Como aproveitar uma festa sem beber: 12 passos

Chegou um momento da minha vida em que uma noite de bebedeira acaba se convertendo em dois dias de ressaca. Meu organismo não é mais o mesmo para lidar com o álcool, e (pior ainda, neste ano de crise) meu bolso parece encolher cada vez mais.

No meu caso, parar de beber temporariamente foi uma escolha puramente estética que calhou de ser uma opção saudável. Estou fazendo uma dieta que simplesmente barra o consumo de carboidratos, o que faz qualquer bebida alcoólica cair que nem uma bomba atômica no meu organismo, tornando tudo uma grande tempestade de tristeza. Então, simplesmente optei por não beber durante esse período.

Com isso, descobri duas coisas sobre minha vida:

1. Sou mais dependente de álcool do que imaginava. Se você for uma esponja que nem eu, pense em interações sociais casuais de que você participou que não envolviam bebidas.

Você alguma vez já saiu com seu amigo e não tomou um goró? Você já não achou uma boa ideia encher o cu de bebida e terminar sua monografia cujo prazo termina no mês que vem? (Não aconselho).

O álcool está presente na maioria das situações que não envolvam trampo (quer dizer, depende do que você faz). Isso pode ser meio triste.

2. Explicar sua escolha para outras pessoas é uma merda, porque ninguém acha justificável parar de beber se não envolver cirrose ou delegacia. Às vezes, é tão chato explicar que gostaria de dizer que tenho câncer. Como tenho medo de apanhar na rua, aprendi que o silêncio e a paciência de um monge tibetano com pessoas curiosas são o melhor caminho.

Colocadas essas descobertas, me perguntei desesperadamente como iria continuar celebrando minha juventude. Será que teria de começar praticando esportes? Deveria lançar um blog de dietas? Será que me tornar um pária na sociedade é a única coisa que me resta?

Talvez seja sacanagem publicar isso logo depois de um feriado prolongado, mas né?

IR A UMA BALADA ONDE VOCÊ (REALMENTE) GOSTE DO SOM

Não beber é um saco, especialmente quando você está numa balada ou num local onde tudo envolva álcool (ex: qualquer lugar). Para mim, segurar uma cerveja ou um drink na mão era um baita quebra-galho, porque odeio interagir com pessoas que não conheço e também porque não sei dançar absolutamente nada.

Para você ver como o álcool é um estepe bastante poderoso para quem odeia situações sociais. Talvez isso explique o problema de alcoolismo, sei lá.

Quando fui à minha primeira festa sem poder beber uma gota de álcool, não dancei, não conversei com meus amigos alcoolizados (óbvio, né?) e passei quase 70% do meu tempo na área de fumantes lendo alguma porcaria no celular. Foi chato.

O truque que descobri é sempre fazer o possível para colar numa festa em que você vá amar a música e cuja pista de dança seja sua vida e o DJ, seu Deus. Não estou falando que é fácil, porém ajuda você se divertir e não parecer mais um pau no cu na noite.

É crucial que você goste das pessoas que estão indo com você e a balada também não se resumir a tatuados blasés que vão julgar seus passos fracos de dança.

NÃO JULGAR AS OPÇÕES DE BEBIDAS SEM ÁLCOOL

Como Aproveitar uma Festa sem Beber: 12 Passos

Na imagem acima, eu estou não julgando as opções sem álcool. Fotos por Vinicius Cavalcanti

O negócio aqui é o seguinte: tomar refrigerante ou água a noite inteira é uma merda. A menos que você curta arrotar a noite toda na cara das pessoas ou transar a ideia de ir mijar a cada 10 minutos. Meça seus preconceitos, parça.

Existem cervejas sem álcool no mercado que dão pro gasto e não fazem você se sentir um adolescente tomando cinco latas de energético em seguida. Se você for mais sofisticado, pode pedir para o bartender fazer um Virgin Mary para você.

O barman vai te zoar, seus amigos vão te zoar (veja item “AVISE SEUS AMIGOS”) e você vai sentir a grande solidão que é não beber. Porém, pense na ressaca que eles vão ter no dia seguinte depois de acordar ao lado de uma pessoa com “fé, foco, força” tatuado no pescoço.

1000 x 0 para os abstêmios.

ARRUMAR UMA ATIVIDADE

Pense nos dias que você desperdiçou enchendo a lata. Pense em todo o dinheiro que você está economizando ao não consumir uma lata de cerveja por R$ 15 em alguma balada. Pense em todos os minutos que você queimou fazendo aquela DR bêbado.

Sim, não beber pode ser legal no final das contas; por isso, é interessante canalizar toda essa nova energia para uma atividade prazerosa que não envolva ficar 100% loucão.

Isso também pode ser bastante útil para te distrair dos pensamentos de estourar os miolos que irão te consumir em certos momentos nos quais você só gostaria de secar todo o estoque de bebida do boteco da esquina.

Não tenho a mínima ideia do que você pode fazer. Até seria uma boa ideia usar o tempo que você ficaria de cueca jogando um game para praticar um esporte.

Mas, honestamente, você tem saco para esportes?

DAR RISADA DOS SEUS AMIGOS BÊBADOS

Bêbado fala enrolado, tropeça bastante e, às vezes, chora sem motivo nenhum. O que mais você tem de bom para fazer nessas horas?

Como Aproveitar uma Festa sem Beber: 12 Passos

Depois que esta foto foi tirada, baixei um álbum do Earth Crisis, colei no Verdurada e garanti minha virgindade por mais um dia. xMarlborox.

NÃO SER UM BABACA E TER MAIS EMPATIA

Regra de ouro. Você pode ficar bastante irritado com a falta de álcool. Falo isso, porque me tornei um monstro no primeiro mês em que deixei de entornar o caneco; por isso, é importante você dar um tempo na agitação para não virar o arrombado da roda, que vive reclamando de como sua vida é uma merda.

Seus amigos e as pessoas ao seu redor vão continuar bebendo para se divertir. Seu brother ainda vai achar legal tomar catuaba e vomitar roxo. C'est la vie, fera.

Não tente pregar seu novo estilo de vida para seus amigos ou agregados, tente não reclamar nas redes sociais. Porque, na moral, ninguém se importa. Apenas aceite que isso está acontecendo; afinal, é você quem escolheu isso.

Fique tranquilo, abra uma cerveja 0% e brinde sua nova fase sem ressacas e conversas de WhatsApp constrangedoras no meio da madrugada.

AVISAR SEUS AMIGOS

Não estou dizendo que vocêdeva sair por aí usando uma camiseta do Madball, mas vamos admitir que amigos costumam fazer uma boa pressão social para que o goró nunca falte no seu copo.

Seja categórico, diga não. E não é uma boa ideia fazer um amigo teu ir na sua onda, porque, na primeira peidada de missão que ele der, só será mais um incentivo para voltar a beber. Eles vão entender, te chamar de arrombado, de straight edge, mas eles ainda são seus amigos no final do dia e vão te ajudar a curtir uma festa ou um bar sem preconceitos.

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A menos que seus amigos usem crack. Não ande com amigos que usam crack.

USAR OUTROS LANCES

Como Aproveitar uma Festa sem Beber: 12 Passos

Autoexplicativo.

Você, leitor perspicaz e ligeiro, já deve sacar que essa é a opção mais mamão-com-açúcar para driblar a falta de álcool. Mas, se você for esperto mesmo, também sabe que isso é ilegal. Mas será que você apenas não está trocando um peido por uma cagada?

Maconha te dá fome e THC pode dar ruim. Cocaína é muito anos 80 e é superdeprê. Barbitúricos também são deprê. Tomar ácido e derivados poderia ser uma, porém não aconselho a gastar dinheiro e saúde dropando um para colar num boteco.

Se você parou de beber por motivos de saúde, ignore esse item. Ou não, o rabo é todo teu.

  • Pra fechar a tampa, vou dar um golpe baixo e revelar que, quando coloquei na ponta do lápis o quanto gastava com goró, descobri que bebo 16% do meu salário.
  • Se nada disso faz sentido pra você, é porque você provavelmente acha que parar de beber é para fracassados, e eu não sou obrigada a fazer você mudar de vida.
  • Divirta-se.

Obrigada. De nada.

Alcoolismo preocupa entre jovens

Como Aproveitar uma Festa sem Beber: 12 Passos

Uma em cada quatro crianças de 9 anos já provou alguma bebida alcoólica. A idade média em que os jovens ficam bêbados pela primeira vez é 13,7 anos. Vinte e nove por cento dos adolescentes de 15 anos bebem toda semana. Os dados alarmantes da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam para o uso cada vez mais precoce de álcool entre adolescentes. São eles os responsáveis por 6% de todo o consumo anual de álcool do Brasil, como mostra outra pesquisa divulgada pela Associação Brasileira de Estudos de Álcool (Abead). Com relação à dependência, levantamento feito com universitários, pela Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), mostrou que 22% dos jovens estão sob risco de desenvolvê-la. O assunto ganhou repercussão esta semana durante audiência realizada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), em Belo Horizonte. O uso precoce da bebida tem levado ao alcoolismo cada vez mais cedo tanto de mulheres quanto de homens.

A constatação é dos Alcoólicos Anônimos (AA), que tem percebido jovens, já dependentes do álcool, procurando ajuda. “Não fazemos uma pesquisa sobre isso, mas a cada dia percebemos que a idade dos participantes vem caindo.

Também basta passar pelos bares para percebermos que garotos e garotas cada vez mais jovens estão bebendo”, relata um dos coordenadores das reuniões do AA na cidade, que preferiu não se identificar.

“Muitos chegam aqui com 20, 23 anos, já alcoolistas ou com dependência cruzada, ou seja, usuários de álcool e outra droga”, conta outro integrante do AA.

A preocupação é crescente, e casos graves chamam atenção, como a de um garoto que chegou em coma alcoólico no Hospital de Pronto Socorro (HPS), no último dia 26. O adolescente foi socorrido por populares no Bairro Alto dos Passos, Zona Sul. Como estava sem documentos, ficou sem identificação na unidade hospitalar.

Pesquisa realizada entre 2005 e 2009, pelo Laboratório de Pesquisas em Personalidade, Álcool e Drogas (Lappda) da UFJF, apontou que 63,7% dos entrevistados tiveram o primeiro contato com álcool antes dos 15 anos e indicaram a influência de amigos e a motivação “diversão ou prazer” como as razões para o consumo.

Maior rigor

Na audiência, solicitada pelo deputado Sargento Rodrigues (PDT), o objetivo foi discutir desafios e avanços da Lei 19.981, de 2011, que prevê sanções para o estabelecimento que não apenas vende, mas permite o consumo de álcool por menores de idade.

“As crianças estão vulneráveis ao consumo de bebidas em razão não somente de estarem em processo de formação, como também por estarem expostas à divulgação de propagandas do produto, quase sempre associado a imagens que remetem a saúde, vigor e sensualidade.

A audiência é importante para que esta realidade não seja negligenciada pela sociedade”, justificou o parlamentar.

Festas

Os eventos open bar (com bebida liberada), realizados com frequência no município, também estimulam o consumo abusivo de álcool. Outro fator é a proliferação de bares em regiões concentradas do município.

Nestes pontos, o acesso a bebidas é facilitado e pouco fiscalizado, mesmo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) proibindo a venda a menores de 18 anos de idade.

Nos Estados Unidos, por exemplo, 21 anos é a idade mínima para que a pessoa possa comprar bebida alcoólica, porque se chegou à conclusão de que o consumo precoce, além de aumentar o risco de acidentes, facilita o uso de outras drogas.

Para a pedagoga Jussara de Barros, integrante da Equipe Brasil Escola e autora de artigos sobre o assunto, a experimentação na adolescência é um ato de alto risco.

“O jovem deve se manter afastado do álcool, porque é também considerado uma droga que leva ao vício.

Aceitar convites de amigos para fazer seu uso às escondidas, nos bares ou mesmo em praças públicas e escolas pode levar a outras decorrências, pois a embriaguez aparece sem que a pessoa perceba.”

Adolescentes admitem o uso abusivo

Nas ruas e nas portas de colégios, é fácil encontrar grupos de adolescentes com integrantes que se aventuraram no mundo do álcool antes dos 13 anos. Eles relatam que a primeira experiência foi escondida dos pais.

Outros narram episódios vexatórios, principalmente, em festas.

Na última quinta-feira, a Tribuna conversou com um grupo de dez adolescentes, todos estudantes do segundo ano do ensino médio de um colégio particular, que relatou suas experiências.

“Comecei a beber com 11 anos, mas era só para experimentar. Hoje já bebo em todo fim de semana que tem festa. Bebo mais vodca do que cerveja e já tive alguns episódios após beber muito. Já perdi a memória, meus amigos já me levaram para casa e uma vez cismei de dar um ‘peixinho’, durante uma festa, bati com o queixo no chão e cortei feio a língua”, contou o estudante de 16 anos.

Do mesmo grupo, outro garoto admite que começou a beber aos 14, mas que faz uso do álcool sempre nos aniversários de 15 anos. “Não há mais festa sem bebida. Se não tiver bebida, não tem festa.

Fica todo mundo travadão, e ninguém aproveita. Pode ir em eventos assim que há pelo menos três no chão passando mal.

” Outro amigo do grupo, também com 16, confessa que já urinou na roupa após fazer uso de “muita vodca”.

Psiquiatra e presidente do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), Arthur Guerra de Andrade é mais enfático. “O consumo inadequado é um grave problema de saúde pública. O simples uso de bebidas alcoólicas entre os jovens é um problema mais sério ainda.

A posição do Cisa é de que esta atitude é inaceitável entre menores de 18 anos, pois pode trazer prejuízos ao seu desenvolvimento. Mas essa situação existe, e não podemos ignorá-la. É preciso que os pais saibam agir e orientar seus filhos (ver quadro).

Não se pode esquecer de que, em qualquer quantidade, o álcool é uma substância tóxica e que o metabolismo das pessoas mais jovens faz com que seus efeitos sejam potencializados.

Além disso, ele é responsável pelo aumento do número de acidentes e atos de violência, muitos deles fatais, a que se expõem os usuários.”

Ainda conforme dados do Cisa, as doenças decorrentes do abuso alcoólico levam, em média, de 12 a 15 anos para aparecer nas mulheres, enquanto, nos homens, esse tempo varia entre 17 e 20 anos.

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Facilidade para burlar lei e comprar bebida

Especialistas alertam que a venda ou o fornecimento indiscriminado de álcool para adolescentes em festas com bebidas liberadas, bares e outros estabelecimentos da cidade facilita o consumo e impulsiona o vício.

Há três anos, a Tribuna acompanhou a rotina de um sábado na Zona Sul e constatou que os menores de 18 anos de idade compravam bebidas em alguns bares e em um supermercado sem empecilhos. De lá para cá, nada mudou.

As cenas se repetem, sobretudo nos fins de semana, e são confirmadas pelos próprios adolescentes.

Embora cada um deles tenha suas histórias, a maioria afirma que é fácil comprar bebida, sobretudo em bares menores, mercearias ou supermercados sem a exigência de mostrar a identidade. “Se quiser beber, é bem fácil.

Só não vendem quando é muita quantidade ou quando é um bar famoso. Aí, geralmente pedem o documento.

Mas até aqui nesses bares em frente conseguimos comprar”, contou um jovem, 17, estudante de um colégio particular no Centro.

Outro menino do grupo ouvido pela Tribuna ainda aponta uma estratégia para conseguir driblar o rigor de comerciantes e do Juizado de Menores. “Muitos têm documento falso, com idade de 18 anos. Aí fica mais fácil comprar.”

Falta controle

Psiquiatra e professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de São Paulo, Ronaldo Ramos Laranjeira, também defende a ideia de que a falta de fiscalização e controle sobre a venda e a indústria da propaganda impulsionam o consumo entre os adolescentes.

“Vivemos num mercado descontrolado, estrategicamente favorecido pela indústria do álcool.

No Brasil, há um milhão de pontos de venda de álcool, um para cada 180 mil habitantes, a propaganda é bastante intensa, o preço é baixo e prevalece a falta de controle sobre a comercialização da bebida para menores de idade.”

Coordenador do Comissariado da Vara da Infância e Juventude de Juiz de Fora, Maurício Gonçalves Alvim Filho, lembra que a venda e o fornecimento de bebidas alcoólicas para crianças e adolescentes é crime e deve ser combatida pela Polícia Militar.

“Quando o comissariado flagra, toma a providência necessária, faz o auto de infração e encaminha para a Polícia Civil apurar. Mas o próprio Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) diz que a responsabilidade primeira é da família, depois da comunidade e, por último, do Estado.

O grande problema é que a sociedade tolera e incentiva essa prática. O consumo começa geralmente em casa, em aniversários e churrascos.

Como tudo que é tolerado pela comunidade, como o jogo do bicho ou o comércio de mídias piratas, é difícil de se combater, a venda e o uso de álcool pelos menores de 18 anos também são.”

A Polícia Militar informa que o Programa Educacional de Resistência às Drogas (Proerd), realizado nas escolas, trabalha o combate ao uso de drogas e alerta sobre os malefícios do álcool e demais substâncias que causam a dependência química. Já na repressão, a corporação diz que realiza a prisão de comerciantes que vendem bebidas a menores de 18 anos e, para isso, conta com as denúncias da população, seja pelo 190 ou pelo Disque-denúncia, 181.

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Entrevista: Arthur Guerra de Andrade, psiquiatra e presidente do Cisa

‘Os pais não devem se dobrar às pressões’

Para tentar entender o que tem levado os adolescentes a usarem álcool cada vez mais cedo e de forma abusiva, a Tribuna buscou respostas junto ao psiquiatra e presidente executivo do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), Arthur Guerra de Andrade. Para o especialista, a necessidade de autoafirmação, a influência dos amigos e a permissividade dos pais são os fatores que colaboram para o consumo entre meninos e meninas.

Tribuna – Por que os adolescentes têm abusado cada vez mais do álcool?

Arthur Guerra de Andrade – É um somatório de fatores. O primeiro é que o consumo de bebida alcoólica é aceito e até estimulado pela sociedade. Em segundo, pela permissividade dos pais e pela facilidade em se conseguir álcool em casa e nas ruas, com a facilitação dos amigos mais velhos.

Neste cenário, o adolescente, que é curioso e inseguro, passa a imitar o comportamento dos mais velhos e a fazer uso do álcool e também do cigarro. O mais grave é que o adolescente não sabe beber. Ele bebe pelo efeito, para ficar mais solto e mais confiante, e não pelo gosto, pela apreciação da bebida.

E aí bebe muito, e, como o corpo e o cérebro não estão maduros o suficiente, os efeitos são potencializados, podendo chegar ao coma alcoólico, e, em casos mais raros, à morte.

– Na cidade não existe um tipo de controle eficiente para coibir o consumo de bebidas pelos adolescentes. Cenas de garotos bebendo em supermercados, praças e bares são comuns. Eles conseguem comprar cerveja apesar da pouca idade. O senhor acredita que isso contribui para o consumo exagerado?

– Não tenho dúvidas. A facilidade de aquisição contribui para o consumo impróprio pelos adolescentes.

– A questão é que, atualmente, toda festa de adolescentes possui bebida alcoólica. Muitos falam com os pais que, se não houver bebida em seu aniversário, os amigos não irão. O que os pais devem fazer quando o adolescente insiste nesse ponto?

– Os pais têm a missão de zelar pela saúde e educação dos filhos e não podem se dobrar às pressões. Em cada idade, há uma forma de agir (ver cartilha acima).

– Normalmente, a dependência do álcool leva anos para estabelecer-se. Mesmo assim, é possível o adolescente tornar-se dependente?

– Sim. Não que vá se tornar um alcoolista com 16, 17 anos. Mas quanto mais cedo começar a consumir álcool, maior o risco de tornar-se um adulto jovem dependente.

– Existem fatores de risco para o alcoolismo na adolescência? O pai que bebe pode influenciar o filho? Há alguma herança genética?

– A herança genética pode explicar parcialmente a vulnerabilidade de alguns indivíduos à dependência do álcool, mas outros fatores também demonstram estar relacionados. Entre eles podemos citar o estilo de vida e a influência do meio sobre o adolescente.

– O adolescente que bebe está mais propenso a usar outras drogas?

– Com certeza. O álcool é a porta de entrada para o mundo das drogas.

13 Lições que aprendi em (quase) um mês sem beber álcool

por Leonardo Filomeno

Responda de bate-pronto qual opção você escolheria?

– 30 Dias sem beber– 30 dias sem transar

É lógico que a segunda opção é condicional a uma segunda pessoa, mas qual seria o desafio mais hard para você? Já assumo que, com certeza, ficar sem beber é uma tarefa que, para mim, é mais hercúlea do que ficar na seca durante um mês.

Mas, como o homem no fundo é movido por desafios, o guerreiro Jemery Glass do site Supercompressor resolveu encarar a provação. Embora tenha ficado só 23 dias sem consumir uma gota de álcool, assume que a privação pareceu uma eternidade.

Em sua matéria-relato, Jeremy Glass assume que não é um alcoólatra, mas que costumeiramente consome muito álcool. Ele trabalha fazendo review de whiskys e, por isto, a bebida é algo bem presente em sua vida, tanto no meio pessoal como profissional.

O desafio surgiu após uma ressaca brava. Depois das péssimas condições que passou no dia seguinte, ele resolveu ficar um mês sóbrio. Só interrompeu a restrição no seu aniversário. Sobre a experiência, ele resume:

“Era muito mais difícil do que eu jamais poderia ter imaginado e agora eu amo beber mais do que nunca. Isto é o que eu aprendi”.

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Quer saber o que ele aprendeu neste 23 dias de privação? Traduzimos do site as lições para você ver:

1# A primeira semana você se sente mal como em Trainspotting

Quando a decisão ficou clara em sua cabeça e colocou em prática a ação de não beber, sentiu-se incrivelmente excluído dos grupos, como se todo mundo estivesse fazendo uma festa sem chamá-lo.

A impressão que ele teve é de que o seu escritório organizou um happy hour todos os dias depois que ele decidiu parar de beber. Ok, talvez desistir de álcool por um mês não seja a mesma coisa que parar com drogas, mas não foi divertido para ele.

2# Você não vai saber o que fazer com suas mãos

Um dos maiores problemas que Jeremy teve foi um frio persistente mão esquerda. Ele simplesmente não sabia o que fazer com as mãos quando os amigos estavam bebendo. Honestamente, teve uma vontade começar a fumar novamente.

“Esta tendência de moda de usar calças apertadas faz com que seja muito difícil de colocar as mãos no bolso”, revela.

3# Não beber álcool faz quem tem bexiga pequena chorar

Quando decidiu parar o álcool, compensou a carência com o consumo excessivo de água. Em todos os lugares que foi, água ou Coca Diet paravam em suas mãos, quase que instantaneamente. Desta forma, a quantidade de líquido que entrou no seu corpo foi absurdamente maior do que sem a restrição. O resultado: ele não conseguia parar de fazer xixi.

4# Conversas movida a bebida não são interessantes, a menos que você beba

Ele até tentou continuar acompanhando seus amigos nos bares e começou a prestar mais atenção nas conversas que rolavam. Conversas que, para um abstêmio, foram chatas e entediantes. Conversas que estimulou dezenas de piadas, trocadilhos divertidos. Se ele tivesse sob o teor alcoólico, ririam de todas elas, é claro.

“Eu me senti totalmente fora de contato e desajeitado, como um pai levando seu filho e amigos para o shopping ou balada”, resume.

5# Não beber poupa uma tonelada de dinheiro

Ele até imaginou que isso iria acontecer, mas ficou chocado quando se deparou com um excedente de dinheiro no final do mês.

“Era como se todas as pessoas do planeta Terra tivessem me pagado US$ 100 para parar de se divertir por algumas semanas”, brinca Jemery Glass.

6# Ficar sóbrio realmente reduz brigas estúpidas

“Quero dizer que, definitivamente, não foi uma coincidência que a minha namorada e eu nos dávamos bem melhor durante meu mês que não bebi. Acontece que há melhores maneiras de resolver os argumentos do que gritando em voz alta em um telefone”, aponta Glass.

Talvez a falta de álcool no sangue tenha resultado em uma pessoa menos suscetível a discussões bobas e alterações de humor. Ponto positivo para o relacionamento quando o álcool não está lá.

7# Passeios sóbrios tarde da noite de metrô são realmente estranhos

Como morava perto do trabalho, ele só usava o transporte público nos fim de semana para ir e voltar do bar. O que ele percebeu foi que fazia mais de 2 anos que ele não voltava do metrô sóbrio. Uma sensação um tanto quanto estranha.

8# Deixar de fumar ou parar de consumir álcool por um tempo é preciso

É realmente difícil de fazer, e vai necessitar de muito esforço seu, mas deixar fumar ou interromper o álcool por um tempo é realmente necessário se você quer dar um passo atrás, examinar sua vida de uma maneira mais clara e enxergar que os vícios não dominam você.

9# Você realmente vai perder peso

A barriguinha causada pelo conjunto álcool + junkie food é um problema real e Jeremy percebeu, com  as três semanas sem bebidas, que realmente é muito fácil de se livrar. Durante os 23 dias sem consumo alcoólico, ele perdeu quase 2 quilos.

“Claro, ganhei de volta após a dieta acabar, mas pelo menos eu sabia que podia fazê-lo novamente.

10# Você vira o motivo da piada

Além das perguntinhas clássicas e da justificativa que você vai ter que dar para estranhos e conhecidos pelo motivo da sua abstinência, você vai virar o centro das atenções e alvo fácil de piadas. De todos os tipos e feito por qualquer pessoa.

“Lembro-me de uma noite em um bar em que eu não conseguia parar de olhar ansiosamente para as garrafas atrás do bartender. Através do meu olhar de olhos vidrados, consegui pedir duas Cocas Diet e o cara me perguntou se eu queria nenhuma ‘bebida de adulto’. Eu bem queria, mas não podia”.

11# Você vai adquirir profundo e sincero carinho pelo álcool

“Durante um mês, eu não via nada além de garrafas de cerveja geladas, rios de saborosos vinhos a minha frente, além de shots matadores. Era como no final de O Retorno de Jedi, quando Luke vê os fantasmas de Obi-Wan, Yoda e Anakin Skywalker”, exemplifica Jemery Glass.

Para ele, o álcool começou a ganhar um outro significado e relevância. Durante o período de seca, ele continuou tendo miragens com bebidas, como um beduíno sedento e perdido no deserto. Mas, se ele abordasse a missão, estaria enganando a si mesmo.

12# A bebida do aniversário é inevitável

Para alguém que tem como trabalho degustar bebidas, Jeremy teve que interromper sua abstinência por um fato notório, seu aniversário. Seu grande erro foi não ter calculado isto. Obviamente, não preciso nem falar que os presentes que ele mais ganhou no dia foram líquidos e com um certo teor alcoólico.

“Eu percebi que meu erro grave duas semanas depois de começar e por isso que eu não poderia durar um mês inteiro. Se alguém perguntar, eu fui forçado com um funil”, assume.

13# Não beber por um tempo realmente vai fazer você apreciar beber

A abstinência levou Jeremy a apreciar ainda mais o lema “Beba menos, beba melhor”. Depois de um detox alcoólico que passou, o seu organismo ficou muito mais sensível ao álcool e ele conseguiu apreciar e distinguir mais os sabores.

“Lembro-me de minhas primeiras bebidas comemorativos de aniversário. Budweiser, Dos Equis, Miller, etc. Era tão bom.

Eu sei o que você está pensando que estas cervejas são suaves demais, algo parecido com água com gás (ou mijo). Mas você está COMPLETAMENTE ERRADO. Eu bebi água com gás durante 23 dias e elas não são nada parecidas.

Perto dos líquidos não alcoólicos, essas cervejas comerciais são deliciosas realizações humanas”.

E você, conseguiria ficar 1 mês sem consumir bebida alcoólica?

Traduzido e adaptado de Supercompressor

Jornalista, Sommelier de Cervejas, fã de esportes e um camarada que vive dando pitacos na vida alheia

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