Como calcular o índice preço lucro: 7 passos

Ao longo dos anos, a taxa de juros vem reduzindo consideravelmente no Brasil. Com essa mudança de panorama, investimentos em renda variável vem se tornando cada vez mais atrativos. O grande problema é que muitos brasileiros não têm a confiança necessária para investir na bolsa de valores, o que limita consideravelmente suas opções de investimento.

Mas, e se existisse uma maneira simples e fácil de saber se uma ação está cara ou barata? Será que só os gestores financeiros sabem quando uma ação está cara ou barata? Ou será que existe alguma forma de você saber também? Ao final do texto, você vai entender como fazer a bolsa de valores jogar ao seu favor. Continue aqui comigo e descubra o que um método de valuation pode fazer.

Como Calcular o Índice Preço Lucro: 7 Passos

COMO O VALUATION PODE ME AJUDAR?

Valuation é um termo em inglês que quer dizer “valoração de empresas”. Para estimar o valor de uma empresa, agentes do mercado financeiro constantemente utilizam diferentes métodos financeiros quantitativos.

Entretanto, diferente do que muitas pessoas pensam, muitas das metodologias utilizadas para calcular o valor de mercado de uma empresa são bastante simples e de fácil compreensão.

Por meio de uma rápida análise da estrutura e dos fundamentos de uma firma é possível estimar o valor de mercado da companhia. Isso permite que o investidor calcule qual deveria ser o preço das ações dessa empresa.

Caso o preço de mercado das ações de uma companhia seja maior que o encontrado no processo de valuation, o investidor conclui que a ação está supervalorizada.

Essa análise é um importante indicativo de que o preço de mercado da ação tende a diminuir, o que serve como incentivo para que o investidor venda as ações que possui da empresa avaliada.

Todo método de valuation apresenta algumas limitações, várias delas serão discutidas aqui para que você tenha uma visão mais ampla sobre o assunto.

Te mostrarei agora um método de valuation, baseado em múltiplos de mercado, que é muito utilizado pelos melhores analistas do mercado financeiro.

Calma, eu sei que isso pode parecer complexo, mas vou te ensinar tudo isso de uma forma simples e descomplicada.

Assim você poderá encontrar grandes oportunidades de investimento e maximizar seus retornos.

O QUE SÃO MÚLTIPLOS DE MERCADO?

Com o intuito de comparar ações de empresas semelhantes ou até mesmo de facilitar a análise de diferentes parâmetros, muitos analistas financeiros utilizam os múltiplos de mercado.

Dentre os principais múltiplos que podem ser utilizados no processo de valuation, destacam-se o EBITDA, o EBIT e o índice Preço/Lucro (P/L). Como Calcular o Índice Preço Lucro: 7 Passos O índice preço/lucro (P/L) mostra quantos anos se levaria para recuperar o capital aplicado na compra de uma ação, por meio do recebimento do lucro (considerado constante) gerado pela empresa em questão. Quanto menor o índice (P/L), mais rápido o capital será recuperado!

COMO USAR MÚLTIPLOS P/L PARA AVALIAR O PREÇO DAS AÇÕES DE UMA COMPANHIA?

  • Os índices preço/lucro e o lucro líquido por ação podem ser encontrados no site da Fundamentus ou nas páginas de RI das empresas.
  • O lucro líquido por ação é avaliado em um período de 12 meses.

Como Calcular o Índice Preço Lucro: 7 Passos Pronto! Você encontrou o valor justo da ação da empresa com valuation baseado em múltiplos P/L! Caso queira saber o valor da empresa, basta multiplicar o valor da ação  pelo número de ações disponíveis no mercado.

VAMOS FAZER VALUATION JUNTOS?

  • Eu escolhi 6 empresas no setor de saúde para fazermos juntos o valuation do Instituto Hermes Pardini (PARD3): Como Calcular o Índice Preço Lucro: 7 Passos
  • Vamos colocar os índices P/L das 7 empresas selecionadas em ordem crescente para encontrar a mediana: Como Calcular o Índice Preço Lucro: 7 Passos P/L Mediano = 28,84
  • Vamos multiplicar o P/L Mediano pelo lucro líquido por ação (0,93560799822) do Instituto Hermes Pardini: Valor da PARD3 = 0,93560799822 X 28,84 = 26,98 reais
  • Como a cotação atual da PARD3 é de 18,80 reais, a ação do IH Pardini está subvalorizada de acordo com nosso valuation por múltiplos P/L

QUAIS SÃO AS LIMITAÇÕES DO VALUATION BASEADO EM MÚLTIPLOS DE MERCADO?

  • Apesar desse método de valuation ser quantitativo, ele carrega certa subjetividade, já que estamos estimando o valor de uma companhia.
  • O cálculo tende a mudar com o decorrer do tempo, conforme os fundamentos específicos da companhia variam.
  • Ao avaliar companhias utilizando múltiplos de mercado, não levamos em conta os estilos de gestão e a escalabilidade das empresas.

Ainda assim, esse método de avaliar empresas é excelente para analisar companhias com poucas informações disponíveis no mercado e para complementar outros métodos de valuation utilizados pelos melhores analistas do mercado financeiro.

SÓ ESCUTE QUEM ENTENDE SOBRE VALUATION DE VERDADE!

Para investir em renda variável com segurança, é essencial levar diferentes métodos de valuation em consideração. Assim será possível minimizar erros e garantir maiores retornos a curto e a longo prazo.

Nós da WeInvest oferecemos assessoria gratuita e podemos te ajudar a montar uma carteira de investimentos completa e totalmente personalizada. Além disso, te manteremos informados das melhores oportunidades do mercado financeiro.

Caso você tenha interesse em contar com nosso auxílio, basta deixar seus dados abaixo!

Sumário

Como Calcular o Índice Preço Lucro: 7 Passos

Vitor Wingester estuda economia e comércio internacional na Cornell University, membro do grupo de universidades Ivy League. Como um estudioso do mercado global de ações e derivativos, Vitor tem como missão contribuir para a formação financeira no país, visando fomentar melhores oportunidades de investimento para os brasileiros.

Como fazer a análise fundamentalista de uma forma bastante prática

Tempo de leitura: 9 minutos

Nos dias atuais, é totalmente possível fazer aplicações na Bolsa de Valores sem ser um especialista em finanças ou economia.

Até porque, um perito no assunto, precisa se dedicar muito para conhecer minuciosamente o mercado. E também tirar de letra na escolha das melhores ações e empresas para investir.

Dito isso, é aqui que a análise fundamentalista entre jogo, tornando-se uma grande aliada dos investidores de todos os níveis. Veja:

De forma resumida, a análise fundamentalista é um estudo baseado na avaliação de diferentes índices, demonstrações e múltiplos. O objetivo é conhecer a saúde financeira das companhias de capital aberto. Com ela também pode-se calcular: se as ações estão por um preço razoável, decidir compras ou vendas e fazer uma previsão de quais resultados esperar em longo prazo.

A ideia é se posicionar a favor da possibilidade de lucrar ao levar em conta fatores que influenciam no desempenho das organizações. Então, se você deseja realizar esse estudo para ter mais precisão na hora de investir, esse é o lugar certo. Confira, a seguir, os principais pontos para ter uma boa base de análise fundamentalista; além de um prático passo a passo para começar.

Faça uma boa leitura!

O que é a análise fundamentalista

Essa é uma técnica muito utilizada no mundo, inclusive por grandes investidores, como Warren Buffett e George Soros, para avaliar se vale a pena ou não investir em determinada ação.

Seu precursor foi ninguém menos do que Benjamin Graham, professor de Buffett e considerado o pai do Value Investing, ou, em uma tradução mais abrangente: a aplicação em valor, segundo os seus fundamentos (que entenderemos mais adiante).

Tal combinação de fatores influencia significativamente sobre os ativos. Com isso, e após uma detalhada análise, consegue-se vislumbrar qual será a performance de uma empresa em um maior período.

Graham também afirmava que o valor das ações é outro fator a considerar.

Pois, o preço reflete de forma direta na expectativa de lucro, porém, é preciso observar o fluxo de caixa da instituição em dado momento.

Sendo assim, a análise fundamentalista leva em conta os balanços da empresa, tais como, lucros atuais e o seu patrimônio, tanto quanto as perspectivas em longo prazo como vimos.

Seus principais dados de estudo são: a macroeconomia (condições da economia nacional e internacional); microeconomia (condições econômicas do setor da ação, PIB, índice de desemprego, etc.

); estimativas, regulamentação do setor e concorrência.

Para isso, são utilizados indicadores, conhecidos como múltiplos, que ajudam o investidor a encontrar um ‘norte’ para seguir. Isso porque eles são capazes de mostrar se uma ação está cara ou barata, mas não funcionam de maneira isolada. É preciso de mais informações como explicarei no próximo tópico…

Como fazer a análise fundamentalista passo a passo

Como Calcular o Índice Preço Lucro: 7 Passos

O estudo da análise fundamentalista avalia fatores relacionados ao cenários macro e microeconômicos em que uma empresa está inserida. A partir daí já consegue-se fazer um bom raio-x da situação. No entanto, outros dados, fundamentos e conceitos também são utilizados como embasamento para tomar decisões.

Logo abaixo você verá os principais e como fazer uma análise fundamentalista em apenas 10 passos.

Passo 1 – Analise as demonstrações financeiras

São análises contábeis que dão suporte ao investidor. E toda empresa divulga seus balanços a cada trimestre. Entre os principais demonstrativos que compôem esse primeiro passo estão: o Balanço Patrimonial (BP) e a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE).

O que verificar: O BP deve mostrar o posicionamento financeiro da empresa em um período específico, enquanto o DRE precisa apontar se a companhia lucrou ou teve prejuízo ao final de um ano. Faça esse balanço e descubra um dado muito importante da ação na qual pretende investir.

Passo 2 – Saiba o valor da empresa sobre Ebitda

Ebitda é uma expressão da língua inglesa que significa Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization. Sua tradução para o português remete ao lucro operacional somado à depreciação e amortização dos custos de produtos comercializados e gastos.

O que verificar: Ao fazer o cálculo do valor da empresa – com o seu potencial de gerar capital – dividido pelo Ebitda, consegue-se mensurar, precisamente, a produtividade e eficiência de um negócio de acordo com o setor em que está inserido.

Passo 3 – Calcule a margem bruta

Ao dividir o lucro bruto pelo total de vendas líquidas é possível descobrirquanto, de cada real comercializado, permaneceu na empresa.

O que verificar: Esse cálculo tem a função de medir a rentabilidade da companhia e apontar qual é o percentual de lucro em cada venda.

Passo 4 – Veja qual é o preço da ação em relação ao seu valor patrimonial

O VPA,  ou valor patrimonial da ação, é o resultado da divisão entre o patrimônio líquido e a quantidade de ações de um determinado negócio. Dessa forma, você consegue saber se as ações estão acima ou abaixo do VPA e quais as perspectivas de mercado sobre elas.

O que verificar: A relação entre o preço da ação e o valor patrimonial. Essa informação indicará quanto um investidor precisa pagar pelo patrimônio líquido. E também se a compra do ativo está atrativa ou não.

Passo 5 – Verifique a taxa de retorno do acionista

Chamado de ROE (Return On Equity) esse indicador representa o retorno que os acionistas podem esperar sobre o seu investimento na empresa. A conta utiliza o lucro líquido dividido pelo patrimônio líquido, declarados no balanço patrimonial. Também mede a eficiência da gestão da corporação.

O que verificar: Importante medida para saber se a cia está trazendo rentabilidade para os investidores e quanto paga de dividendos (dividend yield).

Passo 6 – Divida o preço da ação pelo lucro

Ao pensar em investir em uma ação não se deve apenas considerar as de valores baixos. O melhor a fazer é comparar o preço com o lucro. Pois, quanto mais elevado for esse resultado, maior será a expectativa de mercado para o desenvolvimento da empresa.

O que verificar: A atratividade de uma ação, em médio e longo prazo, comparada com outras do mesmo segmento.

Passo 7 – Conheça o Dividend Yield da empresa

Já falamos sobre ele, mas não custa reforçar: o dividend yield, em uma tradução livre, significa o rendimento do dividendo. Ele serve para mensurar o quanto os dividendos são rentáveis em relação ao preço das ações.

O que verificar: Em geral, o DY é informado nas porcentagens pagas nos últimos 12 meses ou nas previsões para o próximo ano.

Passo 8 – Mensure os índices de liquidez

Os índices de liquidez compõem estudos que apontam o potencial financeiro de uma empresa para cumprir seus compromissos. Ou seja, se a cia poderá quitar suas dívidas. Para chegar a esse resultado é dividido o ativo circulante pelo passivo circulante.

O que verificar: É interessante que o índice seja maior do que 1, o que costuma significar que a empresa tem dinheiro para saldar os débitos. Porém, é importante avaliar caso a caso e se organização possui recebíveis (como as de transporte público que não). Então, há exceções.

Passo 9 – Descubra o nível de endividamento da empresa

Analisar os índices de endividamento da empresa permite saber se ela consegue gerar capital suficiente para pagar dívidas; sem perder o potencial de crescimento sustentado. O que é muito importante considerar na hora de investir.

O que verificar: Diminua o total de empréstimos e financiamentos do saldo das aplicações financeiras. O resultado indica o nível de endividamento bancário.

Passo 10 – Meça o índice de atividades

Este índice visa mostrar qual é o fluxo de atividade de uma empresa e quanto tempo leva até ela receber pelas suas vendas, pagar dívidas e repor produtos. Para chegar a esse resultado, usa-se o giro de caixa: que expõe a rapidez com que o dinheiro entra e sai da empresa.

O que verificar: Um alto giro de caixa e uma liquidez baixa podem indicar que o dinheiro faturado é rapidamente desembolsado.

Conclusão

Como Calcular o Índice Preço Lucro: 7 Passos

Você deve ter notado que para fazer a análise fundamentalista é preciso conhecer bem o mercado e possuir experiência para aplicá-la com eficiência, certo? E se eu lhe disser que podemos utilizar essa técnica e montar uma carteira de ações formada por boas empresas, com expectativas de lucro em médio e longo prazo, sem a necessidade de tanta expertise?

Com a filosofia de que o preço das ações segue a valorização das companhias; a atenção às melhores oportunidades e a atualização constante fazem a diferença; é completamente possível obter excelentes resultados. Basta saber o que queremos, o que buscamos, assim como, utilizar critérios, conceitos e métodos corretos.  

Você não precisa ser nenhum Buffett, Soros ou Graham para enriquecer. Nem mesmo ter milhões na sua conta. É necessário apenas a vontade de chegar lá e empenho para dar continuidade ao plano. Para isso, conheça os critérios que utilizamos, em nossa técnica de análise fundamentalista exclusiva, que gasta apenas 30 minutos do seu mês para acontecer.

Você não leu errado. Com somente meia hora mensal você pode selecionar quais ações comprar, quando vender e se tornar sócio de empresas lucrativas para compor uma carteira muito mais do que vencedora. Com esse apoio para os seus investimentos na Bolsa eu tenho certeza que fazer análise fundamentalista ficará muito fácil para você!

  • Descubra como clicando aqui e continue acompanhando as publicações do blog para saber mais.
  • Um grande abraço!
  • Marcello.

O índice P/L (Preço/Lucro) do Ibovespa. Metodologia para cálculo

  • Posted on 30/06/2015. Filed under: Finanças |
  • Por que não existe uma fonte de pesquisa com dados confiáveis e diários sobre o Índice Preço/Lucro ou o Dividend Yield do índice Bovespa ou de outros índices setoriais?
  • Quando conseguimos acesso a esse número, normalmente é de alguma pesquisa pontual da bloomberg ou de outro provedor de dados, mas não existe, até onde consegui apurar, uma fonte consistente, atualizada e online para dar publicidade a um indicador tão importante para o Mercado.
  • Por que é tão importante ter o P/L do Ibovespa ou o P/L setorial?
  • Desde os tempos do Instituto Nacional de Investidores, quando ensinávamos o Método INI, havia essa carência.

O investidor fazia sua análise pelo método INI e não conseguia comparar os parâmetros encontrados com uma média histórica do índice, com uma média do setor etc. E essa falta de dados e de informações deixava o investidor inseguro, principalmente o iniciante.

Para um americano é trivial calcular o índice P/L e o Dividend Yield* da Exxon Mobil e comparar com o índice P/L do S&P500, ou do setor de petróleo. E ainda conseguir fazer uma comparação histórica, voltando 5, 10 anos.

  1. Essa abundância de informações transmite muito mais segurança ao investidor/analista.
  2. * Para mais detalhes sobre esses indicadores, procurar no blog ou no livro “O Mercado de Ações em 25 Episódios”.
  3. Mas e por aqui em Vera Cruz?
  4. Sempre achei uma verdadeira aberração não termos, ao menos não de forma simples, sistemática e GRATUITA (ou barata), uma informação tão relevante para o mercado e para os investidores.

Há alguns estudos na internet, mas bastante superficiais. E não ajudam a quem quer montar uma base de dados que dê o resultado DIARIAMENTE, sem grande esforço de pesquisa. Isso sim seria interessante. Se a cada necessidade de atualização dos dados for necessário um longo estudo, certamente os dados ficarão caros e inacessíveis.

  • Entendo que há também problemas de ordem metodológica, como a existência de ONs e PNs, UNITS, empresas com prejuízo, P/Ls muito altos, problemas com a ponderação das Companhias no índice etc.
  • Mas esse problema pode ser facilmente endereçado.
  • Como resolver a questão da atualização diária do banco de dados?
  • No meu livro “Investimentos para não Especuladores – O Método SEMPRE” creio ter conseguido montar uma estrutura de levantamento de dados que permitiria, com pouco esforço adicional, calcular diariamente o P/L, o Dividend Yield e qualquer outro indicador que dependa do Valor de Mercado das Companhias.
  • Lucro e dividendo são dados públicos e de fácil acesso

O Lucro da Companhia (sem ajustes) e os dividendos pagos são fáceis de parametrizar através das informações publicadas no site da CVM/Bovespa. Ainda que se usem os dividendos pagos no regime de caixa e o lucro no regime de competência.

Já o preço de mercado…

Mas não há uma “fonte oficial” com os valores de mercado das Companhias. É importante notar que NÃO estamos falando das cotações diárias, mas do valor de mercado total.

Se algum provedor de dados ou casa de Análise quiser prover informações diárias e históricas sobre o P/L, Dividend Yield e outros índices, vai precisar montar um banco de dados com o histórico diário dos preços de mercado das Companhias.

Isso não é tão trivial, mas é mandatório e tem uma grande vantagem.

O preço de mercado da Vale no último dia útil de 2005, por exemplo, é um dado que NÃO MUDA. É um dado histórico, não há evento passado ou futuro que faria esse número mudar.

Para isso a cotação não serve, pois há ajustes para cada evento societário, como pagamento de dividendos, bonificações, subscrições etc. Ainda que haja a cotação histórica, há alguma confusão com a quantidade de ações. Por isso é fundamental o dado agregado.

Levantar os dados passados dará um trabalho inicial, mas o banco de dados desenvolvido NÃO mudará. Atualizar os dados para o futuro também é bem simples.

  1. Os detalhes para consolidar esses dados eu escrevi no livro que citei acima, para mais informações ele pode ser consultado.
  2. Mas daqui por diante vamos tratar do Índice.
  3. O P/L do Índice Bovespa
  4. Para que esse índice possa ser informado diariamente será necessário ter uma fonte de dados com todos os Valores de Mercado das Companhias que compoem o índice, também em bases diárias.
  5. A partir daí, o P/L diário (ou o dividend yield) das Companhias fica fácil de calcular, bastando dividir esse valor de mercado pelo lucro acumulado em 12 meses (quatro trimestres) ou dividir o dividendo pago nos últimos 4 trimestres pelo valor de mercado.
  6. E a inflação?
  7. Faço esse pequeno parêntese porque li em alguns estudos que o P/L histórico é ajustado para efeitos inflacionários.

No meu entendimento isso não faz sentido, uma vez que o P/L reflete um momento macroeconômico que não tem a ver com perda de valor do dinheiro no tempo (conceito básico de inflação). Tem a ver com taxas de juros e com o interesse e a aversão a risco dos investidores.

Não faz muito sentido dizer que um P/L 14,4 no ano de 1970 seja “mais alto” que um P/L de 14,4 em 2015.

Voltando…

O cálculo do valor de mercado diário das Companhias traz algumas dificuldades, como, por exemplo, escolher se retira ou não as ações em tesouraria, ou, ainda, decidir o que fazer quando a ON não tem liquidez diária.

Também é especialmente complicado saber EXATAMENTE em qual dia uma bonificação ou subscrição teve efeito no preço de mercado.

Quando é um percentual grande é fácil, mas quando falamos de um aumento de capital de 2%, fica bem mais difícil.

Mas a grande vantagem é que não será necessário rever a cada evento acionário. Uma vez calculado o Valor de Mercado da Companhia para determinado dia, será assim para sempre (se não houve erro inicial).

Nos links abaixo há planilhas que ajudam nesse cálculo. Para quem quiser montar esse banco de dados, terá que passar pelos passos descritos nesses artigos:

Histórico de Preço/Lucro 2008 a 2015 – Marcopolo – POMO3 e POMO4

Histórico de Preço/Lucro 2007 a 2015 – Randon – RAPT4

  • Como reunir esses dados num índice único?
  • Em tese, de posse de todos os índices P/L das ações que compõem o índice bastaria multiplicar diariamente pelos respectivos pesos.
  • Importante notar que nós não estamos calculando P/L da ON ou da PN, mas da empresa, de forma que, se há PETR3 e PETR4 no índice, o P/L vai ser o MESMO.
  • Isso evita distorções desnecessárias como na Usiminas, por exemplo, em que a alta das ON vem seguida de baixa nas PN, por especulação sobre troca de controle e tag along, mas o P/L da Companhia pouco muda.
  • Ou nas Teles, que durante muitos anos chegavam a ter 150% de prêmio no valor das ON.
  • Imagine um índice composto por apenas 7 empresas, veja o exemplo de cálculo ponderado dos P/Ls:
Ticker Part % dia P/L no dia P/L Ponderado
Ação A 29,46% 22,80 6,72
Ação B 8,48% 8,50 0,72
Ação C 5,46% 17,56 0,96
Ação D 29,73% 16,58 4,93
Ação E 10,08% 9,44 0,95
Ação F 1,06% 6,01 0,06
Ação G 15,73% 7,44 1,17
P/L índice 15,51

Seria facílimo, se os P/Ls fossem sempre comportados. Mas não são. Veremos a seguir alguns ajustes para tornar o cálculo mais confiável.

Ajustes no P/L

Quem acompanhou as análises no livro sobre o Método SEMPRE, viu que, com o advento do IFRS, os lucros contábeis nem sempre revelam o que realmente aconteceu com a empresa naquele determinado exercício.

Os resultados dos últimos 3 anos da VALE, demonstram bem isso. Enquanto houve prejuízos ou lucros muito reduzidos na medida contábil, a própria empresa divulgou um “lucro recorrente” bem superior, que é a medida de lucro, expurgados fatores não recorrentes e sem efeito de caixa.

Mas é CLARO que não é possível, nem razoável, ajustar os lucros para calcular o P/L da bolsa. É preciso usar o lucro oficial, contábil, publicado.

  1. Isso é possível fazer na análise de uma empresa, mas não para todas.
  2. Cortar P/Ls negativos
  3. Uma parametrização razoável é excluir Companhias com P/L negativo (prejuízo contábil) da medida do P/L da bolsa.

Mas isso não é tão simples. Para funcionar, será necessário excluir da base de cálculo a participação percentual da empresa no índice.

Explico. Se a VALE, por exemplo, representasse 10% do índice e começasse a apresentar P/L negativo, seria necessário retirá-la do cálculo do P/L, redistribuindo seus 10%, de forma ponderada, entre as empresas que sobraram.

  • É uma conta simples e fácil de parametrizar.
  • Cortar P/Ls muito altos
  • Aqui já não é tão simples.

Enquanto um P/L 40 é impensável para empresas como Bradesco ou Itaú, foi a realidade dos últimos anos para empresas como as Lojas Americanas. Não me perguntem o porquê, nunca entendi. E como o papel está parado há quase uma década, enquanto os lucros sobem, parece que não fazia sentido mesmo pagar tão caro no passado.

Há algumas metodologias plausíveis:

– Corte de valores irrazoávels fixos e para qualquer ação da carteira teóric, acima de, por exemplo, P/L 50.

– Corte de valores irrazoáveis em comparação com o histórico da própria empresa. Nesse caso pode-se calcular a média diária em 2-3 anos, o desvio padrão e cortar P/Ls acima da média + 2 desvios, por exemplo.

O que é fundamental é que a página que vai exibir esse “P/L do Ibovespa” explicite a metodologia e, preferencialmente, indique as ações que foram cortadas em determinado período.

Vale lembrar que a lógica de exclusão de empresa do P/L do Ibovespa segue a mesma parametrização da exclusão de P/L negativo. A participação da empresa excluída no índice precisa ser rateada, proporcionalmente, para as participações das empresas que sobraram.

  1. Outros fatores de exclusão seriam interessantes, como retirar, por princípio, empresas pré-operacionais.
  2. Por que ter esses dados facilitaria a vida do investidor?
  3. Antes vale relembrar que a parametrização seria fácil, porém NÃO EXISTE, ao menos não de fácil e gratuito (barato) acesso, uma fonte confiável para o valor de mercado diário de todas as empresas do índice.

Qualquer um que quiser divulgar esse dado precisará levantar esses dados. Eu fiz isso algumas vezes para algumas empresas e estimo o trabalho, para quem entende, em 3 horas de trabalho para levantar os dados dos últimos 15 anos de cada empresa.

  • Não é tão caro, nem tão difícil, e o resultado (inclusive financeiro) pode ser recompensador.
  • Imagine para os usuários do Método INI, do Método SEMPRE ou de outros approachs fundamentalistas ter acesso diário e facilitado a:
  • – P/L do Ibovespa, do setor bancário, do setor de bens de capital, do setor de consumo, varejo etc.
  • – Dividend yield (levantado com lógica semelhante à do P/L) de cada setor.
  • – Histórico de 10 anos de P/L e Dividend Yield para todas as empresas da bolsa.
  • – Histórico comparativo de P/L entre as empresas, seus setores e as médias dos índices.
  • Seria bem mais fácil comparar e estimar P/Ls futuros, o investidor e o analista não-profissional teriam, ao menos, base de comparação, tanto do presente quanto do passado.
  • E ainda poderiam comparar com os pares internacionais (lembrando que há considerações de Risco Brasil a fazer).
  • A pergunta mais importante?
  • Uma página como essa, que poderia mostrar online o P/L e o DY atual do Ibovespa e dos outros índices, além do P/L e DY dos setores da economia, teria quantas visitas diárias?
  • Se oferecesse gráficos comparativos entre o P/L (ou DY) da empresa, de concorrentes, da bolsa, do setor, da renda fixa (também é fácil de fazer), tudo parametrizável pelo próprio usuário, teria quantas visitas diárias?
  • Sendo a única fonte para acesso a esses dados, qual seria a monetização possível com essa ferramenta?
  • Ficam as questões para os empreendedores de plantão.
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5 dicas para analisar ações na bolsa de valores | André Bona

Início » Bolsa de valores » Mercado para iniciantes: 5 dicas para analisar ações na bolsa de valores

Em primeiro momento, o mercado na bolsa de valores pode assustar qualquer iniciante. Isso porque, muitas vezes, os noticiários e a televisão mostram uma infinidade de siglas, índices e estratégias complexas.

Analisando inicialmente, o mercado de ações parece ser direcionado somente aos grandes especialistas da área, certo? Mas não é bem assim. Você, mesmo sem grande experiência em investimentos, pode começar a colher os primeiros frutos na bolsa de valores e analisar ações por conta própria.

A grande sacada para analisar ações e operar na bolsa, principalmente para investidores iniciantes, é conhecer profundamente a saúde financeira da empresa na qual investirá o seu capital e, principalmente, obter as projeções reais de lucro. Esteja certo de que, aliando estes primeiros conhecimentos às dicas que você verá a seguir, será possível analisar ações e aplicar nos investimentos certos.

Então, pronto para descobrir como analisar empresas para investir na bolsa e lucrar no mercado de ações? Acompanhe o artigo de hoje e saiba como fazer aportes a partir de boas análises dos papéis negociados no mercado brasileiro.

Como escolher ações na bolsa? Descubra agora!

Seja para iniciantes no mercado ou investidores experientes, é interessante salientar que existem alguns tipos de análise de ações, os quais são comumente utilizados pelos  profissionais da área. Dois deles são: análise do tipo técnica e análise fundamentalista.

Na análise técnica – muito utilizada por traders, por exemplo – o foco é  o valor momentâneo da ação, bem como o volume de negociações.

Através da análise de gráficos, o investidor define quando comprar ou vender ações.

Nesta modalidade não são avaliados outros fatores, como o histórico da empresa, pois presume-se que o valor de cada ação e o volume negociado já consideram tais características.

Já a análise fundamentalista, consumida por grandes e renomados investidores, é baseada na construção de valor a longo prazo, considerando não somente o volume de negociação e valor das ações, como também a análise de demonstrativos financeiros, situação macroeconômica, gestão e outros atributos que caracterizam a solidez da ação.

Agora que você já conhece teoricamente as modalidades de análise, veja outras dicas de como estudar ações de forma simples e direta e, assim, escolher as melhores opções em rendimentos excepcionais.

1.   Acompanhamento de demonstrativos financeiros

Acompanhar a saúde financeira da empresa na qual você investirá o seu dinheiro deve ser uma prioridade. Afinal, não vale apostar em ações sem ao menos conhecer os demonstrativos financeiros da companhia, correto?

Ao se deparar com ações de valores muito baixos, há dois cenários que devem ser considerados: ou a empresa é nova e ainda não possui a confiança do mercado financeiro, ou oide se tratar de uma empresa de grande porte que lida com dificuldades financeiras.

Ter estes dados em mãos é de extrema importância. Você deve, portanto, avaliar as informações, acompanhar os demonstrativos financeiros, elaborar projeções e compreender como o mercado das referidas ações poderá se comportar.

Tal análise é importante para conhecer as possibilidades de lucratividade e prejuízo.

2.   Análise do histórico de compra e venda de ações da empresa

Principalmente em se tratando de iniciantes, quando o investidor ainda não possui muitas informações sobre as transações de compra e venda de ações de cada empresa, é interessante avaliar o histórico de negociações.

Saiba que empresas de um determinado nicho podem observar períodos mais positivos do que outros, seja para compra ou para venda. A flutuação das ações é demonstrada pela série histórica, que traz os períodos nos quais as negociações foram mais favoráveis aos acionistas.

3.   Avaliação e cálculo do índice preço-lucro

Ao decidir comprar ações, certamente você planeja em quanto tempo o valor investido trará retorno, não é? Saber exatamente quando ações “se pagarão” é fundamental na hora de analisar ações na bolsa de valores e montar um portfólio mais sólido.

Neste cenário, é preciso calcular e avaliar o índice preço-lucro, que nada mais é do que o tempo necessário para que o lucro obtido com as ações cubra o valor inicialmente investido.

Com um exemplo simples é possível clarear o entendimento: se você compra uma ação de R$2.000 e ela rende R$500 ao ano, o valor inicialmente aplicado será recuperado após um período de 4 anos. O ponto-chave é apostar em ações cujo valor seja recuperado no menor tempo possível, já que dinheiro parado não rende!

Mas atenção: não se esqueça que o mercado de bolsa é variável e o que se espera é apenas uma projeção, que pode ou não se concretizar.

4.   Cálculo do valor patrimonial da ação (VPA)

Um dos pontos principais dentro da análise fundamentalista, o valor patrimonial da ação é uma dos melhores indicadores para avaliação acionária.

Analisando de forma simples, é possível compreender que um VPA elevado está relacionado a uma boa lucratividade e alta em dividendos – ou seja, ações com perspectiva de crescimento. Quando o VPA é reduzido, há uma atenção sobre os riscos na compra destas ações, mesmo que os valores de cada ação sejam tentadores para o investidor.

A melhor maneira de obter o cenário real das negociações é calcular o VPA utilizando a seguinte fórmula: patrimônio líquido dividido pela quantidade de ações da empresa (ou, ainda, pelo lote de 1000 ações.

5.   Investimento em empresas com valor de mercado superior a R$ 500 milhões

Uma das premissas sobre como escolher ações na bolsa é investir o capital em empresas cujo valor de mercado ultrapasse os R$ 500 milhões.

Há uma explicação sólida para isso: quanto maior for o valor de mercado de uma companhia, menores serão as influências em âmbito social, econômico, financeiro e político. Usualmente, empresas com valores de mercado pouco atrativos estão sujeitas a um alto volume de adversidades.

Para não correr o risco, tenha este nível de valorização em mente. A saber: para conhecer o valor da empresa, basta multiplicar o valor de cada ação pela quantidade total de ações da companhia.

Estudo e prática são fundamentais

Assim como outras atividades do mercado financeiro e de investimentos, comprar e vender ações com efetividade é uma junção de estudo e prática. E isso vale tanto no mercado para iniciantes quanto no mercado para investidores experientes.

Sendo assim, além de seguir as dicas compartilhadas no artigo, é necessário manter uma regularidade nos seus aportes. Somente desta forma você conhecerá as particularidades do mercado e sua volatilidade, acertando na compra das ações ideais para o seu perfil e planos futuros.

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