Como aliviar a dor de uma fratura na clavícula: 11 passos

Em sete anos de site BioCicleta o Redator Edgardo Jorge está conosco praticamente desde o inicio. E ele é autor do artigo mais visitado e mais comentado ao longo desses anos. “Como Suportar a dor na Clavivula” (22/06/13). Esse artigo chegou a ser selecionado e publicado na Revista Bicicleta.

Os acidentes com ciclistas não são raros. Para alguns as quedas não são mais que um pequeno inconveniente ou parte da aventura na bicicleta.

Esse tipo de ciclistas depois de um acidente levanta, tira a poeira, confere se sua bike teve algum dano e volta a andar como se nada tivesse acontecido (eu mesmo já fiz isso!). Mas existem outros casos onde o ciclista bate no chão e a conseqüência final é um osso quebrado.

Os acidentes não só podem afetar o andar de uma pedalada, como também podem trazer problemas posteriores. Nos últimos 10 anos sofri umas 10 quedas (de filme). Muitas dessas de lado por não destravar o pé, ou quando termina com a bike de cabeça na lama.

Refiro-me quando perde-se totalmente o controle, saindo voando pelo ar, bate como bola e termina como pedra longe da bike. Foi em um de esses acidentes que quebrei um osso, especificamente a clavícula.

O tratamento para a fratura de clavícula é algo estranho; na quebra de um braço, os médicos colocam um gesso, ou uma férula para imobilizar; se torce um tornozelo igualmente colocam uma férula; se quebra um dedo, colocam uma tala e indicam gelo.

Como Aliviar a Dor de uma Fratura na Clavícula: 11 Passos

Mas por sua localização, a clavícula, na parte de cima do peito e muito perto do ombro é praticamente impossível que tenham que dispor de um gesso para imobilizar o peito todo e o ombro; e a operação não é necessária a menos que a clavícula tenha se partido em vários fragmentos ou esteja afetando nervos ou artérias. Pois é, quando você quebra sua clavícula, geralmente vai sair do hospital com alguns calmantes para a dor e advertido de que NÃO pode mover o braço para que solde bem. No mais depende de você. Eu já tive nessa, sei de algumas lições que poderam te ajudar se alguma vez estiver na mesma situação.

Os conselhos são: Muita paciência. Acho fundamental, mas sempre pense na recuperação mental; primeiro o físico e depois muita vontade pra esquecer medos e traumas posteriores que façam tremer pegar a bicicleta ou fazer o de sempre.

PACIENCIA É A MÃE DE TODAS AS VIRTUDES

Tem que encarar que está com um osso quebrado; esse não solda da noite para o dia; e para que fique bom leva tempo (que muitas vezes parece eterno). E a maioria desse tempo tem que ficar quieto, sem movimentar, em posições que as vezes são chatas e incomodam, mas isso é para que solde corretamente.

O primeiro passo é escutar o doutor e o seu corpo; durante as primeiras duas semanas deve tentar ao máximo de não mover o braço (ainda que se durma). Cada movimento que faz, ainda que seja pequeno (como passar um buraco quando está no carro), causa muita dor.

Dormir é toda uma aventura, mas o pode complementar com travesseiros como se fosses um rei! Use muitos travesseiros para apoiar o ombro e para não girar… a melhor é a posição “Drácula”; é básica para dormir.

Minha técnica foi deitar-me entre travesseiros, e no sofá da sala nas tardes para não mover-me, e acredite: meus dedos da mão esquerda (sou destro) fortaleceram e exercitaram como nunca escrevendo no computador!

Como Aliviar a Dor de uma Fratura na Clavícula: 11 Passos

Depois de um par de semanas a ficar quieto, sem mover, a maior parte do tempo deitado, vai cair na conta que colocar alguns limites é importante.

Quando o osso começa a soldar, em uns 20 dias (3 semanas) começa a sentir-se melhor e ira querer acrescentar suas atividades aos níveis normais.

Seguramente se você é uma pessoa hiperativa como eu, e que está acostumado a fazer coisas o dia todo, vai dar-se conta que é uma loucura fazê-lo! Descobri que todo dia o passo planejando, trabalhando, criando, improvisando, quase sem descansar.

Mas depois de um acidente, até as coisas mais simples cansam, assim terá que pensar suas atividades com muito cuidado.
Tem que entender que todas as atividades “regulares” tornam-se mais difíceis. Vestir-se pode requer outro par de mãos que ajudem ou vai ter que vestir como um “romano antigo” envolvido num lençol.

Começará a usar sapatos sem cordões, camisas “largas” de botões, porque lembra que sempre leva o braço junto ao peito e bermudas. Dirigir um carro é quase impossível com um braço, só porque não tem mobilidade nem a mesma capacidade de reação e mais com a quantidade de buracos que há nas cidades.

Os primeiros dias cada queda num buraco é uma dor imensa no braço. Use isto como desculpa para caminhar mais (ainda que aprenderá a caminhar sem muito mexer, porque sente que dói até os cabelos). Caminhar vai-te ajudar a manter os músculos, as pernas e o coração em ritmo, e isso significa menos tempo para voltar a pegar condição física quando puder retornar à bicicleta novamente.

Mas há algo importantíssimo que não pode deixar de fazer (e que eu não fiz, o qual atrasou mais minha recuperação) tome o tempo necessário para ir a terapia de recuperação muscular.

Talvez fazer esse tipo de exercitação pode parecer muito, mas se não faz fisioterapia o osso poderá calcificar incorretamente e se chega a ocorrer uma fratura no mesmo lugar, a recuperação vai ser ainda mais lenta, se alguma vez acontece de novo (Lance Amstrong fraturou-se em sua vida de ciclista umas 7 vezes a clavícula, e os acidentes não avisam).

Como Aliviar a Dor de uma Fratura na Clavícula: 11 Passos

Eu tentei de manter-me ativo, (ainda acho que as vezes mais do que o necessário), de alguma maneira com a cabeça longe de bobeiras e isso foi muito positivo. Na realidade, as 4 primeiras semanas deve-se ter muito cuidado porque são as críticas e a terapia hoje é básica nessas fraturas.

AO FINAL… EM FRENTE!!!!, TEM QUE REGRESAR À BICICICLETA

O passo final é voltar a bike… pegar de novo a fiel parceira. Uma vez que está pronto para sair de novo aos caminhos, tem que se assegurar que a primeira vez, seja numa saida curta e simples.

Minha experiência foi que depois de quase 10 semanas e com licença do doutor, fiz uma rodada por perto de 45 minutos, por pavimento em bom estado, porque tinha medo de ter dores posteriores, mas na realidade nunca passou; isso foi um bom sinal!

Depois, aos poucos fui tomando mais confiança e não corri risco nenhum por excessos. Mesmo assim, saídas curtas e limitadas também significam muito tempo sem a bike.

Use esse tempo que está sem a bicicleta para fazer algum trabalho de recuperação física, e também pode trabalhar um pouco na bicicleta (que seguramente ficou em “qualidade de lixo” depois da batida).

Também pode usar este tempo para tirar todos os fantasmas que ficam depois dum acidente, porque na verdade, em geral pode-se perder a confiança e vai necessitar muita paciência para tê-la de novo. Assim o tempo vai passar, e aos poucos você acrescentará a vontade de voltar à bici.

Quando achei que eu já estava ao 100% encarei à trilha mais dura que pude, para demonstrar a mim mesmo que era capaz de dirigir novamente, por suposto esse dia, ia com todo o medo do mundo; a falta de confiança traduzia-se em falta de habilidade e isso começou a molestar-me, obrigando-me a voltar a ter a destreza que tinha antes. Depois desse dia, minha confiança voltou e agora estou novamente rodando tanto quanto posso, em todo nível e em realidade, a diversão é maior que antes, mas acho que agora normalmente pedalo mais concentrado no caminho que antes.

SEMPRE AGRADEÇA A TODA AS PESSOAS QUE AJUDAM E ANIMAM

É muita, muita a gente que vai-se preocupar com você, farão visitas, perguntas (não gostei disso), mas acontece.

Seguramente haverá pessoas que estarão ali, e algumas mais estarão sempre com perguntas sobre a recuperação, mas em especial haverá muita gente que vai-te ajudar a todo momento, e que seguramente, terá que agüentar seu mau humor pela dor, a crise existencial por não poder-se nem mover! E mesmo que saiba do incomodo, ajudarão a vestir, comer, ou bem vão te deslocar onde você precisar, ou ainda mais, com as compras e coisas que não pode fazer por só ter uma mão quieta. Essas pessoas merecem agradecimento, elas são muito valiosas em sua vida.

O melhor conselho que posso lhe dar nesta situação ou com lesão qualquer é: MANTER A MENTE EM POSITIVO. Deverá ser criativo, use seu tempo em criar; pensar coisas pra manter ocupada a cabeça. Os ossos quebrados vão-se sanar, mas nunca permita que os acidentes destruam seu espírito… um ciclista é uma pessoa anormal, sempre volta e se supera!

Como Aliviar a Dor de uma Fratura na Clavícula: 11 Passos
  • NOME: Edgardo Jorge Sanrame
  • CIDADE: Córdoba – Argentina
  • PROFISSÃO: Consultor de Sistemas, Desenhista de peças de aço

CONTATO[email protected]
ESCREVE SOBRE:  Bicicleta e suas variantes

Fratura de clavícula: Como é o tratamento e fisioterapia

A recuperação da fratura da clavícula requer paciência e sessões de fisioterapia para recuperação ampla dos movimentos do ombro, mas é possível se recuperar completamente entre 2-3 meses. 

A fratura de clavícula provoca muita dor ao se tentar movimentar o braço afetado, inchaço e até deformação no local da clavícula, em alguns casos. Geralmente, a fratura na clavícula é mais frequente em atletas, especialmente em ciclistas, mas pode surgir em qualquer idade devido a quedas sobre o ombro ou devido a uma pancada direta sobre a clavícula, por exemplo.

O tratamento para a fratura da clavícula depende do tipo de fratura, mas normalmente é feito com a imobilização do braço com tala, para manter a estabilidade da clavícula.

 Além disso a fratura na clavícula também é muito comum no bebê logo após o nascimento, no entanto, não necessita de imobilização especial, pois a fratura se cura sozinha.

 Veja como cuidar do bebê em: Como tratar a fratura da clavícula no bebê.

Os tipos de fratura na clavícula podem ser:

  • Cominutiva: onde se parte em vários pedaços, havendo necessidade de cirurgia;
  • Transversa: mais fácil de consolidar, havendo necessidade de apenas usar imobilização; 
  • Oblíqua: dependendo do ângulo, pode haver necessidade de cirurgia.
  • De acordo com a região onde ocorreu a fratura pode-se classificar a área como sendo: terço medial, médio ou lateral, sendo que o terço médio representa mais de 70% das fraturas claviculares por ser uma região onde o osso é mais fino e fica mais desprotegido, por não estar tão recoberto por músculos. 
  • Para saber qual tipo de fratura a pessoa teve para poder decidir qual o tratamento mais indicado é sempre recomendado realizar radiografia em 2 posições diferentes, ântero-posterior (de frente) e lateral. 
  • Como Aliviar a Dor de uma Fratura na Clavícula: 11 Passos

O tratamento para fratura de clavícula, geralmente, é feito com a imobilização do braço com uma tipoia imobilizadora, colocada em 8, por exemplo, para permitir que a clavícula se mantenha no local correto, acelerando a cicatrização do osso. A imobilização deve ser mantida por cerca de 4-5 semanas, no caso do adulto, ou até 2 meses no caso das crianças. 

Nos casos mais graves, há necessidade de cirurgia para colocar pequenos estabilizadores de metal no osso para fixar os pequenos pedaços de osso e permitir a recuperação completa.

Algumas situações que indicam necessidade de cirurgia são desvio do osso, encurtamento do osso maior que 2 cm entre fragmentos ósseos, em caso de fratura exposta, assim como o risco de lesionar algum nervo ou artéria.

Apesar da complexidade da cirurgia a recuperação é mais rápida da cirurgia do que ao usar imobilizadores. 

Embora o tempo de recuperação possa variar de uma pessoa para outra pode ser necessário fazer sessões de fisioterapia durante 8-12 semanas para recuperar os movimentos normais do braço afetado. 

Fratura na clavícula deixa sequelas?

A fratura na clavícula pode deixar algumas sequelas, como a lesão de nervos, o surgimento de um calo no osso ou o atraso na cicatrização, que podem ser evitadas quando o osso fica corretamente imobilizado, por isso algumas dicas para ter uma boa recuperação incluem:

  • Evitar atividades que possam movimentar o braço durante 4 semanas, como andar de bicicleta ou correr;
  • Não dirigir as primeiras 3 semanas;
  • Usar sempre a imobilização de braço recomendada pelo ortopedista, especialmente durante o dia;
  • Dormir de barriga para cima com a imobilização, se possível, ou dormir com o braço ao longo do corpo e apoiado por travesseiros;
  • Utilizar roupas mais largas e fáceis de vestir, assim como sapatos sem cardaços.

Além disso, para diminuir as dores durante a recuperação o médico pode prescrever analgésicos, como Paracetamol ou Dipirona Sódica, que devem ser utilizados quando surgem dores fortes.

Fisioterapia para fratura clavicular

A reabilitação varia muito de acordo com os sintomas que o indivíduo apresenta, no entanto, os objetivos do tratamento fisioterapêutico incluem diminuir a dor, promover o movimento normal do ombro, sem dor, fortalecer a musculatura até que a pessoa seja capaz de realizar suas atividades rotineiras e laborais normalmente.

Para isso, o fisioterapeuta deve avaliar se a região está consolidada, se existe dor, qual a limitação do movimento e as dificuldades que a pessoa apresenta, e então indicar o tratamento necessário. 

Inicialmente, nas primeiras sessões de fisioterapia pode ser indicado uso de compressas de gelo para diminuir a dor e o inchaço, e podem ser usados equipamentos como ultrassom e tens.

Exercícios são indicados desde o início do tratamento, sendo mais indicado iniciar o programa de reabilitação com movimentos tipo pêndulo e rotacionais nessa primeira fase.

Após cerca de 8-10 semanas também podem ser usados exercícios com polia, faixa elástica, e pesinhos para fortalecer os músculos do braço e ombro. 

Normalmente após 12 semanas são recomendados exercícios com mais peso, exercícios diagonais de kabat e o treino proprioceptivo para o ombro até a alta. Veja alguns exercícios de propriocepção para o ombro. 

Como Aliviar a Dor de uma Fratura na Clavícula

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Este artigo foi escrito em parceria com Danielle Jacks, MD. Danielle Jacks é cirurgiã da Ochsner Clinic Foundation em New Orleans. Formou-se na Oregon Health and Science University em 2016.

Há 18 referências neste artigo. Você pode encontrá-las ao final da página.

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    Identifique os sintomas da fratura de clavícula. A dor é intensa e as manifestações sentidas pelas pessoas que sofrem essa lesão são bem distintas:[3][4][5]

    • Dor que piora com o movimento do ombro.
    • Inchaço.
    • Dor quando a clavícula é tocada.
    • Hematomas.
    • Um caroço no ombro ou próximo dele.
    • Um barulho semelhante a algo sendo triturado ao mover o ombro.
    • Dificuldade em mover o ombro.
    • Sensação de dormência ou formigamento no braço ou dedos.
    • Flacidez no ombro.
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    Vá a um ortopedista para que ele coloque o osso de volta no lugar. Tal medida é importantíssima, já que permite que a clavícula comece a cicatrizar o mais rápido possível no lugar certo. Ossos que estão deslocados e iniciam o processo de cicatrização fora do lugar certo geralmente levam à formação de protuberâncias estranhas.[6][7]

    • O médico realizará um raio-x e até mesmo uma tomografia para determinar o local exato da fratura.
    • O braço será colocado em uma tipoia. A tipoia vai dar maior apoio à clavícula, evitando que ela se mexa quando o ombro também for movimentado, além de reduzir a dor, tirando um pouco do peso sobre o osso fraturado.
    • Crianças terão que usar a tipoia por um ou dois meses, enquanto adultos deverão retirá-la após dois a quatro meses.
    • O ortopedista poderá ter que enfaixar o local para manter o braço e a parte da frente da clavícula na posição correta.
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    Caso as pontas quebradas do osso não se conectarem, a intervenção cirúrgica pode ser necessária. Quando esse for o caso, a cirurgia deixará as pontas na posição correta durante a cicatrização. Apesar de nunca ser algo agradável, a cirurgia pode ser a melhor opção para que o local fique totalmente curado, sem cicatrizes ou caroços.[8][9]

    • Placas, parafusos e hastes podem ser utilizadas para dar estabilidade ao osso.
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    Use gelo para reduzir a dor e o inchaço. O frio diminuirá a intensidade do inchaço e a dor.[10]

    • Use uma compressa de gelo ou pacote de ervilhas congeladas. Coloque-as sobre a pele, não sem antes enrolá-las em uma toalha, já que o frio intenso pode queimar a pele.
    • No primeiro dia, aplique gelo na fratura por 20 minutos todas as horas em cada hora do dia.
    • Nos dias seguintes, aplique gelo a cada três ou quatro horas.
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    Repouse. Ao manter-se parado, o corpo poderá direcionar a energia para a cicatrização da fratura, além de diminuir a chance de machucar-se outra vez ou com mais gravidade.[11]

    • Caso a movimentação do braço seja desconfortável, não o mexa. É um sinal do corpo que mostra que é muito cedo para realizar tal movimento.
    • Pode ser necessário dormir mais durante a recuperação. Durma ao menos oito horas por noite.
    • Descansar bem deixará o paciente em um humor melhor, ajudando a suportar a dor.
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    Use anti-inflamatórios para diminuir o desconforto. Esses medicamentos atacam e combatem a inflamação, mas é necessário esperar ao menos 24 horas após a lesão, já que eles podem aumentar o sangramento e diminuir a cicatrização óssea.[12][13] Após 24 horas, o corpo iniciará o processo de recuperação automaticamente. Experimente os seguintes remédios:

    • Ibuprofeno (Advil, Motrin).
    • Naproxeno (Aleve, Naprosyn).
    • Siga as instruções do fabricante e de seu médico. Não consuma doses maiores do que as recomendadas.
    • Não administre aspirina para indivíduos com menos de 18 anos.
    • Consulte um médico caso tenha ou possua um histórico de problemas cardíacos, renais, úlceras estomacais, sangramento interno ou pressão sanguínea elevada.
    • Não misture tais medicamentos com álcool ou qualquer outro tipo de remédio – inclusive os de venda livre –, suplementos ou remédios à base de ervas.
    • Vá ao médico se a dor continuar insuportável. Ele poderá receitar um medicamento mais forte.
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    Adote uma dieta rica em cálcio. O cálcio é fundamental para fortalecer os ossos do corpo. Os alimentos a seguir são boas fontes desse mineral:[14]

    • Queijo, leite, iogurte e outros laticínios.
    • Brócolis, couve e outros legumes folhosos escuros.
    • Peixe com ossos moles o suficiente para serem ingeridos, como sardinhas ou salmão enlatado.
    • Alimentos com adição de cálcio. Alguns exemplos são: cereais, soja, sucos e derivados do leite.
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    Verifique se o consumo de vitamina D é suficiente. A vitamina D é necessária para que pessoas absorvam cálcio; ela pode ser obtida das seguintes maneiras: [15][16]

    • Ficando mais tempo no sol. O corpo produz vitamina D quando a luz do sol está em contato com a pele.
    • Comer ovos, carnes, salmão, sardinhas e cavala.
    • Consumir alimentos com vitamina D, como cereais, produtos de soja, laticínios e leite em pó.
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    Ajude seu corpo a se recuperar através da fisioterapia. A fisioterapia reduz a rigidez no local fraturado enquanto o paciente usa a tipoia; depois de retirá-la, será possível reforçar os músculos e a flexibilidade do ombro e clavícula.[17][18]

    • O fisioterapeuta receitará exercícios próprios para seu nível de força e de recuperação. Faça-os como instruídos.
    • Tenha calma. Ao sentir dor, pare; não exagere logo cedo.
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    Diminua a rigidez aplicando calor. Assim que a lesão não estiver mais inchada, é possível aplicar calor sobre o local fraturado, fornecendo uma sensação agradável e aumentando a circulação. O calor quente ou seco são as melhores opções.

    • Caso sinta muitas dores após uma seção de fisioterapia, a aplicação de calor pode ajudar bastante.
    • Coloque uma compressa quente sobre a clavícula por cerca de 15 minutos. Não a posicione diretamente na pele; enrole-a em uma toalha para não se queimar.
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    Pergunte ao médico se você pode ser submetido a outros métodos de redução de dor. Porém, evite tais atividades antes do médico liberar a prática. Algumas delas são:

    • Acupuntura.
    • Massagem.
    • Ioga.

Dor na clavícula: o que pode ser?

O ombro é a articulação mais móvel do corpo humano, no entanto sua grande amplitude de movimentos a torna suscetível a lesões. Um dos ossos que se encontram nessa estrutura é a clavícula, conhecida popularmente como “saboneteira”. Devido à localização, não é incomum que lesões nos membros superiores causem dor na clavícula.

  • O incômodo nesse osso longo e fino pode ser causado por uma série de fatores, que estão ou não relacionados a traumas.
  • Além do osso em si – que pode sofrer fratura, infecção e luxação, a dor na clavícula pode ser resultado de lesões em ligamentos e cartilagens.
  • A seguir, entenda quais são as causas mais comuns de dor na clavícula, como elas se diferem e as melhores opções de tratamento.

A clavícula é um osso bastante bastante sólido, que tem a forma ligeiramente semelhante à letra S e mede aproximadamente 15 cm de comprimento. É possível senti-la facilmente com os dedos, basta pressionar o colo, logo abaixo do pescoço.

Localizado na base do pescoço, ele conecta o braço ao corpo por meio de duas articulações:

  • Articulação esternoclavicular, localizada na extremidade interna (proximal) do osso do colo.
  • Articulação acromioclavicular: localizada na extremidade externa (distal) do osso, próxima ao esterno e à parte cartilaginosa da omoplata conhecida como acrômio.

Ambas as articulações são cercadas por ligamentos, cuja função é mantê-las no lugar, além de vários músculos do pescoço e do ombro.

A função da clavícula é manter os braços livres e apoiados, afastados do tronco, portanto qualquer lesão nessa estrutura, por mais simples que seja, pode atrapalhar a movimentação dos membros superiores.

Qualquer dano na clavícula ou nos tecidos moles que a circundam pode causar dor. Saiba quais são as lesões mais comuns e como elas se apresentam:

Osteólise de clavícula (ombro do levantador de peso)

Sentir dor na clavícula durante exercícios é alarmante. Esse osso sofre muita pressão no levantamento de peso, o que pode causar traumas. O problema recebe o nome oficial de osteólise de clavícula, mas é chamado popularmente de ombro do levantador de peso.

Nele, o estresse ligado a demanda excessiva e sem repouso da clavícula gera um edema ósseo que, com aumento de vascularização, causa a reabsorção do osso (osteólise).

O quadro provoca dor na clavícula perto do pescoço, que piora com movimentos simples, como encostar a mão na axila oposta, e específicos, como exercícios supinos.

Fratura

Clavícula quebrada é uma das causas mais comuns de dor nesse osso. Em geral, a fratura é fruto de quedas com os braço estendidos, golpes direto, acidentes de carro (especialmente aqueles que cursam com o efeito whiplash) ou incidentes no parto vaginal.

Embora as fraturas da clavícula geralmente sejam simples de tratar, cicatrizando em até três meses, elas podem causar grande incômodo. A dor aguda é sentida principalmente ao pressionar o osso e movimentar os ombros. Em alguns casos, vem acompanhada de deformidades e ruídos de estalos e trituração.

Na maioria dos casos, o tratamento não é cirúrgico, mas compreende imobilização pelo uso de tipóia ou cintas para ombro, além de sessões de fisioterapia. Nesse caso, a recuperação leva de seis a 12 semanas em adultos.

Nos quadros cuja fratura é mais grave, pode ser necessária cirurgia para unir os pedaços quebrados novamente, a qual pode incluir a fixação de pinos ou parafusos. A recuperação ocorre em aproximadamente três meses.

Tumor

Embora sejam raros, alguns casos de câncer causam dor na clavícula.

As células malignas podem se originar nos ossos ou em outras estruturas – como os linfonodos, afetando o osso pelo processo de metástase.

O tipo de tumor ósseo mais comum nessa região é o neuroblastoma, que acomete tanto o esqueleto quanto os linfonodos. Seus sintomas incluem dor, febre, sudorese, pressão alta, batimento cardíaco acelerado e alterações intestinais.

O tratamento pode compreender cirurgia para remoção dos tumores, radioterapia e quimioterapia. O prognóstico nem sempre é favorável, mas quanto antes a doença for diagnosticada, maiores são as chances de cura.

Lesão da articulação acromioclavicular

A articulação acromioclavicular liga a escápula à clavícula, sendo sustentada por quatro ligamentos fortes. Quando sobrecarregados, esses ligamentos correm risco de se romper parcialmente ou completamente, dependendo da gravidade da lesão.

Danos a qualquer um desses ligamentos causam instabilidade e dor na clavícula e no ombro – que piora com movimentos e restringe a amplitude do braço.

Os traumas mais ligados a essa lesão incluem queda sobre o ombro, queda com braços estendidos e levantamento repetitivo de peso.

Pequenas lesões parciais na articulação acromioclavicular geralmente são tratadas com fisioterapia e uso de tipóia por duas a três semanas. Se os ligamentos romperem completamente a ponto de causar luxação da clavícula, cirurgia para reposicionar o osso poderá ser recomendada.

Diferente dos ossos, os ligamentos machucados levam mais tempo para se recuperar, visto que têm suprimento insuficiente de sangue.

Artrite da articulação acromioclavicular

Artrite nada mais é que a inflamação e a degeneração da cartilagem e dos ossos. Quando acomete a articulação acromioclavicular, reduz o espaço entre a clavícula e o osso acrômio, fazendo com que suas superfícies fiquem acidentadas em vez de lisas.

A doença pode ser fruto de envelhecimento ou ser acelerada por lesões na cartilagem, como as decorrentes da prática de certos esportes, como levantamento de peso.

A dor na clavícula decorrente da artrite vai de leve a moderada e acomete ainda o ombro e o peito.

O tratamento principal inclui fisioterapia, com movimentos para fortalecer os músculos envolvidos e reduzir a dor. Ainda podem ser empregues medicamentos anti-inflamatórios e infiltrações.

  1. Pacientes que praticam atividades físicas que exigem muito da articulação acromioclavicular podem ser orientados a interrompê-las até que a dor melhore.
  2. Raramente a artrite exige a realização de cirurgias, mas, quando ocorrem, envolvem a remoção de uma pequena parte da clavícula.
  3. Embora existam tratamentos para amenizar os desconfortos, a artrite não tem cura, mas os cuidados podem melhorar a qualidade de vida e impedir que a degeneração avance.

Osteomielite aguda da clavícula

  • Embora raramente, a osteomielite pode afetar a clavícula e causar dor intensa no local.
  • Essa condição se desenvolve após uma lesão, como efeito colateral de cirurgias de cabeça e pescoço ou por meio de uma infecção (geralmente bacteriana) – que viaja pela corrente sanguínea até acometer o osso.
  • Além da forte dor na clavícula, o quadro causa febre, inchaço e vermelhidão no local.

Por se tratar de uma infecção, o tratamento compreende a aplicação de antibióticos pela veia por até dois meses. Casos graves devem ser tratados com cirurgia para remoção dos tecidos infectados e mortos.

A recuperação costuma ser rápida, mas é necessário tomar cuidados posteriores para evitar o retorno da doença.

Lesão da articulação esternoclavicular

A extremidade da clavícula, que é mais próxima do osso esterno, possui ligamentos que quando lesionados, geram dor. Essas estruturas podem se romper parcial ou completamente, o que pode até mesmo facilitar a ocorrência de luxações.

Geralmente, esses traumas são frutos de golpes diretamente no ombro ou na clavícula, comuns em lutas e acidentes de carro.

Além da dor, poder haver nódulo visível na pele sobre a articulação.

O tratamento conservador costuma dar certo. Ele inclui exercícios fisioterápicos, repouso e interrupção de atividades agravantes. Em casos muito específicos, há necessidade de cirurgia.

É notável a melhora da dor em poucas semanas, porém a recuperação completa costuma levar meses.

Posição inadequada ao dormir

Uma causa muito comum de dor na clavícula é dormir em posições inadequadas, como aquelas que geram pressão sobre as articulações superiores.

É muito fácil adotar uma posição ruim ao dormir, já que as pessoas se movem à noite sem nenhum controle. Portanto, ao acordar com irritação na região inferior do pescoço e na clavícula, desconfie.

Uma dica para aliviar a dor depois de uma noite de sono é tomar um analgésico de venda livre. Porém, o ideal é apostar na prevenção: posicione travesseiros extras ao redor do pescoço e nas costas para ajudar a reduzir a quantidade de movimentos durante a noite.

Síndrome de compressão do desfiladeiro torácico

A síndrome de compressão da saída torácica é uma condição rara que ocorre quando os nervos entre a clavícula e as costelas ficam pinçados, o que geralmente é fruto de lesões, má postura, alterações anatômicas e uso excessivo ou movimentos repetitivos da articulação.

O problema gera formigamento, dormência e dor na clavícula que pode se estender para os braços ou as mãos. Ainda pode haver palidez e inchaço dos membros superiores.

Esse acometimento é facilmente diagnosticado por exames de imagem e de sangue. Já o tratamento consiste em sessões de fisioterapia e uso de medicamentos anti-inflamatórios. Se a dor não diminuir com o tratamento convencional, pode ser indicada cirurgia.

Ataque cardíaco

Uma pesquisa, publicada na publicação científica Lancet, analisou os registros de mortes causadas por ataques cardíacos na Inglaterra durante quatro anos e descobriu que os primeiros sinais de alerta foram ignorados em boa parte dos casos. Entre eles, está a dor na clavícula e nos ombros.

Portanto, vale avaliar se tais incômodos estão relacionados aos sintomas clássicos de infarto, como dor no peito, tontura, falta de ar, enjoo, vômito, ansiedade e tosse, e buscar um serviço de emergência em caso afirmativo.

  1. Dor leve na clavícula que pode estar relacionada a uma tensão muscular ou a uma lesão menor pode ser tratada em casa. Algumas medidas que ajudam a amenizá-la são:
  2. Descansar: evitar atividades que sobrecarregam ainda mais as articulações superiores é importante para evitar a progressão da lesão e acelerar seu tratamento.
  3. Gelo: fazer compressas com gelo na área dolorida por cerca de 20 minutos a cada quatro horas é um bom método para reduzir o inchaço e a dor, além de combater a inflamação.

Elevação: manter os ombros acima do coração ajudar a reduzir o inchaço. Portanto, não se deite completamente nas primeiras 24 horas após a lesão, mas durma com a cabeça e o tronco levemente elevados.

Imobilização: imobilizar o braço e o ombro com uma tipóia ajuda a reduzir a gravidade da lesão e evita sua piora. Contudo, o ideal é contar com auxílio de um especialista para realizar a imobilização, já que fazê-la sem a técnica correta poderá agravar o quadro.

É indicado buscar um médico com urgência perante a dor que persiste por mais de um dia sem sinal de melhora ou que piora progressivamente.

Além disso, o serviço de emergência deve ser procurado sempre que a dor vier acompanhada de alterações visíveis na posição da clavícula ou no ombro. A demora na busca por ajuda dificulta o tratamento, agrava a dor e adia o processo de cicatrização.

Em resumo, se você sentir dor súbita na clavícula como resultado de um acidente, lesão esportiva ou outro trauma, vá para a sala de emergência. Se você sentir uma dor mais leve, mas que aumenta dia após dia, marque uma consulta com um médico ortopedista.

Boca | A.C.Camargo Cancer Center

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O câncer de boca ou câncer oral inclui tumores que podem se desenvolver em várias partes da boca, em seu revestimento interno (mucosa bucal), nas gengivas, nos dois primeiros terços da língua, no soalho bucal (a parte que fica embaixo da língua), no palato ou o céu da boca, e a área atrás dos dentes do siso, que os médicos chamam de trígono retromolar.

Publicado em: 22/11/2019 – 11:09

O câncer de boca ou câncer oral inclui tumores que podem se desenvolver em várias partes da boca, em seu revestimento interno (mucosa bucal), nas gengivas, nos dois primeiros terços da língua, no soalho bucal (a parte que fica embaixo da língua), no palato, ou céu da boca, e na área atrás dos dentes do siso, que os médicos chamam de trígono retromolar. Os locais mais comuns de câncer na boca são a língua (26%) e o lábio (23%), principalmente o inferior. Outros 16% são encontrados no soalho da boca e 11% nas glândulas salivares menores. O restante é encontrado nas gengivas e outros locais. A boca tem vários tipos diferentes de célula e, por isso, ela pode ser atingida por diferentes tipos de câncer, o que é importante para escolha do tratamento e para as chances de sobrevivência do paciente.

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima que, em 2018, o País terá 14.700 novos casos de câncer de boca, 11.200 em homens e 3.500 em mulheres. E 90% desses casos surgirão em fumantes.

O tabagismo em todas as suas formas (cigarro, cachimbo, charutos, rapé e fumo mascado) é o principal fator de risco para o câncer de boca. Por causa da localização, um número significativo de casos câncer de boca é identificado por dentistas.

Apenas 20% dos casos são diagnosticados em estágios iniciais e 80% são casos avançados, mais difíceis de tratar, devido ao baixo acesso da população a serviços oncológicos.

Alguns tumores de boca são benignos, não invadem outros tecidos nem se espalham por outros órgãos, mas precisam ser removidos. Existem também crescimentos celulares que podem parecer inofensivos de início, mas que, com o tempo, podem se tornar malignos. São as chamadas lesões cancerizáveis.

Leucoplasia e eritroplasia descrevem áreas anormais na boca, que costumam ser encontradas no exame odontológico. A leucoplasia é uma área esbranquiçada, enquanto a eritroplasia é uma área avermelhada, levemente elevada, em geral assintomática, que não sai quando se raspa a lesão.

A gravidade da leucoplasia ou da eritroplasia só pode ser determinada por um exame clínico complementado, quando necessário, por uma biópsia. 

Essas áreas esbranquiçadas ou avermelhadas podem ser cancerosas ou uma lesão cancerizável chamada displasia, que pode ser branda, moderada ou severa, dependendo de quanto suas células parecem anormais ao microscópio.

Saber o grau de displasia ajuda a prever a probabilidade de a lesão evoluir para um câncer, desaparecer sozinha ou com tratamento.

Geralmente, a displasia desaparece quando se elimina o agente causador, ou seja, quando o paciente para de fumar.

A irritação provocada por dentes ásperos, superfícies irregulares em obturações, coroas ou dentaduras contra a língua ou o interior das bochechas também pode causar leucoplasia ou eritroplasia. Tratamentos com retinoides podem ajudar a eliminar algumas e evitar o aparecimento de outras. 

Na maioria das vezes, a leucoplasia é uma condição benigna que raramente evolui para câncer.

Contudo, cerca de 25% das leucoplasias ou são cancerosas quando detectadas ou envolvem alterações pré-cancerosas que evoluem para câncer em períodos tão longos como 10 anos se não forem tratadas.

Geralmente, a eritroplasia é mais séria e de 70% a 95% dessas lesões são cancerosas na época da biópsia inicial ou vão evoluir para um câncer.

Conheça a cartilha sobre câncer de boca com informações sobre o diagnóstico e o tratamento

Mais de 90% dos cânceres de boca são carcinomas de células escamosas, também chamados carcinomas espinocelulares ou ainda carcinomas epidermoides. Células escamosas são achatadas e normalmente revestem a cavidade bucal.

O carcinoma espinocelular começa como um conjunto de células escamosas anormais. A forma inicial do carcinoma de células escamosas é chamada carcinoma in situ, isto é, o câncer só está presente nas células da camada de revestimento, chamada epitélio.

O carcinoma espinocelular invasivo é aquele em que as células do câncer penetraram em camadas mais profundas da boca.

O carcinoma verrucoso é uma variante do carcinoma espinocelular que responde por menos de 5% dos tumores da boca. É um câncer de baixa agressividade, que raramente produz metástases, mas que pode se espalhar profundamente pelos tecidos vizinhos e por isso precisa ser removido.

Cânceres das glândulas salivares menores podem se desenvolver nas glândulas encontradas logo abaixo do revestimento da boca. Há vários tipos de câncer das glândulas salivares menores, incluindo carcinoma adenocístico, mucoepidermoide e adenoma pleomórfico.
 

FATORES DE RISCO

Alguns fatores aumentam o risco de desenvolver câncer, mas não quer dizer que você vai ter câncer de boca.

Fumo: fumantes de cigarro, cachimbo (associado ao câncer de lábio) e charuto, pessoas que mascam fumo (associado ao câncer da parte interna dos lábios, das bochechas e das gengivas) ou que são usuárias de rapé representam 90% dos casos de câncer de boca e o risco é proporcional à quantidade de fumo consumida. Ou seja, quanto maior o consumo, maior o risco. A chance de essas pessoas desenvolverem câncer de boca é de seis a dezesseis vezes maior que entre as não fumantes. Fumo passivo também é fator de risco.

Álcool: sozinho, o consumo de bebidas alcoólicas já é um fator de risco importante, particularmente entre os chamados bebedores pesados, que bebem mais de 21 doses de álcool por semana. O risco é 6 vezes maior para quem bebe do que para quem não bebe. Combinado com o fumo, o risco se multiplica. Essa combinação é muito perigosa.

Idade: o risco aumenta com a idade e metade dos pacientes tem mais de 65 anos.

Sexo: dois terços dos pacientes são homens.

Sexo oral e HPV: o papilomavírus humano (HPV) causa 90% dos casos de câncer de útero, mas tem sido encontrado em outros cânceres de cabeça e pescoço.

Isso vem fazendo com que os pacientes sejam mais jovens.

Há vacinas para prevenir a infecção por HPV, disponíveis tanto na rede pública como na rede privada, para meninos e meninas e adolescentes que ainda não têm vida sexual ativa.

Irritações da mucosa bucal: dentaduras, pontes e coroas que não estão bem ajustadas podem reter agentes causadores de câncer, como partículas de tabaco e álcool. Por isso, essas próteses precisam ser avaliadas periodicamente pelo dentista e as dentaduras, removidas e limpas todas as noites.

Imunossupressão: pessoas que tomam drogas imunossupressoras, para evitar a rejeição de um transplante, por exemplo, também podem ter risco aumentado para câncer de boca.

Exposição ao Sol: mais de 30% dos pacientes de câncer de lábio são profissionais que trabalham ao ar livre, expostos à radiação ultravioleta do Sol. Protetor labial com filtro solar ajuda na prevenção.

Alimentação: dietas pobres em frutas, legumes e verduras também estão associadas a maior risco de câncer de boca.

SINAIS E SINTOMAS

Os sinais e os sintomas de câncer de boca variam de pessoa para pessoa e muitos deles são comuns a várias doenças benignas. No entanto, como a detecção precoce é muito importante para o sucesso do tratamento, é importante consultar um dentista ou um especialista em cabeça e pescoço se apresentar algum dos sintomas abaixo.

  • Ferida na boca que não cicatriza (sintoma mais comum)
  • Dor na boca que não passa (comum em fases mais avançadas do câncer)
  • Nódulo persistente ou espessamento da bochecha
  • Área vermelha ou esbranquiçada nas gengivas, língua ou revestimento da boca
  • Dificuldade para mastigar
  • Dificuldade para mover a mandíbula ou a língua
  • Dormência da língua ou de outra área da boca
  • Inchaço da mandíbula que faz dentadura ou prótese desencaixar ou incomodar
  • Dentes que ficam moles ou frouxos na gengiva ou dor em torno dos dentes ou da mandíbula
  • Mau hálito persistente
  • Perda de peso inexplicável

DIAGNÓSTICO

Diante da suspeita de um câncer de boca, a primeira coisa a fazer é procurar um especialista, ou seja, um cirurgião de cabeça e pescoço, que vai avaliar o caso e pedir exames para descartar ou confirmar a suspeita de câncer.

Um desses exames é a citologia exfoliativa, em que o médico raspa a lesão suspeita e analisa a amostra ao microscópio. Se essas células parecerem anormais, uma biópsia será feita.

A vantagem dessa técnica é que, além de simples, ela permite a análise de lesões com aparência minimamente anormal, abrindo caminho para o diagnóstico precoce.

No entanto, esse método não detecta todos os cânceres, nem sempre é possível distinguir células cancerosas de células não cancerosas (displasia). O outro exame é a biópsia que pode ser feita em consultório ou centro cirúrgico, dependendo da localização do tumor.

Se a biópsia for feita no consultório, a região receberá anestesia local. Se o tumor estiver na parte de trás da boca, o procedimento será feito em centro cirúrgico com anestesia geral.

Os exames por imagem podem incluir tomografia, tomografia por emissão de pósitrons (PET-CT), Raios-X, incluindo dentários e série do trato gastrintestinal superior com contraste de bário para avaliar deglutição, além de endoscopia.

TRATAMENTO

As opções de tratamento para pacientes com câncer de boca são cirurgia e radioterapia, sozinhas ou combinadas entre si ou com quimioterapia, dependendo do estágio do tumor.

O médico vai abordar as diversas alternativas com o paciente, estas devem levar em consideração o estado geral de saúde, o tipo e o estágio do tumor, as chances de cura e o impacto do tratamento na fala, na mastigação e na deglutição do paciente.

Várias cirurgias são comumente usadas para tratar o câncer de boca, dependendo da localização e do estágio do câncer. Mais de uma cirurgia pode ser necessária, tanto para o tratamento como para restaurar a aparência e a função dos tecidos afetados pela doença e pelas terapias.

Na ressecção do tumor primário, se for pequeno e acessível, todo o tumor e parte dos tecidos normais ao seu redor são retirados pela boca, por exemplo. A ressecção total ou parcial de mandíbula é a cirurgia usada quando há indícios de que houve invasão do osso da mandíbula.

Se houver limitação do movimento, possivelmente porque o tumor se infiltrou no osso e não houver evidência dessa invasão nos raios-X, então é feita uma ressecção parcial de mandíbula.

Se houver evidência em raio-X de destruição do osso, então a retirada completa da mandíbula é necessária.

Quando o câncer atinge o céu da boca ou a gengiva superior é necessária ressecção (retirada) do osso, numa cirurgia chamada maxilectomia ou maxilectomia parcial. O defeito no céu da boca resultante desse procedimento pode ser corrigido com uma prótese.

O câncer de boca muitas vezes atinge os gânglios linfáticos do pescoço. Dependendo do estágio e da localização exata do câncer, pode ser necessário remover esses nódulos por meio de uma cirurgia chamada esvaziamento cervical ou dissecção de pescoço.

O objetivo é remover os gânglios linfáticos atingidos ou suspeitos de conter câncer. A quantidade de tecido removido depende do tamanho do tumor primário e da extensão da disseminação para os gânglios linfáticos.

Na dissecção parcial ou seletiva de pescoço, apenas alguns nódulos linfáticos são retirados. Na dissecção radical modificada, a maioria dos gânglios linfáticos de um dos lados do pescoço, entre a mandíbula e a clavícula, bem como músculo e tecido nervoso, são removidos.

Na dissecção radical de pescoço, praticamente todos os gânglios linfáticos de um dos lados do pescoço, além de músculo, nervos e veias são retirados.

Os efeitos mais comuns de qualquer dissecção de pescoço são dormência da orelha (causada por ressecção do nervo grande auricular), fraqueza ao erguer o braço acima da cabeça (causada por ressecção do nervo espinhal acessório) e fraqueza do lábio inferior (causada por comprometimento dos ramos inferiores do nervo facial).

Na dissecção seletiva, a fraqueza do braço e do lábio inferior geralmente desaparece depois de alguns meses. Contudo, se algum nervo é retirado como parte da dissecção radical ou por envolvimento de tumor, a fraqueza será permanente.

Depois de qualquer dissecção, é preciso fazer fisioterapia para o paciente melhorar a movimentação do pescoço e dos ombros.

Se o paciente tiver indicação para radioterapia, é preciso que ele passe por uma avaliação dentária. Dependendo do plano de radioterapia, pode ser preciso extrair alguns ou todos os dentes do paciente. Se parte da mandíbula for reconstruída com osso de outra parte do corpo, é possível fazer implantes dentários ao mesmo tempo que a reconstrução ou posteriormente a ela.

A radioterapiapode ser utilizada no tratamento do câncer de boca, tanto para eliminar eventuais depósitos de células cancerosas que não podem ser vistas ou retiradas na cirurgia como para aliviar sintomas como dor, sangramentos, dificuldades para engolir e problemas causados por metástases ósseas. A radioterapia utiliza uma fonte externa, a convencional, mas de alta precisão, com dosagem e posicionamento calculados por computador. São necessárias cinco sessões semanais ao longo de um período que varia de cinco a sete semanas.

A radiação pode provocar lesões na boca e dificultar a deglutição tornando difícil a alimentação durante o tratamento.

Quando isso acontece, os médicos fazem uma cirurgia simples, chamada gastrostomia, para colocar um tubo no estômago e alimentar o paciente com uma dieta líquida.

Outra opção é o uso de uma sonda nasogástrica, que é introduzida pelo nariz e vai até o estômago, e que pode ser usada indefinidamente. A terapia também pode causar perda parcial ou completa do paladar e afetar as glândulas salivares, tornando a boca permanentemente seca.

Danos de longo prazo aos ossos também podem ocorrer. O principal sintoma da osteorradionecrose é a dor no osso, que também fica mais sujeito a fraturas. Algumas vezes, o osso quebrado se consolida, mas em outras é preciso removê-lo cirurgicamente. Dentes submetidos à radiação frequentemente ficam cariados e visitas ao dentista e aplicações de flúor podem ajudar a contornar o problema.

A quimioterapia é o uso de drogas anticâncer, por via oral ou injetadas, que agem na corrente sanguínea e podem alcançar células cancerosas que atingiram órgãos distantes da cabeça e do pescoço.

Às vezes, essa terapia é utilizada para reduzir o tumor antes da cirurgia ou da radioterapia, na chamada quimioterapia neoadjuvante, e também como tratamento paliativo dos casos de câncer de cabeça e pescoço grandes demais para ser inteiramente removidos ou ainda para tumores que não são controlados por radioterapia.

Além disso, a quimioterapia é usada com a radioterapia para reduzir tumores que não podem ser removidos cirurgicamente ou em casos específicos em que essa combinação oferece as mesmas possibilidades de cura que o tratamento convencional de cirurgia e radioterapia.

Reconstrução

Como o tratamento de alguns tipos de câncer de cabeça e pescoço envolve a perda de parte da estrutura óssea do rosto, os efeitos para a autoestima do paciente podem ser devastadores.

Cirurgias da mandíbula, palato (céu da boca) ou língua também podem comprometer a fala.

É importante, porém, saber que avanços recentes, tanto na produção de próteses como nas técnicas de cirurgia plástica, dão ao paciente aparência praticamente normal.

Quando a quantidade de tecido sadio retirada com o tumor é pequena, não costuma haver necessidade de reconstrução; mas a cirurgia reconstrutora pode ser necessária para reparar defeitos na boca, na garganta e no pescoço provocados pela remoção de tumores maiores.

Algumas vezes, uma fina secção de pele, tirada da coxa ou do abdome, pode ser usada para reparar um pequeno defeito.

Para extensões maiores, porém, uma parte de músculo, com ou sem pele, pode ser deslocada de uma área próxima, como o peito (retalho miocutâneo de peitoral maior) ou parte superior das costas (retalho miocutâneo de trapézio).

Graças aos avanços da microcirurgia vascular (sutura de pequenos vasos sanguíneos com a ajuda de microscópio), os cirurgiões dispõem de mais opções para a reconstrução da boca.

Tecidos de áreas distantes, como intestino, músculos do braço, músculos abdominais ou ossos da perna, podem ser usados para repor partes da boca ou da mandíbula. Em centros de tratamento especializados, como o A.C.

Camargo Cancer Center, as cirurgias reconstrutivas são planejadas em conjunto com a equipe que realiza os procedimentos para tratamento, otimizando assim os resultados dos dois procedimentos.

ESTADIAMENTO

O estadiamento é uma forma de classificar a extensão do tumor e se, ou quanto, ele afetou os gânglios linfáticos ou outros órgãos. Para isso é usada uma combinação de letras e números: T de tumor, N, de nódulos (ou gânglios linfáticos) e M de metástase e números que vão de 0 (sem tumor, ou sem gânglios afetados ou sem metástase) a 4, este último indicando maior acometimento.

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