dos Estados com a União. Dados disponíveis na Calculadora do Cidadão desde fevereiro de 1944.

  • Período de coleta: entre o primeiro e o último dia do mês de referência.
  • Abrangência: Nacional, para famílias com renda mensal de 1 a 33 salários mínimos, no caso do IPC.
  • Periodicidade de divulgação: mensal.

Índice de Preços ao Consumidor – São Paulo (IPC-SP)

Também chamado de IPC-Fipe, é o mais antigo índice de inflação do país. Calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), mede a inflação ao consumidor apenas no município de São Paulo.

Usado como indexador de contratos da Prefeitura de São Paulo. Dados disponíveis na Calculadora do Cidadão desde novembro de 1942.

  1. Período de coleta: entre o primeiro e o último dia do mês de referência.
  2. Abrangência: Apenas o município de São Paulo, para famílias com renda mensal de 1 a 10 salários mínimos.
  3. Periodicidade de divulgação: mensal.
  4. Veja também como usar a Calculadora do Cidadão também para calcular o rendimento da poupança.

Quer investir melhor seu dinheiro? Veja como a GENIAL pode te ajudar!

Tesouro Direto: passo a passo mais simples e prático! – Me Poupe! por Nathalia Arcuri

Por Nathalia Arcuri

Já pensou emprestar dinheiro para o Governo e receber juros por isso?

Acredite, isso é possível e é o que acontece quando você aplica no Tesouro Direto, uma ferramenta criada pelo Tesouro Nacional pra que o cidadão possa comprar Títulos Públicos pela Internet com ou sem o auxílio de um especialista.

 Tá, mas o que são títulos públicos?

Não precisa arregalar os olhos…

Títulos públicos são opções de investimentos de renda fixa usados para captar recursos para pagar a dívida pública e financiar atividades do Governo Federal, como educação, saúde e infra-estrutura.

Ou seja: Você empresta dinheiro para que o governo possa trabalhar e recebe o dinheiro de volta com juros bem mais vantajosos que os da poupança. É um jeito de ganhar dinheiro do Temer, em vez de perder para ele. Não é uma beleza?

  • No site do Tesouro Nacional você encontra todas as informações sobre os diversos títulos públicos, mas vou facilitar a sua vida e explicar de um jeito mais simples aqui, afinal, é pra isso que eu sirvo!
  • (Acabo de descobrir minha utilidade no mundo… Pausa para um momento de contemplação!)
  • Ok, já contemplei!
  • Vou colocar um passo-a-passo pra ficar mais fácil.

  • Passo 1: Cadastre-se em uma Instituição Financeira

Eu já abri minha conta

O seu banco pode investir o seu dinheiro? Pode. Mas ele vai te cobrar muito caro por isso. As menores taxas estão em Instituições financeiras focadas em investimentos, também conhecidas como corretoras de valores.

AQUI  você encontra todas as instituições habilitadas a aplicar no Tesouro Nacional e as taxas cobradas por elas para investir o seu dinheiro.

Recentemente eu fiz um post especial com o passo a passo pra quem quer abrir uma conta com uma corretora de valores  – VEJA AQUI

O trâmite para se cadastrar nessas instituições é muito mais simples do que a abertura de uma conta em um banco comum. Não importa se a corretora é de São Paulo ou de Manaus porque a abertura da conta é feita de forma totalmente online e o atendimento também.

Passo 2: Conheça os Títulos

Os Títulos do Tesouro estão divididos em 3 grandes grupos:

TESOURO SELIC –  Você ganha conforme a variação da Taxa Selic.

Ou seja: Se no período que você investiu a Selic estiver em 6,5% ao ano o seu rendimento anual será próximo deste número (considere os descontos de Imposto de Renda e outras taxas).

Pra quem? – Pra quem pensa em usar o dinheiro investido nos próximos meses e quer algo que renda mais que a poupança.

TESOURO PREFIXADO – Você sabe exatamente qual será a rentabilidade no momento do vencimento (resgate).
Pra quem? – Pra quem quer segurança, rentabilidade garantida e tem planos de médio e longo prazo (acima de 3 anos)

TESOURO IPCA – Você ganha conforme a variação da Inflação mais uma taxa prefixada.
Ou seja: Se você aplicar em Tesouro IPCA com vencimento em 2019 (veja a tabela abaixo), ele vai te garantir rentabilidade de 6,14% + a inflação no período.

Pra quem? – Pra quem quer garantir o poder de compra e não quer perder dinheiro pra inflação no longo prazo.

Passo 3 – Defina um objetivo para o dinheiro antes de aplicar.

Não adianta comprar um título com vencimento em 2050 se você quer comprar um carro daqui a 3 anos, certo? Então observe com cautela seus objetivos antes de partir para a compra.


Passo 4 – Conheça os riscos.

“Eita, mas se é renda fixa como pode ter riscos?”

O maior risco é você, por isso leia a explicação abaixo atentamente pra depois não dizer que eu não avisei…

Tô de olho em você…

Você vai ver na tabela de títulos que todos têm uma data de vencimento. Ou seja, você tem que deixar o dinheiro lá até esse dia. A sua rentabilidade e ganhos com o tesouro estarão garantidas se você levar este investimento até lá.

Mas quem não se planejar direito e quiser pegar o dinheiro de volta antes da data do vencimento pode perder dinheiro nos casos do TESOURO IPCA E TESOURO PREFIXADO.

Passo 5 – Entenda a tabela

  1. Olha que tabela fofa (clique para aumentar).
  2. Esta é a tabela dos títulos disponíveis em fevereiro de 2016.

  3. Parece complicado, mas não é, prometo.
  4. À esquerda, na primeira coluna, está o nome do título, que é auto-explicativo.
  5. Na segunda coluna vem a data de vencimento. Ou seja, até quando você tem que ficar com dinheiro aplicado para receber a rentabilidade estipulada
  6. Na terceira coluna a rentabilidade pré-definida.

A quarta coluna mostra o preço unitário da cota cheia, mas você pode comprar no mínimo 1% desta cota, respeitando o valor mínimo de investimento de R$30,00. Ou seja: com R$30,00 dá pra comprar um tesouro prefixado 2019.

Juros Semestrais

Os títulos que tiverem essa observação (+ juros semestrais) pagam a rentabilidade semestralmente ao investidor em vez de manter a rentabilidade aplicada. Simples assim.

Vale a pena pra quem não quer esperar até o vencimento pra sentir o gostinho dos juros.


Dúvidas Frequentes /  respostas diretas:

Quando posso comprar títulos? Todos os dias.

Posso tirar o dinheiro antes do vencimento? Pode.

Posso me dar mal fazendo isso? Pode.

Você tiraria o dinheiro antes da hora? Só o que estivesse aplicado em Tesouro Selic.

Conclusão:

Quem precisar do dinheiro aplicado no Tesouro Direto – IPCA OU PREFIXADO antes do vencimento vai ficar à mercê do valor de venda atual e por isso pode perder dinheiro em vez de ganhar.

A regra é simples: Ficou até o fim no TESOURO IPCA OU PREFIXADO ganhou. Saiu antes, não garanto.

  • Amores, vou continuar com esta série de investimento para leigas porque o tema é riquíssimo como eu quero que você seja.
  • Então estude, leia, procure, me escreva e seja feliz!
  • Ah, veja os vídeos do Canal sobre Tesouro e tire mais dúvidas!
  • Nathalia Arcuri – Me Poupe
  • Sou a Nathalia Arcuri, poupadora por opção, jornalista por profissão e especialista em finanças pessoais por vocação.

Sou a Nathalia Arcuri, poupadora por opção, jornalista por profissão e especialista em finanças pessoais por vocação.

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