Como aliviar a dor causada pela nevralgia (com imagens)

O trigêmio, responsável pela inervação da face, possui três ramos: oftálmico (V1), maxilar (V2) e mandibular (V3).

 O típico ataque de neuralgia do trigêmio é caracterizado por uma dor de fortíssima intensidade, usualmente no território de dois de seus ramos, de um lado da face.

A dor pode ter diferentes características, tais como em choque, se assemelhando a uma facada ou pontada, aguda.

Como Aliviar a Dor Causada pela Nevralgia (com Imagens) Getty Images

Nueralgia do trigêmeo causa dor descrita como uma das piores da literatura médica

Dura de poucos segundos a dois minutos, ocorrendo vários episódios em um mesmo dia. A dor pode ser desencadeada por regiões específicas na face, chamadas de gatilho.

O próprio paciente consegue identificar estas regiões, pois durante uma crise sempre desencadeia a dor ao tocar esses locais.

 Devido à inervação dentária ser realizada por ramos do nervo trigêmio, a dor pode afetar os dentes e, infelizmente, em nosso meio, leva vários pacientes a procurar dentistas antes de procurar o médico.

Alguns pacientes chegam ao consultório após terem realizado várias extrações dentárias ou utilizado as “plaquinhas” para tratamento de distúrbio da articulação temporo- mandibular, sem sucesso. A neuralgia do trigêmio, apesar de ser a mais frequente dor facial, deve ser investigada através de ressonância magnética com estudo dirigido ao ângulo ponto-cerebelar.

Por vezes é possível identificar uma artéria comprimindo o nervo trigêmio. Esta artéria costuma comprimir o nervo na área de transição do revestimento (mielina) central do sistema nervoso para o periférico, usualmente mais delgada e suscetível a irritações.

A pulsatilidade da artéria nesta região, em cima do nervo, pode desencadear a dor.

+ Dor intensa no rosto nem sempre é problema dentário

O tratamento da neuralgia trigeminal é usualmente clínico, utilizando drogas que aumentem a resistência desta área de transição a estímulos externos. Se o tratamento clínico não tem sucesso, indica-se a cirurgia. O tratamento cirúrgico é pensado sempre do menos para o mais invasivo. O tratamento cirúrgico minimamente invasivo da neuralgia trigeminal é realizado através de radiofrequência.

Tratamento

O tratamento é realizado sob regime de hospital dia, ou seja, o paciente recebe alta no mesmo dia em que é internado. Após ser admitido no centro cirúrgico e anestesiado (ou sedado, dependendo do paciente), é introduzida uma agulha fina através da face. Esta agulha progride sob visão de aparelho de RX intra-operatório até um pequeno orifício (forame) situado na base do crânio.

Uma vez dentro do forame, a agulha é avançada até chegar ao Gânglio de Gasser, de onde se originam todos os ramos do trigêmio. É feita então uma mensuração elétrica, para verificar que a agulha se encontra no local correto.

“ Devido à inervação dentária ser realizada por ramos do nervo trigêmio, a dor pode afetar os dentes e, infelizmente, em nosso meio, leva vários pacientes a procurar dentistas antes de procurar o médico”

Caso esteja posicionada idealmente, realiza-se a lesão por radiofrequência dos ramos selecionados. A melhora da dor é usualmente imediata e seu alívio tem duração variável, de poucos meses a vários anos, de acordo com a evolução de cada paciente.

Radiofrequência

Em raros casos não há resposta da dor à radiofrequência. O tratamento por radiofrequência substituiu o tratamento por balão, antigamente usado, por ser mais preciso e seguro para o paciente. As normas de conduta para tratamento de neuralgia trigeminal da Academia Americana de Neurologia e da Federação Européia de Sociedades Neurológicas nem relacionam mais o balão como forma de tratamento.

  • Naqueles pacientes aonde foi identificada uma compressão vascular no nervo e que não respondem ao tratamento minimamente invasivo, por radiofrequência, está indicada cirurgia tradicional.
  • Nesta cirurgia, que também pode ser realizada de forma minimamente invasiva com auxílio de endoscopia, o neurocirurgião faz um pequeno orifício logo abaixo da orelha, na região posterior do crânio.
  • Através deste orifício, chega até a região aonde a compressão está situada e afasta a artéria do nervo, colocando entre eles um anteparo, que isolará o nervo das pulsações arteriais, fazendo cessar assim o estímulo doloroso.
  • Como saber a melhor forma de tratamento?
  • Procure um neurocirurgião habituado a este tipo de doença e leve seus exames para análise.

Como filosofia prórpria de tratamento, busco sempre a menor invasão possível do paciente, partindo do menos invasivo (medicação) até o mais invasivo. Ainda assim, mesmo que indicado o procedimento invasivo, procuramos fazê-lo da forma minimamente invasiva, ou seja, através de endoscopia.

No tratamento cirúrgico endoscópico da neuralgia trigeminal a internação hospitalar é breve, usualmente não superior a três dias, e o retorno às atividades habituais ocorre em cerca de uma semana.

Como Aliviar a Dor Causada pela Nevralgia (com Imagens) Arquivo pessoal

Dr Paulo Porto de Melo

*Dr Paulo Porto de Melo é neurocirurgião formado pela UNIFESP, especialista em Neurocirurgia pela Sociedade Brasileira de Neurocirurgia e colaborador do Departamento de Neurocirurgia da Universidade de Saint-Louis (EUA).

Neuralgia do Trigêmeo (NT) – o que é? Sintomas, causas e alternativas de tratamento

Por Dra. Natally Santiago

A neuralgia do trigêmeo (NT), também conhecida como tique doloroso ou nevralgia do trigêmeo, é uma doença que causa dor facial lancinante e abrupta, com sensação de choque elétrico ao longo do percurso do nervo trigêmeo.

Os sintomas podem aparecer na parte inferior da face e região  mandibular mais comumente (Figura 1), mas também próximo ao ouvido, olhos, couro cabeludo, gengiva, dentes e lábios.

Os pacientes normalmente referem dor forte e súbita na face, descrita um choque elétrico, facada ou tiro, com duração de segundos a minutos ou até horas em alguns casos, podendo ocorrer várias crises ao longo de um dia.

É considerada por muitos especialistas como uma das dores mais insuportáveis para o ser humano. Pode comprometer significativamente a qualidade de vida do paciente e tornar-se extremamente incapacitante nas crises.

Estima-se uma incidência anual de 4,0 casos por 100.000 habitantes anualmente. Há predomínio no sexo feminino, em torno de 60% dos casos. Comumente afeta indivíduos acima de 50 anos (6a e 7a décadas de vida), sendo incomum antes do 40 anos.

Na prática diária, questões bastante frequentes são: Qual a causa da dor? Existe tratamento?

  • As causas da neuralgia trigeminal podem ser:
  •  Compressão vascular, ou seja, um vaso sanguíneo pressionado contra a raiz do nervo trigêmeo.
  •  Esclerose Múltipla – a neuralgia do trigêmeo aparece mais frequentemente em casos avançados das esclerose múltipla
  •  Tumor cerebral pressionando o nervo trigêmeo – causa rara.
  •  Danos físicos ao nervo – por procedimento odontológico ou cirúrgico, infecções.
  •  História familiar – a neuralgia trigeminal familiar é uma condição rara (1 a 2% de todos os casos).

O nervo trigêmeo é conhecido na medicina como o quinto nervo craniano. Ele se divide em três ramos responsáveis pela sensibilidade da face.

(Figura 2) As pessoas com NT podem ter um ou mais ramos afetados, sendo a dor mais comumente unilateral. Dor em ambos os lados da face é incomum.

Ataques repentinos de dor podem ser desencadeados pela escovação, mastigação, fala ou até pelo toque na face.

Se o médico acredita que se trata de neuralgia do trigêmeo, é muito importante uma avaliação cuidadosa para determinar exatamente quais as áreas afetadas pela dor.

 Para o diagnóstico adequado é fundamental eliminar outras condições que podem apresentar sintomas semelhantes, como sinusite, tumores e cáries dentárias.

A avaliação por imagem pode ser feita pelo exame de ressonância magnética, que auxilia o médico a determinar se a neuralgia é causada por doenças como tumores cerebrais ou esclerose múltipla.

A ansiedade em busca do alívio da dor no momento da consulta é comum. Queixas como “essa é a dor mais forte que já senti” e “nada alivia minha dor” são frequentes. Existem atualmente alternativas eficazes para tratar a dor trigeminal. O tratamento inicialmente é medicamentoso, com controle da dor na maioria dos casos.

Naqueles em que o tratamento medicamentoso não é eficaz ou não é tolerado, podemos optar pelo tratamento cirúrgico. A cirurgia pode acabar com a compressão exercida sobre o nervo por um vaso sanguíneo, ou causar um dano ao nervo trigêmeo que impeça que os sinais dolorosos descontrolados persistam.

É possível acabar com a dor, mas é preciso esclarecer que trata-se de uma doença crônica  e que pode ocorrer recorrência dos sintomas.

Não existem orientações de como prevenir o desenvolvimento da neuralgia trigeminal. Trata-se de uma doença pouco debatida e muitas vezes subdiagnosticada. No entanto, pode interferir profundamente com a qualidade de vida daqueles que sofrem com a dor. Por isso é fundamental a avaliação de um especialista e o início do tratamento o mais breve possível para controle da dor.

Figura 1. A sensação de choque na região inferior da face é bastante comum.

Como Aliviar a Dor Causada pela Nevralgia (com Imagens)

Figura 2. Nervo trigêmeo dividido em três ramos: oftálmico, maxilar e mandibular.

Como Aliviar a Dor Causada pela Nevralgia (com Imagens)

Como é feito o tratamento da neuralgia do trigêmeo

A neuralgia do trigêmeo é um distúrbio nervoso caracterizado pela disfunção do nervo trigêmeo, que é o nervo responsável por transportar a informação sensitiva do rosto até o cérebro, além de controlar os músculos envolvidos na mastigação. Por isso, esse distúrbio é caracterizado por uma intensa dor, normalmente repentina, no rosto, olhos, nariz ou mandíbula.

O tratamento deve ser indicado por um neurologista de acordo com o histórico de cada pessoa e a intensidade dos sintomas, mas normalmente é iniciado com o uso de medicamentos, podendo, em certos casos, ser necessário fazer cirurgia, especialmente quando não existe melhora dos sintomas. Entenda melhor o que é a neuralgia do trigêmeo, porque acontece e quais os sintomas.

Como Aliviar a Dor Causada pela Nevralgia (com Imagens)

As principais opções de tratamento incluem: 

1. Uso de remédios 

O uso de remédios normalmente é a primeira forma de tratamento recomendada pelo neurologista, e alguns medicamentos podem ser:

  • Analgésicos, como o Paracetamol ou a Dipirona;
  • Anticonvulsivantes, como a Carbamazepina, Gabapentina ou Lamotrigina;
  • Relaxantes musculares, como o Baclofeno;
  • Antidepressivos, como a Amitriptilina ou a Nortriptilina.

A neuralgia do trigêmeo é uma doença que causa dor forte e semelhante a um choque elétrico no rosto, sendo o tratamento medicamentoso normalmente realizado para controlar a irritação do nervo e diminuindo os sintomas.

2. Sessões de fisioterapia

O tratamento fisioterapêutico da neuralgia do trigêmeo pode ser feito através de eletroestimulação, em que são libertados pequenos choques elétricos no rosto para controlar a sensibilidade do nervo e aliviar a dor. 

3. Cirurgia 

O tratamento cirúrgico da neuralgia do trigêmeo é feito quando o tratamento com remédios não apresenta resultados ou quando a dor é muito intensa. Desta forma, o tratamento cirúrgico pode ser realizado de 3 formas:

  • Injeção de álcool, chamado glicerol, nos ramos do nervo trigêmeo no rosto para bloquear a função do nervo;
  • Injeção de calor com radiofrequência, que queima o nervo trigêmeo, provocando analgesia no rosto;
  • Cirurgia para remoção de tumor ou vaso que cause pressão no nervo trigêmeo.
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Uma outra técnica é o balão para tratamento da neuralgia do trigêmeo que é insuflado durante cerca de 1 minuto na raiz do nervo, interrompendo a circulação de sangue e fazendo com que o nervo deixe de doer.

4. Opções naturais

Em alguns casos a neuralgia do trigêmeo pode também ser aliviada com algumas atitudes simples, como a colocação de uma toalha mergulhada em água quente e sal sobre a parte de trás do pescoço, para diminuir a inflamação do nervo.

Outra opção de tratamento caseiro para a neuralgia do trigêmeo é a aplicação de pimenta caiena misturada com azeite ou creme facial, sem perfume, na região afetada. Conheça outra opção de remédio caseiro para a neuralgia.

Como reconhecer os sintomas

Os sintomas da neuralgia do trigêmeo são desencadeados por qualquer movimento que promova a compressão do nervo, como escovar os dentes ou mastigar. Os sintomas estão relacionados com o local em que o nervo foi comprimido, sendo principalmente:

  • Dor nos lábios, gengiva, bochechas, queixo e dificuldade para mastigar;
  • Dor nos olhos e testa;
  • Sensação de calor no trajeto do nervo;
  • Formigamento na região acometida.

A dor normalmente é repentina, podendo durar entre segundo e horas, surge como se fosse um choque, e bastante intensa, podendo ser localizada em apenas uma região ou se espalhar pelo rosto. Quando as crises de dor ocorrem várias vezes ao dia, podem ser bastante desconfortáveis para a pessoa, sendo indicado que busque orientação do neurologista.

A neuralgia do trigêmeo pode acontecer devido a pancadas na cabeça ou no rosto, diminuição da circulação sanguínea na região, cirurgia ou uso de medicamentos, por exemplo.

O diagnóstico é feito pelo neurologista por meio da avaliação dos sintomas descritos pela pessoa, mas também pode ser indicada a realização de exames complementares, como a ressonância magnética, por exemplo, para verificar se há alguma condição mais séria responsável pela neuralgia do trigêmeo, como um tumor, por exemplo.

Como Aliviar a Dor Causada pela Nevralgia

  1. 1

    Pergunte ao seu médico a respeito de medicamentos anticonvulsivos. Eles costumam ser um dos tratamentos mais comuns para a nevralgia trigeminal. O seu médico pode receitar um ou mais anticonvulsivos até descobrir aquele que melhor funciona no alívio de seus sintomas de dor.[2]

    • Medicamentos anticonvulsivos são geralmente prescritos no lugar de analgésicos tradicionais (como anti-inflamatórios não-esteroides), que não são tão eficazes no bloqueio de sinais elétricos dos neurônios falhos responsáveis pela sensação de dor.[3]
    • Alguns anticonvulsivos comumente usados no tratamento da nevralgia trigeminal incluem a carbamazepina, a gabapentina e a clonazepam.
    • Anticonvulsivos podem perder sua eficácia com o tempo, à medida que se acumulam na circulação sanguínea; nesse ponto, o médico pode mudar a prescrição para um anticonvulsivo diferente, ao qual o organismo ainda não seja resistente.[4]
  2. 2

    Consiga uma receita para antidepressivos tricíclicos. Esses medicamentos são normalmente usados para administrar os sintomas da depressão, mas também podem ser receitados para o tratamento da dor crônica.

    • Provou-se que antidepressivos tricíclicos são eficazes na administração de dores crônicas, como no caso da nevralgia trigeminal, dada sua capacidade de regular a utilização de neurotransmissores pelos neurônios afetados.[5]
  3. 3

    Antidepressivos tricíclicos costumam ser prescritos em dosagens mais baixas para administrar dores crônicas, em comparação ao uso no tratamento da depressão.[6]

    • Alguns antidepressivos tricíclicos comumente usados no tratamento da nevralgia trigeminal incluem a amitriptilina e a nortriptilina.[7]
  4. 4

    Experimente usar analgésicos e opioides. Geralmente, esses dois medicamentos são usados para aliviar os sintomas de dor em várias doenças e distúrbios. No entanto, eles também são úteis no alívio das constantes dores agudas que acompanham as crises da nevralgia trigeminal.[8]

    • Pacientes com TN2 estão mais propensos a reagir bem a esses medicamentos do que os que apresentam TN1.
  5. 5

    O TN2 causa dores constantes que podem ser aliviadas por esses medicamentos, à medida que se acumulam na circulação sanguínea, mas o TN1 provoca episódios com dores agudas e recorrentes que não podem ser amenizadas eficazmente por eles.[9]

    • O médico poderá prescrever analgésicos e opioides como alodinia, levorfanol ou metadona.
  6. 6

    Experimente tomar agentes antiespasmódicos. Eles são normalmente usados para aliviar as dores causadas pelas crises da nevralgia trigeminal. Às vezes, seu uso é combinado ao de anticonvulsivos.[10]

  7. 7

    Antiespasmódicos, também conhecidos como relaxantes musculares, também são prescritos para tratar a nevralgia trigeminal, pois inibem movimentos musculares involuntários que podem ser causados por neurônios falhos durante um episódio de dor.

    • Antiespasmódicos normalmente prescritos para essa finalidade incluem Kemstro, Gablofen e Lioresal; todos eles são membros da família medicamentosa dos baclofenos.
    • Pergunte a respeito de injeções de Botox. O médico pode considerar a aplicação da toxina botulínica no tratamento da nevralgia trigeminal, se o seu corpo se mostrar insensível e sem reação aos medicamentos anticonvulsivos, antidepressivos tricíclicos e antiespasmódicos.[11]
  8. 8

    O Botox tem-se mostrado eficaz no alívio de dores em uma grande porcentagem de pacientes com nevralgia trigeminal, especialmente aqueles com espasmos musculares rápidos.[12]

    • Muitas pessoas se sentem desconfortáveis com a ideia de usar injeções de Botox, dada a associação dessa substância às cirurgias plásticas; no entanto, é importante que você não descarte essa opção de tratamento, pois ela pode ser eficaz em aliviar as dores faciais crônicas depois que você tiver esgotado todas as possibilidades.
  9. 9

    Experimente a medicina alternativa. Opções de medicina alternativa não foram suficientemente estudadas para determinar se são eficazes no tratamento da nevralgia trigeminal. Ainda assim, muitas pessoas afirmam que se sentem mais aliviadas depois de usarem opções como acupuntura, ajustes quiropráticos cervicais e terapia nutricional.[13]

  10. 10

    A acupuntura e os ajustes quiropráticos trabalham diretamente sobre nervos presos a fim de reduzir a inflamação presente, enquanto a terapia nutricional tem como foco equilibrar a ingestão de íons de sais capazes de afetar os neurônios.

Dor é ruim, mas também vital: Desagradável e com grande impacto em nosso bem-estar, o desconforto é sinal de que o corpo corre perigo

Para eliminar a dor, ou ao menos amenizá-la, sobretudo a crônica, em primeiro lugar é preciso saber qual a sua causa, para tratá-la. Caso isso não seja possível, a solução é cuidar do sintoma. A terapia medicamentosa é o pilar, quase sempre em conjunto com medidas não medicamentosas —em algumas situações a cirurgia pode ser necessária.

Há no mercado várias classes de fármacos, lembrando que eles devem sempre ser utilizados com orientação de um médico. Analgésicos, anti-inflamatórios e opióides (derivados da morfina) são os mais recomendados no tratamento da dor aguda por nocicepção, mas também podem ser necessários remédios adjacentes, como relaxantes musculares e antidepressivos.

Quando se trata da dor neuropática e da dor crônica, as indicações são os antidepressivos, os anticonvulsivantes e os miorrelaxantes.

Para casos especiais, entram em cena corticosteróides, anestésicos locais, ansiolíticos, bloqueadores de canais iônicos, inibidores de reabsorção óssea, depletores de neurotransmissores excitatórios, dessensibilizadores do sistema nervoso e anticorpos monoclonais.

O tratamento não medicamentoso é feito com medidas complementares e integrativas. Elas incluem exercícios físicos (de fortalecimento, alongamento e flexibilidade), terapia cognitiva comportamental, reabilitação, cinesioterapia, eletrotermoterapia, reeducação da marcha, da postura e do movimento, termoterapia, hipnose e relaxamento, entre outras.

Nos últimos anos, os procedimentos de neuromodulação e medicina regenerativa —alguns ainda são considerados experimentais – começaram a ser indicados no Brasil. Dentre eles, destaque para a estimulação elétrica do sistema nervoso e aplicação de células-tronco do próprio paciente no local lesionado para estimular a regeneração.

Junto a tudo isso, ainda é importante fazer uma mudança no estilo de vida, adotando hábitos mais saudáveis e, para muitos tipos de dor, ajustes ergonômicos no ambiente de trabalho e no lar e correções posturais.

Mulher convive com a pior dor do mundo há sete anos

 Você tem ideia de qual seria a pior dor do mundo? A Tatiana, de São Paulo, tem. Ela mandou um vídeo para a gente, pedindo uma reportagem. 

“Eu sofro de uma doença pouquíssimo conhecida, mas extremamente cruel, que é a neuralgia do trigêmeo. Essa doença causa uma dor considerada pela medicina como a pior dor do mundo. Gostaria de ver uma matéria sobre ela no Fantástico”.

O nervo trigêmeo fica no rosto, é responsável pelos movimentos da face. Quem tem essa doença da Tatiana sente dor até quando penteia os cabelos ou escova os dentes. Dá para imaginar?

Vendo a imagem da artesã Tatiana pintando uma tela, a impressão que fica é a de que ela vive uma rotina tranquila, serena.  Mas é só impressão, porque, no dia a dia, Tatiana não tem paz.

Há sete anos, a artesã vive com dor. E não é qualquer dor: Tatiana sofre da pior dor do mundo.

“De zero a dez, existem escalas. A única dor máxima possível que existe no ser humano é a da neuralgia do trigêmeo,” explica o professor Manoel Teixeira, especialista no assunto.

Neuralgia do trigêmeo. Essa é a doença que atormenta Tatiana.

Ela conta como foi a primeira dor: “Eu senti um choque. Na hora, eu não dei bola. Aí, a partir do terceiro, mais ou menos, eu pensei em procurar a dentista. Eu extraí o dente do siso e extraí mais um outro. E, claro, que não melhorou”, ela lembra.

As dores só aumentavam e a artesã não conseguia descobrir o que tinha. “Depois de um ano sofrendo, resolvi procurar na internet, até que chegou na neuralgia do trigêmeo”, ela conta. 

Tatiana consultou um neurologista e começou a se tratar.

A neuralgia do trigêmeo, ou nevralgia do trigêmeo, é uma doença que afeta o quinto nervo craniano, chamado de trigêmeo. Ele se divide em três ramos: o mandibular, o oftálmico e o maxilar.

A dor surge quando o trigêmeo é afetado por uma artéria ou por um tumor, que acabam comprimindo o nervo.

Nos momentos de crise, a pessoa sente um choque e a dor pode se espalhar por várias partes do rosto, como testa, olhos, nariz, ouvidos, maxilar e lábios.

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“É um choque, o choque dura segundos. Só que depois do choque, fica uma dor nessa região do rosto. Eu estou dormindo e eu sou acordada, eu pulo na cama com esses choques. Um simples abraço, tão comum alguém vir te abraçar, dar um beijo. São coisas comuns a todo mundo, mas para mim, em épocas de crise, é cruel”, conta Tatiana. 

“Pentear os cabelos, escovar os dentes, lavar os cabelos. Consigo, às vezes, mais fácil, às vezes, menos fácil.”, ela diz.

Tatiana passou a tomar anticonvulsivos e antiepiléticos todos os dias. Não foram suficientes. Então, recorreu a uma cirurgia.

“Eu fiz a primeira rizotomia, que é o procedimento com o balão. Eles fazem um furinho nessa região do rosto, inserem um cateter. Esse cateter leva um balãozinho na ponta. Quando chega em cima da ramificação do nervo, eles inflam o balão. É como se ele tivesse tirado a pressão”, ela descreve. 

Foram cinco cirurgias. Mas a dor sempre voltava. Uma outra chance era uma operação mais delicada.

Nesse procedimento, que é o mais indicado para a cura dessa doença, abre-se o crânio do paciente e faz-se a descompressão da artéria – principal causa do problema – ou a retirada do tumor, se houver, que está pressionando o nervo. Em seguida, ele é isolado com uma espécie de teflon, que faz com que o trigêmeo pare de receber choques.

“Eles chamam de cirurgia aberta”, ela conta. 

Em julho de 2014, Tatiana fez a cirurgia, mas a cirurgia não deu certo. “Desde que eu acordei na UTI, eu sinto choque”, ela diz.

O professor Manoel Teixeira, especialista no assunto, explica: “É o método mais eficaz de tratar a neuralgia, mas ela tem os seus percalços também”.  

Fernanda, que mora no Paraná, teve destino diferente. As dores no trigêmeo começaram em 2009.

“Era como se tivessem me dando facadas. Eu gritava, eu chorava. Vieram diagnósticos errados: enxaqueca, estresse, até problema de bexiga.

Eu comecei com uma dose pequena de anticonvulsivo, aí, foi aumentando, foi aumentando. Era praticamente uma bomba. O médico já tinha falado que tinha cirurgia, mas que era uma cirurgia de muito risco.

Eu não tive medo, eu só não queria viver mais daquele jeito”, ela lembra.

Faz um ano que Fernanda se livrou da dor. “Antes, era uma Fernanda triste, que não tinha vontade de viver. Hoje é a Fernanda que sai, que se diverte com os amigos, que viaja, é uma nova Fernanda”, conta.

Tatiana ainda continua na luta. O sofrimento vai além da dor física: “Eu sou julgada porque as pessoas não acreditam na doença. Tem dias que passo o dia todo na cama. É a dor da doença e a dor causada pela descrença e julgamento das pessoas. Às vezes, eu estou pintando, às vezes, eu estou simplesmente falando”.

“O único sonho que eu tenho é voltar a ter uma vida normal”, resume Tatiana.

Neuralgia do trigêmeo

Nevralgia do trigêmeo
Classificação e recursos externos
Vista detalhada do nervo trigêmeo, mostrado em amarelo.
Especialidade neurologia
CID-10 G50.0, G44.847
CID-9 350.1
OMIM 190400, 190400
DiseasesDB 13363
MedlinePlus 000742
eMedicine emerg/617
MeSH D014277
 Leia o aviso médico 

Nevralgia do nervo trigêmeo também conhecida como Neuralgia do trigêmeo, Síndrome da dor facial paroxística, Doença de Fothergill, Prosopalgia dolorosa ou ainda como Tique doloroso [1][2] é um distúrbio neuropático do nervo trigêmeo que causa episódios de dor intensa nos olhos, lábios, nariz, couro cabeludo, testa e/ou mandíbula.

Prevalência

É mais comum em mulheres numa proporção de 3 para cada 2 homens e geralmente os sintomas aparecem após os 40 anos, com a maioria dos novos casos surgindo entre os 60 e 70 anos. Sua incidência anual é de cerca de 4,3 em 100.000 na população geral. A manifestação bilateral ocorre apenas em 3% dos casos. A área mais comum atingida é a maxilar.[3]

Sinais e sintomas

É uma afecção incomum, caracterizada por ataques recorrentes de dor lancinante e súbita, descrita como um choque doloroso intenso e incapacitante. É conhecida como uma das doenças mais dolorosas do mundo.[3]

Mesmo um toque de leve ou pequenos movimentos já podem ser suficientes para causar uma crise dolorosa, que apesar de geralmente durar apenas alguns segundos pode desencadear outros processos dolorosos mais prolongados. Depois de uma crise a dor e sensibilidade geralmente diminuem um pouco, porém esse período de remissão tendem a ficar cada vez mais curtos conforme a doença progride.[2]

A dor pode ser desencadeada por falar, beber, escovar os dentes, barbear-se, mastigar, tocar levemente no rosto, por certas expressões faciais, reflexos ou até mesmo por um vento mais forte e pode ocorrer diversas vezes ao longo do dia.[3]

Esse diagnóstico é bastante genérico pois pode se referir a várias áreas faciais atingidas diferentes por causas diversas, exigindo assim tratamentos diferentes dependendo de cada caso.

Diagnóstico

Exames neurológicos podem ser feitos para identificar doenças subjacentes ou para diagnósticos em menores de 40 anos.

O diagnóstico é essencialmente clínico, seguindo os critérios diagnósticos definidos pela IASP (International Association for the Study of Pain) e pela ICHD/IHS (International Classification of Headache Disorders/International Headache Society) são:

  1. Ataques paroxísticos (intensos) de dor com duração de uma fração de segundo a dois minutos, afetando uma ou mais divisões do nervo trigêmeo;
  2. A dor tem pelo menos uma das seguintes características:
    • Intensa, súbita, superficial ou como uma facada.
    • Precipitada por fatores-gatilho ou de áreas-gatilho;
  1. Os ataques são similares aos dos outros pacientes já descritos;
  2. Nenhum distúrbio neurológico é clinicamente evidente;
  3. Não é atribuído a outra doença

Frequência de áreas atingidas

Geralmente atinge apenas um lado da face, sendo as áreas afetadas mais comuns[3]:

  • Ramo maxilar (55%)
  • Ramo mandibular (30%)
  • Ramos maxilar e mandibular simultaneamente (20%),
  • Ramos oftálmico e maxilar (10%),
  • Ramo oftálmico (4%)
  • Todos os ramos trigeminais (1%).

Diagnóstico diferencial

Outras causas possíveis da dor crônica na face são[3][4]:

  • Cefaleia em salvas,
  • Dor dentária,
  • Arterite de células gigantes,
  • Neuralgia de nervo glossofaríngeo,
  • Tumor intracraniano,
  • Enxaqueca/Migrânea,
  • Esclerose múltipla,
  • Otite média,
  • Hemicrania paroxística,
  • Neuralgia pós-herpética,
  • Sinusite,
  • Cefaleia tipo SUNCT (Shortlasting, Unilateral, Neuralgiform pain with Conjunctival injection and Tearing),
  • Síndrome da articulação temporomandibular ou,
  • Outra neuropatia trigeminal.

Causas

Existem diversas possíveis causas, e os mecanismos que levam a esse transtorno ainda não estão totalmente esclarecidos. Dentre as possibilidades mais comuns estão[2]:

  • Compressão intracraniana por vasos sanguíneos periféricos (causa mais frequente),
  • Aumento da pressão arterial,
  • Comprometimento alveolar por uma extração dentária,
  • Esclerose múltipla,
  • Infecção viral,
  • Aneurisma,
  • Tumor,
  • Traumatismo,
  • Intoxicação,

Ou qualquer outro problema que possa danificar um ou mais nervo sensitivo da área em questão.

Frequentemente está associado com quadros escleróticos degenerativos do organismo, porém existem casos que ela ocorre sem nenhuma lesão ser identificada no local.[2]

Tratamento

A carbamazepina é um dos remédios mais eficazes e utilizados.

O tratamento medicamentoso mais utilizado é a base de anticonvulsivantes como a carbamazepina(Tegretol) e/ou difenilhidantoína (Hydantal) ou de narcóticos. O tratamento com carbamazepina pode ser iniciado com uma dose 100 mg/dia com aumento gradual de 100 mg a cada 2-3 dias até atingir o efeito desejado ou chegar ao máximo de 1.600 mg/dia. A quantidade ideal vai depender da tolerância, intensidade dos sintomas e efeitos colaterais.[5] Outros medicamentos com efeitos analgésicos podem ser usados simultaneamente para amenizar a dor.

Existem vários tratamentos cirúrgicos possíveis, dentre eles: a alcoolização, microdescompressão vascular e termocoagulação com radiofrequência. como objetivo seccionar parte das raízes sensitivas do nervo dependendo do local afetado.

Procedimentos menos invasivos como eletromioestimulação também podem ser usados.

[2] Para saber qual dos tratamentos é o mais eficaz é preciso descobrir antes qual a causa que levou a lesão do nervo trigêmeo e o sucesso também vai depender de como o organismo do paciente reagir à intervenção médica.

Ligações externas

Artigo sobre a doença com relato de caso
Revisão bibliográfica sobre Neuralgia do trigêmio

Referências

  1. ↑ http://www.datasus.gov.br/cid10/v2008/webhelp/g50_g59.htm
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  3. a b c d e OLIVEIRA, Caio Marcio Barros de; BAAKLINI, Luis Gustavo; ISSY, Adriana Machado and SAKATA, Rioko Kimiko. Neuralgia do trigêmeo bilateral: relato de caso. Rev. Bras. Anestesiol. [online]. 2009, vol.59, n.4 [cited 2011-08-08], pp. 476-480 . Available from: . ISSN 0034-7094. http://dx.doi.org/10.1590/S0034-70942009000400010.
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O que é Neuralgia do trigêmeo? O que causa a Neuralgia do trigêmeo?

Neuralgia do Trigêmeo, também conhecida como tique doloroso ou nevralgia do trigêmeo, é um transtorno  que provoca eletrochoques  abruptos e lancinante como as dores faciais.

Normalmente a dor envolve  a parte inferior da face e a mandíbula, mas os sintomas podem aparecer próximos ao nariz, ouvidos, olhos ou lábios.

Muitos especialistas afirmam que a Neuralgia do Trigêmeo é uma das dores mais insuportáveis para um ser humano.

Infográfico sobre a Neuralgia do Trigêmeo

Neuralgia é a dor severa ao longo do percurso do nervo. A dor ocorre por que uma mudança na estrutura ou função neurológica devido a alguma irritação ou machucado no nervo.

Estima-se que aproximadamente, 1 em cada 15,000 pessoas  sofram de  Nevralgia do Trigêmeo. Cerca de 45,000 pessoas sofrem de Nevralgia do Trigêmeo nos Estados Unidos.  É  sabido que a doença afeta cerca de  um milhão de pessoas no mundo.

Um exemplo de dor nociceptiva é quando algo muito quente toca a pele e receptores específicos de dor sentem o calor.  Dor nociceptiva é quando os receptores de dor sentem a temperatura, vibração, alongamento e químicos sendo liberados das células danificadas.

A dor não Nociceptiva, ou dor neuropática, vem de dentro dos nervos do próprio sistema.   Este tipo de dor não é relacionada a ativação das células receptoras de dor em qualquer parte do corpo.

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As pessoas geralmente se referem a isso como nervo comprimido, ou nervo preso. O próprio nervo está mandando mensagens de dor por que o nervo está danificado ou irritado.

Pessoas com Nevralgia têm dores neuropáticas, que significa a mesma coisa que dor não nociceptiva.

As pessoas com neuralgia descrevem esta dor como uma queima intensa ou dor aguda, que muitas vezes é sentida como um choque ou tiro ao longo do curso do nervo afetado. Existem dois tipos de neuralgia mais conhecidas – A neuralgia do trigêmeo e a neuralgia pós-herpética. Este artigo falará sobre Neuralgia do trigêmeo.

A Nevralgia do trigêmeo é duas vezes mais comum em mulheres do que em homens

Há uma súbita dor dos nervos da face. Os pacientes normalmente descrevem a dor facial como uma facada, tiro ou choque elétrico. A crise pode durar alguns minutos. 97% dos pacientes experimentam dor apenas de um lado da face, enquanto que 3% são afetados em ambos os lados.

A Nevralgia do trigêmeo é duas vezes mais comum em mulheres do que em homens. É extremamente raro pessoas abaixo dos 40 serem afetadas e se torna mais comum quando as pessoas vão ficando mais velhas. A neuralgia do trigêmeo é uma condição de longo prazo – uma doença crônica que geralmente vai piorando gradualmente.

A face humana tem dois nervos trigeminais, um em cada lado. Cada nervo se divide em três ramos que transmitem sensações de dor e tato da face, boca e dentes para o cérebro. Acredita-se que a maioria dos casos de neuralgia trigeminal seja causada por vasos sanguíneos prementes na raiz do nervo trigêmeo.

Isto é dito para fazer os sinais de transmissão de dor que são nervo experimentados como as pontadas de neuralgia trigeminal. No entanto, os especialistas não estão completamente certos da causa. A pressão sobre o nervo trigeminal pode também ser causada por um tumor ou esclerose múltipla.

  • Um vaso sanguíneo pressionado contra a raiz do nervo trigeminal .
  • Esclerose múltipla – devido à desmielinização do nervo. A neuralgia do trigêmeo normalmente aparece nos estágios avançado da esclerose múltipla.
  • Pressão de tumor contra o nervo trigêmeo. Esta é uma causa rara.
  • Os danos físicos ao nervo – o que pode ser o resultado de lesão, um procedimento odontológico ou cirúrgico, ou infecção.
  • Histórico familiar (genes, herdados) – 4,1% dos pacientes com neuralgia trigeminal unilateral (afeta apenas um lado da face) e 17% daqueles com trigeminal bilateral neuralgia (afeta ambos os lados da face) têm parentes com o transtorno. Em comparação com um 1 em 15.000 de risco na população em geral, 4,1% e 17% indicam que a herança é provavelmente um fator.

Normalmente o paciente apresenta um ou mais dos seguintes sintomas:

  • Pontadas intermitentes de dor leve.
  • Episódios graves de dor lancinante, como um tiro, que os pacientes afirmam sentir como um choque elétrico.
  • Ataques repentinos de dor, que são acionados por tocar o rosto, mastigar, falar ou escovar os dentes.
  • Espasmos de dor que duram de alguns segundos a alguns minutos.
  • Os episódios de ataques de aglomeração que podem durar dias, semanas, meses, e em alguns casos, mais tempo. Pode haver períodos sem qualquer dor.
  • Dor onde quer que o nervo trigêmeo e seus ramos alcancem, incluindo a testa, olhos, lábios, gengivas, dentes, mandíbula e bochecha.
  • Dor que afeta um lado da face.
  • Dor em ambos os lados da face (muito menos comum).
  • Dor que está focada em um ponto ou se espalha em um padrão mais amplo.
  • Ataques de dor que ocorrem mais regularmente e intensamente com o tempo.
  • Formigamento ou dormência na face antes da dor se desenvolver. Alguns pacientes podem apresentar crises de dor regularmente durante dias, semanas ou meses. Ataques de dor podem ocorrer centenas de vezes por dia em casos graves. Alguns pacientes podem ter períodos sem quaisquer sintomas que duram meses ou mesmo anos.

Alguns pacientes terão pontos específicos na face que, se tocados, podem acionar ataques de dor.  Não é incomum para muitos pacientes evitarem atividades que acionem a dor como comer, escovar os dentes, se barbear e até mesmo falar.

A área da dor pode ser dividida em três ramos do nervo trigêmeo. Na medicina nervo trigêmeo é conhecido como o quinto nervo craniano.  Normalmente é o utilizado o número romano V para representar este nervo.  A seguir estão os três ramos quebrados. – ‘V’ refere-se ao nervo trigêmeo:

V1, oftálmica – Primeiro ramo do nervo trigêmeo. Afeta a testa, nariz e olhos.

V2, maxilar – Segundo ramo do nervo trigêmeo. Afeta a pálpebra inferior, lateral do nariz, bochecha, gengiva, lábios e dentes superiores.

V3, mandibular – Terceiro ramo do nervo trigêmeo. Afeta a mandíbula, dentes inferiores, gengiva e lábio inferior.

Algumas pessoas com nevralgia do trigêmeo podem ter apenas um ramo afetado, enquanto outros são afetados por mais ramos.

A dor sentida pelas pessoas com Nevralgia do Trigêmeo típica difere das pessoas com  Nevralgia do Trigêmeo atípica.

A dor é extremamente aguda, latejante e parecida com um choque elétrico.

Não há fraqueza facial ou dormência.

Dor da Nevralgia do Trigêmeo Atípica (Dor facial  Atípica)

A dor facial é comumente descrita como queimação, dor ou cólicas.

Assim como a dor extremamente aguda, latejante e como um choque elétrico, pacientes podem sofrer outros tipos de dores. A condição desses pacientes não possui apenas os sintomas característicos da doença clássica.  A dor facial é comumente descrita como queimação, dor ou cólicas.

A dor pode ocorrer em um lado da face, ocorrendo normalmente na região do nervo trigeminal e pode se estender da parte superior do pescoço ou em volta do couro cabeludo. A dor pode variar em intensidade de leve a uma sensação de esmagamento ou ardor.

É muito mais difícil diagnosticar pacientes com Nevralgia do Trigêmeo Atípica.

Se o médico acreditar que os sintomas indicam neuralgia do trigêmeo, o paciente será examinado com mais cuidado para determinar exatamente quais as partes estão afetadas. O médico também irá tentar eliminar outras condições que, por vezes, têm sintomas semelhantes, tais como a cárie dentária, um tumor, ou sinusite.

RNM (ressonância magnética) – este dispositivo utiliza um campo de rádio e ondas magnéticas para criar imagens de dentro do cérebro do paciente e do nervo trigêmeo – Este exame pode ajudar o médico a determinar se a nevralgia é causada por outra condição, tal como esclerose múltipla ou um tumor. A menos que a cause seja um tumor ou a esclerose múltipla, a RM raramente revela porque o nervo está sendo irritado. É muito difícil ver o vaso sanguíneo ao lado da raiz do nervo, mesmo com uma ressonância magnética de alta qualidade.

Raramente a cirurgia é necessária.

Os medicamentos são normalmente o primeiro tratamento para a doença e a maioria dos pacientes respondem bem e não requerem cirurgia subsequente.

No entanto, alguns podem achar que o seus medicamentos se tornaram menos eficazes ao longo do tempo, ou eles experimentam efeitos colaterais indesejáveis. Nesse caso, as injeções e/ou cirurgias  podem ser necessárias.

O medicamento mais comumente utilizado para a neuralgia do trigêmeo é a classe de anticonvulsivantes. Estes medicamentos diminuem ou bloqueiam os sinais de dor enviados para o cérebro.

Os anticonvulsivantes – analgésicos normais, tais como Tylenol (Paracetamol) não aliviam a dor da Nevralgia do Trigêmeo, por isso os médicos prescrevem medicação anticonvulsivante. Embora estes medicamentos sejam utilizados para prevenir convulsões (epilepsia), eles são eficazes em acalmar impulsos nervosos, o que ajuda as pessoas com nevralgia.

Os anticonvulsivantes mais comumente utilizados para a nevralgia do trigêmeo são carbamazepina, fenitoína e oxcarbazepina. Os médicos às vezes prescrevem lamotrigina ou gabapentina.

Às vezes, os anticonvulsivantes começam a perder a eficácia com o tempo. Caso isso ocorra, o médico pode ou aumentar a dosagem ou trocar para outro anticonvulsivante.

Efeitos colaterais dos anticonvulsivantes incluem:

  • Tontura
  • Confusão
  • Sonolência
  • Problemas de visão
  • Náuseas e vômitos
  • Pensamentos suicidas – Alguns estudos indicam que os anticonvulsivantes, em alguns casos, podem estar ligados a pensamentos suicidas. Paciente e médico devem monitorar o humor de perto.
  • Alergia a carbamazepina – alguns pacientes, especialmente aqueles com ascendência asiática, podem ter uma reação medicamentosa grave à carbamazepina. O teste genético pode ser recomendado antes do paciente começar a utilizar o remédio.[/su_note]

Outros tratamentos

  • Agentes anti espasticidade – Baclofen é um relaxante muscular que é por vezes prescrito sozinho ou juntamente com carbamazepina ou fenitoína. Alguns dos pacientes podem sentir náuseas, sonolência e confusão como efeitos colaterais.

Injeção de álcool – Entorpece as áreas afetadas e proporciona alívio temporário da dor. O médico Introduz álcool na parte da face onde o ramo do nervo trigêmeo está causando a dor. Como o alivio é apenas temporário, o paciente poderá precisar de mais injeções ou uma mudança de tratamento mais tarde.

As cirurgias do nervo trigêmeo possuem dois objetivos:

  1. Parar uma veia ou artéria que está pressionada contra o nervo trigêmeo.
  2. Danificar o nervo trigeminal de modo que os sinais de dores descontroladas (aleatória, caótica) parem.

Cirurgia que danifica o nervo pode causar dormência facial temporária ou mesmo permanente.

Em muitos casos, a cirurgia ajuda, mas os sintomas podem retornar meses ou até mesmo anos depois.

Não há orientações para a prevenção do desenvolvimento da neuralgia do trigêmeo.

No entanto, os seguintes passos podem ajudar a prevenir ataques:

  • Coma alimentos moles.
  • Certifique-se de suas bebidas e alimentos não estejam muito frios ou quentes quando você for consumi-los.
  • Lave o rosto com água morna (temperatura corporal).
  • Use chumaços de algodão quando lavar o rosto.
  • Lave a boca com água morna depois de comer se a escovação desencadeia um ataque
  • Evitar gatilhos da dor conhecidos, tanto quanto possível.

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