Como avaliar alunos (com imagens)

8 min de leitura

Como Avaliar Alunos (com Imagens)Powered by Rock Convert

Uma das etapas mais importantes na formação da criança é a vida escolar. Assim, é por meio da escola que a criança tem seus primeiros contatos sociais e culturais, pois conhece seus deveres, responsabilidades e inicia a socialização. Dessa forma, torna-se necessário encontrar outras maneiras de avaliar os alunos da educação infantil.

Porém, ainda que a avaliação tenha um papel fundamental no processo de escolarização das crianças, essa atividade nem sempre é considerada relevante pelas escolas, pois é realizada com limitações e baseadas somente em aspectos pontuais.

Sendo assim, outros fatores devem ser trabalhados para o sucesso avaliativo.Para lhe informar mais sobre esse assunto, separamos neste post algumas formas imprescindíveis a serem adotadas como instrumentos enriquecedores no seu trabalho. Confira!

Entenda o papel do professor na avaliação da educação infantil

Os professores estão presentes no cotidiano da criança e acompanham de perto o seu desenvolvimento. Além de exercer a função de educador, o professor deve ter atenção à maneira que cada aluno interage com os colegas e demais professores, durante as aulas e no decorrer das atividades.

A partir disso, será possível identificar qual área do conhecimento o estudante tem mais facilidade em apropriar-se, bem como conhecer aquelas, que apresenta alguma necessidade educacional. Esse processo permite o acesso às potencialidades e dificuldades deles, e possibilita o direcionamento do planejamento de forma favorável ao ensino-aprendizagem e desenvolvimento individual.

Vale ressaltar que cada professor é responsável por avaliar sob a sua perspectiva. Ou seja, os olhares são complementares e ajudam a reunir aspectos muito importantes para o alcance efetivo à criança. Isso acontece porque competências e habilidades podem ser observadas em situações específicas de cada aula e atividade.

Por isso, o empenho de todos é fundamental para realizar uma avaliação correta. O olhar de determinado professor pode ser diferente do outro, mas complementar. Assim, todos colaboram para um relatório fiel e valioso, com base no que foi observado.

Conheça as maneiras de avaliar os alunos da educação infantil

1. Observe e registre seus principais apontamentos

A observação e seus respectivos registros são instrumentos muito importantes no processo de avaliação. As observações devem ser intencionais e ter como objetivo conhecer a criança integralmente, bem como subsidiar as ações a serem desenvolvidas no contexto escolar.

O registro traz apontamentos de tudo que foi observado durante a prática pedagógica com enfoque central no aluno. Eles podem ser feitos em cadernos, fichas específicas adaptadas, diário on-line, fotos, vídeos, desenhos, álbuns, dentre outros recursos que forem melhores e compatíveis ao seu trabalho.

É importante sempre registrar informações relevantes sobre os alunos e valorizar suas subjetividades. O que um alcançou em determinado tempo pode ter relação com as habilidades que precisam ser ou já foram desenvolvidas por eles. Os registros possibilitam essas conclusões por parte do professor.

Sendo assim, os apontamentos devem conter tanto habilidades quanto competências já alcançadas, ou mesmo aquelas que ainda estão em desenvolvimento e precisam ser conquistadas. Nesse sentido, outro fator a ser considerado é que a avaliação na educação infantil trata-se de um processo contínuo. Portanto, é fundamental anotar essas informações periodicamente.

Para facilitar os registros, o professor pode dividir a turma em grupos e dedicar cada dia da semana para observar os alunos de uma equipe com mais atenção. Assim, ao final da semana, ele terá informações sobre todos os alunos, de forma mais tranquila e organizada, tendo em vista que são muitas crianças a serem avaliadas individualmente.

Alguns itens específicos devem ser observados com mais atenção e registrados ao longo do tempo, por exemplo:

  • Quais são as características do aluno?
  • Como é a sua participação nas atividades?
  • Tem autonomia?
  • Quais são as suas habilidades e dificuldades?
  • Como se ele comporta nas aulas?
  • Como se relaciona com colegas e professores?
  • Como reage às conquistas e fracassos?
  • Como reage aos conflitos e adversidades?
  • Quais foram os seus avanços?

Esses são alguns dados que devem ser registrados periodicamente. Muitas outras situações do cotidiano podem ser anotadas, pois, as observações são feitas não somente na sala de aula, mas em todos os espaços escolares que os alunos frequentam e socializam com outras pessoas.

Com essas informações em mãos, os professores conhecem melhor os seus alunos, traçam estratégias para que eles se interessem mais pelas aulas e, ainda, melhoram a formação das crianças, bem como seu próprio trabalho.

2. Converse com os alunos

Não basta realizar uma avaliação sem conversar com a criança antes e entender o seu lado. É preciso dar voz ao aluno para que ele não seja avaliado sob uma única perspectiva. Assim, ele pode expor o que acha da aula, da escola, dos professores, dos colegas e dos outros elementos que o envolvem no ambiente escolar.

Embora seja necessário que a criança se expresse, o professor deve conhecê-la para aproximar-se dela. Além da avaliação ter outra perspectiva, essa prática desenvolve as primeiras concepções de cidadania na infância, possibilitando que as crianças desenvolvam o senso crítico e a autonomia ao se expressarem.

Conversar com os alunos possibilita o estreitamento dos vínculos afetivos e a aproximação com eles.

O professor sendo próximo à turma que desenvolve seu trabalho é privilegiado por reunir informações valiosas que só são possíveis no contato direto com ela.

Assim, invista nos diálogos em sala de aula, pois, eles proporcionam um grande diferencial nos resultados a serem obtidos por serem fiéis à realidade da turma.

3. Elabore relatórios e dossiês

Para realizar a avaliação dos alunos, é importante fazer relatórios sobre cada um deles ao final de cada etapa. Como esses relatórios serão entregues aos pais, a elaboração deve ser bem precisa acerca das informações coletadas, além de descrever e avaliar a criança na escola durante essa etapa.

Montar um dossiê de cada aluno também é um recurso que pode ser usado para avaliar a educação infantil. Utilizar atividades e trabalhos manuais, comprova o que está sendo descrito no relatório e exemplifica o desenvolvimento escolar na educação infantil.

Além disso, ao final do ano letivo o professor terá um importante material avaliativo para análise, que apontará as principais evoluções e/ou regressões dos alunos no decorrer do trabalho desenvolvido. Outro ponto relevante é a possibilidade de entregar um feedback aos pais de todas as práticas realizadas em sala de aula.

Leia também:  Como aliviar a coceira da catapora: 11 passos

4. Dialogue com os pais para entender o contexto familiar da criança

Embora a avaliação da educação infantil seja uma tarefa importante da escola, é preciso que ela seja realizada em conjunto com a família. Isso porque tudo que acontece na vida da criança reflete diretamente no processo de escolarização.

Sendo assim, os pais e/ou pessoas responsáveis pelo seu aluno, são integrantes fundamentais para o sucesso de uma avaliação ab rangente e coerente com a realidade em que estão inseridos.

Como Avaliar Alunos (com Imagens)Powered by Rock Convert

Diante disso, outro aspecto importante na compreensão do contexto familiar e participação dos pais é que, além de estarem presentes no dia a dia das crianças, eles têm outra visão sobre elas e têm mais propriedade para falar sobre os seus filhos.

A colaboração da família permite desenvolver um trabalho que melhore o desempenho escolar infantil, assim como contribui para sua formação enquanto cidadãos. Além disso, manter uma relação saudável e próxima com eles é benéfico ao trabalho do professor, pois os pais ajudarão a nortear as decisões escolares.

5. Crie formas de autoavaliação para as crianças

Propor a autoavaliação em sala de aula possibilita às crianças a administração dos próprios comportamentos, sentimentos e pensamentos. Assim, o aluno pode refletir sobre si e os percursos trilhados por ele.

Dessa forma, é possível trabalhar a capacidade de conquistar maior autonomia e conhecimento de suas responsabilidades. A criança, ao ser desafiada a falar de si, indica sugestões importantes para alcançá-la durante o processo de ensino-aprendizagem, pois, será capaz de expor suas dificuldades e dizer o que gosta ou não em sala de aula.

Dentre os tipos de autoavaliação na educação infantil, destacam-se as rodas de conversa, desenhos, ou mesmo aquelas que o professor achar mais adequadas à realidade que está inserido. Essas dicas dadas pelos próprios alunos proporcionam ao professor uma reflexão sobre suas práticas, a fim de analisar se elas estão adequadas ao perfil da turma, bem como às necessidades de cada um.

6. Aposte nas avaliações diagnósticas

A utilização de avaliações diagnósticas ajuda o professor a identificar as potencialidades e dificuldades específicas das crianças. Ter acesso a essas informações possibilita o direcionamento de um planejamento estratégico e organização das ações pedagógicas a serem desenvolvidas, de acordo com o perfil geral da turma, bem como as especificidades de cada aluno.

Dessa modo, é possível perceber necessidades específicas para a assimilação de competências e habilidades importantes ao processo de escolarização das crianças. Esse é um ponto essencial, pois, oferece ao professor direcionamentos específicos quando for realizar seu planejamento.

Assim, a avaliação diagnóstica tem objetivos específicos como:

  • conhecer o contexto da turma;
  • observar as necessidades da criança ao processo de ensino-aprendizagem;
  • poder refletir a partir dessas observações norteadoras;
  • ajudar a construir e elaborar objetivos e metas a serem alcançados.

Dessa forma, torna-se mais fácil estar coerente com a realidade dos alunos.

7. Envolva os alunos em práticas e atividades culturais

Propor aos alunos o envolvimento com práticas e atividades culturais é uma iniciativa importante a ser adotada pelo professor, além disso, promove momentos educativos em sala de aula. O contato mais próximo com a cultura visa a complementação na formação das crianças e as ajudam a se tornar cidadãos mais críticos e criativos.

  • Além dessas questões expostas, essa prática permite o desenvolvimento dos valores artísticos, melhora a expressão, aprimora as noções de pertencimento, incentiva a imaginação, estimula o interesse ao conhecimento da própria história e suas influências, dentre outros fatores significativos à formação na infância.
  • No contexto da avaliação, o uso de práticas e atividades culturais possibilita ao professor analisar aspectos muito relevantes nas crianças, como físicos, sociais, emocionais e cognitivos.
  • Em relação aos aspectos físicos é possível observar:
  • suas expressões corporais;
  • noções espaciais (lateralidade)
  • coordenação motora ampla e fina;
  • ritmo;
  • harmonia.

Nas questões sociais:

  • a interação com outras pessoas ou se correspondem bem às regras, responsabilidades;
  • organização e senso de coletividade.

Na área emocional:

  • se sabem lidar com as variações de sentimentos de forma saudável.

No cognitivo:

  • a capacidade de comunicação e argumentação;
  • a avaliação dos conteúdos que estarão presentes de forma interdisciplinar.

Assim, a cultura pode ser utilizada de várias maneiras no contexto escolar como:

  • organização de festivais;
  • músicas;
  • dança;
  • apresentação de lendas e histórias;
  • propor pequenas receitas para o conhecimento da culinária de lugares diferentes;
  • resgate de brincadeiras.

Diante do que foi apresentado, o professor pode usar da criatividade, adaptar outras práticas educativas em relação à realidade da turma e promover aulas bem significativas à formação da identidade e cidadania das crianças .

Saiba escolher as melhores para colocá-las em prática

  1. Uma boa dica para realizar escolhas avaliativas na educação infantil é estar consciente sobre o perfil da sua turma e conhecer as principais características de cada aluno, especialmente, aquelas predominantes que fazem diferença no contexto educacional.

  2. O professor, ao se preocupar com esses aspectos, tem maiores possibilidades de alcançar o sucesso no planejamento e nas ações pedagógicas aplicadas em sala de aula, pois, o acesso a essas informações proporciona um alcance efetivo às crianças.

  3. Além disso, o professor pode contar com várias maneiras de avaliar os alunos da educação infantil e prosseguir com um planejamento bem direcionado.

  4. Diante disso, o professor precisa utilizar esses aspectos para acolher, conversar e orientar os alunos em todas as necessidades apresentadas por eles nesse ambiente, que são favorecedores à infância, propondo oportunidades de aprendizagem.

Essas foram algumas maneiras de avaliar os alunos da educação infantil.

Perceba que o processo avaliativo apresenta grande importância no processo de escolarização das crianças. Dessa forma, reconheça as particularidades dos alunos que você trabalha e adeque o modo de avaliação para que ela seja compatível à sua realidade e possa, de fato, avaliar. Muitas vezes, a inovação nesses métodos é o que falta para que os resultados do seu ensino possam ser melhor observados.

A avaliação do aluno

Como Avaliar Alunos (com Imagens) A importância da avaliação contínua.

O aluno passa por um processo de avaliação constante durante o período escolar. Atualmente ainda existem educadores que consideram o momento da avaliação somente ao aplicar as tão antigas “provas”. O educador que está sempre em busca do crescimento profissional, sabe que na realidade é tudo bem diferente.

Você enquanto educador, já parou para pensar o que engloba a avaliação e o porquê de se avaliar um aluno? Pois bem. Eis a questão a se refletir, educadores!

Leia também:  Como arremessar com uma vara de pesca para carretilhas

Em uma concepção pedagógica mais moderna, a educação é concebida como experiência de vivências múltiplas, agregando o desenvolvimento total do educando. A avaliação do processo de ensino e aprendizagem é contínua, cumulativa e sistemática na escola, com o objetivo de diagnosticar a situação de aprendizagem de cada aluno, em relação à programação curricular.

A avaliação não deve priorizar apenas o resultado ou o processo, mas a prática de investigação, mas deve também, questionar a relação ensino-aprendizagem e buscar identificar os conhecimentos construídos e as dificuldades de uma forma dialógica. Os erros são tidos como pistas que demonstram como o aluno está relacionando os conhecimentos que já possui com os novos conhecimentos que estão sendo adquiridos, admitindo uma melhor compreensão destes.

Ao avaliar um aluno, é possível verificar o que os alunos conhecem sobre um determinado conteúdo, orientando o professor de forma que possa planejar as atividades de acordo com as dificuldades dos alunos. Tal procedimento favorece o avanço de cada um deles durante o ano letivo.

Não pare agora… Tem mais depois da publicidade 😉

A avaliação inicial é fundamental em qualquer disciplina e o ideal é que o professor coloque o aluno em contato direto com o conteúdo a ser ensinado, proporcionando a ele mobilizar e utilizar seus conhecimentos.

  É papel também do professor, conhecer seus alunos evitando que venha ensinar o que elas já sabem ou até mesmo ensinar o que não são capazes de entender.

Ou seja, é uma questão complexa que deve ser tratada com bastante cautela.

Considera-se que uma das melhores maneiras de se avaliar um aluno inicialmente, é propondo a ele uma situação – problema, no qual ele irá vivenciar o momento e buscar uma forma de resolver dentro dos limites de seus conhecimentos.

É fundamental que o educador tenha domínio da heterogeneidade de conhecimentos existentes em sua turma, pois através desta referência, poderá elaborar estratégias de ensino, bem como poder acompanhar a evolução coletiva e individual de suas turmas.

  • Por Elen Campos Caiado Graduada em Fonoaudiologia e Pedagogia
  • Equipe Brasil Escola
  • OrientaçõesEducadorBrasil Escola

4 dicas para a avaliação das atividades pedagógicas dos professores

Como Avaliar Alunos (com Imagens) Foto: Ricardo Toscani

Olá colegas,

Sabemos que nem todas as atividades precisam ser escritas, obviamente. Porém, vivemos em uma sociedade “grafocêntrica”, na qual os registros são ainda muito valorizados e, portanto, é bastante comum que as aprendizagens, estratégias e formas de pensar das nossas crianças estejam registradas nas famosas folhinhas, especialmente no Ensino Fundamental.

Pensando assim, avaliar antecipadamente as atividades que serão xerocopiadas e oferecidas às crianças é mais uma boa forma de nos aproximarmos do trabalho do professor e orientá-lo, sempre que necessário.

Não se trata de dizer: “Esta atividade pode e esta não pode!” Afinal, sabemos que, na Educação, uma mesma proposta pode ser analisada sob diferentes aspectos, variando em contexto e estratégias, dependendo da concepção pedagógica na qual se apoia etc.

Portanto, o olhar de quem avalia precisa ser sempre muito cuidadoso e respeitoso, buscando se aproximar do professor, em busca dessas ricas informações que auxiliarão na compreensão daquilo que foi planejado.

Quando eventualmente não autorizo alguma atividade, costumo fazer uma devolutiva escrita ao professor, além de me reunir com ele para esclarecer os aspectos que pesaram na decisão. Com esses cuidados, promovo uma ação formativa com os docentes e sinto a equipe mais próxima e confiante no meu trabalho.

Compartilho com vocês alguns aspectos importantes para avaliar a pertinência ou não das propostas. É certo que esse “check list” básico pode variar, mas, por meio da minha experiência, tenho observado que esses quatro aspectos são adequados:

1) Diagramação e estética: Verifico se a atividade está bem inserida na folha, se há espaço para realização das propostas e para a escrita do nome do aluno, turma e data. Vejo se tem o nome da escola, se não são muitas atividades em uma só folhinha, se não há desenhos estereotipados etc.

2) Aspectos pedagógicos, fontes de pesquisa ou referências: Analiso se o objetivo da atividade está claro e coerente com o plano de ensino do professor e se está descrito na folha. Verifico ainda se a atividade atende de fato ao objetivo proposto. Em caso de textos, obras de arte ou outras imagens, vejo se há a referência com nome do autor/artista e a qualidade da fonte.

3) Concepção que fundamenta a atividade: Vejo se é coerente à nossa proposta pedagógica.

Por exemplo: de acordo com a perspectiva sócio construtivista interacionista de aprendizagem da rede de ensino onde eu atuo (e, portanto, prevista no PPP da nossa escola), as atividades com treinos repetitivos, mecanizados, que não promovem a interação e a reflexão das crianças são pouco interessantes e, por isso, dispensáveis. O tempo didático tem que ser aproveitado da melhor forma possível, com boas situações de aprendizagem.

4) Nível de aprendizagem: Analiso se a proposta está de acordo com a turma, verificando inclusive se o professor previu variações para os diferentes ritmos e saberes das crianças, promovendo a participação e inclusão de todos os alunos.

Muitas teorias nos apoiam neste sentido.  Pode-se pensar em uma mesma proposta, porém com estratégias variadas, de acordo com os saberes das crianças.

No processo de alfabetização, isto é muito comum: enquanto crianças com hipóteses de escrita silábico-alfabéticas e alfabéticas produzem textos de memória com certa autonomia, as crianças com hipóteses silábicas podem desenvolver a mesma atividade por meio de recorte e colagem de palavras ou versos da cantiga conhecida, em parcerias produtivas com crianças de saberes próximos.

Na matemática, da mesma forma, é preciso garantir a liberdade para que as crianças resolvam situações-problemas através de estratégias variadas. Há alunos que sistematizam seus saberes por meio de cálculos matemáticos, porém outros podem demonstrar um mesmo conhecimento através de desenhos ou esquemas (representações pictóricas), além do uso de materiais de contagem, por exemplo.

Essas variações precisam contemplar as crianças com necessidades educacionais especiais e é papel do coordenador refletir, em parceria com o professor, sobre a inclusão de todas as crianças e o planejamento de boas atividades que valorizem e contemplem essa diversidade natural presente em sala de aula.

Todos esses cuidados não excluem ainda um olhar que precisamos ter no dia-a-dia da escola e que somente a observação contínua, na rotina, nos garantirá: Como as atividades estão sendo trabalhadas em sala? Será que as crianças não estão muito tempo sentadas, enfileiradas? Será que todas as atividades precisam mesmo ser escritas? Quais formas de dinamizar e variar a rotina e a organização da turma?

Essas reflexões são pontos valiosos para formações em equipe. Valorizo o uso de jogos, da tecnologia e de outras propostas lúdicas que, geralmente, são excelentes formas de aprendizagem.

Leia também:  Como amadurecer peras: 10 passos (com imagens)

Também dou valor aos registros reflexivos dos professores, fotográficos ou em vídeos, como formas de documentação das propostas.

Porém, quando o assunto é atividade escrita na folhinha não podemos descuidar também, combinado?

E vocês colegas, como avaliam as atividades propostas pelos professores? Vamos trocar nossas experiências a respeito?

Um abraço,

Muriele Massucato

Avaliar na Educação Infantil

A criança é um ser social com capacidade afetiva, emocional e cognitiva. Tem desejo de estar próximo às pessoas e é capaz de interagir e aprender com elas de forma a compreender e influenciar seu ambiente.

Ampliando suas relações sociais, interações e formas de comunicação, as crianças sentem-se cada vez mais seguras para se expressar e passam a aprender por meio das trocas sociais com diferentes crianças e adultos, cujas percepções e compreensões da realidade também são diversas.

Assim, o processo ensino–aprendizagem ocorre de forma gradual, contínua, cumulativa e integrativa, envolvendo ações, sentimentos, erros, acertos e novas descobertas.

Nessa etapa, a avaliação deve ter como objetivos auxiliar o processo de aprendizagem, fortalecer a autoestima do aluno e orientar as ações pedagógicas.

No que se refere às crianças, a avaliação deve permitir que elas acompanhem suas próprias conquistas, dificuldades e possibilidades ao longo do processo.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação, na seção 11, referente à Educação Infantil, artigo 31, preconiza que: “[…] a avaliação far-se-á mediante o acompanhamento e registro do seu desenvolvimento, sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao Ensino Fundamental”.

A avaliação deve ampliar o olhar do professor a respeito do contexto da aprendizagem e das atividades realizadas.

O docente deve estar atento ao modo como foi executada a tarefa e o que norteou os procedimentos, a saber: o ambiente, os materiais, as escolhas, enfim, tudo que cerca o momento da realização da atividade.

A avaliação poderá ser realizada em forma de observação, registro e atividades práticas.

A aprendizagem precisa ser avaliada durante o processo de trabalho, de forma contínua, tendo como objetivo o desenvolvimento do aluno em todos os aspectos. É nesse momento que o professor pode perceber as dificuldades e os acertos dos alunos.

A avaliação da aprendizagem deve contemplar os momentos em que a criança:

  • exercita os conceitos aprendidos tanto no contexto escolar como no extraescolar;
  • tem oportunidade de interpretar a ação dos adultos;
  • tem possibilidade de expressar os sentidos que atribuiu aos conceitos, modificando-os a partir das relações que estabeleceu.

Portanto, o olhar do professor sobre os aspectos que facilitam ou dificultam o desenvolvimento das crianças ajudará a organizar e reorganizar outras atividades, os materiais oferecidos, as formas de execução e os agrupamentos de crianças. Assim o professor terá como prever, já no planejamento, as ações que contribuirão para alcançar seus objetivos e facilitar o aprendizado do aluno.

Segundo os Referenciais Curriculares, ao avaliar os alunos, analise as seguintes questões:

  • De que forma os conhecimentos que o aluno já possui foram considerados?
  • Qual o objetivo da atividade? Que desafio ela propõe ao aluno?
  • Que providências foram tomadas previamente para que a atividade fosse realizada?
  • Que instruções foram dadas para sua realização? Elas foram bem formuladas?
  • Que conteúdos/temas estão sendo contemplados?
  • O espaço foi previamente preparado?
  • Como foi a participação dos alunos?
  • Houve interação entre eles?
  • O registro avaliativo poderá ser realizado na forma de diagnóstico, veja a seguir.
  • Diagnóstico:
  • Registrar o perfil do aluno e a fase do desenvolvimento em que ele se encontra no início do ano letivo.
  • Observação:

Registrar os avanços do aluno ao longo do processo de aprendizagem. É importante que, a cada dia, seja feito pelo menos um registro, pois isso possibilita um retrato dos passos percorridos na construção das aprendizagens. Essa forma de registrar diariamente a caminhada do aluno tem o objetivo de mostrar a importância de cada aula, de cada passo, como uma oportunidade de desenvolvimento.

Relatórios:

(bimestrais/trimestrais, em forma de áudio, vídeo, fotografias, fichas). Os relatórios deverão registrar os eixos norteadores trabalhados e as reações do aluno diante das propostas oferecidas.

Para cada eixo, redija um pequeno texto, sempre levando em consideração o progresso do aluno.

Cuidado para que esse relatório não seja apenas um registro contendo “o comportamento que a criança apresentou”, utilizando-se, para isso, de listas uniformes de comportamentos a serem classificados: “atingiu parcialmente”, “não atingiu”, “não apresentou”, “apresentou”, “muito bom”, “bom”, “fraco”, “muito fraco”. A avaliação não deve se reduzir a preencher fichas padronizadas ao fim de um período letivo. Avaliar não é apenas medir, comparar ou julgar. Muito mais do que isso, a avaliação apresenta uma importância social e política fundamental no fazer educativo.

Portfólio:

A organização do portfólio torna-se significativa pelas intenções de quem o organiza, do aluno e também da família. Não há sentido em coletar trabalhos dos alunos para mostrá-los aos pais somente como instrumento burocrático. Ele precisa constituir-se um conjunto de dados que apresente avanços, mudanças conceituais, novos jeitos de pensar e de fazer pelos quais o estudante passou.

Autoavaliação:

A criança nessa fase já é capaz de fazer uma autoavaliação justa, correta e precisa, pois tem consciência de suas atitudes e do seu desempenho na execução de tarefas e na interação com os colegas.

Participar de uma autoavaliação requer amadurecimento e possibilita o desenvolvimento de valores (responsabilidade, honestidade, sinceridade).

A autoavaliação pode ser expressa oralmente, tendo o professor como escriba, ou por desenhos e pintura a cores (determine uma cor para cada ação da criança), entre outros.

São muitos os instrumentos que podem ser utilizados para acompanhar o desenvolvimento da criança e possibilitar ao professor a reflexão das ações pedagógicas. A escolha deverá estar de acordo com o planejamento pedagógico e a realidade da sala de aula.

Autoras de Educação Infantil da Coleção Nosso Amiguinho.

Fonte: Revista CPB Educacional – 1º semestre 2017.
Imagem: Fotolia

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*