Como ajudar uma criança autista a lidar com transições

Como Ajudar uma Criança Autista a Lidar com Transições

Uma das maiores preocupações de famílias que lidam com TEA é o autismo em adultos. As crianças que são diagnosticadas cedo e recebem o tratamento correto são auxiliadas por profissionais de saúde, educadores e familiares durante o processo. Mas o autismo em adultos traz novos desafios.

Assim, quando o filho começa a crescer e buscar mais independência, é comum que os pais tenham receios e preocupações.

Além de todos os fatores de inclusão envolvidos, é importante saber que os adultos com TEA podem se tornar mais independentes que na infância. Porém, existem desafios diferentes a serem enfrentados.

O apoio da família é fundamental nesse processo de transição para a vida adulta. 

O autismo em adultos e a independência

Com a chegada da vida adulta, o jovem costuma precisar administrar melhor seu tempo. O autismo em adultos dificulta um pouco esse processo, já que os rituais repetitivos podem interferir no tempo que a pessoa gostaria de dedicar, por exemplo, aos estudos universitários.

Outro fator importante é que as habilidades sociais são comprometidas pelo autismo em adultos. Isso pode causar dificuldades em manter o foco nas demandas sociais como eventos, círculos de amizades e atividades coletivas como esportes.

A organização é outro fator chave nesse processo. Para se tornar mais independente, seu filho pode precisar aprender a organizar atividades como:

  • suas tarefas domésticas;
  • prazos;
  • obrigações;
  • controle financeiro;
  • e outros marcos da vida adulta.

Mas os pacientes de TEA encontram alguma dificuldade nisso. 

O ambiente de trabalho também pode ser um gatilho para o jovem. Ainda que o autismo em adultos não necessariamente impeça alguém de manter um emprego estável, a inclusão nos espaços profissionais nem sempre está ideal e receptiva a pessoas neuroatípicas. 

Essa incerteza em relação ao futuro e à receptividade causa muito estresse em pessoas autistas.

Estudos indicam que os níveis de ansiedade e depressão são maiores em pessoas com TEA do que em pessoas neurotípicas. Esse é um sinal para o qual familiares e profissionais de saúde devem ficar alertas e buscar ajuda se necessário. 

Como ajudar os filhos autistas na independência

Para os pais preocupados com a transição do adolescente com TEA para a vida adulta, alguns passos podem ser tomados para aliviar o estresse. Entre eles estão:

  • estabelecer uma rotina que ajude seu filho a tomar conta de si mesmo;
  • e aumentar seu convívio com o espaço externo.

Por exemplo:

  • criar uma lista de tarefas e aumentar a responsabilidade do adolescente em casa e apoiá-lo até que consiga fazer sozinho;
  • antecipar os desafios de se deslocar pela cidade ou interagir com desconhecidos para diminuir a ansiedade;
  • buscar incentivá-lo a participar de atividades comunitárias.

O auxílio profissional também pode mudar no autismo em adultos. A terapia cognitiva costuma obter sucesso, focando em exercícios de habilidades sociais e aconselhamento profissional e acadêmico. Ela funciona ajudando o adulto com TEA lidar com os obstáculos do dia-a-dia e evitando que eles escalem para uma crise.

O autismo em adultos pode ter desafios, mas não limita a pessoa a viver uma vida plena e ter sucesso e encontrar seu espaço. Conheça os jovens que cresceram com autismo e se destacam também na vida adulta.

As estratégias para ajudar uma criança autista

Como Ajudar uma Criança Autista a Lidar com Transições

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um distúrbio de desenvolvimento que se caracteriza pela dificuldade na comunicação social e comportamentos repetitivos e estereotipados. Embora as pessoas com TEA partilhem essas dificuldades, cada uma será afetada com uma intensidade diferente dependendo do seu estado. Cada criança apresenta um nível de TEA: alguns são óbvios desde a primeira infância e outros são sutis e quase imperceptíveis.

É importante entender que indivíduos com Transtorno do Espectro Autista têm dificuldade em compreender a linguagem corporal de outras pessoas, bem como suas expressões faciais e entonações de voz. Além disso, por terem dificuldade na comunicação, eles nem sempre estão cientes de que estão se comportando de maneira inadequada ou incomodando o outro.

Para ajudar uma criança autista, é necessário aprender tudo o que puder sobre seu transtorno primeiro, já que elas não conseguem compreender a maneira como outras pessoas se comunicam e por isso precisam de instruções bastante explícitas e metódicas sobre como se comportar ou falar com outros.

Diga que o comportamento é inadequado sempre que ele ocorrer, apontando exatamente onde ele errou, como poderá corrigir o erro e evitar que ele aconteça da próxima vez.

Isso também vale para acertos: “Você está errado porque pegou o brinquedo do seu amigo sem pedir para ele, agora ele está chorando e você deve pedir desculpa por fazer isso.

Você precisa sempre pedir permissão para brincar com as coisas de outras pessoas”, “Você fez um bom trabalho ao ajudar sua amiga a arrumar os brinquedos espalhados no chão, sempre que outra pessoa precisar de ajuda, você deve ajudar”.

Na escola, é importante ressaltar que uma criança com TEA não possui um desenvolvimento de aprendizagem linear e concreto.

É esperado que ela demore muito a entender uma certa atividade e subitamente alcance o nível de habilidade esperado para sua idade.

Elas também são capazes de, ao mesmo tempo, realizar atividades extremamente complexas para sua idade e ter dificuldade em cumprir as tarefas mais básicas.

No entanto, o ambiente escolar é um grande potencial para auxiliar a criança a melhorar suas habilidades sociais de comunicação e a seguir instruções e rotinas. Utilize figuras detalhadas sobre o que irá acontecer no dia: escovar os dentes, hora da leitura, educação física, aula de matemática.

Ofereça o máximo de estimulo visual para que sua compreensão seja mais rápida e motive-a através de recompensas como adesivos, desenhos ou objetos que contenham seus personagens favoritos, você conseguirá que ela fique atenta por mais tempo.

Quer saber mais sobre o TEA? Acesse gratuitamente a cartilha de aprendizagem sobre o tema clicando aqui.

Como agir com uma criança autista?

Resistente a mudanças, hipersensível, com dificuldade para o contato físico, mas principalmente singular. Assim é o indivíduo com autismo, transtorno que se manifesta em diferentes níveis sendo, portanto, equivocado generalizar a condição das crianças com o transtorno. É preciso analisar caso por caso.

No entanto, mesmo que você não seja um estudioso do assunto, basta estar atento determinadas características para saber como estabelecer um contato amigável.

Confira abaixo algumas dicas do professor de Psicologia Reginaldo Daniel da Silveira, do Centro Universitário Autônomo do Brasil (Unibrasil), que podem te ajudar nesse contato:

Saiba como se comunicar: ao falar com a criança autista, procure modular a voz, fazendo entonações que a ajudem a identificar emoções.

Gesticule de maneira a mostrar que você tem interesse em entendê-la. “Use palavras simples e curtas, expresse-se usando olhos, boca, nariz e corpo.

Converse sobre assuntos que agradem ela e tenha paciência, dando tempo para a criança processar as informações”, explica Silveira.

Desperte a atenção: aproveite os momentos em que ela está relaxada. Use estímulos visuais criando ambientes físicos, minimizando estímulos de distração como luz e sons, por exemplo. Figuras, imagens de objetos e paisagens podem facilitar sua aproximação. Além disso, demonstre que você se importa com a presença dela naquele lugar.

Brinque com ela: o professor explica que lojas especializadas oferecem pela internet, produtos para atividades com crianças autistas. No entanto, ele indica que papel, papelão, balde e potes podem muito bem ser utilizados como brinquedos, porque se tornam ilimitados pela criatividade.

Conte histórias: conte histórias para a criança usando um repertório de gestos, olhares e tons de voz. Esse pode ser um jogo bem produtivo, porque incentiva a concentração sobre a história, enriquece a linguagem e favorece o vínculo.

Cuidado ao toque e com as palavras: a criança autista é hipersensível. Então cuide com a intensidade da voz, com os gritos e até abraços. Ao perceber que uma determinada palavra a incomoda, procure estudar o que isso pode significar para a criança. Tudo o que você falar, explique palavra por palavra.

Ajude-a quando ela se assustar: descubra o que a assustou. Se for um ruído, veja se consegue eliminar esse estímulo. Se ela se debater ou sacudir o corpo, afaste objetos que possam machucá-la.

Ao proteger a cabeça da criança, pegue-a no colo ou deixe uma almofada ou travesseiro sob sua cabeça.  “Para acalmá-la você pode fazer uma pequena massagem nas têmporas, nos ombros nas costas ou pés.

Se puder permita que ela ouça uma pequena canção acompanhada de movimentos suaves e cuidadosos”, recomenda o professor.

Quando for necessário quebrar a rotina: a criança autista pode ter resistência a mudanças e uma rotina modificada por provocar reações como comportamentos repetitivos.

Para quebrar rotinas dessa criança, apresente sinais de transição (objetos, gestos), use um timer, uma campainha para a criança se acostumar com uma mudança de atividade.

Se for de um lugar para o outro, explique como, quando e para onde ela está indo.

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Incentive o contato com outras pessoas: manter objetos de agrado da criança à sua vista, mas inalcançáveis, fazem com que ela tenha de se comunicar com adultos para conseguir o que quer.

Apresente um amigo animal: de acordo com o especialista, estudos recentes, como o da Universidade de Missouri (EUA), indicam melhoria no tratamento de crianças autistas através do contato com cães.

Elas se sentem à vontade para agir com os animais e isso acaba estimulando habilidades sociais.

Entre os ganhos obtidos nos diversos estudos feitos, aponta-se a melhora na socialização e comunicação, redução do isolamento e solidão, estímulo de afeição e prazer, melhora do humor, da atenção, da aprendizagem e na expressão de sentimentos e confiança.

Desde 2007, a ONU instituiu o dia 2 de abril como o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Isso porque ainda há bastante preconceito em relação ao autismo, mesmo que o conhecimento médico sobre o assunto seja vasto.

Inclusive, a necessidade de conscientizar o maior número possível de pessoas sobre o tema e o fato de que o transtorno afeta mais os meninos, transformou abril em Abril Azul.

De acordo com a ONU, hoje, uma em cada 68 crianças apresenta algum transtorno do espectro do autismo.

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O que fazer com meu filho autista durante a quarentena? – ViDA & Ação

A Organização Mundial da Saúde (OMS), Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos e o Behavior Analyst Certification Board (BACB) recomendam o distanciamento social para diminuir a propagação do novo coronavírus, minimizando o risco de infecção para aqueles considerados mais vulneráveis. Mas enquanto o mundo inteiro estranha a falta de contato físico, imposta pela medida de isolamento social para prevenir a temida Covid-19, milhares de pessoas no mundo inteiro não gostam de contato, não gostam de barulho, não se relacionam.

São as pessoas com Transtorno de Espectro Autista (TEA), condição que atinge uma a cada 54 crianças, segundo nova pesquisa do CDC para 2020.

O aumento da prevalência é de quase 10% em relação a 2019, quando a estimativa era de uma a cada 59 crianças. O número de meninos é quatro vezes maior que o de meninas.

São cerca de 70 milhões de pessoas em todo o mundo, 2 milhões delas no Brasil, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Segundo o CDC, indivíduos com deficiências intelectuais e atrasos no desenvolvimento, como as pessoas com TEA, independentemente da idade, possuem risco maior de contágio pelo coronavírus, além de, se infectadas, poderem apresentar condições mais agudas da doença.  No atual momento em que o mundo sofre com a pandemia do coronavírus, pessoas com TEA também sofrem bastante com as imensas mudanças provocadas pela quarentena.

‘Vamos tirar desse momento difícil coisas boas’

Com as aulas suspensas e os estabelecimentos públicos, como parques e shoppings, fechados, as famílias precisam suprir o tempo vago em função da mudança de rotina e usar a criatividade para evitar muito tempo ocioso, além de, de alguma forma, manter parte das atividades pedagógicas e terapêuticas, para dar continuidade à aprendizagem das crianças.

Josiane Mariano, mãe de Heitor, 9 anos, comenta que está sendo “uma loucura”, mas que durante a quarentena é muito importante que os pais tenham consciência de fazer atividades com os filhos. Ela também ressalta a necessidade de estabelecer uma rotina durante esse período.

Meu filho é autista, e assim como todos do espectro estão habituados em uma rotina. Então, é importante que em casa os pais tentem manter algum tipo de rotina, mas no caso, com atividades diferentes. É importante os pais se programarem com horários, por exemplo: das 8h às 10h vamos fazer atividades que vieram da escola,  das 10h às 12h fazer algo prazeroso, mais livre”, recomenda.

Para Josiane, também é importante deixar a criança um tempo sem fazer nada, um pequeno tempo na ociosidade. “Existem algumas crianças que, ficando sem rotina, podem ter perdas de habilidades. E isso é natural, não é motivo, ainda mais agora, para os pais estarem desesperados com isso, em vista da situação em que estamos vivendo”, ressalta.

Essa situação pode ser por um período que não temos ao certo ainda. Vamos tirar desse momento difícil coisas boas. Sabemos que não vamos estar o tempo inteiro alegres, e tudo bem, não tem problema.

Mas aquele momento em que estamos bem, vamos aproveitar com qualidade porque nossos filhos merecem e eles também não tem culpa de nada, assim como nós. E vamos ter que nos adaptar.

E de uma forma que traga benefícios para todos nós, para a família como um todo”, afirma Josiane.

Clínicas oferecem atividades nas redes sociais

Atualmente, diversos aplicativos ajudam as pessoas com TEA a desenvolver habilidades cognitivas e acadêmicas.

A leitura de livros e a prática de atividades físicas, mesmo dentro de casa, também são importantes para superar o momento com saúde e tranquilidade.

Outra alternativa são as atividades propostas por clínicas especializadas nas redes sociais, como o Grupo Conduzir, que posta algumas ideias, divididas por habilidades, além de sessões gratuitas e vídeos com conteúdo informativo.

Para Josiane é importante aproveitar para estar perto dos filhos neste momento, e elogia a iniciativa de clínicas que disponibilizam atividades para as crianças autistas:

É nesse momento que você vai descobrir o prazer de estar junto com a sua família, de estar junto com seu filho. Acho também muito positivo que clínicas que cuidam de autistas divulguem opções de atividades, ideias.

 Toda a brincadeira é um ensinamento. Acho fantástico as clínicas que oferecem terapias e que nesta situação atual contam com suporte e supervisão. Acho que isso mostra a todo o momento que vamos ter que nos adaptar.

Explicar a real situação da pandemia

Também é necessário compreender a importância de se comunicar e manter abertura para o diálogo.

Professora da pós-graduação em Psicopedagogia da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), Fernanda Orsati pontua que as famílias devem conversar com crianças e jovens que possuem o transtorno, e encontrar formas didáticas para mantê-las informadas. Ela menciona algumas ações, como uso de histórias e notícias, para explicar aos poucos a real situação da pandemia.

No entanto, por serem pessoas que podem desenvolver um hiperfoco em determinados assuntos é necessário ter um equilíbrio no manuseio das informações sobre o coronavírus.

Outro aspecto importante é o cuidado com a rotina, já que é uma das necessidades comuns das pessoas com o transtorno.

“Se a gente conseguir criar rotinas novas e consistentes, resgatar coisas da rotina anterior e ter uma ordem para o dia, haverá uma segurança melhor e ajudará a pessoa com espectro do autismo a se organizar”, afirma a especialista.

As famílias também devem manter um canal de comunicação, pois pessoas com TEA podem ter dificuldades para nomear sentimentos e sensações. Se para a gente é muito fácil falar que está com medo ou está entediado em casa, muitas pessoas com autismo têm dificuldade de nomear sentimentos”, diz a especialista, apontando que os mecanismos para tal situação também devem ser diferenciados”, afirma.

Para Fernanda, tão relevante quanto a conscientização é a aceitação das pessoas com TEA.

” É muito importante pensar que ainda temos muito o que trabalhar para que as pessoas com transtorno do espectro autista sejam realmente aceitas em todos nossos ambientes”, diz a especialista.

“É preciso que a gente aceite, inclua e dê oportunidades para pessoas que tenham as mais diferentes características dentro do TEA. Quando dermos esses suportes, vamos conseguir ver o calor e a contribuição das pessoas com autismo“, explica a professora.

Apoio de outras mães nas redes sociais

A aposentada Tânia Pezzuol Pellini, de 60 anos, mãe de Caio, de 22, estudante de Economia e autista, utiliza as redes e o contato à distância para unir mães e ajudá-las nas dúvidas e dificuldades que envolvem a temática do autismo. E mais do que nunca, valoriza a união das famílias para darem forças umas às outras:

As mães precisam de orientação, de muitos lugares longe e sem recurso.

Todos os direitos que envolvem os filhos autistas e que elas não têm conhecimento, nós como comunidade atuante precisamos divulgar. Se não tivermos apoio, ficamos perdidos.

Seja ele por vídeo, telefone ou redes sociais, o apoio é muito importante nessa hora, ainda mais para esse momento em que estamos vivendo”, afirma ela.

Tema ainda cercado por mitos

O tema autismo, ainda hoje, é cercado por mitos e pouco conhecimento fundamentado, por parte do grande público.

Ainda que as informações sobre o transtorno e seu tratamento estejam cada vez mais precisas e embasadas por pesquisas científicas, pouco se fala sobre a sociedade e seu papel na inclusão social real, ou seja, aquela que dará condições de fato para que esses indivíduos sejam parte atuante da comunidade, exercendo seus papéis de cidadãos, na medida do possível, com funcionalidade e qualidade de vida.

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Mas como de fato a sociedade tem contribuído para que a inclusão seja eficaz? O que a comunidade oferece para esse público? O quanto se sabe sobre o assunto e como a sociedade age para que ocorram mudanças neste aspecto?

A data também serve para mostrar as barreiras e dificuldades enfrentadas pelos autistas e suas famílias, que são grandes e impedem o pleno acesso.

Infelizmente, essas barreiras são alicerçadas na ignorância e no preconceito.

Daí a necessidade de informar a sociedade acerca do TEA e requer cuidados indispensáveis, principalmente quando se apresenta com outras comorbidades como a deficiência intelectual e a epilepsia.

Relatórios de Indicadores Nacionais sobre Autismo: Transição para Young Adulthood – Jovem adulto – 2015 Drexel University mostram que um em cada quatro jovens apresenta isolamento social (e é claro, estamos falando aqui de uma situação habitual e não o que estamos passando atualmente com a questão da pandemia do Coronavírus), e também um em cada quatro jovens nunca se encontrou ou conversou com amigos e nunca foi convidado para eventos sociais.

Na questão de segurança e situações de risco, os dados mostram que quase 50% dos jovens foram vítimas de bullying durante o colégio e mais de 27% engajaram em comportamentos de ambulantes – perambular sem rumo.

Como promover a inclusão social?

Em meio à crise que a sociedade vive para o controle da disseminação do novo coronavírus, o Dia Mundial do Autismo (2 de abril) é marcado por manifestos disseminados pelas redes sociais.

Levar informação de inclusão e sociabilidade é o objetivo de muitas famílias para que essa data não passe em branco.

O Mês Mundial da Conscientização do Autismo levanta a discussão sobre o que podemos fazer, como sociedade, para mudar esta realidade: como trazer independência, segurança e qualidade de vida para os indivíduos autistas, e inseri-los verdadeiramente no convívio social?

Precisamos sempre lutar por criação de políticas públicas, disseminar a informação do tratamento recomendado (que ainda tem pouco alcance e é pouco valorizado), incentivar a especialização por profissionais da área que trabalham com TEA, assim como informar e conscientizar a comunidade sobre a importância da inclusão social desses indivíduos, para que assim eles possam ter todos os seus direitos garantidos”, comenta Marina Ramos Antonio, analista do Comportamento Aplicada ao Autismo do Grupo Conduzir.

  • O Dia Mundial de Conscientização do Autismo marca o amplo processo de conscientização e aprendizado sobre pessoas que possuem o Transtorno do Espectro Autista (TEA). A data foi estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 2007, justamente como forma de lembrar a ampla inclusão destas pessoas na sociedade. Nesta data, cartões-postais de todo o planeta se iluminam de azul — no Brasil, o mais famoso é o Cristo Redentor — para lembrar a data e chamar a atenção da mídia e da sociedade.
  • Em 2020, pela primeira vez, a comunidade envolvida com a causa do autismo no Brasil todo segue, unida, em uma campanha nacional com tema único: “Respeito para todo o espectro”, para celebrar a data, usando a hashtag #RESPECTRO nas redes sociais.
  •  A campanha deixa claro que há uma extensa diversidade, um espectro, na maneira como o autismo afeta cada indivíduo, havendo desde pessoas com graves comprometimentos e comorbidades (outras condições de saúde associadas, como epilepsia e deficiência intelectual) até os chamados “autistas de alto funcionamento”, com sinais e sintomas muito leves do transtorno (antigamente diagnosticados com síndrome de Asperger).
  • O pedido é por respeito nas políticas públicas, respeito no tratamento e terapias, respeito na inclusão no mercado de trabalho, na educação, em eventos, na sociedade de um modo geral e, logicamente, mais informação e menos preconceito. André, personagem autista da Turma da Mônica, não poderia ficar de fora. Com a parceria entre o Instituto Mauricio de Sousa e a Revista Autismo, André figura um dos cartazes da campanha nacional, engrossando o coro pela conscientização.
  • O desenhista Mauricio de Sousa, criador da Turma da Mônica e presidente do Instituto Mauricio de Sousa, tem apoiado a causa. O objetivo é alertar adultos e crianças sobre a importância de se informar a respeito do autismo, cada vez mais diagnosticado em todo o mundo por conta de maior disseminação de informação. Em parceria com a revista, toda edição da publicação traz uma história em quadrinhos inédita do André e a Turma da Mônica, já foram publicadas cinco histórias na revista, além da tirinha especial.
    Criamos o André inicialmente para participar de vídeos e revistas institucionais e conscientizar os pais sobre os sinais do autismo. Hoje, ele integra as historinhas da Turma da Mônica, mostrando às crianças como podemos aprender com as diferenças. Eu mesmo tenho aprendido muito desde a criação do personagem. “Ficamos muito satisfeitos de ter o André na campanha”, diz Mauricio de Sousa. Mais conteúdo sobre autismo e o “2 de abril” podem ser obtidas no site da Revista Autismo (RevistaAutismo.com.br/DiaMundial), publicação gratuita, impressa, distribuída em todos os estados do Brasil, e também digital (em português e espanhol). No site da ONU (www.un.org/en/events/autismday) também há mais informações sobre a data.
    No 2 de abril, em função do adiamento de diversos eventos Brasil afora por causa da pandemia de Convid-19, a Revista Autismo realizará um grande evento online, o 1º Congresso Online pelo Dia Mundial de Conscientização do Autismo, promover a conscientização a respeito do TEA. Renomados autistas, especialistas e outras pessoas ligadas ao tema farão um total de mais de 20 palestras em vídeo, entre eles Mauricio de Sousa e a filha Marina Sousa, diretora de conteúdo da Mauricio de Sousa Produções, que estarão disponíveis no site RevistaAutismo.com.br/DiaMundial/.

Serviço:

Sugestões de atividades e outros conteúdos podem ser acessados pelas redes sociais do Grupo Conduzir:

Autismo | Síntese | Enciclopédia sobre o Desenvolvimento na Primeira Infância

Qual é sua importância?

O autismo é um transtorno do desenvolvimento de origem desconhecida. Anteriormente era considerado raro e quase sempre grave, mas atualmente é compreendido como mais comum e com formas variáveis de ocorrência.

O autismo começa na infância, e afeta uma em cada 200 crianças. Em geral é detectado aos 3 anos de idade e, em alguns casos, já aos 18 meses de vida.

1 As taxas de ocorrência distribuem-se desigualmente entre os sexos, com probabilidade quatro vezes maior de manifestação em meninos. 

O autismo caracteriza-se por dificuldades na socialização, na comunicação, no comportamento e na brincadeira. As crianças afetadas por esse distúrbio “mostram deficits em: 1) interação social; 2) comunicação verbal e não verbal; e 3) comportamentos ou interesses repetitivos.

Além disso, frequentemente têm respostas pouco usuais a experiências sensoriais, tais como a certos sons ou à aparência dos objetos.1” As capacidades cognitivas de indivíduos autistas variam amplamente. Embora a taxa de retardo mental no autismo seja de aproximadamente 70%, uma porcentagem significativa dos indivíduos situa-se na média de inteligência, e acima dela.

Entre 15% e 20% das crianças autistas passam por um período de regressão na fala e no comportamento social entre os 12 e 20 meses.

Embora não tenha sido identificado nenhum gene de suscetibilidade, há evidências de que a condição é herdada. Sabe-se que a taxa de recorrência do autismo em irmãos fica entre 2% e 8%, e distúrbios menos severos em habilidades de comunicação social ou de linguagem são encontrados em até 20% dos parentes. 

O que sabemos? 

O autismo é uma condição orgânica que afeta o desenvolvimento desde muito cedo.

Crianças autistas têm dificuldades sócio-emocionais para a utilização de comportamentos não verbais, tais como o contato de olhar, o uso comunicativo de gestos, expressões faciais e posturas corporais.

Demonstrar atenção conjunta e empatia parece ser um desafio, uma vez que tendem a preferir atividades solitárias.  

As formas pelas quais os problemas sociais e comunicativos se manifestam variam muito entre as crianças autistas. No entanto, a presença de dificuldades precoces de orientação social, evidenciadas antes dos 24 meses de idade, levou os pesquisadores a concluir que essa é a deficiência primária do autismo. 

É difícil diagnosticar o autismo antes dos 30 meses de vida devido à instabilidade dos diagnósticos nesse período. Um indicador central é a dificuldade no processamento social de rostos, emoções e habilidades de mentalização, e dificuldades na aquisição de habilidades comunicativas.

No entanto, por não haver um marcador biológico ou um teste médico para essa condição, e por ser mais complexo medir e analisar indicadores iniciais de comportamento social do que o desenvolvimento de habilidades motoras ou de linguagem, o diagnóstico de crianças pequenas pode ser difícil.

Assim sendo, o diagnóstico do autismo baseia-se em informações relatadas pelos pais e em observações do comportamento da criança.  

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O que pode ser feito? 

O tratamento do autismo é dificultado pelas amplas diferenças individuais entre as crianças que apresentam o distúrbio, o que dificulta uma intervenção eficaz. Apesar dessas dificuldades, já foi demonstrado que diversos tipos de intervenções intensivas resultam em ganhos significativos no funcionamento cognitivo, social e linguístico de crianças autistas.

Por exemplo, a intervenção precoce e intensiva com Análise Comportamental Aplicada (ACA) – uma abordagem que se destina a compreender, avaliar e modificar comportamentos e a ensinar novas habilidades, utilizando diversos métodos baseados em necessidades individuais – resultou, para algumas crianças, em níveis mais altos de desempenho intelectual e educacional. No entanto, a idade e o QI de crianças que recebem a ACA parecem afetar fortemente seus resultados. Outros tipos de intervenção precoce, que oferecem a crianças autistas em idade pré-escolar pistas visuais e estruturas que elas têm dificuldade de produzir sozinhas, também estão associados a níveis mais altos de funcionamento social em algumas crianças. 

A intervenção precoce em contextos escolares inclusivos revelou-se útil para ajudar a melhorar habilidades sociais específicas. Por exemplo, os métodos de ensino da ACA ajudam crianças autistas a aprender a iniciar contatos e responder a outras crianças.

Esses métodos também ensinam às crianças habilidades lúdicas específicas e outros comportamentos que contribuem para suas interações com seus pares.

Outros métodos instrucionais específicos que são benéficos para a aprendizagem de comportamentos sociais incluem treinamento de respostas relevantes (ensinar comportamentos-chave); remoção gradual do roteiroa (propor à criança um roteiro escrito, sonoro ou pictórico); e dicas atrasadasb (esperar antes de oferecer uma resposta à criança). 

É possível separar alguns elementos importantes dos programas de intervenção para crianças autistas em idade pré-escolar. Entre eles:

  • desenvolvimento de habilidades de comunicação (verbal ou não verbal)
  • envolvimento conjunto e atividades sociais conjuntas 
  • promoção de envolvimento e regulação emocional
  • ajuda aos pais para lidar com problemas comportamentais.

Os pais desempenham um papel central nos resultados de intervenções precoces, e os pesquisadores começam a identificar características ou habilidades parentais que podem contribuir para o progresso da criança.

A educação parental pode ser um caminho para aliviar os pais e dotá-los de mais recursos, o que pode ajudar a aumentar o impacto da intervenção precoce.

A sensibilidade parental – acompanhar o foco de atenção da criança – também foi identificada como um fator importante. 

Uma questão de política social fundamental é desenvolver programas de capacitação para ajudar crianças autistas com quadros mais graves na transição para papéis sociais adultos adaptativos.

A intervenção precoce tem boa relação custo-benefício em comparação com o custo do autismo para os indivíduos, as famílias e a sociedade, quando não é oferecido tratamento precoce.

Os formuladores de políticas devem dar apoio à identificação e ao tratamento precoces para minimizar as consequências negativas do diagnóstico tardio.

Para aumentar o potencial de progressos sociais e de desenvolvimento de crianças autistas, os pesquisadores devem focalizar a melhoria dos métodos confiáveis de identificação do autismo e a compreensão da forma mais eficaz de tratamento para cada tipo de criança, para cada estágio de desenvolvimento e para seus resultados. Além disso, as pesquisas precisam abordar as causas possíveis do distúrbio, tais como transmissão genética e desenvolvimento cerebral. 

Referência

  1. Strock M. Autism Spectrum Disorders (Pervasive Development Disorders).Bethesda, Md: Department of Health and Human Services, National Institute of Mental Health; 2004. NIH Publication No. NIH-04-5511.

a NT: No original, script-fading, também adotado na literatura específica como “esvanecimento de instruções.” No idioma inglês, encontram-se também as expressões fading in e fading out, adotadas em português também como “introdução gradual de estímulo” e “remoção gradual de estímulo” (ou de dica).

b NT: No original, time delay. Também traduzido na literatura brasileira da área por “atraso temporal”. 

Como lidar com um filho autista, como a personagem Linda, em Amor à Vida

A atriz Bruna Linzmeyer interpreta Linda, uma garota autistaFoto: Divulgação

Receber o diagnóstico de autismo de um filho é como embarcar rumo a um universo desconhecido. É preciso encontrar a maneira de aterrissar nesse pequeno mundo em que a criança parece estar isolada.

A doença, uma espécie de pane do desenvolvimento neurológico, costuma ser identificada pelos médicos entre 1 ano e meio e 3 anos, mas especialistas apostam que os próprios pais são capazes de detectar os primeiros sinais a partir dos 8 meses e, assim, buscar ajuda especializada quanto antes.

Pesquisadores da Universidade de Miami, nos Estados Unidos, descobriram que a chave para esse flagra precoce está na comunicação não verbal.

A equipe do professor de psicologia Daniel Messinger comparou crianças sem histórico familiar do problema com irmãos caçulas de autistas, que teriam um risco maior de herdá-lo.

Foi observado o modo como o bebê olha para objetos, o jeito como ele pede o que deseja e como reage quando lhe apontam para alguma direção. Pequenos com falhas gestuais nos primeiros meses de vida apresentaram sinais mais evidentes de autismo após os 2 anos e meio de idade.

Docilidade e inquietação

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É possível observar outros indícios nos bebês, como explica o médico Estevão Vadasz, coordenador do Programa de Transtornos do Espectro Autista do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo. “O olhar é extremamente importante para demonstrar o vínculo materno”, exemplifica.

“Mas, enquanto é amamentado, o autista pode não fitar a figura da mãe e ter um olhar perdido.”Outro comportamento que pode acender a luz amarela é ele aceitar o colo de qualquer pessoa. “Com 8 meses, a criança costuma estranhar quem não é do seu convívio e até chorar, mostrando que está insatisfeita.

Já um autista sente-se igualmente confortável com qualquer um”, lembra o psiquiatra.

O toque incomoda

O choro quase ininterrupto, uma inquietação constante ou, ao contrário, uma apatia exacerbada também merecem atenção.

“Muitas vezes os médicos não observam a relação entre o bebê e as pessoas, porque focam o aspecto orgânico”, aponta a psicóloga Cristina Keiko Inafuku de Merletti, especializada no acompanhamento de autistas.

Ela alerta que, quando o autismo é leve, exames eletroencefalográficos, genéticos e de neuroimagem às vezes não acusam alterações significativas. Daí, mais do que nunca, conta a percepção dos pais no dia a dia.

Vale notar até mesmo se o pequeno se incomoda com o toque, com alguns sons e com certas texturas de alimentos, o que chega a dificultar demais a transição do leite para as comidas sólidas. Como o autista tem os sentidos afetados, isso também costuma ocorrer.

Em casa, nota-se a ausência de fala, uma aparente surdez e os movimentos pendulares estereotipados de tronco, mãos e cabeça.

Já os especialistas analisam transtornos de linguagem, de socialização, comportamentos restritos e repetitivos. O espectro autista é diferenciado pelos graus de comprometimento dessas características.

A doença atinge mais meninos – quatro para cada menina -, e metade dessas crianças tem ainda algum retardo mental.

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Muitas vezes são diagnosticadas enfermidades associadas, como convulsões, e até epilepsia. Encrencas gastrointestinais são igualmente comuns. Como não mostram o que sentem, principalmente a dor, os pais devem ficar de olhos abertos.

Crises de ansiedade e até a agressividade também afetam o tratamento. Nesses casos, a medicação para tranquilizar é uma grande aliada.

Especialistas brasileiros e americanos já iniciaram os testes com o hormônio oxitocina, ligado à afetividade, como alternativa.

Terapia em grupo

As avaliações são individuais, mas as terapias costumam ser feitas em grupos para estimular a socialização. Englobam o acompanhamento comportamental, o pedagógico e o aprimoramento da comunicação.

“E, quanto mais cedo as intervenções forem iniciadas, maiores são os progressos, principalmente nas relações afetivas, nas atividades diárias e motoras”, ressalta Daniel Messinger, líder do estudo americano.

Carolina Ramos Ferreira, da Associação de Amigos do Autista (AMA), reforça que é importante dar continuidade em casa ao trabalho realizado pelos especialistas. “É preciso incentivar, ensinar a se vestir, a escovar os dentes e a comer sozinho. O excesso de proteção pode fazer com que os pais bloqueiem ainda mais a autonomia dessas crianças e jovens”, alerta.

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Família preparadaPortanto, o grande desafio é orientar a família.

Cristina Keiko acha que a mãe e o pai costumam receber a notícia de forma inadequada, quase técnica, e transformam-se em pesquisadores, deixando de perceber as nuances do desenvolvimento infantil.

Aliás, muitas entidades oferecem cursos para o aprimoramento dos pais, mas esses espaços especializados são escassos para dar conta da demanda.

Com um bom acompanhamento, o autista pode ficar com menos limitações e até frequentar a escola regular com alguém servindo de apoio. Tudo vai depender do grau da deficiência. Por isso, a observação é fundamental para captar detalhes valiosos que ajudam a entrar nesse mundo tão especial.

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