Como aprender mais sobre a maçonaria: 8 passos

O tradicional desfile cívico de Sete de Setembro reuniu milhares de guarulhenses na rua Paulo Faccini, onde habitualmente diversas instituições promovem suas passeatas em demonstração de respeito à Pátria.

Entre as fardas militares e os uniformes de estudantes de diversas escolas, um grupo destaca-se pelos trajes atípicos: cerca de 60 homens com terno preto e gravata preta.

Acompanhados por jovens vestidos com capas inusitadas, maçons prestaram suas homenagens à Proclamação da Independência do Brasil, importante evento para cuja concretização essa discreta ordem colaborou decisivamente.

Você, em algum momento, deve já ter se perguntado quem realmente são os maçons e qual sua efetiva participação na sociedade. Abordar assuntos sobre a Maçonaria sempre desperta a curiosidade no público em geral. Afinal, em algum momento todos já ouviram falar de temas envolvendo essa confraria. Poucos, no entanto, tiveram contato com ela.

Assuntos sinistros, outros simplesmente curiosos, mas sempre envoltos em um clima de profundo mistério. Quase todos eles ligados a alguma teoria da conspiração ou história esotérica, atraem as mais diversas opiniões sobre a ordem.

Por exemplo, parte significativa da população alimenta a visão de que a Maçonaria seria algum tipo de religião ou seita ou que suas frentes estão amplamente dispostas a perpetrar uma espécie de plano de dominação mundial.

Mas, o quanto de verdade tem em tudo isso?

A Reportagem da Revista Guarulhos visitou Kamel Aref Saab, de 64 anos, sereníssimo Grão Mestre do Grande Oriente de São Paulo (GOSP), instituição que congrega 800 lojas, espécie de templos onde ocorrem as reuniões dos mais de 24 mil maçons espalhados por todo o Estado. Engenheiro metalúrgico e administrador de empresa, está no corpo diretivo desde 2015, quando era adjunto de Benedito Marques Ballouk Filho, passando ao maior cargo da ordem em 2017.

Como Aprender Mais Sobre a Maçonaria: 8 Passos

Bem-humorado, Kamel brinca que a fraternidade um dia foi secreta, passou a ser discreta e agora é indiscreta.

“Todo mundo tem curiosidade sobre a Maçonaria, mas é bom entender que como ela é iniciática, temos nossos rituais, assim como a Igreja Católica, a exemplo do batismo da criança no tanque, do casamento, a fumaça branca de quando se é anunciado o novo Papa, entre outras ritualísticas que só são de interesse da Igreja e de seus membros. Como eles, nós temos a nossa iniciação, que só interessa a nós. Agora, por que indiscreta? Se você assistir a alguns filmes, você vai perceber cenas relacionadas à Maçonaria, quase reproduzindo 100% o que fazemos em nossas lojas. Claro que é uma brincadeira essa questão de indiscreta, mas é para se entender um pouco da abordagem que hoje se tem na Maçonaria. Não podemos ser secreta, porque temos personalidade jurídica, com endereço divulgado, por exemplo”.

O Grão Mestre explica que a ordem nada mais é que uma oportunidade do ser humano de se transformar em um construtor social. “Claro que é muito difícil uma pessoa com uma formação completa ser transformada, mas sempre é possível melhorá-la.

O iniciado passa a mudar não só a si mesmo, mas também o vizinho, o parente e todos que o rodeiam”. Questionado sobre a sua própria transformação, ele diz que após sua iniciação tornou-se um homem mais tolerante, respeitoso e calmo.

“O principal ponto é aplicar a Justiça, sem fazer o papel de injusto”.

Sobre a participação da Maçonaria em eventos importantes no País, conta que a ordem sempre esteve presente nas principais decisões que levaram o Brasil a alguma grande mudança. No entanto, com o passar do tempo, os irmãos, como os maçons identificam-se entre si, passaram a dedicar-se com maior intensidade à filantropia, afastando-se um pouco dessas outras questões.

Todas as lojas assistem a uma instituição de caridade. Inclusive, esses são um dos momentos em que a família dos irmãos podem acompanhar os trabalhos. Na fraternidade, não é permitida a entrada de mulheres – questão de tradição. Contudo, não há restrições quanto a raça, credo e nacionalidade.

Para ingressar na ordem, a forma mais fácil é ser convidado por um membro. Mas, não é tão simples assim. São necessários alguns atributos morais e civis, que façam o aspirante ser considerado um homem de reputação ilibada.

Alguns pontos são: ser um cidadão exemplar e maior de 21 anos, ter emprego e residência fixos; ser empreendedor, sem exercer atividades ilícitas; nome limpo, inclusive sem passagens pela polícia e não ter vícios, como o envolvimento com drogas.

Aliás, o principal: não ser ateu.

Em que a Maçonaria acredita?

A Maçonaria tem como norte preceitos judaico-cristãos; logo, subentende-se que os maçons devem acreditar em Deus, sem distinção religiosa. O denominador comum para se referir a esse ser supremo é Grande Arquiteto do Universo (G.A.D.U.).

Como Aprender Mais Sobre a Maçonaria: 8 Passos
Como Aprender Mais Sobre a Maçonaria: 8 Passos

É importante ressaltar que muitos símbolos atribuídos à ordem na verdade não têm nenhuma ligação com a Maçonaria.

Um exemplo é o Olho de Hórus, importante no Egito Antigo, porém, sem conexão nenhuma com os maçons. A imagem usada pela fraternidade é o Olho que Tudo Vê, que traz alusão à onisciência e onipresença de Deus.

Você deve estar se perguntando o que acontece nas reuniões maçônicas.

De antemão, já adianto que não há bodes ou nenhum outro sacrifício de animal, mas um momento em que se é discutido filosofia, história, religião – desde que não seja sectária –, ciência, comportamento, política não partidária ou qualquer outro assunto da atualidade. “Tudo pode ser estudado, desde que você não queira impor a sua opinião como a certa”, explica Passos.

Como Aprender Mais Sobre a Maçonaria: 8 PassosDa esquerda à direita: Washington Ap. dos Santos e Filipe Passos, mestres maçons, e Max Rodrigues Pereira Hager, mestre instalado e Grau 33

Em Guarulhos

A Maçonaria no Brasil tem seus primeiros registros em 1724. Mas somente em 1822, mesmo ano em que ocorreu o grito da Independência do Brasil, foi criado o Grande Oriente do Brasil (GOB), grande potência maçônica, com reconhecimento da Grande Loja Unida da Inglaterra.

Além do Sete de Setembro, a Ordem Maçônica esteve presente em outros momentos fundamentais da história do Brasil, como na abolição da escravatura, na redemocratização do País e em outros eventos marcantes. O GOSP, por exemplo, participou ativamente da Revolução Constitucionalista de 1932, na qual muitos dos membros morreram.

Em Guarulhos, são 25 lojas, como Santa Mena, Paraventi, Paulo Faccini e Cumbica. A mais antiga é Loja Conselheiro Crispiniano, que tem 51 anos. Fundada em 1967, marca também a chegada da fraternidade no município.

Vale ressaltar que existem marcos da Maçonaria espalhados na cidade. Um deles está na Vila Galvão, na praça que separa a avenida Sete de Setembro da rua Alberto Ferreira Lopes, na altura da Comercial Esperança. Outro encontra-se na avenida Aniello Pratici, na entrada da cidade pelo viaduto Fioravante Iervolino.

Curiosidades

  • Alguns dos maçons mais famosos do mundo foram: Nelson Mandela, George Washington, Martin Luther King Jr., Franklin Delano Roosevelt e Ludwig van Beethoven. No Brasil, temos Rui Barbosa, marechal Deodoro da Fonseca, Dom Pedro I e Jânio Como Aprender Mais Sobre a Maçonaria: 8 PassosQuadros;
  • Maçons costumam usar três pontos na assinatura em forma de triângulo;
  • Sim, os maçons têm uma série de cumprimentos e gestos. Alguns para identificação, outros para utilizar dentro dos seus rituais;
  • As lojas estão repletas de referências judaicas em suas construções. Algumas estão ligadas diretamente com o Templo de Salomão;
  • Existem fraternidades para-maçônicas, como a Ordem Demolay (jovens que usam capas inusitadas citados no início da matéria), uma sociedade para jovens do sexo masculino, com idade entre 12 e 21 anos incompletos;
  • Não é só na nota de um dólar que há símbolos maçônicos, mas todas as notas do real também possuem. A mulher que aparece nas cédulas é Marianne, símbolo da república francesa. A efígie foi inspirada na obra “A Liberdade guiando o Povo”, pintada em 1830 por Eugène Delacroi. A Maçonaria teve grande participação na Revolução Francesa, época retratada pela arte. Não à toa, “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” é lema da revolução, amplamente compartilhado pela Maçonaria;
  • Existem segredos na Maçonaria, muitos escondidos a sete chaves. Dizem que é justamente a preocupação em manter seus ritos longe dos não iniciados que fez com que a sociedade perdurasse por tantos anos.

Dicas para saber mais

Quem quiser aprender um pouco mais sobre os mistérios dessa antiga ordem pode assistir à série “Maçonaria – Segredos Revelados”, da Netflix.

Há também os filmes “Mauá – O Imperador e o Rei”, “Do Inferno”, “O homem que queria ser Rei” e os dois longas de “A Lenda do Tesouro Perdido”.

Para quem preferir a leitura, há a instigante aventura de Robert Langdon, do escritor Dan Brown, no livro “O Símbolo Perdido”.

Por que a maçonaria inspira tantas teorias da conspiração

Edison Veiga De Milão para a BBC News Brasil

Como Aprender Mais Sobre a Maçonaria: 8 Passos Direito de imagem Getty Images Image caption Estima-se que existam 3,6 milhões de maçons no mundo

Uma hora é um livro novo, outra hora uma declaração política. Teorias e conspirações envolvendo a maçonaria, uma sociedade que sempre teve sua aura de mistério, povoam desde ficções best-sellers como “O Símbolo Perdido”, de Dan Brown, até a campanha eleitoral brasileira.

Neste ano, aliás, já foram dois os momentos em que os maçons foram trazidos para o debate. Primeiro com o candidato Cabo Daciolo, do Patriota, que enxerga na sociedade uma de suas inimigas – diz que vai eliminá-la do Brasil.

E, nesta semana, com o atentado contra o candidato Jair Bolsonaro, do PSL: o homem acusado de ser o agressor também seria um crítico da maçonaria – em textos publicados nas redes sociais, ele teceu ilações entre políticos e problemas sociais do País e a sociedade.

Mas o que é a maçonaria, afinal? Com cerca de 170 mil membros no Brasil, trata-se de uma sociedade outrora secreta, de caráter filosófico e filantrópico. Seus integrantes defendem os princípios da liberdade, da democracia, da igualdade e da fraternidade, além de serem entusiastas do aperfeiçoamento intelectual. Calcula-se que haja 3,6 milhões de maçons no mundo.

Sua origem remonta à Idade Média, quando as profissões se agrupavam em corporações de ofício – as chamadas guildas.

Os pedreiros ou construtores, com o conhecimento herdado das técnicas romanas e gregas, se organizaram em um desses grupos.

E, por uma questão de sobrevivência frente a uma possível concorrência, eles guardavam os segredos da construção civil, temerosos de que as técnicas caíssem em domínio público.

Então o grupo nasceu assim: como um maneira de garantir a hegemonia do conhecimento e, ao mesmo tempo, possibilitar um intercâmbio de informações entre essa confraria de construtores. Aos poucos, outros temas foram introduzidos nas conversas. O que eram apenas convescotes laborais, portanto, foram ganhando importância em termos de debate.

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Como sociedade filosófica e filantrópica, a maçonaria foi fundada em 24 de junho de 1717, na Inglaterra. Foi ideia de dois pastores protestantes, James Anderson e J. T. Desaguliers, alinhados com os princípios do livre pensamento que nortearam o movimento conhecido como iluminismo.

Historicamente, a sociedade só aceita homens. De acordo com eles, é uma questão de tradição: como a maçonaria teve origem nas corporações de ofício dos pedreiros medievais – e eles eram estritamente masculinos -, a regra foi mantida.

Direito de imagem Getty Images Image caption Na origem, sociedade se constituiu de forma a proteger informações sobre a construção civil

O poder veio nos Estados Unidos. Ali, os maçons tiveram participação importante na Independência americana e, não à toa, dos 55 signatários da Declaração de Independência, nove vinham da maçonaria.

Dos 39 que aprovaram a Constituição, 13 eram maçons. Benjamin Flanklin era maçom. George Washington, o primeiro presidente americano, também.

Na virada do século 18 para o século 19, a maçonaria era um 'clube' que reunia as mentes mais influentes e antenadas do planeta.

Os maçons também influenciaram a Revolução Francesa – conta-se que a Marselhesa, hino da França, foi composta na loja maçônica de Marselha.

Influência nas independências sul-americanas

Direito de imagem Getty Images Image caption Sociedade só permite homens maiores de idade, com endereço fixo e renda própria

Na América do Sul, não foi diferente.

Conforme estudos do pesquisador inglês Andrew Pescott, autor de “A História da Maçonaria da Marca”, a sociedade participou dos processos de independência de todos os países sul-americanos.

Na lista dos ilustres maçons libertadores, estão o venezuelano Simon Bolívar, o argentino José de San Martín e o chileno Bernardo O'Higgins. Além, é claro, de D. Pedro 1º.

“A maçonaria influenciou o processo de independência e, depois do Sete de Setembro, reuniões em lojas maçônicas pediam ajuda aos irmãos para que D. Pedro fosse reconhecido como imperador constitucional do Brasil”, afirma o historiador Paulo Rezzutti, autor da biografia D. Pedro – A História Não Contada.

A maçonaria brasileira nomeou Pedro 1º grão-mestre da sociedade. E ele assumiu o cognome de Guatimozin – nome dado pelos cronistas espanhóis ao último imperador asteca.

Não foi só a Independência. A República também veio por meio de um maçom, Marechal Deodoro da Fonseca.

Conspirações

O terreno fértil para conspirações tem dois motivos: o fato de a maçonaria ser uma sociedade exclusiva, ou seja, um clube onde só entram convidados e cujas reuniões são a portas fechadas, suscita especulações; ao mesmo tempo, tantos poderosos historicamente já fizeram parte da sociedade, ingrediente que alimenta o imaginário público.

Dessa junção de fatores vem a teoria mais famosa atribuída à maçonaria, a tal Nova Ordem Mundial propagada pelo candidato Daciolo.

De acordo com essa lenda, seria um plano para que o mundo tivesse um governo único, planejado e comandado por maçons.

Na prática, não faz sentido: nem as lojas maçônicas são únicas, do ponto de vista organizacional; cada casa é independente e abriga confrades com pontos de vista diferentes.

Image caption Confederação Maçônica Brasileira demonstra esforço para combater os mitos acerca da sociedade | Reprodução/Comab

A Confederação Maçônica Brasileira (Comab) esforça-se para combater os mitos acerca da sociedade. Segundo a organização, os maçons não são anticatólicos, tampouco “racistas e elitistas”, como muitos acreditam.

“Quanto ao racismo, a maçonaria estabelece explicitamente a igualdade entre os homens sem considerar raça, credo ou cor.

Se considerarmos que apenas são convidados a participar da maçonaria homens virtuosos e representantes da sociedade, pode-se dizer que ela é uma elite, embora o correto seja afirmar que ela impõe critérios rigorosos para a iniciação de um novo membro”, frisa a Confederação.

Ingresso

Para se tornar um maçom é preciso receber um convite ou se candidatar – hoje em dia, as associações maçônicas costumam disponibilizar formulários de interesse nos seus sites. A sociedade só permite homens maiores de idade, com endereço fixo e renda própria. Ter religião não é obrigatório, mas é preciso acreditar em Deus. Se o sujeito for casado, tem de contar com a anuência da família.

O iniciante passa por uma avaliação que pode durar até um ano.

“Tenha paciência. Esse processo pode demorar algum tempo e nós precisamos ter certeza de que você será um elemento útil à nossa Instituição, assim como você também deverá ter certeza de que sua decisão será benéfica para você e sua família”, informa a Grande Loja Maçônica do Estado do Rio de Janeiro, em recado aos interessados.

Image caption Jantar ritualistico realizado em loja maçonica do Rio de Janeiro; avaliação da entrada de novo membro pode demorar meses | Foto: Reprodução/GLMERJ

Tudo pode ser investigado: vida financeira, ficha policial, círculo de amizades, relações de trabalho. O nome é submetido aos outros membros e o candidato precisa ser aprovado por unanimidade.

Uma vez dentro, o novato precisa fazer o pacto de silêncio. Ou seja: nada do que é conversado ali dentro pode ser divulgado. Os maçons costumam fazer trabalhos voluntários em instituições filantrópicas e também se ajudam uns aos outros em caso de necessidade.

Historiadora da Universidade de São Paulo, Solange Ferraz de Lima conta que se surpreendeu com essa rede maçom quando estudou a vida e a obra do pintor e decorador italiano Oreste Sercelli.

Ela percebeu que ele conseguiu rapidamente destaque nos círculos sociais brasileiros, tão logo chegou ao País.

Logo, encontrou a explicação: ele era ligado à maçonaria – e, portanto, contava com o apoio dos confrades.

“A história da maçonaria é bem interessante. É impressionante como eles estão presentes em tudo”, afirma a historiadora. “Eles têm essa capacidade de articular, é uma rede muito poderosa. Mas, curiosamente, não é muito estudada – porque eles são muito fechados.”

É uma irmandade. E exclusivamente masculina. Mulheres e filhos são bem-vindos nos trabalhos sociais e eventos festivos – nunca nas reuniões ordinárias.

Segundo os maçons, o veto às mulheres é uma questão de tradição: como a maçonaria teve origem nas corporações de ofício dos pedreiros medievais – e eles eram estritamente masculinos -, a determinação foi mantida.

Apesar de todas essas regras e esse imaginário, acredita-se que a sociedade esteja muito mais aberta do que no passado. Crítico da ordem, o ex-maçom britânico Martin Short escreveu, no livro “Inside The Brotherhood”, que a maçonaria passa por essa transição.

Segundo ele, o que era uma sociedade secreta, hoje é uma sociedade discreta. Mas, em breve, o autor acredita, a maçonaria será uma sociedade civil aberta.

Mistérios elucidados sobre os maçons

Texto Eduardo Szklarz, de Buenos Aires

A maçonaria já foi acusada de tudo: fazer rituais sinistros, promover orgias, querer dominar o mundo… Até de estar por trás dos assassinatos de Jack, o Estripador. Muita gente acredita que a organização controla governos e que seus integrantes usam cargos públicos para se ajudar mutuamente.

Os maçons, no entanto, garantem que quase tudo isso é besteira. Eles não passariam de um grupo filosófico, filantrópico e progressista. Reconhecem que ajudam uns aos outros, mas que o dever de auxiliar um irmão está sempre sujeito à obrigação maior de cumprir a lei.

Afinal, qual é a verdade sobre essa sociedade secreta?

Para começar, a maçonaria não é tão secreta assim. Em vários países, inclusive no Brasil, todo mundo sabe onde ficam as lojas maçônicas e quem são seus membros. Maçons publicam revistas e divulgam suas idéias em sites da internet.

E, se antes mantinham seus templos imersos numa aura de mistério, hoje permitem visitas. Nossa reportagem entrou no templo da Grande Loja da Argentina de Maçons Livres e Aceitos, situada na rua Perón, 1242, em Buenos Aires.

Durante 3 horas, conversamos com diversos integrantes da maçonaria – e muitos nos entregaram cartões em que se identificavam como membros da ordem.

A julgar por iniciativas desse tipo, parece que a organização nunca foi tão aberta como hoje. Será que o grande segredo da maçonaria é não ter segredo algum, como dizem alguns irmãos? Pode ser. Mas o certo é que eles ainda mantêm sessões a portas fechadas.

Angel Jorge Clavero, grão-mestre da Grande Loja da Argentina, tem uma explicação para isso. “A maçonaria não é secreta, mas discreta. As cerimônias que realizamos aqui só interessam a nós, são reservadas aos iniciados.” Para Clavero, é exatamente o que ocorre em qualquer reunião, seja de condomínio ou da diretoria de uma multinacional.

“Se você não é dono de um apartamento no prédio ou diretor da empresa, não vão deixá-lo entrar.

VÁRIAS MAÇONARIAS

O argumento do grão-mestre faz sentido. Por outro lado, diretores de empresas não costumam se reunir para debater filosofia, vestidos com aventais coloridos e rodeados de objetos simbólicos.

Além disso, nem você nem seus vizinhos de apartamento precisam jurar segredo absoluto sobre o que foi discutido na reunião de condomínio. Na maçonaria, é assim que as coisas funcionam.

Para entender os porquês disso tudo, o primeiro passo é levar em conta que não existe uma só, mas várias maçonarias.

A organização é uma rede global, hoje composta de cerca de 6 milhões de integrantes espalhados pelos 5 continentes. Os rituais variam muito, de um país para outro. Cada loja tem autonomia, mesmo que pertença a uma federação nacional ou continental. Algumas usam a Bíblia em suas reuniões.

Outras, a Torá ou o Alcorão. Essa diversidade permite que os símbolos maçônicos tenham várias interpretações. E foi graças a ela que personalidades extraordinariamente distintas já vestiram o avental da irmandade: de Mozart a dom Pedro 1º, de Winston Churchill a Hugo Chávez (leia mais no quadro das págs.

14 e 15).

Mas as maçonarias também têm muito em comum. Todas elas, independentemente do país, defendem os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade. Veneram o Grande Arquiteto do Universo – como se referem a Deus.

E exigem requisitos dos iniciados, que, depois de passar por uma cerimônia de iniciação, vão galgando postos e acumulando mais e mais conhecimentos. Embora proíbam falar de política e religião dentro do templo, os maçons continuam tendo o poder e a influência de sempre.

A mesma que eles usaram para orquestrar capítulos decisivos da história, como a independência do Brasil, dos EUA e de quase todos os países da América Latina.

A origem da maçonaria é um mistério até para os maçons. Uma das teorias diz que ela surgiu há cerca de 3 mil anos, durante a construção do Templo de Salomão, em Jerusalém.

O rei israelita teria recrutado o arquiteto Hiram Abif, mestre na arte de talhar pedras, que ensinava os mistérios do ofício apenas a pedreiros escolhidos a dedo.

No fim da obra, 3 artesãos exigiram que ele lhes contasse os segredos. Abif recusou-se e acabou sendo assassinado por isso.

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O martírio do arquiteto jamais foi comprovado. Mesmo assim, significa muito para os maçons. Em The Meaning of Masonry (“O Significado da Maçonaria”, inédito no Brasil), o maçom britânico W.L. Wilmshurst interpreta a morte do mestre como um desastre moral para a humanidade – como se a chama do conhecimento tivesse sido apagada.

“Agora, neste mundo escuro, ainda temos os 5 sentidos e a razão, que vão nos proporcionar os segredos substitutos”, escreve Wilmshurst. A maçonaria, portanto, seria um sistema filosófico que discute o Universo e nosso lugar dentro dele.

Quanto mais o maçom sobe os degraus da confraria, mais perto ele chega da Luz – ou seja, o pensamento racional.

Outra tese afirma que os maçons são herdeiros dos templários, os cavaleiros que viajaram à Terra Santa no século 12 para defender os cristãos, mas acabaram perseguidos pela Igreja. E existe também quem defenda uma origem ainda mais remota, no Egito dos faraós ou na Grécia antiga.

Para a maior parte dos historiadores , contudo, foi na Europa medieval que a maçonaria assentou suas bases.

Ela teria começado na forma de sindicatos de pedreiros (masons, em inglês), que construíam monumentos para religiosos e monarcas – entre eles a Ponte de Londres e a Catedral de Westminster, também na capital da Inglaterra.

“Os pedreiros ingleses almoçavam e deixavam suas ferramentas em pequenas casas chamadas lodges [lojas]”, explica o jornalista americano H. Paul Jeffers no livro Freemasons (“Maçons”, sem tradução para o português). Assim como Abif, eles mantinham em segredo seus métodos de construção, pois eram a garantia de melhores salários.

Esses sindicatos floresceram até o século 16, quando os pedreiros tiveram uma surpresa. Abalada pela Reforma Protestante e pela rixa com o rei Henrique 8º, a Igreja parou de construir catedrais. Resultado: contratos para novas obras minguaram. “A maçonaria entrou em crise e sofreu uma grande mudança.

Tudo que era ligado à prática do ofício na pedra passou a ser alegórico, e as ferramentas viraram símbolos na contemplação dos mistérios da vida”, diz Jeffers. A ordem deixou de ser “operativa” para ser “especulativa”. E as lojas maçônicas passaram a interpretar esses símbolos por meio de conceitos morais, éticos e filosóficos.

A sociedade foi aberta a outros profissionais, como os cientistas, e deixou-se influenciar até pela alquimia.

Em 1717, 4 lojas de Londres se uniram na Grande Loja Unida da Inglaterra, que marcou o início da maçonaria atual. Em 1723, o maçom James Anderson compilou a tradição oral da irmandade numa constituição, cujos lemas eram ciência, justiça e trabalho.

Quem não gostou de nada disso foi a Igreja, sentindo seu poder ameaçado por um grupo que rejeitava dogmas, aceitava seguidores de outras crenças e era contra a influência da religião na vida pública. Pior: discutia seus assuntos em segredo, o que só aumentava a desconfiança da Santa Sé.

Em 1738, o papa Clemente 12 emitiu uma bula em que excomungava a maçonaria – ratificada em 1983 pelo cardeal Joseph Ratzinger, atual papa Bento 16.

O tiro saiu pela culatra. Quanto mais a maçonaria era difamada, mais ela atraía revolucionários – entre eles, o libertador sul-americano Simon Bolívar e o herói da independência americana Benjamin Franklin.

A Revolução Francesa também assumiu os valores maçônicos, mas não com a intensidade que muitos imaginam.

“Do mesmo jeito que alguns revolucionários franceses eram maçons, como Jean-Paul Marat, alguns opositores da revolução também eram”, diz o historiador inglês Jasper Ridley no livro The Freemasons (“Os Maçons”, inédito no Brasil). No século 20, a Igreja continuaria no encalço da maçonaria.

CÓDIGOS SECRETOS

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A história de perseguição explica por que os maçons desenvolveram códigos para se reconhecer no meio de outras pessoas. No aperto de mão, por exemplo, um tocaria com o indicador no pulso do outro.

Ao se abraçar, eles colocariam um braço por cima, outro por baixo, em X, e bateriam 3 vezes nas costas.

Mais uma forma de comunicação em lugares públicos seria ficar em posição ereta e com wos pés em forma de esquadro.

Em seus textos, os maçons abreviam as palavras usando 3 pontos em forma de delta. Exemplos: “Ir” é irmão, “Loj” é loja. Hoje, boa parte desses segredos já virou de domínio público. Tanto que o termo usado pelos maçons para se referir a Deus – Jahbulon, resultado da união dos nomes Javé, Baal e Osíris – aparece em quase 30 mil páginas na internet.

Para ingressar na maçonaria, é necessário ter ficha limpa, ser maior de idade e acreditar em um deus, seja ele qual for. O candidato precisa ser convidado por um maçom e só se torna aprendiz após ser aceito numa cerimônia de iniciação no templo, onde se compromete a não revelar o que escutar ali dentro.

“Nossa meta é formar homens melhores, ensiná-los a se libertar dos dogmas e a pensar por si mesmos”, diz o grão-mestre argentino Jorge Clavero. “A maçonaria não é como um partido político, que fixa posições. Ela atua na sociedade por meio de seus homens, silenciosamente. O iniciado faz sua obra entre a família, os amigos e em seu local de trabalho.”

  • RITO ESCOCÊS
  • 1º grau – Aprendiz iniciado
  • 2º grau – Companheiro de ofício
  • 3º grau – Mestre maçom
  • 4º grau – Mestre secreto
  • 5º grau – Mestre perfeito
  • 6º grau – Secretário íntimo
  • 7º grau – Preboste e juiz
  • 8º grau – Intendente dos edifícios
  • 9º grau – Mestre eleito dos 9
  • 10º grau – Mestre eleito dos 15
  • 11º grau – Cavaleiro eleito dos 12

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  1. 12º grau – Grão-mestre arquiteto
  2. 13º grau – Mestre do 9º arco
  3. 14º grau – Grão-eleito perfeito e sublime
  4. 15º grau – Cavaleiro do Oriente
  5. 16º grau – Príncipe de Jerusalém
  6. 17º grau – Cavaleiro do Oriente e do Ocidente
  7. 18º grau – Cavaleiro Rosacruz
  8. 19º grau – Grão-pontífice
  9. 20º grau – Mestre ad Vitam
  10. 21º grau – Patriarca noaquita
  11. 22º grau – Príncipe do Líbano
  12. 23º grau – Chefe do tabernáculo
  13. 24º grau – Príncipe do tabernáculo
  14. 25º grau – Cavaleiro da serpente de bronze
  15. 26º grau – Príncipe da mercê
  16. 27º grau – Comendador do templo

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  • 28º grau – Cavaleiro do Sol
  • 29º grau – Cavaleiro de Santo André
  • 30º grau – Cavaleiro kadosh
  • 31º grau – Grão-inspetor inquisidor comendador
  • 32º grau – Sublime príncipe do real segredo
  • 33º grau – Soberano grão-inspetor geral
  • RITO DE YORK
  • Mestre de marca
  • Past master (virtual)
  • Mui excelente mestre
  • Maçom do real arco
  • Mestre real
  • Mestre eleito
  • Mestre superexcelente
  • Ordem da Cruz Vermelha
  • Ordem dos Cavaleiros de Malta

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Ordem dos Cavaleiros Templários

Rumo ao topo da pirâmide

A escalada na hierarquia pode levar uma vida inteira

A estrutura da maçonaria tem a forma de duas escadas que começam e terminam juntas. O 1º passo do candidato é se tornar aprendiz. O 2º nível é o de companheiro de ofício e o 3º, de mestre maçom. Os 3 degraus iniciais são comuns ao rito escocês e ao de York. Depois disso, quem quiser subir na hierarquia deve escolher entre os dois sistemas ritualísticos.

No escocês são 33 graus, enquanto o de York tem apenas 10. A história dos ritos também é diferente: para muitos estudiosos da maçonaria, o ritual escocês foi fundado na França por imigrantes que fugiam de perseguições. Já o de York surgiu na cidade inglesa de mesmo nome, onde teria sido aberta a primeira loja maçônica da Grã-Bretanha.

No Brasil, o rito mais praticado é o escocês, mas estima-se que 85% dos maçons em todo o mundo pratiquem o de York.Alguns personagens importantes da tradição maçônica aparecem sobre os degraus desta ilustração, publicada pela primeira na revista americana Life, em 1956.

Entre eles, o rei Salomão (indicando o caminho na base do rito escocês), que construiu o 1º Templo de Jerusalém, e George Washington (no 20º grau do mesmo rito, mestre ad Vitam), primeiro presidente dos EUA. Sob o arco estão as organizações irmãs da maçonaria. Mestres maçons são aceitos na Grotto e na Altos Cedros do Líbano.

Meninas que têm um maçom na família podem ingressar na Filhas de Jó ou na Ordem das Garotas do Arco-Íris; mulheres, na Estrela do Oriente; e rapazes, na DeMolay. Apenas maçons de grau 32 e Cavaleiros Templários podem entrar para o Shrine. E a mulher de um Shrine pode ser uma Filha do Nilo.

Até na lua!

De presidente a astronauta, maçons que entraram para a história

GEORGE WASHINGTON – 1732-1799

Foi o primeiro e único a exercer ao mesmo tempo os cargos de mestre de uma loja e presidente dos EUA. Um terço dos presidentes americanos foram da maçonaria.

  1. AMADEUS MOZART – 1756-1791
  2. Um dos maiores compositores de todos os tempos, ingressou na maçonaria a convite de Joseph Haydn, outro gênio da música, membro de uma loja em Viena.
  3. DOM PEDRO 1º – 1798-1834

Chegou ao posto de grão-mestre no Brasil. Deixou a maçonaria assim que foi declarado imperador e proibiu os trabalhos da organização no país, temendo que seu poder fosse contestado.

  • WINSTON CHURCHILL – 1874-1965
  • Primeiro-ministro britânico durante a 2ª Guerra Mundial, foi iniciado em 1901, aos 26 anos de idade, na loja maçônica Studholme, em Londres, quando já era parlamentar.
  • HUGO CHÁVEZ – 1954-
  • Iniciado por um guarda-costas, segue os passos de outros maçons históricos que ele adora citar em discursos, entre eles: Simon Bolívar, José Martí e San Martín.
  • NEIL ARMSTRONG – 1930-

O primeiro homem a pisar na Lua era maçom. Ele teria vestido seu avental sobre o traje lunar durante a missão da Apolo 11, mas não há provas de que isso realmente tenha acontecido.

Para saber mais

• Freemasons

H. Paul Jeffers, Kensington Publishing, 2005 (em inglês).

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Por dentro do templo maçônico

Um passeio pela Grande Loja da Argentina de Maçons Livres e Aceitos, com explicação para tudo que você veria lá dentro

• ALTAR

Corresponde ao Santo dos Santos, o lugar mais sagrado do antigo Templo de Jerusalém. A poltrona central é usada apenas pelo venerável-mestre, que conduz os rituais.

• COMPAS E ESQUADRO

Remetem ao tempo em que os maçons eram pedreiros. Por desenhar círculos perfeitos, o compasso representa a busca da perfeição. Já o ângulo reto do esquadro sugere honestidade. A letra “G” vem de God – “Deus” em inglês.

• L E CÉU AZUL

São vários os significados atribuídos ao Sol na maçonaria. Rente ao teto do templo, ele pode ser interpretado como conhecimento e esclarecimento mental ou intelectual. O céu azul simboliza a natureza e o Universo.

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• CIÊNCIA, JUSTIÇA E TRABALHO

Os 3 adultos à esquerda, neste quadro do italiano Enrique Fabris, representam a ciência (ancião com a tocha da razão), a justiça (mãe carregando o filho) e o trabalho (homem vigoroso com ferramentas).

A esfinge central refere-se à sociedade iniciática e o longo caminho a ser seguido pelo homem na busca do conhecimento. O Sol simboliza a natureza, presente em seus 4 elementos: água, fogo, ar e terra.

Deles, apenas a água não pode ser dominada pelo homem – daí o mar revolto no quadro.

• AVENTAL

Símbolo de trabalho, ele protege o maçom e indica seu grau (na foto, Angel Jorge Clavero, grão-mestre da Loja Argentina de Maçons Livres e Aceitos). As luvas, sempre brancas, significam pureza, retidão moral e igualdade.

• ESTRELA DO ORIENTE

Com 5 pontas, ela simboliza o homem em seus 5 aspectos – físico, mental, emocional, intuitivo e espiritual. Ao fundo, observa-se a pirâmide com o olho que tudo vê, uma alusão a Deus.

• PI XADREZ

Representa povos do mundo unidos pela maçonaria. Os triângulos e quadrados simbolizam a harmonia que pode existir na diversidade. Também sintetizam os contrários: Bem e Mal, corpo e espírito.

  • Civilizações antigas
  • Mistérios da história
  • Mitos e verdades

Graus maçônicos

Maçonaria
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  • Graus maçônicos é o nome atribuído a uma hierarquia escalonada de evolução dentro dos Ritos existentes dentro da Maçonaria.
  • A maçonaria é uma associação que busca o aperfeiçoamento intelectual e social do homem, e que realiza seu intento dentro de uma estrutura que se organiza em ritos, estes são divididos escalonadamente em “graus“.
  • A divisão em graus foi herdada das guildas medievais.
  • Essa divisão comporta duas estruturas: os graus simbólicos e os graus filosóficos denominados por vezes noutros ritos como no Rito Francês ou Moderno por Ordens.

Diagrama dos dois maiores ritos maçônicos nos EUA

Graus simbólicos

Os graus simbólicos são atribuídos universalmente em todas Obediências Maçônicas por Lojas Simbólicas, também denominadas de Lojas de São João ou Lojas Azuis, estes graus são sempre atribuídos nestas Respeitáveis Lojas independentemente da Obediência Maçônica a que respeite e o seu ritual, os ensinamentos simbólicos e iniciáticos transmitidos são muito semelhantes. Assim a Maçonaria embora praticando vários ritos, tem uma principal característica que é o reconhecimento, em todos eles, dos três primeiros graus, havendo diferenças após o grau de Mestre Maçom.

  • 1) Aprendiz Maçom

O Aprendiz deve, acima de tudo, saber aprender. É o primeiro contato com o Simbolismo Maçônico. Aprende as funções de cada um no templo e sempre busca o desenvolvimento das virtudes e a eliminação dos vícios. Muitos maçons antigos afirmam que este é o mais importante de todos os graus.

  • 2) Companheiro Maçom

A fase de Companheiro propicia ao maçom um excepcional conhecimento de símbolos, além de avanços ritualísticos e desenvolvimento do caráter.

  • 3) Mestre Maçom

É o chamado grau da plenitude maçônica. No âmbito do Simbolismo (Lojas Simbólicas) é o grau mais elevado que permite ocupar quaisquer cargos. O Mestre possui conhecimentos elevados da história e objetivos maçônicos.

Graus Filosóficos e Ordens de Sabedoria

Graus Filosóficos do Rito Escocês Antigo e Aceito

Os graus a seguir referem-se exclusivamente ao Rito Escocês Antigo e Aceito:[1]

Inefáveis (Lojas de Perfeição)

  • 4) Mestre Secreto
  • 5) Mestre Perfeito
  • 6) Secretário Íntimo ou Mestre por Curiosidade
  • 7) Preboste e Juiz
  • 8) Intendente dos Edifícios
  • 9) Cavaleiro Eleito dos Nove
  • 10) Cavaleiro Eleito dos Quinze
  • 11) Sublime Cavaleiro dos Doze
  • 12) Grão-mestre Arquiteto
  • 13) Cavaleiro do Real Arco
  • 14) Perfeito e Sublime Maçom

Capitulares (Capítulos Rosa-Cruzes)

  • 15) Cavaleiro Do Oriente
  • 16) Príncipe de Jerusalém (Grande Conselheiro)
  • 17) Cavaleiro do Oriente e do Ocidente
  • 18) Cavaleiro Rosa-Cruz ou Cavaleiro Águia Branca

Filosóficos (Areópagos ou Conselhos de Kadosh)

  • 19) Grande Pontífice ou Sublime Escocês
  • 20) Soberano Príncipe da Maçonaria ou Mestre “ad vitam”
  • 21) Cavaleiro Prussiano ou Noaquita
  • 22) Cavaleiro Real Machado ou Príncipe do Líbano
  • 23) Chefe do Tabernáculo
  • 24) Príncipe do Tabernáculo
  • 25) Cavaleiro da Serpente De Bronze
  • 26) Príncipe da Mercê ou Escocês Trinitário
  • 27) Grande Comendador do Templo
  • 28) Cavaleiro do Sol ou Príncipe Adepto
  • 29) Grande Cavaleiro Escocês de Santo André da Escócia ou Patriarca das Cruzadas
  • 30) Grande Inquisitor, Cavaleiro Kadosh ou Cavaleiro da Águia Branca e Negra

Administrativos (Consistórios de Príncipes do Real Segredo)

  • 31) Grande Juiz Comendador ou Inspetor Inquisidor Comendador
  • 32) Sublime Cavaleiro do Real Segredo ou Soberano Príncipe da Maçonaria
  • 33) Soberano Grande Inspector-Geral.

Graus Superiores do Rito Escocês Retificado

Maçonaria Verde (ou de Santo André ou Ordem Intermediária)

  • Mestre Escocês de Santo André

Maçonaria Branca (ou Ordem Interior)

  • Escudeiro Noviço;
  • Cavaleiro Benfeitor da Cidade Santa

Ordens de Sabedoria do Rito Francês ou Moderno

Assim o conjunto dos graus filosóficos deste rito, compreende cinco Ordens de Sabedoria,2 a saber:

  • 1 Ordem: Eleito Secreto – 4º Grau
  • 2ª Ordem: Eleito Escocês – 5º Grau
  • 3ª Ordem: Cavaleiro da Espada ou Cavaleiro do Oriente – 6º
  • 4ª Ordem: Cavaleiro Rosa-Cruz – 7º Grau
  • 5ª Ordem: Cavaleiro Kadosh Filosófico ou Cavaleiro da Águia Branca e Preta – 8º Grau
  • 6ª Ordem: Cavaleiro da Sapiência ou Grande Inspetor – 9º Grau

As equivalências entre o Rito Francês e os outros Ritos

Com o Rito Escocês Antigo Aceito:

  • 1ª Ordem: 4° grau
  • 2ª Ordem: 9º ou mais (Mestre Eleito dos Nove)
  • 3ª Ordem: 14º e mais (Grande Escocês da Abóbada Sagrada)
  • 4ª Ordem: 18º e mais (Cavaleiro Rosa-Cruz)
  • 5ª Ordem: 30º e mais (Cavaleiro Kaddosch)
  • 6ª Ordem: 33º (Grande Inspector Geral)

Com o Rito Escocês Retificado:

  • 1.ª à 4.ª Ordem: Mestre Escocês de Santo André e mais
  • 5.ª Escudeiro Noviço
  • 5.ª Ordem: Cavaleiro Benfeitor da Cidade Santa (CBCS)

Graus Ocultos: Professor e Grande Professor

Graus Filosóficos do Rito Brasileiro

  • 4) Mestre da Discrição
  • 5) Mestre da Lealdade
  • 6) Mestre da Franqueza
  • 7) Mestre da Verdade
  • 8) Mestre da Coragem
  • 9) Mestre da Justiça
  • 10) Mestre da Tolerância
  • 11) Mestre da Prudência
  • 12) Mestre da Temperança
  • 13) Mestre da Probidade
  • 14) Mestre da Perseverança
  • 15) Cavaleiro da Liberdade
  • 16) Cavaleiro da Igualdade
  • 17) Cavaleiro da Fraternidade
  • 18) Cavaleiro Rosa-Cruz ou da Perfeição
  • 19) Missionário da Agricultura e da Pecuária
  • 20) Missionário da Indústria e Comércio
  • 21) Missionário do Trabalho
  • 22) Missionário da Economia
  • 23) Missionário da Educação
  • 24) Missionário da Organização Social
  • 25) Missionário da Justiça Social
  • 26) Missionário da Paz
  • 27) Missionário da Arte
  • 28) Missionário da Ciência
  • 29) Missionário da Religião
  • 30) Missionário da Filosofia. Kadosh Filosófico
  • 31) Guardião do Bem Público
  • 32) Guardião do Civismo
  • 33) Servidor da Ordem da Pátria e da Humanidade

Graus Superiores do Rito de York

Graus e Ordens superiores do Rito de York:[2][3]

Capítulo do Real Arco

  • 4) Mestre de Marca
  • 5) Past Master
  • 6) Mui Excelente Mestre
  • 7) Maçom do Real Arco

Conselho Críptico

  • 8) Mestre Real
  • 9) Mestre Eleito
  • 10) Super Excelente Mestre

Comandaria de Cavaleiros Templários

  • 11) Ordem da Cruz Vermelha
  • 12) Ordem de Malta
  • 13) Ordem do Templo (Cavaleiro Templário)

Cabe salientar que existe uma diferença entre o REAL ARCO (descrito acima), que é dos EUA, e o ARCO REAL (ou SAGRADO ARCO REAL), ingês.

ARCO REAL é considerado pela Grande Loja Unida da Inglaterra como um grau “paralelo” (como se fosse uma pós-graduação), sendo concedido a Mestres Maçons. Isto também se aplica ao grau de Mestre de Marca.

Ou seja, na Inglaterra você pode ser Maçom do Arco Real sem ser Mestre de Marca, fato impraticável no REAL ARCO onde ele representa o primeiro degrau da escada para se alcançar o grau de Maçom do Real Arco[4].

Desta forma, podemos ter uma situação inusitada: apesar do REAL ARCO e do ARCO REAL se reconhecerem e relacionarem, todos os Mestres Do Real Arco podem frequentar as reuniões de Mestre do Arco Real e Mestre de Marca, porém o Mestre do Arco Real só poderá frequentar reuniões de Mestre do Real Arco americano, a não ser que possua o grau de Mestre de Marca também. Mas, de qualquer forma, não poderá frequentar reuniões de Past Master ou de Mui Excelente Mestre americanos, por não possuirem estes graus.

Referências

  1. ↑ CAMINO, Rizzardo da. Rito Escocês Antigo e Aceito Loja de Perfeição (Graus 1.º ao 33.º), Madras Editora Ltda., 1999 (2.ª Ed.), ISBN 85-85505-65-6
  2. ↑ «Rito de York». www.maconariaportugal.com.

    Consultado em 10 de maio de 2019 

  3. ↑ Cândido, Guilherme (1 de fevereiro de 2016). «Rito de York: Os Graus». | Pavimento Mosaico |. Consultado em 10 de maio de 2019 
  4. ↑ Ismail, Kennyo. «REAL ARCO ou ARCO REAL???». No Esquadro.

    Consultado em 8 de abril de 2020 

Ligações externas

  • Website oficial do Grande Oriente Lusitano

Bibliografia

  • CAMINO, Rizzardo da. Rito Escocês Antigo e Aceito Loja de Perfeição (Graus 1.º ao 33.º), Madras Editora Ltda, 1999 (2.ª Ed.), ISBN 85-85505-65-6
  • ARNAUT, António. Introdução à Maçonaria, 2000, Coimbra Editora, ISBN 9789723214161

O Wikcionário tem o verbete Maçonaria.

  • Portal da maçonaria

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