Como analisar um conto (com imagens)

O conto é uma narrativa literária caracterizada pelo tamanho curto, com o foco em determinado acontecimento. Além disso, são histórias fictícias e com moral no final, como no caso dos contos de fadas.

A estrutura do conto conta apenas com um conflito, o clímax – parte de maior intensidade na história. Dessa forma, o conto é caracterizado por possuir poucos personagens, os espaços ou cenários são limitados e o recorte temporal é reduzido.

O conto ainda possui uma subcategoria, o microconto. Ou seja, é possível que as características do conto aparaceram em apenas uma ou duas frases. Veja os exemplos:

  • Vende-se sapatinhos de bebê nunca usados;
  • Uma gaiola saiu à procura de um pássaro.

Dessa forma, as narrativas são classificadas como microconto e possuem um único conflito.

Como Analisar um Conto (com Imagens)Fonte: Blog Divertudo

Estrutura do conto

O conto é estruturado com base na tipologia narrativa, ou seja, é necessária uma introdução, desenvolvimento e conclusão da história.  Dessa forma, o conto contém a presença de personagens, de um narrador, do tempo, espaço, enredo e conflito.

Como Analisar um Conto (com Imagens)Fonte: Nova Escola

Personagens

Resumindo, os personagens são definidos pelos seres que dentro da narrativa sofrem ou executam ações. Dessa forma, os personagens podem ser constituídos com seres animados, como pessoas e animais, ou inanimados, dando vida à objetos e plantas.

Narrador

O narrador é definido por aquele (a) que descreve os acontecimentos. Dessa forma, é divido em três tipos: narrador em 1ª pessoa, narrador observador e narrador onisciente.

  • Narrador em 1ª pessoa: é definido como aquele (a) que, além de narrar a história, também participa do enredo colocando os verbos em 1ª pessoa. Assim, também é chamado de narrador personagem;
  • Narrador observador: é o tipo de narrador que não participa do que está acontecendo na trama, apenas relata os fatos desconhecendo do passado e futuro dos personagens. Logo, os verbos utilizados são na 3ª pessoa.
  •  Narrador onisciente: esse tipo de narrador também não aparece no decorrer da história, porém, é de seu conhecimento o passado e o futuro dos personagens.

Em resumo, o tempo pode ser caracterizado de duas formas: época em que a história ocorre (ano) e o tempo de duração da narrativa (mês / dia).

Espaço

O espaço se refere ao lugar em que os personagens sofrem e executam as ações dentro do enredo. Ou seja, pode ser uma casa, rua, parque etc. Porém, por ter a característica de uma narrativa curta, o espaço é reduzido.

Enredo

Se constitui como as sequências de ações dentro da história. Logo, o enredo é responsável  pela movimentação de personagens e composições da narrativa.

Conflito

Resumindo, o conflito dentro do conto é identificado como o momento de maior intensidade entre os personagens da narrativa. Assim, por ser um gênero de curta duração, o conflito é único.

Como Analisar um Conto (com Imagens)Fonte: IEBS School

Logo, o conto apresenta duas subdivisões devido as várias formas com que pode ser escrito. Dessa forma, as duas subdivisões mais comuns são: os contos fantásticos e os contos de fadas.

  • Conto fantástico: as ações dentro da narrativa são consideradas irreais, ou seja, que fogem da realidade, sobrenaturais. Dessa forma, apresentam situações que não podem ser explicadas.
  • Conto de fadas: são narrativas que possuem personagens antigos, medievais ou folclóricos como fadas e gnomos. Logo, são nesses tipos de conto em que a moral, ou seja, um ensinamento é passado ao final da história.

Como Analisar um Conto (com Imagens)Fonte: Gran Cinema

Exemplo de conto

A rosa e o sapo

“A rosa se emocionava quando a elogiavam. No entanto, ela queria que a vissem mais de perto; não entendia por que todos a observavam à distância.

Um dia ela percebeu que a seus pés sempre estava um enorme sapo escuro. Ele não tinha nada de bonito, com sua cor opaca e suas manchas feias. Além disso, seus olhos eram bem esbugalhados, assustando a todos. A rosa entendeu que as pessoas não se aproximavam por causa desse animal.

Imediatamente, ela ordenou que o sapo fosse embora. Ele não percebia que dava a ela uma imagem negativa? O sapo, muito humilde e obediente, aceitou prontamente. Ele não queria incomodá-la e então foi embora.

Alguns dias depois, a rosa começou a se deteriorar. Suas folhas e pétalas começaram a cair. Ninguém queria mais olhar para ela.

Perto dela passava um lagarto que a viu chorando. Ele perguntou o que estava errado e ela respondeu que as formigas a estavam matando. Então o lagarto disse o que a rosa já sabia: “Era o sapo que comia as formigas e mantinha a sua beleza“. Fonte: A mente é maravilhosa

  • O que achou de ler sobre o que é um conto? Aproveita e leia também sobre a Redação do Enem 2019 – Possíveis temas do ano + dicas de redação
  • Fontes: Brasil Escola, A mente é maravilhosa
  • Fonte imagens: YouTube, Blog Divertudo, Nova Escola, IEBS School, Gran Cinema 

Fotografias que inspiram contos

Como Analisar um Conto (com Imagens)

Nada, simplesmente nada Giulia de Almeida Valadares Sempre fazia o mesmo caminho ao voltar da escola. Era perto de minha casa, ia e voltava a pé todos os dias. As férias chegaram e passaram depressa, logo minha rotina voltou ao normal. Caminhar, ouvir música, não pensar em nada, era o que eu me acostumei a fazer durante o curto trajeto que ligava minha casa à escola. E, um dia, percebi: o prédio que desde sempre estivera em construção, fora finalizado. Era alto, largo, escuro, chuvoso. Um pouco sombrio, talvez. Tinha apenas quatro andares, todos com persianas e luzes friamente amareladas. Pensei que os apartamentos estivessem à venda, havia uma pequena placa no gramado morto que se encontrava na entrada do edifício. Pensei também que aquela construção nunca se ergueria, pois, antes das férias, era apenas um terreno devastado. Como aquilo surgiu em dois meses? Peguei-me parada no meio da rua olhando para o lugar. Olhei em volta e todos tinham sua atenção voltada a mim. Estava chamando olhares havia muito tempo? No dia seguinte, lá estava eu novamente, na mesma posição, encarando aquele prédio. Qual o meu problema? Era aquela sombra no terceiro andar que me prendia? Sombra? Os apartamentos não estavam à venda? Tinha gente morando ali? Nunca tinha visto nenhuma alma viva entrando ou saindo! Aquela sombra era, no mínimo… estranha. Parecia um homem, parado na janela fechada, que não se mexia. Todos os dias estava na mesma posição, nenhum centímetro para direita, nenhum centímetro para esquerda. Como eu sei, eu não sei. Passei a acompanhá-la diariamente. Não, não tinha nada melhor para uma garota do colegial fazer à tarde. Sentava-me, desenhava, imaginava… O que seria aquilo? Após quase um semestre, a angústia que crescia em meu peito era inacreditável. Meus pensamentos se concentravam naquela sombra, somente, totalmente e completamente nela. Não conseguiria ignorá-la. Precisava saber o que era, quem seria, se é que era alguém. Mostrei-a para minhas amigas, que não falavam mais comigo, e para meus pais. Queria informações, dicas, pistas. Sentia-me uma Sherlock Holmes. Mas, para minha tristeza, ninguém me ajudou. Disseram que nada havia ali. Minhas ‘amigas’ me abandonaram, alegando que eu andava ‘estranha’, bando de patricinhas, vão fazer o cabelo! Como um dia acreditei naqueles protótipos de Barbie? Bom, para colorir minha vida, meus pais as superaram. Apelando, como sempre, levaram-me ao psicólogo. – O que vê nesta sombra, Clara? – ele me mostrava fotos da mesma. – Não sei. – O que te atrai nela? – Não sei. – Não é apenas uma sombra? – Não sei. – Bom…Você a observa há quanto tempo? – Não sei. – Tem certeza? – Não sei – joguei meu livro no rosto do psiquiatra. Não aguentava mais aquela voz aguda e irônica, curiosa e metida. Minhas respostas eram sempre curtas, simples e rápidas, mas eles não desistiram. Apelei pelo uso da agressividade, odiava aquele pequeno espaço branco e sem vida onde me colocavam para conversar com uma pessoa que nem o nome eu sabia. Como castigo, fui proibida de ver ‘minha sombra’. De certa forma, era minha sombra. Não se desgrudava de mim, não vivia sem ela. Apesar de termos formas diferentes, éramos iguais, solitárias. Como não podia ir vê-la de dia, fugia durante as noites, saía de casa e ia ver a sombra. Tinha uma obsessão por ela. Uma coisa de outro mundo. Cansada, resolvi extrapolar. Não era mais possível deixá-la como ‘forma não-identificada’. Iria invadir o edifício para descobrir o verdadeiro dono da sombra. E foi o que fiz. Numa noite escura e fria, saí de casa como de costume, mas com algumas pedras grandes e pesadas que peguei no jardim. A calçada era vazia, claro, ninguém além de mim frequentava o local às 3h27 da manhã. Observei a sombra. Continuava lá, intacta, imóvel. Peguei uma das pedras e joguei. A janela não quebrou. Joguei outra, e outra e outra… Nem barulho fazia! Pulei o pequeno portão e entrei, tinha pouco tempo. Era mesmo vazio, deserto. Subi as escadas frias e entrei no apartamento do terceiro andar. Respirei fundo, olhei para a janela. Nada. Nada. Nada. Como assim nada? Não tinha nada ali. Mas eu a via, eu a via! Tinha de ter alguma coisa, qualquer coisa. Deitei-me no chão frio do lugar. Acordei na minha casa, não sei como. No dia seguinte, fui à aula e, na volta, passei na frente do prédio. Prédio este que não se encontrava ali. Tudo que ali estava era o terreno vazio, como antes das férias, sem sombra. Sem sombra. Lembro- me de que perguntei a todos na rua ‘onde estava o meu prédio?’ e me respondiam com olhares piedosos ‘nunca houve nenhum prédio neste local, me desculpe.’

Leia também:  Como apanhar uma namorada infiel (com imagens)

Era impossível. E a sombra? Para onde fora? Até hoje não sei, e sinto que há um pedaço de mim que se foi com ela. Ou que nunca existiu, assim como ela.

O que diz a professora Giulia utilizou o recurso da pontuação, elaborando frases curtas e diálogos. Também explorou a descrição.

Como Analisar um Conto (com Imagens)

O cheiro Gabriel Conishi Cardozo O menino se chamava Marco. Morava no interior, em uma rua quase despovoada, feia e triste. Nesta rua não se via nada colorido, apenas cinza e cinza e cinza para todos os lados, o que fazia a rua triste ser mais triste ainda.

Nela havia apenas três casas, sendo que uma delas estava à venda e, com isso, desabitada. Marco não sabia o que eram as cores, a natureza etc. Em sua realidade só havia cinza e mais cinza e mais cinza. Mas lá naquela rua também morava um velho.

Se ele tinha um nome, Marco não o sabia, pois o velho se reservava muito em sua casa, a qual emanava um cheiro forte e estranho. Só saía raramente para uma caminhada. Era um idoso completamente normal, não havia motivos para temê-lo, porém disso Marco não sabia, o achava estranho, principalmente por causa do cheiro.

Já havia alguns dias que Marco, no maior tédio já imaginado, planejava descobrir o que o velho guardava em sua casa, na qual se enfurnava por dias e dias, entrando sem que o visse. Marco era muito curioso e queria a todo custo encontrar a origem do cheiro. Até que, na manhã de um dia comum de primavera, que também era cinza, Marco viu o velho saindo de casa a pé.

Não havia como o menino saber que o ele só estava saindo para uma caminhada e logo voltaria para casa. É claro que Marco, em sua curiosidade, aproveitou a chance de desvendar o mistério que o velho guardava em sua casa e saiu correndo assim que o perdeu de vista. Ele apenas não sabia que o velho, observador e inteligente, estava ciente de seus planos.

Marco chegou à misteriosa casa do velho. Entrou pela porta, estranhando o fato de que estava destrancada. Viu que a casa, com o forte e estranho cheiro, era simples e não possuía quase nada, apenas alguns moveis básicos. Mas o andar de cima ainda escondia um mistério.

Subiu as escadas de madeira vagarosamente, enquanto um forte e estranho cheiro lhe enchia as narinas, aumentando a cada degrau, a cada passo. Agora a curiosidade de Marco o obrigava a encontrar a origem deste odor. Marco parou na frente da única porta que o corredor do andar de cima apresentava.

O cheiro era incrivelmente forte, ou incrivelmente estranho, o menino não conseguia distinguir essa diferença. Não sabia se gostava ou não deste cheiro, não, era muito confuso e estranho.

E como você pode gostar de uma coisa estranha, que não conhece e não tem ideia do que seja? O que lhe é agradável não é o que te ensinaram? Marco pensava, indeciso, se abria ou não a porta. Era um conflito de medo e curiosidade. Enquanto refletia, o velho abriu a porta. Marco começou a suar frio ao ouvir o som da porta se abrindo.

Não sabia o que fazer e ouvia, paralisado, os passos do velho, já no começo da escada. Um por um, o velho subia os degraus. Um por um… Os passos se arrastavam pelo tempo. Um por um… O tempo passava lentamente, e Marco estava paralisado. Um por um o velho passava pelos degraus, ciente do menino e com um grande sorriso.

Subia as escadas, degrau por degrau, lentamente. O velho parou, ainda sorrindo, em frente ao pobre menino, que ainda não havia ousado olhar para nenhum lugar se não a maçaneta da porta, na qual se agarrava, encolhido, em uma desesperada e inútil tentativa de abri-la, mas esta jazia trancada. O velho se aproximou e o segurou pelo braço, o afastando da porta. Pegou a chave enferrujada e a colocou na rústica fechadura, abrindo-a. Marco viu, finalmente, a origem do cheiro. Viu, finalmente, o segredo do velho. O que viu foi uma multidão de cores, que nunca havia visto. O que viu foi um turbilhão de emoções diferentes. O que viu foi o sorriso do velho. O que viu foram flores.

O que o velho viu foi um menino sorridente, um menino ao qual ensinaria, salvaria do mundo cinzento e melancólico, um menino que herdaria seu segredo.

O que diz a professora Gabriel explorou adjetivos e advérbios para descrever o cenário e as reações do protagonista diante de um fato.

O que é um conto? – Definição e exemplo

Por Priscila Melo em 05/06/2014

  • Informar erro

“Quem conta um conto aumenta um ponto.

” Você já ouviu essa frase em algum lugar? Sabe o que é um conto? Como podemos diferenciar o conto dos outros tipos de textos? Sabe aquelas historinhas que seus pais te contavam quando você ia dormir? Aquelas que você provavelmente já escutou ou leu na escola. Pois bem, elas são contos. Os contos são conhecidos por serem histórias curtas. Eles são tão pequenos que após ler ou escutar um você consegue conta-lo depois sem precisar estar com o livro na mão.

Foto: Reprodução

Definição

O conto é um texto narrativo do gênero literário. Ele tem o foco em um fato ou um determinado acontecimento, geralmente é uma ficção, ou seja, é uma história inventada. Os contos são fantasiosos, histórias de faz de conta que são muito contadas para as crianças.

O conto possui um narrador, que é quem conta a história e um enredo, ou seja, a história é dividida em começo, meio e fim.

O início

Os contos tiveram início há muitos séculos atrás. Era feito de forma oral, naquela época não eram registrados pela escrita.

Os gregos e romanos costumavam contar os contos para a população nas noites de luar, os contos da época eram as antigas lendas orientais, algumas parábolas bíblicas, e com o passar dos tempos vieram as novelas medievais italianas, as fábulas francesas de Esopo e La Fontaine, até chegar aos livros, que é a forma mais comum de conhecermos os contos.

Com a evolução do tempo os contos passaram a receber várias classificações entre elas ficou dividido por nacionalidade: brasileiro, francês, russo e também por categorias referentes ao gênero, conhecidos como: contos maravilhosos, de amor, ficção, policiais, de terror, mistério e muitas outras classificações.

Leia também:  Como aparar arbustos: 14 passos (com imagens)

Características

A principal característica de um conto é o seu tamanho, pois como já foi dito anteriormente, o conto é um texto pequeno, menor até do que um romance. Porém mesmo sendo pequeno, ele possui um enredo completo, e até um clímax, que é o momento mais importante da história. No conto a quantidade de personagens é pequena, por isso que é fácil memoriza-lo.

Temos no conto a introdução ou apresentação, o desenvolvimento ou complicação, o clímax e a conclusão ou desfecho.

Exemplo

Que tal ler um conto para analisar tudo que você acabou de aprender?

A princesa e a ervilha

Havia uma vez um príncipe que queria se casar com uma princesa, mas não se contentava com uma princesa que não fosse de verdade. De modo que se dedicou a procurá-la no mundo inteiro, ainda que inutilmente, pois todas que via apresentavam algum defeito.

Princesas havia muitas, porém não podia ter certeza, já que sempre havia nelas algo que não estava bem. Assim, regressou ao seu reino cheio de sentimento, pois desejava muito uma princesa verdadeira! Esta parte do texto é a introdução ou apresentação da história.

Certa noite, caiu uma tempestade horrível. Trovejava e chovia a cântaros. De repente, bateram à porta do castelo, e o rei foi pessoalmente abrir. No umbral havia uma princesa. Mas, Santo Céu, como havia ficado com o tempo e a chuva! A água escorria por seu cabelo e roupas, seu sapato estava desmanchando.

Apesar disso, ela insistia que era uma princesa real e verdadeira. “Bom, isso vamos saber logo”, pensou a rainha velha. E, sem dizer uma palavra, foi ao quarto, tirou toda a roupa de cama e colocou uma ervilha no estrado, em seguida colocou vinte colchões sobre a ervilha, e sobre eles vinte almofadas feitas com as plumas mais suaves que se pode imaginar.

Ali teria que dormir toda a noite a princesa.

Nesta parte temos o desenvolvimento da história, o que acontecerá depois disso?

Na manhã seguinte, perguntaram-lhe como tinha dormido. -Oh, terrivelmente mal! – disse a princesa. Não consegui fechar os olhos toda a noite. Vá se saber o que havia nessa cama! Encostei-me em algo tão duro que amanheci cheia de dores. Foi horrível!

Neste momento temos o clímax da história, que é o momento mais esperado.

Ouvindo isso, todos compreenderam que se tratava de uma verdadeira princesa, já que havia sentido a ervilha através dos vinte colchões e vinte almofadões. Só uma princesa podia ter uma pele tão delicada. E assim o príncipe casou com ela, seguro que sua era uma princesa completa. A ervilha foi enviada a um museu onde pode ser vista, a não ser que alguém a tenha roubado.

E aqui temos o final, como você já deve ter percebido.

Gostou do conto? O que você acha de procurar outros e começar a ler?

Conto: Características do gênero literário

Características do gênero literário

O conto é uma obra de ficção, um texto ficcional. Cria um universo de seres e acontecimentos de ficção, de fantasia ou imaginação. Como todos os textos de ficção, o conto apresenta um narrador, personagens, ponto de vista e enredo.

Classicamente, diz-se que o conto se define pela sua pequena extensão. Mais curto que a novela ou o romance, o conto tem uma estrutura fechada, desenvolve uma história e tem apenas um clímax. Num romance, a trama desdobra-se em conflitos secundários, o que não acontece com o conto. O conto é conciso.

Grande flexibilidade

Por outro lado, o conto é um gênero literário que apresenta uma grande flexibilidade, podendo se aproximar da poesia e da crônica. Os historiadores afirmam que os ancestrais do conto são o mito, a lenda, a parábola, o conto de fadas e mesmo a anedota.

O primeiro passo para a compreensão de um conto é fazer uma leitura corrida do texto, do começo ao fim. Através dela verificamos a extensão do conto, a quantidade de parágrafos, as linhas gerais da história, a linguagem empregada pelo autor.

Enfim, pegamos o “tom” do texto.

Primeiros passos

Podemos perguntar também: Quem é o autor do texto? Seja na internet, numa enciclopédia ou mesmo nos livros didáticos, é bom fazer uma pesquisa sobre o autor do conto, conhecer um pouco sua biografia.

É um autor contemporâneo ou mais antigo? É um autor brasileiro ou estrangeiro?O conto quase nunca é publicado isoladamente. Geralmente ele faz parte de uma obra maior.

Por exemplo, o conto “Uma Galinha”, de Clarice Lispector, faz parte do livro “Laços de Família”.

Seguindo adiante

Depois dessas primeiras informações, podemos fazer uma leitura mais atenta do conto: elucidar vocábulos e expressões desconhecidas, esclarecer alusões e referências contidas no texto. Também podemos pensar no título do conto. Por que o autor escolheu este título? Este esforço de compreensão qualifica – e muito – a leitura. Torna o leitor mais sensível, mais esperto.

O passo seguinte é fazer a análise do texto. No momento da análise o leitor tem contato com as estruturas da obra, com a sua composição, com a sua organização interna. Para analisar o texto, é bom observar alguns aspectos da sua composição. Algumas perguntas são muito importantes: Quem? O que? Quando? Onde? Como?

Formular as perguntas e obter as respostas ajuda a conhecer o conto por dentro:

  • Quais são os personagens principais?
  • O que acontece na história?
  • Em que tempo e em que lugar se passa a história narrada?
  • E algo bem importante: Quem narra? De que jeito? O narrador conta de fora ou ele também é um dos personagens?Depois dessa análise, fica mais fácil interpretar a obra. Já temos uma base para comentar, comparar, atribuir valor, julgar. Nossa leitura está mais fundamentada. Fica mais fácil responder à pergunta: O que você achou do conto?

Análise do conto “Os Bonecos de Barro” de Clarice Lispector por Elvira Livonete Costa – Brasil Escola

Introdução

Não resta dúvida de que Clarice Lispector é uma das autoras de mais difícil leitura do cenário nacional.

Talvez por sua complexidade e introspecção, porém à medida que adentramos suas obras, seu mundo e seu estilo bem elaborado, não vacilamos em reconhecer que ela é diferente, única.

Tomo emprestada uma expressão que ouvi a algum tempo, à qual diz que para mergulhar em suas leituras, é necessário um certo preparo psicológico, para enfrentar o estranhamento que sua obra nos causa. Ela promove um terremoto literário de níveis indefiníveis em nosso ser. 

É impossível ler Clarice de forma despercebida, pois a intensidade de seus textos não nos permitiria tal proeza. Suas obras exigem um leitor perspicaz e atento, para que não se perca nos sentimentos desordenados e vagos que caracterizam a forma particular da autora pensar o mundo.

Busco neste trabalho realizar uma leitura e através de uma visão panorâmica, chamar atenção para algumas características recorrentes nesta obra em especial, que podem ser consideradas como traços estilísticos. Procuro observar ainda, de acordo com as técnicas de composição exploradas no texto de Clarice, a relação da forma e efeitos de sentido.

“Os Bonecos de Barro”

Os labirintos de sentidos criados por Clarice no conto “Os Bonecos de barro”, adquire significados nas entrelinhas do texto. Ao mesmo tempo que se afasta da fala da personagem, o narrador vai em direção ao próprio discurso literário.

Um texto que se desenvolve penetrante e envolvente, seu enredo adquire menor importância, usado como pano de fundo, quando o foco é na verdade, ilustrar os aspectos psicológicos da personagem e ainda impressões e sentimentos da própria autora.

O conto é assumido por um narrador que flui entre os pensamentos de Virgínia, sua única personagem, uma mulher sensível e em certos momentos melancólica.

Com desejos delicados e prazeres muito particulares, ela se dedica a seu maior prazer, o de criar. Esculpe formas variadas em argila, criança, cavalo, flor, entre outros.

Na verdade, não importa muito a figura em si, mas a expressão e as sensações que a mesma expõe em cada uma.

Leia também:  Como aplicar gelo para aliviar dores nas costas

“Fazia crianças, cavalos, uma mãe com um filho, uma mãe sozinha, uma menina fazendo coisas de barro, um menino descansando, uma menina contente, uma menina vendo se ia chover, uma flor, um cometa de cauda salpicada de areia lavada e faiscante, uma flor murcha com sol por cima, o cemitério do Brejo Alto, uma moça olhando… Muito mais, muito mais., Pequenas formas que nada significavam mas que eram na realidade misteriosas e calmas. Às vezes alta como uma árvore alta, mas não eram árvores, m:to eram nada…Ás vezes um pequeno objeto de forma quase estrelada, mas sério e cansado como uma pessoa.”

As características dadas às imagens que esculpia se referiam mais a ela própria do que às figuras, deixava nas mesmas a representação de seu drama existencial.

 Pequenas figuras que nada significavam…”

Virgínia, uma mulher que apesar de sozinha, se deixava impregnar por tudo a seu redor, o barro, a água, a areia do rio… o mais sutil detalhe desperta seus sentidos.

“O rio em pequenos gestos molhava-lhe os pés descalços, e ela mexia os dedos úmidos com excitação e clareza.”

Observa-se o encantamento da personagem com o ato da criação, ela se esvazia de tudo, de seu orgulho, de seu ego, se entrega por completo para apreciar a grandeza quase assustadora da vida extraída de suas mãos.

“Conseguia uma matéria clara. e tenra de onde se poderia modelar um mundo. Como, como explicar o milagre… Ela se amedrontava pensativa.

Nada dizia, não se movia, mas interiormente sem nenhuma palavra repetia: Eu não sou nada, não tenho orgulho, tudo me pode acontecer; se quiser, me impedirá de fazer a massa de barro; se quiser, pode me pisar, me estragar tudo; eu sei que não sou nada.

Era menos que uma visão, era uma sensação no corpo, um pensamento assustado sobre o que lhe permita conseguir tanto barro e água e diante de quem ela devia humilhar-se com seriedade . Ela lhe agradecia com uma alegria difícil, frágil e tensa; sentia em alguma coisa como o que não se vê de olhos fechados.

 Este momento de êxtase no ato da criação, o instante mágico, solene, faria uma alusão ao processo criativo da autora. Segundo a própria Clarice que afirmou, só se sentia viva quando escrevia.

 “Eu acho que, quando não escrevo, eu estou morta.[…] “Em cada livro eu renasço.”   Clarice Lispector              

O texto se apresenta em monólogo interior, é entremeado por impressões pessoais momentâneas (fluxo de consciência), esta técnica utilizada com frequência por Clarice, se faz presente inúmeras vezes no decorrer do texto. Predomina o tempo psicológico, os processos mentais de Virgínia são mesclados a todo momento, alternando realidade e devaneios, lembranças, interiorização de sentimentos e de sua concepção do mundo exterior.

Não pare agora… Tem mais depois da publicidade 😉

O primeiro e mais importante fato concreto que cada um afirmará pertencer a sua experiência interior é o fato de que a consciência, de algum modo, flui. “Estados mentais” sucedem-se uns aos outros nela.

Se pudéssemos dizer “pensa-se”, do mesmo modo que “chove” ou “venta”, estaríamos afirmando o fato da maneira mais simples e com o mínimo de presunção. Como não podemos, devemos simplesmente dizer que o pensamento flui. (JAMES, William.

The Stream of Consciousness. 1892)

O ritmo lento do texto vai de encontro à angústia e introspecção da personagem, seu isolamento pessoal indica que um tempo que passa devagar, seu mundo particular independe de tudo á sua volta. O estilo de Clarice atinge o mais profundo das personagens sondando seu mais complexo psicológico.

Assim como o tempo, o espaço também fica em segundo plano, o narrador apenas menciona partes da casa onde Virgínia vive e cria suas peças (o pátio  usado como local de trabalho e o rio onde busca sua matéria prima, o barro).  Não descreve algum lugar específico, pois seu olhar é para o interior de Virgínia, seu espaço mental, seu mundo oculto.

A autora utiliza recursos para enfatizar alguns trechos (reverberação), reforçando alguma sensação ou sentimentos.

“Como, como explicar o milagre… Ela se amedrontava pensativa.”

 “— Bonito… bonito como uma coisinha molhada, dizia ela excedendo-se num ímpeto imperceptível e doce.”

“Amassava, amassava, aos poucos ia extraindo formas.”

“uma moça olhando…Muito, muito mais.”

Em “Os Bonecos de Barro”, o narrador evoca um receptor primário, aquele a quem este emissor absorve e  enlaça no mais profundo universo psicológico da personagem.

O narratário se vê envolvido nos questionamentos, nas angústias e anseios em que se desenrola a trama. Esta relação de proximidade, este diálogo intenso é fundamental na construção de sentido do conto.

Este diálogo conduz o leitor, através das armadilhas, à busca de uma verdade oculta sob os relatos comuns da vida cotidiana.

“Misturando barro à terra, obtinha ainda outro material menos plástico, porém mais severo e solene. MAS COMO FAZER O CÉU? Nem começar podia! Não queria nuvens — o que poderia obter, pelo menos grosseiramente — mas o céu, o céu mesmo, com sua existência, cor solta, ausência de cor.”

A linguagem narrativa do conto é intensamente poética, apresentando várias figuras de estilo, como sinestesia, prosopopeia, comparações e muitas metáforas. Como acontece em outros textos de Clarice, é comum a construção de frases inconclusas, um silêncio substancioso, algo que não foi dito por ter sentido em si mesmo.

“Às vezes alta como uma árvore alta, mas não eram árvores, m:to eram nada…”

O momento da epifania mais marcante se dá ao final do texto. O momento de reflexão permeia a narrativa completamente, quando a personagem faz uma profunda constatação sobre as imperfeições dos bonecos, a palidez morta lhe perturbava a alma.

Superando suas próprias limitações, Virgínia desenvolve alternativas sutis para assombreá-los através da forma e acrescentando terra ao barro, produz outro material que lhes dá um vago colorido.

“Mas como fazer o céu?” A desestabilização interior, agitação a angústia a invade no clímax da história, mas novamente ela se reinventa… E recria.

“Ela descobriu que precisava usar uma matéria mais leve que não pudesse sequer ser apalpada, sentida, talvez apenas vista, quem sabe! Compreendeu que isso ela conseguiria com tintas.”

  • A personagem conclui que nos momentos mais inquietantes e absurdos, onde nos achamos impotentes ou vencidos, podemos simplesmente por um momento, emergir de outra forma, transformar os obstáculos por si mesma.
  • “E às vezes numa queda, como se tudo se purificasse, ela se contentava em fazer uma superfície lisa, serena, unida, numa simplicidade fina e tranquila”
  • Conclusão

No conto “Os Bonecos de Barro”, observamos uma profunda consciência da linguagem onde se depositam as imagens e metáforas, percebemos que o fator relevante é o próprio ser da personagem, característicos em Clarice Lispector. Atingimos o que somos e nos reconhecemos através das reflexões e questionamentos de Virgínia.

Nas entrelinhas e nos silêncios do texto, encontramos sentidos e significados na fala da personagem e do narrador, que nos levam de encontro a algumas certezas. A forma Clariciana de dialogar com o mais íntimo do ser humano, sua narrativa diferenciada e desordenada, leva-nos a um enfrentamento de emoções ainda adormecidas e repensar nossa existência.

Sua indagações, reflexões e metáforas tomam forma em nossa mente, saindo do limite da palavra e se manifestando de forma concreta na forma de pensar nossa complexa condição humana.

Referências bibliográficas

– estacaodapalavra.blogspot.com/…/entrevista-exclusiva-com-clarice.html

– JAMES, William, The Stream of Consciousness. 1892  http://psychclassics.yorku.ca/James/jimmy11.htm

– O Lustre. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.

Publicado por: Elvira Livonete Costa

O texto publicado foi encaminhado por um usuário do site por meio do canal colaborativo Meu Artigo. O Brasil Escola não se responsabiliza pelo conteúdo do artigo publicado, que é de total responsabilidade do autor. Para acessar os textos produzidos pelo site, acesse: http://www.brasilescola.com.

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*