Como ajudar alguém com depressão e ansiedade: 12 passos

Você provavelmente já ouviu falar em depressão. Nos últimos anos, os casos desse transtorno têm aumentado no Brasil e no mundo. São mais de 11,5 milhões de brasileiros sofrendo com isso. E ela é considerada uma das principais causas de suicídio.

Esses dados alarmantes reforçam a necessidade de falarmos mais sobre o problema. Muitas pessoas sofrem de depressão sem se dar conta. Você sabe como perceber os sinais do transtorno depressivo? Quer aprender a ajudar alguém que esteja passando por isso?

Neste post, trouxemos informações relevantes e dicas práticas para saber como agir diante dessa questão. Vamos lá?

Como identificar se um amigo tem depressão?

O transtorno depressivo tem causas multifatoriais. Diversos aspectos podem influenciar seu desenvolvimento, tais como: genética, realidades de vida estressantes e traumas (por exemplo, maus tratos sofridos durante a infância).

Assim, se você desconfia de que alguém próximo esteja sofrendo com isso, tente perceber esses fatores de risco no contexto de vida dele. Além disso, fique atento aos sintomas da depressão:

  •         Tristeza frequente;
  •         sentimento de vazio;
  •         baixa concentração e memória;
  •         desesperança e pessimismo;
  •         irritação constante;
  •         falta de interesse — até mesmo por atividades das quais gosta;
  •        dificuldade para dormir;
  •         sentimentos de baixa autoestima, inadequação ou culpa;
  •         cansaço maior do que o comum;
  •         raciocínio mais lento;
  •         mudança de hábitos da alimentação;
  •         pensamentos de morte e até mesmo tentativas de suicídio.

Como Ajudar Alguém com Depressão e Ansiedade: 12 Passos

O que você pode fazer para ajudar uma pessoa com depressão?

Assim como não é simples enfrentar a depressão, também não é nada fácil auxiliar alguém a superar o problema. A pessoa deprimida requer muita atenção e cuidado. Afinal, ela mesma terá grande dificuldade em se ajudar.

Portanto, se você precisa estar perto de alguém com o transtorno, o primeiro passo é se cuidar. Saiba que vai ser necessário ter paciência e saber lidar com a frustração. Compreender os altos e baixos do depressivo é essencial.

Veja o que você pode fazer na prática para ajudar seu amigo:

Ouvir a pessoa

Essa é uma das atitudes mais importantes para ser solidário com alguém que está sofrendo. Muitas vezes, é difícil segurar a ansiedade de falar o que a pessoa deve fazer ou dar conselhos sobre como se sentir melhor.

Ao contrário, quem enfrenta uma depressão vai precisar mais do seu silêncio. Procure ouvir mais do que falar. Pense que, em geral, as pessoas deprimidas já costumam escutar muitos palpites sobre sua vida.

Mostrar compreensão

É muito importante tentar escutar seu amigo sem fazer julgamentos. Infelizmente, é comum que as pessoas pensem coisas como: “por que ele está se sentindo assim, se tem uma vida tão boa?”. Evite isso.

Quando não souber o que falar, foque em se mostrar presente. Não fique preocupado em dar os melhores conselhos. Na verdade, se você nunca passou por uma depressão, dificilmente saberá o que dizer. Nesses casos, o melhor é acolher e mostrar compreensão.

Incentivar a ida a um psicólogo

Você precisa ter clareza de que a responsabilidade de curar o seu amigo não pode ser sua. O tratamento da depressão é algo profissional e permeado por instabilidades. É importante ter isso em mente, para não sofrer demais se a pessoa passar por uma recaída.

A maior ajuda que você pode dar é, sem dúvida, encorajar o amigo a procurar auxílio profissional. Fazer terapia com um psicólogo é fundamental. Em alguns casos, é necessário também o atendimento com um médico psiquiatra.

Se possível, ajude a pessoa a marcar a consulta e vá com ela no dia. Dependendo do grau da depressão, ela pode ter dificuldade para aderir ao tratamento. Contar com o apoio de alguém é muito positivo!

Você quer saber mais sobre o assunto? Acesse nosso teste de ansiedade e depressão!

Sair da depressão em 12 passos

A depressão desorganiza todas as áreas de funcionamento de um adulto, da saúde, à socio-familiar e à profissional.

Mais ou menos severa, há sempre uma perda elevada de bem-estar e de capacidade para se mobilizar e empreender a vida.

No entanto, existem formas de intervir em Psicologia Clínica e da Saúde, cientificamente demonstradas como as melhores em eficácia e resultados duradouros, e que evitam a necessidade de químicos.

Na Oficina de Psicologia, reunimos e adaptámos para um contexto de grupo as melhores intervenções na depressão, e criámos um programa, em 12 passos semanais, com um ritmo rápido, que permite reduzir significativamente os sintomas da depressão major ou persistente.

O formato de grupo permite 3 vantagens:

  • É financeiramente mais acessível
  • Os elementos do grupo, estando todos a passar pelas mesmas dificuldades, apoiam-se mutuamente
  • Mantém-se o foco nas estratégias que se sabe que funcionam, sem a dispersão com temas muito específicos que o acompanhamento individual propicia

É importante perceber que quando falamos num formato de grupo não estamos a falar de grupo de apoio, onde cada um debata os seus temas ou tenha de se expor nos seus temas pessoais.

Trata-se de um programa interventivo baseado na aprendizagem dos aspectos e técnicas que cada um poderá adaptar ao seu contexto de vida e implementar para melhorar.

É, por isso, mais próximo de uma formação – experiencial e muito orientada para a adaptação à experiência de cada um – do que de uma situação tradicional de terapia em grupo.

“Sair da depressão em 12 passos” pode ser complementar a um trabalho de psicoterapia individual ou prévio a esse trabalho, uma vez que, naturalmente, existem situações que, após a redução dos sintomas, requerem análise e trabalho individuais para reforçar um futuro sem novas incidências depressivas. Além disso, a depressão surge, muitas vezes, na sequência de uma outra perturbação psicológica, o que requer intervenção específica nos dois temas.

Cada “passo”, que corresponde a um encontro em grupo (10-15 pessoas), tem a duração de 1 hora e meia e os dois passos duplos de 3 horas e meia, e ocorrem semanalmente, com contactos intercalares e com a prescrição de acções diárias que requerem entre 30 a 60 minutos por dia, para garantir os resultados pretendidos.

Sabendo que se encontram reunidas diversas técnicas e estratégias cientificamente actualizadas e apuradas pelo seu impacto positivo na depressão, aceitamos inscrições também de psicólogos clínicos que pretendam rever as intervenções mais práticas no espectro depressivo.

O programa

Na acção está a solução!

  • O que é a depressão
  • Espiral positiva e cérebro
  • Usar os micro-hábitos para recriar saúde e criar um plano individual de intervenção
  • Exercício de redução imediata de desconforto

Passo 2

Nenhum homem é uma ilha: o cérebro social

  • O cérebro social e o poder das relações humanas: plano de melhoria imediata de relações interpessoais
  • Assertividade, elogio e gratidão
  • Desenvolvimento de autoconsciência das emoções no corpo e a inteligência emocional

Passo 3

Na depressão, há uma voz que deita abaixo

  • Sistema 1 e sistema 2 – ratoeiras do cérebro: distorções e heurísticas
  • Aprender a escutar o pensamento e educa-lo (a voz que me engana e como a educar)

Passo 4

Se não cuidar eu de mim, quem cuidará?

  • As fundações da saúde: sono, alimentação, suplementos e nutrientes, exercício físico
  • Plano de mudança de hábitos de auto-cuidado e curso para re-equilíbrio da negatividade cerebral

Passo 5

Sessão dupla e intensa de reprocessamento EMDR e resolução de temas de bloqueio impeditivos do bem-estar

Passo 6

A relação mais importante: comigo mesmo!

  • Atitude perante si próprio: mindset de crescimento
  • Crítica vs auto-compaixão
  • Escrita expressiva: exercícios de aprendizagem de expressão de pensamentos e emoções como forma de estruturação interna

Passo 7

Segurar emoções poderosas

  • Saber gerar e segurar emoções poderosas, como: curiosidade, gratidão, alegria, flow, serenidade, coragem, maravilhamento
  • Aprender a usar os sentidos como motor emocional: música, verde e natureza, estimular o olfacto, toque, mindful eating (e o chocolate preto), postura (e apresentação pessoal)

Passo 8

Significado sobrepõe-se a prazer

  • Explorar os seus valores pessoais e significado de vida
  • Apurar o seu propósito de vida, orientador dos pequenos actos diários e propiciador de uma vida em congruência e alinhamento consigo próprio

Passo 9

O stress e a depressão

  • Stress crónico e seu impacto circular saúde e aprendizagem de uma nova abordagem ao stress
  • Um método de análise de história de vida pessoal e vulnerabilidade à depressão

Passo 10

Sessão dupla e intensa de reprocessamento EMDR e resolução de temas de bloqueio impeditivos do bem-estar

Passo 11

A minha história é aquela que conto a mim próprio

  • Distinguir realidade e interpretação, e entender as narrativas de vida: processo reconstrutivo e agregador da memória, e suas potencialidades na construção do futuro
  • Aprender a recontar a história pessoal com base nos mesmos acontecimentos ocorridos e exercício de actualização de idades congeladas

Passo 12

  • Uso de técnicas de raciocínio e comunicação visual para agregar os conceitos aprendidos e um plano para prevenir recaídas futuras
  • Definição dos próximos passos individuais

Condução do programa

Sair da depressão em 12 passos” é desenhado por Madalena Lobo, e conduzido também por Cristina Sousa Ferreira e Vera Lisa Barroso – psicoterapeutas experientes da Oficina de Psicologia.

Local e custo

As sessões são todas presenciais, na sede em Lisboa, Portugal da Oficina de Psicologia.

Cada passo tem um custo equivalente a cerca de 21€, tornando esta forma de intervenção psicológica na depressão extremamente acessível.

Não fazendo qualquer sentido frequentar o programa de forma interrompida, uma vez que apenas no seu conjunto e sequência, se podem obter os resultados pretendidos, há lugar ao pagamento mensal de 99€ mensais, em cada um dos 3 meses da duração do programa.

Inscrever-se

A participação no programa requer inscrição e apuramento. Após envio do formulário abaixo de inscrição, é-lhe proposta uma breve análise individual gratuita para apurar a sua eligibilidade para o programa. Atenção: as vagas em cada grupo são limitadas e este programa apenas pode ser conduzido em muito poucas edições anuais.

Depressão

A depressão é a queixa mais comum das pessoas que procuram N/A – Neuróticos Anônimos. Somos muitos os que sofremos os horrores da depressão por anos a fio e encontramos a ajuda que nos livrou desse sofrimento. N/A oferece um meio que realmente funciona de alcançar essa ajuda.

Somos provas vivas disso porque chegamos a acreditar que não havia cura para a nossa depressão, que essa era a cruz que teríamos de carregar para o resto da vida, mas vindo para Neuróticos Anônimos nossa depressão foi detida e encontramos uma vida nova, saudável e feliz.

Para nós depressão é um sintoma da doença mental e emocional.

Segundo Grover, que adaptou o Programa de Recuperação de Alcoólicos Anônimos para Neuróticos Anônimos, a causa da doença mental e emocional e da depressão é a preocupação excessiva com a própria pessoa.

Sempre tivemos grandes preocupações conosco. Não dar conta da vida, do trabalho, do estudo, enfim, de tudo aquilo que tínhamos que fazer.

A extrema preocupação conosco mesmos em tudo que diz respeito à saúde, estado de ânimo, sentimentos, conforto, interesses e a frustração de não conseguir que a nossa própria vontade fosse feita, nos levava a uma ansiedade torturante, a um contínuo medo de tudo e de todos e à exclusão de tudo mais que não dissesse respeito a nós mesmos.

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Estávamos sempre preocupados com o que podíamos estar sentindo, só nos interessando por aquilo que desejávamos, com o que conseguíssemos obter para nós mesmos ou com a maneira como éramos tratados pelas outras pessoas. As frases abaixo eram as nossas queixas constantes:

  • Não me sinto bem, não posso ir trabalhar hoje.
  • Estou com depressão.
  • Não dormi bem a noite passada.
  • Estou com dor de cabeça.
  • Meu estômago está todo embrulhado.
  • O cansaço me domina.
  • Aquele barulho está demais.
  • Não gosto do João, (da Maria, do Jaime, etc.).
  • Estou com muito calor (ou frio).

A depressão causa muitos sofrimentos à pessoa que a possui. Identificar alguns efeitos dela é muito importante, pois muitas pessoas sofrem de depressão e nem sequer se dão conta disso. Na depressão ou estado depressivo podem estar presentes:

– Ansiedade, – Medo, – Estresse – Insônia,
– Solidão, – Angústia, – Insatisfação, – Desespero,
– Amargura, – Rejeição, – Preguiça, – Sentimentos Negativos,
– Desejo de suicídio. – Vazio existencial, – Pânico, – Ciumes.

Veja abaixo o teste da Doença mental e Emocional:

  1. Você tem medo de estar sozinho, sair de casa, dirigir um carro ou fazer uma viagem fora de sua cidade?
  2. Você se sente diferente ou “deslocado” quando está com outras pessoas?
  3. Você frequentemente negligencia seus afazeres, dorme muito, sente-se constantemente cansado ou sem energias?
  4. Você já tentou o suicídio ou pensou seriamente em cometê-lo?
  5. Você precisa de tranqüilizantes ou outras drogas (que alteram a mente) para atravessar o dia?
  6. Você assume mais responsabilidades do que pode? Tem uma atitude de tudo ou nada?
  7. Você vive tenso, incapaz de se relaxar e não consegue dormir?
  8. A tensão, a ansiedade e a preocupação afetam seu trabalho?
  9. Você sente que outras pessoas não o compreendem ou não compreendem os seus problemas?
  10. Você sente que as outras pessoas “estão lhe olhando” quando você trabalha ou quando está em público?
  11. Você acha que o seu relacionamento está em perigo?
  12. Você tem problemas sexuais?
  13. Você sente que a vida já não tem “sentido”?
  14. Você fica tão irado que chega a perder o controle?
  15. Você entra em PÂNICO quando está sob tensão?
  16. Você vive chorando?
  17. Você se sente “culpado”?
  18. Você sofre de depressão?

Se você respondeu que SIM a qualquer uma das perguntas acima, é provável que você precise de ajuda.

Se você respondeu SIM a 2  ou mais perguntas, então é quase certo que você precisa de ajuda.

Se você sofre de algum dos sintomas da doença mental e emocional procure a ajuda de Neuróticos Anônimos. Nosso programa de recuperação é gratuito e não está ligado a nenhuma instituição religiosa, política ou científica. Alerta os seus membros que não deixem de tomar medicamentos receitados e que procurem seus médicos para que obtenham acompanhamento qualificado.

  • Seus membros compartilham experiências, fortaleza e esperança para resolverem seus problemas emocionais comuns e dessa forma se reabilitarem da doença mental e emocional.
  • Caso tenha dúvidas sobre como conhecer nossa irmandade preencha o formulário abaixo e envie-nos uma mensagem:
  • (Texto adaptado do livro A Etiologia da Doença e da Saúde Mental e Emocional de Neuróticos Anônimos)

5 maneiras de ajudar alguém que sofre de depressão

Imagem: PeopleImages/Istock

Só no Brasil, cerca de 5,8% da população (um total de 11,5 milhões de pessoas) sofre de depressão. No mundo, já são 322 milhões de indivíduos afetados pela doença, e o números crescem a cada ano. Apesar da alta incidência, o assunto ainda é um tabu para grande parte da sociedade – cerca de 70% dos pacientes têm vergonha de falar sobre o quadro, segundo dados de pesquisa da The World Federation of Mental Health.

Além disso, “um quinto dos pacientes ainda abandona o tratamento no primeiro ano por não se sentirem compreendidos”, destacou Táki Cordás, mestre em psiquiatra pela USP (Universidade de São Paulo) durante evento de conscientização da doença organizado pela Medley.

Segundo o especialista, a empatia —tanto dos médicos como de pessoas próximas ao paciente — é essencial para que as pessoas com o transtorno se sintam acolhidas e apoiadas, e o ato de se colocar no lugar delas pode fazer uma grande diferença no tratamento. Mesmo não sendo profissional, o apoio das pessoas próximas, de forma simples, pode ajudar no dia a dia de pessoas que convivem com o transtorno. Veja como você pode ajudar alguém próximo com depressão:

1. Reconheça os sinais

O primeiro passo para ajudar alguém depressivo, quando esta pessoa ainda não revelou a doença, é ficar atento aos sinais.

O indivíduo com o transtorno tende a mostrar desânimo, raciocínio comprometido, expressões de tristeza, isolamento, pouco cuidado com aparência e higiene pessoal, perda de interesse, falta de energia…

A partir dos sintomas, é possível oferecer sua ajuda como amigo —ouvindo e sendo boa companhia — e recomendar um tratamento especializado.

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2. Exercite a empatia

Não é necessário ter vivido uma depressão para se colocar no lugar do outro. A recomendação dos especialistas é que você demonstre que compreende que a pessoa está sentindo dor emocional mesmo sem poder afirmar que “entende pelo que ela está passando”.

3. Fuja das respostas óbvias

“Fique bem”; “vai passar”; “por que você não tenta sair de casa”…

Por mais bem-intencionadas que essas frases possam ser, proferi-las a alguém durante um quadro depressivo não ajuda no transtorno, além de poder causar uma irritabilidade e até fazer com que o paciente se sinta ainda mais incompreendido.

Em vez disso, além de recomendar ajuda profissional, busque ser o que a pessoa precisa, seja isso um bom ouvinte, companhia no dia a dia ou até um “oferecedor” de abraços.

4. Fale abertamente sobre a doença

A depressão deve ser um tema falado sem tabus. Mostrar-se aberto e sem preconceitos ajuda para aqueles que sofrem do transtorno vejam em você alguém com quem eles podem conversar confortavelmente sobre o que estão passando.

5. Procure os familiares ou pessoas mais próximas

Se alguém apresenta os sintomas da doença, mas mantém-se isolado demais para que você possa conversar com a pessoa, o ideal é buscar seus entes queridos, alguém com relevância para o paciente, para que a situação possa ser investigada. O mesmo vale para alguém próximo que nega ingressar na terapia: vale recorrer a outros parentes, amigos ou parceiros românticos para tentar levar a pessoa ao melhor tratamento possível.

Fontes: Táki Cordás, mestre em psiquiatra pela USP (Universidade de São Paulo) e Coordenador do Ambulatório dos Transtornos do Impulso (AMITI) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP; e Carmita Abdo, psiquiatra e presidente da ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria)

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36 Maneiras de lidar com a depressão

Muitas das vezes é desafiador entender o que mudou e porque as coisas mudaram de uma hora pra outra.

Até por isso que chamo isso de ondas, pois algumas até aprendi a surfar ou não me afogar tanto assim como antes. Mas tem certas ondas que vem que me pegam muito de surpresa ainda.

Algo que é super importante em todos esses momentos, bons ou ruins, é voltar no tempo e tentar reconhecer quando as coisas mudaram. Será que comi algo diferente? Foi algo que alguém disse? Está relacionado ao trabalho? Acontecimentos passados?

Passamos muita energia nos lamentando e não conversando com a pessoa que pode curar tudo isso: NÓS MESMOS!

Não consigo dizer se estou me sentindo 100%, mas estou explorando o que me faz constantemente bem e feliz em estar vivo. Sei que encontrar a raiz do problema e resolver isso vai te ajudar muito nesse processo.

O que tenho feito e que tem ajudado nesse processo:

  • Converse com 3 pessoas de confiança. Pergunte a elas. Ouça. Ande com elas. Abrace-as.
  • Você mesmo. Converse muito e escute. Você sabe a resposta, os outros irão te ajudar que tudo fique mais claro.
  • Caneta e papel, ou um bloco de notas no computador. Escreva a maioria das vezes que conseguir. Isso ajuda muito a tirar os pensamentos da cabeça. Você pode escrever um e-mail para você mesmo.
  • Terapia. Algumas questões são um tanto difíceis de lidar sozinho, então é bom ter um profissional para te ajudar nesse processo.
  • Meditação. Existem diversas meditações guiadas, mas fique a vontade em fazer a que mais for confortável para você. Comece com um minuto em silêncio.
  • Fique próximo em quem te quer bem. Não precisa conversar, mas faz bem só em estar perto em quem realmente podemos contar com um abraço verdadeiro.

Muitas vezes as respostas não aparecem magicamente… Gostaria muito.

O autoconhecimento tem me ajudado muito a compreender melhor algumas questões e não me abater mais com as ondas que aparecem. É como descascar uma cebola e encontrar quem realmente somos e o que queremos. Está tudo dentro de nós, mas só está encoberto pela poeira do tempo e atividades não tão saudáveis a nossa mente.

Já venho há um tempo coletando e testando dezenas de coisas para que pudessem servir de munição para combater os dias que estou triste. Até porque nesses dias parece que esqueço tudo que já fiz para ficar bem, então é bom ter tudo isso disponível para enfrentar a depressão.

Então aqui tem uma lista com 36 maneiras para você se sentir bem. Algumas são temporárias, mas mesmo assim de grande ajuda.

Uma lista para você ter perto de você.

  1. Ajude alguém. Pode ser algo desde como segurar a porta ou ser voluntário. Até mesmo comprar um café para um desconhecido.
  2. Dance. É ótimo para movimentar o corpo. Faça isso completamente para você, não pelos outros.
  3. Saia para caminhar. Uma das coisas que mais me ajudaram quando estava em crise era sair para dar uma volta no quarteirão.
  4. Escreva o que está pensando. Algo como isso que estou fazendo agora, só escreva.
  5. Prós e contras. É sempre bom lembrar o que te faz realmente bem.
  6. Aceite. Sério, pode ser um pouco contraditório mas quando você aceita dói menos.
  7. Coma algo “ruim”. Coma doces (só não sei quando isso se tornou ruim, rs). Passe num drive-thru e pegue o que tiver vontade.
  8. Fique bêbado. Faça isso com cautela e com consciência que é uma fuga momentânea. Isso não irá resolver a depressão.
  9. Faça atividade física. Eu nunca me senti mal depois de uma longa corrida. Mesmo sendo difícil sair da cama, nunca me arrependo de ir.
  10. Escute musicas animadas. Eu particularmente tenho a minha lista de músicas para me sentir bem.
  11. Pasta com e-mails felizes. Separe os e-mails que te trazem alegria numa pasta separada. Eu sempre leio as conversas que tive.
  12. Vá ao cinema. Uma das práticas que mais gosto é simplesmente ir sozinho ao cinema.
  13. Tenha em sua volta pessoas positivas e gatilhos positivos. É bom ter pessoas que realmente gostam de você por perto, melhor ainda se foram aquelas que te trazem uma energia boa.
  14. Veja um filme de comédia. Quase como desligar o cérebro e achar graça em alguma coisa.
  15. Pense sobre algo bom que fez. Feche seus olhos e lembre de algo que fez e que se orgulha no passado, algo que conquistou.
  16. 1 Tarefa simples. Limpe seu quarto, escove os dentes, jogue o lixo fora, tome banho, arrume sua cama, qualquer coisa.
  17. Converse com um família. Mesmo que seja difícil se expressar, tente conversas com seus pais. Tenho certeza que sua mãe ou pai estarão dispostos a te ajudar incondicionalmente.
  18. A regra dos 5 minutos. Você tem apenas 5 minutos para se lamentar. Seja duro. Muitas vezes você vai percerber quão pequeno ou insignificante nossos problemas são.
  19. Escreva tudo quando você está se sentindo triste. É como fazer um download mental de tudo que está sentindo. E muitas vezes eu escrevi post-its do oposto que havia escrito para olhar e lembrar de me recompor.
  20. Deite no chão. Se for na grama, é melhor ainda. Mas isso vai ajudar você olhar as coisas por uma outra perspectiva.
  21. Mude seu ambiente. Mude os moveis de lugar, durma em outro comodo da casa, passe uma semana na casa de um amigo ou em outra cidade.
  22. Banho de amor. Tome um belo e quente banho, daqueles que parecem que tiram todas as sujeiras de dentro.
  23. Escute os problemas de alguém. Ouvir outros problemas geralmente me faz pensar que os meus não são tão ruins. Todos pensamos que nossa família é a mais estranha até ouvir sobre outras pessoas.
  24. Leia livros ou artigos. Você pode fazer isso em casa, mas seria muito melhor ir para uma cafeteria. Onde tenha movimento e você se sinta parte desse mundo, que existam outras pessoas.
  25. Mande mensagem para um amigo que realmente te responda.
  26. Jogue coisas fora. Sério. Livre-se das coisas que você carrega, isso vai aliviar sua mente. Menos é mais.
  27. Incenso. Eu tenho vários incensos aqui, cada um para um sentimento que tenho no dia. Me traz paz.
  28. Sorria para um estranho. Faça disso um desafio. Você irá se surpreender.
  29. Coma no seu restaurante favorito. Me convida.
  30. Seja congruente. Seja real. Quando alguém perguntar como está se sentindo, seja honesto. Você ficará chocado com o quanto mais se expressar aos outros você sentirá melhor e também conectado.
  31. Foque em algo positivo que você pode fazer no momento. Algo? Qualquer coisa? Uma coisa apenas?
  32. Veja e converse com pessoas mais velhas. Isso pode ajudar muito a você realizar que o tempo ajuda muito e irá saber como usar melhor o tempo da sua vida.
  33. Tenha atividades e lugares que te alegram. Faça uma lista. Faça ou vá quando estiver pra baixo.
  34. Sinta você. Pense mais profundamente sobre suas emoções, tristezas, sentimentos realmente são que você quer internamente ou são apenas aceitações que você busca externamente.
  35. Palavras do bem. Fale com um amigo próximo e peça que fale ou escreva sobre o quão incrível você é. Leia isso sempre que necessário.
  36. Olhe de fora. Feche seus olhos e saia do seu corpo por uns instantes, veja tudo ao seu redor como se fosse um jogo em terceira pessoa. Isso ajuda a compreender melhor o que está acontecendo fora de você e te da uma outra visão do que você pode fazer.
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E de bônus, assista vídeos de gatinhos, cachorros ou bebês é sem dúvida melhor que muito remédio.

Depressão – ADICTOLÂNDIA

 

Assim como a ansiedade, a depressão pode ser uma defesa contra certas situações de stress. Mas, ao contrário da ansiedade, a depressão é experimentada como uma diminuição ou enfraquecimento do tônus vital, acompanhada de desconforto emocional.

Em um período ou outro da vida, não há quem não tenha sentido sintomas de depressão. Em geral ela surge em consequência de alguma situação de stress: fracasso na tentativa de atingir uma meta importante, rejeição por parte de um amigo, ruptura de uma relação amorosa etc.

As características mais comuns da depressão são a tristeza e a apatia, que criam um quadro de disforia.

O conceito de perda é essencial para o entendimento da depressão. A perda de uma pessoa querida acontece em consequência de um rompimento, de rejeição ou de morte.

Já a perda da auto-estima decorre da inabilidade em alcançar metas importantes ou em viver de acordo com os padrões que o próprio indivíduo estabeleceu para si.

Também a doença ou a incapacitação temporária ou permanente provocam a sensação de perda.

Algumas horas ou dias de prostração sucedem a essas perdas. Amigos ou parentes podem ser capazes de elevar o moral do indivíduo sofredor, pelo menos por algum tempo. Mas a depressão normalmente reaparece. A pessoa perde o apetite e sente dificuldade em concentrar o raciocínio.

Depois de lutar com o problema durante vários dias e talvez pedir auxílio a parentes e amigos, o indivíduo pode conformar-se com a perda ou encará-la sob nova perspectiva. A esperança então ressurge, e a pessoa ganha energia para continuar vivendo.

Mas, se a perda foi muito séria (como a morte do marido, da esposa, da mãe, do pai, do filho ou da filha), o processo de recuperação às vezes leva semanas, meses ou até anos.

Há casos de depressão provocada por fatores físicos, como mudanças bioquímicas no cérebro, ou psicológicos, como os conflitos em relação à sexualidade e outros.

Às vezes um indivíduo entra em processo de profunda depressão sem nenhuma razão aparente.

Os especialistas conseguiram identificar alguns fatores associados a essas depressões misteriosas, como casos de depressão em pessoas da mesma família ou a perda de um dos pais na infância ou na adolescência.

Apesar da gravidade que representa a depressão, ela tende a desaparecer sozinha.

O estado depressivo em geral costuma durar poucos dias: “o tempo apaga todas as mágoas”, como reconhece a sabedoria popular.

Mas o sentimento de depressão não é útil para ninguém, mesmo quando dura pouco tempo. Por isso convém saber quais as providências que podem ser adotadas para enfrentar e superar esses períodos.

A maneira mais fácil de suportar a depressão é estar com amigos, parentes ou outras pessoas. Embora frequentemente as pessoas deprimidas prefiram ficar sós e a solidão possa parecer uma saída natural, essa atitude é a menos eficaz no combate à depressão.

O contato com pessoas amigas é útil por várias razões.

Passando algum tempo com outras pessoas, o indivíduo toma consciência de que elas se importam com ele e podem até ter passado pelas mesmas dificuldades e ajudá-lo a ver as coisas sob uma luz mais positiva.

A simples companhia de outras pessoas já é um fator de grande valia. Pode-se ir ao cinema, dar um passeio a pé – e isso irá, na maior parte das vezes, distrair o indivíduo deprimido e fazê-lo esquecer a depressão.

A depressão, no entanto, é algumas vezes mais do que um fenômeno passageiro, como acontece com a ansiedade. Quando o estado depressivo persiste por semanas ou meses, em vez de durar apenas horas ou dias, trata-se de um caso mais grave de depressão, que geralmente vem acompanhado de diversos sintomas típicos:

  • insônia ou sono exagerado;
  • falta de energia, sensação permanente de cansaço;
  • falta de apetite e perda de peso; ou o contrário, aumento de apetite e de peso;
  • sentimentos de culpa e de autodepreciação;
  • perda de interesse pela vida;
  • dificuldade de concentrar o raciocínio;
  • agitação física e irritabilidade;
  • pensamentos mórbidos, como a idéia de suicídio.

Naturalmente todos nós uma vez ou outra já nos sentimos arrasados. Algumas pessoas chegam mesmo a ter crises depressivas periódicas, sem que isso signifique que estejam sofrendo de grave e profunda depressão.

Se, no entanto, os sintomas depressivos se prolongarem por muito tempo, convém procurar auxílio profissional de um médico, pois pode ser perigoso se deixar dominar a esse ponto por sentimentos depressivos.

Como ajudar alguém com depressão? Descubra 7 maneiras

A ajuda de amigos ou parentes é essencial para quem está deprimido. No entanto, é preciso fazê-lo de forma responsável. Vamos aprender a fazer isso?

Se alguém próximo a você está com depressão, saiba que ele ou ela provavelmente precisa da sua ajuda. Oferecer um ombro amigo e estimulá-la a se tratar são algumas das atitudes importantes e que podem evitar o agravamento do seu estado. Estado? Sim, porque depressão é doença.

Mas como o transtorno ainda é estigmatizado, pode ser difícil para o depressivo se abrir.

O psiquiatra Luiz Scocca, membro da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e da Associação Americana de Psiquiatria (APA), explica que pelo medo de ser julgada, a pessoa pode esconder a doença e tentar disfarçar os sinais.

Por consequência, não procura ajuda médica e, muitas vezes, alivia os sintomas de modos prejudiciais, como abusando de bebidas alcoólicas.

Queixar-se constantemente de doenças ou dores, assim como a falta de energia, são outros sinais de alerta. Identificou os sintomas em alguém próximo? Chegou a hora de ajudá-lo. Veja o que você pode fazer:

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1 – Ouça com atenção e acolha

Ouvir o que a pessoa tem a dizer é uma das melhores formas de ajudá-la. Olhe nos olhos, preste atenção e leve em consideração o que ela está dizendo. Não desmereça a sua condição. Exerça a empatia e ofereça o seu suporte e acolhimento, sem julgamentos.

2 – Estimule-a a procurar ajuda profissional

As suas intenções poderão ser as melhores, mas elas não substituirão o tratamento de um profissional. “É extremamente importante procurar ajuda profissional. Muitas vezes, a pessoa não quer. Deve-se ser resiliente e continuar sugerindo a consulta com um médico”, diz Luiz.

O psiquiatra conta que a maioria dos seus pacientes chega ao consultório acompanhada de um amigo ou parente — principalmente os homens, que normalmente são mais relutantes em procurar ajuda do que as mulheres. Uma das formas de estimular quem está em depressão a ir ao médico é procurar um bom profissional e se oferecer para marcar a consulta. Além disso, sugira acompanhá-lo.

Relacionamentos, segundo Scocca, são um fator de proteção para quem tem depressão. Pessoas muito sozinhas estão mais suscetíveis a sofrer com a doença até que se agrave. Já quem tem bons amigos ou familiares próximos pode contar com essa ajuda para buscar tratamento.

3 – Desencoraje o consumo de álcool e drogas

Álcool e drogas são válvulas de escape para quem tem depressão. Porém, são muito perigosas, pois podem piorar o quadro pelo seu efeito depressor. Portanto, você pode convidar o seu amigo para socializar e se distrair, mas não o estimule a beber ou a usar qualquer tipo de droga.

4 – Sugira a prática de esportes

A atividade física é uma grande aliada de quem está em depressão. Junto a outros métodos de tratamento, pode melhorar o humor e qualidade de vida. Para estimulá-lo a se exercitar, convide-o para caminhar, praticar algum esporte de grupo, participar de alguma aula ou ir à academia. Além de fazer bem para corpo e mente, a atividade física é um incentivo para sair de casa e socializar.

5 – Incentive a socialização

Quando a pessoa em tratamento estiver se sentindo mais forte ou disposta, você pode tentar animá-la a sair de casa e a socializar com outras pessoas. No começo provavelmente será difícil e ela irá relutar. Mas não desista e muito menos leve as negativas para o lado pessoal. Continue convidando para passeios ou atividade sociais, uma de cada vez, até que uma hora ela vai dizer sim.

6 – Reforce o fato de que a depressão é uma doença que tem tratamento

A depressão não é um transtorno simples, que pode ser superada sem ajuda. Mas é completamente tratável. No início do tratamento, há um período de adaptação e pode ser difícil enxergar um horizonte. Mas é importante lembrar a pessoa deprimida de que, na grande maioria dos casos, o tratamento funciona. Ou seja, uma hora ela vai se sentir melhor.

7 – Não ignore comentários suicidas

Existe uma ideia muito difundida no Brasil que diz que “quem vai se matar não avisa ou tenta, apenas se mata”. Isso é completamente falso. De acordo com Luiz Scocca, metade das pessoas que tentam se suicidar realmente conseguem. Além disso, 35% das tentativas malsucedidas são realizadas de novo dentro de um ano.

Portanto, nunca ignore um comentário sobre suicídio. Pelo contrário, leve-o a sério. Nesse caso, o que você pode fazer é conversar com a pessoa sobre isso e estimulá-la a procurar ajuda profissional o quanto antes. Avisar o terapeuta ou o psiquiatra responsável pelo caso também é uma saída.

Além de nunca ignorar um comentário suicida, não atrapalhe o andamento do tratamento. Isso significa não insistir em concepções falsas sobre a depressão, como a ideia de que é frescura ou uma tristeza passageira. Negar a existência da doença também é perigoso, assim como refutar automaticamente um comentário sobre suicídio.

O ideal, portanto, é oferecer o seu apoio com responsabilidade. Pronto para ajudar?

Referências:

Conteúdo produzido a partir de entrevista com o Dr. Luiz Scocca, membro da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e da Associação Americana de Psiquiatria (APA) em setembro/2018

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Brasileiro ainda sabe pouco sobre depressão, revela Ibope

Há algum tempo a depressão está sendo considerada o “mal do século”. No Brasil, a doença atinge 5,8% da população – taxa que está acima da média global (4,4%), segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Apesar de o assunto ser cada vez mais abordado, ainda há muita desinformação a respeito da depressão e as pessoas sentem vergonha de falar sobre o assunto.

A questão é tabu inclusive entre os mais jovens – população cuja taxa de suicídio vem aumentando nos últimos anos.

“Doenças psiquiátricas ainda são um tabu muito grande. Por isso as pessoas tentam ‘fugir’ da questão ao associá-la a problemas simples, pois são mais fáceis de encarar”

Novos dados revelam que 23% dos adolescentes entre 13 e 17 anos enxergam o transtorno mental como um “momento de tristeza” e não uma doença grave, revela pesquisa realizada pelo Ibope.

“Doenças psiquiátricas ainda são um tabu muito grande. Por isso as pessoas tentam ‘fugir’ da questão ao associá-la a problemas simples, pois são mais fáceis de encarar”, explica o psicólogo André Garcia.

O levantamento ainda mostrou que, na mesma faixa etária, 39% dos adolescentes afirmaram que, caso recebessem o diagnóstico de depressão, não revelariam para familiares.

O porcentual foi mais alto do que a taxa média verificada entre todas as idades (22%).

Esse dado é ainda mais alarmante quando verifica-se a faixa etária entre 25 a 34 anos: 63% das pessoas disseram que não contariam para a família pela vergonha de admitir um quadro depressivo.

No grupo jovem (18 a 24 anos), 56% declararam que não mencionariam o diagnóstico de depressão no ambiente de trabalho ou acadêmico (escola/faculdade).

De todas as faixas etárias analisadas, a menor taxa ficou entre pessoas com 55 anos ou mais (28%). Eles também estão mais bem informados quando o assunto é antidepressivos: 58% acreditam que a medicação é eficiente.

Esse resultado surpreende, já que o tabu sobre a depressão está fortemente associado a pessoas mais velhas.

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A medicação é um problema entre os mais jovens: 53% acreditam que os medicamentos para depressão não funcionam ou não têm certeza de sua eficiência. Outro dado problemático aponta que 29% deles não acreditam que a depressão possa ser tratada com sucesso.

Entre a população mais velha, apenas 18% têm essa visão. “As pessoas não acreditam que a depressão possa ser curada porque só ouvem falar de casos do transtorno, mas nunca de pacientes que superaram a doença.

Não há um costume de falar sobre a solução, apenas do problema”, explica Garcia.

A crença pode afetar a adesão ao tratamento: 23% dos jovens de 18 a 24 anos revelaram que não tomariam antidepressivos mesmo sob prescrição médica. Atitude semelhante foi notada em 34% dos adolescentes (13 a 17 anos). Nesse mesmo grupo, 12% afirmaram que não procurariam um psiquiatra, mesmo tendo recebido encaminhamento médico.

População masculina

O cenário de desinformação e preconceito é preocupante entre a população masculina. A pesquisa mostra que 55% dos homens acreditam que ter uma atitude positiva e ser alegre são medidas suficientes para vencer a depressão. O levantamento indica também que 29% não sabem que a doença não está relacionada a um “sinal de fraqueza” ou pouca força de vontade. 

Entre eles, a vergonha e o medo de preocupar é motivo para 47% dos homens deixarem de informar a família sobre o diagnóstico de depressão. Quando o assunto é tratamento, 21% afirmaram que não tomariam antidepressivos.

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População feminina

Entre as mulheres, o cenário é um pouco mais animador: 58% delas sabem que ser positivo e alegre não são fatores suficientes para superar a depressão.

Além disso, 83% das mulheres estão convencidas de que a doença não está relacionada à falta de Deus ou sinal de pouca fé.

Ainda assim, 41% dessa população não contaria para a família, pois temem ser rotuladas de “estar querendo chamar atenção”.  

Depressão e suicídio

O levantamento verificou o contato dos entrevistados com a depressão e o suicídio. Os dados indicam que 66% conhecem alguém diagnosticado com depressão severa – esse número sobe para 73% entre as mulheres. Enquanto isso, 41% afirmam ter conhecido alguém que cometeu suicídio.

Por outro lado, o pensamento suicida não é levado a sério entre homens (28%) e pessoas mais velhas (32%). Os dados apontam que o desabafo do próximo sobre “a vida não valer a pena” ou como a “morte como uma solução” foi recebida com descaso por esses grupos, com a primeira reação sendo “pare de pensar em bobagens”.

A falta de conhecimento sobre a depressão e as causas do suicídio contribui muito para que as pessoas descartem a gravidade do problema e deixem de procurar ajuda profissional. Ainda existe a crença de que psicólogo e psiquiatra é coisa para louco. Eu não sou louco, então não preciso. Mas não é assim.

conclui o psicólogo.

Depressão

depressão é um transtorno psiquiátrico que pode ser desencadeado por diversos fatores, como carga genética e ambiente onde o indivíduo está inserido; no entanto, os especialistas ainda não chegaram a um consenso sobre qual deles é predominante. No Brasil, estima-se que sejam diagnosticados aproximadamente 2 milhões de casos por ano e, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), pelo menos 30% da população mundial vai enfrentar algum episódio de depressão ao longo da vida.

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Além do preconceito com os transtornos mentais, a dificuldade de interpretar os sintomas faz com que uma pessoa demore a procurar ajuda. Os sinais podem ser confundidos com sentimentos naturais do ser humano, como tristeza, indiferença e desânimo.

Esses sentimentos passam a configurar um quadro de depressão clínica quando a variação do humor começa a afetar negativamente vários aspectos da vida do paciente – da produtividade no trabalho e nos estudos às relações com outros indivíduos, passando pela qualidade do sono e a disposição física para realizar as atividades do dia a dia.

O tratamento da depressão inclui psicoterapia, medicamentos (em alguns casos e sob recomendação médica) e até mesmo a prática de atividade física e uma boa alimentação. 

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