Como ajudar uma pessoa com transtorno de conversão

Muito se fala sobre o poder de nosso cérebro sobre a saúde e nos faz pensar: “Já que somos “poderosos” em criar doenças será que podemos aplicar este poder na cura das doenças? Seu cérebro pode ser o seu próprio médico?”

Doença psicossomática e Somatização se referem a aspectos diferentes do mesmo ponto: a influência da mente sobre a saúde de nosso corpo.

Como Ajudar uma Pessoa com Transtorno de ConversãoToda doença tem fundo emocional?

Não, mas existem correntes que defendem esta ideia. Creio ser um pouco exagerado considerar que toda vez que ficamos doentes teremos nossa mente como responsável.

É claro de em alguns casos identificamos sim doenças e dores emocionais como por exemplo labirintite emocional, febre emocional, etc, mas nosso corpo funciona independente de nosso pensamento e intenção, por exemplo o coração bate, o sangue circula quer você queira ou não.

A única ponta de verdade que consigo ver na afirmação de que toda doença tem fundo emocional é que toda pessoa angustiada, nervosa, preocupada, triste, irada, enfim com emoções negativas, poderão ter seus sistemas imunológicos abalados.

Com o sofrimento emocional e psicológico nosso corpo pode produzir cortizol, o hormônio do stress e com a repetição desta descarga hormonal seu organismo pode ir ficando cada vez mais debilitado a ponto de adoecer. Mas o inverso também pode ser verdadeiro, ou seja, toda vez que sua saúde física estiver abalada você poderá sofrer conseqüências emocionais e psicológicas. Quando uma pessoa descobre que tem câncer poderá se abalar emocional e psicologicamente.

O que é Somatização ou transtorno de somatização?

Quando alguém diz que a pessoa está somatizando está dizendo que esta pessoa apresenta sintomas físicos mesmo não havendo uma doença física – a causa destes sintomas seria emocional.

Por exemplo, o caso da pessoa que sente taquicardia, o coração dispara e ela vai ao médico achando que está com problema no coração, chegando lá ela faz exames, e não acusando nada, o médico dispensa o paciente dizendo que ele está bem fisicamente.

Esta taquicardia pode ser sintoma de pânico – síndrome do pânico. Isso é somatização. Os exames não acusam nada porque a pessoa não tem nada fisicamente, o sofrimento físico é um reflexo do sofrimento emocional, que está escondido.

O ideal nessa situação seria que o médico encaminhe a pessoa para um tratamento com psicólogo e obtenha ajuda psicológica para sintomas psicossomáticos ou somatização.

O que é Doença psicossomática ou transtorno psicossomático?

Somatização de doenças ou doenças da mente como por ser conhecida popularmente.

Quando usamos o termo “doença psicossomática” dizemos que a causa é psicológica, mas a pessoa apresenta alterações clínicas detectáveis por exames de laboratório, ou seja, o corpo da pessoa está tendo danos físicos – chamamos de doença psicossomática.

É uma doença física, verdadeira mas com causa psicológica, ou seja, a doença apareceu no corpo, como uma alergia por exemplo. Neste caso o ideal seria tratar tanto com o psicólogo como com o médico.

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Hipocondria

Injustamente condenado por “querer chamar a atenção” pois eu percebo que na hipocondria a pessoa não “quer” ficar doente, na realidade ele tem medo intenso de doença, tem tanto medo, pensa tanto nisso que acaba vendo doença onde não tem.

Histérico ou Histriônico

Neste caso identificamos o indivíduo que expressa necessidade em chamar a atenção para si. Neste transtorno de personalidade a pessoa simplesmente se alimenta de atenção – “precisa” de que os outros lhe dêem atenção.

Esta pessoa pode confundir tranqüilidade com rejeição, pois acredita que se as pessoas estão simplesmente em paz ao seu lado elas não estão gostando de sua companhia. Esta pessoa só se sente aceita e querida se for o centro das atenções e, não há nada melhor do que uma doença para receber atenção alheia.

Sendo assim as doenças podem ser inventadas intencionalmente como uma forma de chamar atenção.

O psicanalista pode ser consultado para atendimento referente à psicossomática ou somatização.

Há quem minta e diga que está doente sem ter nada?

Sim, é possível que algumas vezes para chamar atenção e receber cuidados médicos, outras vezes por pura compulsão de mentir sobre sua própria saúde. O nome é Síndrome de Munchausen.

São pessoas que sofrem psiquiatricamente e tem como sintomas principais causar ou simular sintomas de doenças. Algumas vezes são mães que provocam sintomas em seus filhos e os levam aos hospitais para serem tratados.

Esta pessoa chega a pesquisar detalhadamente as características e sintomas de uma determinada doença e passa a fingir ou provocar estes sintomas em si mesmo ou no próprio filho.

Como Ajudar uma Pessoa com Transtorno de Conversão

O corpo também afeta a mente

Uma doença física provoca sofrimento mental além do sofrimento orgânico. Uma pessoa que tenha uma doença que a debilite fisicamente, que a deixe afastada dos outros pode iniciar uma depressão por exemplo. Nestes casos deve receber tratamento médico e psicológico.

Considero importante a atenção a estas “doenças da mente” como são chamadas e a busca da terapia quando necessário.

O que provoca uma doença psicossomática ou problema psicossomático?

Cada pessoa terá suas caracteristicas, podemos pensar em alguns exemplos: Inabilidade social, dificuldade em expressar seus sentimentos e necessidades, angustia, medos, raiva, depressão, ansiedade, fobias, enfim, todo sofrimento emocional debilita a pessoa como um todo.

Função do sintoma na psicossomática

A dor serve para alguma coisa? O sofrimento pode encontrar uma forma de se manifestar, uma válvula de escape, que é o sintoma, aos poucos pode fazer o corpo ficar doente. Todo sintoma a função de alertar de que alguma coisa não está indo bem.

A somatização seria como um chamado para prestarmos atenção no que pode não estar indo bem.

Seu relacionamento com colegas? Seu casamento? Insatisfação no trabalho? Dificuldade nos estudos? Muitas vezes, quando procuramos um médico com uma somatização e ouvimos que não temos nada, podemos sofrer duplamente, pois sentimos que temos alguma coisa mas não sabemos o que é, pelo menos naquele momento.

Psicoterapia para doenças psicossomáticas

A psicoterapia pode ajudar a identificar quais sintomas podem estar surgindo por conta de questões emocionais.

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Transtorno Somatoforme

Os transtornos somatoformes são um grupo de distúrbios psiquiátricos no qual os pacientes apresentam uma miríade de sintomas físicos clinicamente significativos, mas inexplicáveis, e por isso orienta-se a busca da ajuda psicológica.

Eles incluem transtorno de somatização, transtorno somatóforme indiferenciado, hipocondria, transtorno de conversão, transtorno de dor, transtorno dismórfico corporal e transtorno somatoforme não especificado de outra forma.

Esses distúrbios muitas vezes causam sofrimento emocional significativa para os pacientes e são um desafio para os médicos.

Até 50 por cento dos pacientes de cuidados primários presentes com sintomas físicos que não pode ser explicado por uma condição médica geral. Alguns destes doentes satisfazem os critérios para transtornos somatoformes.

Embora a maioria não cumprem os critérios diagnósticos psiquiátricos estritas para um dos transtornos somatoformes, eles podem ser referidos como tendo “preocupação somática”, uma apresentação de transtornos somatoformes que também pode causar angústia aos doentes e necessitam de intervenção.

Os sintomas inexplicáveis de transtornos somatoformes muitas vezes levam à ansiedade geral de saúde; preocupação frequente ou recorrente e excessiva com sintomas físicos inexplicáveis; crenças imprecisas ou exageradas sobre sintomas somáticos; deficiência desproporcional; exibições de emoções fortes, muitas vezes negativas em relação ao médico ou de âmbito pessoal; expectativas irreais; e, ocasionalmente, a resistência ou não conformidade com os esforços de diagnóstico ou tratamento. Estes comportamentos podem resultar em visitas mais frequentes aos consultórios, exames laboratoriais ou de imagem desnecessários ou procedimentos invasivos, caros e potencialmente perigosos.

Pouco se sabe sobre as causas dos transtornos somatoformes. Dados epidemiológicos indicam comorbidades com outros transtornos de saúde mental, tais como transtornos de humor, transtornos de ansiedade, transtornos de personalidade, transtornos alimentares e transtornos psicóticos. Fonte http://www.aafp.org/afp/2007/1101/p1333.html

Tratamento – Sintomas – Causas

O atendimento psicológico pode ajudar, ou colaborar com o atendimento médico, a identificar os sintomas físicos provenientes de causas emocionais ou psicológicas.

O tratamento pode ser em conjunto, médico e psicólogo, quando os profissionais assim perceberem que poderá haver melhor prognóstico como também o tratamento pode ocorrer apenas com o psicólogo quando for necessário.

As causas podem ser identificadas ao longo do tratamento psicológico, cada paciente apresentará sus historia de vida, situações significativas e outras informações que podem ajudar o psicoterapeuta a identificar a origem destes sintomas no trabalho com abordagem psicossomática.

O que é Transtorno Dissociativo e como identificar

O Transtorno Dissociativo, também conhecido como distúrbio de conversão, é um transtorno mental no qual a pessoa sofre de um desequilíbrio psicológico, havendo alterações na consciência, memória, identidade, emoção, percepção do ambiente, controle dos movimentos e comportamento.

Assim, a pessoa com este transtorno pode vivenciar diferentes tipos de sinais e sintomas de origem psicológica, que surgem de forma isolada ou em conjunto, sem que haja qualquer doença física que justifique o caso. Os principais são:

  • Amnésia temporária, seja de eventos específicos ou de um período do passado, chamada de amnésia dissociativa;
  • Perda ou alteração dos movimentos de partes do corpo, chamado de transtorno dissociativo do movimento;
  • Lentificação dos movimentos e reflexos ou impossibilidade de se mover, semelhante a um desmaio ou um estado de catatonia, chamado de estupor dissociativo;
  • Perda da consciência de quem é ou de onde está;
  • Movimentos semelhantes a uma crise epiléptica, chamado de convulsão dissociativa;
  • Formigamentos ou perda da sensibilidade em um ou mais locais do corpo, como boca, língua, braços, mãos ou pernas, chamado de anestesia dissociativa;
  • Estado de extrema confusão mental;
  • Múltiplas identidades ou personalidades, que é o transtorno dissociativo de identidade. Em algumas culturas ou religiões, pode ser chamada de estado de possessão. Se quer saber mais sobre este tipo específico de transtorno dissociativo, confira Transtorno Dissociativo de Identidade.
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É comum que os portadores de transtorno dissociativo apresentem mudanças de comportamento, como uma súbita reação exaltada ou desequilibrada, por isso, este transtorno também é conhecido como histeria ou reação histérica. 

Geralmente, o transtorno dissociativo costuma se manifestar ou ser agravado após eventos traumáticos ou de grande estresse, e costuma surgir de forma brusca. Os episódios podem surgir de vez em quando ou se tornarem frequentes, a depender de cada caso. Também é mais comum em mulheres do que em homens.

O tratamento do transtorno dissociativo deve ser orientado por um psiquiatra e pode incluir uso de remédios ansiolíticos ou antidepressivos para aliviar os sintomas, sendo muito importante a realização de psicoterapia.

Como Ajudar uma Pessoa com Transtorno de Conversão

Como confirmar

Durante as crises de transtorno dissociativo, pode-se acreditar que se trata de uma doença física, por isso, é comum que o primeiro contato destes pacientes seja com o médico no pronto-socorro. 

O médico identifica a presença desta síndrome ao pesquisar intensamente alterações na avaliação clínica e em exames, porém nada de origem física ou orgânica que explique o quadro é encontrado. 

A confirmação do transtorno dissociativo é feita pelo psiquiatra, que irá avaliar os sintomas apresentados nas crises e a existência de conflitos psicológicos que possam estar desencadeando ou agravando a doença.

Este médico também deverá avaliar a presença de ansiedade, depressão, somatização, esquizofrenia ou outros transtornos mentais que pioram ou que confundem com o transtorno dissociativo.

Entenda quais são e como identificar os transtornos mentais mais comuns. 

Como é feito o tratamento

A principal forma de tratamento do transtorno dissociativo é a realização de psicoterapia, com um psicólogo, para ajudar o paciente a desenvolver estratégias para lidar com o estresse. As sessões são mantidas até que o psicólogo ache que o paciente é capaz de gerir as suas emoções e relações de forma segura.

Também é recomendado um acompanhamento com o psiquiatra, que irá avaliar a evolução da doença e poderá prescrever medicamentos para aliviar os sintomas, como antidepressivos, como Sertralina, antipsicóticos, como Tiaprida ou ansiolíticos, como Diazepam, caso seja necessário. 

Psicossomática – classificação CID-10 e DSM-IV

O CID – 10 (Classificação Internacional das Doenças) e o DSM-IV apresentam algumas divergências quanto aos transtornos somatoformes e seus critérios diagnósticos.

O DSM-IV reconhece cinco transtornos somatoformes: transtorno de somatização, transtorno conversivo, hipocondria, transtorno dismórfico corporal e transtorno doloroso. O DSM-IV possui ainda duas categorias residuais para os transtornos somatoformes: transtorno somatoforme indiferenciado e transtorno somatoforme sem outra especificação.

O CID – 10 (Classificação Internacional das Doenças) e o DSM-IV apresentam algumas divergências quanto aos transtornos somatoformes e seus critérios diagnósticos. Neto e Elkis (2007) apresentam como a principal divergência, o fato do DSM classificar desde sua terceira edição, os transtornos conversivos como somatoformes.

A CID-10 os coloca em outra categoria, a dos transtornos dissociativos (de conversão). Na CID-10 também não há um equivalente exato do transtorno dismórfico corporal, na forma que é descrita pelo DSM. Na classificação da OMS, os pacientes que apresentam reações patológicas frente a defeitos físicos menores ou imaginários são considerados hipocondríacos.

Na CID-10 há ainda a presença do transtorno neurovegetativo somatoforme; trata-se de muitas alterações sintomáticas ligadas à manifestações de órgãos inervados pelo sistema nervoso periférico – na ausência de lesões orgânicos  demonstráveis – como por exemplo, diarréia, polaciúria, soluços psicogênicos, Síndrome de Da Costa e astenia neurocirculatória.

Essas condições são classificadas pelo DSM-IV como transtorno somatoforme sem outra especificação (SOE).

A caracterização geral do DSM-IV para o transtorno conversivo é a presença de um ou mais sintomas importantes (como cegueira, parestesia, paralisia, analgesia etc.) que não têm causa orgânica.

As diretrizes diagnósticas para o transtorno conversivo são: um ou mais sintomas ou déficits afetando a função motora ou sensorial voluntária que não possam sugerir uma condição neurológica ou uma condição médica geral; fatores psicológicos são julgados como associados com o sintoma ou déficits, uma vez que, o início ou a exacerbação do sintoma ou déficits é precedido por conflitos estressores; o sintoma ou déficits não é intencionalmente produzido ou simulado; o sintoma ou déficits causa sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.

Classificação da CID-10

Segundo a CID-10 a característica essencial dos transtornos somatoformes diz respeito à presença repetida de sintomas físicos associados à busca persistente de assistência médica, apesar de que os médicos nada encontram de anormal e afirmam que os sintomas não têm nenhuma base orgânica. Se quaisquer transtornos físicos estão presentes, eles não explicam nem a natureza e a extensão dos sintomas, nem o sofrimento e as preocupações do sujeito.

Transtorno de somatização

Transtorno caracterizado essencialmente pela presença de sintomas físicos, múltiplos, recorrentes e variáveis no tempo, persistindo ao menos por dois anos.

A maioria dos pacientes teve uma longa e complicada história de contato tanto com a assistência médica primária quanto especializada durante as quais muitas investigações negativas ou cirurgias exploratórias sem resultado podem ter sido realizadas.

Os sintomas podem estar referidos a qualquer parte ou sistema do corpo. O curso da doença é crônico e flutuante, e frequentemente se associa a uma alteração do comportamento social, interpessoal e familiar.

Quando o transtorno tem uma duração mais breve (menos de dois anos) ou quando ele se caracteriza por sintomas menos evidentes, deve-se fazer o diagnóstico de transtorno somatoforme indiferenciado.

Transtorno hipocondríaco

A característica essencial deste transtorno é uma preocupação persistente com a presença eventual de um ou de vários transtornos somáticos graves e progressivos. Os pacientes manifestam queixas somáticas persistentes ou uma preocupação duradoura com a sua aparência física.

Sensações e sinais físicos normais ou triviais são freqüentemente interpretados pelo sujeito como anormais ou perturbadores. A atenção do sujeito se concentra em geral em um ou dois órgãos ou sistemas.

Existem freqüentemente depressão e ansiedade importantes, e que podem justificar um diagnóstico suplementar.

Transtorno neurovegetativo somatoforme

O paciente atribui seus sintomas a um transtorno somático de um sistema ou de órgão inervado e controlado, em grande parte ou inteiramente, pelo sistema neurovegetativo: sistema cardiovascular, gastrointestinal, respiratório e urogenital.

Os sintomas são habitualmente de dois tipos, sendo que nenhum dos dois indica transtorno somático do órgão ou do sistema referido.

O primeiro tipo consiste de queixas a respeito de um hiperfuncionamento neurovegetativo, por exemplo palpitações, transpiração, ondas de calor ou de frio, tremores, assim como por expressão de medo e perturbação com a possibilidade de uma doença física.

O segundo tipo consiste de queixas subjetivas inespecíficas e variáveis, por exemplo dores e sofrimentos, e sensações de queimação, peso, aperto e inchaço ou distensão, atribuídos pelo paciente a um órgão ou sistema específico.

Transtorno doloroso somatoforme persistente

A queixa predominante é uma dor persistente, intensa e angustiante, dor esta não explicável inteiramente por um processo fisiológico ou um transtorno físico, e ocorrendo num contexto de conflitos emocionais e de problemas psicossociais suficientemente importantes para permitir a conclusão de que os mesmos sejam a causa essencial do transtorno. O resultado é em geral uma maior atenção em suporte e assistência quer pessoal, quer médica. Uma dor considerada como psicogênica mas ocorrendo no curso de um transtorno depressivo ou de uma esquizofrenia não deve ser aqui classificada.

Outros transtornos somatoformes

Todos os outros transtornos das sensações, das funções e do comportamento, não devidos a um transtorno físico que não estão sob a influência do sistema neurovegetativo, que se relacionam a sistemas ou a partes do corpo específicos, e que ocorrem em relação temporal estreita com eventos ou problemas estressantes.

Classificação da DSM – IV

Transtorno de somatização

É caracterizado por múltiplos sintomas somáticos que não podem ser adequadamente explicados com base em exames físicos e laboratoriais. É diferenciado dos outro transtornos de somatoformes em vista da multiplicidade de queixas e múltiplos sistemas orgânicos afetados.

Para o diagnóstico o DSM-IV exige início dos sintomas antes dos trinta anos; durante o curso do transtorno deve ter se queixado de pelo menos, quatro sintomas dolorosos, dois sintomas gastrintestinais, um sintoma sexual e um sintoma pseudoneurológico; nenhum deles completamente explicado por exames físicos ou laboratoriais.

Os pacientes com transtorno de somatização apresentam inúmeras queixas somáticas e uma complicada história médica. O sofrimento psicológico e problemas interpessoais são proeminentes, com ansiedade e depressão sendo as condições psiquiátricas prevalentes. Eles descrevem suas queixas de um modo dramático, emocional e exagerado, com linguagem vívida e colorida. (Kaplan e Sadock, 1997)

É a vertente mais grave dos transtornos somatoformes. É uma condição crônica e frequentemente debilitante. Holmes (1997) diz que além dos sintomas físicos, esses pacientes podem se queixar de depressão e ansiedade, mas essas queixas não fazem parte do transtorno em si, mas são consequência da crença do indivíduo de que um problema médico grave exista.

Kaplan e Sadock (1997) lembram que os medicamentos devem ser cuidadosamente monitorados, pois esses sujeitos tendem a usá-los erraticamente e de forma não confiável

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Transtorno hipocondríaco

A hipocondria pode resultar de interpretações irreais ou errôneas do paciente sobre sintomas ou sensações físicas, levando a preocupações e medo de terem doenças sérias, embora não possam ser encontradas causas médicas. As preocupações do paciente resultam em sofrimento significativo e prejudicam sua capacidade para funcionar em papéis pessoais, sociais e ocupacionais.

Os critérios diagnósticos do DSM–IV para a hipocondria exigem que o paciente esteja preocupado com a falsa crença de ter uma doença séria, e que a falsa crença esteja baseada em uma interpretação errônea de sinais ou sensações físicas.

Os critérios exigem que a crença dure pelo menos seis meses, apesar da ausência de achados patológicos em exames médicos e neurológicos; exige ainda que a crença não possua a intensidade de delírio e nem esteja restrita a sofrimento a respeito da aparência.

Elkis e Neto (2007) falam que é notável a proximidade do transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) com o transtorno hipocondríaco – “pode-se entender o indivíduo hipocondríaco como uma pessoa atormentada por obsessões de estar doente e/ou adoecer e assolada por compulsões a procurar auxílio médico para tentar aliviar essas obsessões” (Elkis e Neto, 2007, pág. 279) – embora não haja clareza suficiente para considerar a hipocondria como um subtipo de TOC.

Transtorno conversivo

O DSM-IV define o transtorno conversivo como um transtorno caracterizado pela presença de um ou mais sintomas neurológicos (paresias, paralisias, cegueiras, etc.) que não podem ser explicados por um transtorno neurológico ou médico conhecido.

Os critérios diagnósticos incluem: um ou mais sintomas ou déficits afetando a função motora ou sensorial voluntária, que sugerem uma condição neurológica ou uma condição médica geral; fatores psicológicos são julgados como associados com o sintoma ou o déficit, uma vez que a exacerbação do sintoma ou déficit é precedido por conflitos ou outros estressores; o sintoma ou déficit não é intencionalmente produzido ou simulado; não pode ser explicado por uma condição médica geral, pelos efeitos de uma substância ou por um comportamento ou experiência culturalmente sancionados; causa sofrimento significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional; não se limita a dor ou disfunção sexual, não ocorre exclusivamente durante o curso do Transtorno de Somatização, nem é melhor explicado por outro transtorno mental.

Os sintomas de conversão incluem paralisia, convulsões, cegueira, surdez, visão em túnel, anestesia e parestesia.

Holmes (1997) destaca que uma característica associada a alguns casos de transtornos de conversão é que em face do que parece ser um problema muito grave, o indivíduo apresenta pouca ou nenhuma preocupação.

Transtorno dismórfico corporal

É uma preocupação com um defeito corporal imaginário ou uma distorção exagerada de um defeito mínimo ou sem importância. A preocupação causa ao paciente um significativo sofrimento emocional ou prejuízo acentuado em sua capacidade para funcionar em áreas importantes.

As queixas tipicamente envolvem alterações menores na face e na pele, como assimetrias, marcas vasculares ou sensações de desproporcionalidade, mas, segundo Elkis e Neto (2007) podem incluir também indistinta sensação de feiúra.

Transtorno doloroso

O sintoma primário é a presença de dor em um ou mais locais, não completamente explicada por uma condição médica ou neurológica. Os sintomas de dor estão associados ao sofrimento emocional e prejuizo funcional, e o transtorno tem relação com fatores psicológicos.

Segundo Kaplan e Sadock (1997), portadores do transtorno doloroso podem ser insistentes no desejo por fazer uma cirurgia que solucione o seu problema e relacionam a dor como a fonte de todo seu sofrimento. Podem também iniciar o consumo de substâncias psicoativas como forma de eliminar ou reduzir a dor.

As queixas de dores podem ser muito variadas, tais como dor lombar inferior, cefaléia, dor facial atípica e dor pélvica crônica.

Elkis e Neto (1997) dizem que o transtorno doloroso é um diagnóstico sutil, especialmente pelo fato de que na clínica da dor haver sobreposição das características dos pacientes com dores, sejam elas “psicológicas” ou “físicas”. E componentes individuais psicopatológicos ou culturais estão presentes em qualquer tipo de dor. E ainda os transtornos orgânicos dolorosos podem induzir quadros psiquiátricos.

Transtorno de conversão « Ada

Distúrbio de conversão é uma condição na qual as pessoas reportam sintomas que não têm explicação física. Isso pode incluir sintomas como fraqueza, distúrbios do movimento ou sensação, ou apagões.

Episódios de conversão são quase sempre desencadeados por um evento estressante, uma problema emocional ou um distúrbio da saúde mental (por exemplo, uma depressão). Um distúrbio de conversão é geralmente uma condição auto-limitada, ou seja, tratamento não será necessário.

Embora, em alguns casos a admissão hospitalar possa ser considerada.

Riscos

O transtorno de conversão é relativamente comum. As mulheres são três vezes mais propensas que os homens a sofrer com essa condição. O transtorno de conversão pode afetar pessoas de qualquer idade, mas tende a ser mais comum entre as idades de 20 e 50 anos.

O transtorno de conversão é uma reação física ao estresse esmagador ou sofrimento emocional. Existem muitos exemplos comuns, como o coração muito acelerado quando se sentem nervosos, no entanto, no transtorno de conversão, os sintomas tendem a ser mais dramáticos.

É mais comum em pessoas passando por eventos emocionais difíceis e pessoas que sofrem de ansiedade ou depressão.

Sintomas

As pessoas com transtorno de conversão podem sofrer sintomas dramáticos como cegueira, visão dupla, fraqueza ou paralisia, espasmos musculares, convulsões, perda de equilíbrio, pele entorpecida, perda de memória, dificuldades de deglutição, tiques motores ou mesmo alucinações (entre muitos outros). Embora não haja nenhuma causa conhecida que explique os sintomas, eles são reais para a pessoa que os experimenta. As pessoas com transtorno de conversão às vezes parecem surpreendentemente não afetadas por esses sintomas.

Diagnóstico

O diagnóstico geralmente é feito por um médico experiente ou psiquiatra quando nenhuma causa física pode ser encontrada para os sintomas e há uma causa para o estresse. Pode ser difícil diagnosticar o transtorno de conversão e, muitas vezes, testes múltiplos são feitos para excluir outras causas dos sintomas antes do diagnóstico ser alcançado.

Tratamento

O tratamento do transtorno de conversão envolve educação sobre o transtorno e aconselhamento para enfrentar a causa do estresse. Em muitos casos isso ajuda a aliviar os sintomas. Se a pessoa com transtorno de conversão também sofre de ansiedade ou depressão, estes podem ser tratados ao mesmo tempo que o transtorno de conversão, ajudando na melhora dos sintomas.

Prevenção

Participar em atividades de alívio do estresse (exercício leve regular, atividades divertidas, etc.) e ter uma fonte confiável de apoio emocional, em tempos de estresse, pode ser útil na prevenção dos sintomas do transtorno de conversão.

Prognóstico

O transtorno de conversão geralmente melhorará ao longo do tempo, especialmente se a causa do estresse desaparecer. Algumas pessoas podem sofrer recorrência de sintomas (ou sintomas semelhantes) em momentos de estresse.

Depressão e Ansiedade: quais os sintomas e diferenças entre elas

Ansiedade e depressão são transtornos que caminham de mãos dadas, mas têm causas, sintomas e tratamentos diferentes

Mais de 300 milhões de pessoas vivem com depressão no mundo todo, segundo a Organização Mundial da Saúde. Apenas o Brasil tem cerca de 11,5 milhões de pessoas diagnosticadas com a doença

Mas brasileiro não é só deprimido, não; também somos muito ansiosos. Em 2017, 18,6 milhões de brasileiros tinham o transtorno, o que corresponde a quase 10% da população.1

Embora em alguns casos elas possam se confundir ou até se manifestar ao mesmo tempo 2, depressão e ansiedade são doenças diferentes. Cada uma delas tem causas, sintomas e tratamentos específicos, e claro, as duas precisam de acompanhamento profissional.

Saber diferenciá-las é importante, especialmente quando uma pessoa próxima está sofrendo com uma delas ou ambas. Ao tentar entender um pouco mais sobre os sintomas, conseguimos ser empáticos para ouvir como aquela pessoa pode estar se sentindo e, quem sabe, até ajudá-la a procurar ajuda.2 Vamos aprender?

O que é depressão

Ao contrário do que muita gente pensa, a depressão não é uma doença do mundo contemporâneo. Na verdade, ela acompanha a humanidade ao longo de toda a sua história 3 e até fatores genéticos 3 podem aumentar a predisposição à doença.

Na verdade, para muitas pessoas é difícil até chamar de doença quando não temos nenhuma evidência física ou exames que ajudem a diagnosticar. Porém a depressão pode ter manifestações físicas, sim, como causar uma série de alterações químicas no cérebro. O fato de não enxergarmos isso cientificamente não significa que essas alterações não estejam aí.

Outros gatilhos podem estar associados a circunstâncias externas. Estresse, por exemplo, pode iniciar sintomas depressivos em uma pessoa já predisposta.

Há outras causas possíveis para a depressão, como desequilíbrios metabólicos ou hormonais, ambientes de competição constante, falta de afeto e empatia entre as pessoas.

4 Indivíduos que enfrentam traumas na vida, como luto, desemprego ou doenças, também são mais propensos a desenvolver a condição.5 Portanto, é resultado de uma interação complexa entre fatores sociais, psicológicos e biológicos.

Nada simples, não é mesmo?
Podemos pensar nessa relação como uma teia: quando algo é mexido de um lado, toda a teia é balançada.

Os sintomas mais comuns da depressão 3,4 são:

  • Presença constante de pensamentos negativos;
  • Sentimentos de culpa;
  • Sensação de inutilidade;
  • Baixa auto-estima;
  • Tristeza;
  • Diminuição do prazer e do ânimo para atividades cotidianas.
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É comum achar que a depressão é apenas uma tristeza mais profunda, algo que alguém pode “desligar” com pensamentos e atitudes positivas. Mas enquanto a tristeza é passageira, a depressão é duradoura.

Para o indivíduo depressivo, tudo é mais difícil, incômodo e sofrido.4

Você conhece alguém que mostra os sintomas da lista há mais de duas semanas? Se sim, fique atento, pois é possível ele ou ela esteja deprimido(a).

O que é ansiedade

Sabe aquele friozinho na barriga que dá na hora de encontrar alguém que te atrai? Ou o medo de tirar nota baixa antes de uma prova? Isso é ansiedade, um sentimento que todo mundo tem de vez em quando, e que normalmente não é prejudicial.4

Mas a ansiedade pode virar uma doença quando ocorre com muita frequência ou vem muito forte, prejudicando tanto a saúde mental como o funcionamento do corpo.6 Nesses casos, os médicos classificam esse tipo de ansiedade turbinada como um transtorno de saúde mental. Geralmente, ele se manifesta pelos seguintes sintomas 6:

Os sintomas mais comuns da ansiedade são:

  • Preocupações, tensões ou medos exagerados, sem a capacidade de relaxar;
  • Sensação contínua de que algo ruim vai acontecer;
  • Medo extremo de algum objeto ou situação;
  • Medo exagerado de ser humilhado publicamente;
  • Falta de controle sobre os pensamentos ou atitudes;
  • Pavor depois de uma situação muito difícil.

Quem sofre com o transtorno de ansiedade tem muita dificuldade para realizar tarefas específicas, como falar em público. Diante da perspectiva de ter que fazer algo assim, o coração dispara, o corpo treme e a respiração fica irregular.

A ansiedade pode ser tão forte que chega a incapacitar a pessoa de fazer suas tarefas cotidianas, o que prejudica sua vida em todos os sentidos.4

Diferença entre ansiedade e depressão

É bem comum que uma pessoa depressiva também possa estar ansiosa e vice-versa.2 Por isso, fazer esse diagnóstico e diferenciar uma da outra é uma tarefa complexa, que precisa
levar em conta história familiar, experiências passadas e o ambiente no qual o paciente vive.4

Depois de analisar todos esses fatores, o médico indica o tratamento mais adequado. Nos dois casos, a primeira recomendação costuma ser medicação junto com psicoterapia.
Entretanto, indivíduos depressivos são mais propensos a precisar de remédios do que os ansiosos 3,4, porque a terapia ajuda, mas não consegue prevenir novos episódios e nem cura a depressão 3.

Em geral, ansiedade e depressão são condições que exigem tratamento a longo prazo e merecem atenção adequada. Praticar a empatia — ou seja, colocar-se no lugar do outro e entender pelo que a pessoa está passando — é uma das formas de dar apoio a pessoas que sofrem com esses transtornos e ajudá-las a viver de uma maneira mais plena e feliz.

Referências

[1] World Health Organization. Depression and Other Common Mental Disorders. Genebra. 2017. Disponível em:
http://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/254610/WHO-MSD-MER-2017.2-eng.pdf;jsess ionid=178B8D4B29C3C7E0DCA942DB0C5319E7?sequence=1

[2] Baldwin DS, Evans DL, Hirschfeld RM, Kasper S. Can we distinguish anxiety from depression? Psychopharmacol Bull. 2002 . 36 Suppl 2:158-65. Disponível em:
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[3] Ministério da Saúde [homepage na internet]. Depressão [acesso em 1 Out 2018]. Disponível em:
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[4] Universidade Federal do Rio Grande do Sul – O Humanista [homepage na internet]. Brasil sofre com epidemia de ansiedade e depressão [acesso em 1 Out 2018]. Disponível em: https://www.ufrgs.br/humanista/2017/11/27/brasil-sofre-com-epidemia-de-ansiedade-e-depressao/ 

[5] Organização Pan-Americana da Saúde [homepage na internet]. Folha Informativa – Depressão [acesso em 1 Out 2018]. Disponível em: https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5635:folha-inform ativa-depressao&Itemid=822

[6] Ministério da Saúde [homepage na internet]. Ansiedade [acesso em 1 Out 2018]. Disponível em:
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/dicas/224_ansiedade.html

Síndrome da conversão: quando a dor emocional se transforma em dor física

Para algumas pessoas ainda é difícil entender como questões psicológicas podem interferir realmente na saúde de um indivíduo, e essa falta de noção é mais perigosa do que imaginamos, afinal é por causa dela que deixamos passar algumas questões que, se trabalhadas, poderiam nos garantir uma vida de melhor qualidade.

A síndrome da conversão, por exemplo, é capaz de levar o paciente para o centro de emergências de um hospital. Pessoas vítimas dessa síndrome acabam apresentando sintomas típicos de pacientes com problemas neurológicos, psiquiátricos e cardíacos.

Crises epiléticas; dificuldades respiratórias; incapacidade de andar e falar; bloqueios de visão, audição e fala. Em um primeiro momento o médico pode acreditar que esses sintomas representam um acidente vascular cerebral (AVC) ou, ainda, que o paciente ingeriu drogas, machucou a cabeça de alguma forma ou é epilético.

Após solicitar uma série de exames neurológicos, o médico vai perceber que não houve um episódio de AVC ou epilepsia. Além disso, o paciente não se acidentou nem ingeriu drogas. É comum, nesses casos, que o quadro seja diagnosticado como uma crise histérica nervosa.

Histeria

Os mecanismos que nos fazem literalmente converter dor emocional em dor física ainda não são totalmente esclarecidos pela ciência, até mesmo porque os meios de ação do cérebro humano são extremamente complexos e não totalmente desvendados ainda.

Antigamente esses sintomas físicos sem explicação biológica eram descritos como uma histeria típica das mulheres. Os médicos de alguns séculos atrás culpavam o útero pela conversão de dor emocional em dor física, mas o fato é que homens também são vítimas desses casos, e agora, finalmente, isso já é aceito sem muita resistência.

O fato é que o termo “histeria” deixou de ser utilizado há pouco tempo, na era da psicoterapia moderna, e a palavra “conversão” passou a ser adotada para definir esses casos – neste texto nós falamos a respeito da relação entre histeria e prazer feminino.

Conversão

A palavra “conversão” cumpre exatamente o seu papel ao deixar claro que se trata realmente da transformação, da conversão de uma dor psicológica em uma dor física. A coisa é tão séria e tão comum que as estimativas são de que pelo menos 25% da população mundial experimentou ou vai experimentar os sintomas dessa síndrome.

É preciso deixar claro que essa transferência do campo emocional para o físico não acontece por vontade do paciente nem pode ser induzida. Esse processo, na verdade, acontece de maneira inconsciente, ainda que os sintomas físicos sejam facilmente delineados. Converter emoções não verbais e às vezes até inconscientes em dor física é uma forma bizarra de mente e corpo se conectarem.

Tratamento

Todo tratamento que envolva questões psicológicas exige do médico, do terapeuta, do psicólogo e dos outros profissionais envolvidos boas doses de empatia, que é a capacidade de se colocar no lugar do outro e analisar muito bem aquilo que se diz. Um paciente com a síndrome da conversão não deve ouvir frases como “isso é apenas coisa da sua cabeça”, que acabam diminuindo a importância do sofrimento do paciente, como se bastasse força de vontade para resolver o caso.

Frases como essa realmente podem interferir no tratamento, e de maneira bastante negativa.

O ideal é mesclar o tratamento médico, feito por um psiquiatra, com o tratamento terapêutico, geralmente realizado por um psicólogo.

Esse segundo profissional geralmente recorre à terapia cognitivo-comportamental (TCC), que é uma técnica moderna e bastante eficaz de tratamento, demonstrando sucesso em pacientes que tratam depressão e ansiedade.

Em alguns casos, a síndrome requer também fisioterapia, quando os danos físicos são mais intensos e afetam habilidades motoras. Em casos ainda mais severos, quando o paciente apresenta alterações neurológicas, a família acaba se envolvendo com a recuperação de maneira ainda mais intensa, ajudando em tarefas como banho e troca de fraldas.

Alguns pesquisadores acreditam que os sintomas da síndrome de conversão aparecem em pessoas com condições medicais que não foram previamente diagnosticadas. Como a síndrome ainda é pouco conhecida, há material insuficiente publicado sobre ela, sendo difícil prever as consequências em longo prazo.

Se no passado a síndrome já foi considerada exclusiva das mulheres, cientistas modernos já comprovaram que a condição não tem nada a ver com o gênero, sendo possível, portanto, que tanto homens quanto mulheres possam apresentar os sintomas da conversão.

No entanto, há um fator externo que pode facilitar o aparecimento da síndrome. Em países onde a cultura reprime manifestações emocionais de tristeza, sexualidade e até mesmo alegria, as pessoas são mais suscetíveis a apresentar esses sintomas.

De qualquer forma, a síndrome da conversão precisa ser encarada como uma dor crônica, uma doença ou um trauma – jamais como “frescura” ou “algo da sua cabeça”, de novo, apenas por uma questão de empatia. Diminuir o sofrimento psicológico é uma forma muito negativa e cruel de atrapalhar o tratamento.

Essa questão de empatia vale para tudo, mas nos casos das outras doenças psiquiátricas também é fundamental. Da mesma forma que não faz sentido dizer a um diabético que o diabetes é uma “coisa da sua cabeça”, é errado dizer para uma pessoa em depressão que ela precisa ter força de vontade para reagir.

A conversão pode estar ligada a diversos traumas emocionais ou experiências de estresse extremo, como a morte de uma pessoa ou um caso de demissão. Transformar essa dor psicológica em uma dor física é um mecanismo do próprio corpo humano, que talvez divida o peso de um trauma com o resto no corpo para não sobrecarregar o lado emocional.

*Publicado em 30/6/2015

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