Como agir para acabar com a fome no mundo: 11 passos

Na Semana Mundial da Alimentação, que encerrou esta sexta-feira, as Nações Unidas alertaram que mais de 815 milhões de pessoas não têm o suficiente para comer no mundo.

Cerca de 155 milhões de crianças com menos de cinco anos de idade sofrem com subnutrição crônica. Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, uma em cada duas mortes de menores é causada pela fome.

O diretor-geral da agência, José Graziano da Silva, diz que “com frequência pessoas perguntam se ele realmente acredita se é possível erradicar a fome até 2030”, e que a resposta dele é “sim, eu acredito”.

Brasil

Graziano cita como exemplo o seu país, o Brasil que “praticamente conseguiu eliminar a fome em menos de 10 anos”. Em 2001, 11% da população brasileira não tinha o suficiente para se alimentar. Este índice passou para 2% em 2010.

Em mensagem lida em nome do papa Francisco, ele também chamou a atenção para o problema. Para o chefe da Igreja Católica, “a luta contra a fome necessita de financiamento urgente, do fim das barreiras comerciais e, acima de tudo, uma grande resiliência diante das mudanças climáticas, crise econômica e guerras.

Como Agir para Acabar com a Fome no Mundo: 11 PassosMulher prepara bolos de barro, discos de barro, manteiga e sal que se tornaram um símbolo da pobreza extrema e fome no Haiti.

#FomeZero

Como Agir para Acabar com a Fome no Mundo: 11 Passos

Como parte da campanha #FomeZero, a FAO preparou uma lista com quatro ações que podem ajudar a alcançar um mundo onde todos tenham o que comer. Leia abaixo as dicas da agência:

1. Não desperdice comida

Se você tiver sobras, congele elas para mais tarde ou use elas como ingrediente para fazer uma nova refeição. Quando comer num restaurante, peça uma meia porção se não estiver com muita fome, ou peça para levar o que sobrou para casa.

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2. Produza mais, com menos

Até 2050, a estimativa é que o número de habitantes no planeta chegue a 9 bilhões de pessoas.

Por isso, agricultores precisam encontrar novas formas e maneiras mais eficientes de produzir alimentos, além de diversificar as plantações.

Uma abordagem integrada de agricultura pode ajudar os produtores a aumentar as colheitas, e assim, os lucros. Além disso, também pode contribuir para melhorar a qualidade da terra.

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3. Adote uma dieta mais saudável e sustentável

Encontrar tempo para preparar refeições nutritivas pode ser um desafio numa vida com o ritmo rápido, principalmente quando não se sabe como fazer isso. Refeições nutritivas não precisam ser elaboradas.

Na verdade, elas podem ser feitas de uma maneira rápida, fácil, e utilizando poucos ingredientes. Compartilhe suas receitas nutritivas com sua família, amigos, colegas e online.

Siga chefs de cozinha e bloggers online para aprender novas receitas ou converse com o seu fornecedor local para aprender como eles preparam o que produzem em casa.

4. Defenda a #FomeZero

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Todos têm um papel na construção de um mundo com #FomeZero, mas países, instituições e pessoas precisam trabalhar em conjunto para alcançar este objetivo. A FAO estimula a estabelecer parcerias #FomeZero, compartilhar conhecimento e recursos, desenvolver estratégias e descobrir novas oportunidades para contribuir no combate à fome.

Outra sugestão é discutir o assunto com autoridades locais e nacionais, promover programas educacionais relacionados à questão e espalhar a mensagem do #FomeZero através da sua rede de conhecidos.

O que as Nações Unidas fazem para acabar com a fome

Um dos focos da ONU tem sido a questão da fome e desnutrição. Abaixo você confere algumas das maneiras como a organização está contribuindo atualmente para alcançar a #FomeZero no futuro:

1. Ajuda a pequenos agricultores para que produzam mais com menos

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Na África Subsaariana e na Ásia, 80% das terras agrícolas são administradas por pequenos agricultores (até 10 hectares). A FAO fornece treinamentos, fontes de sementes com mais qualidade, ferramentas agrícolas e fertilizantes para garantir maiores rendimentos.

Entre os projetos mais importantes estão as escolas de campo para agricultores, onde estudantes aprendem na prática gestão de negócios agrícolas, comercialização de produtos, conscientização do mercado e adaptação às mudanças climáticas para aumento de resiliência.

2. Fornecimento de alimentos em crises humanitárias

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O Programa Mundial de Alimentos, PMA, distribui alimentos após desastres naturais ou em crises humanitárias criadas por conflitos ou emergências de saúde. Muitas vezes é preciso superar grandes desafios logísticos para realizar o trabalho.

Em 2017, 91 milhões de pessoas receberam assistência alimentar em 83 países e 18 milhões de crianças receberam merenda escolar em 60 países através do trabalho do PMA.

Uma forma das pessoas apoiarem estes esforços diretamente é através do aplicativo ShareTheMeal, “compartilhe uma refeição” em português.

O aplicativo já permitiu o compartilhamento de mais de 27 milhões de refeições com países no Oriente Médio, Bangladesh, Haiti, Sudão do Sul e da região do lago Chade, através de uma simples clicada.

A ONU acredita que a ferramenta tem o potencial de fazer uma diferença real.

3. Combate à desnutrição

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Para lidar com as deficiências nutricionais no mundo o Fundo da ONU para Infância, Unicef, e a Organização Mundial da Saúde, OMS, têm uma parceria onde fornecem tratamento de emergência e alimentos terapêuticos para crianças e mulheres grávidas ou lactantes.

As agências também abriram centros de tratamento comunitários, realizam esforços de capacitação em centros médicos em todo o mundo e treinam mães sobre as melhores práticas alimentares.

4. Foco em sistemas econômicos locais

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Ao fornecer assistência, a ONU quer garantir que economias locais tenham apoio e sejam abastecidas sempre que possível. O Programa Mundial de Alimentos, PMA, se comprometeu em comprar 10% dos alimentos que utiliza de pequenos agricultores.

Em crises humanitárias, o apoio com transferência de dinheiro de forma eletrônica e vales-alimentação também são essenciais para impulsionar economias locais.

Além disso, ao registrar e rastrear facilmente as transações, é possível aumentar a transparência e eliminar os custos de distribuição e armazenamento de alimentos.

 O PMA também tem o programa Compras para o Progresso, uma iniciativa que incentiva governos e o setor privado a comprar alimentos de maneira que ajude pequenos produtores. O programa foi implantado em 35 países e mudou a forma como mais de 1 milhão de pequenos agricultores interagem com os mercados.

5. Desenvolvimento de projeções de vulnerabilidade e análises

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O Análise e Cartografia da Vulnerabilidade do Programa Mundial de Alimentos permite que a ONU monitore a segurança alimentar em situações diversas e flutuações de mercado. As informações apoiam tomadas de decisão de programas em todo o mundo. ]

Já o Mapa da Vulnerabilidade da Mudança Climática e da Insegurança Alimentar da ONU, lançado durante a conferência de mudança climática em Paris em 2015, examina como a mudança climática pode aumentar a fome no mundo.

6. Empoderamento de mulheres e meninas rurais

As mulheres representam 43% da força de trabalho rural em países em desenvolvimento, e quase 50% no leste e sudeste da Ásia e na África subsaariana.

A FAO crê que se agricultoras tivessem o mesmo acesso a recursos produtivos que os homens, elas poderiam aumentar o rendimento de suas produções de 20% a 30%, tirando entre 100 e 150 milhões de pessoas da fome. Esta é a razão pela qual as Nações Unidas, entre várias iniciativas, colocam ênfase no empoderamento de mulheres e meninas rurais.

7. Promoção de conscientização e mudanças

 O alcance da #FomeZero é o segundo dos objetivos de desenvolvimento sustentável, adotados por 193 Estados-membros em 2015. Para atingir as várias metas até 2030, a ONU está aumentando a conscientização de governos, setor privado, indivíduos e agricultores.

Como diz o chefe da FAO, “nós sabemos o que precisa ser feito, e nós temos que agir agora.” 

18 dicas para evitar desperdício de alimentos

Como Agir para Acabar com a Fome no Mundo: 11 Passos Imagem de pop picnic por Pixabay

O desperdício de alimentos é uma questão grave e que exige atenção. O crescimento populacional estimulou a indústria alimentícia e hoje a quantidade produzida no mundo já seria suficiente para suprir a demanda de toda a população mundial. No entanto, estima-se que cerca de um terço da produção mundial acaba no lixo e o desperdício de alimentos agrava o problema da fome, que voltou a crescer no mundo.

O atual ritmo de produção e consumo de alimentos não é sustentável a longo prazo, como mostra o crescimento da fome no mundo. Os últimos dados, divulgados pela FAO em 2018, mostram que o índice de insegurança alimentar grave (fome) na América Latina saltou de 7,6% em 2016 para 9,8% da população total em 2017.

Enquanto isso, só no Brasil, cada pessoa desperdiça 41,6 kg de alimentos por ano, considerando apenas o desperdício de alimentos que ocorre nas refeições feitas em casa, segundo pesquisa realizada pela Embrapa em parceria com a FGV em 2018. Arroz, carne vermelha, feijão e frango são os alimentos mais jogados fora.

Esse desperdício doméstico representa quase 30% de toda a perda de calorias que ocorre na América Latina. Dados da FAO mostram que 28% do desperdício de alimentos ocorre na fase de produção, 28% na fase de consumo, 22% no manuseio e armazenamento, 17% na distribuição e comercialização e 6% na fase de processamento.

  • Desperdício de alimentos: causas e prejuízos econômicos e ambientais

Por esses motivos, para evitar a emissão desnecessária de poluentes e pela economia da água usada na produção, é fundamental saber como evitar o desperdício de alimentos em casa. Confira o vídeo e as dicas que reunimos abaixo e comece a mudar essa situação agora mesmo.

Atitudes para reduzir o desperdício de alimentos na sua casa

1. Faça uma lista de compras

Realize uma parada obrigatória na despensa e na geladeira antes de ir ao mercado fazer compras. Verifique quais alimentos você realmente precisa comprar e evite fazer estoques desnecessários.

2. Verifique a validade dos produtos

Na hora de cozinhar, dê preferência aos alimentos que estão próximos do vencimento. Se tiver dificuldade na hora de organizar a despensa, anote quais são eles em uma lista e cole na geladeira para não desperdiçar.

3. Aumente a periodicidade das compras

Em vez de fazer uma compra por mês, ir ao mercado mais vezes e comprar menos produtos é uma ótima medida para evitar o desperdício de alimentos – o fato de comprar menos coisas de cada vez também vai te ajudar a carregar menos peso ou até permitir comprar no mercado local, evitando deslocamentos longos ou o uso do carro e favorecendo a economia local.

4. Cuidado com promoções

As promoções costumam ser irresistíveis, no entanto, são as grandes vilãs do consumo consciente.

Elas nos estimulam a comprar um número alto de produtos, muitas vezes desnecessários e que acabam se estragando.

Fique atento! Uma estratégia para evitar o desperdício de alimentos é usar as promoções para variar as coisas que você sempre come: substituindo a compra de algum item pelo produto em oferta.

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5. Acondicione os alimentos corretamente

Antes de guardar frutas, verduras e legumes na geladeira, higienize-os e e seque-os. Depois de consumir, guarde esses alimentos em embalagens hermeticamente fechadas para evitar a proliferação de bactérias.

6. Congele as sobras

Se cozinhar demais ou se comprar muitos alimentos frescos, congele as sobras ou use a técnica de branqueamento para congelar legumes, frutas e verduras. Saiba mais nas matérias: “Como congelar legumes, frutas e verduras” e “Quanto tempo dura cada alimento congelado?”.

7. Aproveite os alimentos em sua totalidade

Literalmente, aproveite seus alimentos até o talo. É possível reaproveitar partes não convencionais, como as sobras e cascas das frutas, por exemplo – saiba mais na matéria “16 dicas de reaproveitamento de alimentos”.

8. Não descarte apenas pela aparência

Se uma fruta ou legume apresentar uma aparência feia em algumas partes, corte-as e use o que sobrou. Não há nenhuma necessidade de jogar tudo fora.

Conservação de alimentos

9. Queijos

Eles permanecem sem estragar de cinco dias a um mês, se bem conservados na geladeira. Os modelos mais molinhos, como ricota e minas, aguentam no máximo cinco dias, enquanto que os mais duros, como provolone e parmesão, têm maior tempo de conservação. Você deve dispensar o queijo quando ele apresentar pontos esverdeados em sua superfície e sua cor for alterada.

10. Vinhos

Para consumir como bebida, o ideal é tomá-lo em um dia, já que, depois de abertos, os vinhos sofrem oxidação – o oxigênio entra na garrafa e reage com a bebida, alterando seu sabor e aroma.

Se você quiser prolongar a vida do produto e evitar o seu desperdício, basta usar o vinho como tempero – neste caso ele dura até um mês.

Você também pode congelar o vinho em formas de gelo para usá-lo em molhos e receitas.

11. Frutas, verduras e legumes

Se forem higienizados e secos antes de serem armazenados na geladeira, esses alimentos em geral duram cinco dias. Com exceção das frutas tropicais, como banana e abacate, que, se forem para a geladeira, vão escurecer.

12. Fermento

Se for o químico em pó, dura até seis meses na geladeira, sem prejudicar o crescimento do seu bolo. Já o biológico, que é muito utilizado para fazer pães, não ultrapassa três dias depois de aberto porque contêm leveduras. Quando elas morrem, o fermento para de funcionar.

13. Comida pronta

Após a refeição, guarde as sobras de alimentos em recipientes fechados com tampa e leve-os para a geladeira. Feito isso, sua comida pronta vai durar em média três dias. Você também pode congelar pequenas porções para ter comida saudável pronta nos dias em que não conseguir cozinhar.

14. Ketchup, maionese e mostarda

Assim como os enlatados, possuem muitos conservantes que não fazem bem à saúde. O ideal é o consumo moderado desses produtos. A vantagem é que eles duram de um mês (maionese) a um ano (ketchup) na geladeira, de modo que é relativamente fácil evitar o desperdício desses alimentos.

  • Conservantes: o que são, quais os tipos e perigos

15. Leite

Se for pasteurizado, deve ser consumido em um dia, porque azeda rapidamente, ao contrário do longa vida, que dura de três a quatro dias na geladeira.

16. Enlatados

Duram de quatro a cinco dias depois de aberto, mas o ideal é consumi-los logo após a abertura. No entanto, evite esses tipos de alimentos porque, segundo um estudo dos Estados Unidos, comida enlatada faz mal à saúde – quem a consome fica exposto a compostos como bisfenol-A e ftalatos, sem contar a grande quantidade de conservantes.

  • O que são alimentos in natura, processados e ultraprocessados

17. Carnes

Lembre-se que as carnes possuem um alto nível de pegada hídrica (consomem muita água em sua produção), por isso, procure alternativas para repor proteínas. Caso você não venha a preparar a carne logo depois que a comprou, o ideal é congelá-la para que dure mais (na geladeira, ela começa a se deteriorar em cerca de dois dias), ou então embale-a a vácuo.

18. Manteiga

Aguenta três meses sob refrigeração por conter bastante gordura em sua composição. O máximo que pode acontecer é aparecer uma capa amarela escura – basta raspar essa capa para voltar ao uso normal do produto.

Veja também:

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5 passos para acabar com a fome até 2030

O Centro de Excelência do Programa Mundial de Alimentos, ligado à ONU, preparou essa lista com cinco estratégias de políticas públicas que se bem implementadas podem acabar com a fome no mundo. Veja como você também pode contribuir em algumas dessas ações:

1 – Priorizar quem mais precisa
821 milhões de pessoas passam fome no mundo, e esse número vem aumentando. Há várias explicações para isso, e uma delas é a desigualdade.

Para vencer a fome, precisamos alcançar as pessoas mais vulneráveis, aquelas que mais precisam de ajuda. Precisamos proteger as pessoas mais pobres do mundo e criar condições para que elas também prosperem.

O desenvolvimento inclusivo é bom para todo mundo e para a economia de nossos países.

2 – Garantir acesso de pequenos agricultores ao mercado
Todos nós precisamos consumir alimentos nutritivos e por um preço justo. Para garantir que 7 bilhões de pessoas possam fazer isso, precisamos de cadeias de abastecimento eficientes.

Os agricultores, principalmente os agricultores familiares, precisam ter acesso a mercados para vender seus produtos. Precisam também de infraestrutura básica, como estradas e eletricidade, para beneficiar, estocar e transportar os alimentos que produzem.

3 – Reduzir o desperdício de alimentos
Produzimos 4 bilhões de toneladas de alimentos todos anos, mas jogamos um terço no lixo.

Junto com a comida, jogamos fora também a água, o solo, a energia e a força de trabalho que usamos para produzi-la. Isso gera um prejuízo de 750 bilhões de dólares por ano.

Precisamos combater o desperdício de alimentos desde a produção até o consumo final. Não é justo ter gente passando fome enquanto jogamos comida fora.

4 – Incentivar a diversidade de culturas agrícolas
Em todo o mundo, quatro tipos de alimentos são responsáveis por 60% de todas as calorias que ingerimos: arroz, trigo, milho e soja.

Para resolver os desafios de garantir comida nutritiva para todas as pessoas e se adaptar às mudanças no clima, precisamos de maior diversidade na produção de alimentos. Temos que trabalhar com os agricultores para que tenham acesso a conhecimentos e habilidades.

E temos que atuar também junto aos consumidores para informá-los sobre a importância nutricional de uma alimentação diversificada.

5 – Priorizar a nutrição, começando pelas crianças
Comer bem é importante em todas as fases da vida, mas nada é mais determinante para o desenvolvimento de uma criança do que boa saúde e nutrição.

E isso começa já na barriga da mãe.

Por isso falamos que os primeiros mil dias de vida da criança, que vão do comecinho da gravidez até os dois anos de idade, são cruciais para o desenvolvimento pleno e saudável desses meninos e meninas.

Como Agir para Acabar com a Fome no Mundo: 11 Passos

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Como acabar com a fome no mundo? artigo de José Eustáquio Diniz Alves

[EcoDebate] De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) existiam 925 milhões de pessoas com fome ou em situação de insegurança alimentar no mundo, em 2010, o que correspondia a 13% da população mundial. A escassez de alimentos e a desnutrição acontece no meio da abundância de bens e serviços na economia internacional. A humanidade já possui todas as armas para vencer a fome e já existem diversas soluções pensadas, mas falta colocar em prática.

Vejamos algumas alternativas para acabar com a fome no mundo:

Uma primeira alternativa seria a eliminação ou, pelo menos, a redução dos gastos militares no mundo que estão na ordem de US$ 1,6 trilhão de dólares ao ano. Este dinheiro seria suficiente não só para acabar com a fome como para reconstruir áreas cultiváveis degradadas.

Existem alguns milhões de homens e milhares de mulheres que passam a vida ativa na caserna fazendo trabalhos inúteis ou preparando guerras e ações militares que provocam mortes e danificam o meio ambiente.

Se os recursos financeiros e humanos usados em gastos militares forem redirecionados para atividades produtivas a fome poderia ser eliminada, a educação e a saúde poderiam avançar, etc. Além de tudo, o movimento pacifista mundial agradeceria.

Uma segunda alternativa seria utilizar apenas fontes vegetais de nutrientes na alimentação. Os vegetais são seres vivos que produzem a sua própria alimentação (por meio da fotossíntese) e não possuem as capacidades de senciência dos animais.

Os vegetais são capazes de fornecer tudo o que o organismo humano precisa para se nutrir: proteínas, carboidratos, lipídios, vitaminas e sais minerais.

Portanto, deixar de comer peixes, carnes e derivados não só salvaria a vida de bilhões de seres sencientes que sofrem – na vida e na morte quando vão para os abatedouros – como abriria a possibilidade de transformar as áreas de pastagens, de confinamento de animais e de produção de ração para o gado em áreas de plantação de alimentos saudáveis, orgânicos e nutritivos. Seria uma também alternativa para a evitar a degração ambiental dos solos e da água e para a redução do aquecimento global (o metano é um dos principais gases de efeito estufa). Além disto seria uma alternativa adequada à filosofia do vegetarianismo e do veganismo, além de viabilizar o fim da “escravidão animal”.

Uma terceira alternativa seria eliminar o consumo e a produção de drogas e de bebidas alcoólicas, os jogos de azar, os cassinos e os jogos que utilizam animais como touradas, rodeios, corridas de cavalos, cachorros e camelos, brigas de galos, etc.

Estas atividades são prejudiciais para a saúde dos humanos e dos não-humanos e envolvem uma industria – legal ou ilegal – de trilhões de dólares.

O fim destas atividades seria suficiente para acabar com a fome e a pobreza extrema no mundo, evitaria muitas mortes por overdose, cirrose e acidentes de trânsito, além de liberar recursos para investimentos na educação, saúde, ciência e tecnologia, recuperação de florestas e ambientes degradados, etc.

Uma quarta alternativa seria proibir a produção de alimentos visando o lucro e eliminar os atravessadores na comercialização da comida e os especuladores que fazem fortunas nos mercados futuros de alimentos.

Numa perspectiva socialista ou comunitária, poderia se transformar todas as empresas capitalistas de alimentos em cooperativas sem fins lucraticos, controladas pelos trabalhadores, produtores rurais e pela comunidade e consumidores.

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Os alimentos seriam produzidos para a vida e não para o lucro.

Uma quinta alternativa seria eliminar ou reduzir ao máximo o desperdício na produção, transporte, armazenamento, comercialização e consumo de alimentos. Somente esta alternativa já seria suficiente para acabar com a fome no mundo.

Mas, evidentemente, não é fácil acabar com os desperdícios, pois os alimentos são, em geral, bens perecíveis e de difícil conservação.

Evitar a perda na colheita significa investir muito para recuperar as sobras da produção, assim como seria preciso grandes investimentos para evitar perdas em toda a cadeia produtiva.

Ajudaria muito promover uma educação para ensinar as pessoas a não deixarem comida no prato, não deixar passar o prazo de validade dos produtos, evitar as perdas nos restaurantes, etc. Para complicar, os desperdícios tendem a aumentar quando o preço dos alimentos caem ou quando a renda das pessoas sobe. Mas o fim do desperdício também seria o fim da fome no mundo.

Uma sexta alternativa seria eliminar ou reduzir ao máximo a gravidez indesejada, pois os dados mostram que a fome atinge em maior proporção as crianças e os países pobres que não possuem meios para universalizar os serviços de saúde sexual e reprodutiva, conforme acertado pelos Objetivos do Desenvolvimento do Milênio (ODM).

Segundo o International Food Policy Research Institute (IFPRI) o Índice Global da Fome (IGF) apresenta as categorias alarmante e extremamente alarmante, especialmente naqueles países onde existem altas taxas de fecundidade. A Organização Mundial de Saúde (OMS) mostra que existem 215 milhões de mulheres no mundo que não possuem acesso aos métodos modernos de regulação da fecundidade.

O número de nascimentos é de 135 milhões por ano. Além disto, muitas mulheres são vitimas de violência sexual e da segregação de gênero, o que impede que elas tenham autonomia social e econômica e capacidade de autodeterminação reprodutiva. Além disto, alta dependência demográfica nas famílias aumenta a competição por alimento entre os filhos, o que prejudica os mais fracos e necessitados.

O fim da gravidez indesejada ajudaria a reduzir a fome.

Uma sétima alternativa seria uma distribuição mais justa dos alimentos.

Dos 7 billhões de habitantes do mundo, pouco menos de 1 bilhão passam fome, cerca de 3 bilhões se alimentam de maneira razoável e os outros 3 bilhões consomem alimentos acima do necessário.

Se estes 3 bilhões (que representam os ricos e as classes médias) reduzirem em 20% suas dietas alimentares, liberariam comida suficiente para alimentar a parcela dos 13% da população mundial que passa fome. Isto também contribuiria para diminuir a obesidade no mundo.

Uma oitava alternativa seria implementar a meta 1B dos Objetivos do Desenvolvimento do Milênio (ODM) que convoca os países a: “Alcançar o pleno emprego produtivo e o trabalho decente para todos, incluindo mulheres e jovens”. Se todas as pessoas do mundo tiverem emprego decente e renda então também terão dinheiro para colocar comida na mesa.

Ou seja, para acabar com a fome do mundo seria preciso a efetivação de pelo menos uma das oito alternativas ou a aplicação combinada de partes delas, vale dizer: reduzir gastos militares, incentivar uma dieta vegetariana, reduzir o consumo de drogas, bebidas alcoólicas e do dinheiro gasto em jogos, combater os atravessadores e especuladores de alimentos, reduzir os desperdícios, reduzir o crescimento populacional não desejado, repartir melhor o pão entre os cidadãos e cidadãs do mundo e criar políticas de pleno emprego com trabalho decente.

Evidentemente, na teoria é fácil acabar com a fome. O difícil é mexer com os inúmeros interesses pessoais, locais, grupais, regionais e nacionais envolvidos. Cada pessoa pode e deve fazer sua parte. Mas sem políticas macroeconômicas e institucionais, envolvendo todos os países do mundo, o problema da fome e da degradação ambiental não será resolvido.

O Rascunho Zero da Rio + 20 fala muito em acabar com a pobreza e a fome no mundo. Só não mostrou o mapa do caminho. Talvez estas óctuplas alternativas possam contribuir para o documento final da Conferência ou, no mínimo, poderá ser pauta de discussão na Cúpula dos Povos da Rio + 20.

José Eustáquio Diniz Alves, colunista do EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: [email protected]

EcoDebate, 24/01/2012

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Com apenas um clique, usuários de novo aplicativo da ONU podem acabar com a fome de crianças sírias

‘ShareTheMeal’, desenvolvido pelo Programa Mundial de Alimentos, está disponível para os sistemas Android e iOS. Com apenas 50 centavos em doação, é possível oferecer comida para uma criança síria por um dia inteiro.

Criança internamente deslocada é alimentada em Homs, na Síria. Foto: PMA / Abeer Etefa

O Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PMA) lançou nesta quinta-feira (12) um aplicativo gratuito que torna possível para qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, alimentar crianças sírias que passam fome.

Através de doações, o programa ShareTheMeal permite a usuários ‘compartilhar’ uma refeição com meninos e meninas sírias que recebem assistência da agência da ONU.

Por apenas 50 centavos doados, uma criança adquire comida para um dia inteiro.

O aplicativo mostra para o usuário o destino de suas doações. As contribuições vão beneficiar crianças refugiadas da Síria que fazem parte do programa de refeições escolares do PMA na Jordânia.

Como o número de indivíduos que utilizam smartphones no mundo equivale a 20 vezes a quantidade de crianças passando fome, o PMA acredita que o potencial do ShareTheMeal é enorme. Testes do aplicativo em países europeus mostraram que 120 mil usuários conseguiram oferecer mais de 1,7 milhão de refeições para estudantes de Lesoto, país no sul da África.

Segundo a diretora executiva do PMA, Ertharin Cousin, essa nova forma digital de ‘compartilhar’ uma refeição com alguém é uma maneira tangível pela qual a Geração Fome Zero pode agir para acabar com a fome.

O ShareTheMeal está disponível para os sistemas Android e iOS e pode ser adquirido em lojas de aplicativos no mundo todo ou por aqui.

Brasil anda a passos largos de volta ao Mapa da Fome, alerta ONU

Publicado: 13 Maio, 2020 – 09h27 | Última modificação: 13 Maio, 2020 – 09h34

A inexistência de uma agenda de políticas públicas por parte do governo federal para conter o avanço da pandemia do coronavírus no Brasil torna praticamente inevitável a escalada de propagação da doença pelos próximos meses, com resultados catastróficos para as populações socialmente mais vulneráveis.

O Banco Mundial prevê que a crise pode empurrar para a pobreza extrema mais de 5,5 milhões de brasileiros neste ano, levando o país a entrar novamente no radar do Mapa da Fome das Nações Unidas.

A avaliação é do diretor do escritório no Brasil do Programa Mundial de Alimentos (WFP, na sigla em inglês), Daniel Balaban.

“O país está hoje com um número muito de alto pessoas em extrema pobreza, que ganham menos de US$ 1,90 por dia – o equivalente a R$ 11. São 9,3 milhões, segundo dados de 2018”, afirmou Balaban, em entrevista ao jornal ‘O Estado de S. Paulo’.

“O Brasil saiu do Mapa da Fome em 2014. Agora, está caminhando a passos largos para voltar”, avaliou, citando os dados do relatório do Banco Mundial. Balaban criticou a atuação do governo do presidente Jair Bolsonaro no combate ao coronavírus.

“O grande drama que vejo é que não há uma unicidade, um comando que lidere o Brasil como um todo para sair desta pandemia”, disse o diretor das Nações Unidas.

“Cada estado toma suas próprias decisões, os municípios também estão tomando.

O governo federal tem uma linha difusa, não sabe se apoia ou não a Organização Mundial da Saúde (OMS), se apoia a quarentena ou não. Isso fica muito complicado”, criticou.

Brasil saiu do Mapa da Fome no governo Dilma

O Brasil deixou o Mapa da Fome durante o primeiro mandato da ex-presidenta Dilma Rousseff, em 2014.

À época, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) divulgou um relatório com dados do estado da segurança alimentar no mundo, no qual as políticas públicas do país mereceram destaque especial.

A agência dirigida em Roma pelo criador do Fome Zero, José Graziano da Silva, constatou que a fome no Brasil havia caído 82% entre 2002 e 2013.

Graças às ações e programas implementados primeiramente na gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, depois, aprofundados por Dilma Rousseff, o Indicador de Prevalência de Subalimentação, instrumento empregado pela FAO há mais de cinco décadas para avaliar o estado da segurança alimentar no mundo, ficou abaixo de 5%. O limite é estabelecido como parâmetro para que um país entre ou deixe o Mapa da Fome.

“Sair do Mapa da Fome é um fato histórico para o país”, comemorou a então ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello. “A fome, que persistiu durante séculos no Brasil, deixou de ser um problema estrutural”, afirmou.

Naquele ano, a subnutrição passou a ser tratada como um problema isolado. “Chegamos a um percentual de 1,7% de subalimentados no Brasil. Isso significa que 98,3% da população brasileira tem acesso a alimentos e tem segurança alimentar”, observou Campello.

“É uma grande vitória.”

Pela primeira vez, um governo integrou programas e articulou cadeias de ações e medidas para combater a pobreza em várias frentes.

Em pouco mais de uma década, foram gerados 21 milhões de empregos, com crescimento real do salário mínimo de 71,5%, um aumento inédito na renda dos mais pobres. O programa Bolsa Família atendeu mais de 14 milhões de famílias.

Já o Merenda Escolar disponibilizou refeições a mais de 43 milhões de crianças e jovens. Em uma década, a ingestão de calorias para a população cresceu mais de 10%.

O Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), iniciativa que permitiu a compra institucional da produção alimentar do pequeno agricultor, virou referência internacional. O programa promoveu o acesso à alimentação em escolas, creches e pequenos vilarejos do Brasil profundo, ao mesmo tempo em que fortaleceu a agricultura familiar. Só em 2015, o governo garantiu R$ 25 bilhões para o setor.

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Extinção do Consea

O governo viabilizou ainda a participação efetiva da sociedade civil na formulação de políticas públicas ao recriar, em 2003, o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), instrumento de diálogo, transparência e governança. Por meio de uma ampla e democrática discussão com organizações sociais, o governo definiu as diretrizes do Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional.

No início de 2019, em uma inequívoca demonstração da linha anti-democrática que daria o tom de seu governo, o presidente Jair Bolsonaro extinguiu o Consea. O fim do conselho, um ato de desprezo pelo diálogo entre os diferentes atores da sociedade civil, foi lamentado pelo diretor do Programa Mundial de Alimentos.

“[O Consea] foi extremamente importante. Muitas políticas concebidas a partir do início do século 21 foram aperfeiçoadas através desse conselho. O governo não é obrigado a seguir, se não concordar. O Brasil criou o Consea e hoje vários países do mundo têm conselhos criados com base nele”, observou Daniel Balaban ao ‘Estado de S. Paulo’.

Pequeno agricultor

Em entrevista concedida ao programa Canal Agrovoz, o diretor do órgão a ONU também reivindicou o fortalecimento do pequeno agricultor, severamente atingido pela crise e pela falta de políticas públicas.

O Programa de Aquisição de Alimentos, que já teve orçamento de R$ 1,2 bilhão, hoje não passa de R$ 100 milhões. “O pequeno agricultor familiar é responsável por toda a nossa alimentação.

Não é possível que fiquem sofrendo os reveses de uma crise, eles são a base da sustenção de um país como o Brasil”, afirmou Balaban.

“É muito importante que a gente olhe para eles, que foque neles, que se faça políticas públicas que sejam sustentáveis’, destacou.

“Se nós não tivermos capacidade de atender aos nosso produtores, quem terá?” No âmbito da crise, pontuou o diretor, o mundo precisará de alimentos que sejam acessíveis a todos.

“E como barateamos o alimento? Fazendo com que as políticas públicas possam dinamizar a produção e ofertar una renda qualificada para os produtores. Só assim sairemos de uma forma melhor dessa crise”, ressaltou.

O diretor do órgão da ONU defendeu ainda uma restruturação social e econômica dos governos. “Vamos precisar de uma economia mais participativa, na qual todos caibam nesse processo. Temos um problema mundial fortíssimo, chamado concentração de renda”, avaliou Balaban.

”O mundo precisa desconcentrar”, opinou o diretor, referindo-se à parcela 1% mais rica da população, notadamente banqueiros e proprietários de grandes fortunas. “As crises vêm para que possamos aprender.

Sairemos mais fortalecidos, e o mundo será mais justo e mais equânime depois que tudo isso acabar”.

11 estratégias para lidar com a compulsão alimentar e reduzir seus sintomas

Quem nunca exagerou na quantidade de comida ou continuou comendo mesmo sem fome? De vez em quando, esses comportamentos podem fazer parte da rotina sem comprometer a saúde e eles são erroneamente confundidos com a compulsão alimentar. O Transtorno da Compulsão Alimentar, no entanto, é diferente: nele as pessoas consomem grandes quantidades de alimentos de forma impulsiva e rapidamente, em intervalos curtos e depois se sentem culpadas e tristes por essa situação.

Esse problema de saúde geralmente surge como uma forma de lidar com os afetos negativos e é comum que a pessoa não consiga se controlar. Além de consumir alimentos em excesso, a pessoa com compulsão alimentar come mais rápido do que o normal, geralmente evita se alimentar na frente de outras pessoas e sente muita vergonha após a compulsão.

É comum também que o compulsivo continue comendo de forma descontrolada mesmo quando estiver satisfeito. Alguns chegam a esconder ou estocar comida para comer mais tarde em segredo.

A compulsão alimentar ocorre devido a um conjunto de fatores, mas é mais frequente em pessoas que têm obsessão pela imagem do seu corpo, por aquelas que estão passando por um momento de estresse ou tiveram algum trauma emocional e apresentam baixa autoestima. Para ser diagnosticada com compulsão alimentar, a pessoa precisa ter apresentado pelo menos um episódio por semana nos últimos três meses.

Lembrando que os episódios frequentes de compulsão alimentar levam ao ganho de peso. A obesidade contribui para aumentar as chances de surgirem doenças como diabetes e doenças cardíacas. Além disso, quem sofre com a compulsão alimentar pode apresentar problemas de sono, infertilidade e dificuldade na hora de interagir com outras pessoas.

A compulsão alimentar costuma aparecer no final da adolescência ou fase adulta e a maioria das pessoas não conseguem superar esse problema de saúde sem ajuda. O primeiro passo para lidar com esse distúrbio é procurar a orientação de um especialista. Mas, algumas estratégias são recomendadas para controlar o impulso de comer exageradamente. Veja detalhes a seguir:

1. Evite dietas restritivas

Ficar muito tempo sem comer ou diminuir a quantidade de alimentos drasticamente não é a solução para controlar a compulsão alimentar. Muito pelo contrário, seguir dietas da moda e restritivas aumentam os episódios de compulsão.

Isso porque excluir algum grupo alimentar como carboidratos e proteínas desequilibra a alimentação e aumenta a fome, além de não ter um efeito duradouro.

Sabe-se que em dietas muito restritivas, o cérebro entra em estado de alerta e aumenta a fome para se proteger.

Uma pesquisa realizada pela Universidade de Toronto (Canadá) mostrou que mulheres que se privavam que alguns alimentos tinham mais desejos de consumi-los e maior risco de comer em excesso.

2. Não pule refeições

Quem sofre com a compulsão alimentar precisa determinar um horário para se alimentar. Pular as refeições aumenta o risco de comer em excesso. Por isso, é importante realizar as três refeições principais – café da manhã, almoço e jantar e lanches intermediários. Um estudo comprovou que aderir a um padrão alimentar regular está associado a uma frequência reduzida de compulsão alimentar.

3. Beba bastante água

É muito importante consumir bastante água para se manter hidratado. Para quem tem compulsão alimentar, essa é uma forma de identificar se o que a pessoa está sentindo é fome de verdade ou vontade de comer a todo instante. Beber bastante água também é uma estratégia para amenizar a sensação de vazio que o compulsivo pode sentir.

4. Coma mais fibras

Comer alimentos que sejam fontes de fibras é outra possibilidade para minimizar os sintomas de compulsão alimentar.

Sabe-se que o aumento da ingestão de fibras amplia a saciedade, reduz os desejos, a fome e a quantidade de alimentos que são consumidos.

Porém, essas fibras devem ser ingeridas no início das refeições, acompanhadas de uma quantidade suficiente de água para hidratá-las. A recomendação é consumir com mais frequência frutas, legumes e grãos integrais que são fontes de fibras.

5. Evite armazenar junk foods

Para não cair em tentação, é importante evitar comprar alimentos com poucos nutrientes, carregados de calorias, gorduras, açúcar e sódio em excesso.

A recomendação é manter alimentos saudáveis à mão para reduzir o risco de ter algum episódio de compulsão alimentar e encontrar essas opções nada saudáveis.

Entre os alimentos que podem ser considerados junk foods estão: batata frita, salgadinhos industrializados, doces refinados e bolachas recheadas.

6. Pratique atividade física

Incluir uma rotina de exercícios físicos na rotina pode ajudar a controlar a compulsão alimentar e ainda na diminuição do peso. A atividade física regular fornece uma sensação de prazer e bem-estar, que pode ser buscada na alimentação pelos compulsivos.

O ideal é encontrar uma modalidade de atividade física prazerosa, que seja realizada de forma moderada e frequente.

Uma pesquisa realizada pela University of Pittsburgh (EUA), com mulheres obesas e com compulsão alimentar, mostrou que os exercícios reduziram o problema em 81%.

7. Durma bem

Poucas horas de sono provocam diversas alterações hormonais no organismo que podem levar ao aumento da fome e diminuem a saciedade.

O controle do sono pode melhorar a ansiedade noturna e acalmar os sintomas da compulsão alimentar.

Além disso, em muitos casos, as pessoas compulsivas aproveitam as horas de insônia para consumir grandes quantidades de alimentos, o que agrava muito a situação.

8. Mantenha um diário com os hábitos alimentares

Anotar o que consumir durante o dia é uma ferramenta eficaz para controlar os alimentos consumidos e a qualidade do que foi ingerido. E também pode ser útil para identificar possíveis gatilhos emocionais que causam a compulsão alimentar.

A pessoa compulsiva, juntamente com o profissional de saúde, passa a observar os seus comportamentos relacionados à comida —como ela come, os motivos dela estar comendo daquela forma, quais alimentos busca durante um episódio de compulsão — e mudar a sua relação com os alimentos.

9. Planeje as refeições

É importante se organizar e preparar refeições mais saudáveis com calma e planejamento. Isso também ajuda a controlar o tamanho das porções e evitar um episódio de compulsão alimentar. Um estudo realizado com mais de 40 mil adultos comprovou que planejar as refeições contribui para melhorar a qualidade da dieta, variar os nutrientes e diminuir o risco de obesidade.

10. Coma devagar

Quem é compulsivo costuma comer rapidamente sem sentir o sabor dos alimentos. Mas, é importante fazer as refeições sem pressa, para favorecer o corpo a identificar o momento de parar de comer. O hábito ajuda a aumentar a saciedade e a diminuir o consumo por impulso, além de reduzir a produção de hormônios que aumentam a fome.

Mastigar os alimentos devagar contribui para melhorar a digestão e diminui o risco da pessoa se empanturrar e comer em excesso. Comer devagar faz com que o cérebro assimile que o corpo está recebendo alimentos e não coma mais do que necessita.

11. Procure tratamento especializado

O tratamento da compulsão alimentar é multidisciplinar e especializado, ou seja, a pessoa é acompanhada por vários profissionais.

Em muitos casos, é necessário que a pessoa compulsiva seja acompanhada por um psiquiatra, nutricionista, nutrólogo, clínico geral, psicólogo, entre outros especialistas.

O tratamento para a compulsão alimentar envolve diferentes tipos de terapia ou medicamentos que devem ser seguidos para aumentar a qualidade de vida e diminuir os sintomas compulsivos.

Fontes: Ana Maria Roma, coordenadora da área de nutrição do Programa de Atenção aos Transtornos Alimentares da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo); Marcella Garcez, nutróloga e diretora da ABRAN (Associação Brasileira de Nutrologia), Juliana Zanetti, nutricionista da BP – Beneficência Portuguesa; Guilherme Renke, endocrinologista, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e da Clínica Nutrindo Ideais; e Edeli Simioni de Abreu, docente dos cursos de Tecnologia em Gastronomia e de Nutrição do Centro Universitário FMU. Revisão: Ana Maria Roma.

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