Como apoiar alguém com autismo (com imagens)

27 de dezembro de 2017

  |  Tempo de leitura: 10 minutos

Autismo é um transtorno de desenvolvimento grave, que prejudica a capacidade de um indivíduo se comunicar e interagir com outras pessoas.

O autismo faz parte de um espectro de condições que limitam habilidades, interações sociais, comportamentos, a fala e comunicação não-verbal. Trata-se de uma condição geral para um grupo de desordens no desenvolvimento cerebral.

O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V) agrupou o autismo, o transtorno desintegrativo da infância, o transtorno generalizado do desenvolvimento não-especificado (PDD-NOS) e a síndrome de asperger, como quadros integrantes de um único diagnóstico chamado Transtorno do Espectro Autista  (TEA). O espectro agrupa desde um quadro mais leve (alta funcionalidade), com inteligência acima da média, a casos em que há deficiência intelectual (baixa funcionalidade).

Como Apoiar Alguém com Autismo (com Imagens)

Alguns estudiosos contestam o novo agrupamento feito pelo DSM-V. Alguns afirmam que os parâmetros atuais são vagos e por vezes, confusos. Em um mesmo grupo temos autistas gravemente incapacitados, que não conseguem nem falar. E também temos Albert Einstein e Bill Gates.

Autismo: desafios e diferenciais

Indivíduos com autismo enfrentam problemas no desenvolvimento da linguagem, nos processos de comunicação, na interação e comportamento social.

No entanto, quando falamos de um “espectro”, falamos de uma ampla variação. Cada pessoa que recebe um diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista é única.

Importante ressaltar que o autismo se manifesta de várias maneiras e nunca é exatamente igual de uma pessoa para outra.

Muitas pessoas com autismo não falam, mas compreendem a linguagem plenamente. Apenas são incapazes de comunicar em palavras seus sentimentos em relação ao que estão ouvindo.

Autistas podem ter dificuldade em interpretar sinais não verbais transmitidos por outras pessoas, em bater papo ou em compreender a linguagem corporal.

Por outro lado, pessoas com autismo muitas vezes superam os outros em tarefas auditivas e visuais, e também são melhores em testes de inteligência não verbais.

Pessoas com autismo têm, frequentemente, memórias excepcionais, e podem se lembrar de informações que leram semanas atrás.

Os indivíduos com autismo podem possuir a habilidade de concentrar-se fortemente sobre uma só coisa. Isso lhes permite aprofundar-se muito naquilo que desperta seu interesse. Alguns indivíduos se tornam pianistas ou cantores incríveis, graças ao fato de possuírem uma capacidade espantosa de decorar canções e notas musicais.

O Autismo em números

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 70 milhões de pessoas no mundo são autistas. De acordo com o Hospital Israelita Albert Einstein, 150 mil novos casos de autismo são diagnosticados por ano no Brasil. Estima-se que o Brasil tenha hoje cerca de 2 milhões de autistas. Aproximadamente 407 mil pessoas somente no estado de São Paulo.

Como identificar o grau de autismo?

O transtorno de autismo afeta o sistema nervoso. O alcance e a gravidade dos sintomas podem variar amplamente. Os sintomas mais comuns incluem dificuldade de comunicação, dificuldade com interações sociais, interesses obsessivos e comportamentos repetitivos. O critério de diagnóstico se baseia na funcionalidade, ou seja, na capacidade de um indivíduo realizar atividades simples.

  • Baixa funcionalidade: mal interagem. Em geral, vivem repetindo movimentos e apresentam retardo mental, o que exige tratamento pela vida toda.
  • Média funcionalidade: são os autistas clássicos. Têm dificuldade de se comunicar, não olham nos olhos dos outros e repetem comportamentos.
  • Alta funcionalidade: também chamados de aspies, têm os mesmos prejuízos, mas em grau leve. Conseguem estudar, trabalhar, formar família.
  • Síndrome de savant: cerca de 10% pertencem a essa categoria marcada por déficits psicológicos. Porém, são detentores de uma memória extraordinária.

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O autismo pela visão de uma autista

Temple Grandin,  bióloga, Ph.D. em zootecnia, professora na Universidade Estadual do Colorado (EUA), não falava até os três anos e meio de idade. Ela foi diagnosticada com autismo na infância e, no TED abaixo, fala sobre como sua mente funciona.

Nesse vídeo incrível, ela compartilha sobre sua habilidade de pensar por imagens. Ela explica como essa habilidade a ajuda a resolver problemas que cérebros neurotípicos não conseguiriam. Ela traz à tona que o mundo precisa de pessoas com o espectro autista: pensadores visuais, pensadores em padrões, pensadores verbais e todos os tipos de crianças inteligentes.

Em matéria publicada pela Revista Saúde, em outubro de  2017, Temple Grandin prefere define os autistas por afinidades e padrões de pensamento. Segundo ela, pessoas com autismo podem ser divididas em três grupo:

  • O primeiro grupo pensa por imagens e curte atividades manuais. Eles têm habilidade para desenhar, pintar, cozinhar, costurar… E podem seguir carreiras como ilustrador, fotógrafo, designer.
  • O segundo grupo de autistas pensa por palavras e fatos. Essa turma decora trechos de livros e diálogos de filmes com muita facilidade. E pode se dar bem fazendo curso de letras, história, jornalismo…
  • Um terceiro tipo de autista é o que pensa por padrões e se dá bem em música ou matemática. Na infância, adora brincar com peças de Lego. No futuro, rende um bom engenheiro, físico, programador de computador, músico…

Temple Grandin é autora dos livros Cérebro Autista, Thinking in Pictures (Pensando em imagens) e Uma menina estranha, autobiografia que já virou filme.

Causas e Fatores de Risco

Até o presente momento não existem causas conclusivas para o autismo. Alguns estudos e pesquisas levantam indícios de que o transtorno possa estar relacionado com alterações genéticas. Com o avanço da tecnologia e genética, neuropsicólogos e neurocientistas associam o autismo com mutações genéticas, doenças metabólicas e outros transtornos do desenvolvimento.

Mesmo as causas do autismo não sendo efetivamente conhecidas, cientistas e pesquisadores afirmam existirem fatores de risco:

  • Gênero: Crianças do sexo masculino são mais propensos a terem Autismo. Estima-se que para cada 8 meninos autistas, 1 menina também é.
  • Genética: Cerca de 20% das crianças que possuem Autismo também possuem outras condições genéticas, como Síndrome de Down, Síndrome do X frágil, esclerose tuberosa, entre outras.
  • Pais mais velhos: A ciência diz que, quanto mais velho alguém ter um filho, mais riscos as crianças têm de desenvolver algum tipo de problema. E com o Autismo não é diferente.
  • Parentes autistas: Caso a família já possua histórico de Autismo, as chances de alguém também possuir são maiores.

Quais são os direitos de uma pessoa com autismo?

Em matéria publicada em novembro de 2017, o jornal a Gazeta do Povo trouxe o autista como um sujeito de direitos. O jornal aborda os direitos nas áreas da saúde, educação, mercado de trabalho, transporte, previdência e segurança jurídica dos autistas.

A Lei 12.764

A Lei que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista é a Lei nº 12.764, de 27 de dezembro de 2012. Esta lei estabelece algumas diretrizes e define, em seu parágrafo primeiro, um indivíduo com Transtorno do Espectro Autista como sendo portador de:

I – deficiência persistente e clinicamente significativa da comunicação e da interação sociais, manifestada por deficiência marcada de comunicação verbal e não verbal usada para interação social; ausência de reciprocidade social; falência em desenvolver e manter relações apropriadas ao seu nível de desenvolvimento;

II – padrões restritivos e repetitivos de comportamentos, interesses e atividades, manifestados por comportamentos motores ou verbais estereotipados ou por comportamentos sensoriais incomuns; excessiva aderência a rotinas e padrões de comportamento ritualizados; interesses restritos e fixos;

A regulamentação prevê a atenção integral às necessidades da pessoa com transtorno do espectro autista. Os objetivos são o diagnóstico precoce, atendimento multiprofissional e o acesso a medicamentos. Tem como diretriz o estímulo à inserção da pessoa autista no mercado, observadas as peculiaridades da deficiência.

Direitos na área de saúde

Em seu artigo terceiro, a lei assegura como direito o acesso a serviços de saúde, com vistas à atenção integral às suas necessidades, incluindo:

  • o diagnóstico precoce, ainda que não definitivo;
  • o atendimento multiprofissional;
  • a nutrição adequada e a terapia nutricional;
  • os medicamentos;
  • informações que auxiliem no diagnóstico e no tratamento.

Acessibilidade

É direito do indivíduo com autismo ter acesso:

  • à educação e ao ensino profissionalizante;
  • à moradia, inclusive à residência protegida;
  • ao mercado de trabalho;
  • à previdência social e à assistência social.
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De acordo com a lei, conforme a necessidade, a pessoa autista tem direito a acompanhante especializado em classes do ensino regular.

Tratamento

O autismo é um quadro para vida toda, portanto não há uma cura. Sendo assim, o reconhecimento precoce, assim como a psicoterapia, as terapias comportamentais, educacionais e familiares reduzem os sintomas e fornecem um pilar de apoio ao desenvolvimento e à aprendizagem.

Com o estímulo adequado e ajuda de uma equipe multidisciplinar uma criança com autismo pode conseguir atingir um ótimo desenvolvimento. Como equipe multidisciplinar entende-se um fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, neurologista, psicólogo e pediatra.

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Suporte aos pais

Recomenda-se também que os pais de crianças com autismo procurem a orientação de um psicólogo. É importante que os pais façam acompanhamento psicológico para compreender e lidar melhor com as questões que surgirão. A participação em grupos de apoio onde possam compartilhar experiências e vivências também é de grande valia.

Listamos abaixo algumas organizações que além de promover e incentivar pesquisas sobre autismo, oferecem apoio para pais e familiares de pessoas autistas.

  • AMA – Associação de Amigos do Autista – ama.org.br;
  • Instituto Autismo é Vida

Saiba como os suportes visuais podem ajudar uma criança com autismo

Como Apoiar Alguém com Autismo (com Imagens)

Conforme já abordarmos aqui, uma das maiores dificuldades de pessoas com autismo é a comunicação. Geralmente, elas precisam de ajuda para explicar o que querem. Dessa forma, os suportes visuais aparecem como uma boa maneira de ajudar a comunicação de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Contudo, é preciso lembrar que todos nós precisamos de suportes visuais. Por exemplo, quando vamos utilizar um banheiro público ou quando vamos atravessar uma rua. Nesses casos, as placas com símbolos específicos nos ajudam a tomar decisões. A pedagoga e psicomotricista Beatriz Zeppelini explica que são as pessoas com autismo que mais se beneficiam do uso de suportes visuais.

“Os caminhos visuais fazem mais sentido para pessoas com autismo. Muitas pessoas com autismo, que têm capacidade de se expressarem verbalmente, já manifestaram que aprendem mais quando as informações são visuais. Isso porque a área cerebral que é responsável pela parte visual costuma funcionar melhor em pessoas com autismo. Muitos tem memória visual excelente”, conta.

O que exatamente são os suportes visuais?

Segundo Beatriz Zeppelini, suportes visuais são qualquer tipo de item visual acrescentado em um determinado ambiente para facilitar a compreensão de pessoas com TEA ou minimizar as dificuldades de comunicação.

“O grupo de habilidades sociais que desenvolvo com algumas crianças pode ser usado para exemplificar o que são os suportes visuais. As crianças se sentam em uma roda e devem seguir determinadas regras.

Para muitas pessoas, não é preciso de imagens que as lembrem das regras, mas para essas crianças, sim.

Há diversas regras que são explicadas por meio de pictogramas, como permanecer sentado no lugar, levantar a mão para falar, entre outros”, explica a psicopedagoga.

Outro exemplo é o aplicativo JADE que utiliza suportes visuais, com imagens específicas para a realização das atividades educativas propostas na plataforma. Essas atividades, por meio das imagens, estimulam o desenvolvimento de crianças com espectro autista.

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Avaliação individual

Os suportes visuais podem ser usados em atividades básicas do cotidiano. Com o intuito de ensinar a criança a escovar os dentes, por exemplo, os pais podem usar imagens que ajudam na compreensão daquela atividade pela criança. O ideal é que o adulto responsável forneça instruções iniciais para a criança para que ela compreenda melhor a mensagem dos recursos visuais.

Já para os profissionais, é necessária a compreensão de que as crianças com autismo são diferentes uma das outras. Por isso, cada uma exige uma necessidade diferente. Beatriz Zeppelini alerta sobre os riscos das generalizações.

“Cada criança com autismo precisa de uma avaliação individualizada. Eu não posso dar uma receita de bolo e dizer que todas as pessoas com autismo precisam de determinada técnica. Nós precisamos fazer um rastreamento das habilidades e das dificuldades para, assim, elaborarmos um planejamento e colocarmos os suportes necessários”, explica.

Suportes visuais e a rotina da criança

As crianças com autismo, geralmente, são mais resistentes às mudanças de rotina. Por isso, um suporte visual interessante é a agenda ou quadros de atividades.

“Como essas crianças têm pouca flexibilidade, o suporte visual pode dar uma certa previsibilidade da rotina. Por meio do uso de uma agenda, por exemplo, é possível minimizar os problemas de comportamento relacionados à mudança de rotina.

O uso deste recurso dá à criança uma noção do que vai acontecer no dia dela”, explica Beatriz.

Para saber mais sobre como os suportes visuais podem ser usados na rotina das crianças, confira aqui o vídeo de Beatriz Zeppelini sobre o assunto. Fique de olho em nosso blog para ficar por dentro de outras discussões importantes sobre o TEA.

Qual a importância das pistas visuais para trabalhar com autistas?

No Brasil, a estimativa é que existam cerca de 2 milhões de autistas. Uma das maiores dificuldades enfrentadas por alguém com TEA (Transtorno do Espectro do Autismo) é a comunicação.

Essas pessoas precisam de ajuda para explicar e demonstrar o que está se passando em suas mentes. E as pistas visuais para trabalhar com autistas são excelentes opções para solucionar ou amenizar o quadro.

Uma grande questão que envolve o autismo é a aprendizagem. Para estimular o ouvir e interpretar, é preciso criar estratégias capazes de melhorar esse aspecto.

Em casa, mas também em escolas e consultórios de profissionais como fonoaudiólogos, nutricionistas, psicólogos e médicos pediatras. Por isso a importância de profissionais que atuam com indivíduos com autismo façam uma especialização na área.

Uma estratégia que ajuda muito é a utilização das pistas visuais para trabalhar com autistas. Continue a leitura e saiba mais!

Como usar as pistas visuais para trabalhar com autistas?

As pistas visuais são imagens que auxiliam na independência do indivíduo, um exemplo são as sequências de ações a serem realizadas, apresentadas na forma de desenhos claros e objetivos. Elas podem ser usadas, por exemplo, em atividades básicas de higiene da vida diária, como escovar os dentes, lavar as mãos, tomar banho, entre outras

Para ensinar o autista a escovar os dentes sem a ajuda de um adulto, uma ideia é colocar no banheiro uma sequência de imagens, como um passo a passo, mostrando como se deve fazer isso. É preciso pegar a escova, colocar o creme dental, informar em quais partes da boca ela deve ser usada e, finalmente, indicar o momento de cuspir e enxaguar.

No início, ainda é necessário que um adulto passe as instruções e realize os movimentos físicos das imagens com o indivíduo com Autismo. Mas esse apoio deve ser removido gradualmente, para oferecer maior independência para eles.

Onde colocá-las

As imagens devem ficar nos locais onde a ação acontece: as fotos para escovar os dentes e lavar as mãos precisam ser coladas na parede da pia; as imagens relacionadas ao banho ficam no box ou na parede de dentro; as que indicam como trocar de roupa, no quarto — e assim por diante.

O ideal é que, nos primeiros contatos da criança com a pista visual, um adulto vá pegando as imagens e mostrando-as para ela na sequência. Depois, ele deve ensiná-la a manusear as fotos ou apontar para cada uma de acordo com a próxima ação a ser feita.

Uma ótima tática é nomear cada uma das imagens. Assim, fica mais fácil identificá-las e o processo se torna mais natural para os envolvidos.

Na escola

As escolas também precisam se preparar para receber alunos autistas. Profissionais especialistas em Transtorno do Espectro do Autismo são importantes para ajudar na relação do autista com outros alunos e até mesmo para ajudar os pais.

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Os responsáveis podem montar uma pista visual mostrando a rotina do dia da criança naquele lugar, desde o horário que chega na escola até o momento de sair. Também é interessante criar pistas visuais de como ela pode chegar ao banheiro ou ir à cantina na hora do intervalo, por exemplo.

No consultório

Consultas com profissionais de Saúde está fora da rotina da criança, portanto pode ser difícil para ela compreender porque está indo a esse lugar. Ao chegar lá, é importante que existam pistas visuais na parede mostrando desenhos da rotina interna.

Coloque imagens do que a pessoa fará desde o momento em que entra no consultório até quando vai embora. É interessante sempre associá-las a ações positivas, como as crianças sorrindo.

Em casa

É possível criar uma pista visual para, por exemplo, tornar a criança mais independente à medida que ela for crescendo. Isso ajuda a resolver tarefas mais complexas.

Monte uma pista visual de como ela pode arrumar a mochila para ir à escola e como se preparar para isso. Coloque um passo a passo com tudo aquilo que tem de ser levado, uma imagem de cada vez, indicando os objetos que devem ir para dentro da mochila.

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Quais são as vantagens desse recurso?

Agora que você já sabe o que é uma pista visual para autistas, fica mais simples identificar os diversos benefícios que ela oferece para o dia a dia do portador de TEA e, também, de toda a família. A seguir, veja alguns dos mais importantes.

Melhora a comunicação funcional

A criança pode ser ensinada a apontar para uma foto quando quer dizer alguma coisa. As imagens são físicas ou digitais (usando um smartphone, tablet ou outro dispositivo portátil) e podem ajudar o pequeno a pedir, perguntar, comentar e assim por diante.

A criança pode indicar a imagem que representa o “eu quero”, por exemplo, e apontar para outra com um suco ou uma comida. Dessa forma, ela aprende a se comunicar e consegue obter o que deseja sem grandes dificuldades.

Mas lembre-se de que o estímulo auditivo também faz parte do processo e deve ser dado pelo adulto, já que a ideia é ajudar na comunicação (e não de substituí-la pelas imagens).

Estimula a independência e a compreensão da sequência de tempo

Uma das maiores preocupações dos responsáveis é quanto à independência do portador de TEA. Adotando as pistas visuais e melhorando a comunicação, essa criança vai ficando mais independente com o passar do tempo, conseguindo fazer desde atividades simples, como as de higiene pessoal, até as mais complexas.

Muitas crianças com TEA não têm a noção de sequência do tempo. Assim, elas não distinguem bem o que é manhã, tarde ou noite. Nesse caso, o quadro de rotinas pode ajudar bastante, pois mostra uma sequência de ações divididas entre os períodos do dia com desenhos.

Melhora a disciplina e atenua comportamentos inadequados

A rotina é fundamental para a criança com autismo. Por isso, montar um quadro de rotina visual é importante. Nele, você deve colocar uma sequência do que precisa ser feito até o final do dia e, com o passar do tempo, resumindo e diminuindo as sequências.

Caso haja um evento não corriqueiro em determinada semana, a imagem deve ser colocada no quadro com antecedência, para evitar transtornos ou comportamentos inadequados. Uma vez que esses comportamentos podem prejudicar a interação social e dificultam a formação de laços de amizade ou familiares. Mas eles podem ser melhorados com o uso de pistas visuais.

Como podemos ver, usar pistas visuais para trabalhar com autistas possibilita melhorar significativamente não apenas a vida do portador de TEA, mas a de todos que convivem com ele. Por isso é tão importante a especialização na área para profissionais que trabalham diretamente com crianças, como pedagogos, psicólogos e outros profissionais de Saúde.

Quer saber mais sobre como melhorar a vida do portador de autismo? Então, baixe nosso e-book gratuito sobre Plano de Atividades para Trabalhar com Autistas!

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Confira 5 dicas para ajudar um autista a interagir

Uma das principais características do Autismo ( Transtorno do Espectro Autista – TEA) é a dificuldade de interação com outras pessoas. Isso ocorre devido a uma série de dificuldades que acompanham a síndrome, tais como: problemas sensoriais, atraso de linguagem, dificuldades para usar formas de comunicação e de perceber sentimentos, gestos e faces humanas.

Contudo, a interação do autista é possível sim; através de muitos estímulos, paciência, dedicação e carinho. Confiram as dicas que preparamos para auxiliá-los nesse processo!

1-  A escola é fundamental

A escola é uma parte importante da socialização da pessoa com autismo. Isso porque a convivência  permite que o autista seja capaz de compreender as habilidades de socialização, percebendo o que os gestos significam e como interagir com os colegas.

Neste contexto, a sensibilidade e a compreensão da escola é salutar e os professores devem ser preparados para a possibilidade de sair com a  criança para fora da sala em caso de intolerâncias e desenvolver atividades alternativas e compensatórias, buscando assuntos ou meios que o atraia.

Tais atitudes evitarão que a criança venha a repudiar a escola com seus barulhos e regras impositivas e passe a apreciar seu ambiente.

Além disto, é importante tomar medidas que previnam bullying e conscientizem a todos na escola sobre o que significa o Autismo e como proceder com seu amigo autista, o qual costuma ser socialmente ingênuo e indefeso.

2- Procure a ajuda de profissionais

Procure trabalhar com um psicólogo ou outro profissional as habilidades sociais da pessoa autista. As terapias ensinam os pacientes a reconhecerem situações-problema em potencial e a utilizarem  estratégias para que eles possam lidar com a maioria das situações.

Uma situação muito comum é o autista ficar nervoso diante do barulho excessivo e da presença de pessoas que não pertençam ao seu ciclo de convivência. Nesse momento, é importante traçar estratégias para acalmá-lo ( como levá-lo para um lugar calmo e colocar um vídeo no celular de que ele goste); para que assim ele consiga permanecer no local por mais tempo.

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  • 3- Comunique-se com fotos e aplicativos

Incorporar histórias em imagens na rotina das pessoas com autismo, principalmente diante de assuntos difíceis como a partilha e comunicação de sentimentos pode ser uma boa forma de ajudá-los a interagir.

Busque na internet figuras de crianças rindo, chorando, brincando com outras crianças e use a criatividade para montar historinhas que ensinem o autista de forma lúdica a lidar com diversas situações do dia a dia.

Aplicativos, como o Talking Tom Cat, constituem também outra ferramenta importante de ajudar o autista na comunicação.

Como Apoiar Alguém com Autismo (com Imagens)

  1. 4- Regras de linguagem social
  2. O fonoaudiólogo irá ajudar a pessoa com autismo a melhorar sua fala e até mesmo aprender a efetuar contato com os olhos,  uma habilidade fundamental para a interação social.
  3. 5-Ajude-o a fazer amigos

Tanto na escola como em outras situações sociais, as pessoas com autismo irão funcionar melhor com a ajuda dos pais.

  Isso porque o apoio da família é essencial para entender possíveis intercorrências negativas no cotidiano sentidos pela criança e diminuir, assim, medos e fobias específicas que podem gerar repúdio da criança para encarar novos ambientes ou até ambientes com os quais já tinha se habituado.

Por exemplo, quando a criança com autismo for sair para brincar é importante que os pais a acompanhem e tentem fazer uma aproximação com as outras crianças, sempre buscando integrar o autista nas conversas e brincadeiras.

Convide as crianças para brincarem na sua casa e acompanhe a brincadeira para garantir que o autista não se isole.

Leve-o para festinhas e outros eventos sociais e aos poucos tente expandir o limite de tolerância da pessoa autista.

Como Apoiar Alguém com Autismo (com Imagens)

Por Talita Cazassus Dall’Agnol

15 dicas para ajudar seu aluno com autismo

Seguem as nossas 15 dicas para ajudar seu aluno com autismo. É importante notar que não é preciso implementar todas as dicas para todos os alunos. Cada aluno é único, e o que funciona para um aluno com autismo talvez não funcione para outro.

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1 – Aposte na comunicação visual – prefira explicar e ilustrar conteúdos apoiando-se em figuras, quadros, fotos, objetos reais e demonstrações físicas.

2 – Opte por dividir as atividades, exercícios e tarefas em partes – em vez de pedir que o aluno faça, por exemplo, cinco operações matemáticas ou escreva dez frases de uma vez, sugira primeiro que ele comece com duas ou três.

3 – Comece pelas tarefas mais fáceis e deixe as tarefas mais complexas para o final – isso eleva a autoestima do aluno e o estimula a continuar engajado na atividade. Você pode também optar por começar com atividades que você já sabe que o aluno gosta mais, e ir introduzindo aos poucos as atividades que ele tem mais resistência.

4 – Forneça instruções claras e diretas e use palavras concretas – evite enunciados e solicitações longas e abstratas. Em vez de fazer perguntas abertas, ofereça duas alternativas e deixe que o aluno escolha a que deseja. Você poderá usar ainda músicas, gestos, objetos e personagens para facilitar a comunicação e tornar as interações com os professores e os demais alunos mais divertidas.

5 – Inclua acessórios na rotina – elabore quadros de rotinas visuais e relógios para acompanhar a marcação do tempo e antecipar Como Apoiar Alguém com Autismo (com Imagens)a transição de atividades.

6 – Preveja e antecipe as mudanças na rotina – invista em explicações e avisos sobre as mudanças. Leve o aluno antes para conhecer um novo espaço ou uma nova situação e observe se ele se sente confortável com a novidade.

  • 7 – Seja um modelo social e convide os outros alunos a também agirem dessa forma – dê exemplos de respostas sociais esperadas em situações cotidianas e mostre claramente as emoções que as pessoas sentem em determinadas situações.
  • 8 – Invista na troca de informações com a família e com os outros profissionais que auxiliam o aluno – mantenha anotações detalhadas na agenda diária do aluno e converse com a família sobre habilidades adquiridas e desafios encontrados no dia a dia.
  • 9 – Observe a ocorrência de sobrecarga sensorial – ofereça exercícios físicos, massagens ou objetos de conforto de forma a auxiliar o processamento sensorial.
  • 10 – Identifique os interesses e motivações do aluno – use esses interesses e motivações para despertar  a atenção para as atividades, para facilitar o engajamento nas tarefas e para manter o aluno focado numa tarefa quando a classe estiver mais agitada.
  • 11 – Prepare alternativas para as atividades – planeje um “plano B”, ou seja, uma forma alternativa de apreender determinado conteúdo ou de executar determinada atividade.
  • 12 – Acredite no potencial do aluno – procure soluções criativas para verificar se o aluno tem absorvido o conhecimento, especialmente nos casos dos alunos que ainda não utilizam a comunicação verbal.
  • 13 – Troque questões abertas por questões fechadas (como as de múltipla escolha) e incorpore desenhos, esquemas visuais e ilustrações às questões e explicações.
  • 14 – Use histórias sociais, de preferência ilustradas ou reproduzidas teatralmente, para explicar situações sociais mais complexas como as festas da escola, a chegada das férias ou a troca de professores – todas estas situações podem ser antecipadas, explicadas e ensaiadas através destas histórias sociais.
  • 15 – Não tenha medo de errar – tente encontrar os caminhos que funcionam melhor com cada aluno, lembrando que as crianças com autismo podem diferir bastante entre si.

Quer conhecer experiências de alunos com autismo na escola? Leia a série de reportagens publicadas na Revista Escola sobre o projeto de inclusão do aluno Matheus.

Veja o nosso post com uma imagem ilustrativa das nossas 15 dicas de como ajudar seu aluno com autismo. Você mesmo poderá imprimir um cartaz ilustrativo para projetos de inclusão de alunos com autismo usando a sua impressora.

Como agir com uma criança autista?

Resistente a mudanças, hipersensível, com dificuldade para o contato físico, mas principalmente singular. Assim é o indivíduo com autismo, transtorno que se manifesta em diferentes níveis sendo, portanto, equivocado generalizar a condição das crianças com o transtorno. É preciso analisar caso por caso.

No entanto, mesmo que você não seja um estudioso do assunto, basta estar atento determinadas características para saber como estabelecer um contato amigável.

Confira abaixo algumas dicas do professor de Psicologia Reginaldo Daniel da Silveira, do Centro Universitário Autônomo do Brasil (Unibrasil), que podem te ajudar nesse contato:

Saiba como se comunicar: ao falar com a criança autista, procure modular a voz, fazendo entonações que a ajudem a identificar emoções.

Gesticule de maneira a mostrar que você tem interesse em entendê-la. “Use palavras simples e curtas, expresse-se usando olhos, boca, nariz e corpo.

Converse sobre assuntos que agradem ela e tenha paciência, dando tempo para a criança processar as informações”, explica Silveira.

Desperte a atenção: aproveite os momentos em que ela está relaxada. Use estímulos visuais criando ambientes físicos, minimizando estímulos de distração como luz e sons, por exemplo. Figuras, imagens de objetos e paisagens podem facilitar sua aproximação. Além disso, demonstre que você se importa com a presença dela naquele lugar.

Brinque com ela: o professor explica que lojas especializadas oferecem pela internet, produtos para atividades com crianças autistas. No entanto, ele indica que papel, papelão, balde e potes podem muito bem ser utilizados como brinquedos, porque se tornam ilimitados pela criatividade.

Conte histórias: conte histórias para a criança usando um repertório de gestos, olhares e tons de voz. Esse pode ser um jogo bem produtivo, porque incentiva a concentração sobre a história, enriquece a linguagem e favorece o vínculo.

Cuidado ao toque e com as palavras: a criança autista é hipersensível. Então cuide com a intensidade da voz, com os gritos e até abraços. Ao perceber que uma determinada palavra a incomoda, procure estudar o que isso pode significar para a criança. Tudo o que você falar, explique palavra por palavra.

Ajude-a quando ela se assustar: descubra o que a assustou. Se for um ruído, veja se consegue eliminar esse estímulo. Se ela se debater ou sacudir o corpo, afaste objetos que possam machucá-la.

Ao proteger a cabeça da criança, pegue-a no colo ou deixe uma almofada ou travesseiro sob sua cabeça.  “Para acalmá-la você pode fazer uma pequena massagem nas têmporas, nos ombros nas costas ou pés.

Se puder permita que ela ouça uma pequena canção acompanhada de movimentos suaves e cuidadosos”, recomenda o professor.

Quando for necessário quebrar a rotina: a criança autista pode ter resistência a mudanças e uma rotina modificada por provocar reações como comportamentos repetitivos.

Para quebrar rotinas dessa criança, apresente sinais de transição (objetos, gestos), use um timer, uma campainha para a criança se acostumar com uma mudança de atividade.

Se for de um lugar para o outro, explique como, quando e para onde ela está indo.

Incentive o contato com outras pessoas: manter objetos de agrado da criança à sua vista, mas inalcançáveis, fazem com que ela tenha de se comunicar com adultos para conseguir o que quer.

Apresente um amigo animal: de acordo com o especialista, estudos recentes, como o da Universidade de Missouri (EUA), indicam melhoria no tratamento de crianças autistas através do contato com cães.

Elas se sentem à vontade para agir com os animais e isso acaba estimulando habilidades sociais.

Entre os ganhos obtidos nos diversos estudos feitos, aponta-se a melhora na socialização e comunicação, redução do isolamento e solidão, estímulo de afeição e prazer, melhora do humor, da atenção, da aprendizagem e na expressão de sentimentos e confiança.

Desde 2007, a ONU instituiu o dia 2 de abril como o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Isso porque ainda há bastante preconceito em relação ao autismo, mesmo que o conhecimento médico sobre o assunto seja vasto.

Inclusive, a necessidade de conscientizar o maior número possível de pessoas sobre o tema e o fato de que o transtorno afeta mais os meninos, transformou abril em Abril Azul.

De acordo com a ONU, hoje, uma em cada 68 crianças apresenta algum transtorno do espectro do autismo.

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